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Terra

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Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: Para outros significados, vejaTerra (desambiguação).
Terra
Fotografia da Terra tirada pela missão Apollo 17. A península Arábica, a África e Madagascar estão na metade superior do disco, enquanto a Antártida está na parte inferior.
The Blue Marble,Apollo 17, dezembro de 1972
Designações
Nomes alternativos
Símbolo🜨 e♁
Características orbitais[1]
ÉpocaJ2000[n 1]
Afélio152097597 km
Periélio147098450 km[n 2]
Semieixo maior149598023 km[1]
Excentricidade0,0167086[1]
Período orbital (sideral)365,256363004 d[2]
(1,00001742096 aj)
Velocidade orbital média29,7827 km/s[3]
Anomalia média358,617°
Inclinação
Longitude do nó ascendente−11,26064° – Eclíptica J2000[3]
Tempo do periélio4 de janeiro de 2023[5]
Argumento do periélio114,20783°[3]
Satélites conhecidos1, aLua
Características físicas[3]
Raio médio6371,0 km[6]
Raioequatorial6378,137 km[7][8]
Raiopolar6356,752 km[9]
Achatamento1/298,257222101 (ETRS89)[10]
Circunferência
  • 40075,017 km (equatorial)[8]
  • 40007,86 km (meridional)[11][n 3]
Área da superfície
  • 510072000 km2[12][n 4]
  • Terra firme:148940000 km2
  • Água:361132000 km2
Volume1,08321×1012 km3[3]
Massa5,972168×1024 kg[13]
Densidade média5,513 g/cm3[3]
Gravidade superficial9,80665 m/s2[14]
(exatamente 1g0)
Fator do momento de inércia0,3307[15]
Velocidade de escape11,186 km/s[3]
Período de rotação sinódica1,0 d (24h 00m 00s)
Período de rotação sideral0,99726968 d[16]
(23h 56 m 4.100s)
Velocidade de rotação equatorial0,4651 km/s[17]
Inclinação axial23,4392811°[2]
Albedo
Temperatura255 K (−18 °C)
(temperatura de corpo negro)[18]
Temp. da superfíciemínmédmáx
 [n 5]−89,2 °C14,76 °C56,7 °C
Taxa dedose equivalente da superfície0,274 μSv/h[22]
Magnitude absoluta (H)−3,99
Atmosfera[3]
Pressão da superfície101,325 kPa (ao nível do mar)
Composição por volume
Fonte:[3]

Terra é o terceiroplaneta mais próximo doSol, o mais denso e o quinto maior dos oito planetas doSistema Solar. É também o maior dos quatroplanetas telúricos. É por vezes designada como Mundo ou Planeta Azul. Lar de milhões deespécies deseres vivos,[23] incluindo oshumanos, a Terra é o únicocorpo celeste onde é conhecida a existência devida. O planeta formou-se há 4,56 bilhões de anos,[24][25][26][27] e a vida surgiu na sua superfície um bilhão de anos depois. Desde então, abiosfera terrestre alterou significativamente aatmosfera e outrosfatores abióticos do planeta, permitindo a proliferação deorganismos aeróbicos, bem como a formação de umacamada de ozônio, a qual, em conjunto com ocampo magnético terrestre, bloqueiaradiação solar prejudicial, permitindo a vida no planeta.[28] Aspropriedades físicas do planeta, bem como sua história geológica e órbita, permitiram que a vida persistisse durante este período. Acredita-se que a Terra poderá suportar vida durante pelo menos outros 500 milhões de anos.[29][30]

A suasuperfície exterior está dividida em vários segmentos rígidos, chamadosplacas tectônicas, que migram sobre a superfície terrestre ao longo de milhões de anos. Cerca de 71% da superfície da Terra está coberta poroceanos deágua salgada, com o restante consistindo decontinentes eilhas, os quais contêm muitos lagos e outros corpos de água que contribuem para ahidrosfera. Não se conhece a existência de água no estado líquido em equilíbrio, necessária à manutenção da vida como a conhecemos, na superfície de qualquer outro planeta.[n 6] Ospolos geográficos da Terra encontram-se maioritariamente cobertos pormantos de gelo ou porbanquisas. Ointerior da Terra permanece ativo, com ummanto espesso e relativamente sólido, umnúcleo externo líquido que gera um campo magnético, e umnúcleo interno sólido, composto sobretudo porferro.

A Terra interage com outros objetos no espaço, em particular com o Sol e aLua. No presente, a Terra orbita o Sol uma vez por cada 366,26 rotações sobre o seu próprio eixo, o que equivale a 365,26dias solares ou umano sideral.[n 7] Oeixo de rotação da Terra possui umainclinação de 23,4° em relação à perpendicular ao seuplano orbital,[31] produzindo variações sazonais na superfície do planeta com período igual a umano tropical (365,24 dias solares).[32] A Lua é o únicosatélite natural conhecido da Terra, tendo começado a orbitá-la há 4,53 bilhões de anos. É responsável pelasmarés, estabiliza a inclinação axial da Terra e abranda gradualmente a rotação do planeta. Entre aproximadamente 4,1 e 3,8 bilhões de anos atrás, durante ointenso bombardeio tardio, impactos deasteroides causaram mudanças significativas na superfície terrestre.

Os recursosminerais da Terra em conjunto com os produtos dabiosfera, fornecem recursos que são utilizados para suportar umapopulação humana global. Estes habitantes da Terra estão agrupados em cerca de 200Estados soberanos, que interagem entre si por meio dadiplomacia, viagens,comércio e ação militar. Asculturas humanas desenvolveram várias crenças sobre o planeta, incluindo a sua personificação em umadeidade, a crença numaTerra plana, ou em que aTerra é o centro do universo, e uma perspectiva moderna do mundo como um ambiente integrado que requer proteção.

Cronologia

Ver artigo principal:História da Terra
Representação artística do nascimento doSistema Solar

Os cientistas conseguiram reconstruir informação detalhada sobre o passado do planeta. O material datado mais antigo do Sistema Solar formou-se há4,5672 ± 0,0006 bilhões de anos,[33] e há cerca de 4,54 bilhões de anos (com incerteza inferior a 1%)[34] a Terra e os outros planetas do Sistema Solar haviam-se formado a partir danebulosa solar - uma massa discoide de poeiras e gás que havia sobrado da formação do Sol. Este processo de acreção da Terra ficou em grande parte completo em 10-20 milhões de anos.[35] Inicialmente fundida, a camada exterior do planeta Terra arrefeceu, formando-se uma crosta sólida quando a água começou a acumular-se na atmosfera. A Lua formou-se pouco tempo depois, há4,53 bilhões de anos.[36]

O atual modelo consensual[37] para a formação da Lua é ahipótese do grande impacto, segundo a qual a Lua foi criada quando um objeto do tamanho deMarte (por vezes chamadoTheia) com cerca de 10% da massa da Terra[38] chocou-se com esta de raspão.[39] Neste modelo, alguma massa deste objeto ter-se-ia fundido com a Terra e uma outra porção teria sido ejetada para o espaço, mas material suficiente teria entrado em órbita e coalescido para formar a Lua.

