Terminal Rodoviário Rita Maria | |
|---|---|
| Fachada sul, onde fica o embarque e desembarque dos ônibus. | |
| Uso atual | Terminal de ônibus rodoviários |
| Proprietário | Governo de Santa Catarina |
| Administração | SINART |
| Principais destinos | Interior deSanta Catarina Rio Grande do Sul Paraná Sudeste do Brasil Centro-Oeste do Brasil Norte do Brasil Argentina Paraguai Uruguai |
| Posição | Superfície |
| Níveis | 1 |
| Plataformas | 30 (8 para embarque e 22 para desembarque) |
| Área | 19 mil m² |
| Movimento | 10 mil usuários/dia |
| Empresas situadas | Aproximadamente 30 |
| Serviços | |
| Site | sinart.com.br/rodoviariadeflorianopolis |
| Informações históricas | |
| Inauguração | 7 de setembro de1981 (44 anos) |
| Projeto arquitetônico | Yamandú Carlevaro e Enrique Brena Nadotti |
| Localização | |
| Localização do Terminal Rita Maria 27° 35' 49" S48° 33' 26" O | |
| Endereço | Avenida Paulo Fontes, 1101 -Centro |
| Município | Florianópolis |
| País | Brasil |
OTerminal Rodoviário Rita Maria é arodoviária deFlorianópolis,Brasil, que atende a cidade e suaregião metropolitana. Está localizado noCentro da cidade, no aterro da Baía Sul, próximo aos únicos acessos rodoviários daIlha de Santa Catarina - enquanto os ônibus entram e saem pelaspontes Pedro Ivo Campos eColombo Salles, o acesso dos pedestres e veículos é feito pela Avenida Paulo Fontes.
Com localização privilegiada na entrada da Ilha e próximo a hotéis, pontos turísticos e vizinho doterminal de ônibus urbanos, o prédiobrutalista foi inaugurado em 1981, substituindo a antiga rodoviária, que funcionava de forma improvisada em um prédio naAvenida Mauro Ramos. Na época, foi considerado grande demais para o tamanho da cidade, enquanto que na atualidade já foi considerado pequeno para a demanda turística da capital catarinense. É o único terminal rodoviário construído para este fim em Florianópolis e nas cidades vizinhas - outros locais também recebem ônibus rodoviários, como oAeroporto Hercílio Luz, mas não tem a quantidade de linhas e a estrutura dedicada.
Contém 30 plataformas de embarque e desembarque em um prédio de mais de 19 mil metros quadrados de área construída, em um terreno de mais de 70 mil metros quadrados, atendendo em média cerca de 10 mil usuários por dia, número que pode aumentar muito durante a temporada de verão. No local, são servidas linhas para diversos locais do estado e do país e também dos países próximos, sendo operadas por cerca de 30 empresas rodoviárias.
A rodoviária conta com estacionamento, vias com acessibilidade a pessoas com deficiência, pontos de alimentação, vários tipos de estabelecimentos comerciais, pontos de táxi, guarda-volumes, caixas eletrônicos e serviços diversos. Está atualmente em reforma após ter sido concedida a administração da Sociedade Nacional de Apoio Rodoviário e Turístico (SINART) por trinta anos.
Com a crescente demanda de viagens rodoviárias, especialmente a partir dos anos 1940 e 1950, Florianópolis improvisou uma rodoviária em um prédio no encontro das Avenidas Hercílio Luz e Mauro Ramos. Esse prédio, inaugurado em 1957, tinha como objetivo ser um mercado público municipal, e entre 1959 e 1960, uma parte voltada a Hercílio Luz passou a servir como terminal rodoviário. Como a estrutura logo deixou de dar conta da demanda, uma nova rodoviária passou a ser planejada.[1]
No final dos anos 1970, o Aterro da Baía Sul foi criado na orla sul do Centro, aumentando a área do bairro e permitindo uma reconfiguração viária. Até então, a Ponte Hercílio Luz concentrava todo o tráfego, e com o aterro também foi possível criar uma nova entrada para a cidade através da Ponte Colombo Salles. A Secretaria Estadual de Transportes e Obras cria, então, um concurso para um novo terminal rodoviário em 1976, que seria também um símbolo do novo momento de progresso da cidade.[2]
Os arquitetos uruguaios Yamandú Carlevaro e Enrique Brena Nadotti lideraram a equipe vencedora, com uma proposta construtiva brutalista que acabou demandando logísticas que atrasaram a inauguração, sendo a mais notória um guincho especial que teve de ser trazido daAlemanha para poder encaixar as estruturas do telhado. Os atrasos alimentaram a desconfiança da população, ainda não acostumada com o aterro, e virou senso comum afirmar que o prédio "iria afundar".[3][4] O projeto foi o primeiro a seguir as determinações do Manual de Implantação de Terminais Rodoviários de Passageiros (MITERP).[5]
