Como presidente, Thomas Jefferson defendeu os interesses comerciais e marítimos da nação contra osPiratas da Barbária e as políticas comerciais britânicas agressivas. Começando em 1803, Jefferson ainda promoveu uma política expansionista para o oeste, organizando aCompra da Luisiana que, de uma vez só, dobrou o tamanho do país. Para abrir espaço para reassentamento de pessoas para o oeste, Jefferson começou um controverso processo deremoção indígena dosnovos territórios adquiridos. Na política externa, buscou negociar a paz com a França, reduzindo as tensões. Sua administração ainda diminuiu o orçamento e tamanho das forças militares disponíveis para o governo federal. Jefferson foireeleito em 1804 com facilidade. Seu segundo mandato, contudo, foi cheio de dificuldades domesticamente, incluindo o julgamento do ex-vice-presidenteAaron Burr. Em 1807, o comércio exterior americano foi diminuído quando Jefferson implementou aLei de Embargo em resposta às ameaças britânicas ao transporte marítimo dos Estados Unidos. No mesmo ano, Jefferson assinou umalei que proibia a importação deescravos do exterior.
Umpolímata, Jefferson se destacou, entre outras coisas, comohorticultor, líder político,arquiteto,arqueólogo,paleontólogo,músico,inventor e fundador daUniversidade da Virgínia. Quando o presidenteJohn F. Kennedy recebeu 49 vencedores doPrêmio Nobel àCasa Branca, em 1962, declarou: "acredito que esta é a mais extraordinária reunião de talento e conhecimento humano que já foi reunida na Casa Branca– com a possível exceção de quando Thomas Jefferson jantava aqui sozinho".[4] Até o presente, Jefferson é o único presidente americano a ter servido dois mandatos completos no cargo sem ter vetado um únicoprojeto de lei doCongresso. Jefferson foi regularmente classificado pelo meio acadêmico como um dosmaiores presidentes americanos.
Os seus pais foram Peter Jefferson (29 de Março de1708 -17 de Agosto de1757) e Jane Randolph (20 de Fevereiro de1720 -31 de Março de1776), ambos de famílias de colonos estabelecidos naVirgínia há várias gerações. Ele frequentou o College of William & Mary, tendo depois tentado instituir aí reformas, antes de finalmente vir a fundar a sua própria visão de ensino superior com aUniversidade da Virgínia.
Foi o principal autor daDeclaração da Independência Americana, e uma fonte de muitas outras contribuições para a cultura americana. A lista de sucessos da sua presidência inclui acompra da Louisiana e a expedição de Lewis e Clark. Em1804, a compra da Luisiana despertou grande interesse na população e motivou a colonização dos novos territórios até à costa oeste. Antecipando-se a estes movimentos, Jefferson, convencido da necessidade dessa expansão, dispôs, apenas poucas semanas antes da compra, as medidas para a exploração e cartografia do território então desconhecido. O intuito era a reclamação pelos Estados Unidos adiantando-se aos europeus e encontrar a famosaPassagem do Noroeste.[5] Influenciado pelas narrativas da exploração deLe Page du Pratz na Louisiana (1763) e do capitãoJames Cook no Pacífico (1784),[6] Jefferson e outros persuadiram o Congresso em 1804 para que atribuísse US$ 2 500 a uma expedição até ao oceano Pacífico.[7]
A sua casa, emVirgínia, que ele próprio desenhou, foi emMonticello, perto deCharlottesville, tendo sido equipada com portas automáticas e outros dispositivos convenientes inventados pelo próprio Jefferson.
Os interesses de Jefferson incluem aarqueologia, uma disciplina que estava então na sua infância. Ele foi por vezes chamado de "pai da arqueologia", em reconhecimento pelo seu papel no desenvolvimento de técnicas de escavação. Quando explorava um túmulo índio na sua propriedade na Virginia em 1748, Jefferson evitou a prática comum de cavar de cima para baixo até que algo aparecesse. Em vez disso, ele cortou uma cunha do túmulo por forma a que se pudesse caminhar para dentro, observar as camadas de ocupação e tirar conclusões delas.
Thomas Jefferson era também um ávido apreciador devinho e umgastrônomo. Embaixador naFrança (1784-1789), envolveu-se entusiasticamente nos primeiros acontecimentos daRevolução Francesa, nos quais ainda não se conhece ao certo a real dimensão da sua intervenção. Realizou inúmeras reuniões políticas na sua casa, trocou numerosa correspondência com vários dos protagonistas políticos e elaborou projectos de propostas políticas, como seja a de uma «Declaração dos direitos do cidadão».
Fez longas viagens pelaFrança e outras regiões vinícolas europeias, e enviava os melhores vinhos para aCasa Branca. É conhecido pela sua arrojada declaração:"Nós poderíamos, nosEstados Unidos, produzir variedades de vinho tão boas como aquelas feitas naEuropa, não exatamente dos mesmos tipos, mas sem dúvida da mesma qualidade".
