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Tornado

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: Para outros significados, vejaTornado (desambiguação).
Um tornadocategoria F5 em Elie,Manitoba,Canadá. O tornado em sí é o estreito funil que vai da nuvem ao solo. A parte inferior deste tornado está rodeada por uma nuvem de pótranslúcida, que foi levantada pelos fortes ventos do tornado na superfície.

Umtornado (também chamado detwister) é umfenômeno meteorológico que se manifesta como uma coluna de ar que gira de forma violenta e potencialmente perigosa, estando em contato tanto com a superfície da Terra como com uma nuvemcumulonimbus ou, excepcionalmente, com a base de uma nuvemcumulus.[1] Sendo um dos fenômenos atmosféricos mais intensos que se conhece, os tornados se apresentam sob várias formas e tamanhos, mas geralmente possuem um formatocônico, cuja extremidade mais fina toca o solo e normalmente está rodeada por uma nuvem de e outras partículas. A maioria dos tornados conta com ventos que chegam a velocidades entre 65 e 180quilômetros por hora, mede aproximadamente 75metros de diâmetro e translada-se por vários metros, senão quilômetros, antes de desaparecer. Os mais extremos podem ter ventos com velocidades superiores a 480 km/h, medir até 1 500 m de diâmetro e permanecer no solo, percorrendo mais de 100 km de distância.[2][3][4]

Entre os diferentes tipos de tornados estão oslandspouts, ostornados de vórtices múltiplos e astrombas marinhas. As trombas marinhas formam-se sobre corpos de água conectando-se a nuvenscumulus e nuvens de tempestade de maior tamanho, porém são consideradas tornados por apresentarem características similares a estes, como sua corrente de ar rotativa em forma de cone. As trombas marinhas no geral são classificadas como tornados não-supercelulares que se formam sobre corpos d'água.[5] Estas colunas de ar frequentemente se formam nas latitudes médias (sub-trópicos e zona temperadas), e são menos comuns emlatitudes maiores (polos) ou latitudes mais baixas (zona tropical, zona equatorial).[6] Outros fenômenos similares aos tornados que existem na natureza incluem ogustnado, osredemoinhos-de-poeira e osredemoinhos de fogo.

Os tornados são observados em todos os continentes, exceto naAntártida.[7] No entanto, a maioria dos tornados no mundo ocorre no "Corredor dos Tornados" ou, em inglês,Tornado Alley, uma região dosEstados Unidos, embora possam ocorrer quase em qualquer lugar naAmérica do Norte.[8] Eles também ocorrem ocasionalmente no centro-leste e sul daÁsia, nasFilipinas, no norte e centro-leste daAmérica do Sul,África do Sul, noroeste e sudeste daEuropa, oeste e sudeste daAustrália eNova Zelândia.[9] Os tornados podem ser detectados através de radares de impulsos Doppler, assim como visualmente, por caçadores de tempestades.

Aescala de Fujita é utilizada para medir a intensidade dos tornados, avaliando-os pelos danos causados. Um tornado F0 ou EF0, o mais fraco da categoria, danifica árvores, mas não estruturas de grande porte. Já um tornado F5 ou EF5, o mais forte da categoria, consegue arrancar edificações de suas fundações e podendo danificar seriamentearranha-céus.

Etimologia

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A palavratornado é uma forma alterada da palavraespanholatronada, que, segundo aRAE, significa "tempestade de trovões".[10] Esta, por sua vez, deriva dolatimtonare, que significa "trovejar". Provavelmente a palavra chegou a sua forma atual através de uma combinação das palavrastronada etornar ("girar"). Não obstante, esta pode ser umaetimologia popular.[11][12]

Formação

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Normalmente, a formação de tornados está associada atempestades muito intensas que produzem violentosventos, elevadaprecipitação pluviométrica e, frequentemente,granizo em regiões muito planas. Felizmente, menos de 1% das células de tempestade originam um tornado. Porém, todas as grandes células convectivas devem ser monitoradas por sempre haver a possibilidade destas reunirem as condições necessárias para a ocorrência do fenômeno. Resultados, em 2018, de medições de tornados emOklahoma eKansas sugerem que os ventos em espiral destas tempestades se desenvolvem primeiro perto do solo. Isso é contrário à teoria há muito aceita de que os ventos do tornado nascem a vários quilômetros nas nuvens e só depois pousam na superfície da Terra.[13]

