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Technicolor

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Pôster do filmeDown Argentine Way, lançado pela20th Century Fox em 1940, com os dizeres "in Techinicolor".

Technicolor é uma série deprocessos cinematográficos a cores, com a primeira versão (Processo 1) datada de 1916, e seguida por versões melhoradas ao longo de várias décadas.[1]

Os filmes definitivos em Technicolor, que utilizavam três filmes em preto e branco passando por uma câmera especial (conhecido como Technicolor de três tiras ou Processo 4), começaram no início da década de 1930 e continuaram até meados dos anos 1950. Nesse período, a câmera de três tiras foi substituída por uma câmera padrão carregada com um único negativo colorido do tipo monopack. Mesmo assim, os Laboratórios Technicolor ainda conseguiam produzir cópias Technicolor criando três matrizes em preto e branco a partir do negativoEastmancolor (Processo 5).

O Processo 4 foi o segundo grande processo de cinema em cores, depois do britânicoKinemacolor (utilizado entre 1909 e 1915), e o mais amplamente usado emHollywood durante aEra de Ouro do cinema. O processo de três cores da Technicolor tornou-se famoso e celebrado por suas cores altamente saturadas e, inicialmente, foi usado principalmente em musicais comoThe Wizard of Oz (1939),Down Argentine Way (1940),[2] eMeet Me in St. Louis (1944); em filmes de época comoThe Adventures of Robin Hood (1938) eGone with the Wind (1939); no filmeThe Blue Lagoon (1949); e em animações comoSnow White and the Seven Dwarfs (1937),Gulliver's Travels (1939),Pinocchio (1940), eFantasia (1940). À medida que a tecnologia evoluiu, passou também a ser usada em dramas e comédias menos espetaculares. Ocasionalmente, até mesmo um filme noir — comoLeave Her to Heaven (1945) ouNiagara (1953) — foi filmado em Technicolor.[3]

O termo “Tech” no nome da empresa foi inspirado noInstituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), ondeHerbert Kalmus e Daniel Frost Comstock concluíram seus cursos de graduação em 1904 e mais tarde atuaram como instrutores.[4][5]

Nomenclatura

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O termo “Technicolor” tem sido usado historicamente para pelo menos cinco conceitos:[6][7]

  • Technicolor: a empresa-mãe (Technicolor Motion Picture Corporation), que engloba todas as versões do processo e serviços auxiliares (1914–presente).
  • Laboratórios Technicolor: um grupo de laboratórios cinematográficos ao redor do mundo, pertencentes e operados pela Technicolor, responsáveis por serviços de pós-produção como revelação, impressão e transferência de filmes em todos os principais processos de cor, além dos processos proprietários da Technicolor (1922–presente).
  • Processo ouformato Technicolor: vários sistemas personalizados de captação de imagem usados na produção cinematográfica, culminando no processo de três tiras em 1932 (1917–1955).
  • Impressão Technicolor IB (“IB” é a abreviação de imbibition, uma operação de transferência de corantes): um processo de produção de cópias cinematográficas em cores que permite o uso de corantes mais estáveis e duráveis do que aqueles usados na impressão cromogênica comum. Originalmente, era utilizado para imprimir a partir de negativos com separação de cores fotografados em filme preto e branco, usando uma câmera Technicolor especial (1928–2002, com diferentes períodos de indisponibilidade após 1974, dependendo do laboratório).
  • Cópias ou“Color by Technicolor”: termo usado desde 1954, quando oEastmancolor (e outros filmes coloridos de uma única tira) substituiu o método de negativo em três tiras, enquanto o processo de impressão IB da Technicolor continuou sendo utilizado como uma das formas de produzir cópias.[8] Essa acepção se aplica à maioria dos filmes feitos a partir de 1954 em diante em que o nome Technicolor aparece nos créditos.[9]

História da empresa

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Tanto Kalmus quanto Comstock foram para a Suíça para obter seus doutorados: Kalmus na Universidade de Zurique e Comstock na Universidade de Basileia, em 1906.

Em 1912, Kalmus, Comstock e o mecânico W. Burton Wescott fundaram a empresa Kalmus, Comstock and Wescott, uma firma de pesquisa e desenvolvimento industrial. A maioria das primeiras patentes foi registrada por Comstock e Wescott, enquanto Kalmus atuava principalmente como presidente e diretor executivo da empresa.

