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Tradicionalismo

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Otradicionalismo, muitas vezes conhecido comoconservadorismo clássico, é umafilosofia política esocial que enfatiza a importância dos princípiosmoraistranscendentes, manifestados através de certasleis naturaispostuladas às quais se afirma que asociedade deveria aderir.[1] Oconservadorismo tradicionalista, tal como o conhecemos hoje, baseia-se principalmente nas opiniões políticas deEdmund Burke, embora o conservadorismo representasse uma forma ainda mais antiga e mais primitiva de conservadorismo tradicionalista.[1] Os tradicionalistas valorizam oslaços sociais e a preservação dasinstituições ancestrais acima do que consideramindividualismo excessivo.[1]

Os conceitos denação,cultura,costume, convenção etradição são fortemente enfatizados no conservadorismo tradicionalista.[2] Arazão teórica é considerada de importância secundária em relação àrazão prática.[2] OEstado também é visto como um empreendimento social com característicasespirituais e orgânicas. Os tradicionalistas pensam que qualquer mudança surge espontaneamente das tradições da comunidade e não como consequência de um pensamento deliberado e fundamentado.Liderança,autoridade ehierarquia são vistas como naturais aoshumanos.[2] O tradicionalismo surgiu naEuropa ao longo do século XVIII, principalmente como uma reação aos acontecimentos das RevoluçõesInglesa eFrancesa. O conservadorismo tradicionalista começou a se estabelecer como uma força intelectual e política em meados do século XX.[3]

Literatura

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Osliterários tradicionalistas são frequentemente associados aos conservadores políticos e àdireita, enquanto as obrasexperimentais e avanguarda são frequentemente associadas aosprogressistas e àesquerda.John Barth, umescritorpós-moderno e teórico literário, disse: "Confesso que perdi, em seminários para aprendizes no final dos anos 1970 e 1980, aquele espírito animado do Make-It-New dos anos 60 deBuffalo. Uma sala cheia de jovens tradicionalistas pode ser tão deprimente como uma sala cheia de jovensrepublicanos."[4]

James Fenimore Cooper,Nathaniel Hawthorne,James Russell Lowell,W. H. Mallock,Robert Frost eT. S. Eliot estão entre as figuras literárias abordadas emA Mente Conservadora (1953) deRussell Kirk. Os escritos deRudyard Kipling ePhyllis McGinley são apresentados como exemplos de tradicionalismo literário emO Leitor Conservador (1982). Kirk também foi um conhecido autor de ficção assustadora e desuspense com saborgótico. Ray Bradbury e Madeleine L'Engle elogiaramromances comoAntiga Casa do Medo,Uma Criatura do Crepúsculo eSenhor da Escuridão Oca, bem como contos como "Lex Talionis", "Lago Perdido", "Além dos Tocos", "Ex Tenebris" e "Bolsa do Destino". Kirk também era amigo íntimo de vários pesos pesados ​​da literatura do século XX, incluindoT. S. Eliot,Roy Campbell,Wyndham Lewis,Ray Bradbury,Madeleine L'Engle, eFlannery O'Connor, todos os quais escreveram poesia conservadora ou ficção.

Evelyn Waugh eG. K. Chesterton – dois romancistas britânicos ecatólicos tradicionalistasJuan Manuel de Prada eFernando Sánchez Dragó são frequentemente considerados conservadores tradicionalistas.[5]

Tradicionalismo em Portugal

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Juan Manuel de Prada, autor tradicionalista católico espanhol.

A gênese do tradicionalismo português está na obra contra-revolução dePascoal de Meio Freire.[6] Rejeitando os ideais daRevolução Francesa, do movimento das rebeliões liberais do Porto e separatista do Brasil, os tradicionalistas se identificaram com otradicionalismo deD. Miguel I.

Obras panfletárias do naipe deDissertação a favor da monarquia (1799) domarquês de Penalva; os escritos antifranceses deJosé Acúrcio das Neves (1808 – 1817) e deJosé Agostinho de Macedo (1809 – 1812); aRefutação metódica das chamadas bases da Constituição política da monarquia portuguesa (1824);Os povos e os reis (1825), deFaustino da Madre de Deus; enquanto no Brasil, a obra propagou tais ideais oVisconde de Cairu.