Apesar de a vinha ter sido extensamente plantada emMonticello, uma porção significativa era V. vinifera, que não sobreviveu às muitas doenças nativas dasAméricas. Por isso, Jefferson nunca conseguiu produzir vinho tão bom quanto o europeu.
A visão de Jefferson para osEstados Unidos era a de uma nação agrícola de pequenos proprietários lavradores, que acreditava serem o povo eleito de Deus, e associa as grandes cidades às pragas de um corpo humano,[8] visão que o levou a pegar em armas contra a Grã-Bretanha, que julgava ser um instrumento de Satanás, pelo fato de obrigar a América a abandonar o paraíso da agricultura para se dedicar à manufatura.[9]
Tal visão não era compartilhada porAlexander Hamilton, que desejava uma nação de comércio e da manufatura.
Jefferson era um grande adepto da ideia da singularidade e do enorme potencial dosEstados Unidos, sendo frequentemente citado como um precursor doexcepcionalismo americano.
Como muitos donos de terra do seu tempo, Jefferson possuía escravos. Um tema de considerável controvérsia desde o próprio tempo de Jefferson é saber se Jefferson era o pai de alguma das crianças da sua escravaSally Hemings. Uma perspectiva moderna sobre esta relação encontra-se no livro "As crianças de Jefferson" de Shannon Fair.
Por outro lado, sugeriu a aquisição de negros recém-nascidos para entregá-los à tutela do Estado, que os submeteria ao trabalho o mais cedo possível para viabilizar economicamente sua deportação paraSanto Domingo no momento oportuno, ainda que reconhecesse que tal proposta, por ensejar a separação das crianças de suas mães, poderia gerar escrúpulos humanitários, mas dizia não ser necessária tamanha sensibilidade.[10]
A eleição presidencial americana de 1800 resultou num empate entre Jefferson e seu oponenteAaron Burr, membro fundador doPartido Democrata-Republicano noestado de Nova Iorque. Foi resolvida a17 de fevereiro de1801, quando Jefferson foi eleito presidente e Burr vice-presidente pela câmara dos representantes. Jefferson foi o único vice-presidente americano a ser eleito para a presidência e servido dois mandatos plenos.
Tal disputa gerou ressentimento nos adversários, que apelidaram Jefferson de "presidente negro",[11] de fato sua vitória se deve ao peculiarCompromisso dos Três Quintos, segundo o qual, para efeito de determinação do números de representantes dos Estados no Colégio Eleitoral que elegia o presidente, levava-se em conta a população de escravos, que não eram eleitores, reduzida a três quintos, tal cláusula favorecia os estados do sul e em particular a Virgínia onde residiam 40% dos escravos nos Estados Unidos,[12]
O retrato de Jefferson aparece na nota de 2 dólares e na moeda de 5 cêntimos (ou níqueis). Thomas Jefferson foi enterrado na sua propriedade, emMonticello.
No epitáfio, escrito pelo próprio Jefferson, com a insistência que apenas as suas palavras e nem uma palavra mais sejam inscritas, lê-se: "Aqui jaz Thomas Jefferson, autor da declaração da independência americana, da lei da liberdade religiosa da Virgínia e pai da Universidade da Virgínia"
Thomas Jefferson teria passado seus últimos anos de vida emMonticello onde morreu aos 83 anos em1826.
Jefferson possuía uma grande biblioteca particular, onde acumulou diversoslivros durante 50anos. A suabiblioteca foi considerada uma das melhores dosEstados Unidos. Mais tarde ele vendeu sua coleção de 6487 livros para aBiblioteca do Congresso.
Thomas Jefferson eJohn Adams (também ex-presidente, participante da Declaração da Independência e amigo) morreram no mesmo dia, 4 de Julho de 1826, coincidentemente, nesse dia eram comemorados os 50 anos da independência dos Estados Unidos, independência essa que os dois ajudaram a conquistar.
