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Turquia

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Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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República da Turquia
Türkiye Cumhuriyeti
Bandeira da Turquia
Lema:Yurtta sulh, cihanda sulh
(turco: "Paz em casa, Paz no mundo")
Hino: İstiklâl Marşı
Localização da Turquia no globo mundial
Localização da Turquia no globo mundial
CapitalAncara
39°55'N 32°50'E
Maior cidadeIstambul
Língua oficialturco
GentílicoTurco(a)
GovernoRepúblicaunitáriapresidencialista[1] sob um governoautoritário[2][3]
• Fundador
Mustafa Kemal Atatürk
Recep Tayyip Erdoğan
• Vice-presidente
Cevdet Yılmaz
Numan Kurtulmuş
• Presidente do Tribunal Constitucional
Zühtü Arslan
Sucessão 
19 de maio de 1919
• Formação do Parlamento
23 de abril de 1920
• Declaração da República
29 de outubro de1923
Área
 • Total783 562km² (36.º)
 • Água (%)2,03
FronteiraGrécia,Bulgária,Geórgia,Arménia,Azerbaijão,Irão,Iraque eSíria
População
 • Estimativa para 202485 664 944[4] hab.
 • Densidade109,3 hab./km² (83.º)
PIB (PPC)Estimativa para 2025
 • TotalUS$ 3,98trilhões * [5]
 • Per capitaUS$ 45 990[5]
PIB (nominal)Estimativa para 2025
 • TotalUS$ 1,58trilhão * [5]
 • Per capitaUS$ 18 230[5]
IDH (2023)0,853 (51.º) – muito alto[6]
Gini (2022)44,5[7]
MoedaLira turca (TRY)
Fuso horárioUTC+3
Cód. ISOTR
Cód. Internet.tr
Cód. telef.+90

ATurquia (emturco:Türkiye,pronunciado: [ˈtyrcije]), cujo nome oficial éRepública da Turquia (Türkiye Cumhuriyeti,pronunciado: [ˈtyrcije d͡ʒumˈhurijeti] (escutar)), é um paístranscontinental, com a maior parte de seu território localizada naÁsia Ocidental e uma parte menor (a oeste doMar de Mármara) naEuropa Oriental, estendendo-se pela península daAnatólia e pelaTrácia Oriental na região dosBálcãs. É um dos seis estados independentes cuja população é maioritariamenteturca. Faz fronteira com oito países: a noroeste com aBulgária, a oeste com aGrécia, a nordeste com aGeórgia, aArménia e oenclave deNaquichevão doAzerbaijão, a leste com oIrão e a sudeste com oIraque e aSíria. Omar Mediterrâneo e oChipre situam-se a sul, omar Egeu a sudoeste-oeste e omar Negro a norte. Omar de Mármara, oBósforo e oDardanelos (que juntos formam osEstreitos Turcos) demarcam a fronteira entre aTrácia e aAnatólia e separam a Europa da Ásia.[a][8]

Os turcos começaram amigrar para a área que é atualmente a Turquia ("terra dos turcos") noséculo XI. O processo foi acelerado pela vitória doImpério Seljúcida sobre oImpério Bizantino, naBatalha de Manzicerta (1071). Osturcos seljúcidas constituíram um poderoso reino na Anatólia nos 150 anos seguintes, oSultanato de Rum, que governou grande parte da Anatólia até às invasõesmongóis, em meados doséculo XIII. A decadência dosultanato seljúcida deu origem à independência e expansão política e militar de uma série debeilhiques (principadosmuçulmanos), entre eles o dosotomanos, que viriam a absorver os restantes beilhiques e a criar oImpério Otomano, que no seu auge, nos séculos XVI e XVII, se estendia desde oSudeste da Europa aoSudoeste da Ásia eNorte da África. Após o Império Otomano ter entrado em colapso, na sequência da derrota naPrimeira Guerra Mundial, os seus territórios foram ocupados pelosaliados vitoriosos. Um grupo de jovens oficiais militares, liderados porMustafa Kemal, organizou uma resistência contra os Aliados, e em 1923 estabeleceu a moderna República da Turquia, comKemal Atatürk como seu primeiropresidente.

A localização da Turquia, entre a Europa e a Ásia, torna o país geoestrategicamente importante.[9][10] Areligião predominante no país é oIslão, com pequenas minorias decristãos ejudeus. Alíngua oficial do país é oturco, falado pela esmagadora maioria da população. A segunda língua mais usada é ocurdo, falado pela maior minoria do país, oscurdos, que representam cerca de 18% da população. As restantes minorias constituem entre 7 e 12% da população.[11]

A Turquia é umarepúblicaunitáriapresidencialista, com uma antiga herança cultural. O país tem relações estreitas com oOcidente, nomeadamente através da sua presença em organizações como oConselho da Europa,OTAN,OCDE,OSCE eG20. A Turquia iniciou as negociações deadesão plena àUnião Europeia em 2005, da qual é membro associado desde 1963 e com a qual tem um acordo deunião aduaneira desde 1995. O país também tem fomentado estreitas relações culturais, políticas, económicas e industriais com oMédio Oriente, com os estados turcos daÁsia Central, com os paísesafricanos através da participação em organizações como aOrganização para a Cooperação Islâmica e aOrganização de Cooperação Económica e com os países delíngua portuguesa através daComunidade dos Países de Língua Portuguesa, na qual tem o estatuto de observador associado.[12] Devido à sua localização estratégica, à sua grande economia e às suasforças armadas, a Turquia é classificada como umapotência regional.[13]

Etimologia

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O nome da Turquia nas línguas europeias latinas provém dolatim medievalTurchia, cuja primeira referência conhecida é de cerca de 1369, e é muito semelhante ao termo Τουρκία dogrego medieval.[14][a] O nome da Turquia em turco (Türkiye) é composto de duas partes:türk e o sufixoiye.Türk significa "ser humano" ou "forte" nas antigaslínguas turcomanas, e geralmente aplica-se aos habitantes da Turquia ou aos membros depovos turcos ou turcomanos.[15] O sufixoiye significa "proprietário" ou "relacionado com" e é derivado doárabeiyya, mas também pode estar associado ao sufixoia deTurchia do latim medieval e ao sufixoία (deΤουρκία) do grego medieval.[14]

As primeiras referências escritas ao termotürk outürük, datadas doséculo VIII, encontram-se nasinscrições de Orcom, encontradas novale do mesmo nome, naMongólia, produzidas pelosGoturcos (turcos celestes ouazuis).[b] O termo está ainda relacionado comtu–kin outu-jue, nome dado peloschineses aos povos que viviam a sul dasMontanhas Altai, que aparece em documentos de177 a.C.[14][16][c]

História

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Ver artigo principal:História da Turquia

Antiguidade e impérios romano e bizantino

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Ver artigos principais:História da Anatólia,Anatólia, eImpério Bizantino
Ruínas deGöbekli Tepe, cujas estruturas datam de c. 10 000 a.C.[17]
Fachada daBiblioteca de Celso, na antiga cidadegreco-romana deÉfeso

APenínsula da Anatólia, que constitui a maior parte do que é hoje a Turquia, é uma das regiões continuamente habitadas desde há mais tempo. Os assentamentosneolíticos mais antigos, comoPınarbaşı,Aşıklı Höyük,Kaletepe Deresi,Çatalhüyük,Çayönü,Nevalı Çori,Hacılar,Göbekli Tepe eYumuktepe (esta última dentro da atual cidade deMersin), encontram-se entre os mais antigos do mundo.[a][17][18]

O assentamento deTroia foi fundado no Neolítico e foi habitado até àIdade do Ferro. Ao longo da história, os anatólios falaram línguasindo-europeias,semíticas ecaucasianas meridionais, além de outras de filiação incerta.[18] A antiguidade dalíngua hitita indo-europeia e daslínguas luvitas levou alguns estudiosos a pôr a hipótese de a Anatólia ter sido o centro a partir do qual as línguas indo-europeias se difundiram.[19]

Oshatitas (ou Hati) foram um povo que habitou o centro da Anatólia cerca de2 300 a.C., senão antes. Oshititas estabeleceram-se na Anatólia e gradualmente absorveram os hatitas, cerca de2 000−1 700 a.C.,[20][21] fundando primeiro grande império da área, que existiu entre os séculos XVIII eXIII a.C., rivalizando em poder com oAntigo Egito.[22]

O assentamentocalcolítico de Canés (emacádio:Kaneš, a Nesa dos hititas), situada junto à atual aldeia deCultepe, perto deCaiseri, foi habitado desde o4,º milénio a.C. e tornou-se o primeiro entreposto comercial da história. Noséculo XX a.C. existiam no local duas localidades — a cidade hitita de Canés e a de Carum, uma colónia assíria, onde florescia o comércio entre hititas eassírios.[22] Estes colonizaram partes do que é hoje o sudeste o centro-leste da Turquia entre1 950 a.C. e612 a.C., ano em que oscaldeus conquistaram o Império Assírio daBabilônia.[23][24]

Após o colapso do império hitita, osfrígios, outro povo indo-europeu, estabeleceu oReino da Frígia, o mais poderoso estado da região até que foi destruído peloscimérios noséculo VII a.C.[25] Os estados mais poderosos dentre os sucessores da Frígia foram os reinosda Lídia,da Cária eda Lícia.[26]

A partir de1 200 a.C., as costas da Anatólia foram intensamente colonizadas porgregoseólios ejónicos, que fundaram inúmeras cidades importantes, comoMileto,Éfeso,Esmirna eBizâncio. O primeiro estado estabelecido na Anatólia que foi chamado Arménia pelos povos vizinhos, mencionado porHecateu de Mileto e nainscrição de Beistum, foi o dadinastia orôntida, fundado noséculo VI a.C., durou até72 d.C.[a][27]

A Anatólia foi conquistada peloImpério Aqueménida nos séculos VI eVII a.C. e posteriormente porAlexandre, o Grande em334 a.C.[28] Após a morte de Alexandre, a Anatólia foi dividida em pequenos reinoshelênicos, nomeadamente aBitínia, aCapadócia,Pérgamo e oPonto. Todos estes reinos tinham sido absorvidos pelaRepública Romana em meados doséculo I d.C.[29] AArménia arsácida, o primeiro estado da história a adotar oCristianismo como religião oficial, ocupava parte da Anatólia Oriental.[27][30]

Em 324 o imperador romanoConstantino I escolheu Bizâncio para capital doImpério Romano, rebatizando-a de Nova Roma (após a sua morte mudaria de nome paraConstantinopla e atualmente chama-se Istambul). Constantinopla foi também a capital do Império Romano do Oriente, que existiu intermitentemente entre 286 e oséculo V, e que passaria a ser conhecido comoImpério Bizantino, sobretudo depois daQueda do Império Romano do Ocidente, no final doséculo V.[31]

Reinos turcos e Império Otomano

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Ver artigos principais:Beilhique,Emirado Danismêndida,Sultanato de Rum, eImpério Otomano
O topo daKızıl Kule (Torre Vermelha) eCastelo de Alânia, construções seljúcidas doséculo XIII emAlânia

