A Cidade do Vaticano é uma cidade-Estado que existe desde 1929. É distinta daSanta Sé, que remonta aocristianismo primitivo sendo a principalsé episcopal de 1,5 bilhão decatólicos romanos (latinos eorientais) de todo o mundo. Ordenanças da Cidade do Vaticano são publicadas emitaliano; documentos oficiais da Santa Sé são emitidos principalmente emlatim. As duas entidades ainda têm passaportes distintos: a Santa Sé, como não é um país, apenas trata de questões de passaportes diplomáticos e de serviço; o Estado da Cidade do Vaticano cuida dos passaportes comuns. Em ambos os casos, os passaportes emitidos são muito poucos. A Cidade do Vaticano é umEstado eclesiástico[10] outeocrático-monárquico,[5] governado pelobispo deRoma, oPapa. A maior parte dos funcionários públicos são todos os clérigos católicos de diferentes origens raciais, étnicas e nacionais. É o território soberano daSanta Sé (Sancta Sedes) e o local de residência do Papa, referido como oPalácio Apostólico.
OTratado de Latrão, de 1929, que criou a cidade-Estado do Vaticano, descreve-a como uma nova criação (preâmbulo e no artigo III) e não como um vestígio dos muito maioresEstados Pontifícios (756–1870), que anteriormente abrangiam aregião central da Itália. A maior parte desse território foi absorvida peloReino de Itália em 1860 e a porção final, ou seja, a cidade de Roma, com uma pequena área perto dela, dez anos depois, em 1870. Os papas residem na área, que em 1929 tornou-se a Cidade do Vaticano, desde o retorno deAvinhão em 1377. Anteriormente, residiam noPalácio de Latrão na colinaCélio no lado oposto de Roma, local queConstantino deu aoPapa Milcíades em 313. A assinatura dos acordos que estabeleceram o novo Estado teve lugar neste último edifício, dando origem ao nome Tratado de Latrão, pelo qual é conhecido.
A Cidade do Vaticano abriga locais religiosos e culturais tais como aBasílica de São Pedro, aCapela Sistina, aBiblioteca Apostólica Vaticana e osMuseus do Vaticano, monumentos que são lar de muitas das pinturas e esculturas mais famosas do mundo. O Estadocunha sua própria moeda, mas, como resultado da união aduaneira e monetária com a Itália, adota oeuro: as moedas de metal nas suas oito denominações ostentam o brasão do Papa reinante, ou dos súbditos do Vaticano, no lado nacional, e emite os seus própriosselos, que podem ser usados para serviços postais em todo o mundo (mas apenas com envio pelosCorreios do Vaticano). As séries comemorativas de moedas e selos são importantes e muito procuradas por numismatas e filatelistas.[12] O Vaticano também publica um jornal diário,L'Osservatore Romano,[13][14] fundado em 1861, e desde 1931 funciona uma estação de rádio, aRádio Vaticano, que transmite em várias línguas.[15][16]
Vaticano é uma colina situada na região noroeste deRoma e não possui ligação com assete colinas de Roma. Era o local dosoráculos muito antes da Roma pré-cristã.Vaticanus, também conhecido comoVagitanus, era um deusetrusco,[17][18] que"abria a boca do recém-nascido para que ele pudesse dar o primeiro grito, o primeiro choro",[19] e seu templo foi construído no antigo local deVaticanum.[17] Lá se ergueu também oCirco de Nero. Acredita-se que tenha sido também o local em queSão Pedro foi martirizado e sepultado.[17][19]
Por causa de sua proximidade com sua arqui-inimiga, a cidadeetrusca deVeii (outro nome para oAger Vaticanus eraRipa Veientana ouRipa Etrusca) e por ter sido submetida às inundações do Tibre, os romanos consideraram esta parte originalmente desabitada de Roma como insalubre e sinistra.[21]