O terminal ganhou o nome de Rita Maria, que teria sido uma moradora da ilha em tempos antigos famosa por suas benzeduras e rezas e popular entre os locais, em especial os trabalhadores e marujos da então região portuária. Há controvérsias se a história é verdadeira, uma lenda popular ou uma mistura de várias histórias e pessoas, mas o nome permaneceu na região, e Rita Maria deu nome ao bairro, ao morro e a praia, e agora também ao prédio da rodoviária próximo a eles.[6][4]
Após três anos de obra, a inauguração foi marcada para o dia7 de setembro de 1981. O evento teve a presença de milhares de pessoas e teve uma corrida de kart, uma apresentação da fanfarra doInstituto Estadual de Educação, uma corrida ciclística e um bolo gigante, além de um espetáculo da cantoraFafá de Belém, que cantou o hino nacional - era o feriado deIndependência do Brasil. O gaúcho Paulo Siqueira fez uma escultura de sucata feita em homenagem a Rita Maria, até hoje em frente a rodoviária. Outra escultura, de concreto, retrata a mão de Rita Maria.[3]
O prédio foi o primeiro grande edifício a usar o espaço da Baía Sul, e um dos vários prédios institucionais em estilo brutalista da cidade - outros como oPalácio Barriga Verde e a sede daEletrosul carregam as mesmas características arquitetônicas da "Escola Paulista". Apesar do valor arquitetônico, especialistas consideram que o surgimento da Rita Maria acabaria estabelecendo algumas más tendências urbanísticas, como a dos prédios do aterro "ficarem de costas" para o mar, com sua fachada principal voltada a cidade e ignorando a orla, e da própria ocupação sem planejamento do aterro.[7][2]
Enquanto o térreo tinha o movimento de entrada e saída de ônibus, o segundo piso do terminal se tornou a Central da Moda, um conjunto de lojas que logo se tornou popular em um período que a cidade ainda não tinha um centro comercial de grande porte - o primeiroshopping center de Florianópolis abriu apenas em 1993. Eventos como a chegada do Papai Noel, o festival da primavera e apresentações culturais eram comuns no terminal nos anos 1980 e 1990, período em que o prédio praticamente se torna um novo ponto turístico de Florianópolis.[7]
A rodoviária chegou a ter um pico de 2 milhões de passageiros anuais, mas com o tempo outros meios de transporte, como os aviões, foram ganhando mais público, atraindo e setorizando os viajantes, e o status de centro comercial foi se perdendo conforme a cidade ganhava mais atrações. Entre 2008 e 2009, devido a um novo edital de licitação, a maior parte das lojas da Central da Moda deixam a rodoviária após ordem judicial.[8] Em trinta anos de uso, o Terminal Rodoviário Rita Maria não passou por grandes reformas, e problemas estruturais se tornaram constantes, levando a uma quase interdição.[7] Uma série de melhorias emergenciais foi entregue em 2017, com pintura, substituição do piso e recapeamento asfáltico nas pistas, além de uma reforma no telhado. O piso superior, antes ocupado pela Central da Moda, foi ocupado por serviços públicos como o Procon.[9]
No fim da década de 2020, o governo de Santa Catarina inicia então um processo para concessão do espaço para a iniciativa privada, regularizando as dívidas com a União - por lei, todo aterro éterreno de marinha, e o uso deste precisava ser regularizado. Após isso, foi a vez da rodoviária entrara para o Programa de Parcerias e Investimentos (PPI-SC), que levou ao lançamento do edital de concessão. O Consórcio SINART venceu o certame no dia 26 de junho de 2022, e no dia 5 de dezembro o Terminal Rodoviário Rita Maria passou a ser oficialmente administrado pela empresa formada pelo SINART para a concessão, a Terminal Rodoviário de Florianópolis SPE Ltda. O contrato foi de trinta anos e exigiu como contrapartida investimentos de quarenta milhões de reais e um conjunto de melhorias.[10] Uma nova reforma foi iniciada em 2024 com mudanças no cercamento e nas instalações hidráulicas e elétricas, incluindo a instalação deplacas fotovoltaicas. Outras mudanças devem incluir a mudança dos guichês de venda para o segundo pavimento e aumento do saguão, entre outras melhorias.[11]
O anteprojeto do prédio, vencedor do concurso de 1976, foi feito pela equipe dos arquitetos uruguaios Yamandú Carlevaro (1934-2023) e Enrique Brena Nadotti, com a colaboração do arquiteto argentino Ricardo Monti (1944-2019). Yamandú ficou com a coordenação da obra.[12]
