Velloziaceae é uma família deangiospermas monocotiledôneas nativas e nãoendêmicas do Brasil.[1] Ela pertence à ordemPandanales, possuindo cerca de 250 espécies divididas em sete gêneros:Acanthochlamys,Barbacenia,Barbaceniopsis,Nanuza,Talbotia,Vellozia eXerophyta.[2] Entre as espécies de Velloziaceae, a maioria ocorre naregião neotropical, estando concentradas noscampos rupestres do Brasil[3], enquanto o restante está distribuído entre África,península arábica e China, as duas últimas com apenas uma espécie cada.[4]
Entre as espécies deVellozia, destaca-seVellozia squamata, popularmente conhecida comocanela-de-ema, um arbusto com importância medicinal, podendo ser usada como anti-inflamatório, e importância ornamental.[5]
Distribuição de espécies de Velloziaceae entre os estados do Brasil
No Brasil, são encontrados apenas os gênerosVellozia eBarbacenia, com a família ocorrendo nas regiões Norte (Amazonas, Pará, Roraima, Tocantins), Nordeste (Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe), Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso), Sudeste (Espirito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul (Paraná), além dosdomínios fitogeográficosAmazônia,Caatinga,Cerrado eMata Atlântica.[1]
O gêneroVellozia apresenta cerca de 121 espécies, distribuídas pelos estados de Roraima (1 espécie), Pará (4 espécies), Tocantins (6 espécies), Amazonas (1 espécie), Bahia (23 espécies), Ceará (1 espécie), Maranhão (1 espécie), Paraíba (1 espécie), Pernambuco (2 espécies), Piauí (4 espécies), Rio Grande do Norte (1 espécie), Sergipe (1 espécie), Distrito Federal (5 espécies), Goiás (14 espécies), Mato Grosso do Sul (1 espécie), Mato Grosso (5 espécies), Espirito Santo (5 espécies), Minas Gerais (95 espécies), Rio de Janeiro (4 espécies) e São Paulo (5 espécies).[1]
O gêneroBarbacenia possui cerca de 100 espécies, ocorrendo apenas nos estados de Roraima (1 espécie), Piauí (1 espécie), Bahia (8 espécies), Goiás (6 espécies), Mato Grosso do Sul (1 espécie), São Paulo (4 espécies), Minas Gerais (73 espécies), Espirito Santo (5 espécies), Rio de Janeiro (9 espécies) e Paraná (1 espécie).[1]
Entre os estados, Minas Gerais é o que apresenta maior diversidade, com cerca de 170 espécies, localizadas, sobretudo, na região daSerra do Cipó ePlanalto de Diamantina, onde se concentram em formações dequartzito, estando restritas aos topos de morros.[6]
Asplantas da família Velloziaceae são em sua maiorialitófitas, incluindo formas perenes, às vezes arbustivas.
Vellozia angustifolia
Ocaule é simples ou bifurcado, variando de três a seis centímetros, envolvido por folhas trísticas (dispostas em três séries ou fileiras) ou espirotrísticas (espiralam ao redor do caule), paralelinérveas, que ficam agrupadas no ápice dos ramos.[7]
Ainflorescência é do tipo uniflora, mas pode ocorrer multiflora, e asflores são, em sua maioria, bissexuadas (possuem ambas as estruturas reprodutivas masculinas e femininas) e com simetriaactinomorfa. O cálice e a corola são trímeros e geralmente estão unidos entre si[3], há seis ou maisestames (normalmente 18), com ou sem filete e anteras basifixas ou dorsifixas. Acor das flores pode variar entre violeta, branco, verde, amarelo, rosa e vermelho.
Oovário é trilocular e ínfero, com 3 estigmas apicais ou subapicais, lineares, elípticos ou orbiculares.[7]
As relações filogenéticas de Velloziaceae têm sido alvo de muitas controvérsias ao longo do tempo, devido principalmente à dificuldade dos pesquisadores em delimitarem características para a separação dos grupos.[8] Essa dificuldade se reflete nas diferentes famílias com as quais Velloziaceae já foi tida como próxima, entre elasHypoxidaceae,Amaryllidaceae,Haemodoraceae eBromeliaceae. Porém, trabalhos recentes, baseados em dados moleculares e morfológicos, agruparam a família dentro da ordem Pandanales, juntamente com as famíliasCyclanthaceae,Pandanaceae,Stemonaceae eTriuridaceae, e a apontaram como grupo basal[9].
A filogenia dos gêneros de Velloziaceae ainda é pouco entendida, variando entre os autores. Na classificação doAngiosperm Phylogeny Website (APG), o gêneroBarbacenia éparafilético, com a subfamília Barbacenioideae sendo consideradamonofilética, e o gêneroAcanthochlamysgrupo-irmão dos outros gêneros da família.[10]