A qualidade particularmente baixa dovinho do Vaticano, mesmo após a recuperação da área, foi comentada pelo poetaMarcial (40 — entre 102 e 104 d.C.).[22]Tácito escreveu que em 69, oAno dos Quatro Imperadores, quando o exército do norte que levouVitélio ao poder chegou a Roma, "uma grande proporção acampou nos bairros insalubres do Vaticano, o que resultou em muitas mortes entre os soldados comuns; e estando o Tibre por perto, a incapacidade dosgauleses egermânicos de suportar o calor e a consequente ganância com que bebiam da corrente enfraquecia os seus corpos, que já eram uma presa fácil para a doença".[23]
Sob oImpério Romano, muitas vilas foram construídas lá, depois queAgripina, a Velha (14 aC-18 de outubro de 33) drenou a área e planejou seus jardins no início do século I. No ano 40, seu filho, o imperadorCalígula (31 de agosto 12–24 de janeiro de 41 d.C.; r. 37–41) construiu em seus jardins um circo para cocheiros (40 d.C.) que mais tarde foi concluído porNero, oCirco Gaii et Neronis,[24] geralmente chamado, simplesmente, deCirco de Nero.[25]
Em frente ao circo havia um cemitério separado pelaVia Cornélia. Monumentos fúnebres e mausoléus e pequenos túmulos, bem como altares para deuses pagãos de todos os tipos de religiões politeístas, foram construídos até a construção daBasílica Constantiniana de São Pedro na primeira metade do século IV. Um santuário dedicado à deusafrígiaCibele e seu consorteÁtis permaneceu ativo por muito tempo depois que a antiga Basílica de São Pedro foi construída nas proximidades.[28] Restos desta antiga necrópole foram trazidos à luz esporadicamente durante reformas por vários papas ao longo dos séculos, aumentando em frequência durante aRenascença até que foi sistematicamente escavada por ordens doPapa Pio XII de 1939 a 1941.
A Basílica Constantiniana foi construída em 326 sobre o que acredita-se que seja o túmulo de São Pedro, que teria sido sepultado naquele cemitério.[29] A partir de então, a área tornou-se mais populosa devido à atividade da basílica. Um palácio foi construído nas proximidades já no século V durante o pontificado doPapa Símaco (reinou de 498 a 514).[30]
Ospapas gradualmente passaram a ter um papel secular como governadores de regiões próximas aRoma. Eles governaram osEstados Pontifícios. Durante um período de quase mil anos, que teve início no império deCarlos Magno no século IX, os papas reinavam sobre a maioria dos estados temporais do centro daPenínsula Itálica, incluindo a cidade de Roma, e partes do sul daFrança.
Pela maior parte deste tempo o Vaticano não foi a residência habitual dos Papas, mas oPalácio de Latrão, e nos últimos séculos, oPalácio do Quirinal, enquanto a residência entre 1309–1377 foi emAvinhão, na França. As terras tinham sido doadas em 756 porPepino, o Breve, rei dosfrancos.
Durante o processo deunificação dapenínsula, a Itália gradativamente absorveu osEstados Pontifícios. Em 1870, as tropas do reiVítor Emanuel entram em Roma e incorporam a cidade ao novo Estado. Em 13 de março de 1871, Vítor Emanuel II ofereceu como compensação aoPapa Pio IX uma indenização e o compromisso de mantê-lo como chefe do Estado do Vaticano, um bairro de Roma onde ficava a sede da Igreja.[31] O papa, porém, recusou-se a reconhecer a nova situação e considerou-se prisioneiro do poder laico. Além disso, proibiu os católicos italianos de votar nas eleições do novo reino.
