| Valentin Naboth (1523-1593) | |
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| Nascimento | |
| Morte | 3 de março de1593 (70 anos) |
| Alma mater | Universidade de Wittenberg Universidade de Erfurt Universidade de Colônia Universidade de Pádua |
| Ocupação | matemático,astrônomo eastrólogoalemão. |
Valentin Naboth (Valentine Naibod, 1523-1593) (* Calau,Niederlausitz),13 de fevereiro de1523[1][2][3] - † na mesma cidade em3 de março de1593), mais conhecido pelo nome latinizado deValentinus Naiboda, foi umescritor,médico,matemático, astrônomo e astrólogo alemão.
Valentin Naboth nasceu em Calau,Niederlausitz,[4] de uma família judia. Era o irmão mais jovem do teólogo luterano Alexius Nabotensis (1520-1551).[5][6][7] Em 1544, Valentin matriculou-se[8][9] naUniversidade de Wittenberg, e foi contemporâneo dePhilipp Melanchthon,Erasmus Reinhold,Johannes Bugenhagen, Paul Eber,[10] e Georg Major[11] que também foram professores emWittenberg. Em 1550 transferiu-se para aUniversidade de Erfurt.[12]
Valentin Naboth era ainda Bacharel quando saiu deWittenberg e foi paraErfurt, e com certeza era dotado com destacadas habilidades matemáticas. O conselho da faculdade assumiu o risco de transformar os cursos de Matemática por meio deste espírito renascentista bem dotado, porém carregado de lutas íntimas, ainda que ele não tivesse um grau de Magistrado. Essa decisão foi tomada num encontro em16 de Agosto de1551, e daí em diante Naboth ensinou matemática eSphera materialis.[13][14] Ele também deu aulas no semestre do verão e no semestre de inverno de 1552.
Em razão da epidemia de peste, os cursos foram interrompidos; na época, Liborius Mangold (deão emWarburg) dava aulas de retórica e Naboth deSphera Materialis. Liborius Mangold, que era muito cauteloso, parecia não se dar bem com o bastante favorecido matemático Naboth, e quando este emprestou dinheiro da Universidade para o exame de Magistrado, Liborius escreveu para o livro do deão,quod prius nunquam nec visum nec auditum fuit (do qual nunca tinha visto nem ouvido falar). Valentin Naboth passou no exame, porém, pouco depois de ter conseguido o seu grau de Magistrado, ele escreveu no dia6 de Fevereiro uma carta para a faculdade sobre a observação do deão de que uma carta nesse tom nunca tinha sido visto ou ouvido falar antes.
Talvez tenha sido essa uma das razões pela qual Liborius Mangold se demitiu depois de doze anos como reitor do instituto de St Georgburse emErfurt[15] e também professor de física e de retórica, e aceitou uma posição administrativa emWarburg, sua cidade natal. Mas não só ele se demitiu, Valentin Naboth também, sem dizer uma palavra deixou o seu posto. Em vão a faculdade esperou por ele no semestre de verão de 1553, pois ele não compareceu. A faculdade esperava ainda pela volta de Naboth e até esperou algum tempo mais antes de substituí-lo. Mas Naboth tinha ido para aUniversidade de Colônia e se matriculou lá com a intenção de ensinar matemática em sua maior universidade - o que ele conseguiu fazer. Naboth permaneceu emColônia durante dez anos, mas este espírito inquieto não conseguiu permanecer mais tempo, e se transferiu para o centro de estudos matemáticos daquela época, aUniversidade de Pádua e começou a dar aulas e a escrever lá. Ela já tinha se tornado um excêntrico, e lá o seu espírito exacerbado se ampliou ainda mais.[16][17]
De 1555, o matemático e médico Valentin Naboth deu aulas de matemática naUniversidade de Colônia, primeiro em particular, de de 1557 a 1564 como detentor da cadeira de matemática da cidade.[18][19] Foi sucessor de do humanista, médico e também matemático Justus Velsius (1510-1581), que, em 1556, por conta dos seus ensinos, e julgado como herege pela Igreja, foi obrigado a deixarColônia. O matemático holandêsRudolph Snellius foi um de seus alunos emColônia.[20]
Em 1556 ele publicou o primeiro livro deEuclides, e em 1560 um comentário matemático sobre o astrólogo árabe Alcabitius († 967), no qual antagonizava a magia e a superstição. Na sua obra matemática ele seguia os preceitos deRegiomontanus (1436-1476), trocando-o mais tarde porPtolomeu - que tinha concordância comCardanus (1501-1576). Ele preparou uma edição doQuadripartitus dePtolomeu, mas que nunca foi publicada. Em seus comentários, ele agradeceu à Cidade por terem-no remunerado nos primeiros anos, quando a matemática era a única disciplina não ainda integrada ao curriculum geral da Universidade. Se esta observação for verdadeira - e dificilmente ela pode ser questionada - então os oficiais que ocupavam a cadeira de Matemática tinham sido de fato somente agora estabelecidos.
