
Unidade de Pronto Atendimento, abreviadamenteUPA ouUPA 24h, é umserviço de urgência instalado em diversas cidades doBrasil. As UPAs são responsáveis por concentrar os atendimentos desaúde de média complexidade, compondo uma rede organizada em conjunto com a atenção básica e a atenção hospitalar. As unidades também possuem o objetivo de diminuir as filas nos prontos-socorros doshospitais, evitando que casos de menor complexidade sejam encaminhados diretamente para as unidades hospitalares, além de ampliar a capacidade de atendimento doSistema Único de Saúde (SUS).[1]
As UPAs funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana, visando acolher e atender a todos os usuários que buscamassistência médica. Também são capazes de resolver grande parte das urgências eemergências, sendo que, nas localidades que contam com pelo menos uma unidade, cerca de 97% dos casos são solucionados no próprio local. Quando um paciente chega a uma UPA, osmédicos prestam socorro, controlam o problema e detalham o diagnóstico. Também é feita a análise da necessidade de encaminhamento do paciente a umhospital ou de mantê-lo em observação por 24 horas.[1]
As UPAs oferecem atendimento a urgênciaspediátricas,clínicas eodontológicas. Elas têm capacidade de realizar o primeiro atendimento aotrauma, estabilizando o paciente até a transferência para uma unidade de maior porte. As UPAs também fazem acolhimento, classificação de risco, exameslaboratoriais e deraios X e observação individual. Cada unidade possui salas vermelhas, voltadas ao atendimento de casos mais graves, e leitos de observação pediátrica e clínica, sendo que, em algumas unidades, também há salas demedicação e denebulização.[2] A primeira unidade foi inaugurada em 2002 no bairro Alto de São Manoel, situado no município potiguar deMossoró.[3][4]
As primeiras Unidades de Pronto Atendimento no estado doRio de Janeiro foram implementadas pelaSecretaria de Estado de Saúde durante a gestão do governadorSérgio Cabral Filho e do secretário de SaúdeSérgio Côrtes. A primeira unidade foi inaugurada no dia 30 de maio de 2007 naVila do João, uma das comunidades que compõem oComplexo da Maré. A implantação das UPAs fluminenses também tinha o objetivo de desafogar osprontos-socorros doshospitais do estado, absorvendo deles inicialmente cerca de 7 mil pacientes diariamente.[5][6]
No estado doRio de Janeiro, a gestão das UPAs é feita pelaSecretaria de Estado de Saúde de forma compartilhada comorganizações sociais de Saúde.[7] Até dezembro de 2013, as UPAs fluminenses, além de terem distribuído mais de 140 milhões demedicamentos à população, já haviam realizado mais de 20 milhões de atendimentos e de 18 milhões de exameslaboratoriais e deraios X. Na época, o estado contava com 52 unidades, que totalizavam 208 leitos em salas de cuidados intensivos, 608 leitos em salas de cuidados semi-intensivos e 413 consultórios.[8]
Em março de 2018, a Auditoria Geral do Estado do Rio de Janeiro, órgão ligado aoTribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), concluiu umrelatório em que detalha os prejuízos causados pela implementação de algumas UPAs no Rio de Janeiro durante a gestão do secretárioSérgio Côrtes. No relatório, os técnicos consideraram que alicitação para a construção das unidades foi ilegal. As "UPAs de lata", feitas com painéis eaço e que teriam custado mais caro que as detijolo, foram fornecidas pela Metalurgia Valença. Emdelação premiada, o ex-subsecretário de Saúde Cesar Romero Vianna Junior afirmou que cada unidade do tipo que foi erguida gerou R$ 1,0 milhão em vantagens indevidas. Os advogados de Ronald de Carvalho, dono da Metalurgia Valença, declararam que não houve irregularidades no fornecimento dos módulos.[9]
O sucesso do modelo adotado noRio de Janeiro fez com que outros estados e até mesmo outros países também adotassem a iniciativa. No âmbito nacional, as UPAs foram regulamentadas por meio da Portaria n° 1020 de 13 de maio de 2009, que passou a adotar a nomenclatura, em conformidade com a Política Nacional de Atenção às Urgências.[10] O Brasil atualmente conta com 464 UPAs em funcionamento 24 horas.[2][11] O modelo das UPAs também foi importado pelaArgentina, onde a cidade deBuenos Aires, por exemplo, contava com 12 unidades em julho de 2015.Daniel Scioli, ex-governador da província deBuenos Aires, propôs a implantação da iniciativa em todo o território argentino caso fosse eleito presidente do país naseleições presidenciais de 2015.[12][13]