AItália não fez nenhuma tentativa de interferir com aSanta Sé dentro dos muros do Vaticano. No entanto, confiscou propriedades da igreja em muitos lugares. Em 1871, oPalácio Quirinal foi confiscado peloRei da Itália e tornou-se o palácio real. Depois disso, os papas residiram sem serem perturbados dentro dos muros do Vaticano, e certas prerrogativas papais foram reconhecidas pelaLei de Garantias, incluindo o direito de enviar e receber embaixadores. Mas os papas não reconheceram o direito do rei italiano de governar emRoma e se recusaram a deixar o complexo do Vaticano até que a disputa fosse resolvida em 1929; oPapa Pio IX (1846–1878), o último governante dos Estados Pontifícios, foi referido como um "prisioneiro no Vaticano". Forçados a abrir mão do poder secular, os papas se concentraram em questões espirituais.[32]
A Santa Sé, que governava a Cidade do Vaticano, seguiu uma política deneutralidade durante aSegunda Guerra Mundial, sob a liderança doPapa Pio XII. Embora as tropas alemãs tenham ocupado a cidade deRoma após oArmistício de Cassibile em setembro de 1943, e osAliados a partir 1944, ambos respeitaram a Cidade do Vaticano como território neutro.[37]
Uma das principais prioridades diplomáticas dobispo de Roma era evitar o bombardeio da cidade; tão sensível era o pontífice que ele protestou até mesmo contra o lançamento aéreo britânico de panfletos sobre Roma, alegando que os poucos desembarques dentro da cidade-Estado violavam a neutralidade do Vaticano.[38] A política britânica, conforme expressa na ata de uma reunião do Gabinete, foi: "que não devemos molestar a Cidade do Vaticano em hipótese alguma, mas que nossa ação em relação ao resto de Roma dependeria de até que ponto o governo italiano observasse as regras de guerra".[38]
Depois que osEstados Unidos entraram na guerra, eles se opuseram a tal bombardeio, temendo ofender membros católicos de suas forças militares, mas disseram que "eles não poderiam impedir os britânicos de bombardear Roma se os britânicos assim decidissem". Os militaresestadunidenses até mesmo isentaram pilotos católicos e tripulantes de ataques aéreos a Roma e outras propriedades da Igreja, a menos que voluntariamente concordado. Notavelmente, com exceção de Roma, e provavelmente a possibilidade do Vaticano, nenhum piloto ou tripulação católica norte-americana recusou uma missão dentro da Itália controlada pelos alemães. Osbritânicos disseram intransigentemente "que bombardeariam Roma sempre que as necessidades da guerra exigissem".[39]
Em dezembro de 1942, o enviado doReino Unido sugeriu à Santa Sé que Roma fosse declarada uma "cidade aberta", uma sugestão que a Santa Sé, que não queria que Roma fosse uma cidade aberta, levou mais a sério do que provavelmente os britânicos pretendiam. Cidade aberta é aquela que em tempos de guerra são poupadas de ataques. Mussolini, no entanto, rejeitou a sugestão quando a Santa Sé a apresentou. Em conexão com ainvasão aliada da Sicília, 500 aviões dos Estados Unidosbombardearam Roma em 19 de julho de 1943, visando principalmente o centro ferroviário. Cerca de 1 500 pessoas foram mortas; o próprio Pio XII, que no mês anterior havia sido descrito como "doente de preocupação" com o possível bombardeio, viu as consequências. Outro ataque ocorreu em 13 de agosto de 1943, depois que Mussolinifoi deposto do poder.[40] No dia seguinte, o novo governo declarou Roma uma cidade aberta, após consultar a Santa Sé sobre o texto da declaração, mas o Reino Unido decidiu que nunca reconheceria Roma como uma cidade aberta.[41]
Pio XII se absteve de criar cardeais durante a guerra. No final da Segunda Guerra Mundial, havia várias vagas de destaque:Cardeal Secretário de Estado,Camerlengo,Chanceler e Prefeito daCongregação para os Religiosos entre eles.[42] Pio XII criou 32 cardeais no início de 1946, tendo anunciado suas intenções de fazê-lo em sua mensagem deNatal anterior.
A construção em 1995 de uma nova casa de hóspedes,Domus Sanctae Marthae, adjacente àBasílica de São Pedro foi criticada por grupos ambientalistas italianos, apoiados por políticos italianos. Eles alegaram que o novo edifício bloquearia as vistas da Basílica de apartamentos italianos próximos.[43] Por um breve período, os planos prejudicaram as relações entre o Vaticano e o governo italiano. O chefe do Departamento de Serviços Técnicos do Vaticano rejeitou vigorosamente os desafios ao direito do Estado do Vaticano de construir dentro de suas fronteiras.[43]
É fundamentalmente urbano e nenhuma das terras está reservada para agricultura ou outro tipo de exploração de recursos naturais. A cidade-estado exibe um impressionante grau de economia, nascida da necessidade extremamente limitada, devido ao seu território. Assim, o desenvolvimento urbano é otimizado para ocupar menos de 50% da área total, ao passo que o resto é reservado para espaço aberto, incluindo os Jardins do Vaticano.