Entretanto, em 1563, olourencistaPetrus Linnér solicitava para que as aulas de Naboth fossem transferidas para um outro período, uma vez que ele próprio ensinava matemática em seuGinásio na mesma época. Com isso ele abria uma discussão sobre a competição do curriculum do colégio ou da faculdade. Além do mais, ele argumentava que Naboth não possuía grau de Mestrado daUniversidade de Colônia, mas de qualquer outro lugar. E de fato, desse dia em diante o deão decidiu que ninguém poderia ensinar na Escola de Artes (Schola Artium) quando a mesma aula pudesse ocorrer simultaneamente em um dos três ginásios. O problema básico com o estudo de Artes emColônia não poderia ter sido mais contundente do que este. Imediatamente Naboth assumiu as consequências: ele deixouColônia e mais tarde passaria a ensinar emPádua.
Em Março de 1564 Naboth renunciou ao seu posto naUniversidade de Colônia.[21] VisitouParis, onde se encontrou com o humanista tcheco Šimon Proxenus ze Sudetu.[22][23]
(1532–1575), que o apresentou aPetrus Ramus.[24][25] Mais tarde, Naboth viajou para aItália, e eventualmente se estabeleceu emPádua, onde ensinouastronomia. Entre os seus alunos havia um sobrinho do PríncipeIstvan Báthory daTransilvânia.
Naboth foi o autor de um compêndio geral sobreastrologia chamadoEnarratio elementorum astrologiae (Exposição dos Elementos de Astrologia). Reconhecido por calcular a média do movimento anual do sol, seus escritos se destacam por comentar primordialmente a respeito dePtolomeu e dos astrólogos árabes.[26] Naboth ensinava o cálculo do movimento dos planetas de acordo com asTabelas Prussianas dos Movimentos do Céu,[27] publicadas porErasmus Reinhold em 1551. Ele defendia uma medida de tempo, onde 0° 59' 8⅓ (o movimento da média diária do sol em longitude) equivale a 1 ano de vida ao calcular as direções primárias. Isso nada mais era do que uma melhora na escala dePtolomeu de exatamente um grau por ano. O livro foi condenado pelaIgreja Católica Romana.[28][29][30]
| Representação da visão convencional de Naboth do sistema solar (à esquerda), do modelo astronômico geo-heliocêntrico deMarciano Capela (ao centro) e o modelo heliocêntrico deCopérnico. | ||
Em 1573 Naboth publicou para estudantes do ginásio um compêndio de astronomia chamadoPrimarum de coelo et terra, o qual foi dedicado aIstvan Báthory. Não pode haver dúvida de que Naboth estava trabalhando em cima da obraDe revolutionibus orbium coelestium quando ele escreveu este compêndio, desde que neste livro ele fornece o esquema do modelo convencional do sistema solar, o modelo geo-heliocêntrico deMarciano Capela, bem como omodelo helicêntrico deCopérnico.[31]Tycho Brahe possuía uma das primeiras cópias deste livro, e desde que este livro contém a primeira representação esquemática do modelo geo-helicêntrico de Capella é provável que este livro tenha sido a inspiração para o modelo geo-heliocêntrico deTycho Brahe. Wittichius[32] deve também ter sido influenciado pelo livro de Naboth ao adotar o sistema de Capella para explicar o movimento dos planetas inferiores,[33] eJohannes Kepler deve ter usado este livro também. Neste livro, Naboth introduziu a expressão sistema do mundo (systema mundi, mundanum systema, systema universitatis, e tambémsystema coeleste, systema caelorum esystema aethereum), um conceito que foi mais tarde adotado porTycho,Kepler e porGalileo também.[34]

Naboth teve um fim triste.Tommaso Campanella, em uma obra publicada emLião em 162919,[37] conta a história de que Naboth estava vivendo emPádua,Itália, quando ele deduziu do seu próprio horóscopo que ele estaria para adentrar um período de perigo pessoal, então ele estocou um suprimento adequado de alimentos e bebidas, fechou sua casa, travou portas e janelas, pretendendo ficar escondido até que passasse o período de perigo. Infelizmente, alguns ladrões, percebendo a casa fechada e as cortinas descidas, decidiram que a casa estava ausente. Penetraram no que pensavam estava a casa vazia, e encontrando Naboth lá, o mataram para ocultar a identidade dos invasores. De modo que ele não conseguiu escapar da sorte prevista por seus próprios cálculos astrológicos: "Ducunt volentem fata,nolentem trahunt" ("A sorte conduz o destino, não o traça").
Abraham Sandeck registrou no Atos dos Artistas da Nação Alemã em 1593, o seguinte evento:
No dia 3 de março, houve um trágico incidente envolvendo Valentin Naboth da Silésia, com 60 anos de idade, famoso matemático: foi encontrado morto em seus estúdios, a alguma distância dos lugares que ele frequentava habitualmente, ferido por cinco punhaladas: uma no peito abaixo do mamilo esquerdo, outra do seu lado esquerdo, a terceira no abdômen à direita, a quarta abaixo do seu umbigo, e a quinta em sua mão esquerda.[38][39][40]