Osseljúcidas eram um ramo dosturcos oguzes (Kınık Oğuz ouOğuzlar) que noséculo X viviam na periferia dosdomínios muçulmanos dosAbássidas, a norte dos maresCáspio e deAral, num dosjabgusgrão-cãs da confederação oguz.[32] Noséculo XI os seljúcidas começaram a emigrar para as regiões orientais da Anatólia, que se tornariam a pátria dos oguzes após aBatalha de Manzicerta, em 1071, na qual os turcos derrotaram os bizantinos. Esta vitória foi determinante para a formação do Sultanato seljúcida da Anatólia (ouSultanato de Rum), que começou como um ramo separado doImpério Seljúcida que dominava partes daÁsia Central,Irão, Anatólia eSudoeste Asiático.[a][33]

Em 1243 os exércitos seljúcidas foram derrotados pelosmongóis, o que causou a progressiva desintegração do poder seljúcida, que na prática passou para as mãos de uma série deprincipados (beilhiques oubeyliks) que, tendo começado por ser tributários do Sultanato de Rum, ganharam independência a partir doséculo XIII. Um destes beilhiques, o dosotomanos (osmanlı, "descendentes de Osmã), acabou por se impor aos restantes, principalmente a partir do reinado deOsmã I, que declarou a independência em 1299 e é oficialmente considerado o fundador da dinastia otomana. O beilhique otomano expandiu-se ao longo dos dois séculos seguintes, absorvendo os restantes estados turcos da Anatólia, e conquistando territórios naTrácia,Balcãs e noLevante, tornando-se oImpério Otomano. Em 29 de maio de 1453 os otomanos liderados pelosultãoMaomé II, o Conquistador (Fatih), acabaram com oImpério Bizantino aoconquistarem a sua capital, Constantinopla, um acontecimento que muitos consideram marcar o fim daIdade Média.[34]

O território doImpério Otomano em seu auge, em 1683

O Império Otomano atingiu o seu apogeu nos séculos XVI e XVII, quando foi uma das maiores potências mundiais, particularmente durante o reinado deSolimão, o Magnífico, que durou de 1520 a 1566. No final doséculo XVI, os territórios sob administração otomana estendiam-se sobre uma área de 5,6 milhões de km², que ia desde os Balcãs e partes daHungria, a oeste, até ao que são hoje ospaíses árabes, além de quase toda a costa mediterrânica doNorte de África e de todas as áreas costeiras domar Negro.[10]

Os otomanos ameaçaram seriamente a Europa Central e Itália, tendo chegado a conquistar temporariamente alguns territórios, a cercarViena em duas e a combater no sul da atual Polónia.[10] No mar, os otomanos combateram pelo controle doMediterrâneo com aLiga Santa, constituída por diversos estados cristãos, nomeadamente aRepública de Veneza, aEspanha eÁustria dosHabsburgos, os Cavaleiros de São João (Ordem de Malta) e a generalidade dos estados italianos. A expansão marítima otomana no Mediterrâneo só foi detida pela derrota naBatalha de Lepanto (7 de outubro de 1571). NoOceano Índico os otomanos combateram contra as armadas portuguesas para defenderem omonopólio ancestral do comércio marítimo entre aÍndia eÁsia Oriental com a Europa, seriamente ameaçado pelaDescoberta do caminho marítimo para a Índia porVasco da Gama em 1498. Além dos confrontos militares com cristãos, os otomanos defrontaram-se ocasionalmente com ospersas (por vezes aliados dos portugueses) nos séculos XVI, XVII e XVIII, quer por disputas territoriais, quer por diferendos religiosos.[35] Os séculos XVIII e XIX foram de declínio para o Império Otomano. Durante este período o império foi gradualmente diminuindo em tamanho, poderio militar e riqueza. No virar doséculo XIX para oséculo XX aAlemanha deGuilherme II tornou-se um dos principais aliados do império, o que levou os otomanos a entrar naPrimeira Grande Guerra ao lado dosImpérios Centrais. A guerra representou uma pesada derrota para o Império Otomano, apesar das vitórias obtidas porMustafa Kemal (que viria a ficar conhecido por Atatürk), nomeadamente a daGalípoli, uma derrota inesperada para as forças britânicas e francesas, onde morreram quase meio milhão de homens de ambos os lados e que fez de Mustafa Kemal um herói nacional.[26]

A partir de 12 de novembro de 1918, logo a seguir aoArmistício de Mudros, que marcou o fim das hostilidades da Primeira Grande Guerra no Médio Oriente, as potências europeias vitoriosasocuparam Constantinopla.Esmirna foi ocupada por tropas gregas a 21 de maio de 1919.[34] Em 1917, antes do fim da guerra, aFrança,Itália eReino Unido tinham assinado oAcordo de Saint-Jean-de-Maurienne, que previa apartilha do Império Otomano após o fim da guerra. A 10 de outubro de 1920 o débil governo imperial foi forçado a assinar oTratado de Sèvres, o qual previa a entrega àFrança e aoReino Unido daPalestina,Síria,Líbano eMesopotâmia, a desmilitarização e transformação em zonas internacionais dos estreitos doBósforo, dosDardanelos e domar de Mármara. O tratado determinava ainda a entrega à Grécia da região deEsmirna e de todos os territórios europeus à exceção de Constantinopla, de grande parte do leste e sudeste da Anatólia à França e da região deAntália e as ilhas doDodecaneso (estas já efetivamente ocupadas desde 1911) aItália.[36]

Guerra de independência

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Ver artigo principal:Guerra de independência turca
Batalha de Sacaria durante aGuerra Greco-Turca de 1919–1922

A ocupação de Istambul pelos Aliados e de Esmirna pelos gregos, com o apoio tácito dos restantes Aliados, despoletou a criação doMovimento Nacional Turco, criado em 19 de maio de 1919 sob a liderança de Mustafa Kemal. O movimento opunha-se à divisão e ocupação do país e a suafundação é geralmente apontada como o primeiro evento daGuerra de independência turca. Aos confrontos políticos somaram-se os militares, um pouco por toda a parte e envolvendo todos os lados, embora em diferentes graus.[9][37]

A nordeste travou-se aGuerra Turco-Arménia, que terminou em dezembro de 1920 com os tratados deAlexandropol e deCarse.[38] AGuerra Franco-Turca teve como palco o sudeste e sul — aí as hostilidades terminaram em março de 1921, com a assinatura doTratado de Paz da Cilícia e posteriormente com oTratado de Ancara, assinado em outubro.[39]

Os combates mais sangrentos deram-se entre os nacionalistas turcos e as forças gregas (Guerra Greco-Turca), as quais chegaram a ter o controlo de grande parte da Anatólia a oeste e sudoeste deAncara, quartel-general dos nacionalistas, a qual chegou a estar na eminência de ser conquistada.[37][40] No verão de 1922 os nacionalistas turcos empreenderam uma ofensiva contra as forças gregas que culminou na tomada de Esmirna, que marcou a derrota definitiva dos gregos e ficou tristemente célebre pelas pilhagens, massacres e pelo grande incêndio que devastou a cidade.[10][41]

A paz definitiva foi alcançada com oArmistício de Mudanya, assinado por todas as partes a 11 de outubro de 1922. A 24 de julho de 1923 foi assinado oTratado de Lausana, onde se reconhecia formalmente o governo dos nacionalistas sediado em Ancara como sucessor do poder otomano e se definiam as fronteiras da Turquia.[40]

O fim da guerra ficou marcado pela primeiratransferência populacional compulsiva em larga escala doséculo XX, que envolveu atroca entre os cidadãos cristãos da Turquia (na sua maioriagregos ortodoxos) e os muçulmanos da Grécia.[42][43][44] Calcula-se que cerca de dois milhões de pessoas foram deslocadas das suas terras ancestrais.[45] Os cristãos de Istambul foram poupados à expulsão, mas muitos deles optaram por emigrar. No entanto, as leis discriminatórias das décadas de 1930[46] e 1942 e os incidentes violentos de 1955 contra a comunidade grega de Istambul provocou a diminuição drástica do número de gregos nessa cidade, que passou de 200 000 em 1924 para pouco mais de 2 500 em 2006.[47]

República

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Ver artigo principal:História da República da Turquia
Mustafa Kemal Atatürk, herói da independência (implantação da república) e primeiro presidente turco

O Império Otomano terminou oficialmente em1 de novembro de1922, quando aGrande Assembleia Nacionalaboliu o cargo de sultão, destituindoMehmed VI. O primo deste,Abdulmecide II, foi nomeado (apenas simbolicamente)califa. A República da Turquia foi oficialmente proclamada a 29 de outubro de 1923.[10] A 3 de março de 1924 foi decretada a expulsão da família real otomana eabolição do califado, o que constituiu um claro sinal da laicidade e irreversibilidade do regime.[37]

Mustafa Kemal tornou-se o primeiro presidente darepública e empreendeu um vastoprograma de reformas que tinha como objetivo tornar a Turquia um estado secular moderno, baseado na ideologia que é conhecida comokemalismo.[10] As mulheres passaram a ter os mesmos direitos legais que os homens, inclusivamente de voto, algo que não existia então em muitos países europeus. Foi publicado umcódigo civil baseado nosuíço e umcódigo penal baseado noitaliano.[48] A educação passou para as mãos do estado, sendo encerradas as escolas islâmicas.[49] Em 1928 foi adotado oalfabeto turco, degrafia latina,[50] em substituição dos alfabetosárabe epersa.[49][51]

A Turquia permaneceu neutra durante a maior parte daSegunda Guerra Mundial, mas acabou por se juntar aosAliados a 23 de fevereiro de 1945. Após o final do conflito tornou-se membro dasNações Unidas.[52] AGuerra Civil da Grécia (1946–1949), que opôs o governo monárquico apoiado pelosEstados Unidos e peloReino Unido, aos rebeldescomunistas, e as exigências daUnião Soviética em estabelecerbases militares nosEstreitos Turcos, levou os Estados Unidos à criação daDoutrina Truman, a qual defendia o apoio militar e económico em larga escala à Grécia e Turquia para conter a expansão comunista nos respetivos países.[53]

Depois de participar nas forças das Nações Unidas que combateram naGuerra da Coreia, a Turquia aderiu àOrganização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN ou NATO) em 1952, tornando-se um bastião contra a expansão soviética no Mediterrâneo. Após uma década de violência étnica emChipre e do golpe militar dos cipriotas gregos que depôs oarcebispo Makarios da presidência, a Turquia invadiu a ilha em 1974; nove anos depois foi proclamada aRepública Turca de Chipre do Norte, a qual só é reconhecida pela Turquia.[54][55]

Até 1945, a República da Turquia foi umregime unipartidário. A transição para uma democraciapluripartidária foi tumultuosa. Em1960, 1971,1980 e 1997 ocorreramgolpes de estado militares que interromperam a democracia e originaram governos muitorepressivos.[56][57] O golpe militar de 1997 é chamado por muitos degolpepós-moderno porque os militares não tomaram o poder de facto, limitando-se a impor as suas condições que passavam principalmente pela defesa da manutenção estrita do secularismo kemalista, por oposição às tendências islâmicas de alguns dos partidos mais votados.[58][59][60]

Visita do presidente turcoCelâl Bayar em visita a umabase aérea nos Estados Unidos em 1954. Bayar foi deposto pelogolpe militar de 1960.