História geológica

Chaminés de fada noParque Nacional do Cânion Bryce,Utah,Estados Unidos

Adesgaseificação e aatividade vulcânica produziram a atmosfera primordial da Terra. Ovapor de água condensado, a que se juntaram gelo e água líquida trazidos por asteroides eprotoplanetas maiores,cometas, eobjetos transneptunianosformaram os oceanos.[40] O Sol recém-formado possuía apenas 70% da sualuminosidade atual, porém as evidências mostram que os oceanos antigos se mantiveram líquidos - uma contradição a que se deu o nome deparadoxo do jovem Sol fraco. A combinação degases de estufa e níveis deatividade solar mais elevados serviu para aumentar a temperatura na superfície da Terra, evitando que os oceanos congelassem.[41] Há cerca de3,5 bilhões de anos, estabeleceu-se ocampo magnético terrestre, o qual ajudou a evitar que a atmosfera fosse levada pelovento solar.[42]

Foram propostos dois modelos principais para a taxa de crescimento continental:[43] crescimento estável até aos dias de hoje[44] e crescimento rápido no início da história da Terra.[45] As pesquisas atuais mostram que a segunda opção é mais provável, com crescimento inicial rápido da crosta continental[46] seguido por uma área continental estável ao longo do tempo.[47][48][49] Aescalas de tempo com duração de milhões de anos, a superfície modificou-se continuamente à medida que os continentes se formaram e separaram. Os continentes migraram sobre a superfície, combinando-se ocasionalmente para formarem umsupercontinente. Há aproximadamente750 milhões de anos, um dos mais antigos supercontinentes conhecidos,Rodínia, começou a partir-se. Mais tarde, os continentes recombinaram-se para formaremPanótia há 600-540 milhões de anos, e finalmentePangeia, que se fragmentou há 180 milhões de anos.[50]

Evolução da vida

Ver artigo principal:História evolutiva da vida
Árvore filogenética da vida baseada em análise deARN ribossômico

Atualmente, a Terra constitui o único exemplo de um ambiente que tenha dado origem àevolução da vida.[51] Crê-se que reações químicas altamente energéticas tenham produzido uma molécula autorreplicadora há cerca de4 bilhões de anos e que meio bilhão de anos mais tarde terá existido oúltimo ancestral comum a toda a vida.[52] O desenvolvimento dafotossíntese permitiu que a energia do Sol fosse utilizada diretamente pelas formas de vida; o oxigênio resultante acumulou-se na atmosfera e formou uma camada deozônio (uma forma deoxigênio molecular [O3]) na alta atmosfera. A incorporação de células menores no interior de outras maiores resultou nodesenvolvimento de células complexas ditaseucariotas.[53] Os organismos verdadeiramente multicelulares formaram-se à medida que as células dascolônias se tornaram cada vez mais especializadas. Ajudada pela absorção deradiação ultravioleta prejudicial pelacamada de ozônio, a vida colonizou a superfície da Terra.[54]

Fotografia da Terra quase totalmente iluminada pelo Sol, exibindo principalmente a cobertura de nuvens sobre o Oceano Atlântico e a América do Sul. A coloração azul dos oceanos domina a imagem.
A Terra possui a maior parte de sua superfície coberta por água em estado líquido. Fotografia do planeta feita pela tripulação daApollo 8 em 1968

Desde a década de 1960 que se coloca a hipótese de ter ocorrido um eventoglacial severo há entre 750 e 580 milhões de anos, durante oNeoproterozoico, o qual teria coberto grande parte do planeta com ummanto de gelo. Esta hipótese, denominada da "Terra bola de neve", é de particular interesse porque precedeu aexplosão cambriana, durante a qual as formas de vida multicelulares começaram a proliferar.[55]

Após a explosão cambriana, há cerca de 535 milhões de anos, ocorreram cincoextinções em massa.[56] Amais recente delas ocorreu há 65 milhões de anos, quando o impacto de um asteroide desencadeou a extinção dosdinossauros não aviários e de outros grandesrépteis, mas poupou alguns animais pequenos como osmamíferos, que então se assemelhavam amusaranhos. Ao longo dos últimos 65 milhões de anos a vida mamífera diversificou-se, e há vários milhões de anos um animal semelhante a um hominoide, como oOrrorin tugenensis, adquiriu a capacidade de manter o corpo ereto.[57] Tal permitiu o uso de ferramentas e encorajou a comunicação que forneceu a nutrição e estimulação necessárias a um cérebro maior, o que permitiu a evolução da raça humana. O desenvolvimento da agricultura, e mais tarde da civilização, permitiu aos humanos influenciarem a Terra num período de tempo muito curto, como nenhuma outra forma de vida havia sido capaz,[58] afetando tanto a natureza como a quantidade de outras formas de vida.

O padrão atual deeras do gelo teve início há cerca de 40 milhões de anos e intensificou-se durante oPleistoceno, há cerca de 3 milhões de anos. As regiões daslatitudes mais elevadas têm sofrido ciclos repetidos de glaciação e derretimento, com período de repetição que varia entre os 40 000 a 100 000 anos. A última glaciação continental terminou há 10 000 anos.[59]

Futuro

Ver artigo principal:Futuro da Terra
Linha de tempo de 14 bilhões de anos mostrando a idade atual do Sol (4,6 bilhões de anos); a partir dos 6 bilhões de anos de idade o Sol aquece gradualmente, tornando-se uma gigante vermelha aos 10 bilhões de anos, seguindo-se "pouco" depois a transformação em anã branca
O ciclo de vida do Sol
Representação da Terra composta através do uso de dados doMODIS,DMSP,Ônibus Espacial Endeavour eRadarsat, que foram depois combinados por cientistas e artistas em 2007

O futuro da vida no planeta está intimamente ligado ao do Sol. Como resultado de uma acumulação contínua de hélio no núcleo do Sol, aluminosidade total da estrela irá lentamente aumentar. A luminosidade do Sol aumentará 10% ao longo dos próximos 1,1 bilhão de anos e 40% ao longo dos próximos 3,5 bilhões de anos.[60] Os modelos climáticos indicam que o aumento da radiação atingindo a Terra provavelmente terá consequências catastróficas, incluindo a perda dos oceanos do planeta.[61]

A crescente temperatura da superfície da Terra acelerará ociclo do CO2inorgânico, reduzindo a sua concentração até valores letalmente baixos para as plantas (10ppm para afotossíntese C4) dentro de aproximadamente500 milhões[29] a900 milhões de anos. A falta de vegetação terá como consequência a perda de oxigênio na atmosfera, pelo que a vida animal se extinguirá depois de mais alguns milhões de anos.[62] Após outro bilhão de anos toda a água superficial terá desaparecido[30] e a temperatura média global atingirá os 70 °C.[62] Espera-se que a Terra permaneça efetivamente habitável por mais uns500 milhões de anos a partir desse ponto,[29] embora este período possa estender-se até aos2,3 bilhões de anos se onitrogênio for removido da atmosfera.[63] Ainda que o Sol fosse eterno e estável, o continuado arrefecimento interno da Terra resultaria numa perda de grande parte do CO2 devido à redução dovulcanismo,[64] e 35% da água dos oceanos desceria até aomanto devido à redução da libertação de vapor de água nas dorsais meso-oceânicas.[65]

O Sol, como parte da suaevolução, tornar-se-á umagigante vermelha dentro de cerca de 5 bilhões de anos. Os modelos preveem que o Sol se expandirá até atingir cerca de 250 vezes o seu raio atual, aproximadamente 1 UA (150 000 000 km).[60][66] O destino da Terra não é tão claro. Como uma gigante vermelha, o Sol perderá cerca de 30% da sua massa, portanto, sem efeitos de maré, a Terra irá deslocar-se para uma órbita a 1,7 UA (250 000 000 km) do Sol quando a estrela atingir o seu raio máximo. Esperava-se inicialmente, portanto, que o planeta escapasse de ser "engolido" pela rarefeita atmosfera exterior do Sol expandido, apesar de que a maior parte, se não a totalidade, da vida remanescente teria sido destruída pela crescente luminosidade solar (até um máximo de aproximadamente 5 000 vezes o seu nível atual).[60] Contudo, uma simulação de 2008 indica que a órbita da Terra sofrerá deterioração, devido aos efeitos de maré e ao atrito, o que a levará a entrar na atmosfera do Sol gigante vermelha e a ser vaporizada.[66]

Composição e estrutura

Ver artigo principal:Ciências da Terra

A Terra é umplaneta telúrico, o que significa que é um corpo rochoso, e não umgigante gasoso comoJúpiter. É o maior dos quatro planetas telúricos do Sistema Solar tanto em tamanho como em massa. Dentre estes quatro planetas, a Terra é também aquele com maior densidade, maiorgravidade de superfície, o campo magnético mais forte,[67] e a rotação mais rápida. É também o único planeta comtectônica de placas ativa.[68]

Forma

Ver artigo principal:Figura da Terra
Forma do planeta Terra. São mostradas as distâncias entre o relevo da superfície e o geocentro. Os picos dosAndes daAmérica do Sul são visíveis como áreas elevadas[69]