Após a derrota do miguelismo,José da Gama e Castro (1795 – 1873) continua viva a chama tradicionalista lusitana com a sua obra magnaO Novo Príncipe ou o espírito dos governos monárquicos (Rio, 1841). Além da influência patente deMaquiavel, inspirou-se em Burke, Vico e Montesquieu para justificar a monarquia absolutista com base na história e na experiência dos povos, rejeitando qualquer especulação aprioristamente dedutivista.

“A monarquia origina-se diretamente das famílias, tendo se verificado o mesmo por toda a parte. As famílias --que tiveram originariamente o chefe, os filhos e os fâmulos-- fizeram nascer os estados, onde as denominações passam a ser rei ou monarca, nobres e plebe. Examinando-se o curso histórico dos povos verifica-se que a particular organização política que chegaram a adotar dependia das circunstâncias concretas. Uma nação comerciante organiza-se de muito diferente maneira que uma nação agrícola; o mesmo podendo-se dizer da posição geográfica, se marítima ou continental. Assim, quando se diz fazer a constituição, trata-se de declarar direitos preexistentes ou relações anteriormente formadas. A constituição de uma nação não faz a posição política dessa nação, explica-a. Examinada a experiência europeia verifica-se que a estabilidade e felicidade das nações não depende da forma da sua constituição, mas das qualidades do príncipe.”[7]

Em Portugal, no século XIX, distinguiram-se nesse campo autores comoCamilo Castelo Branco e a generalidade dosintegralistas comoLuís de Almeida Braga,António Sardinha ouHipólito Raposo, em que atradição transformou-se na palavra-chave congregadora doIntegralismo Lusitano.

Segundo Sardinha,tradição não é somente o passado; é antes a permanência nodesenvolvimento. Assim como Almeida Braga que salienta que a tradição não é contrária aoprogresso:o passado é força que nos arrasta, não é cadeia que nos prende. Toda a exata noção de Progresso está numa sã interpretação da Tradição, pois o verdadeiro tradicionalismo é, antes de tudo, uma interpretação crítica do Passado, quer dizer, uma atitude derazão. Nega-se assim a identificação da tradição com a inércia, o passadismo e a rotina.[8]

A mudança, porém, deve realizar-se sem romper com os antecedentesmorais que são o fundamento de uma dada sociedade. O tradicionalismo reage, normalmente, de forma negativa àsrevoluções, em especial aquelas que pretendem fazer tábua rasa do passado e do fundamento moral que constituiu uma dada sociedade. Opta antes pelaContrarrevolução. Para o tradicionalista, deve ser aHistória, e não as nossas predilecções doutrinárias, o melhor guia na determinação dos regimes políticos. Se uma dada instituição, como a Instituição Real, por exemplo, foi derrubada, é decerto contraproducente tentar voltar e reerguê-la tal como existia, mas deverá ser observado se a função que essa instituição desempenhava encontrou um substituto capaz.

Enquanto carácter filosófico-teológico católico, que se pode confundir com oultramontanhismo, representa uma oposição doracionalismo extremado, característica principal doséculo XVIII. Os critérios para encontrar a sua verdade consiste, basicamente, na sua antiguidade, perpetuidade e universalidade. Deste modo, o tradicionalismo defende a submissão de toda ordemmoral e social ao poder daIgreja, e a reinstauração da antigamonarquia (nãoconstitucional) como o sistema de governo mais verdadeiro, partindo da aceitação do seu princípiodivino.

Obviamente os partidários das ideias consideradas deesquerda são os adversários imediatos, pois defendem ser preciso superar a desigualdade social, o domínio de classes e opressões causadas por estruturas que permanecem imutáveis por muitos séculos. Ou seja, argumentam que manter as tradições é uma forma de perpetuar a exploração e antigas formas de preconceito.

No início doséculo XX, o tradicionalismo recebeu um contributo insuspeito da ciência nas descobertas deRené Quinton, com a «lei da constância do meio vital dos seres». Nessa lei, Quinton não negou aEvolução⁣, mas concretizou-lhe as possibilidades: “os organismos vivos, para se manterem, procuram sempre restabelecer a pureza do seu meio vital, isto é, procuram manter a inviolabilidade das circunstâncias especiais que os geraram e de cuja guarda e duração depende a sua existência”. Os tradicionalistas viram aí uma estrondosa confirmação do princípio tradicionalista: “res eodem modo conservatur quo generantur” (“as coisas existem pelas mesmas razões porque se geram”).