O território possui muitas estruturas que ajudam a fornecer autonomia ao Estado soberano, estes incluem: linhas ferroviárias,heliporto, correios, estação de rádio, quartéis militares, palácios e gabinetes governamentais, instituições de ensino superior, cultural e de arte, e algumas embaixadas.
No território da Cidade do Vaticano estão osJardins do Vaticano (emitaliano:Giardini Vaticani), que representam cerca de metade desse território. Os jardins, implantados durante oRenascimento e oBarroco, são decorados com fontes e esculturas. Os jardins cobrem aproximadamente 23 hectares. O ponto mais alto fica a 60 m acima donível do mar. Paredes de pedra delimitam a área no norte, sul e oeste.[44]
Os jardins datam daépoca medieval, quando pomares e vinhedos se estendiam ao norte doPalácio Apostólico.[45] Em 1279, oPapa Nicolau III (Giovanni Gaetano Orsini, 1277–1280) mudou sua residência doPalácio de Latrão de volta para o Vaticano e fechou esta área com paredes.[46] Ele plantou umpomar (pomerium), um gramado (pratellum) e um jardim (viridarium).[46]
Panorama dos jardins, visto da Basílica de São Pedro
De acordo com aclassificação climática de Köppen-Geiger, a região romana, na qual está localizado o Vaticano, pertence à faixaCsa, comclima temperado de latitudes médias e verão quente.[47] Asestações chuvosas são aprimavera e ooutono, principalmente nos meses de novembro e abril. Overão é quente, úmido e potencialmente seco, enquanto oinverno é geralmente suave e chuvoso, mas com grandes índices de frio e, por vezes, deneve.[48] Aprecipitação média anual, gira em torno de 750 mm e em média distribuída em 79 dias, apresentando uma quantia mínima no verão e um índice elevado no outono.[49]
Em julho de 2007, o Vaticano tornou-se o único Estado neutro em relação aocarbono por ano, devido à doação da Floresta Clima naHungria ao Vaticano. A floresta possui tamanho suficiente para compensar as emissões de dióxido de carbono do Estado.[50] Em 2009, o Vaticano lançou um serviço de meteorologia, que funciona como uma ferramenta de medição disponível na web. O sistema é baseado numaestação meteorológicaDavis Vantage Pro 2, localizado no alto do Palácio do Governatorato do Vaticano desde o início de março de 2009.[51]
A estimativa populacional do Vaticano é de cerca de 800 pessoas, das quais aproximadamente 450 possuem a cidadania do Vaticano, enquanto as demais são autorizadas a residir temporariamente ou mesmo permanentemente, mas sem o direito de cidadania.[54]
Em 31 de dezembro de 2011, o número de moradores nos imóveis extraterritoriais e propriedade isentas de impostos e de expropriação foi de 3 500.[55]
A população em geral é composta por pessoas de diferentes nacionalidades, em sua maioriaitalianos, e por aqueles que tem residência permanente por razões de encargos, dignidade, emprego ou ofício, desde que tal residência seja prevista por lei e autorizadas pelas autoridades competentes.[56]
Acidadania do Vaticanonunca é original, mas baseia-se exclusivamente no critério de residência permanente na Cidade do Vaticano, como é evidenciado no artigo 9.º doTratado de Latrão. A Lei Vaticana n. III de 7 de junho de 1929 afirma que a pessoa se torna cidadã devido a sua residência permanente no Vaticano.[56]
Em 22 de fevereiro de 2011, opapa Bento XVI promulgou a nova "Lei sobre a cidadania, residência e acesso" para a Cidade do Vaticano, que entrou em vigor em 1 de março do mesmo ano. A nova lei substituiu a "Lei sobre cidadania e residência" de 1929.[57] A nova lei criou ostatus de residentes oficiais do Vaticano, legalizando as pessoas que vivem na Cidade do Vaticano mas que não possuem cidadania.[58]
O Papa, chefe de Estado eleito em um colégio de cardeais denominadoconclave para um cargo vitalício, detém no Estado do Vaticano os poderes legislativo, executivo e judiciário, desde a criação do Vaticano peloTratado de Latrão, em 1929 com a Itália sob o regime fascista deBenito Mussolini.