A forma da Terra aproxima-se muito de umesferoide oblato, uma esfera achatada segundo o eixo de polo a polo de tal forma que existe umasaliência ao longo doequador.[70] Esta saliência resulta darotação da Terra, e faz com que o diâmetro no equador seja 43 km maior do que o diâmetro depolo a polo.[71] O diâmetro médio do esferoide de referência é aproximadamente 12 742 km o que equivale aproximadamente a 40 000 km/π, uma vez que ometro foi originalmente definido como sendo 1/10 000 000 da distância do equador aoPolo Norte passando porParis,França.[72]

Atopografia local desvia-se deste esferoide idealizado ainda que, numa escala global, estes desvios sejam muito pequenos: a Terra tem umatolerância de cerca de uma parte em 584, ou 0,17%, do esferoide de referência, o que é menor que a tolerância de 0,22% permitida nasbolas de bilhar.[73] Os maiores desvios locais na superfície rochosa da Terra são oMonte Everest (8 848 m acima do nível do mar) e aFossa das Marianas (10 984 m abaixo do nível do mar).[74] Devido à saliência equatorial, os locais da superfície mais afastados do centro da Terra são os cumes doChimborazo noEquador e deHuascarán noPeru.[75][76][77]

Composição química da crosta[78]
CompostoFórmulaComposição
ContinentalOceânica
sílicaSiO260,2%48,6%
aluminaAl2O315,2%16,5%
óxido de cálcioCaO5,5%12,3%
óxido de magnésioMgO3,1%6,8%
óxido de ferro (II)FeO3,8%6,2%
óxido de sódioNa2O3,0%2,6%
óxido de potássioK2O2,8%0,4%
óxido de ferro (III)Fe2O32,5%2,3%
águaH2O1,4%1,1%
dióxido de carbonoCO21,2%1,4%
dióxido de titânioTiO20,7%1,4%
pentóxido de fósforoP2O50,2%0,3%
Total99,6%99,9%

Composição química

Ver artigo principal:Abundância dos elementos químicos

A massa da Terra é aproximadamente 5,98×1024 kg. Está composta sobretudo porferro (32,1%), oxigênio (30,1%),silício (15,1%),magnésio (13,9%),enxofre (2,9%),níquel (1,8%),cálcio (1,5%), ealumínio (1,4%); os restantes 1,2% consistem de quantidades vestigiais de outros elementos. Por causa da segregação da massa, crê-se que a região do núcleo seja, sobretudo, composta por ferro (88,8%), com quantidades menores de níquel (5,8%), enxofre (4,5%), e menos de 1% de elementos vestigiais.[79]

O geoquímicoF. W. Clarke calculou que um pouco mais de 47% da crosta consiste de oxigênio. Os constituintes mais comuns das rochas são quase todos óxidos; cloro, enxofre, e flúor são as únicas exceções importantes e a sua quantidade total em qualquer rocha é geralmente menor que 1%. Os principais óxidos são sílica, alumina, óxidos de ferro, cálcio, magnésio, sódio e potássio. A sílica funciona principalmente como um ácido, formandosilicatos e todos os minerais mais comuns nas rochas ígneas são deste tipo. A partir de uma estimativa baseada em 1 672 análises de todos os tipos de rochas, Clark deduziu que 99,22% eram compostas por 11 óxidos (ver tabela à direita). Todos os outros constituintes ocorrem apenas em quantidades muito pequenas.[80]

Estrutura interna

Ver artigo principal:Estrutura interna da Terra

O interior da Terra, assim como o de outrosplanetas telúricos, é dividido em camadas definidas com base nas suas propriedadesquímicas efísicas (reológicas), mas ao contrário dos outros planetas telúricos tem um núcleo interno e um núcleo externo distintos. A camada exterior da Terra é umacrosta silicatada, sólida, quimicamente distinta, subjacente à qual se encontra ummanto sólido altamenteviscoso. A crosta está separada do manto peladescontinuidade de Mohorovičić, e a espessura da crosta varia: em média 6 km sob os oceanos e 30 a 50 km sob os continentes. A crosta e a porção fria e rígida domanto superior são coletivamente designadoslitosfera, e é da litosfera que estão compostas asplacas tectônicas. Abaixo da litosfera encontra-se aastenosfera, uma camada de viscosidade relativamente baixa sobre a qual a litosfera se desloca. Entre as profundidades de 410 e 660 km abaixo da superfície, encontra-se umazona de transição que separa o manto superior do manto inferior, e onde ocorrem alterações importantes na estrutura cristalina. Sob o manto, encontra-se umnúcleo externo líquido de baixa viscosidade, que envolve umnúcleo interno sólido.[81] O núcleo interno pode girar a umavelocidade angular ligeiramente mais alta que o restante planeta, avançando 0,1–0,5° por ano.[82]

Camadas geológicas da Terra[83]

Corte do interior da Terra, do núcleo para a exosfera. Não está à escala.
Profundidade[84]
km
CamadaDensidade
g/cm³
0–60Litosfera[n 8]
0–35...Crosta[n 9]2,2–2,9
35–60...Manto superior3,4–4,4
35–2 890Manto3,4–5,6
100–700...Astenosfera
2 890–5 100Núcleo externo9,9–12,2
5 100–6 378Núcleo interno12,8–13,1

Energia interna

Aenergia térmica da Terra provém de uma combinação deenergia térmica residual oriunda da acreção planetária (cerca de 20%) e calor produzido viadecaimento radioativo (80%).[85] Os principais isótopos fontes decalor na Terra sãopotássio-40,urânio-238,urânio-235 etório-232.[86] No centro do planeta, atemperatura pode chegar aos 7 000K e a pressão poderá chegar aos 360GPa.[87] Uma vez que grande parte da energia térmica é proveniente do decaimento radioativo, os cientistas crêem que cedo na história da Terra, antes de se terem esgotado os isótopos com meias-vidas curtas, a produção de energia térmica na Terra teria sido muito maior. Esta produção de energia adicional, o dobro da atual há aproximadamente 3 bilhões de anos,[85] teria aumentado os gradientes de temperatura no interior da Terra, aumentando as velocidades daconvecção mantélica e datectônica de placas, e permitindo a produção de rochas ígneas como oskomatiitos que não se formam na atualidade.[88]

Principais isótopos geradores de calor na atualidade[89]
IsótopoCalor libertado
W/kg isótopo
Meia-vida
anos
Concentração média no manto
kg isótopo/kg manto
Calor libertado
W/kg manto
238U9,46 × 10−54,47 × 10930,8 × 10−92,91 × 10−12
235U5,69 × 10−47,04 × 1080,22 × 10−91,25 × 10−13
232Th2,64 × 10−51,40 × 1010124 × 10−93,27 × 10−12
40K2,92 × 10−51,25 × 10936,9 × 10−91,08 × 10−12

Ataxa média decalor entre o interior e a superfície da crosta terrestre é87 mW m−2, implicando uma taxa de calor global de4,42 × 1013 W.[90] Uma parte da energia térmica do núcleo é transportada em direção à crosta porplumas mantélicas, uma forma de convecção que consiste na ascensão de rocha mais quente. Estas plumas podem produzirpontos quentes ederrames de basalto.[91] Mais da energia térmica da Terra é perdida por intermédio da tectônica de placas, na ascensão do manto associada às cristas meso-oceânicas. O último dos principais modos de perda de energia é a condução através da litosfera, a maioria da qual ocorre nos oceanos pois ali a crosta é muito mais delgada do que nos continentes.[92]

Placas tectônicas

Principaisplacas da Terra[93]
Shows the extent and boundaries of tectonic plates, with superimposed outlines of the continents they support
Nome da placaÁrea
106 km²
Placa Pacífica103,3
Placa africana[n 10]78,0
Placa Norte-americana75,9
Placa eurasiática67,8
Placa antártica60,9
Placa indo-australiana47,2
Placa sul-americana43,6
Ver artigo principal:Tectônica de placas

A camada exterior mecanicamente rígida da Terra, alitosfera, está partida em vários pedaços chamadosplacas tectônicas. Estas placas são segmentos rígidos que se movem uns relativamente aos outros ao longo de um de três tipos de fronteiras entre placas:limites convergentes, onde duas placas movendo-se em direções opostas se encontram,limites divergentes, onde duas placas são afastadas uma da outra, elimites transformantes, onde duas placas deslizam uma pela outra lateralmente. Ao longo destas fronteiras entre placas podem ocorrersismos, atividade vulcânica,formação de montanhas ou defossas oceânicas.[94] As placas tectônicas movem-se sobre a astenosfera, a porção sólida e menos viscosa do manto superior que pode fluir e mover-se juntamente com as placas,[95] e o seu movimento está estreitamente relacionada com os padrões de convecção no interior do manto.