Em1786, naFrança, alguns estudantes brasileiros (inconfidentes) chegaram a tratar com Jefferson a respeito da possibilidade da independência política do Brasil.[14][15]
Em outra ocasião, ele chegou a expressar que estava perfeitamente seguro de que os países daAmérica Latina acabariam por repelir o jugo daEspanha e dePortugal, mas era decididamente cético quanto à sua capacidade de autogoverno.[16]
Jefferson compartilhava do tradicional pensamentoprotestante, de que oscatólicos são “papistas”, que não agem comliberdade de consciência, mas sempre em obediência aoPapa. Com isso, não poderiam aceitar com sinceridade as liberdades comuns e as obrigações correlativas e que, ao contrário, tanto aIgreja Católica quanto seus fiéis poderiam nutrir secretamente o pensamento de trabalhar pelo aniquilamento de umaconstituiçãodemocrática, o que poderia ser colocado em prática no momento em que tivessem oportunidade para isso.[17][18]
Por isso, Jefferson temia que o seu futuro fosse constituído de uma sucessão dedespotismos militares, durante longo tempo. Para ele, a América Latina não tinha a tradiçãoanglo-saxônica deliberdades, nem mesmo a concorrência de denominações religiosas queimpediram o estabelecimento por parte do Estado de alguma Igreja, e que, portanto, trabalhou em prol daliberdade religiosa, e, consequentemente, em nome dademocracia.[19] Conforme ele, a “diferença de opinião é vantajosa em religião. Os diversos segmentos desempenham a função de umCensor morum (“censor de costumes”) um sobre os outros” (“difference of opinion is advantageous in religion. The several sects perform the office of a Censor morum over each other”).[20]
Jefferson foi fortemente influenciado pelas ideias da igreja dos irmãos polacos.[carece de fontes?]
O inglês John Bidle tinha traduzido duas obras de Przypkowski: o catecismo racoviano e uma obra de J. Stegmann, um "irmão polaco" da Alemanha.[carece de fontes?]
Os seguidores de Bidle tinham relações próximas com a família polaca sociniana de Crellius (conhecido como Spinowski).[carece de fontes?]
Subsequentemente, a ramificação unitária doCristianismo foi continuada, sobretudo com Joseph Priestley, que tinha emigrado para os EUA e era amigo de James Madison e Thomas Jefferson.[carece de fontes?]
Digno de nota salientar que Jefferson publicou:The life and morals of Jesus. Uma selecção de todos os ensinamentos e eventos essenciais da vida de Jesus expurgada de todas as menções sobrenaturais ou de qualquer modo ligados ao dogma religioso, (ser o rei, o filho de deus, exorcismos, milagres).
Os princípios políticos de Jefferson foram também fortemente influenciados porJohn Locke, particularmente em relação ao princípio da inalienabilidade dos direitos, da soberania popular e em especial, da limitação do poder do Estado e da divisão tripartida do poder. O Thomas Jefferson também tinha oalcorão na sua coleção de livros.[21]
↑O nascimento e a morte de Jefferson estão citados de acordo com ocalendário gregoriano. No entanto, ele nasceu quando aGrã-Bretanha e suas colônias ainda utilizavam ocalendário juliano, portanto as fontes contemporâneas registraram seu nascimento (bem como asua lápide) como 2 de abril de 1743. As medidas tomadas através doCalendar (New Style) Act de 1750, implementadas em 1752, alteraram o método oficial de datação no país para o calendário gregoriano, começando a partir de 1 de janeiro daquele ano.
↑Robert W. Tucker e David C. Hendrickson,Empire of Liberty: The Statecraft of Thomas Jefferson (1990)
↑Thomas Jefferson (1 de janeiro de 1802).«Jefferson's Wall of Separation Letter» (em inglês). ed. online da Constituição dos Estados Unidos. Consultado em 13 de abril de 2008
↑Simpson's Contemporary Quotations, 1988, dePublic Papers of the Presidents of the United States: John F. Kennedy, 1962, p. 347.
↑“Wrintings” (org.) Merryl D. Peterson, Library of America, New York, 1984, p. 290apud Losurdo, Domenico in Contra-História do Liberalismo, 2006, p. 75
↑“Wrintings” (org.) Merryl D. Peterson, Library of America, New York, 1984, cap VIII § 16apud Losurdo, Domenico in Contra-História do Liberalismo, 2006, p. 75
↑"Wrintings" (org.) Merryl D. Peterson, Library of America, New York, 1984, p. 1.450 e 1.485-87 (Carta a A. Gallantin em 26 de dezembro de 1820)apud Losurdo, Domenico in Contra-História do Liberalismo, 2006, p. 96
↑Wills, Garry "Negro President": Jefferson and the Slave Power, Houghton Mifflin, Boston, 2003,apud Losurdo, Domenico in Contra-História do Liberalismo, 2006, p. 96
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↑Santana-Dezmann, Vanete (26 de agosto de 2019). «1. O Brasil das Palmeiras e dos Sabiás».Hy Brasil. a construção de uma nação 1 ed. Maringá: Viseu. p. 30.ISBN9788530009403 !CS1 manut: Data e ano (link)
↑JANUS (DÖLLINGER, Johann Joseph Ignaz von). O Papa e o Concílio. Versão e Introdução deRuy Barbosa. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1930, p. 365.
↑RABKIN, Jeremy. Na América, Igreja separada do Estado.In: KRISTOL, Irvinget al. A Ordem Constitucional Americana 1787/1987. Trad. José Lívio Dantas. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1987, p. 206.