A liberalização da economia iniciada na década de 1980 mudou completamente o panorama económico, com sucessivos períodos de crescimento acentuado e a crise do final da década seguinte.[61] A cooperação económica da Turquia com aComunidade Económica Europeia (CEE), a antecessora daUnião Europeia (UE), data de 1959, ano em que solicitou pela primeira vez a sua adesão. Desde 1963 que o país é um membro associado da CEE. Em 1987 foi apresentada formalmente a candidatura à adesão, mas as negociações formais só se iniciaram em 2005.[62]

O referendo de 12 de setembro de 2010 abriu caminho a alterações constitucionais que vão no sentido de aproximar a democracia turca aos modelos ocidentais. O sim no referendo teve o apoio de setores islâmicos menos moderados porque se espera que a liberalização acabe de vez com as proibições radicalmente laicas impostas por Atatürk, das quais a mais emblemática é a proibição do uso do véu em instituições públicas, nomeadamente escolas, o que, segundo alguns, leva a que as jovens de famílias mais conservadoras tenham dificuldades no acesso à educação devido às crenças religiosas que as obrigam a usar véu em público.[63][64][65][66]

Em 15 de julho de 2016, fações dasforças armadas levaram a cabo umatentativa de golpe de Estado para derrubar o governo e o presidente Recep Erdoğan. As forças militares tomaram partes de Ancara e Istambul e duas pontes sobre oBósforo foram fechadas.[67] No entanto, o golpe fracassou e milhares de militares foram presos, entre eles o general Bekir Ercan Van, comandante dabase aérea de İncirlik, usada pelos Estados Unidos para lançar ataques aéreos contra oEstado Islâmico do Iraque e do Levante.[68] Nos dias que se seguiram foram demitidos milhares de funcionários públicos, nomeadamente do sistema judicial, polícia e educação.[69][70]

Geografia

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Ver artigo principal:Geografia da Turquia
Mapa topográfico da Turquia

A Turquia é umpaís transcontinental situado naEurásia cujo território é aproximadamente um retângulo, localizado entre ascoordenadas 36° a 42° norte e 26° a 45° leste, com cerca de 1 500 km na direção leste-oeste, 1 650 km na direção sudeste-noroeste e entre 450 e 650 km na direção norte-sul. A oeste domar de Mármara e dosEstreitos Turcos situa-se a parteeuropeia, aTrácia Oriental, que constitui 3% (23 764 km²) daárea do país. A leste situa-se a parteasiática, apenínsula daAnatólia, a qual constitui 97% (755 688 km²) da Turquia. A área total, incluindolagos, é de 779 452 km², o que faz do país o 36.º do mundo em superfície.[71]

As variadas paisagens da Turquia são o produto de complexos movimentos telúricos que deram forma à região ao longo de milhões de anos e ainda se manifestam emsismos relativamente frequentes. As últimaserupções vulcânicas ocorreram em tempos históricos, nomeadamente nomonte Argeu, próximo da atualKayseri.[72][73] O Bósforo, os Dardanelos e o mar Negro devem a sua existência àsfalhas geológicas que atravessam o território turco. Os sismos na Turquia são provocados principalmente pelaFalha Setentrional da Anatólia e àFalha Oriental da Anatólia.[74]

A maior cidade do país e da Europa,Istambul (anteriormente chamada Bizâncio, depoisConstantinopla), encontra-se entre a Trácia e a Anatólia, dividida ao meio peloEstreito doBósforo. É a única cidade do mundo situada em dois continentes.[75]

Balões sobrevoando aCapadócia

A Anatólia (também conhecida como Ásia Menor) está rodeada por mar em três dos seus lados — a sul pelomar Mediterrâneo, a oeste pelomar Egeu, a noroeste pelo mar de Mármara e pelos Estreitos Turcos, e a norte pelomar Negro. Este está ligado ao mar de Mármara pelo Estreito do Bósforo, que divide a antiga capital Istambul em duas. Por sua vez, o mar de Mármara está ligado ao mar Egeu peloEstreito de Dardanelos.[76]

A Trácia Oriental é constituída por colinas de pouca altitude e declive suave na sua maior parte, acentuando-se ligeiramente o relevo junto às costas do mar de Mármara e do Bósforo. A Anatólia é formada por umplanalto central, rodeado na sua maior parte de montanhas que o isolam do mar Negro, do Mediterrâneo e do resto da Ásia, existindo também zonas montanhosas no interior. Entre as montanhas e as costas, existem geralmente planícies costeiras, geralmente estreitas, e vales, por vezes bastante largos, embora em muitos lugares as montanhas cheguem ao mar.[77][78]

Topografia

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Ver também:Lista de montanhas da Turquia
Monte Ararate, o mais alto do país

As montanhas tendem a ser mais altas a leste — tipicamente, os cumes mais altos a oeste não ultrapassam os 1 500 m, embora haja picos acima dos 2 000 m, como por exemplo oUludağ, perto deBursa e do mar de Mármara, cujo ponto mais alto se situa a 2 543 m.[77] Nas montanhas que rodeiam a Anatólia Central são comuns os cumes com mais de 2 000 m e existem diversos bastante mais altos.[78]

De forma semelhante, o terreno do chamado planalto da Anatólia, um termo que alguns aplicam a uma faixa a oeste doLago Tuz e outros a praticamente toda a Anatólia Central, é progressivamente mais acidentado, variando a altitude média entre os 600 e os 1 200 m. Nas regiões mais a leste, onde o planalto é substituído por terrenos mais montanhosos, as altitudes médias mais comuns situam-se entre os 1 500 e os 2 000 m.[78][79]

Ascordilheiras mais extensas e mais altas são osmontes Tauro (Toros Dağları), a sul e leste, e osmontes Pônticos (Kuzey Anadolu Dağları), a nordeste. Entre as costas norte e noroeste da Anatólia e o interior erguem-se osmontes Köroğlu.[78]

A montanha mais alta da Turquia é omonte Ararate (Ağrı Dağı), umvulcão extinto com 5 165 m, onde, segundo atradição judaico-cristã, atracou aArca de Noé, a qual, segundo a lenda, está enterrada no cume. O monte Ararate e o seu vizinho "Pequeno Ararate" (também chamado monte Sis ouKüçük Ağrı em turco) situam-se noPlanalto Arménio, junto ao local onde se encontram as fronteiras da Turquia,Arménia eIrão. São geralmente classificados como montanhas isoladas, mas também se usa o termo "maciço de Ağrı" para designar a formação montanhosa onde se inserem. Outros autores consideram o maciço como parte doCáucaso e outros como fazendo parte doTauro Oriental.[80][81][82]

Clima

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Turquia segundo aclassificação climática de Köppen-Geiger

Embora a maior parte do território da Turquia tenha um clima que se pode considerarmediterrânico, a variedade datopografia e principalmente a existência de cadeias de montanhas que correm paralelamente a quase todas as regiões costeiras, que impedem que a influência marítima avance para o interior, criam grandes variações climáticas regionais.[83][84][85]

O clima das áreas litorais do Egeu e do Mediterrâneo é do tipo mediterrânico, com invernos chuvosos e verões quentes e relativamente secos, embora com elevadahumidade relativa. As temperaturas no inverno podem ser bastante baixas, principalmente a ocidente, mas geralmente são relativamente amenas, sobretudo a leste de Antália.[78][83][84][85]

Na região de Mármara e do Bósforo, uma zona de transição entre o clima mediterrânico, a sul, e oclima oceânico do mar Negro, a norte, as condições climatéricas têm muitas semelhanças com as do sul e norte.[83][84][85][86]

No entanto, os invernos tendem a ser mais frios, sendo frequentes temperaturas negativas e neve no inverno, alguns dias frios na primavera, verão e outono, e chuvas estivais. À semelhança do que se passa na generalidade da Anatólia ocidental, as temperaturas médias rondam os 5 °C no inverno, com mínimas muito próximas de 0 °C, e 23 °C no verão, sendo frequentes máximas próximas dos 35 °C.[83][84][85][86]

As regiões costeiras do mar Negro, que têm um clima oceânico, são úmidas e apresentam verões menos quentes e mais chuvosos que as restantes áreas costeiras.[83][84][85][87] O interior da Anatólia, com umclima continentalsemiárido, apresenta grandes amplitudes térmicas, tanto diárias como anuais, com verões muito quentes e invernos muito rigorosos. Nas regiões de leste e sudeste os invernos são longos e mais frios do que no resto do território — algumas zonas ficam cobertas de neve entre novembro e abril. As áreas mais secas situam-se naRegião do Sudeste da Anatólia e naprovíncia de Cónia, onde a precipitação média anual não ultrapassa os 300 mm.[78][83][84][85]

Fauna e flora

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Leopardo da Anatólia

Afauna e aflora turcas estão sob proteção do Estado em parques nacionais e reservas, locais estes estabelecidos para preservar plantas e animais da devastação agrícola e industrial. A vegetação típica da Turquia reflete a variedade exibida no seu território. Como exemplo, vê-se na costa do Mediterrâneo a predominância do verde, com a presença daPodocytisus e de plantações comuns na área, como a deoliveiras eparreiras. Já na região central, predominam asestepes donas de uma variedade diferente de flores, como os grandesnarcisos amarelos, enquanto na parte montanhosa prevalecem rarastulipas ejacintos azuis. Existem ainda densas florestasconíferas na cadeia do Tauro, lar depeónias eorquídeas; e vales verdes de vegetação silvestre epinheiros ao longo da costa domar Negro.[88]

Em geral, compõem a fauna turca,ursos,lobos,águias, oleopardo-da-anatólia e outras variedades. Na região do Bósforo, podem observar-se diversasaves de rapina num total de 440 espécies diferentes, sendo a Reserva Natural Kuşcennetti o melhor local para observá-las. Nos ribeiros das montanhas encontram-se espécies de peixes e na região dolago de Vã.[88] Oturco Van, uma raça de gatos pelagem branca, é originária dessa região.[89]

Demografia

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Ver artigo principal:Demografia da Turquia
Pessoas naAvenida İstiklal em 1999

Segundo dados de 2021, a Turquia tinha 84 680 273 habitantes, 50,1% do sexo masculino e 49,9% do sexo feminino.[90] A taxa decrescimento populacional foi, nesse mesmo ano, em relação ao ano anterior, 1,27 ‰. No entanto, a evolução demográfica varia bastante conforme as regiões — por exemplo, em 2009, quando o crescimento populacional era bastante mais elevado, 14 das 67 províncias registaram uma diminuição de população.[91] Ainda em 2021, o número de imigrantes aumentou 458 626, atingindo 1 792 036 de pessoas. Adensidade populacional nesse ano era108,1 hab./km²; em 2009 era92,6 hab./km²,[90] variando entre 2 486 naprovíncia de Istambul e 11 naprovíncia de Tunceli. Em 2009, a faixa etária entre os 15 os 64 anos correspondia a 67% da população; 26% da população tinha menos de 15 anos e 7% mais de 64 anos; metade da população tinha menos de 28,8 anos.[91]

