As expressõesvida após a morte (emlatim:post mortem),além,além-túmulo,pós-vida,ultravida eoutro mundo referem-se à continuidade daalma,espírito oumente de um ser após amorte física. Os principais pontos de vista sobre o além proveem dareligião,esoterismo emetafísica. Sob vários pontos de vista populares, esta existência continuada frequentemente toma lugar numreino espiritual ou imaterial. Acredita-se que pessoas falecidas geralmente vão para um reino ouplano de existência específico após a morte, geralmente determinado por suas ações em vida. Em contraste, o termo "reencarnação" refere-se ao renascimento em um novo corpo físico após a morte, isto é, a doutrina da reencarnação animal um período de existência do ser em outros planos sutis, que ocorre entre duas existências físicas ourenascimentos.[1]
Existem dois tipos deopinião, fundamentalmente diferentes, sobre a vida após a morte:opiniãoempírica, baseada em supostas observações, eopinião religiosa, baseada nafé.[3]
O segundo tipo baseia-se numa forma defé, usualmente fé nas histórias que são contadas pelos ancestrais ou fé em livros religiosos como aBíblia, oQur'an, oTalmude, osVedas, oTripitaka etc. Este artigo trata principalmente deste segundo tipo.
Vida após a morte em diferentes modelos metafísicos
Nos modelosmetafísicos,teístas geralmente acreditam que algum tipo de ultravida aguarda as pessoas quando elas morrem. Osateus geralmente não acreditam que haja uma vida após a morte. Membros de algumas religiões geralmente não-teístas, como obudismo, tendem a acreditar numa vida após a morte (tal como nareencarnação dos mortos), mas sem fazer referências aDeus.
Osagnósticos geralmente mantém a posição de que, da mesma forma que a existência de Deus, a existência de outros fenômenos sobrenaturais tais como a existência daalma ou a vida após a morte são inverificáveis, e portanto, permanecerão desconhecidos. Algumas correntes filosóficas (por exemplo,humanismo,pós-humanismo, e, até certo ponto, oempirismo) geralmente asseveram que não há uma ultravida.
Muitas religiões, crendo ou não na existência da alma num outro mundo, como ocristianismo, oislamismo e muitos sistemas de crençaspagãos, ou em reencarnação, como muitas formas dehinduísmo ebudismo, acreditam que ostatus social de alguém na ultravida é uma recompensa ou punição por sua conduta nesta vida.
A ultravida desempenhava um importante papel naantiga religião egípcia, e seusistema de crenças é um dos mais antigos conhecidos. Quando o corpo morria, partes de sua alma conhecidos comoka (corpo duplo) eba (personalidade) iam para o Reino dos Mortos. Enquanto a alma residia nosCampos de Aaru,Osíris exigia pagamento pela proteção que ele propiciava. Estátuas eram colocadas nas tumbas para servir como substitutos do falecido.[6]
Obter a recompensa no outro mundo era uma verdadeira provação, exigindo um coração livre de pecados e a capacidade de recitar encantamentos, senhas e fórmulas doLivro dos Mortos. No Salão das Duas Verdades, o coração do falecido era pesado contra uma penaShu de verdade e justiça, retirada do toucado da deusaMaet.[7] Se o coração fosse mais leve que a pena, a alma poderia continuar, mas, se fosse mais pesada, era devorada pelo demônioAmmit.
Os egípcios também acreditavam que sermumificado era a única forma de garantir a passagem para o outro mundo. Somente se o corpo fosse devidamenteembalsamado e sepultado numamastaba, poderia viver novamente nosCampos de Yalu e acompanhar o Sol em sua jornada diária. Devido aos perigos apresentados pela ultravida, o Livro dos Mortos era colocado na tumba, juntamente com o corpo.
Zaratustra, que viveu na antigaPérsia por volta doséculo VII a.C.,[8] pregava que os mortos serão devorados pelo terror e purificados para viver num mundo material perfeito no fim dos tempos.
O textopálaviJulgamentos religiosos (Dadestan-i Denig), datado de cerca de 900 AD, descreve ojulgamento particular da alma três dias após a morte, sendo cada alma enviada para o paraíso, inferno ou para um lugar neutro (hamistagan) para aguardar peloJuízo Final.[9]
NaOdisseia,Homero refere-se aos mortos como "espectros consumidos". Uma ultravida de eterna bem-aventurança existe nosCampos Elísios, mas está reservada para os descendentes mortais deZeus.
Em seuMito de Er,Platão descreve almas sendo julgadas imediatamente após a morte e sendo enviadas ou para océu como recompensa ou para osubmundo como punição. Depois que seus respectivos julgamentos tenham sido devidamente gozados ou sofridos, as almas reencarnam.
O deus gregoHades é conhecido namitologia grega como rei dosubmundo, um lugar gélido entre o local de tormento e o local de descanso, onde a maior parte das almas residem após a morte. É permitido que alguns heróis das lendas gregas visitem o submundo. Osromanos tinham um sistema de crenças similar quanto a vida após a morte, com Hades sendo denominado Plutão. O príncipetroianoEnéas, que fundou a nação que se tornaria Roma, visitou o submundo de acordo com opoema épicoEneida.[10]
Barco funerárioviquingue. Esperava-se que pessoas enterradas nestas embarcações fossem conduzidas em segurança para o Outro Mundo
OsEddas em verso eem prosa, as mais antigas fontes de informação sobre o conceito nórdico de vida após a morte,[11] variam em sua descrição dos vários reinos que são descritos como fazendo parte deste tópico. Os mais conhecidos são:
Valhala: (literalmente, "Salão dos Assassinados", isto é, "os Escolhidos"). Esta moradia celestial, de alguma forma semelhante aosCampos Elísios gregos, está reservado aos guerreiros valorosos que morreram heroicamente em batalha.
Helheim: (literalmente, "O Salão Coberto"). Esta moradia assemelha-se aoHades dareligião grega, com um local semelhante ao "Campo de Asfódelos",[12] onde as pessoas que não se destacaram, seja por boas ou más ações, podem esperar residir após a morte e onde se reúnem com seus entes queridos.
Niflheim: (literalmente, "O Escuro" ou "Hel Nevoento"). Este reino é grosso modo similar aoTártaro grego. Está situado num nível inferior ao do Helheim, e aqueles que quebram juramentos, raptam e estupram mulheres, e praticam outros atos vis, serão enviados para lá com outros do seu tipo, para sofrer punições severas.
↑Pablo Nogueira; Carol Castro (Outubro de 2011).Superinteressante, ed.«Ciência Espírita». Consultado em 1 de abril de 2014A referência emprega parâmetros obsoletos|coautores= (ajuda)
↑Vida após a morte, "Departamento de Comunicação da IASD", ano I, ed. 8
↑Bard, Katheryn (1999).Encyclopedia of the Archaeology of Ancient Egypt (em inglês). [S.l.]: Routledge.ISBN0-4151-8589-0