A renovação dabiologia seguiu o seu próprio caminho, mas ajudando a destronar o rudimentar ideário doprogresso indefinido. Situado na órbita dos fenómenos sociais, o tradicionalismo continua a entender a política como uma realidade, ou uma experiência, garantida e comprovada pelo decurso da história. “As instituições do passado não são boas por serem antigas, mas são antigas por serem boas” — é uma famosa máxima tradicionalista.

Ver também

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Referências

  1. abcDeutsch & Fishman 2010, p. 2.
  2. abcVincent 2009, p. 63.
  3. Sedgwick, Mark (2009).Against the Modern World: Traditionalism and the Secret Intellectual History of the Twentieth Century. [S.l.]: Oxford University Press 
  4. John Barth (1984) intro toThe Literature of Exhaustion, inThe Friday Book.
  5. Traditionalism: between the past and the present, nytimes.com
  6. PAIM, Antonio. “O ponto de partida comum”
  7. MACEDO, U. Diferenças Notáveis Entre o Tradicionalismo Português e o Brasileiro
  8. Tradicionalismo, Polipédia

Bibliografia

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  • Deutsch, Kenneth L.; Fishman, Ethan (2010).The Dilemmas of American Conservatism. [S.l.]: University Press of Kentucky.ISBN 978-0-813-13962-3 
  • Vincent, Andrew (2009).Modern Political Ideologies. [S.l.]: John Wiley & Sons.ISBN 978-1-444-31105-1 

Artigos

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Referências gerais

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  • Allitt, Patrick (2009)The Conservatives: Ideas and Personalities Throughout American History. New Haven, CT: Yale University Press.
  • Critchlow, Donald T. (2007)The Conservative Ascendancy: How the GOP Right Made Political History. Cambridge, MA: Harvard University Press.
  • Dunn, Charles W., and J. David Woodard (2003)The Conservative Tradition in America. Lanham, MD: Rowman and Littlefield Publishers.
  • Edwards, Lee (2004)A Brief History of the Modern American Conservative Movement. Washington, D.C.: Heritage Foundation.
  • Frohnen, Bruce, Jeremy Beer, and Jeffrey O. Nelson (2006)American Conservatism: An Encyclopedia. Wilmington, DE: ISI Books.
  • Gottfried, Paul, and Thomas Fleming (1988)The Conservative Movement. Boston: Twayne Publishers.
  • Nash, George H. (1976, 2006)The Conservative Intellectual Movement in America since 1945. Wilmington, DE: ISI Books.
  • Nisbet, Robert (1986)Conservatism: Dream and Reality. Minneapolis, MN: University of Minnesota Press.
  • Regnery, Alfred S. (2008)Upstream: The Ascendance of American Conservatism. New York: Threshold Editions.
  • Viereck, Peter (1956, 2006)Conservative Thinkers from John Adams to Winston Churchill. New Brunswick, NJ: Transaction Publishers.

Pelos Neoconservadores

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  • Bestor, Arthur (1953, 1988)Educational Wastelands: The Retreat from Learning in Our Public Schools. Champaign, IL: University of Illinois Press.
  • Boorstin, Daniel (1953)The Genius of American Politics. Chicago: University of Chicago Press.
  • Chalmers, Gordon Keith (1952)The Republic and the Person: A Discussion of Necessities in Modern American Education. Chicago: Regnery.
  • Hallowell, John (1954, 2007)The Moral Foundation of Democracy. Indianapolis:Liberty Fund Inc.
  • Heckscher, August (1947)A Pattern of Politics. New York: Reynal and Hitchcock.
  • Kirk, Russell (1953, 2001)The Conservative Mind from Burke to Eliot. Washington, D.C.: Regnery Publishing.
  • Kirk, Russell (1982)The Portable Conservative Reader. New York: Penguin.
  • Nisbet, Robert (1953, 1990)The Quest for Community: A Study in the Ethics of Order and Freedom. San Francisco: ICS Press.
  • Smith, Mortimer (1949)And Madly Teach. Chicago:Henry Regnery Co.
  • Viereck, Peter (1949, 2006)Conservatism Revisited: The Revolt Against Ideology. New Brunswick, NJ: Transaction Publishers.
  • Vivas, Eliseo (1950, 1983)The Moral Life and the Ethical Life. Lanham, MD: University Press of America.
  • Voegelin, Eric (1952, 1987)The New Science of Politics: An Introduction. Chicago: University of Chicago Press.
  • Weaver, Richard (1948, 1984)Ideas Have Consequences. Chicago: University of Chicago Press.
  • Wilson, Francis G. (1951, 1990)The Case for Conservatism. New Brunswick, NJ: Transaction Publishers.