Embora ainda não exista consenso sobre o mecanismo que desencadeia o início de um tornado, aparentemente estes estarão ligados a uma interação existente entre fortes fluxos ascendentes e descendentes que formam uma movimentação intensa no centro das nuvens carregadas que compõem as super-células tempestuosas, isso causa uma rotação, chamada demesociclone.[14]

Imagem de um mesociclone por umradar meteorológico em Michigan. 3 de julho de 1999.

Essas células normalmente formam-se devido ao contraste existente entre duas grandes massas de ar com diferentespressões etemperaturas. Alguns locais doplaneta estão mais sujeitos ao encontro desses contrastantes sistemas atmosféricos, como é o caso do meio-oeste dos EUA, ou o centro-sul da América do Sul.

Após tocar o solo, um tornado pode atingir uma faixa que varia entre 100 e 1 200 m, deslocando-se por uma extensão de aproximadamente 30 km (embora já tenham sido registrados tornados que se deslocaram distâncias superiores a 150 km).

  1. Antes do desenvolvimento da tempestade, uma mudança na direção do vento e um aumento da velocidade com a altura criam uma tendência de rotação horizontal na baixa atmosfera. Essa mudança na direção e velocidade do vento é chamada de cisalhamento do vento.
  2. Ar ascendente da baixa atmosfera entra na tempestade inclinada e o ar em rotação da posição horizontal muda para a posição vertical.
  3. Há então a formação de uma área de rotação com comprimento de 4–6 km, que corresponde a quase toda extensão da tempestade. A maioria das tempestades fortes e violentas são formadas nestas áreas de extensa rotação.
  4. A base da nuvem e sua área de rotação são conhecidas comowall cloud. Esta área é geralmente sem chuva.

Descrição

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Tornado em Little Thetford,Reino Unido.
Tornado emAnadarko,Oklahoma.

Normalmente a sua formação ocorre no final da tarde, horário em que aatmosfera se encontra mais instável, com forteturbulência e presença denuvensCumulonimbus. Porém não é incomum observar o surgimento desses ciclones durante a noite. Isso porque os tornados também vêm de uma categoria específica de nuvens chamadas super-células de tempestade, que "amadurecem" durante o dia e se transformam em fortes tempestades de granizo. O tamanho destas pedras de granizo é bastante considerável se tivermos como padrão as pequenas pedras conhecidas, que são de aproximadamente 0,5 cm. Estas podem variar do tamanho de uma bola de gude até ao de uma bola de golfe ou tênis. Um prenúncio de um tornado são as chamadasrotation wallclouds, que são nuvens baixas, com o formato de uma base de pirâmide.

Esses cones de ventos rotativos e arrasadores podem ocorrer em qualquer lugar do mundo. Porém há certas regiões que são mais propensas à formação de tornados, como a parte central dosEstados Unidos (a "Tornado Alley") ou o "corredor dos tornados da América do Sul" que inclui oUruguai,Paraguai, sul daBolívia, norte daArgentina e a porção centro-sul doBrasil.

A coloração cinza ou "amarronzada" dos tornados ocorre devido aos detritos e poeira que ele desloca. Quando ocorre sobre uma porção grande de água (mar,lagos ou grandesrios), o fenômeno recebe o nome detromba de água.

A confusão entre tornados e furacões é comum, entretanto esses dois fenômenos tem características bem distintas:

  • Umfuracão mede centenas de quilômetros de diâmetro e a sua formação ocorre sempre sobre as águas dos oceanos. Sua duração pode chegar a vários dias, mas quando atinge a terra firme rapidamente perde a sua força até dissipar-se.
  • Tornados são mais localizados e muito mais energéticos, apresentam um funil estreito (raramente atinge diâmetros superiores a 1 km) e tem duração aproximada de 20 minutos.
  • A intensidade de tornados é medida pelaEscala Fujita e, de modo semelhante, aEscala Saffir-Simpson mensura a intensidade dosfuracões.