À medida que as placas tectônicas migram pelo planeta, o fundo oceânico ésubduzido sob as orlas das placas nos limites convergentes. Paralelamente, a ascensão de material mantélico nos limites divergentes criadorsais meso-oceânicas. A combinação destes processos recicla continuamente acrosta oceânica no manto. Por causa desta reciclagem, a maior parte da crosta oceânica tem menos de100 milhões de anos de idade. A crosta oceânica mais antiga situa-se noPacífico Ocidental, e tem uma idade estimada de200 milhões de anos.[96][97] Comparando, a crosta continental datada mais antiga tem4 030 milhões de anos de idade.[98]

Outras placas dignas de nota são aplaca arábica, aplaca caribenha, aplaca de Nazca ao largo da costa ocidental daAmérica do Sul e aplaca de Scotia noAtlântico Sul. A placa indiana fundiu-se com a placa australiana há entre 50 e55 milhões de anos. As placas com velocidade de deslocamento maior são as placas oceânicas, com aplaca de Cocos a avançar à velocidade de 75 mm/ano[99] e a placa do Pacífico que se move a 52–69 mm/ano. No outro extremo, a placa com deslocamento mais lento é a placa eurasiática, que se desloca a uma velocidade típica de aproximadamente 21 mm/ano.[100]

Superfície

Ver artigos principais:Superfície terrestre eacidente geográfico
Ver também:Lista de extremos da Terra
Altimetria ebatimetria da Terra atual

Orelevo da superfície terrestre varia significativamente de local para local. Cerca de 70,8%[101] da superfície terrestre está coberta por água, com grande parte daplataforma continental situada abaixo do nível do mar. A superfície submergida possui características montanhosas, incluindo um sistema dedorsal meso-oceânica global, bem comovulcões submarinos,[71]fossas oceânicas,cânions submarinos,planaltos oceânicos eplanícies abissais. Os restantes 29,2% não cobertos por água consistem demontanhas,desertos,planícies,planaltos e outrasgeomorfologias.

As formas da superfície da Terra sofrem mudanças ao longo de períodos de tempo geológicos devido ao efeito da erosão e da tectônica. Estruturas superficiais criadas ou deformadas pela tectônica de placas estão continuamente sujeitas àmeteorização causada pelaprecipitação, ciclos térmicos e efeitos químicos.Glaciações,erosão costeira,recifes de coral e grandes impactos demeteoritos, atuam também na alteração das formas da superfície terrestre.[102]

Acrosta continental consiste de material com densidade menor, como asrochas ígneasgranito eandesito. Obasalto, uma rocha vulcânica densa que é o principal constituinte dos fundos oceânicos, é menos comum.[103] Asrochas sedimentares formam-se a partir da acumulação de sedimentos que são compactados. Quase 75% das superfícies continentais estão cobertas por rochas sedimentares, apesar de elas formarem apenas 5% da crosta.[104]

Monte Everest, nafronteira China-Nepal, o ponto mais alto do planeta

A terceira forma de material rochoso encontrada na Terra são asrochas metamórficas, criadas pela transformação de tipos de rocha preexistentes por meio de altas pressões, altas temperaturas, ou ambas. Entre os minerais silicatados mais abundantes à superfície da Terra incluem-se oquartzo, osfeldspatos,anfíbola,mica,piroxênio eolivina.[105] Minerais carbonatados comuns incluemcalcita (encontrada noscalcários) edolomita.[106]

Apedosfera é a camada mais externa da Terra que é composta porsolo, e está sujeita àpedogênese. Existe no interface dalitosfera,atmosfera,hidrosfera e dabiosfera. Atualmente, cerca de 13,31% da superfície de terra firme do planeta é arável, com apenas 4,71% suportando culturas permanentes.[107] Cerca de 40% da terra firme é utilizada parapastagem e cultivo, com 3,4×107 km² utilizados para pastagem e 1,3×107 km² utilizados para cultivo.[108]

A elevação dos terrenos em terra firme varia desde um mínimo de −418 m noMar Morto até aos 8 848 m no topo doMonte Everest (estimativa de 2005). A altura média da terra situada acima do nível do mar é de 840 m.[109]

Hidrosfera

Ver artigo principal:Hidrosfera
Histograma de altitudes da superfície terrestre

A abundância de água na superfície da Terra é uma característica única que distingue o "Planeta Azul" dos outros planetas do Sistema Solar. A hidrosfera da Terra consiste principalmente de oceanos, mas tecnicamente inclui todas as superfícies aquáticas do mundo, incluindo mares interiores, lagos, rios, e águas subterrâneas até à profundidade de 2 000 m. O local situado a maior profundidade debaixo de água é adepressão Challenger nafossa das Marianas, noOceano Pacífico, com uma profundidade de -10 911,4 m.[n 11][110]

A massa dos oceanos é aproximadamente 1,35×1018toneladas, ou cerca de 1/4 400 da massa total da Terra. Os oceanos cobrem uma área de 3,618×108 km² com uma profundidade média de 3 682 m, resultando num volume estimado de 1,332×109 km³.[111] Se toda a superfície da Terra fosse estendida de maneira uniforme, a água atingiria uma altitude superior a 2,7 km.[n 12] Cerca de 97,5% da água é salgada, sendo os 2,5% restantes água doce. A maior parte da água doce, cerca de 68,7%, é atualmente gelo.[112]

Asalinidade média dos oceanos da Terra é aproximadamente 35 gramas de sal por quilograma de água do mar. (35).[113] A maior parte deste sal foi libertada pela atividade vulcânica ou extraída de rochas ígneas frias.[114] Os oceanos são também um reservatório de gases atmosféricos dissolvidos, que são essenciais para a sobrevivência de muitas formas de vida aquáticas.[115] A água do mar tem uma influência importante sobre o clima do mundo, com os oceanos a funcionarem como um grandereservatório de calor.[116] Alterações na distribuição da temperatura dos oceanos podem causar mudanças climáticas significativas, como oEl Niño.[117]

Atmosfera

Ver artigo principal:Atmosfera terrestre
Imagem de satélite danebulosidade sobre a Terra obtida usando oModerate-Resolution Imaging Spectroradiometer daNASA

A Terra possui umaatmosfera, cujapressão na superfície é, em média, de 101,325kPa, com umaaltura de escala de 8,5 km.[3] É composta por 78%nitrogênio e 21%oxigênio, com traços devapor de água,dióxido de carbono e outras moléculas gasosas. A altura datroposfera varia com a latitude variando entre os 8 km nos polos e os 17 km no equador, com alguma da variação resultante do tempo e de fatores sazonais.[118] A atmosfera terrestre é composta por diferentes camadas:troposfera,estratosfera,mesosfera,termosfera eexosfera, organizadas em ordem crescente da distância à superfície terrestre.

