Osxiitas (emárabe:شيعة ,Shīʿah, abreviatura de شيعة علي,Shīʻatu ʻAlī, "partido de Ali") são o segundo maior ramo de crentes doIslão, constituindo 16% do total dos muçulmanos, atrás dossunitas, que são 84% da totalidade dos muçulmanos.[1] Os xiitas consideramAli, o genro e primo do profetaMaomé, como o seu sucessor legítimo e consideram ilegítimos os trêscalifas sunitas que assumiram a liderança da comunidade muçulmana após a morte de Maomé.
Depois da morte deMaomé, em 632, muitos acreditavam que ele havia escolhido como seu herdeiro e sucessor o seu genro e primoAli. Logo após o falecimento, a escolha do novocalifa foi organizada, mas, enquanto Ali e sua família aprontavam o enterro de Maomé, algunssahaba, companheiros do Profeta, elegeram o novo governante da comunidade islâmica. Sendo assim,Abacar foi designado o novo califa. Antes de morrer, Abacar designou seu sucessor,Omar, que foi assassinado em 644, dez anos mais tarde. Após ele,Otomão ocupou o califado até 656, ano em que foi assassinado. Finalmente, Ali assumiu o poder.
Oscarijitas têm origem naBatalha do Camelo, onde o governador doBilade Xame (Síria),Moáuia I, junto com a viúva de Maomé,Aixa, uniram suas forças para tirar Ali do poder. Porém, quando viram que suas tropas seriam derrotadas, colocaram páginas doCorão nas pontas das lanças, sabendo que Ali não iria atacá-los dessa forma. Entretanto, um pequeno grupo não aceitou o recuo do exército do califa, defendendo que deveriam batalhar mesmo assim. Dessa situação nascem os carijitas, que quer dizer "os que saíram".[2]
Com a morte de Ali, este foi sucedido por seu filho, Haçane ibne Ali. Haçane não aceitou prestar fidelidade a Moáuia I e, após o seu falecimento,Huceine ibne Ali, irmão de Haçane, foi nomeadoimame. Huceine se negou a prestar juramento de fidelidade a Iázide, filho de Moáuia I, e, por isso, ele e seus parentes foram massacrados na Batalha de Carbala.
Os muçulmanos xiitas estão espalhados por todas as partes do mundo, mas alguns países têm uma concentração particularmente forte: oIrão é quase totalmente xiita, e noIraque, um país onde cerca de 95% da população é muçulmana, cerca de dois terços são xiitas. Eles eram oprimidos pelo partidoBaath, deSaddam Hussein, composto sobretudo porsunitas.
Encontram-se também grandes populações de xiitas noPaquistão (20%), na província oriental daArábia Saudita (15%), noBarém (70%), noLíbano (27%), noAzerbaijão (85%), noIêmen (50%) naSíria e naTurquia. Entre as comunidades islâmicas que residem no Ocidente também é possível encontrar minorias xiitas.
População de muçulmanos xiitas em vários países naÁsia:[3]
O Islão xiita contemporâneo pode ser subdividido em três ramos principais: osxiitas duodecimanos, osismaelitas e oszaiditas. Todos estes grupos estão de acordo em relação à legitimidade dos quatro primeiros imames. Porém, discordam em relação ao quinto: a maioria do xiitas acredita que o neto de Huceine,Maomé Albaquir era o imã legítimo, enquanto que outros seguem o irmão de Albaquir, Zaíde, sendo por isso conhecidos como zaiditas. O xiismo zaidita (ou dos partidários do quinto imã) foi sempre minoritário e encontra-se hoje praticamente limitado aoIémen.
Os xiitas que não reconheceram Zaíde como imame permaneceram unidos durante algum tempo. O sexto imã,Jafar Sadique, foi um grande erudito que é tido em consideração pelos teólogossunitas. A principal escola xiita de lei religiosa recebe o nome de "Jafari" por sua causa.
Após a morte de Jafar Sadique, em 765, ocorre uma cisão no grupo: uns reconheciam como imã o filho mais velho de Sadique, Ismail (morto em 765), enquanto que para outros o imã era o filho mais novo, Musa (morto em 799). O último grupo continuou a seguir uma cadeia de imãs até ao décimo segundo,Maomé Madi (falecido em 874). Os últimos ficaram conhecidos comoxiitas duodecimanos, enquanto os primeiros comoismailitas; o termo xiita é geralmente usado hoje em dia como sinónimo dos xiitas duodecimanos ("dos Doze"), uma vez que são os xiitas maioritários.