Quando a firma foi contratada para analisar um sistema cinematográfico sem cintilação (flicker-free) criado por um inventor, eles se interessaram pela arte e pela ciência do cinema, especialmente pelos processos de filmes em cores. Esse interesse levou à fundação da Technicolor, em Boston, em 1914, e à sua incorporação legal no estado do Maine em 1915.[10]

Em 1921, Wescott deixou a empresa; no mesmo ano, a Technicolor Inc. foi oficialmente registrada no estado deDelaware.[11][12]

História dos processos de cor

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Technicolor de duas cores

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Processo 1

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Um fotograma de um fragmento sobrevivente deThe Gulf Between (1917), o primeiro filme em Technicolor exibido publicamente.

Originalmente, a Technicolor utilizava um sistema de duas cores (vermelho e verde). No Processo 1 (1916), um divisor de feixe prismático localizado atrás da lente da câmera expunha simultaneamente dois quadros consecutivos de uma única tira de filme negativo em preto e branco: um quadro passava por um filtro vermelho e o outro por um filtro verde. Como dois quadros eram expostos ao mesmo tempo, o filme precisava ser filmado e projetado ao dobro da velocidade normal.

A exibição exigia um projetor especial com duas aberturas (uma com filtro vermelho e outra com filtro verde), duas lentes e um prisma ajustável, que alinhava as duas imagens na tela.

Os resultados foram demonstrados pela primeira vez a membros do Instituto Americano de Engenheiros de Mineração, em Nova York, em 21 de fevereiro de 1917. A própria Technicolor produziu o único filme feito com o Processo 1,The Gulf Between, que teve uma exibição limitada em cidades do leste dos Estados Unidos, começando porBoston e Nova York em 13 de setembro de 1917. O objetivo principal era despertar o interesse de produtores e exibidores de cinema pelo uso da cor.[13]

A necessidade quase constante de um técnico para ajustar o alinhamento da projeção acabou condenando esse processo aditivo de cores ao fracasso. Atualmente, sabe-se que apenas alguns quadros deThe Gulf Between ainda existem, mostrando a atrizGrace Darmond.[14]

Processo 2

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Um fotograma deThe Toll of the Sea (1922), o primeiro filme Technicolor lançado em larga escala e o primeiro a utilizar um processo de cor subtrativo de duas tiras.

Convencidos de que não havia futuro nos processos aditivos de cor, Comstock, Wescott e Kalmus concentraram sua atenção nos processos subtrativos. Isso culminou no que mais tarde ficaria conhecido como Processo 2 (1922), frequentemente chamado hoje, de forma incorreta, de “Technicolor de duas tiras”. Assim como antes, a câmera especial da Technicolor utilizava um divisor de feixe que expunha simultaneamente dois quadros consecutivos de uma única tira de filme negativo em preto e branco: um atrás de um filtro verde e o outro atrás de um filtro vermelho.[15]

A diferença era que esse negativo de dois componentes passou a ser usado para produzir uma cópia colorida subtrativa. Como as cores estavam fisicamente presentes na cópia, não era necessário equipamento especial de projeção, e o registro correto das duas imagens não dependia mais da habilidade do projecionista.

Os quadros expostos atrás do filtro verde eram impressos em uma tira de filme em preto e branco, e os quadros expostos atrás do filtro vermelho eram impressos em outra tira. Após a revelação, cada cópia era tonalizada com uma cor quase complementar à do filtro utilizado: vermelho-alaranjado para as imagens filtradas em verde e verde-ciano para as imagens filtradas em vermelho. Diferentemente da tintagem, que adiciona um véu uniforme de cor sobre toda a imagem, a tonalização substitui quimicamente a imagem de prata em preto e branco por um material colorido transparente, de modo que as áreas claras permanecem límpidas (ou quase), as áreas escuras ficam fortemente coloridas e os tons intermediários recebem cor de forma proporcional.

Ampliação de um fotograma de um segmento em Technicolor deO Fantasma da Ópera (1925). O filme foi um dos primeiros a utilizar o processo em cenários interiores e demonstrou a sua versatilidade.