A biosfera terrestre alterou significativamente a atmosfera da Terra desde sua formação. O surgimento dafotossíntese, há 2,7 bilhões de anos, permitiu aformação de uma atmosfera composta primariamente de oxigênio e nitrogênio. Esta mudança permitiu a proliferação deorganismos aeróbicos, bem como a formação de umacamada de ozônio, que bloqueia aradiação ultravioleta, permitindo a vida sobre terra. Outras funções atmosféricas importantes para a vida na Terra são o transporte de vapor de água, o fornecimento de gases úteis, a proteção contra pequenosmeteoros que se desintegram na atmosfera (visto que a maioria se desintegra devido ao intenso calor naentrada atmosférica antes de impactar a superfície terrestre), e a moderação da temperatura.[119] Este último fenômeno é conhecido como oefeito estufa: pequenas quantidades de gases na atmosfera absorvem a energia térmica emitida pela superfície, aumentando assim a temperatura média do planeta. Dióxido de carbono, vapor de água,metano e ozônio são os principais gases do efeito estufa na atmosfera terrestre. Sem este efeito de retenção do calor, a temperatura média na superfície terrestre seria de −18 °C, e a vida provavelmente não existiria.[101]

Tempo e clima

Furacão Felix em setembro de 2007
Nuvem lenticular naAntártica
Valle de la Luna noDeserto de Atacama,Chile
Ver artigos principais:Tempo (meteorologia),Clima, eTroposfera
Circulação Termoalina no planeta Terra

A atmosfera terrestre não possui um limite exterior, tornando-se cada vez mais rarefeita e desvanecendo-se no espaço exterior. Três quartos da massa da atmosfera terrestre estão contidos dentro dos primeiros 11 km acima da superfície. Esta camada mais baixa chama-se troposfera. A energia do Sol aquece esta camada, e a superfície abaixo, causando a expansão do ar. Este ar menos denso ascende e é substituído por ar mais frio e mais denso. O resultado é acirculação atmosférica, que gera otempo e oclima no planeta, por meio da redistribuição da energia térmica.[120]

As principais faixas de circulação atmosférica consistem nosventos alísios na região equatorial até aos 30º de latitude e nosventos do oeste nas latitudes entre 30° e 60°.[121] As correntes oceânicas também são fatores importantes na determinação do clima, especialmente acirculação termoalina, que distribui a energia térmica dos oceanos equatoriais para as regiões polares.[122]

O vapor de água gerado pelaevaporação superficial é transportado pela circulação atmosférica. Quando as condições atmosféricas permitem a ascensão de ar quente e úmido, esta águacondensa-se emnuvens, e volta à superfície na forma deprecipitação.[120] A maior parte desta água é então transportada para regiões mais baixas da superfície terrestre pelosrios, e usualmente regressa aos oceanos ou é depositada emlagos. Esteciclo da água, é um mecanismo vital para a manutenção da vida na Terra, e é um fator primário naerosão de formas da superfície terrestre ao longo de períodos geológicos. Os padrões de precipitação variam amplamente, variando desde vários metros de água por ano até menos de um milímetro. Esta variação é determinada pela circulação atmosférica, características topológicas e diferenças de temperatura.[123]

A quantidade de energia solar que atinge a Terra diminui com o aumento da latitude. A latitudes mais altas a luz solar atinge a superfície com ângulos de incidência menores e tem de atravessar colunas mais espessas da atmosfera. Como resultado, a temperatura média anual do ar ao nível do mar diminui cerca de 0,4 °C por cada grau de latitude à medida que nos afastamos do equador.[124]

A Terra pode ser subdividida em várias faixas latitudinais de clima aproximadamente homogêneo. Variando do equador para os polos, estes são os climastropicais,subtropicais,temperados epolares.[125] O clima também pode ser classificado com base na temperatura e precipitação, com as regiões climáticas caracterizadas por massas de ar relativamente uniformes. Aclassificação climática de Köppen, muito utilizada, inclui cinco grupos (tropical húmido,árido, húmido de latitude moderada,continental e polar frio), que estão divididos em subgrupos mais específicos.[121]

Alta atmosfera

Fotografia daRegião Norte doBrasil vista daEstação Espacial Internacional durante aExpedição 20. A vegetação daAmazônia, a maiorfloresta tropical da Terra, influencia fortemente ociclo regional da água

Acima da troposfera, a atmosfera é geralmente dividida emestratosfera,mesosfera etermosfera.[119] Cada uma destas camadas possui o seu própriogradiente adiabático, definindo a taxa de variação da temperatura com a altitude. Para lá destas camadas, localiza-se aexosfera, que se desvanece namagnetosfera onde ocampo magnético terrestre interage com ovento solar.[126] Na estratosfera encontra-se acamada de ozônio, um componente que absorve uma parcela significativa da radiação ultravioleta solar e que é, por essa razão, importante para a vida na Terra. Não existe uma fronteira definida entre a atmosfera e o espaço, porém, alinha de Kármán, uma região 100 km acima da superfície terrestre, é utilizada como uma definição funcional de fronteira entre a atmosfera e o espaço.[127]

A energia térmica faz com que algumas moléculas na orla exterior da atmosfera terrestre tenham a sua velocidade aumentada ao ponto de poderemescapar à gravidade terrestre. Isto resulta na perda gradual e constante daatmosfera para o espaço. Ohidrogênio não fixado, devido à sua baixa massa molecular, pode atingir a velocidade de escape mais facilmente e por isso a taxa de perda de hidrogênio é maior do que a de outros gases.[128] A perda de hidrogênio para o espaço contribui para que a Terra tenha passado de um estado inicialmenteredutor para o seu estado oxidante atual. A fotossíntese forneceu uma fonte de oxigênio livre, mas acredita-se que a perda de agentes redutores como o hidrogênio foi um fator necessário para a acumulação em grande escala de oxigênio na atmosfera terrestre.[129] Assim sendo, o escape de hidrogênio pode ter influenciado a natureza da vida que se desenvolveu no planeta.[130] Na atual atmosfera rica em oxigênio, a maior parte do hidrogênio livre é convertida em água antes de ter a oportunidade de escapar. Ao invés disso, a principal causa da perda de hidrogênio na atmosfera é a decomposição dometano na alta atmosfera.[131]

Campo magnético

Diagrama damagnetosfera terrestre
Ver artigo principal:Campo magnético terrestre

O campo magnético terrestre possui aproximadamente o formato de umdipolo magnético, com os polos presentemente localizados próximos aos polos geográficos do planeta. No equador do campo magnético, a força do campo magnético à superfície do planeta é3,05 × 10−5T, commomento de dipolo magnético global de7,91 × 1015 T m³.[132] De acordo com ateoria do dínamo, o campo magnético terrestre é gerado no interior do núcleo exterior em fusão, onde o calor gera deslocamentosconvectivos de materiais condutores, gerando correntes elétricas. Estas, por seu lado, produzem o campo magnético terrestre. Os deslocamentos convectivos no núcleo externo são caóticos; os polos magnéticos migram e o seu alinhamento muda periodicamente. Tal resulta eminversões geomagnéticas a intervalos irregulares, em média a cada milhão de anos. A inversão mais recente ocorreu há aproximadamente 700 mil anos.[133][134]

O campo magnético forma amagnetosfera terrestre, que desvia as partículas dovento solar. A orla desotavento dochoque em arco está localizada a cerca de 13 raios terrestres. A colisão do campo magnético com o vento solar forma oscinturões de Van Allen, um par de regiões departículas carregadas concêntricas e em forma detoro. Quando oplasma do vento solar entra na atmosfera terrestre nos polos magnéticos é criada umaaurora polar.[135]

Rotação e translação

Rotação

Ver artigo principal:Rotação da Terra
A inclinação axial terrestre e sua relação com o eixo de rotação e o plano orbital

O período de rotação da Terra relativamente ao Sol (um dia solar) é de 86 400 segundos de tempo solar (86 400,0025 segundosSI).[136] Como o dia solar da Terra é atualmente um pouco mais longo do que era durante oséculo XIX, devido àaceleração de maré, cada dia é entre 0 e 2 ms mais longo.[137][138]

O período de rotação da Terra relativamente àsestrelas fixas, o chamadodia estelar de acordo com oServiço Internacional da Rotação da Terra (SIRT), é de 86 164,098903691 segundos de tempo solar médio (UT1), ou 23 horas, 56 minutos, 4,098903691 segundos.[2][n 13] O período de rotação da Terra relativamente àprecessão dos equinócios, o chamadodia sideral, é de 86 164,09053083288 segundos de tempo solar médio, ou 23 horas, 56 minutos, 4,09053083288 segundos.[2] Portanto, o dia sideral é menor do que o dia estelar em cerca de 8,4 milissegundos.[139] A duração do dia solar médio em segundos SI está disponível no SIRT para os períodos 1623–2005[140] e 1962–2005.[141]