Sua configuração foi planejada para atender as diretrizes do Manual de Implantação de Terminais Rodoviários de Passageiros (MITERP) e as condicionantes do próprio local, além das prioridades da época - era um período onde a prioridade eram os acessos dos carros, e o projeto original previa 1.300 m² de estacionamentos no subsolo, o que não foi executado. Foram definidas pelos arquitetos quatro zonas: embarque, desembarque, plataformas de ônibus e serviços complementares, seguindo o exigido pelo MITERP. Volumétricamente, tem duas fachadas principais: a voltada a Avenida Paulo Fontes, que recebe o usuário, e fica de frente para a cidade; e a do espaço dos ônibus, onde acontecem as chegadas e partidas, voltadas para a orla mas sem relação com essa, servindo como fundos da edificação.[2][13]

Os materiais usados - concreto armado, alumínio e vidro, com destaque para o primeiro, junto a tubulações aparentes da rede de hidráulica, elétrica e de refrigeração - e a forma como foram configurados são vistos por especialistas como um "brutalismo refinado", parte da estética urbana da época onde simbolizava o progresso da própria cidade. A racionalidade fazia parte do partido e do formato do prédio, separando as funções e assegurando seu bom desempenho. O concreto foi pintado com tinta cinza, mantendo uma aparência similar a original, e as aberturas contam com brises em chapa galvanizada na parte superior.[13]
Como maior destaque formal, o telhado da construção é formado por 144 blocos de concreto em forma de tubos de seção hexagonal, divididos por uma viga central que as separa em dois conjuntos de 77 formas, de 24 toneladas cada um. Seu tamanho exigiu um guincho especial, trazido daAlemanha Ocidental. Foram as maiores peças fabricadas no Brasil naquele tempo com o material, permitindo vãos de 35m, com 2,10m de altura e 3cm de espessura. A complexa solução garantiu uma redução de 60% do volume do material onde estava previsto o concreto protendido. O prédio tem 13 metros de altura, e seupé-direito no saguão chega a 10 metros.[4][2]
Como muitas estruturas de concreto armado feitas durante o período, a manutenção periódica precisava ser feita para garantir a durabilidade, o que levou anos para ser feito, levando a problemas estruturais.[4] A reforma da década de 2010 reduziu os problemas[9], e a nova reforma pretende supera-los, mudando algumas funções de lugar, mas sem mexer no desenho estrutural do prédio.[11]

Por ficar sob aterro marítimo, o terreno do terminal faz parte dasáreas de marinha. Ele fica em uma área comunitária/institucional (ACI) e possui 70.446,87 m² de área, das quais o prédio principal ocupa 13.906,10 m² e os estacionamentos lateral e frontal ocupam 16.121,89 m². O prédio possuí ainda um anexo a oeste, usado pela Polícia Civil como uma Delegacia do Turista, e uma guarita de controle na entrada dos ônibus. A área construída, considerando pisos térreo (13.543,20 m²), superior (19.541,30 m²), mezanino (4.792,96 m²), subsolo (842,24 m²) e mais o prédio anexo (313,30 m²) e o da guarita de controle (49,60 m²) tem um total de 19.541,30 m².[13]
O térreo possui uma divisão espacial entre o saguão dos desembaques, feitos do lado leste do prédio, e o dos embarques, do lado oeste. Ambos são ligados através de um corredor com comércio e serviços, além do acesso ao piso superior, e o saguão de embarque, maior, tem atualmente os guichês de venda de passagem e as salas VIPs das empresas rodoviárias. Cerca de 30 empresas atuam no terminal. A parte sul do prédio é dos decks dos ônibus. Oito decks são destinados aos desembaques, e mais 22 são destinados aos embarques. Eles são separados por decks de carga e descarga, destinados ao uso do terminal. Cerca de 10 mil pessoas passam diariamente pela rodoviária, fluxo que duplica durante o período das festas de fim de ano.[14] A média calculada em 2021 foi de 155 partidas diárias.[13] As maior parte das linhas ligam Florianópolis a cidades do litoral e interior deSanta Catarina, aos estados vizinhos,Paraná eRio Grande do Sul, e ao estado deSão Paulo. Outros ônibus chegam aos estados doRio de Janeiro,Minas Gerais,Mato Grosso do Sul,Goiás,Pará eRoraima, além dos países vizinhos,Argentina,Uruguai eParaguai.[15]
O piso superior é um mezanino que já foi ocupado de diversas formas, sendo por muito tempo o centro comercial "Central da Moda". Na atualidade, a administração e serviços públicos variados ficam no local, além de um restaurante. A reforma em andamento pretende transferir para esta área os guichês de venda de passagem.[16]