Cerca de 93,2% da população (78,9 milhões de habitantes) residia em capitais dedistrito ou deprovíncia no fim de 2021. Nessa data, 18,7% dos habitantes residiam emIstambul e 6,8% emAncara, as duas maiores cidades. O conjunto dessas cidades comEsmirna,Bursa eAntália tinham 37,5% da população do país. Segundo dados de 2006, aesperança de vida era de 73,2 anos (71,1 para os homens e 75,3 para as mulheres). A taxa demortalidade infantil era 17,5 ‰, ataxa de fertilidade 2,2 e ataxa de mortalidade 6,3 ‰.[92] Ataxa de alfabetização era de 88,1% (96% para os homens e 80,4% para as mulheres).[93] A diferença destes números deve-se sobretudo aos hábitos dos grupos mais tradicionalistasárabes ecurdos que vivem nas províncias do sudeste de não enviarem as suas meninas para escola.[94]

Cidades mais populosas daTurquia
Dados de 2012 doInstituto de Estatística da Turquia (TURKSTAT)[95]

Istambul
PosiçãoLocalidadeProvínciaPop.PosiçãoLocalidadeProvínciaPop.
1IstambulIstambul13 522 52811CaiseriCaiseri865 393
2AncaraAncara4 417 52212EsquixequirEsquixequir659 924
3EsmirnaEsmirna2 803 41813GebzeCojaéli559 954
4BursaBursa1 734 70514XanleurfaXanleurfa526 247
5AdanaAdana1 628 72515DenizliDenizli525 497
6GaziantepeGaziantepe1 421 35916SamessumSamessum510 678
7CôniaCônia1 107 88617CacramanemaraxeCacramanemaraxe443 575
8AntáliaAntália994 30618AdapazarıSacaria439 602
9DiarbaquirDiarbaquir892 71319MalátiaMalátia426 381
10MersimMersim876 95820ErzurumErzurum384 399

Grupos étnicos

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Ver artigo principal:Turcos (nacionalidade)
Grupos étnicos na Turquia (2008)[96][97][98]
EtniaPercentagem
Turcos
  
76,0%
Curdos
  
15,7%
Outros
  
8,3%
Turcos emIstambul

É frequente considerar-se que a maior parte da população da Turquia é de "etnia turca" (entre 70[11] e 88%,[96] conforme as fontes). No entanto, atendendo à grande diversidade de povos que habitaram o que é hoje a Turquia desde há milhares de anos, à inevitávelmiscigenação, ao carácter multiétnico e multicultural doImpério Otomano e ao facto de oficialmente todos os cidadãos nacionais seremturcos, não há certezas quanto à verdadeira origem étnica da maioria da população dita "turca", sendo que é provável que uma parte considerável não seja diretamente aparentada com ospovos turcomanos asiáticos aos quais se associa historicamente o termo "turco".[96][97]

O facto da tradição políticakemalista, seguida por quase todos os governos republicanos, não reconhecer formalmente a existência da maior parte das minorias étnicas origina que existam muito poucos dados estatísticos fiáveis e precisos sobre o panorama étnico do país.[96][97][98] As únicas minorias reconhecidas oficialmente são as que constaram noTratado de Lausana:arménios,gregos ejudeus.[99] Oscurdos constituem a minoria étnica mais numerosa (as estimativas variam entre 9% e 18%).[100]

Nas últimas décadas, uma parte considerável das minorias étnicas tem vindo a emigrar para as grandes cidades, por vezes distantes dos seus territórios ancestrais, e para o estrangeiro. As minorias dezazas,[101]árabes (que em 1995 se estimavam entre 80 000 e um milhão),[102]yörük,[103] eassírios[d] são originárias do leste e sudeste. A nordeste encontram-se diversas minorias de origemcaucasiana:circassianos e várias etnias degeorgianos, nomeadamenteabecásios,adjarianos,hemichis elazes. Aí viviam também osgregos pônticos até à década de 1920.[99]

Os gregos eram uma das minorias mais importantes no período otomano, mas em 1995 estimava-se que o número de gregos não ultrapassava 20 000, que habitavam quase todos em Istambul.[104] Estima-se em 40 000 o número de arménios turcos, grande parte deles residentes em Istambul, onde ainda formam uma comunidade próspera.[105] Há ainda alguns descendentes de povos originários daEuropa Oriental (albaneses,bosníacos epomaks [búlgaros]) eEuropa Ocidental.[99] Estes são usualmente designados comolevantinos,[e] sendo a maior parte descendente das prósperas e relativamente numerosas antigas comunidadesfrancesa eitalianas (sobretudogenovesa eveneziana), cujas famílias em alguns casos estão na Turquia desde aIdade Média. Estas comunidades foram numerosas sobretudo em Istambul eEsmirna, mas atualmente são diminutas.[106]

Nacionalismo curdo

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Curdos celebrando oNoruz (Ano Novo persa) em Istambul
Áreas da Turquia onde a população é composta maioritariamente porcurdos.[107]
Ver artigos principais:Nacionalismo curdo eCurdistão

O desejo de maior autonomia, quando não mesmo de independência, de certos setores políticoscurdos é, desde há décadas, a maior fonte de conflitos internos na Turquia. Onacionalismo curdo surgiu no final doséculo XIX e na Turquia foi intensificado pelo secularismo e centralismo kemalista, que ia contra as tradições islâmicas e contra uma certa descentralização e autonomia do Império Otomano, cuja organização refletia explicitamente o carácter multiétnico do império.[108][109]

Apesar de, por exemplo, a constituição de 1961 reconhecer a liberdade de expressão, de imprensa e de associação aos curdos, na maior parte do tempo isso não aconteceu nem ainda acontece, havendo repressão de grau variável conforme as inclinações políticas dos governos e da maior ou menor intervenção direta na política dos militares, tradicionalmente o bastião do kemalismo. A constituição atual não reconhece os curdos como minoria, e apesar de recentemente o idioma curdo ter sido autorizado para uso informal e autorizadas emissões de rádio e de televisão em curda, ainda que de forma muito limitada, até há pouco tempo ainda era proibido ensinar curdo nas escolas.[110]

A situação agravou-se a partir dos anos 1970, quando foi fundado oPartido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), de inspiraçãomarxista, que em 1984 iniciou uma luta armada, que em alguns períodos quase que assumiu a forma de guerra civil localizada, e esteve na origem de vários atentados terroristas.[110] Estima-se que o conflito já provocou cerca de 30 000 mortos, entre militares turcos, milícias do PKK e vítimas de terrorismo,[111] e que mais de um milhão de pessoas foram deslocadas desde o início do conflito armado.[11] A atuação dos militares e forças de segurança turcas contra os curdos a pretexto da luta antiterrorista está na base da maior parte das acusações internacionais de violação dos direitos humanos contra a Turquia.[112]

Línguas

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Falantes deturco de acordo com o censo de 1965.[113]

Oturco é a única língua oficial da Turquia. Contrariamente às línguas mais faladas na região do mundo onde se insere, é uma língua nãoindo-europeia, da família daslínguas túrquicas,[114] que é falada não só pelos naturais da Turquia ou seus descendentes, nomeadamente na Europa Ocidental, onde há muitos imigrantes turcos,[115] mas também por diversas populações de outras regiões relativamente próximas da Turquia na Europa e da Ásia.[116][117][118][119] Segundo algumas fontes, em 1996 era a 15ª língua mais falada do mundo.[117]

Além de ser a língua oficial elíngua materna de mais de 84%[97] ou 90%[119] da população, estima-se que praticamente toda a população use o turco como segunda língua.[97] Embora um artigo da constituição turca de 1982 proíba a discriminação com base na língua, contraditoriamente, o uso público e o ensino de outras línguas que não o turco são proibidas noutros artigos. As únicas exceções, resultantes doTratado de Lausana, são ogrego,arménio e as línguas hebraicas, nomeadamente oladino, apesar de em alguns estabelecimentos privados se ministrarem aulas eminglês,francês ealemão, em certos casos em escolas fundadas noséculo XIX.[98][120]

A segunda língua mais falada é ocurdo, língua materna de cerca de 14% da população[121] elingua franca em muitas partes do sudeste da Anatólia, inclusivamente para não curdos. Muitos dos grupos étnicos referidos anteriormente têm as suas próprias línguas.[98]

Religiões

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  Islã (89.5%)
  Outras religiões (cristianismo,judaísmo,tengriismo eiazidismo) (0.5%)
  Não respondeu (1.1%)
Ver artigos principais:Secularismo na Turquia eIgreja Católica na Turquia

A Turquia é um estadosecular, semreligião oficial; a constituição consagra a liberdade religiosa e de consciência.[122][123] OIslão é a religião dominante no país em número de seguidores — 97%[124] ou 98%[125][126] da população é muçulmana "praticante", um número que segundo algumas fontes sobe para mais de 99% (alguns referem 99,8%[11]) se os "não praticantes" forem contabilizados.[124][127] No entanto há estudos que apontam para que a percentagem de muçulmanos que observam a generalidade dos preceitos islâmicos, como o de rezar todos os dias e ir à mesquita pelo menos na sexta-feira, não ultrapasse os 66%.[126]

A maioria da população não muçulmana (entre 0,2% e 1%) écristã (140 000; 0,2%),[128] mas também hájudeus (c. 35 000),[129][130][131]iazidis (c. 2 500),[132][133]iarsanistas (50 000)[128] ebahá'ís (c. 15 000).[128][134] Os cristãos são sobretudoapostólicos ou ortodoxos arménios (50 000),[135]católicos romanos de rito arménio (2 500),protestantes arménios (500)[136] eortodoxos sírios (15 000), mas também hácatólicos romanos de rito latino (5 000),católicos romanos de rito caldeu (5 000),ortodoxos gregos (entre 3 000 e 4 000)[135] eprotestantes (3 000). Os restantes credos cristãos têm cerca de 3 000 seguidores.[128] Segundo um estudo de 2007, cerca de 3% da população turca é ateia ouagnóstica.[126]O papel da religião tem originado alguma controvérsia desde que surgiram os primeiros partidos islamistas.[137] A República da Turquia foi fundada sobre uma constituição estritamente secular que proíbe a influência de qualquer religião, incluindo o Islão, e há algumas questões sensíveis que são fonte de incessantes polémicas e debates, nomeadamente a proibição de algumas peças de vestuário em escolas, universidades e edifícios públicos, como ohijab (lenço ou peça de pano para cobrir a cabeça das mulheres), que os setores mais fiéis ao kemalismo veem como símbolos muçulmanos. Tem havido diversas tentativas para acabar com essas proibições por parte das forças políticas islamistas que desde os anos 1990 têm estado no governo.[138][139][140][141][142]