Excluindometeoros no interior da atmosfera terrestre e satélites em órbita baixa, o movimento aparente dos corpos celestes no céu terrestre faz-se para oeste, à razão de 15°/h = 15'/min. Para corpos próximos doequador celeste isto é equivalente ao diâmetro aparente do Sol ou da Lua a cada dois minutos, uma vez que os tamanhos aparentes do Sol e da Lua são idênticos quando observados desde a superfície do planeta.[142][143]

Em 1679, numa troca de cartas comRobert Hooke,Isaac Newton propôs uma experiência para saber se a Terra girava ao redor dela mesma: Através da simples observação da queda de um corpo, verificar se havia um deslocamento no sentido da suposta rotação. Mas como o efeito era muito difícil de se detectar, Newton utilizou a ideia de se observar um enorme número de quedas, o que marcou um dos primeiros usos das probabilidades para tornar-se um efeito muito pequeno detectável. Hooke realizou a experiência e o resultado foi positivo, tendo sido a primeira demonstração do movimento de rotação da Terra.[144]

Órbita

FotografiaPálido Ponto Azul tirada pelaVoyager 1
Ver artigo principal:Translação da Terra

A Terra orbita o Sol a uma distância média de cerca de 150 milhões de quilômetros, a cada 365,2564 dias solares médios, ou umano sideral. A partir da Terra, isto dá ao Sol um movimento aparente em direção a leste, relativamente às estrelas, a uma taxa de 1°/dia, ou um diâmetro aparente do Sol ou da Lua a cada 12 horas. Por causa deste movimento, a Terra leva em média 24 horas - umdia solar - a completar uma rotação completa em torno do seu eixo até o Sol retornar aomeridiano. A velocidade orbital média da Terra é de 29,8 km/s (107 000 km/h), rápido o suficiente para percorrer o diâmetro do planeta (aproximadamente 12 600 km) em sete minutos, e a distância entre a Terra e a Lua (384 000 km) em quatro horas.[3]

A Lua gira com a Terra em torno de umbaricentro comum, a cada 27,32 dias, relativamente às estrelas de fundo. Quando combinado com a revolução comum do sistema Terra-Lua em torno do Sol, o período domês sinódico, de uma lua nova à seguinte, é de 29,53 dias. Vistos dopolo norte celeste, o movimento da Terra, da Lua, e suas rotações axiais, são todosanti-horários. Quando a Terra e o Sol são vistos do espaço, desde uma posição acima dos polos norte dos dois corpos celestes, a direção aparente da translação terrestre em torno do Sol é anti-horária. Os planos orbitais e axiais não estão precisamente alinhados: a Terra apresenta uma inclinação axial de 23,5 graus, a contar da perpendicular ao plano Terra-Sol, e o plano Terra-Lua tem uma inclinação de 5 graus em relação ao plano Terra-Sol. Na ausência desta inclinação, ocorreriam eclipses a cada duas semanas, alternando entreeclipses lunares esolares.[3][145]

O raio daesfera de Hill, ou esfera de influência gravitacional, da Terra é de 1,5 Gm (1 500 000 km).[146][n 14] Esta é a distância máxima dentro do qual a influência da gravidade da Terra é maior do que a influência da gravidade do Sol e dos outros planetas.[147] Objetos orbitando a Terra precisam ficar dentro desta esfera, ou poderão ser libertados pela perturbação gravitacional do Sol.

Ilustração daVia Láctea, mostrando a localização do Sol

A Terra, em conjunto com o Sistema Solar, está localizada dentro dagaláxiaVia Láctea, orbitando a cerca de 28 000anos-luz do centro da galáxia. Presentemente, o Sistema Solar está localizado 20 anos-luz acima do plano equatorial da galáxia, noBraço de Órion.[148]

Inclinação axial

Ver artigo principal:Inclinação axial

Por causa da inclinação axial da Terra, a quantidade de luz solar recebida por um ponto qualquer na superfície terrestre varia ao longo do ano. Isto resulta na variaçãosazonal do clima, com osverões nohemisfério norte a ocorrerem quando o polo está voltado para o Sol, e o inverno ocorrendo quando o polo está voltado para a direção oposta à do Sol. Nohemisfério sul, a situação é invertida, visto que o polo sul está orientado na direção oposta do polo norte. Durante o verão, os dias são mais longos, e o Sol sobe mais alto no céu. Durante o inverno, o clima torna-se no geral mais frio, e os dias mais curtos. As diferenças sazonais aumentam à medida que se viaja em direção aos polos, sendo um caso extremo o que ocorre acima doCírculo Polar Ártico e abaixo doCírculo Polar Antártico, durante uma parte do ano em que tais regiões não recebem luz solar - umanoite polar.

A Terra e a Lua vistas de Marte peloMars Reconnaissance Orbiter. Do espaço, a Terra pode ser vista a passar por fases similaresàs da Lua

Por convenção astronômica, as quatro estações do ano são determinadas pelossolstícios - os pontos de maior inclinação axial na órbita terrestre - e osequinócios, quando a direção da inclinação axial e a direção ao Sol são perpendiculares. Osolstício de inverno ocorre em 21 de dezembro, o solstício de verão em 21 de junho, o equinócio de primavera em 20 de março, e o equinócio de outono em 23 de setembro.[149]

O ângulo da inclinação axial da Terra é relativamente estável durante longos períodos de tempo. Porém, está inclinação sofrenutação - um movimento ligeiro e irregular, com um período principal de 18,6 anos. A orientação do ângulo também muda com o tempo, completando umaprecessão circular a cada 25 800 anos; está precessão é a causa da diferença entre um ano sideral e umano tropical. Ambos os movimentos são causados pela atração gravitacional variável do Sol e da Terra sobre a saliência equatorial do planeta. Na perspectiva da Terra, os polos terrestres também migram alguns metros por ano ao longo da superfície do planeta. Estemovimento polar possui vários componentes cíclicos, que são chamados coletivamentemovimento quasi-periódico. Além do componente anual deste movimento, existe um ciclo de 14 meses, chamado debamboleio de Chandler. A velocidade de rotação da Terra também varia, em um fenômeno chamado de variação da duração do dia.[150]

Em tempos modernos, operiélio da Terra ocorre em 3 de janeiro, e oafélio em torno de 4 de julho. Porém, estas datas variam ao longo do tempo, devido à precessão e outros fatores orbitais que seguem padrões cíclicos conhecidos comociclos de Milankovitch. A distância variável entre a Terra e o Sol resulta em um aumento de 6,9%[n 15] na energia solar que alcança a Terra no periélio, relativamente ao afélio. Visto que o hemisfério sul da Terra está inclinado em direção ao Sol aproximadamente no mesmo período do periélio, a quantidade de energia solar recebida pelo hemisfério sul é ligeiramente maior do que a recebida pelo hemisfério norte, ao longo de um ano. Porém, este efeito é muito menos significativo do que a variação total da energia devida à inclinação axial, e a maior parte deste excesso é absorvida pela maior proporção de água existente no hemisfério sul.[151]

Lua

Ver artigo principal:Lua
Imagem da Lua passando na frente da Terra a partir da perspectiva da sondaDeep Space Climate Observatory

A Lua é umsatélite natural, relativamente grande e similar a umplaneta telúrico com diâmetro cerca de um quarto daquele da Terra. É o maior satélite do Sistema Solar, relativamente ao tamanho de seu planeta, emboraCaronte possua um maior tamanho relativo, em comparação aoplaneta anão que orbita,Plutão. Os satélites naturais orbitando outros planetas são chamados de "luas", em referência à Lua da Terra.[152]

A atração gravitacional entre a Terra e a Lua causa asmarés na Terra. Este mesmo efeito na Lua conduziu ao seu chamadoacoplamento de maré: os períodos de rotação e de translação da Lua à volta da Terra são iguais. Como resultado, apresenta-se sempre com o mesmo lado quando vista da Terra. À medida que a Lua orbita a Terra, diferentes partes da Lua são iluminadas pelo Sol, criando asfases lunares; a parte escura da Lua é separada da parte visível peloterminador.[152]

Devido àinteração das suas marés, a Lua afasta-se da Terra à razão de 38 milímetros por ano. Ao longo de milhões de anos, estas pequenas modificações - e o aumento da duração de um dia terrestre em cerca de 23 microssegundos por ano - resultam em alterações significativas.[152] Durante o períodoDevoniano, por exemplo, (há cerca de 410 milhões de anos) um ano terrestre tinha 400 dias (com cada dia a durar ligeiramente menos que 22 horas).[153]

A Lua pode ter afetado dramaticamente o desenvolvimento da vida ao moderar o clima do planeta. Evidênciaspaleontológicas e simulações de computador mostram que a inclinação axial do planeta é estabilizada pelas interações de maré com a Lua.[154]

Vista da Lua parcialmente encoberta pela atmosfera terrestre

Alguns teóricos acreditam que sem esta estabilização contra ostorques exercidos pelo Sol e planetas sobre a saliência equatorial da Terra (consequência do seu achatamento nos polos), o eixo de rotação desta última poderia ser caoticamente instável, com mudanças caóticas ao longo de milhões de anos, como aparenta ser o caso deMarte.[155]

A Lua está localizada a uma distância da Terra a qual permite que, quando vista desta última, tenha um diâmetro aparente aproximadamente igual ao do Sol. Odiâmetro angular destes dois corpos é bastante similar, pois apesar de possuir um diâmetro real cerca de 400 vezes maior do que a Lua, o Sol também está situado a uma distância 400 vezes maior que aquela entre a Terra e a Lua.

