Acategorização deste artigo é deficiente. Revise e melhore as categorias existentes, substituindo as muito genéricas por outras mais especializadas e adicionando as que estão em falta, para garantir umaorganização correta.(janeiro de 2025) |
Esta páginacita fontes, mas quenão cobrem todo o conteúdo. Ajude ainserir referências (Encontre fontes:Google (N • L • A • I • WP refs) • ABW • CAPES). |
Otradicionalismo, muitas vezes conhecido comoconservadorismo clássico, é umafilosofia política esocial que enfatiza a importância dos princípiosmoraistranscendentes, manifestados através de certasleis naturaispostuladas às quais se afirma que asociedade deveria aderir.[1] Oconservadorismo tradicionalista, tal como o conhecemos hoje, baseia-se principalmente nas opiniões políticas deEdmund Burke, embora o conservadorismo representasse uma forma ainda mais antiga e mais primitiva de conservadorismo tradicionalista.[1] Os tradicionalistas valorizam oslaços sociais e a preservação dasinstituições ancestrais acima do que consideramindividualismo excessivo.[1]
Os conceitos denação,cultura,costume, convenção etradição são fortemente enfatizados no conservadorismo tradicionalista.[2] Arazão teórica é considerada de importância secundária em relação àrazão prática.[2] OEstado também é visto como um empreendimento social com característicasespirituais e orgânicas. Os tradicionalistas pensam que qualquer mudança surge espontaneamente das tradições da comunidade e não como consequência de um pensamento deliberado e fundamentado.Liderança,autoridade ehierarquia são vistas como naturais aoshumanos.[2] O tradicionalismo surgiu naEuropa ao longo do século XVIII, principalmente como uma reação aos acontecimentos das RevoluçõesInglesa eFrancesa. O conservadorismo tradicionalista começou a se estabelecer como uma força intelectual e política em meados do século XX.[3]
Osliterários tradicionalistas são frequentemente associados aos conservadores políticos e àdireita, enquanto as obrasexperimentais e avanguarda são frequentemente associadas aosprogressistas e àesquerda.John Barth, umescritorpós-moderno e teórico literário, disse: "Confesso que perdi, em seminários para aprendizes no final dos anos 1970 e 1980, aquele espírito animado do Make-It-New dos anos 60 deBuffalo. Uma sala cheia de jovens tradicionalistas pode ser tão deprimente como uma sala cheia de jovensrepublicanos."[4]
James Fenimore Cooper,Nathaniel Hawthorne,James Russell Lowell,W. H. Mallock,Robert Frost eT. S. Eliot estão entre as figuras literárias abordadas emA Mente Conservadora (1953) deRussell Kirk. Os escritos deRudyard Kipling ePhyllis McGinley são apresentados como exemplos de tradicionalismo literário emO Leitor Conservador (1982). Kirk também foi um conhecido autor de ficção assustadora e desuspense com saborgótico. Ray Bradbury e Madeleine L'Engle elogiaramromances comoAntiga Casa do Medo,Uma Criatura do Crepúsculo eSenhor da Escuridão Oca, bem como contos como "Lex Talionis", "Lago Perdido", "Além dos Tocos", "Ex Tenebris" e "Bolsa do Destino". Kirk também era amigo íntimo de vários pesos pesados da literatura do século XX, incluindoT. S. Eliot,Roy Campbell,Wyndham Lewis,Ray Bradbury,Madeleine L'Engle, eFlannery O'Connor, todos os quais escreveram poesia conservadora ou ficção.
Evelyn Waugh eG. K. Chesterton – dois romancistas britânicos ecatólicos tradicionalistas –Juan Manuel de Prada eFernando Sánchez Dragó são frequentemente considerados conservadores tradicionalistas.[5]

A gênese do tradicionalismo português está na obra contra-revolução dePascoal de Meio Freire.[6] Rejeitando os ideais daRevolução Francesa, do movimento das rebeliões liberais do Porto e separatista do Brasil, os tradicionalistas se identificaram com otradicionalismo deD. Miguel I.
Obras panfletárias do naipe deDissertação a favor da monarquia (1799) domarquês de Penalva; os escritos antifranceses deJosé Acúrcio das Neves (1808 – 1817) e deJosé Agostinho de Macedo (1809 – 1812); aRefutação metódica das chamadas bases da Constituição política da monarquia portuguesa (1824);Os povos e os reis (1825), deFaustino da Madre de Deus; enquanto no Brasil, a obra propagou tais ideais oVisconde de Cairu.