Ao contrário do que se passa na generalidade de outros países islâmicos, as forças políticas mais tradicionalistas e conservadoras da Turquia são fortemente laicas, enquanto que os islamistas moderados se encontram entre os adeptos mais convictos de uma aproximação e abertura ainda maior ao Ocidente, nomeadamente defendendo a adesão àUnião Europeia, a qual implica uma série de reformas liberalizantes tanto no plano económico, como a no plano social e legal.[138][139][140][141][142]

Governo

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Política

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Grande Assembleia Nacional
Palácio Presidencial
Tribunal Constitucional

Entre 1923 e 2018, a Turquia foi umademocracia representativaparlamentar. Osistema presidencialista foi adotado através de umreferendo em 2017; o novo regime político entrou em vigor com a eleição presidencial em 2018 e deu aopresidente o controle completo doexecutivo, incluindo o poder de emitirdecretos, nomear o seu próprio gabinete, elaborar oorçamento, dissolver o parlamento convocando eleições antecipadas e aparelhar a burocracia e os tribunais com nomeações políticas.[143]

O gabinete doprimeiro-ministro foi abolido e os seus poderes (juntamente com os do gabinete) foram transferidos para o presidente, que é ochefe de Estado e é eleito para um mandato de cinco anos por eleições diretas.Recep Tayyip Erdoğan é o primeiro presidente eleito pelo voto direto. Aconstituição da Turquia rege o quadro legal do país. Estabelece os princípios principais do governo e estabelece a Turquia como um estado centralizadounitário.[143]

O poder executivo é exercido pelo presidente, enquanto opoder legislativo é investido noparlamentounicameral, aGrande Assembleia Nacional da Turquia. Opoder judiciário é nominalmente independente do executivo e do legislativo, mas as mudanças constitucionais que entraram em vigor com os referendos em 2007,2010 e2017 deram maiores poderes ao presidente e ao partido no poder para nomear ou destituir juízes e promotores.[144]

OTribunal Constitucional é encarregado de decidir sobre a conformidade das leis e decretos com a constituição. OConselho de Estado é o tribunal de último recurso para casos administrativos e oSupremo Tribunal da Turquia para todos os demais.[145]

Em 2021, a Turquia tinha 4,35 (numa escala de 0 a 10) noÍndice de democracia, classificando o país como um "regime híbrido", um caso à parte na Europa Ocidental, em contínuo deslize, durante a última década, para aautocracia de Erdoğan.[146] Em 2023, aFreedom House classificou a Turquia como "não livre".[147]

Eleições e partidos

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Recep Tayyip Erdoğan, opresidente do país em 2023

Osufrágio universal para ambos os sexos têm sido aplicado em toda a Turquia desde 1933, antes da maioria dos países, e todo cidadão turco que completar 18 anos de idade tem o direito de votar. Há 600membros no parlamento que são eleitos para um mandato de quatro anos por um sistema de representação proporcional de lista partidária de 85 distritos eleitorais. O Tribunal Constitucional pode privar o financiamento público departidos políticos que ele considerarantisseculares ouseparatistas, ou banir sua existência completamente.[148][149] O limiar eleitoral é de 10% dos votos.[150]

Os defensores dasreformas de Atatürk são chamadoskemalistas, distintos dosislamistas, representando as duas visões divergentes sobre o papel da religião na legislação, na educação e na vida pública. A visão kemalista apoia uma forma dedemocracia com uma constituiçãolaica e um estilo de vidasecularocidentalizado, enquanto mantém a necessidade deintervenção estatal na economia, na educação e em outros serviços públicos.[151] Desde a sua fundação como uma república em 1923, a Turquia desenvolveu uma forte tradição de secularismo.[152]

No entanto, desde a década de 1980, questões como desigualdade de rendimentos e distinção de classes deram origem ao populismo islâmico, um movimento que sustenta um papel maior da religião nas políticas governamentais e, em teoria, apoia a obrigação de autoridade, solidariedade comunitária e justiça social; embora o que isto implique na prática seja frequentemente contestado.[151] A Turquia sob o governo de Erdoğan e do AKP tem sido descrita como cada vez maisautoritária.[153][154][155][156] Antes do referendo constitucional em 2017, oConselho da Europa já via a Turquia à deriva em direção a umaautocracia, alertando para uma "dramática regressão de sua ordem democrática".[157][158][159] Muitos elementos do pacote de reforma constitucional que foi aprovado com o referendo de 2017 aumentaram as preocupações naUnião Europeia em relação à democracia e àseparação de poderes no país.[160][161][162][163]

Relações internacionais

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Ver também:Missões diplomáticas da Turquia

A Turquia é membro fundador daOrganização das Nações Unidas (1945), daOCDE (1961), daOIC (1969), daOSCE (1973), doECO (1985), daBSEC (1992) e doG20 (1999). Em 17 de outubro de 2008, a Turquia foi eleita como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o que já tinha acontecido em 1951–1952, 1954–1955 e 1961.[164]

10.ª reunião de cúpula doG20, realizada emAntália
A Turquia aderiu àOTAN em 1952

Em consonância com sua orientação ocidental tradicional, as relações com aEuropa sempre foram um elemento central da política externa turca. Em 1949 a Turquia tornou-se membro doConselho da Europa e em 1963 tornou-se membro associado daComunidade Económica Europeia (CEE), a antecessora da União Europeia (UE), um estatuto a que se tinha candidatado em 1959. Depois de décadas de negociações, o país candidatou-se à adesão plena da CEE em 1987. Em 1992 foi assinado oAcordo de Ancara, que admitiu a Turquia como membro daUnião da Europa Ocidental (UEO). Em 1995 concluiu um acordo deunião aduaneira com a UE e em 2005 foram finalmente iniciadas as negociações formais para a adesão plena à UE.[165] Em julho de 2014 foi admitida como observador associado naComunidade dos Países de Língua Portuguesa.[12][166]

A Turquia não reconhece aRepública de Chipre (que atualmente apenas ocupa de facto a parte da ilha maioritariamentegrega) como única autoridade da ilha desde 1974, pois é o único país que reconhece aRepública Turca de Chipre do Norte.[167]

Outro aspeto importante das relações exteriores da Turquia tem sido os seus laços com osEstados Unidos. Com base na ameaça comum representada pelaUnião Soviética, a Turquia aderiu à OTAN em 1952, assegurando as suas estreitas relações bilaterais comWashington durante a Guerra Fria. No ambiente pós-Guerra Fria, a importância geoestratégica da Turquia manteve-se devido à sua proximidade com oMédio Oriente,Cáucaso eBalcãs. Desde a década de 1940 que os Estados Unidos têm apoiado a Turquia nos campos militar, político, diplomático e económico, inclusivamente em questões fundamentais como a adesão à União Europeia.[53]

A independência dos estados turcos da União Soviética em 1991, com o qual a Turquia compartilha um património cultural e linguístico comum, permitiu à Turquia alargar as suas relações económicas e políticas naÁsia Central,[168] abrindo caminho à construção doOleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan, um projeto de milhares de milhões dedólares que transportapetróleo egás natural desdeBaku, noAzerbaijão, ao porto deCeyhan, naprovíncia de Adana, no sudeste da Turquia. Ooleoduto faz parte da estratégia turca para se tornar um canal de energia para o Ocidente. No entanto, a fronteira da Turquia com aArménia, permanece fechada desde aGuerra do Alto Carabaque(1988–1994).[169]

Direitos humanos

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Ver artigo principal:Direitos humanos na Turquia
Ver também:Bloqueio da Wikipédia na Turquia
Jornalistas turcos protestam contra a prisão de seus colegas noDia Internacional dos Direitos Humanos, 10 de dezembro de 2016
A cidadecurda deCizre ficou em ruínas em março de 2016 devido aoconflito entre o governo turco e o PKK, parte doconflito curdo-turco
Os políticos de oposição Selahattin Demirtas e Figu Yüksekdağ foram presos sob acusação de "terrorismo" em 2016

Osdireitos humanos na Turquia têm sido objeto de controvérsia e de condenação internacional. Entre 1959 e 2011, oTribunal Europeu dos Direitos Humanos fez mais de 2 400 julgamentos contra o governo turco por violações aosdireitos humanos, particularmente em relação ao direito à vida e à liberdade e a tortura. Outras questões, como direitos doscurdos,direitos das mulheres,direitos LGBT eliberdade de imprensa, também atraíram polêmica.[170][171] O registo dos direitos humanos no país continua a ser um obstáculo significativo àfutura adesão à União Europeia.[172]

De acordo com oComitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), o governo doAKP travou uma das maiores repressões mundiais contra a liberdade de imprensa. Um grande número dejornalistas foi preso através de acusações como "terrorismo" e "atividades antiestatais", como os casos deErgenekon e Balyoz, enquanto milhares foram investigados sob acusações de "denegrir a condição turca" ou "insultar o Islã", em um esforço para semear a autocensura.[173] Em 2017, o CPJ identificou 81 jornalistas presos na Turquia (incluindo a equipe editorial doCumhuriyet, o jornal mais antigo do país ainda em circulação), todos diretamente por causa do seu trabalho publicado (mais que qualquer país no mundo, inclusiveIrã,Eritreia ouChina), enquanto nove músicos foram presos por seu trabalho (o 3.º lugar no planeta, depois daRússia e da China).[174] Um ex-porta-voz doDepartamento de Estado dos Estados Unidos, Philip J. Crowley, disse que osEstados Unidos tinham "amplas preocupações sobre tendências que envolviam a intimidação a jornalistas na Turquia".[175] A mídia turca é classificada como "não livre" pelaFreedom House,[176] que diz em sua resolução de 22 de junho de 2016, intitulada "O funcionamento das instituições democráticas na Turquia", que aAssembleia Parlamentar do Conselho da Europa advertiu que "os recentes desenvolvimentos na Turquia em matéria de liberdade dos meios de comunicação e de expressão, erosão do Estado de direito e as violações dos direitos humanos em relação às operações de segurança antiterrorismo no sudeste do país levantaram sérias questões sobre o funcionamento de suas instituições democráticas".[177]

A 20 de maio de 2016, o parlamento turco retirou aimunidade de quase um quarto dos seus membros, incluindo 101 deputados do partido pró-curdosHDP e do principal partido de oposição, oCHP.[178] Em reação aogolpe de Estado fracassado em 15 de julho de 2016, mais de 160 000 juízes, professores, policiais e funcionários públicos foram suspensos ou demitidos, 77 000 foram formalmente presos,[179][180] e 130 organizações da imprensa, incluindo 16 radiodifusores e 45 jornais,[181] foram fechados pelo governo turco.[182] Além disto, 160 jornalistas também foram presos.[183]