A teoria mais aceita sobre a origem da Lua, ahipótese do grande impacto, argumenta que a Lua se formou após a colisão entre a Terra e umprotoplaneta com o tamanho de Marte chamadoTheia. Esta hipótese explica (entre outras coisas) a menor abundância relativa deferro e elementos voláteis na Lua, e o fato de a sua composição ser bastante similar à da crosta terrestre.[156]

Representação, à escala, dos tamanhos relativos e da distância média entre a Terra e a Lua.[n 16]

Asteroides e satélites artificiais

Tracy Caldwell Dyson observa a Terra a partir daEstação Espacial Internacional

A Terra possui ao menos cincoquasi-satélites, incluindo3753 Cruithne e2002 AA29.[157][158]

Em 27 de junho de 2011, astrônomos reportaram umasteroide troiano acompanhando a Terra, compartilhando aórbita da Terra ao redor do Sol, estando noponto triangular de LagrangeL4.[159][160]

Até 2011, existiam 931satélites artificiais fabricados pelo homem em operação orbitando a Terra.[161] Tratando-se de satélites inoperantes e destroços de naves espaciais, estima-se haver mais de 300 000 peças em órbita constituindo olixo espacial. O maior satélite artificial da Terra é aEstação Espacial Internacional, onde residem atualmente seis astronautas de diversas nacionalidades.

Habitabilidade

Ver artigo principal:Habitabilidade planetária
Composição emfalsa cor da abundânciafotoautotrófica oceânica e terrestre global, de setembro de 1997 a agosto de 2000

Um planeta habitável é aquele que pode sustentarvida, mesmo que esta não se tenha originado nesse planeta. A Terra fornece as condições atualmente entendidas como necessárias, que sãoágua no estado líquido, um ambiente onde moléculas orgânicas complexas se podem formar, e energia suficiente para sustentar ometabolismo.[162] A distância entre a Terra e o Sol, bem como sua excentricidade orbital, taxa de rotação, inclinação axial, história geológica, sua atmosfera e seu campo magnético protetor, todos contribuem para produzir e manter as condições que se creem necessárias ao aparecimento e manutenção da vida no planeta.[163]

Biosfera

Ver artigo principal:Biosfera

A Terra é o único local onde se sabe existirvida. O conjunto das formas de vida do planeta é por vezes designado "biosfera".[164] A biosfera provavelmente começou a evoluir há 3,5 bilhões de anos.[165] Divide-se embiomas, habitados porfauna eflora similares nos seus traços gerais. Nas áreas continentais os biomas são separados primariamente pelalatitude,altitude eumidade. Os biomas localizados no interior dos Círculos PolaresÁrtico ouAntártico, a grande altitude e em regiões extremamente áridas, são pobres em plantas e animais; abiodiversidade é maior nasterras baixas e úmidas da região equatorial.[166]

Recursos naturais e uso da terra

Ver artigo principal:Recurso natural
Componente vital dabiosfera, omar contém 97,2% de toda aágua presente na Terra

A Terra fornece recursos que são exploráveis pela espécie humana para fins úteis. Alguns destes recursos são não renováveis, como oscombustíveis fósseis, recursos difíceis de serem repostos em um período curto de tempo.

Grandes depósitos de combustíveis fósseis existem na crosta terrestre, consistindo emcarvão,petróleo,gás natural eclatrato de metano. Estes depósitos são utilizados pela humanidade seja para produção de energia, seja como matérias-primas para a indústria química.Depósitos minerais também se formaram na crosta terrestre, por meio deprocessos de formação de depósitos minerais, resultantes da erosão e datectônica de placas.[167] Estes depósitos constituem fontes concentradas de váriosmetais e deelementos químicos úteis.

A biosfera terrestre produz vários produtos biológicos úteis para a humanidade, incluindo (mas de longe não limitados a),comida,madeira, produtos farmacêuticos,oxigênio, e reciclagem de vários lixos orgânicos. O ecossistema terrestre depende da existência de solo e de água doce, e o ecossistema oceânico depende de nutrientes dissolvidos arrastados das regiões continentais do planeta.[168]

O uso das áreas terrestres pela humanidade, em 1993, era:

Uso da terraTerra arávelCulturas permanentesPastagens permanentesFlorestas e bosquesÁreas urbanasOutros
Percentagem13,13%[107]4,71%[107]26%32%1,5%30%

A área estimada de terra irrigada em 1993 era de 2 481 250 km².[107]

Perigos naturais e ambientais

Erupção dovulcão doMonte Cleveland, nasIlhas Aleutas,Alasca,Estados Unidos

Vastas áreas do planeta estão sujeitas a condições climáticas extremas, tais comociclones,furacões outufões, que dominam a vida nestas áreas. Muitos locais estão sujeitos asismos,tsunamis,erupções vulcânicas,tornados,dolinas,tempestades de neve,inundações,secas prolongadas, e outras calamidades e desastres naturais.[107]

Muitas áreas localizadas estão sujeitas àpoluição de origem humana do ar e da água,chuva ácida e substâncias tóxicas, perda de vegetação (sobrepastoreio,desflorestação,desertificação), perda da vida selvagem, extinção de espécies,degradação do solo, esgotamento do solo, erosão, e introdução deespécies invasoras.[107]

Segundo asNações Unidas, existe um consenso científico que liga as atividades humanas aoaquecimento global devido às emissões industriais dedióxido de carbono. Prevê-se que este aquecimento global produza mudanças tais como oderretimento das geleiras e dos mantos de gelo, variações de temperatura mais extremas, mudanças significativas nas condições do tempo, e umasubida do nível médio do mar.[169]

Geografia humana

Ver artigo principal:Geografia humana
Os setecontinentes da Terra:[170]

Acartografia, ou o estudo e prática da elaboração de mapas, e indiretamente ageografia, têm sido ao longo da história disciplinas dedicadas à representação da Terra. Atopografia, ou a determinação de localizações e distâncias, e em menor grau anavegação, ou a determinação da posição e direção, desenvolveram-se lado a lado com a cartografia e a geografia, fornecendo e quantificando adequadamente a informação necessária.