Por outros conservadores tradicionalistas

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  • Dreher, Rod (2006)Crunchy Cons: How Birkenstocked Burkeans, Gun-loving Organic Farmers, Hip Homeschooling Mamas, Right-wing Nature Lovers, and Their Diverse Tribe of Countercultural Conservatives Plan to Save America (or At Least the Republican Party). New York: Crown Forum.
  • Frohnen, Bruce (1993)Virtue and the Promise of Conservatism: The Legacy of Burke and Tocqueville. Lawrence, KS: University Press of Kansas.
  • Henrie, Mark C. (2008)Arguing Conservatism: Four Decades of the Intercollegiate Review. Wilmington, DE: ISI Books.
  • Kushiner, James M., Ed. (2003)Creed and Culture: A Touchstone Reader. Wilmington, DE: ISI Books.
  • MacIntyre, Alaisdar (1981, 2007)After Virtue: A Study in Moral Theory. Notre Dame, IN: University of Notre Dame Press.
  • Panichas, George A., Ed. (1988)Modern Age: The First Twenty-Five Years: A Selection. Indianapolis: Liberty Fund, Inc.
  • Panichas, George A. (2008)Restoring the Meaning of Conservatism: Writings from Modern Age. Wilmington, DE: ISI Books.
  • Scruton, Roger (1980, 2002)The Meaning of Conservatism. South Bend, IN: St. Augustine's Press.
  • Scruton, Roger (2012)Green Philosophy: How to Think Seriously About the Planet. Atlantic Books

Sobre conservadores tradicionalistas

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  • Duffy, Bernard K. and Martin Jacobi (1993)The Politics of Rhetoric: Richard M. Weaver and the Conservative Tradition. Santa Barbara, CA: Greenwood Press.
  • Federici, Michael P. (2002)Eric Voegelin: The Restoration of Order. Wilmington, DE: ISI Books.
  • Gottfried, Paul (2009)Encounters: My Life with Nixon, Marcuse, and Other Friends and Teachers. Wilmington, DE: ISI Books.
  • Kirk, Russell (1995)The Sword of Imagination: Memoirs of a Half-Century of Literary Conflict. Grand Rapids, MI: William B. Eerdman's Publishing Co.
  • Langdale, John., (2012)Superfluous Southerners: Cultural Conservatism and the South, 1920–1990. Columbia, MO: University of Missouri Press.
  • McDonald, W. Wesley (2004)Russell Kirk and the Age of Ideology. Columbia, MO: University of Missouri Press.
  • Person, James E., Jr. (1999)Russell Kirk: A Critical Biography of a Conservative Mind. Lanham, MD: Madison Books.
  • Russello, Gerald J. (2007)The Postmodern Imagination of Russell Kirk. Columbia, MO: University of Missouri Press.
  • Scotchie, Joseph (1997)Barbarians in the Saddle: An Intellectual Biography of Richard M. Weaver. New Brunswick, NJ: Transaction Publishers.
  • Scotchie, Joseph (1995)The Vision of Richard Weaver. New Brunswick, NJ: Transaction Publishers.
  • Scruton, Roger (2005)Gentle Regrets: Thoughts From A Life London: Continuum.
  • Stone, Brad Lowell (2002)Robert Nisbet: Communitarian Traditionalist. Wilmington, DE: ISI Books.
  • Wilson, Clyde (1999)A Defender of Conservatism: M. E. Bradford and His Achievements. Columbia, MO: University of Missouri Press.

Ligações externas

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