Em 29 de abril de 2017, as autoridades turcasbloquearam o acesso on-line à Wikipédia em todos os idiomas.[184] As restrições foram impostas no contexto dosexpurgos de 2016/17, poucas semanas após umreferendo constitucional significativo e depois de anos de censura parcial e seletiva do conteúdo da Wikipédia.[185] Após a proibição,Jimmy Wales, o fundador da Wikipédia, foi desconvidado da World Cities Expo emIstambul de 15 a 18 de maio.[186] O professor de direito turco Yaman Akdeniz estima que a Wikipédia seja um dos cerca de 127 000 sites bloqueados pelas autoridades turcas. Estima-se que 45% dos turcos contornaram os bloqueios da Internet, em um momento ou outro, usando umarede privada virtual (VPN).[187] Em 26 de dezembro de 2019, no entanto, oTribunal Constitucional decidiu que o bloqueio da Wikipédia violava osdireitos humanos e ordenou que fosse retirado,[188] o que foi posto em prática em 15 de janeiro de 2020.[189]

Forças armadas

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Ver artigo principal:Forças Armadas da Turquia
Fragata turca TCGGöksu (F 497)
CaçaF-16 Solo Turk daForça Aérea Turca, produzido pelaTurkish Aerospace Industries

AsForças Armadas da Turquia são formadas peloExército,Marinha eForça Aérea. AGendarmaria e a Guarda Costeira operam como parte do Ministério da Administração Interna em tempo de paz, apesar de serem subordinados, respectivamente, aos Comandos do Exército e Marinha em tempos de guerra, durante os quais ambos têm funções militares além da de aplicação da lei interna.[190]

As forças armadas turcas são a segunda maior força armada permanente da OTAN, após asForças Armadas dos Estados Unidos, com uma força combinada de pouco mais de um milhão de pessoal uniformizado servindo nos seus cinco ramos.[191] Todos os cidadãos do sexo masculino são obrigados a servir nas Forças Armadas por um período que varia de três semanas a quinze meses, dependente da educação e do local de trabalho.[192]

A Turquia é um dos cinco países membros da OTAN que fazem parte da política nuclear partilhada da aliança, juntamente com aBélgica,Alemanha,Itália ePaíses Baixos.[193] Em 2005, 90 bombas nuclearesB61 estavam armazenadas nabase aérea de İncirlik, das quais 40 estão reservadas para uso da Força Aérea turca.[194]

Em 1998, a Turquia anunciou um programa de modernização militar no valor de160mil milhões * de dólares ao longo de um período de vinte anos em vários projetos, incluindotanques,caças,helicópteros,submarinos, navios de guerra eespingardas automáticas.[195] O país foi classificado no nível 3 como colaborador do programa de produção docaçafurtivoF-35 Lightning II.[196]

A Turquia tem mantido forças em missões internacionais no âmbito das Nações Unidas e da OTAN desde 1950, incluindomissões de paz naSomália e na ex-Jugoslávia e no apoio às forças da coligação naPrimeira Guerra do Golfo. A Turquia mantém 36 mil soldados no norte de Chipre, cuja presença é apoiada e aprovada pelo governo local, mas a República do Chipre e a comunidade internacional consideram uma força de ocupação ilegal, tendo a sua presença tem sido denunciada em vários Conselhos de Segurança das Nações Unidas.[197]

A Turquia teve tropas noAfeganistão como parte da força de estabilização autorizada dos EUA e da ONU, comandada pelaForça Internacional de Apoio à Segurança (FIAS) desde 2001.[191][198] Em 2006, o parlamento turco enviou uma força de paz de navios-patrulha da Marinha e cerca de 700 tropas no terreno como parte daForça Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL), na sequência doconflito entre Israel e Líbano.[199]

O Chefe do Estado-Maior Geral é nomeado pelo presidente e é responsável perante o primeiro-ministro. O Conselho de Ministros é responsável perante o Parlamento em questões relacionadas com a segurança nacional e a preparação adequada das forças armadas para defender o país.[190]

No entanto, a autoridade para declarar a guerra, para enviar forças armadas turcas para outros países ou para permitir que forças armadas estrangeiras estacionem no território nacional é exclusiva do parlamento.[190]

Divisões administrativas

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Ver artigos principais:Regiões da Turquia,Províncias da Turquia,Distritos da Turquia, eLista de cidades da Turquia

O território da Turquia está dividido em 81 províncias para fins administrativos. As províncias estão organizadas em sete regiões para efeitos estatísticos, não tendo estas quaisquer fins administrativos. Cada província está dividida em distritos, que totalizam 923 a nível nacional. A capital do país éAncara.[200]

As províncias geralmente possuem o mesmo nome das respetivas capitais, exceto as províncias deHatay (capital:Antáquia),Cocaeli (capital:İzmit) eSakarya (capital:Adapazarı). As províncias mais populosas sãoIstambul (13 milhões de habitantes),Ancara (5 milhões),Esmirna (4 milhões),Bursa (3 milhões) eAdana (2 milhões).[200]

A maior cidade e capital pré-republicana éIstambul, que é o centro financeiro, económico e cultural do país.[71] Estima-se que 75,5% da população da Turquia vive em centros urbanos. No total, 19 províncias têm população superior a um milhão de habitantes e 20 províncias têm população entre um milhão e 500 mil habitantes. Somente duas províncias são as que têm uma população inferior a 100 mil habitantes.[200]

Economia

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Ver artigo principal:Economia da Turquia
Principais exportações da Turquia em 2019 (em inglês)
Levent, um dos centros financeiros deIstambul

A Turquia tem o15.º maior PIB PPC (Paridade do Poder de Compra) do mundo[201] e o17.º o maior PIB nominal.[202] O país é membro daOrganização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e doG20. Durante as primeiras seis décadas da República, entre 1923 e 1983, na economia predominou uma abordagem quase-estatal, complaneamento governamental rigoroso, com limitações sobre a participação dosetor privado, comércio externo, fluxo de moeda estrangeira e investimento direto estrangeiro. Em 1983, o primeiro-ministroTurgut Özal iniciou uma série de reformas destinadas a abrir a economia, substituindo o sistema estatista isolado por umaeconomia de mercado.[203]

As reformas que promoveram o crescimento rápido, um processo que foi marcado por fortesrecessões e crises financeiras em 1994, 1999 (após o terremoto daquele ano),[204] e 2001.[205] Entre 1981 e 2003 a média de crescimento anual doPIB foi de 4% por ano.[206] A falta de reformas fiscais adicionais, combinadadéfices dosetor público elevados e crescentes e acorrupção política generalizada resultaram em inflação alta, umsetor bancário fraco e aumento da volatilidademacroeconómica.[207]

Desde a crise económica de 2001 e das reformas iniciadas pelo ministro das finanças da época,Kemal Derviş, a inflação caiu para números de um dígito, a confiança dos investidores, os investimentos estrangeiros aumentaram e o desemprego caiu. OFMI previa uma taxa de inflação de 6% para a Turquia em 2008.[208] A Turquia tem aberto os seus mercados através de reformas económicas, reduzindo o controle governamental sobre o comércio, os investimentos estrangeiros, promovendo aprivatização de setores públicos e a liberalização de muitos setores. A participação privada e estrangeira continuou a ser tema muito debatido politicamente. A dívida pública em relação ao PIB, embora muito abaixo do seu nível durante a recessão de 2001, atingiu 46% em 2010.[209]

A taxa de crescimento do PIB de 2002–2007 foi em média 7,4%,[210] o que fez da Turquia uma das economias que mais cresceram no mundo durante esse período. No entanto, o crescimento do PIB desacelerou para 4,5% em 2008, e no início de 2009, a economia turca foi afetada pelacrise financeira global, com o FMI aponta para uma recessão global de 5,1% para aquele ano, em comparação com a estimativa do governo turco de 3,6%.[211]

Uma das companhias aéreas que mais crescem no mundo, aTurkish Airlines foi considerada aMelhor Companhia Aérea da Europa pelaSkytrax
Vista do porto deAlânia, naRiviera Turca. Em 2011, o país foi o sétimo mais visitado do mundo, com 27 milhões de turistas.[212]

A economia da Turquia é cada vez mais dependente da indústria nas grandes cidades, sobretudo concentrada nas províncias ocidentais do país, e menos daagricultura. No entanto, a agricultura ainda é um dos principais pilares da economia turca. Em 2007, o setor agrícola foi responsável por 27% do emprego e 9% do PIB, enquanto osetor industrial respondeu por 31% e osetor terciário representou 59%.[213]

O setor do turismo tem experimentado um crescimento rápido nos últimos 20 anos, e constitui uma parte importante da economia. Em 2008 registaram-se 31 milhões de turistas estrangeiros, contribuíram com22mil milhões * US$ para as receitas da Turquia.[214]

Outros setores-chave da economia turca são o bancário, da construção, de eletrodomésticos, eletrónica, têxteis, petroquímica, alimentação, mineração, siderurgia e indústria de máquinas eindústria automobilística. A Turquia tem uma vasta e crescente indústria automobilística, a qual produziu 1 147 110 veículos em 2008, o que coloca o país como 6.º maior produtor da Europa (atrás do Reino Unido e acima de Itália) e o 15.º do mundo.[215][216] A Turquia também é uma das principais nações daconstrução naval. Em 2007, o país ocupou a quarta posição no mundo (atrás daChina,Coreia do Sul eJapão) em termos do número de navios encomendados, e em 4.º (atrás da Itália, EUA e Canadá) em termos do número de mega-iates.[217]

A Turquia beneficiou da união aduaneira com a União Europeia, assinada em 1995, para aumentar a sua produção industrial destinada à exportação e o investimento estrangeiro no país. O país usufrui ainda de um acordo de comércio livre com a União Europeia que dá aos produtos turcos acesso livre a todo o mercado da UE.[218][219] Em 2007 as exportações tinham atingido 115 000 milhões US$, tendo como principais destinos a Alemanha (11%), Reino Unido (8%), Itália (7%), França (6%), Espanha (4%), e EUA (4%). No total, as exportações para a UE representaram nesse ano 57% do total. As importações totalizaram162mil milhões * US$ em 2007, o que ameaçava o equilíbrio dabalança comercial. Os principais parceiros de importação foram a Rússia (14%), Alemanha (10%), China (8%), Itália (6%), EUA (5%), França (5%), Irão (4%) e Reino Unido (3%). As importações da UE representaram 40% do total e as da Ásia 27%. Em 2008, as exportações turcas ascenderam a142mil milhões * e as importações a205mil milhões * US$.[220][221]

Depois de anos de baixos níveis deinvestimento estrangeiro direto (IED), o país conseguiu atrair22mil milhões * US$ em IED em 2007 e esperava-se que atraísse um número maior nos anos seguintes.[222] Uma série de grandes privatizações, a estabilidade promovida pelo início das negociações de adesão da Turquia à UE, o crescimento forte e estável, e as mudanças estruturais no sistema bancário,comércio retalhista e telecomunicações têm contribuído para o aumento do investimento estrangeiro.[209]

Infraestruturas

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Educação, ciência e tecnologia

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Ver artigos principais:Educação na Turquia eCiência e tecnologia na Turquia
Portão principal docampus mais antigo daUniversidade de Istambul