Os humanos continuaram a se expandir, com uma população global de mais de 8 bilhões em novembro de 2022.[171] As projeções indicam que apopulação mundial atingirá os 9,2 bilhões em 2050.[172] A maior parte do crescimento deverá ocorrer nospaíses em desenvolvimento. Adensidade populacional humana varia amplamente pelo mundo, mas a maioria vive naÁsia. Crê-se que em 2020, 60% da população viva em áreas urbanas.[173]

Estima-se que apenas um oitavo da superfície da Terra seja adequada para os humanos habitarem - três quartos estão cobertos por oceanos, e metade da área de terra ou é deserto (14%),[174] alta montanha (27%),[175] ou outro terreno menos adequado. O assentamento humano situado mais a norte éAlert, nailha de Ellesmere emNunavut, Canadá.[176] (82°28′N) O assentamento humano situado mais a sul é aEstação Polo Sul Amundsen-Scott, na Antártica, no Polo Sul geográfico.[177]

Sede daOrganização das Nações Unidas (ONU)

Nações soberanas independentes reclamam para si a totalidade da superfície terrestre, excetuando-se algumas partes da Antártica[178] e a ímparárea não reclamada deBir Tawil entre oEgito e oSudão. Em 2011 existem203 estados soberanos, incluindo os 192estados-membros das Nações Unidas. Além destes, existem 59territórios dependentes, e váriasáreas autônomas oudisputadas e outras entidades.[107] Historicamente, a Terra nunca teve um governo soberano com autoridade sobre a totalidade do mundo, embora vários estados-nação tenham, sem sucesso, aspirado àdominação mundial.[179]

AOrganização das Nações Unidas é umaorganização intergovernamental que foi criada com o objetivo de intervir em disputas entre nações, de maneira a evitar conflitos armados.[180] Não é, contudo, um governo mundial. Serve primeiramente como um fórum da diplomacia elei internacionais. Quando o consenso entre os membros o permite, constitui um mecanismo de intervenção armada.[181]

O primeiro humano a orbitar a Terra foiIuri Gagarin em 12 de abril de 1961.[182] Ao todo, e até 2004, cerca de 400 pessoas visitaram oespaço exterior e entraram em órbita à volta da Terra, e destas,doze caminharam sobre a Lua.[183][184][185] Normalmente os únicos humanos no espaço são os que se encontram naEstação Espacial Internacional. A tripulação da estação, atualmente constituída por seis pessoas, é geralmente substituída de seis em seis meses.[186] A distância maior desde a Terra que os humanos percorreram foi de 400 171 km, durante a missãoApollo 13 em 1970.[187]

Imagem da Terra à noite montada a partir de dados obtidos pelo satélite Suomi NPP ao longo de nove dias em abril e treze dias em outubro de 2012. A missão é gerida pelaNASA com apoio operacional daNOAA. A fotografia mostra a extensão da ocupação humana no planeta e as luzes brilhantes são as áreas mais urbanizadas

A Terra na cultura

A primeira foto de umnascer da Terra feita manualmente durante aApollo 8 a partir da Lua
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O nome Terra não tem origem no nome de um deus grego ou romano, como é o caso dos restantes planetas. A palavra deriva do latimterra,[188][189] que significa solo, região, país.[190] Osímbolo astronômico da Terra é uma cruz envolvida por um círculo.[191]

Ao contrário dos restantes planetas doSistema Solar, a humanidade começou a ver a Terra como um objeto móvel em órbita à volta do Sol apenas noséculo XVI.[192] A Terra foi personificada em várias culturas como umadeidade, em particular, como umadeusa. Em várias culturas, adeusa-mãe, também chamada de Terra Mãe, é uma deidade dafertilidade. Mitos de criação de várias religiões incluem histórias envolvendo a criação da Terra por uma ou mais deidades sobrenaturais. Uma variedade de grupos religiosos, muitas vezes associados com ramosfundamentalistas doprotestantismo[193] e doislão,[194] argumentam que suasinterpretações destes mitos de criação emtextos sagrados sãoliteralmente verdadeiras e deveriam ser consideradas paralelamente ou substituir os argumentos científicos sobre a criação da Terra e a origem e desenvolvimento da vida.[195] Acomunidade científica, bem como outros grupos religiosos, opõem-se a estes argumentos.[196][197][198][199][200] Um exemplo proeminente é acontrovérsia entre criacionismo e evolução.

No passado, existiram graus variáveis de crença na hipótese daTerra plana,[201] mas tal ideia foi substituída pelo conceito daTerra esférica devido à observação ecircum-navegação da Terra.[202] A perspectiva humana da Terra mudou desde o advento dasviagens espaciais, e abiosfera é atualmente vista desde uma perspectiva global e integrada.[203][204] Um exemplo é o crescimento domovimento ambiental, que se preocupa com as consequências das atividades humanas no planeta.[205]

Ver também

Notas

  1. Todas as quantidades astronômicas variam, tantosecularmente quantoperiodicamente. Os valores apresentados referem-se ao instanteJ2000.0 da variação secular, ignorando todas as variações periódicas.
  2. afélio =a × (1 +e); periélio =a × (1 –e), ondea é o semieixo maior ee é a excentricidade. A diferença entre o periélio e o afélio da Terra é de 5 milhões de quilômetros.—Wilkinson, John (2009).Probing the New Solar System. [S.l.]: CSIRO Publishing. p. 144.ISBN 978-0-643-09949-4 
  3. A circunferência da Terra é quase exatamente 40 000 km porque o metro foi calibrado com base nesta medida—mais especificamente, 1/10.000.000 da distância entre os polos e o equador.
  4. Devido a flutuações naturais, ambiguidades envolvendoplataformas de gelo e convenções de mapeamento paradatais verticais, os valores exatos de cobertura de terra e oceano não são significativos. Com base em dados doVector Map e dos conjuntos de dadosGlobal LandcoverArquivado em 2015-03-26 noWayback Machine, os valores extremos de cobertura por lagos e rios são 0,6% e 1,0% da superfície da Terra. As camadas de gelo daAntártida e daGroenlândia são contabilizadas como terra, mesmo que grande parte da rocha que as sustenta esteja abaixo do nível do mar.
  5. Fonte para as temperaturas mínima,[19] média,[20] e máxima[21] da temperatura da superfície terrestre
  6. No presente, os restantes planetas do sistema solar são ou demasiado quentes ou demasiado frios para poderem suportar água líquida nas suas superfícies em equilíbrio vapor-líquido. Até 2007 foi detectado vapor de água na atmosfera de apenas um único planeta extra-solar, e trata-se de um gigante gasoso. Ver:Tinetti,G.; Vidal-Madjar, A.; Liang, M.C.; Beaulieu, J. P.; Yung, Y.; Carey, S.; Barber, R. J.; Tennyson, J.; Ribas, I (julho de 2007).«Water vapour in the atmosphere of a transiting extrasolar planet».Nature.448 (7150): 169–171.PMID 17625559.doi:10.1038/nature06002  !CS1 manut: Nomes múltiplos: lista de autores (link)
  7. O número de dias solares é menor do que o número de dias siderais (por exatamente um dia) porque o movimento orbital da Terra em torno do Sol resulta em uma revolução adicional do planeta em torno de seu eixo.
  8. Localmente varia entre os 5 e 200 km.
  9. Localmente varia entre os 5 e 70 km.
  10. Incluindo aplaca somali, a qual se encontra atualmente no processo de formação a partir da placa africana. Ver:Chorowicz, Jean (2005). «The East African rift system».Journal of African Earth Sciences.43 (1–3): 379–410.doi:10.1016/j.jafrearsci.2005.07.019 
  11. Esta é a medição efetuada pelo navioKaikō em Março de 1995 e crê-se que seja a mais exata medição até à data.
  12. A área total da superfície da Terra é 5.1×108 km². Numa primeira aproximação, a profundidade média seria a razão entre os dois, ou 2,7 km.
  13. Aoki, a fonte original destes dados, utiliza o termo "segundos de UT1" ao invés de "segundos de tempo solar médio".Aoki, S. (1982).«The new definition of universal time».Astronomy and Astrophysics.105 (2): 359–361. Consultado em 23 de setembro de 2008 
  14. Para a Terra, aesfera de Hill é
    RH=a(m3M)13{\displaystyle {\begin{smallmatrix}R_{H}=a\left({\frac {m}{3M}}\right)^{\frac {1}{3}}\end{smallmatrix}}},
    ondem é a massa da Terra,a é uma Unidade Astronômica, eM é a massa do Sol. Assim sendo, o raio em UA é de cerca de:(13332,946)13=0.01{\displaystyle {\begin{smallmatrix}\left({\frac {1}{3\cdot 332,946}}\right)^{\frac {1}{3}}=0.01\end{smallmatrix}}}.
  15. O afélio corresponde a 103,4% da distância do periélio. Devido à lei do quadrado inverso, a radiação solar recebida pelo planeta no periélio é de 106,9% em relação ao afélio.
  16. Na imagem umpixel equivale a 100quilômetros ou 10.000quilômetros quadrados.

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