Tecnicamente é umamonarquia eletiva, nãohereditária (isto seria impossível, já que o Papa é celibatário). Pode-se considerar o Vaticano como umaautocracia, porque todos os poderes (executivo, legislativo e judiciário) estão concentrados na figura do Papa, que não possui qualquer órgão que fiscalize seus atos como governante, e, por ser considerado sucessor deSão Pedro, não deve prestação de contas a ninguém, considerando-o um emissário deDeus naTerra. O termo cidade do Vaticano é referente ao Estado, enquantoSanta Sé é referente ao governo daIgreja Católica efetuado pelo Papa e pelaCúria Romana.
A Cúria Romana é efetivamente o governo do Estado e a gestão administrativa, pelo que o seu chefe, oSecretário de Estado, tem as incumbências equivalentes às de umprimeiro-ministro. Outros cargos políticos encontram-se sob designações diversas nos diversos órgãos da Cúria Romana.
Formalmente constituído em 1929 com a configuração actual, o Estado do Vaticano administra as propriedades situadas emRoma e arredores que pertencem à Santa Sé. O Estado do Vaticano, com o estatuto de observador nasNações Unidas, é reconhecido internacionalmente e foi admitido membro de pleno direito das Nações Unidas, em julho de 2004, mas abdicou voluntariamente do direito de voto.
A Santa Sé estabelece com muitos Estados tratados internacionais (concordatas), para assegurar direitos dos católicos ou da Igreja Católica naqueles Estados. Muitos foram assinados quanto os Estados se laicizaram, como forma de garantir direitos para a Igreja e permitir sua existência em tais países.
Como a Cidade do Vaticano é umenclave dentro da Itália, sua defesa militar é fornecida pelasForças Armadas Italianas. No entanto, não existe um tratado formal de defesa com aItália, pois a Cidade do Vaticano é umEstado neutro. A Cidade do Vaticano não possui forças armadas próprias, embora aGuarda Suíça seja um corpo militar da Santa Sé responsável pela segurança pessoal doPapa e dos residentes no Estado. Os soldados da Guarda Suíça têm direito a possuir passaportes e nacionalidade do Estado da Cidade do Vaticano. Mercenários suíços foram historicamente recrutados por papas como parte de um exército para os Estados papais e a Pontifícia Guarda Suíça foi fundada peloPapa Júlio II em 22 de janeiro de 1506 comoguarda-costas pessoal do papa e continua a cumprir essa função. Ele está listado noAnnuario Pontificio como "Santa Sé", não como "Estado da Cidade do Vaticano". No final de 2005, a Guarda contava com 134 membros. O recrutamento é organizado por um acordo especial entre a Santa Sé e aSuíça. Todos os recrutas devem ser católicos, solteiros do sexo masculino, com cidadania suíça, que tenham concluído seu treinamento básico nasForças Armadas da Suíça com certificados de boa conduta, ter entre 19 e 30 anos de idade e ter pelo menos 174 cm de altura. Os membros são equipados com armas pequenas e aalabarda tradicional (também chamada de voulge suíça) e treinados em táticas de guarda-costas. AGuarda Palatina e aGuarda Nobre, as últimasForças Armadas do Vaticano, foram dissolvidas peloPapa Paulo VI em 1970.[59] Como a Cidade do Vaticano listou todos os edifícios em seu território no Registro Internacional de Bens Culturais sob Proteção Especial daConvenção para a Proteção dos Bens Culturais em Caso de Conflito Armado, teoricamente, os torna imunes a ataques armados.[60]
A defesa civil está a cargo do Corpo de Bombeiros do Estado da Cidade do Vaticano, ocorpo de bombeiros nacional. Datando suas origens no início do século XIX, o Corpo em sua forma atual foi estabelecido em 1941. É responsável pelo combate a incêndios, bem como por uma série de cenários de defesa civil, incluindo inundações, desastres naturais e gerenciamento de vítimas em massa. O Corpo é supervisionado pelo governo por meio da Direção de Serviços de Segurança e Defesa Civil, que também é responsável pela Gendarmaria (ver abaixo).[61]