Forma e dimensões

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Um tornado em forma de cunha com aproximadamente 1,5 km de diâmetro emBinger,Oklahoma.

A maioria dos tornados possui a forma de um estreitofunil, com algumas poucas centenas de metros de comprimento e com uma pequena nuvem de pó e detritos em sua base, próxima ao solo. Os tornados podem ficar obscurecidos por completo devido a chuva ou aos dejetos por ele levantados. Quando isso acontece, eles são particularmente perigosos, pois até mesmo os meteorologistas mais experientes podem não vê-los.

Os tornados, não obstante, podem se manifestar sob várias formas e tamanhos. Pequenos e relativamente fracos,landspouts podem ser notados por causa do pequeno redemoinho de pó formado por eles, sobre o solo. Ainda que o funil de condensação possa não se estender até o solo, se, associado aos ventos de superfície, superar os 64 km/h, a circulação é considerada um tornado.

Escalas de classificação de tornados

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Ver também:Escala Fujita,Escala Fujita melhorada,Escala Fujita Internacional, eEscala TORRO

Existem várias escalas para classificar a força dos tornados. Aescala Fujita classifica tornados pelos danos causados e foi substituída em alguns países pelaEscala Fujita Aprimorada atualizada. Um tornado F0 ou EF0, a categoria mais fraca, danifica árvores, mas não estruturas substanciais. Um tornadoF5 ou EF5, a categoria mais forte, arranca edifícios extremamente bem construídos de suas fundações e pode deformar grandesarranha-céus. Aescala TORRO semelhante varia de T0 para tornados extremamente fracos a T11 para os tornados mais poderosos conhecidos.[15] Aescala internacional Fujita também é usada para classificar aintensidade de tornados e outros eventos de vento com base na gravidade dos danos que causam.[16] Dadosde radar Doppler,fotogrametria e padrões de redemoinho do solo (marcastrocoidais) também podem ser analisados para determinar a intensidade e atribuir uma classificação.[17][18]

Tornados são tão comuns nos EUA, que apenas por traçar seus pontos médios, é gerado um mapa reconhecível do país...Todos os tornados nos EUA, 1950–2013,escala F mais alta no topo. Fonte:NOAAStorm Prediction Center.

Entre os anos de 2000 e 2004 foram realizados estudos pela Texas Tech University com o intuito de propor novos métodos para melhor analisar e relacionar os danos causados pelos tornados e a velocidade dos ventos associados a ele. Estes estudos geraram a Escala Fujita Melhorada (Enhanced Fujita Scale) que foi colocadas em prática nos Estados Unidos em 1 de Fevereiro de 2007[19][20]. As classificações desta escala vão de EF0 a EF5.

ClassificaçãoVelocidade dos ventos (km/h)Largura da trilha (metros)*Comprimento da trilha (km)*Danos provocados
EF0105-1373-200-2Leves
EF1138-17810-1001-5Moderados
EF2179-21850-5002-20Fortes
EF3219-266500-1 0005-60Severos
EF4267-3221 000-2 00010-150Devastadores
EF5>3222 000-5 00010-500Incríveis

(Escala de Fujita melhorada, com associação de outras características correlacionadas)

* a largura e o comprimento das trilhas não necessariamente estão dentro dos valores indicados na tabela, pois estes podem sofrer variações em função das particularidades do local de ocorrência do fenômeno.

Tipos

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Tornado de vórtice múltiplo

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Ver artigo principal:Tornado de vórtices múltiplos
Estrutura de multivórtice em um tornado sobreDallas,Texas, em2 de Abril de 1957.

Um tornado de vórtice múltiplo é um tipo de tornado no qual duas ou mais colunas de ar giram ao redor de um centro comum. Estruturas de múltiplos vórtices podem ocorrer em quase qualquer circulação, mas é mais frequentemente observada em tornados mais intensos.[21][22]

Tornado satélite

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Um tornado satélite é um tornado mais fraco que esta contido dentro do mesmomesociclone que um tornado mais forte. O tornado satélite pode parecer estarorbitando o tornado maior, aparentando um grande tornado de vórtices múltiplos. Porém, um tornado de satélite é um funil distinto e muito menor que o funil principal.