As duas cópias, feitas em película com metade da espessura do filme comum, eram então coladas uma à outra, dorso com dorso, para criar a cópia de projeção.The Toll of the Sea, lançado em 26 de novembro de 1922, utilizou o Processo 2 e foi o primeiro filme em Technicolor lançado comercialmente em circuito amplo.[16]

O segundo longa-metragem totalmente colorido em Technicolor Processo 2,Wanderer of the Wasteland, foi lançado em 1924. O Processo 2 também foi usado em sequências coloridas de grandes produções comoThe Ten Commandments (1923),O Fantasma da Ópera (1925) eBen-Hur (1925).The Black Pirate (1926), estrelado porDouglas Fairbanks, foi o terceiro longa totalmente colorido produzido com o Processo 2.[17]

Apesar do sucesso comercial, o Processo 2 sofria com diversos problemas técnicos. Como as imagens nos dois lados da cópia não estavam no mesmo plano, não era possível manter ambas perfeitamente em foco ao mesmo tempo. A gravidade desse problema dependia da profundidade de foco do sistema óptico do projetor. Ainda mais sério era o problema conhecido como empenamento (cupping). Os filmes, em geral, tendiam a se curvar após uso repetido: a cada projeção, cada quadro era aquecido pela intensa luz da janela do projetor, fazendo-o se arquear levemente; ao sair da janela, o quadro esfriava e a curvatura diminuía, mas nunca desaparecia completamente.[18]

Verificou-se que as cópias coladas eram extremamente propensas ao empenamento, e que a direção dessa curvatura podia mudar repentina e aleatoriamente da frente para trás, ou vice-versa. Assim, mesmo o projecionista mais atento não conseguia evitar que a imagem saísse momentaneamente de foco sempre que a direção do empenamento mudava. A Technicolor precisava fornecer novas cópias enquanto as empenadas eram enviadas ao laboratório da empresa em Boston para serem achatadas, após o que podiam voltar a ser usadas, ao menos por algum tempo.

A presença de camadas de imagem em ambas as superfícies tornava as cópias especialmente vulneráveis a riscos, e como esses riscos eram intensamente coloridos, ficavam muito visíveis. A emenda de uma cópia do Processo 2, sem atenção especial à sua construção laminada incomum, frequentemente resultava em uma junção frágil, que se rompia ao passar pelo projetor. Mesmo antes de todos esses problemas se tornarem plenamente evidentes, a Technicolor já considerava essa abordagem de cópia colada como uma solução provisória e trabalhava no desenvolvimento de um processo aprimorado.

Processo 3

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Exemplo do processo 3 do Technicolor.Myrna Loy eWalter Pidgeon emBride of the Regiment (1930).

Baseado na mesma técnica de transferência de corantes (dye-transfer) aplicada pela primeira vez ao cinema em 1916 por Max Handschiegl, o Technicolor Processo 3 (1928) foi desenvolvido para eliminar a cópia de projeção feita a partir de filmes duplamente colados, substituindo-a por uma cópia criada por imbibição de corantes. A câmera Technicolor do Processo 3 era idêntica à do Processo 2, registrando simultaneamente dois quadros consecutivos de um filme em preto e branco, um atrás de um filtro vermelho e o outro atrás de um filtro verde.[19][20]

No laboratório, utilizava-se a impressão por quadros alternados (skip-frame printing) para separar os quadros alternados de registro de cor no negativo original em duas séries contínuas: os quadros expostos com filtro vermelho eram impressos em uma tira de filme especial chamada matriz, e os quadros expostos com filtro verde em outra tira semelhante. Após o processamento, a gelatina da emulsão do filme matriz permanecia endurecida de forma proporcional, ficando mais dura e menos solúvel nas áreas mais expostas à luz. A parte não endurecida era então removida por lavagem. O resultado eram duas tiras de imagens em relevo compostas de gelatina endurecida, mais espessas nas áreas correspondentes às regiões mais claras e menos expostas do negativo.

Para criar cada cópia colorida final, os filmes matriz eram mergulhados em banhos de corantes de cores aproximadamente complementares às dos filtros da câmera: a tira feita a partir dos quadros filtrados em vermelho era tingida de verde-ciano, e a tira feita a partir dos quadros filtrados em verde era tingida de vermelho-alaranjado. Quanto mais espessa a gelatina em cada área do quadro, mais corante ela absorvia. Um controle sutil da cor de cena para cena era obtido por meio da remoção parcial dos corantes de cada matriz. Cada matriz, por sua vez, era pressionada contra uma tira de filme revestida com gelatina lisa, conhecida como “blank”, e a gelatina absorvia (imbibia) o corante da matriz. Antes da impressão, aplicava-se ao “blank” um mordente feito de quitina desacetilada, para impedir que os corantes migrassem ou “sangrassem” após serem absorvidos.