OCorpo de Gendarmeria (Corpo della Gendarmeria) é agendarmeria, ou força policial e de segurança, da Cidade do Vaticano epropriedades extraterritoriais da Santa Sé.[62] O corpo é responsável pela segurança, ordem pública, controle de fronteira, controle de tráfego, investigação criminal e outras funções policiais gerais na Cidade do Vaticano, incluindo fornecer segurança para o Papa fora da Cidade do Vaticano. O corpo tem 130 funcionários e faz parte da Direcção de Serviços de Segurança e Defesa Civil (que inclui também o Corpo de Bombeiros do Vaticano), um órgão do Governatorato da Cidade do Vaticano.[63][64]
O orçamento do Estado do Vaticano inclui os rendimentos dosMuseus Vaticanos e dos correios e é apoiado financeiramente pela venda de selos, moedas, medalhas e lembranças turísticas; por taxas de admissão aos museus; e por publicações vendidas. Os rendimentos e padrões de vida dos trabalhadores são comparáveis aos dos colegas que trabalham na cidade deRoma. Outras indústrias incluem a impressão, a produção demosaicos e a fabricação de uniformes dos funcionários.[65] As finanças do Vaticano não se confundem contudo com o tesouro católico, que abriga a totalidade de negócios e investimentos da Igreja ao redor do mundo que movimentam US$ 170 bilhões anuais apenas na América do Norte.[66] Entre os diversos negócios estão 209 mil escolas,[67] hotéis,[68] mais de 5 mil hospitais, além de 330,6 mil hectares em fazendas.[69] Também existe investimento católico em universidades, TV, satélite e rádio[70] e até no setor financeiro com o Banco do Vaticano.[71]
OInstituto para as Obras de Religião, também conhecido como o Banco do Vaticano e pela sigla IOR (Istituto per le Opere di Religione), é um banco situado no Vaticano que realiza atividades financeiras em todo o mundo. Tem umcaixa eletrônico com instruções em latim, o único equipamento deste tipo no mundo.[72][73]
O país mantém um canal de donativos conhecido comoÓbolo de São Pedro, no qual o doador remete os fundos diretamente ao Vaticano. Outra forma de captação de recursos é com o turismo no complexo dos "Museus Vaticanos". Não há outro lugar no mundo com tanto valor artístico e intelectual concentrado como no Arquivo Secreto do Vaticano, na Biblioteca Apostólica Vaticana, e nos acervos de arte (pintura, escultura e arte sacra) das igrejas romanas.
Através de um acordo com aItália, representando aUnião Europeia, a unidade monetária do Vaticano é oEuro. O Estado tem a sua própria concepção de moedas e notas de euros, que têm aceitação na Itália e em outros países daZona Euro. O Vaticano não tem uma casa de emissão própria, de forma que tenha acordado com a Itália para efectuar a cunhagem, que não pode ser superior a 1 milhão de euros anuais.
A Cidade do Vaticano possui uma rede de transportes razoavelmente bem desenvolvida considerando seu tamanho. Como país com 1,05 km de comprimento e 0,85 km de largura,[74] que tem um sistema de transporte de pequenas dimensões, sem aeroportos ou estradas. Existe umheliporto e uma ferrovia de bitola padrão conectando-se à rede da Itália e à estação de São Pedro de Roma por uma ferrovia de 852 m, onde apenas 300 m estão dentro do território do Vaticano. OPapa João XXIII foi o primeiro Papa a fazer uso desta estrada de ferro e oPapa João Paulo II a usou também, embora muito raramente. Otransporte ferroviário no Vaticano é utilizado principalmente para transporte de mercadorias.[75]
O serviço postal da cidade é, por vezes, reconhecido como "o melhor do mundo",[78] e as cartas chegam ao seu destino antes do serviço postal de Roma.[78]
O Vaticano também controla seu própriodomínio deInternet, que está registrado como (.va). O serviço debanda larga é amplamente fornecido na Cidade do Vaticano. À Cidade do Vaticano foi também atribuído umprefixo de rádio, HV, e às vezes é usada por operadores derádio amador.