Tromba de água

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Ver artigo principal:Tromba de água
Uma tromba d'água próxima àFlorida Keys em 10 de setembro de 1969. Observe que há duas tochas com trilhas de fumaça para indicar a direção e velocidade do vento, perto da parte inferior da fotografia.

Tromba de água,tromba-d'água, outromba marinha, é um grandevórtice colunar (normalmente semelhante a umanuvem em forma de funil) que ocorre ao longo de um corpo de água e está ligado a uma nuvemcumuliforme.[23]

Umatromba de água é oficialmente definida peloServiço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos como um tornado sobre água. Uma tromba de água pode ser classificada de "tempo razoável" ou tornádicas:

  • Trombas de água de tempo razoável são menos severas e mais comuns. Sua dinâmica é semelhante aosredemoinhos ou aoslandspouts. Elas formam-se na base de nuvenscumulus congestus em águas tropicais ou subtropicais, têm ventos relativamente fracos, paredes defluxo laminar estáveis e lisos e geralmente viajam muito pouco. Este fenômeno é frequentemente visto emFlorida Keys.
  • Trombas de água tornádicas podem formar-se diretamente sobre água como um tornadomesociclônico ou se originar de um tornado formado sobre a terra que se movimente (landfall) até um corpo d'água. São consideradas mais perigosas do que as trombas de água de "tempo razoável" pois se originam em umasevera tempestade, são mais intensas, velozes e tem maior duração.[24]

Landspout

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Umlandspout é um termo não-oficial usado para designar tornados que não se originam demesociclones ousupercélulas. Os landspouts apresentam as mesmas características do que as trombas de água de tempo razoável, ou seja, curta duração e ventos mais fracos do que um sistema de tornado. Devido a essas características, umlandspout pode ser chamado de "tromba de terra", pois este sistema nada é mais do que uma tromba de água de tempo razoável sobre a terra.[25][26]

Fenômenos semelhantes

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Gustnado

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Ver artigo principal:Gustnado

Umgustnado é um pequeno redemoinho vertical associado a uma frente de rajadas de vento ou a uma rajada de vento descendente. Por não se conectarem com a base de uma nuvem, existe um certo debate sobre o fato de gustnados serem ou não tornados. Formam-se quando um fluxo de ar frio, seco e rápido, proveniente de uma tempestade, se encontra com uma massa de ar quente, úmida e estacionária próxima ao limite do fluxo, resultando num efeito de turbilhonamento.[27]

Redemoinho de pó

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Ver artigo principal:Redemoinho
Umredemoinho de poeira noestado americano deNevada.

Os redemoinhos, torvelinhos, redemoinhos-de-poeira, pé-de-vento ou diabos de poeira (eminglês:dust devil) são ventos em espiral formados pela convecção do ar, em dias quentes, sem ventos e de muito sol.

Ocorrem quando o solo se aquece em determinado ponto, transferindo esse calor à porção de ar que está parada logo acima dele. Quando atinge uma determinada temperatura, esse ar sofre rápida elevação, subindo em espiral e cria um mini centro de baixa pressão. Devido ao princípio da conservação do momento angular esse redemoinho ganha velocidade e acaba levantando a poeira do solo, fazendo com que um funil de 'sujeira' seja visível. Ele pode apresentar desde alguns centímetros até muitos metros de altura.[28]

Frequentemente esse fenômeno é confundido com um tornado, porém vale salientar que, ao contrário dos tornados, os redemoinhos de poeira somente se formam em dias sem nuvens, sob muito sol e calor e baixa umidade do ar. Além disso, a velocidade dos ventos desse fenômeno raramente ultrapassa os 100 km/h, podendo causar apenas pequenos estragos, tais como destelhamentos leves.[28]

Redemoinho de fogo

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Ver artigo principal:Redemoinho de fogo

Redemoinhos de fogo são redemoinhos que se desenvolvem próximos aincêndios florestais. Não são considerados tornados exceto em raros casos em que se conectam a uma nuvempyrocumulus ou a uma outra nuvem cumuliforme sobre eles.[29][30]

Chuva de animais

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Ver artigo principal:Chuva de animais