O sistema educativo da Turquia foi implementado de acordo com asreformas de Atatürk, ocorridas após da Guerra de Independência. É um sistema supervisionado pelo Estado, projetado para formar mão de obra capacitada para o desenvolvimento socioeconómico do país.[223]

Em 2009, o orçamento do ministério da educação foi de 27 883,7 milhões deliras turcas (cerca de 19 000 milhões US$), a que se somaram 8 772,7 milhões de liras para oensino superior (cerca de 5 500 mihões US$). A percentagem doorçamento de estado com educação foi 14%, correspondente a 3,3% doPIB; em 1997 as mesmas percentagens foram de, respetivamente, 11,2% e 2,4%.[224]

Ataxa de alfabetização em 2006 era de 88,1% e em 1998 o número médio de anos de escolarização completados era 5,97. No ano letivo de 2008/2009 as percentagens de jovens que frequentavam o nível de ensino correspondente à sua faixa etária eram as seguintes: 96,5% (ensino básico), 58,5% (ensino secundário) e 27,7% (ensino superior); considerando as faixas etárias subjacentes, esses números subiam para, respetivamente, 103,8%, 76,6% e 44,3%.[224]

O ensino básico é obrigatório a partir dos sete anos e tem a duração de oito anos. O ensino secundário tem a duração de três anos e os cursos superiores duram dois ou quatro anos (mais um ou dois para mestrados) e requerem um exame de admissão. Só o ensino superior não é gratuito, variando o pagamento anual entre US$ 100 e 350. No início da década de 2000, só um terço dos candidatos às universidades públicas obtinha colocação.[225]

Universidade de Ancara

A ciência e tecnologia na Turquia têm uma longa tradição que remonta ao período do Império Otomano e que foi muito impulsionada pelo fundador da república, Atatürk. No entanto, os gastos com investigação e desenvolvimento (I&D) da Turquia (0,5% do PIB em 1996) são bastante inferiores à média dos países da OCDE (2,3% do PIB), uma característica comum à generalidade dos países cuja atividade industrial é baseada em baixa tecnologia e num grande número depequenas e médias empresas (PME's).[226]

Saúde

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Até ao início doséculo XXI, aassistência médica na Turquia baseava-se num sistema estatal centralizado administrado pelo Ministério da Saúde. Em 2003, o governo introduziu um vasto programa de reformas destinado a aumentar a proporção de serviços de saúde privados e governamentais, além de disponibilizar assistência médica a uma parte maior da população. Segundo o Instituto de Estatística da Turquia, em 2012 foram gastos em saúde76,3mil milhões * deliras turcas, dos quais 79,6% foram cobertos pelasegurança social estatal e 15,4% foram pagos diretamente pelos pacientes.[227] Em 2015, existiam 30 449 instituições médicas na Turquia e 2,66 camas de hospital por mil habitantes.[228] Em 2015, aesperança de vida era de 72,6 anos para os homens e 78,9 para as mulheres, com uma média de 75,8 anos.[229]

Transportes

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Ver artigos principais:Transportes na Turquia,Transporte ferroviário na Turquia, eTransportes públicos de Istambul
Ponte Yavuz Sultan Selim, emIstambul
Comboio de alta velocidade TCDD HT65000 das Ferrovias Estatais Turcas

Na Turquia, 95% do tráfego de passageiros e 93% do tráfego doméstico de carga é feito porestrada.[f][230] Em 2008 a rede rodoviária turca contava com 181 870 km de estradasasfaltadas e 2 010 km de autoestradas.[231] Em 2010 estavam registados na Turquia 15 095 603 de veículos automóveis, cerca de metade deles ligeiros de passageiros.[232]

A redeferroviária turca é administrada pela empresa estatalCaminhos de Ferro da República da Turquia (Türkiye Cumhuriyeti Devlet Demiryolları, TCDD). Em 2008 a TCCD administrava 10 991 de linhas férreas e empregava 24 774 funcionários.[233] À exceção de Antália, a generalidade das maiores cidades são servidas por ferrovia, mas há extensas partes do território turco onde isso não acontece, nomeadamente nas costasmediterrânica e doMar Negro, em muitas das regiões orientais.[234]

Em 2010 existiam 99 aeroportos na Turquia, 16 deles com pistas com comprimento superior a 3 047 m[11] e cinco com um movimento anual de passageiros superior a cinco milhões. No mesmo ano operavam na Turquia 15companhias aéreas de passageiros e 3 de carga.[11]

A Turquia conta com pelo menos 13portos marítimos importantes nos quatro mares que banham o país (Mediterrâneo,Egeu, deMármara eMar Negro). Em 2010 estavam registados 645navios mercantes na Turquia.[11]

As maiores cidades turcas têm sistemas de transportes públicos, na generalidade de boa qualidade, baseados sobretudo emautocarros,táxis edolmuş. As cidades de Ancara, Istambul,Esmirna,Bursa eAdana têmmetropolitano, em alguns casos subterrâneos ede superfície ou "veículo leve sobre trilhos" noutros casos.[235][236][237]

Comunicações

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Ver também:Lista de jornais da Turquia
Sede daİstanbul Radyoevi (Rádio Istambul), uma das divisões daTürkiye Radyo Televizyon Kurumu (TRT, Rádio e Televisão da Turquia)

A Turquia tem uma grande variedade demeios de comunicação social, alguns em línguas estrangeiras, os quais têm muita influência sobre aopinião pública. Há uma grande variedade de pontos de vista, apesar do controlo estatal e do facto da maior parte dosmédia estarem na posse de grandes grupos económicos serem fatores adversos a essa situação. As empresas estrangeiras podem ser acionistas de empresas de comunicação social turca, mas as suas participações não podem ultrapassar 25% do capital.[127] Asmídias são fortemente controlados pelo governo através do Conselho de Radiodifusão Nacional, um organismo nomeado pelo parlamento, desencorajando o debate de assunto controversos. Em 2008 a compra do KanalTurk, uma estação de televisão nacional fortemente antigoverno, foi comprada por um empresário próximo do primeiro-ministro Erdoğan, provocando uma mudança significativa do panorama televisivo da Turquia a favor do governo.[127]

Em 2005 existiam na Turquia 37,8 milhões de aparelhos de televisão, um pouco mais do que um por cada dois habitantes. A maiorestação de televisão é a Rádio e Televisão da Turquia (Türkiye Radyo Televizyon Kurumu, TRT), estatal, que tem no ar sete canais de televisão (cinco nacionais e dois internacionais) e seis canais derádio. Além das emissões em turco, que naturalmente são a esmagadora maioria, a TRT tem programas emárabe,bósnio,circassiano,curdo ezazaki. Além dos canais públicos, em 2005 existiam 14 estações de televisão privadas e 33 estações de rádio privadas com cobertura, senão nacional, pelo menos muito vasta. As televisões privadas surgiram na Turquia em 1993 e incluem aStar TV, oKanal D, aShow TV e aNTV. Entre as maiores estações de rádio privadas encontram-se aCapital Radio e aShow Radio.[127] Em 2009 existiam cerca de 300 estações de televisão e mais de mil estações de rádio regionais e locais privadas.[11]

Sede do jornalHürriyet em Istambul

Os jornais mais populares em 2008 eram então oHürriyet,Milliyet,Posta,Sabah,Yeni Asır eZaman.[127] Os jornais de maior circulação entre 28 de fevereiro de 2011 e 6 de março de 2011 foram oZaman e oPosta, com vendas médias diárias de, respetivamente, 826 000 e 485 024 exemplares. No mesmo período, a média diária de jornais de circulação nacional vendidos foi de cerca de 4,7 milhões de exemplares.[238] OMilliyet e oCumhuriyet encontram-se entre os jornais mais respeitados e com melhor reputação de seriedade. Entre os jornais em língua inglesa com circulação nacional encontram-se oToday's Zaman e oHürriyet Daily News. A maior parte dos jornais está sediada em Istambul, embora tenham edições simultâneas em Ancara e Esmirna. As rádios e televisões têm uma cobertura muito vasta devido aos serviços decabo e desatélite estarem amplamente difundidos e disponíveis.[127]

O maior grupo de média é oGrupo Doğan (Doğan Holding), o quinto maior grupo económico turco, o qual detém trêsestações de televisão com cobertura nacional e dois jornais de grande circulação que em 2008 se estimava que constituíssem cerca de 50% do mercado.[127]

Torre Küçük Çamlıca, em Istambul

A liberalização das telecomunicações na Turquia foi iniciada em 2004, quando foi criada a autoridade reguladora do setor, atualmente chamadaBilgi İletişim ve Teknolojileri Kurumu (BTK, em inglês:Information and Communication Technologies Authority; Agência para as Tecnologias de Informação e Comunicações). Até então o setor era monopólio da empresa estatalTürk Telekom, fundada em 1995, aquando da desafetação dos serviços detelecomunicações daPTT (Posta ve Telgraf Teşkilatı Genel Müdürlüğü, Direção-Geral dos Correios e Telégrafos). Além da Türk Telekom, na qual o estado só detém 30% atualmente,[239] existem outras empresas privadas que operam nas comunicações móveis, fixas e no acesso deinternet. Embora cerca de 90% do mercado ainda fosse da Türk Telekom em 2009, as restantes empresas estavam em crescimento.[240]

Em 2009 estavam instaladas cerca de 16,5 milhões de linhas telefónicas fixas (pouco mais do que um por cada cinco habitantes), o número detelemóveis aproximava-se dos 63 milhões (quase um por cada habitante) e o número de linhas de acesso à internet embanda larga era de cerca de 6,8 milhões (pouco menos de um por cada dez habitantes). Mais de 91% das linhas de banda larga eramADSL; os assinantes de3G era de cerca de 400 000, representando pouco menos de 6% do mercado de acessos à internet. Ainda em 2005, estavam registados 365 operadores de telecomunicações, entre os quais 45 de infraestruturas, 103fornecedores de acessos Internet (ISP's), 69 operadores de telefonia fixa, 3 operadores de telefonia móvel e 10 operadores de televisão por cabo.[11][240]

Apesar das disposições legais, aliberdade de imprensa na Turquia têm vindo a deteriorar-se desde 2010, com um declínio abrupto na sequência datentativa de golpe de Estado em julho de 2016.[241] No início de 2017, estavam presos pelo menos 81 jornalistas, todos eles enfrentando acusações de serem antigoverno, após uma repressão sem precedentes que incluiu o encerramento de mais de 100 veículos de imprensa.[242] AFreedom House classifica os meios de comunicação social da Turquia como "não livres".[243] As repressões aos meios de comunicação também se estendem àcensura na Internet, como quando aWikipédia foi bloqueada, em abril de 2017.[185][244]

Energia

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Em 2021, a Turquia tinha, em energia elétrica renovável instalada, 31 493 MW emenergia hidroelétrica (9.º maior do mundo), 10 607 MW emenergia eólica (12.º maior do mundo), 7 817 MW emenergia solar (16.º maior do mundo), e 622 MW embiomassa, além de 1 676 MW emenergia geotérmica (4° maior do mundo).[245]