A imbibição de corantes não era adequada para a impressão de trilhas sonoras ópticas, que exigiam resolução muito alta. Assim, ao produzir cópias para sistemas de som óptico no próprio filme, o “blank” era um filme convencional em preto e branco, no qual a trilha sonora e as linhas de quadro eram impressas pelo método tradicional antes da operação de transferência de corantes.

O primeiro longa-metragem feito inteiramente em Technicolor Processo 3 foiThe Viking (1928), que contava com trilha musical e efeitos sonoros sincronizados.Redskin (1929), com trilha sincronizada, eThe Mysterious Island (1929), um filme parcialmente falado, também foram filmados quase inteiramente nesse processo, embora incluíssem algumas sequências em preto e branco. Os seguintes filmes falados foram feitos total ou quase totalmente em Technicolor Processo 3:On with the Show! (1929) — o primeiro longa totalmente falado em cores —Gold Diggers of Broadway (1929),The Show of Shows (1929),Sally (1929),The Vagabond King (1930),Follow Thru (1930),Golden Dawn (1930),Hold Everything (1930),The Rogue Song (1930),Song of the Flame (1930),Song of the West (1930),The Life of the Party (1930),Sweet Kitty Bellairs (1930),Bride of the Regiment (1930),Mamba (1930),Whoopee! (1930),King of Jazz (1930),Under a Texas Moon (1930),Bright Lights (1930),Viennese Nights (1930),Woman Hungry (1931),Kiss Me Again (1931) eFifty Million Frenchmen (1931).[21]

Além disso, muitos longas-metragens foram lançados com sequências em Technicolor. Numerosos curtas-metragens também foram filmados em Technicolor Processo 3, incluindo os primeiros desenhos animados sonoros em cores, produzidos por nomes comoUb Iwerks eWalter Lantz.Song of the Flame tornou-se o primeiro filme colorido a utilizar um processo de tela larga, por meio de um sistema chamadoVitascope, que empregava filme de 65 mm.[22]

Em 1931, foi desenvolvido um aprimoramento do Technicolor Processo 3 que eliminava o granulado do filme Technicolor, resultando em cores mais vivas e intensas. Esse processo foi usado pela primeira vez em um filme daRKO Pictures intituladoThe Runaround (1931). A nova técnica não apenas melhorava as cores, como também removia pontos e manchas (que pareciam insetos) da imagem, os quais antes borravam os contornos e reduziam a visibilidade. Esse avanço, aliado à redução de custos (de 8,85 centavos para 7 centavos por pé de filme), levou a um novo renascimento do cinema em cores.

AWarner Bros. voltou a assumir a liderança ao produzir três longas-metragens (de um plano anunciado de seis):Manhattan Parade (1932),Doctor X (1932) eMystery of the Wax Museum (1933). A RKO Pictures anunciou em seguida planos para produzir mais quatro filmes com o novo processo, mas apenas um deles,Fanny Foley Herself (1931), chegou a ser realizado. Embora aParamount Pictures tenha anunciado planos para oito filmes e aMetro-Goldwyn-Mayer tenha prometido dois longas em cores, esses projetos nunca se concretizaram. Isso pode ter sido consequência da recepção morna do público a esses novos filmes coloridos. Dois longas-metragens produzidos de forma independente também utilizaram esse Technicolor aprimorado:Legong: Dance of the Virgins (1934) eKliou the Tiger (1935).

Pouquíssimos negativos originais de câmera dos filmes feitos em Technicolor Processos 2 ou 3 sobreviveram. No final da década de 1940, a maioria foi descartada dos depósitos da Technicolor durante uma reorganização de espaço, depois que os estúdios recusaram-se a recuperar os materiais. Cópias originais em Technicolor que chegaram aos anos 1950 muitas vezes foram usadas para produzir cópias em preto e branco destinadas à televisão e depois descartadas. Isso explica por que tantos filmes coloridos antigos existem hoje apenas em preto e branco.

A Warner Bros., que havia passado de um exibidor de menor importância a um grande estúdio com a introdução dos filmes falados, incorporou a impressão Technicolor para valorizar suas produções. Outros produtores seguiram o exemplo da Warner Bros., realizando filmes em cores com a Technicolor ou com concorrentes como Brewster Color e Multicolor (posteriormente Cinecolor).