Um raro fenômeno natural associado à formação de tornados é achuva de animais.[31][32] Na chuva de animais é comum encontrar peixes, rãs, sapos e pássaros que caem como chuva. Tal fenômeno pode ser explicado através de um tornado na forma de tromba d'água, sugando pequenos animais (peixes, rãs e sapos) para o interior da tempestade de ventos ascendentes, ocasionando a posterior precipitação dos mesmos em regiões próximas.[33]

Relatos jornalísticos indicam que em 14 de fevereiro de 2007 ocorreu uma chuva de peixes emParacatu, cidade do interior deMinas Gerais.[34]

Detecção

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Trajetória de um tornado em Wisconsin em 21 de agosto de 1857

Antes da década de 1950, o único método de detectar um tornado era vê-lo do chão. Muitas vezes, as notícias de um tornado chegavam ao escritório meteorológico local após a tempestade. No entanto, com o advento do radar meteorológico, áreas próximas a um escritório local podem receber alertas antecipados de condições meteorológicas severas. Os primeirosalertas públicos de tornado foram emitidos em 1950 e os primeiros alertas de tornado eprevisões convectivas surgiram em 1952. Em 1953, foi confirmado que os ecos de gancho estavam associados a tornados.[35] Ao reconhecer essas assinaturas de radar, os meteorologistas poderiam detectar tempestades que provavelmente produziam tornados a vários quilômetros de distância.[36]

Radar

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Um tornado EF3 de 2021 em Illinois é exibido em vários tipos de dadosdo NEXRAD . Os produtos depolarização dupla evelocidade Doppler melhoraram muito a capacidade dos meteorologistas de detectar tornados enquanto eles estão em andamento ou iminentes, quando não há confirmação visual disponível.

Hoje, a maioria dos países desenvolvidos tem uma rede de radares meteorológicos, que serve como método principal de detecção de assinaturas de eco de gancho provavelmente associadas a tornados. Nos Estados Unidos e em alguns outros países, são utilizadas estações de radar meteorológico Doppler. Esses dispositivos medem a velocidade ea direção radial (em direção ou para longe do radar) dos ventos dentro de uma tempestade e, portanto, podem detectar evidências de rotação em tempestades de mais de 100 milhas (160 km) de distância. Quando as tempestades estão distantes do radar, apenas as áreas altas dentro da tempestade são observadas e as áreas importantes abaixo não são amostradas.[37] A resolução dos dados também diminui com a distância do radar. Algumas situações meteorológicas que levam à tornadogênese não são facilmente detectáveis pelo radar e o desenvolvimento do tornado pode ocasionalmente ocorrer mais rapidamente do que o radar consegue concluir uma varredura e enviar o lote de dados. Os sistemasde radar meteorológico Doppler podem detectarmesociclones dentro de uma tempestade supercelular. Isso permite que os meteorologistas prevejam a formação de tornados durante tempestades.[38]

Observação de tempestades

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Os observadores geralmente são treinados pelo Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos (em inglês, National Weather Service) em nome de suas respectivas organizações e enviam imediatamente qualquer relato de tornado. As organizações ativam sistemas de alerta público, como sirenes e oSistema de Alerta de Emergência (EAS), e encaminham o relatório para o NWS.[39] Existem mais de 230.000 observadores meteorológicos da Skywarn treinados nos Estados Unidos.

No Canadá, uma rede semelhante de observadores meteorológicos voluntários, chamada Canwarn, ajuda a detectar condições meteorológicas severas, com mais de 1.000 voluntários.[40] Na Europa, várias nações estão a organizar redes de observadores sob os auspícios da Skywarn Europe[41] e a Tornado and Storm Research Organisation (TORRO) mantém uma rede de observadores no Reino Unido desde 1974.[42]

Os observadores de tempestades são necessários porque sistemas de radar comoo NEXRAD detectam assinaturas que sugerem a presença de tornados, em vez de tornados propriamente ditos. O radar pode dar um aviso antes que haja qualquer evidência visual de um tornado ou de um tornado iminente, mas a verdade básica de um observador pode fornecer informações definitivas.[43] A capacidade do observador de ver o que o radar não consegue é especialmente importante à medida que a distância do local do radar aumenta, porque o feixe do radar torna-se progressivamente mais alto em altitude à medida que se afasta do radar, principalmente devido à curvatura da Terra, e o feixe também se espalha.