L'Osservatore Romano é o jornal oficial semimultilingue daSanta Sé. É publicado por uma empresa privada, sob a direção de leigos católicos, mas como relatórios sobre as informações oficiais. No entanto, os textos oficiais de documentos estão naActa Apostolicae Sedis, o jornal oficial da Santa Sé, que tem um apêndice para documentos da Cidade do Vaticano.
Rádio Vaticano, o Centro Televisivo Vaticano, L'Osservatore Romano não são órgãos de Estado do Vaticano, mas da Santa Sé, e estão listadas como tal noAnuário Pontifício, que coloca-os na seção "Instituições ligadas com a Santa Sé", à frente das secções de serviço diplomático da Santa Sé no estrangeiro e ao Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé, após o que é colocado na seção sobre o Estado da Cidade do Vaticano.
Dos fogões vaticanos saíram tentações como os ovos beneditinos (um capricho de Bento XI), a lagosta com trufa branca (habitual nas coroações do Renascimento), a mousse de faisão ao molho chaudfroid (prato preferido de Pio VI) ou o maçapão de água de rosas (uma iguaria na Idade Média).
A arquitetura do Vaticano, ocanto gregoriano cantado peloCoro da Capela Sistina, além dasvestimentas esímbolos utilizados pelo Papa, pelosCardeais e pelos soldados da Guarda Suíça, são considerados como uns dos principais resquícios dacultura medieval na atualidade.
ABiblioteca Apostólica Vaticana e as coleções dosMuseus Vaticanos são da mais alta importância histórica, científica e cultural. Em 1984, o Vaticano foi adicionado pelaUNESCO para a lista doPatrimônios Mundiais; é o único que consiste em umEstado inteiro. Além disso, é o único local registrado na UNESCO como um centro monumental no "Registo Internacional dos Bens Culturais sob Proteção Especial" de acordo com a Convenção para a Proteção dos Bens Culturais em Caso de Conflito Armado deHaia, assinada em 1954.[81]
No território do Vaticano existem vários edifícios de origem muito antiga. Contudo, existem propriedades que não estão na Cidade do Vaticano, mas que, em virtude doTratado de Latrão assinado entre aSanta Sé e aItália, estão sujeitas àextraterritorialidade[82] com isenção de impostos e expropriação.
Kent, Peter C. (2002).The Lonely Cold War of Pope Pius XII: The Catholic Church and the Division of Europe, 1943–1950.Montreal: McGill-Queen's University Press.ISBN978-0-7735-2326-5
Ricci, Corrado; Begni, Ernesto (2003) [1914].The Vatican: Its History, Its Treasures. [S.l.]: Kessinger Publishing.ISBN978-0-7661-3941-1
Petacco, Laura (2016). Claudio Parisi Presicce; Laura Petacco, eds.La Meta Romulie il Terebinthus Neronis.La Spina: dall’Agro vaticano a via della Conciliazione (em italiano). [S.l.]: Rome.ISBN978-88-492-3320-9
Liverani, Paolo (2016). Claudio Parisi Presicce; Laura Petacco, eds.Un destino di marginalità: storia e topografia dell'area vaticana nell'antichità.La Spina: dall’Agro vaticano a via della Conciliazione (em italiano). [S.l.]: Rome.ISBN978-88-492-3320-9
Annie Lacroix-Riz, Le Vatican, l’Europe et le Reich de la Première Guerre mondiale à la guerre froide, Paris, 1996, p. 417.
Notas (C) Nos 15 membros daCommonwealth, o monarca, à excepção do Reino Unido, é representado por um Governador Geral. (J) Monarca discutível como sendo o verdadeiro Chefe de Estado. (Q) Tecnicamente uma monarquia constitucional mas mostra eficazes propriedades de uma monarquia absoluta. (U) O monarca utiliza o título não-monárquico de "Presidente".