Como consequência, a introdução da cor não aumentou o número de espectadores a ponto de torná-la economicamente viável. Esse fator, somado àGrande Depressão, pressionou severamente as finanças dos estúdios e marcou o fim dos primeiros sucessos financeiros da Technicolor.

Technicolor de três tiras

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Processo 4: Desenvolvimento e introdução

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Abertura do curta-metragemYankee Doodle Daffy daWarner Bros. de 1943. Muitas empresas de animação durante as décadas de 1930 e 1940 usaram o Technicolor para seus curtas de animação.

A Technicolor já idealizava um processo totalmente em cores desde 1924 e passou a desenvolvê-lo ativamente a partir de 1929.Hollywood fez uso tão intenso da Technicolor em 1929 e 1930 que muitos acreditavam que a indústria cinematográfica logo produziria apenas filmes coloridos. Em 1931, porém, a Grande Depressão afetou duramente o setor, que começou a reduzir custos. A produção de filmes em cores caiu drasticamente em 1932, justamente quando Burton Wescott e Joseph A. Ball concluíram o desenvolvimento de uma nova câmera cinematográfica de três cores.[23]

A partir desse momento, a Technicolor passou a oferecer aos estúdios uma gama completa de cores, em contraste com o espectro limitado ao vermelho e verde dos processos anteriores. A nova câmera expunha simultaneamente três tiras de filme em preto e branco, cada uma registrando uma parte diferente do espectro de cores. Esse novo processo permaneceu em uso até a produção do último longa-metragem em Technicolor, em 1955.

Uma câmera Technicolor de três tiras da década de 1930.

A principal vantagem da Technicolor em relação à maioria dos primeiros processos de cor natural era o fato de utilizar síntese subtrativa, e não aditiva. Diferentemente dos processos aditivos como Kinemacolor e Chronochrome, as cópias Technicolor não exigiam equipamentos especiais de projeção. Ao contrário do processo aditivo Dufaycolor, a imagem projetada não era escurecida por uma camada de filtro em mosaico que absorvia luz. Mais importante ainda: em comparação com outros sistemas subtrativos concorrentes, a Technicolor oferecia o melhor equilíbrio entre alta qualidade de imagem e rapidez de impressão.

A câmera do Technicolor Processo 4, fabricada pela Mitchell Camera Corporation de acordo com especificações rigorosas da Technicolor, continha um divisor de feixe composto por uma superfície parcialmente refletora dentro de um prisma cúbico dividido, filtros de cor e três rolos separados de filme em preto e branco — daí a designação “três tiras”. O divisor de feixe permitia que um terço da luz que entrava pela lente da câmera atravessasse o refletor, passasse por um filtro verde e formasse uma imagem em uma das tiras, que registrava apenas a parte do espectro dominada pelo verde.

Os outros dois terços da luz eram refletidos lateralmente pelo espelho e passavam por um filtro magenta, que absorvia a luz verde e deixava passar apenas as porções vermelha e azul do espectro. Atrás desse filtro ficavam as outras duas tiras de filme, com suas emulsões pressionadas uma contra a outra. O filme frontal era do tipo ortocromático insensível ao vermelho, registrando apenas a luz azul. Na superfície de sua emulsão havia um revestimento vermelho-alaranjado que impedia a passagem da luz azul para a emulsão pancromática sensível ao vermelho do filme posterior, que assim registrava apenas a parte do espectro dominada pelo vermelho.

Cada um dos três negativos resultantes era impresso em um filme matriz especial. Após o processamento, cada matriz tornava-se uma representação quase invisível dos quadros do filme, sob a forma de relevos de gelatina, mais espessos (e mais absorventes) nas áreas mais escuras da imagem e mais finos nas áreas claras. Cada matriz era então mergulhada em um corante complementar à cor da luz registrada pelo negativo correspondente: ciano para o vermelho, magenta para o verde e amarelo para o azul (ver também o modelo de cores CMYK para uma explicação técnica da impressão em cores).