Evidência visual

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Umanuvem de parede giratória com uma fenda clara de corrente descendente no flanco traseiro evidente em sua parte traseira esquerda

Observadores de tempestades são treinados para discernir se uma tempestade vista à distância é ou não uma supercélula. Eles geralmente olham para a parte traseira, a principal região decorrentes ascendentes e de entrada. Abaixo dessa corrente ascendente há uma base sem chuva, e o próximo passo datornadogênese é a formação de umaparede de nuvens rotativa. A grande maioria dos tornados intensos ocorre com uma parede de nuvens na parte de trás de uma supercélula.[44]

A evidência de uma supercélula é baseada na forma e estrutura da tempestade, e nas características da torre de nuvens, como uma torre de corrente ascendente rígida e vigorosa, um topo persistente e grande, uma bigorna rígida (especialmente quando cisalhada contraventos fortes de nível superior) e uma aparência de saca-rolhas ouestrias. Abaixo da tempestade e mais perto de onde a maioria dos tornados são encontrados, as evidências de uma supercélula e a probabilidade de um tornado incluem faixas de entrada (particularmente quando curvas), como uma "cauda de castor", e outras pistas, como a força da entrada, o calor e a umidade do ar de entrada, quão dominante é a entrada ou saída de uma tempestade e a que distância o núcleo de precipitação do flanco frontal está da parede de nuvens. A tornadogênese ocorre mais provavelmente na interface da corrente ascendente e da corrente descendente do flanco traseiro e requer um equilíbrio entre o fluxo de saída e o fluxo de entrada.[45]

Somente nuvens de parede que giram geram tornados, e eles geralmente precedem o tornado entre cinco e trinta minutos. Paredes de nuvens rotativas podem ser uma manifestação visual de um mesociclone de baixo nível. Exceto em um limite de baixo nível, a tornadogênese é altamente improvável, a menos que ocorra uma corrente descendente no flanco traseiro, o que geralmente é visivelmente evidenciado pela evaporação da nuvem adjacente a um canto de uma parede de nuvens. Um tornado geralmente ocorre quando isso acontece ou logo depois; primeiro, uma nuvem em forma de funil se forma e, em quase todos os casos, quando chega à metade, um redemoinho ou vórtice na superfície já se desenvolveu, significando que o tornado está no solo antes que a nuvem de condensação conecte a circulação da superfície à tempestade. Tornados também podem se desenvolver sem nuvens de parede, sob linhas de flanqueamento e na borda de ataque. Os observadores observam todas as áreas de uma tempestade, a base e a superfície das nuvens.[46]

Países lusófonos

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Brasil

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Ver também:Lista de tornados no Brasil (1800-2024) eLista de tornados no Brasil (2025-)
Um tornado registrado emPiracicaba,São Paulo, no crepúsculo vespertino de 31 de janeiro de 2025. ARegião Metropolitana de Piracicaba possui condições climáticas semelhantes à daRegião Metropolitana de Campinas e, consequentemente, registra eventos tornádicos.

OBrasil está localizado noCorredor dos tornados da América do Sul, que compreende um polígono demarcado entre o norte da Argentina, Uruguai, centro-sul do Brasil, Paraguai, e parte da Bolívia, as condições que favorecem a formação do fenômeno são as costas d’ água como o leito do Rio Tietê, o relevo, topografia, a presença de ventos e interação do ar frio e seco dos Andes e a umidade daAmazônia. O Brasil está na lista de países com maiores incidências de tornados no mundo. De acordo com a pesquisa[47] daUnicamp, entre 1990 e 2010 foram registrados cerca de 205 tornados no país. O município deItupeva (SP) é a mais propício ao fenômeno no país, com 36% de chances de ocorrência de pelo menos um evento por ano.[48]

Em 16 de maio de 1948, um tornado F3 atingiu a cidade deCanoinhas emSanta Catarina. Cerca de 23 pessoas morreram. O município (incluindo suas comunidades rurais), já se viu afetado por vários tornados até hoje, com registros de tornados significativos nos anos de 1948 (F3), 1955 (F?), 1959 (F4), 1991 (F?), 2002 (F2), 2007 (F?), 2008 (F?), 2013 (F1) e 2023 (F?).[49] Em 30 de setembro de 1991, um tornado F4 atingiu o município deItu,São Paulo, causando 16 mortes e 200 feridos. Cerca de 450 mil pessoas ficaram sem luz e telefone.[50] Em 17 de maio de 1992 o município deAlmirante Tamandaré (Paraná) foi atingido por um tornado F3 causando 6 fatalidades, 105 feridos, 1700 desabrigados e danos severos em 480 casas.