Cultura

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Treinador de tartarugas, deOsman Hamdi Bey

A diversidade da cultura turca reflete a mistura de vários elementos das culturas e tradições dospovos turcos, especialmente de raizoguz, que ocuparam o território que constitui atualmente o país desde oséculo XI, dacultura otomana (que por sua vez é uma continuação da culturagreco-romana e dacultura islâmica) e dacultura ocidental moderna.[246][247]

A influência ocidental começou a ser mais notória a partir doTanzimat, o período de reformas de modernização levadas a cabo entre 1839 e 1876, teve um grande impulso com asreformas de Atatürk no início doséculo XX e continua ainda hoje. Esta mistura de culturas começou em resultado do encontro dos turcos ancestrais com os povos que encontraram na sua rota demigração desde aÁsia Central até aoOcidente.[246][247]

À medida que a Turquia evoluiu doImpério Otomano, muito baseado na religião (não só muçulmana, já que as restantes igrejas, com destaque para aortodoxa grega tinham um papel importante no império), para umestado-nação moderno com uma forte separação entre o estado e a religião, assistiu-se a um aumento nas formas deexpressão artística.[247]

Durante os primeiros anos da república, o governo investiu muitos recursos nasBelas-artes, criando e ampliandomuseus,teatros, salas deópera e investindo emobras arquitetónicas. Vários fatores históricos têm papéis importantes na definição da identidade turca contemporânea. A cultura turca é um produto dos esforços no sentido de tornar o país um "estado ocidental moderno" ao mesmo tempo que se mantêm muitos dos valores tradicionais religiosos e históricos.[247]

Arquitetura, música e literatura

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Os elementos arquitetónicos encontrados na Turquia também atestam a fusão única de tradições que influenciaram a região ao longo da História. Aos elementos detradição bizantina presentes em numerosas partes do país, somam-se muitos artefactos daarquitetura otomana posterior, com a sua requintada combinação de tradições locais e islâmicas.[248] As obras da arquitetura otomana estão presentes não só em toda a Turquia, mas também em muitos dos territórios que integraram o império.Mimar Sinan(1490–1588) é considerado quase unanimemente o mais genial arquiteto do período clássico otomano.[248] A partir doséculo XVIII, a arquitetura turca começa a ser cada vez mais influenciada por estilos ocidentais, o que pode ser observado principalmente em Istambul, onde edifícios como os palácios imperiais deDolmabahçe e deÇırağan se encontram ao lado de numerososarranha-céus modernos, todos eles representando diferentes tradições.[248]

Amúsica eliteratura turca são bons exemplos dessa mistura de influências culturais, que resultam da interação entre o Império Otomano, o mundo islâmico e a Europa, contribuindo para uma combinação de tradições turcomanas, islâmicas e europeias presente na produção musical e literária contemporânea da Turquia.[249]

A literatura turca foi fortemente influenciada pelas literaturaspersa eárabe durante a maior parte da era otomana, embora no final, particularmente após oTanzimat, começasse a ser cada vez mais notória a influência tanto do folclore turco como das tradições literárias europeias. A mistura de influências culturais está patente, por exemplo, na forma de«novos símbolos do choque e entrelaçamento de culturas» presentes nas obras deOrhan Pamuk, o vencedor doPrémio Nobel de Literatura de 2006.[250]

Desporto

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ASeleção Turca de Basquetebol ganhou a medalha de prata noCampeonato Mundial de Basquetebol Masculino de 2010

Ofutebol é odesporto mais popular na Turquia e é praticado em todo o país.[g] Entre os clubes com maior sucesso e mais famosos internacionalmente[251] podem enumerar-se osBeşiktaş, fundado em 1902,[252] oGalatasaray, fundado em 1905,[253] e oFenerbahçe, fundado oficialmente em 1908,[254] todos de Istambul. Entre os feitos mais relevantes do futebol turco nos últimos anos estão a conquista daTaça UEFA[255] e daSupertaça Europeia[256] pelo Galatasaray em 2000; aseleção turca alcançou o terceiro lugar noCampeonato do Mundo de 2002[257] e o terceiro lugar noEuro 2008.[258] A final daLiga dos Campeões da UEFA de 2005 decorreu noEstádio Olímpico Atatürk, em Istambul, o maior da Turquia,[259] e ofinal da Taça UEFA de 2009 realizou-se noEstádio Şükrü Saraçoğlu da mesma cidade.[260]

Além do futebol, obasquetebol e ovoleibol são também populares no país. OEuroBasket de 2001 decorreu nas cidades turcas de Ancara,Antália e Istambul, tendo a Turquia ficado em segundo lugar.[261] OCampeonato Mundial de Basquetebol Masculino de 2010 decorreu nas cidades deCaiseri,Esmirna, Ancara e Istambul, tendo a Turquia ficado em segundo lugar.[262] NoCampeonato Mundial de 2006 a seleção turca de basquetebol masculino tinha alcançado os quartos de final.[263] A nível de clubes, a equipa de basquetebolEfes Pilsen, de Istambul, conquistou aTaça Korac em 1996, o segundo lugar naTaça Saporta em 1993 e ficou entre os quatro primeiros daEuroliga e daSuproliga em 2000 e 2001.[264] Alguns jogadores, comoMehmet Okur[265] eHidayet Türkoğlu[266] têm tido sucesso naNBA nos últimos anos.

Diversos tipos deluta são também desportos populares, principalmente aquele que se pode considerar o desporto nacional, oyağlı güreş (ou luta turca).[267] Oyağlı güreş, que literalmente significa "luta oleada", é um desporto marcial praticado há mais de sete séculos — o torneio deKırkpınar, o principal da modalidade, realiza-se perto deEdirne desde pelo menos 1361.[268] Em julho de 2011 terá lugar a 650ª edição desse torneio. Os lutadores de yağlı güreş, chamadospehlivan em turco (dopersaپهلوان,pehlevān [herói ou campeão]), lutam com o corpo coberto de azeite, envergando apenas uma espécie de calções compridos chamadoskisbet oukispet, tradicionalmente feitos de pele debúfalo ou novilho cosida à mão.[267]

Lutadores deyağlı güreş, a luta tradicional turca

Além doyağlı güreş, há diversos tipos de luta regulamentados pelaFederação Internacional de Lutas Associadas (FILA) que são muito praticados na Turquia, como por exemplo aluta livre e aluta greco-romana, modalidades em que a Turquia conta com diversas medalhas em campeonatos europeus, mundiais e olímpicos.[269]

Os atletas turcos têm tido muito sucesso internacional nohalterofilismo. Os halterofilistas turcos, tanto masculinos como femininos, detêm várias medalhas e recordes europeus, mundiais e olímpicos.[270]Naim Süleymanoğlu eHalil Mutlu, dois atletas de nacionalidade e etnia turca nascidos naBulgária, são dos poucos halterofilistas do mundo que ganharam três medalhas olímpicas em jogos diferentes.[271][272] Süleymanoğlu foi o primeiro homem a conseguir levantar duas vezes e meia o equivalente a sua própria massa corporal no arranque e o segundo a levantar três vezes sua própria massa corporal no arremesso.[273]

Osdesportos motorizados têm ganho popularidade nos últimos anos, principalmente após a inclusão doRali da Turquia noCampeonato Mundial de Ralis daFIA entre 2003 e 2006[274] e da realização doGrande Prémio de Fórmula 1 da Turquia noIstanbul Park.[275] Outras provas importantes realizadas nesse circuito foram ou são o Grande Prémio da Turquia deMotoGP em 2005, 2006 e 2007,[276] oCampeonato Mundial de Carros de Turismo[277] e asGP2 Series,[278] entre outras. Em 2005 e 2006 uma das provas doRed Bull Air Race World Series decorreu noCorno de Ouro, em Istambul.[279][280]

Feriados

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Data[237]Nome em portuguêsNome localObservações
1 de janeiroAno NovoYılbaşı
23 de abrilDia da Soberania Nacional e das CriançasUlusal Egemenlik ve Çocuk BayramıComemora a data da primeira reunião daGrande Assembleia Nacional, em 1920. O dia é assinalado com grandes festivais por todo o país com as crianças mascaradas, principalmente com trajes militares.
1 de maioDia do Trabalho e da SolidariedadeEmek ve Dayanışma Günü
19 de maioDia da Juventude de Atatürk e do DesportoAtatürk'ü Anma, Gençlik ve Spor BayramıComemora o início domovimento de libertação iniciado com a chegada deAtatürk aSamsun em 1919, que marca também o início daGuerra da Independência. É também o aniversário do nascimento de Atatürk.
29 de maioTomada de ConstantinoplaSó celebrado em Istambul; comemora a tomada de Constantinopla porMaomé II, o Conquistador em 1453.
1 de julhoDia da MarinhaDenizcilik GünüHá muitos serviços que não encerram durante este dia
26 de agostoDia das Forças ArmadasSilahlı Kuvvetler GünüHá muitos serviços que não encerram durante este dia
30 de agostoDia da VitóriaZafer BayramıComemora a vitória nabatalha de Dumlupınar, a última da Guerra da Independência, em 1922.
9 de setembroDia da LibertaçãoKurtuluş GünüSó comemorado emEsmirna; o fim da Guerra da Independência é comemorado com discursos e desfiles
29 de outubroDia da RepúblicaCumhuriyet BayramıComemora a proclamação oficial da república em 1923. A tarde do dia anterior também é feriado.
10 de novembroAniversário da morte de AtatürkÀs 09:05, hora da morte do fundador da República em 1938, todo o país para completamente e observa um minuto de silêncio. Os barcos doBósforo param os seus motores e tocam as sirenes de nevoeiro.
Feriados islâmicos móveis
3 dias seguintes ao fim doRamadãoRamazan Bayramı ouŞeker Bayramı; emárabe:Eid ul-FitrA tarde anterior também é feriado.
70 dias depois do fim do RamadãoFesta do SacrifícioKurban Bayramı; em árabe:Eid al-AdhaFeriado de 4 dias mais a tarde do dia anterior; comemora o fim doHaje (peregrinação aMeca).


Ver também

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Notas

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  1. abcdeGrande parte do texto foi baseado na tradução do artigo«Turkey» na Wikipédia em inglês (acessadonesta versão).
  2. Artigo«Turquía» na Wikipédia em castelhano (acessadonesta versão).
  3. Artigo«Name of Turkey» na Wikipédia em inglês (acessadonesta versão).
  4. Assírios, siríacos ou caldeus (süryaniler).
  5. O termo levantino, derivado de "Levante" (oriente) aplica-se por vezes especificamente aosfrancófonos ou descendentes de franceses que vivem há séculos no Mediterrâneo Oriental.
  6. Trechos baseados no artigo«Transport en Turquie» na Wikipédia em francês (acessadonesta versão).
  7. O texto desta secção foi inicialmente baseado no artigo«Sport in Turkey» na Wikipédia em inglês (acessadonesta versão).

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