Uma única tira transparente de filme em preto e branco, com a trilha sonora e as linhas de quadro previamente impressas, era inicialmente tratada com uma solução de mordente e depois colocada em contato, sucessivamente, com cada uma das três matrizes carregadas de corante, formando gradualmente a imagem colorida completa. Cada corante era absorvido (imbibido) pela camada de gelatina do filme receptor, em vez de simplesmente ser depositado sobre sua superfície — daí o termo “imbibição de corantes”. Estritamente falando, trata-se de um processo mecânico de impressão, mais próximo do método Woodburytype e apenas vagamente comparável à impressão offset ou à litografia, e não de um processo fotográfico, já que a impressão propriamente dita não envolve alterações químicas causadas pela exposição à luz.

Nos primeiros anos do processo, o filme receptor era pré-impresso com uma imagem em preto e branco a 50%, derivada da tira verde, conhecida como registro Key ou K. Esse procedimento era usado principalmente para disfarçar contornos finos da imagem onde as cores poderiam se misturar de forma irrealista (fenômeno conhecido como fringing). Esse preto adicional aumentava o contraste da cópia final e ocultava esses defeitos, mas, como consequência, reduzia a vivacidade geral das cores. Em 1944, a Technicolor aprimorou o processo para compensar essas limitações, e o registro K foi eliminado.

Adoção inicial pela Disney

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Kalmus convenceuWalt Disney a filmar um de seus curtas da sérieSilly Symphony,Flowers and Trees (1932), no Processo 4, o novo processo de “três tiras”. Ao perceber o potencial do Technicolor em cores plenas, Disney negociou um contrato exclusivo para o uso do processo em filmes de animação, que se estendeu até setembro de 1935.[24] Outros produtores de animação, como osestúdios Fleischer e o estúdio deUb Iwerks, ficaram de fora — tiveram de se contentar com os sistemas Technicolor de duas cores ou recorrer a um processo concorrente, como o Cinecolor.

Flowers and Trees foi um sucesso tanto de público quanto de crítica e ganhou o primeiroOscar de Melhor Curta-Metragem de Animação.[25] Todas asSilly Symphonies produzidas a partir de 1933 foram filmadas com o processo de três tiras. Um dos curtas,Three Little Pigs (1933), gerou uma reação tão positiva do público que acabou ofuscando os longas-metragens exibidos junto com ele. Hollywood voltou a fervilhar com o cinema em cores. Segundo a revistaFortune, “Merian C. Cooper, produtor da RKO Radio Pictures e diretor deKing Kong (1933), assistiu a uma dasSilly Symphonies e disse que nunca mais quis fazer um filme em preto e branco”.[26]

Embora os cerca de primeiros 60 desenhos da Disney em Technicolor tenham usado a câmera de três tiras, por volta de 1937 foi adotado um processo aprimorado de “exposição sucessiva” (“SE”). Essa variação do processo de três tiras foi projetada principalmente para o trabalho com animação: a câmera continha uma única tira de filme negativo em preto e branco, e cada acetato de animação era fotografado três vezes, em três quadros sequenciais, atrás de filtros alternados vermelho, verde e azul (a chamada “Roda de Cores Technicolor”, então uma opção das câmeras de animação Acme, Producers Service e Photo-Sonics).[27] A partir dos registros vermelho, verde e azul, eram criadas três matrizes separadas para impressão por transferência de corantes, em suas cores complementares correspondentes: ciano, magenta e amarelo.

A exposição sucessiva também foi empregada na série de documentários em live-action da Disney,True-Life Adventures, na qual a filmagem original em 16 mm, de baixo contraste, em Kodachrome Comercial, era primeiro duplicada para um elemento negativo SE em 35 mm de grão fino, em uma única passagem do material de 16 mm, reduzindo assim o desgaste do original e eliminando erros de registro entre as cores. O negativo SE em live-action então seguia para outros processos Technicolor e era combinado com animação SE e live-action de estúdio em três tiras, conforme necessário, produzindo o resultado final integrado.

Convencendo Hollywood

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Os estúdios estavam dispostos a adotar o Technicolor de três cores para a produção de longas-metragens em live-action, desde que sua viabilidade pudesse ser comprovada. Filmar em Technicolor de três tiras exigia iluminação muito intensa, pois o filme tinha uma sensibilidade extremamente baixa, de ASA 5. Isso, somado ao tamanho volumoso das câmeras e à falta de experiência com a cinematografia em três cores, gerava ceticismo nas salas de reunião dos estúdios.