Em 3 de outubro de 2002, um tornado com ventos entre 195 e 230 km/h atingiu a cidade deCruz Alta (RS), mas felizmente não causou mortes, embora tenha atingido 80% da cidade.[51] Em 11 de dezembro de 2003, um tornado atingiu o município deAntônio Prado, noRio Grande do Sul causando cinco mortes.[50] Em 25 de maio de 2004, um tornado F3 atingiu o município dePalmital (SP), deixando 4 mortos e 25 feridos. No mesmo dia, um tornado estimado em F2 se formou na zona rural de Lençóis Paulista (SP), porém apenas causando danos em vegetações.[52] Em 24 de maio de 2005, um tornado F3 multivórtice, atingiu o município deIndaiatuba, emSão Paulo, houve 14 feridos e R$ 100 milhões em prejuízos.[52]

Em 29 de novembro de 2008, por volta das 19h00 de sábado, ocorreu um pequeno tornado na cidade deCoração de Maria, localizada na Região Metropolitana deFeira de Santana, no estado daBahia, que durou aproximadamente três minutos, o suficiente para destelhar parcialmente 70% das casas da cidade e destruir pelo menos 15 delas. As chuvas caíram por mais de 12 horas, faltou energia, queda de vários muros e a população se apavorou.[53]

Em 8 de setembro de 2009, uma supercélula produziu um tornado F4 que percorreu a província argentina deMisiones causando várias mortes e destruição extrema na comunidade de Tobuna. A mesma célula de tempestade provocou mais três tornados significativos no oeste deSanta Catarina, com um outro tornado F4 afetando a zona rural do município de Guaraciaba, deixando um total de 4 mortes e vários feridos. Os outros dois tornados foram classificados em F3 e produziram danos severos em zonas florestais perto do município.[54] Em 21 de julho de 2010, um tornado F2 atingiu as cidades serranas deGramado eCanela (RS), deixando 10 pessoas feridas, e pelo menos 480 casas danificadas, e mais de 250 árvores arrancadas.[55]

Em 22 de setembro de 2013, um tornado F3 atingiu o município deTaquarituba, no estado deSão Paulo, causando 2 mortes e mais de 64 feridos. EmLondrina,Paraná, por influência da mesma supercélula, houve um vendaval com ventos de até 107 km/h por hora, destelhando 200 casas, arrancando árvores e danificando imóveis, comércios e faculdades, cerca de 15 mil pessoas ficaram sem energia e água.[56] Em 12 de abril de 2014, uma série de tornados atingiu oRio Grande do Sul provocando 1 morte emErebango e deixando mais de 2 mil desabrigados no estado.[57] Em 24 de setembro do mesmo ano, um tornado foi registrado emPorto Murtinho, noMato Grosso do Sul. O funil atingiu um barco, causando o naufrágio que vitimou 11 pessoas e deixou 3 desaparecidas.[58][59] Em 1º de outubro de 2014, foi a vez da capital federal, Brasília, registrar seu primeiro tornado oficial, o qual foi considerado um fraco F0 (do tipo landspout), mas não provocou danos. O fenômeno foi produzido por um bow-echo que causou rajadas de vento de downburst de 96 km/h, causando leves danos no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek.[60] Em 21 de janeiro de 2015, um tornado F1 foi registrado emPérola (Paraná). O tornado atingiu uma indústria que desabou deixando 1 morto. Dezenas de casas foram danificadas.[61] Em 20 de abril, ainda em 2015, um tornado F2, com possíveis danos no limite inferior de F3, atingiu uma parte do sul do município deXanxerê, emSanta Catarina, deixando 3 mortos e danos em mais de 30% da área urbana. Os ventos podem ter variado de 100km/h a 330km/h.[62] Em 19 de novembro de 2015, um tornado com múltiplos vórtices, classificado como F2, atingiu a cidade de Marechal Cândido Rondon, no Paraná. Houve inúmeros estragos na cidade. Mais de mil residências foram atingidas, além de empresas, fábricas e escolas, várias árvores foram arrancadas e postes de energia danificados. Ao menos 20 pessoas ficaram feridas.[carece de fontes?]