Após a derrota do miguelismo,José da Gama e Castro (1795 – 1873) continua viva a chama tradicionalista lusitana com a sua obra magnaO Novo Príncipe ou o espírito dos governos monárquicos (Rio, 1841). Além da influência patente deMaquiavel, inspirou-se em Burke, Vico e Montesquieu para justificar a monarquia absolutista com base na história e na experiência dos povos, rejeitando qualquer especulação aprioristamente dedutivista.
“A monarquia origina-se diretamente das famílias, tendo se verificado o mesmo por toda a parte. As famílias --que tiveram originariamente o chefe, os filhos e os fâmulos-- fizeram nascer os estados, onde as denominações passam a ser rei ou monarca, nobres e plebe. Examinando-se o curso histórico dos povos verifica-se que a particular organização política que chegaram a adotar dependia das circunstâncias concretas. Uma nação comerciante organiza-se de muito diferente maneira que uma nação agrícola; o mesmo podendo-se dizer da posição geográfica, se marítima ou continental. Assim, quando se diz fazer a constituição, trata-se de declarar direitos preexistentes ou relações anteriormente formadas. A constituição de uma nação não faz a posição política dessa nação, explica-a. Examinada a experiência europeia verifica-se que a estabilidade e felicidade das nações não depende da forma da sua constituição, mas das qualidades do príncipe.”[7]
Em Portugal, no século XIX, distinguiram-se nesse campo autores comoCamilo Castelo Branco e a generalidade dosintegralistas comoLuís de Almeida Braga,António Sardinha ouHipólito Raposo, em que atradição transformou-se na palavra-chave congregadora doIntegralismo Lusitano.
Segundo Sardinha,tradição não é somente o passado; é antes a permanência nodesenvolvimento. Assim como Almeida Braga que salienta que a tradição não é contrária aoprogresso:o passado é força que nos arrasta, não é cadeia que nos prende. Toda a exata noção de Progresso está numa sã interpretação da Tradição, pois o verdadeiro tradicionalismo é, antes de tudo, uma interpretação crítica do Passado, quer dizer, uma atitude derazão. Nega-se assim a identificação da tradição com a inércia, o passadismo e a rotina.[8]
A mudança, porém, deve realizar-se sem romper com os antecedentesmorais que são o fundamento de uma dada sociedade. O tradicionalismo reage, normalmente, de forma negativa àsrevoluções, em especial aquelas que pretendem fazer tábua rasa do passado e do fundamento moral que constituiu uma dada sociedade. Opta antes pelaContrarrevolução. Para o tradicionalista, deve ser aHistória, e não as nossas predilecções doutrinárias, o melhor guia na determinação dos regimes políticos. Se uma dada instituição, como a Instituição Real, por exemplo, foi derrubada, é decerto contraproducente tentar voltar e reerguê-la tal como existia, mas deverá ser observado se a função que essa instituição desempenhava encontrou um substituto capaz.
Enquanto carácter filosófico-teológico católico, que se pode confundir com oultramontanhismo, representa uma oposição doracionalismo extremado, característica principal doséculo XVIII. Os critérios para encontrar a sua verdade consiste, basicamente, na sua antiguidade, perpetuidade e universalidade. Deste modo, o tradicionalismo defende a submissão de toda ordemmoral e social ao poder daIgreja, e a reinstauração da antigamonarquia (nãoconstitucional) como o sistema de governo mais verdadeiro, partindo da aceitação do seu princípiodivino.
Obviamente os partidários das ideias consideradas deesquerda são os adversários imediatos, pois defendem ser preciso superar a desigualdade social, o domínio de classes e opressões causadas por estruturas que permanecem imutáveis por muitos séculos. Ou seja, argumentam que manter as tradições é uma forma de perpetuar a exploração e antigas formas de preconceito.
No início doséculo XX, o tradicionalismo recebeu um contributo insuspeito da ciência nas descobertas deRené Quinton, com a «lei da constância do meio vital dos seres». Nessa lei, Quinton não negou aEvolução, mas concretizou-lhe as possibilidades: “os organismos vivos, para se manterem, procuram sempre restabelecer a pureza do seu meio vital, isto é, procuram manter a inviolabilidade das circunstâncias especiais que os geraram e de cuja guarda e duração depende a sua existência”. Os tradicionalistas viram aí uma estrondosa confirmação do princípio tradicionalista: “res eodem modo conservatur quo generantur” (“as coisas existem pelas mesmas razões porque se geram”).
A renovação dabiologia seguiu o seu próprio caminho, mas ajudando a destronar o rudimentar ideário doprogresso indefinido. Situado na órbita dos fenómenos sociais, o tradicionalismo continua a entender a política como uma realidade, ou uma experiência, garantida e comprovada pelo decurso da história. “As instituições do passado não são boas por serem antigas, mas são antigas por serem boas” — é uma famosa máxima tradicionalista.