Um artigo da revistaFortune, de outubro de 1934, destacou que a Technicolor, como corporação, era bastante notável por manter seus investidores satisfeitos apesar de ter obtido lucro apenas duas vezes em todos os anos de sua existência, durante o boom inicial no começo da década. Uma empresa bem administrada, com metade de suas ações controladas por um grupo fiel a Kalmus, a Technicolor nunca precisou ceder controle a seus banqueiros ou a acionistas hostis. Em meados dos anos 1930, todos os grandes estúdios, com exceção da MGM, enfrentavam dificuldades financeiras, e um processo de cor que realmente reproduzisse o espectro visual era visto como um possível impulso para uma indústria em crise.

Em novembro de 1933,Herbert Kalmus, da Technicolor, e a RKO anunciaram planos para produzir filmes em Technicolor de três tiras em 1934, começando comAnn Harding estrelando o projeto The World Outside.[28]

O uso do Technicolor de três tiras em live-action apareceu pela primeira vez em um número musical do filme daMetro-Goldwyn-MayerThe Cat and the Fiddle, lançado em 16 de fevereiro de 1934. Em 1º de julho, a MGM lançouHollywood Party,[29] com a sequência em desenho animado em TechnicolorHot Choc-late Soldiers, produzida por Walt Disney. Em 28 de julho daquele ano, a Warner Bros. lançouService with a Smile, seguida porGood Morning, Eve! em 22 de setembro, ambos curtas-metragens de comédia estrelados por Leon Errol e filmados em Technicolor de três tiras. A Pioneer Pictures, uma produtora formada por investidores da Technicolor, produziu o filme geralmente creditado como o primeiro curta-metragem em live-action filmado no processo de três tiras,La Cucaracha, lançado em 31 de agosto de 1934.[30]

La Cucaracha é uma comédia musical de dois rolos que custou US$ 65.000, aproximadamente quatro vezes o custo de um curta equivalente em preto e branco. Lançado pela RKO, o filme foi um sucesso ao apresentar o novo Technicolor como um meio viável para produções em live-action. O processo de três tiras também foi usado em algumas sequências curtas filmadas para vários filmes produzidos em 1934, incluindo as sequências finais deThe House of Rothschild (Twentieth Century Pictures/United Artists), comGeorge Arliss, eKid Millions (Samuel Goldwyn Studios), comEddie Cantor.[30]

Becky Sharp (1935), da Pioneer/RKO, tornou-se o primeiro longa-metragem fotografado inteiramente em Technicolor de três tiras. Inicialmente, o Technicolor de três tiras era usado apenas em ambientes internos. Em 1936,The Trail of the Lonesome Pine tornou-se a primeira produção em cores a incluir sequências externas, com resultados impressionantes. O sucesso espetacular deBranca de Neve e os Sete Anões (1937), lançado em dezembro de 1937 e que se tornou o filme de maior bilheteria de 1938, atraiu a atenção dos estúdios.[31]

Limitações e dificuldades

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Não tenho certeza de quanto a falta de impacto do filme é resultado do seu uso do Technicolor. Eu, pessoalmente, acho difícil levar a sério um filme feito em Technicolor: a profundidade parece destoar do espírito carnavalesco da cor, que é sempre alegre e brilhante, como uma máscara, sem substância. Tampouco tenho certeza de quanto da rigidez e da falta de maleabilidade do filme é produto do Technicolor.

—Crítico de cinemaManny Farber sobre o filme em Technicolor de 1943For Whom the Bell Tolls,The New Republic, 19 de julho de 1944.[32]

Uma grande desvantagem do processo de três tiras da Technicolor era que as câmeras exigiam um blimp acústico especial, volumoso e de grandes dimensões. Os estúdios não podiam comprar câmeras Technicolor; apenas alugá-las para suas produções, sempre acompanhadas de técnicos de câmera e de um “supervisor de cor”, responsável por garantir que cenários, figurinos e maquiagem não ultrapassassem as limitações do sistema. Em muitas das primeiras produções, essa supervisora eraNatalie Kalmus, ex-esposa de Herbert Kalmus e coproprietária da empresa.[33][34] Os diretores tinham grande dificuldade em lidar com ela;Vincente Minnelli afirmou: “Eu não conseguia fazer nada certo aos olhos da Sra. Kalmus”.[35]

Kalmus preferia o título “Diretora de Technicolor”, embora os licenciados britânicos geralmente insistissem em “Controle de Cor” (Colour Control), para não “diluir” o título do diretor do filme. Ela trabalhou com um grande número de “assistentes”, muitos dos quais não receberam crédito, e após sua aposentadoria esses profissionais foram transferidos para os licenciados — por exemplo, Leonard Doss foi para a Fox, onde desempenhou a mesma função no processo DeLuxe Color do estúdio.