Imagem da destruição causada pelo tornado que atingiu o município deTaquarituba em 22 de setembro de 2013,São Paulo,Brasil.

Portugal

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EmPortugal, tal como no resto da Europa, os arquivos meteorológicos apenas integram os dados observados nas estações. Uma vez que os tornados são fenômenos da microescala, a probabilidade de serem observados numa estação é muito pequena, por isso o registro da sua ocorrência fica limitado à descrição das populações e, eventualmente, nos últimos anos, a algum registro fotográfico. Desde 1999 tem sido feita a recolha dos dados disponíveis relativos aos tornados que ocorreram em Portugal, existindo atualmente uma base da dados com 42 tornados e trombas de água ocorridos entre 1936 e 2004. Os eventos que integram esta base de dados foram analisados e classificados em termos de data e hora de ocorrência, intensidade, comprimento, largura e direção do percurso, dos efeitos e das condições meteorológicas em que ocorreram. Verificou-se que o tornado mais intenso em Portugal (um F3) ocorreu em Castelo Branco, em 6 de Novembro de 1954, causando 5 mortos e 220 feridos e destruindo a estação meteorológica local. A partir de 2001 a recolha de dados de campo revela a existência de mais tornados fracos e de percursos muito mais longos do que era possível inferir dos registros históricos, além de algumas situações de grande interesse do ponto de vista da meteorologia.

Desde 2006 têm sido registrado aumento do número de ocorrência de tornados no distrito de Santarém, acontecendo desde então pelo menos um por ano, razão pela qual, agora se pondera comprar equipamento de detecção de tornados idêntico ao utilizado pelos Estados Unidos. Em 2009, a 9 de Abril houve o registro de dois tornados: Alcanena/Amiais/Torres Novas; Castelo de Vide. Na madrugada de 7 de Outubro outro registo, apesar de se desconhecer a sua intensidade provocou estragos variados em diversos locais do conselho deFerreira do Zêzere.

Dia 7 de Dezembro de 2010 ocorreu um grande tornado, assolando a região Oeste do país: Tomar, Ferreira do Zêzere e Sertã. Provocou 40 feridos e prejuízos em cerca de 16 milhões de euros. Foi classificado como F3 da escala de Fujita, o antepenúltimo nível no grau de destruição provocada. Passou a ser até ao momento o tornado mais forte que alguma vez ocorreu em Portugal.[63]

Em 2012, a 2 de Maio de 2012 ocorreram duas trombas d'água que evoluíram para tornados ao entrar em terra, na Lagoa de Albufeira. Dia 25 de Outubro um tornado fez estragos na zona industrial de Castelo Branco. No dia 16 de Novembro houve o registro de outro tornado no sul de Portugal que rajou do mar a norte passando por Carvoeiro, Lagoa e Silves no Algarve. Em 2013 registrou-se o primeiro tornado/tromba d'água na foz do rio Douro, entre o Porto e V. N. de Gaia, a 09 de Março de 2013. Não se verificaram danos pessoais ou materiais. A 10 de Março um possível tornado fez 1 ferido e vários danos materiais em Póvoa de Varzim.[carece de fontes?] A 5 de março de 2018, um tornado de F1, fez estragos entre Faro e Olhão, no Algarve. O Tornado fez Desalojados e os seus ventos chegaram a quase 200 km/h.[64] A 6 de março, duas trombas d' agua, foram vistas ao largo de Viana do Castelo, mas não chegaram a terra.[65] No dia 18 de setembro de 2020, dois tornados emBeja ePalmela fizeram estragos, devido a passagem daTempestade Subtropical Alpha.[66]

Ver também

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Referências

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Ligações externas

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