Para os ismailitas, Ismail nomeou o seu filhoMaomé ibne Ismael como seu sucessor, tendo a linha sucessória dos imames continuado com ele e com os seus descendentes. Os ismailitas tornaram-se poderosos noséculo X no Norte de África, onde fundam naIfríquia (Tunísia) oCalifado Fatímida(909–1171) que em 969 conquista o Egito (onde fundam aUniversidade de Alazar) e a Síria. O persaAdarazi declarou que o quartocalifa fatímida,Aláqueme Bianre Alá, era Deus, dando origem à religiãodrusa.
O ismailismo dividiu-se ainda em outros grupos, que orbitavam em torno de dois irmãos,Nizar (m. 1095) eAlmostali (m. 1101). Os governantes fatímidas apoiam Almostali e os seguidores de Nizar foram obrigados a fugir, fixando-se nas montanhas da Síria e da Pérsia. Os partidários da causanizarita organizam-se num movimento conhecido comoFidáiyya ("a gente do sacrifício") ou aindaTa´limiyya ("da doutrinação"), a que os seus inimigos (entre os quais se encontravam oscruzados) deram o nome deassassinos (hashshashin). Os assassinos ficaram conhecidos por uma série de assassinatos políticos. No século XIX, o rei da Pérsia deu o título deAgacão ao imame de uma das subseitas dos ismailitas nizaritas, osQasimshahitas. Actualmente, a maioria dos ismailitas encontra-se neste grupo.
Noséculo XIXSaíde Ali Maomé provoca uma divisão no seio da comunidadexiita dos Doze Imames, ao proclamar-se como manifestação de Deus, tomando o nome de Babe, "Porta", porque acreditava ter contacto directo com o décimo segundo imã que tinha desaparecido em 874. Fuzilado em 1850, um dos seus discípulos, conhecido comoBahá'u'lláh, fundou aFé Bahá'í, hoje em dia considerada uma religião independente doislão.
De acordo com os xiitas dos Doze Imames, os doze descendentes de Ali detêm um estatuto especial; eles são inferiores ao profeta, mas superiores ao comum dos mortais. Eles são vistos como sucessores directos corporais e espirituais do profeta, infalíveis, inspirados divinamente e escolhidos por Deus.
Os xiitas duodecimanos acreditam na doutrina daOcultação, que diz que Maomé Madi encontra-se escondido e que regressará no fim do mundo. Este Imã oculto (escondido) é capaz de enviar mensagens aos fiéis. Alguns xiitas iranianos acreditavam que o falecidoAiatolá Khomeini teria recebido inspiração do 12º e último Imã.
Os crentes divergem quanto ao que irá acontecer ao último Imã quando regressar (apesar de algumas seitas reservarem esse título paraIsa). Acredita-se normalmente que o último Imã será acompanhado pelo profeta Jesus e que irá revelar a mensagem do Islão à humanidade. No islão xiita é obrigação de cada muçulmano seguir umMarja vivo. Há vários Marjas xiitas vivos hoje, com:Aiatolá Khamenei,Aiatolá Ali al-Sistani,Aiatolá Fazil Linkarani,Aiatolá Sadiq Sherazi, Aiatolá Fadlullah, etc..
A lembrança da Ashura é quando osmuçulmanosxiitas lembram o martírio deHuceine ibne Ali, neto deMaomé emCarbala, onde tal massacre, que teve mulheres e crianças oprimidas, foi perpetrado pelas mãos deIázide I, o filho deMoáuia I, aquele que havia lutado contra Ali e usurpado o califado de Haçane.
Em certas regiões do Oriente Médio e da Ásia, a Ashura tomou uma visão grotesca, com autoflagelações e situações anti-islâmicas. A autoflagelação é proibida dentro do Islã, e esta atitude é realizada por uma ínfima minoria dentro do xiismo. Grandes sábios desaprovam e se opõem vigorosamente à autoflagelação, chamando-a debidah ("inovação"). NoIrão, por exemplo,Khamenei coloca policiais nas ruas para proibir tal barbaridade, no Líbano oHezbollah não permite que seus membros realizem autoflagelação, assim como Fadlullah, Sistani, enfim, todos os sábios xiitas, não a ratificam.[carece de fontes?]