O processo de divisão da imagem reduzia a quantidade de luz que atingia o filme. Como a sensibilidade dos negativos utilizados era bastante baixa, as primeiras produções em Technicolor exigiam muito mais iluminação do que as em preto e branco. Relatos indicam que as temperaturas causadas pelas luzes quentes de estúdio no set deO Mágico de Oz frequentemente ultrapassavam 38 °C, e alguns dos personagens com figurinos mais pesados precisavam ingerir grandes quantidades de água. Alguns atores e atrizes afirmaram ter sofrido danos permanentes à visão devido aos altos níveis de iluminação por arco de carbono, com sua intensa radiação ultravioleta.

Devido à necessidade de iluminação adicional, ao uso de uma quantidade tripla de filme e ao alto custo de produção das cópias de projeção por transferência de corantes, o Technicolor exigia orçamentos de produção elevados.

Introdução do Eastmancolor e o declínio

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Os Homens Preferem as Loiras, um exemplo de filmagem em Technicolor na Hollywood dos anos 1950.

Filmes em cores que registravam as três cores primárias em três camadas de emulsão sobre uma única tira de filme já haviam sido introduzidos em meados da década de 1930 pela EastmanKodak, nos Estados Unidos (Kodachrome para filmes domésticos em 16 mm em 1935, depois para filmes domésticos em 8 mm e slides em 35 mm em 1936), e pelaAgfa, na Alemanha (Agfacolor Neu, tanto para filmes domésticos quanto para slides, ainda em 1936). A Technicolor introduziu o Monopack, um filme reversível colorido de tira única (uma versão em 35 mm do Kodachrome, com menor contraste), em 1941, para uso em locações onde a volumosa câmera de três tiras era impraticável; porém, o maior granulado da imagem tornava-o inadequado para o trabalho em estúdio.

A Eastman Kodak lançou seu primeiro negativo colorido para cinema em 35 mm em 1950. O primeiro longa-metragem comercial a utilizar oEastmancolor foi o documentário canadenseRoyal Journey, do National Film Board of Canada, lançado em dezembro de 1951.[36] Em 1952, a Eastman Kodak introduziu um filme de cópia colorida de alta qualidade, permitindo que os estúdios produzissem cópias por meio de processos fotográficos padrão, em vez de terem de enviá-las à Technicolor para o caro processo de imbibição de corantes.[36] Nesse mesmo ano, o laboratório da Technicolor adaptou seu processo de transferência de corantes (conhecido internamente como tri-robo — italiano para “três tiras”) para gerar matrizes triplas e cópias por imbibição diretamente a partir de negativos Eastmancolor, bem como de outros materiais, como os estoques coloridos da Ansco e da DuPont.

Foxfire (1955), filmado em 1954 pela Universal e estrelado porJane Russell eJeff Chandler, foi o último longa-metragem produzido nos Estados Unidos a ser fotografado com uma câmera Technicolor de três tiras. O último filme britânico a utilizar o Processo 4 foiThe Feminine Touch (1956), dos estúdios Ealing.Invitation to the Dance (1956) eJet Pilot (1957) foram lançados posteriormente.

Na tentativa de capitalizar a febre docinema 3D em Hollywood, a Technicolor apresentou sua câmera estereoscópica para filmes em 3D em março de 1953. O equipamento utilizava duas câmeras de três tiras, rodando simultaneamente um total de seis tiras de filme (três para o olho esquerdo e três para o direito). Apenas dois filmes foram rodados com esse sistema:Flight to Tangier (1953) e a comédiaMoney From Home comMartin & Lewis (1953). Um sistema semelhante, porém diferente, foi usado por outra empresa, com duas câmeras de três tiras lado a lado, em um curta britânico chamadoRoyal River. Diversos filmes em 3D foram realizados pela RKO utilizando o Technicolor Monopack.

Em 1953, a Technicolor Motion Pictures Corporation assinou um acordo com os grupos francesesGaumont ePathé e criou a subsidiária Société Technicolor. Sua fábrica ficava nos arredores de Paris e foi fechada em 1958 após enfrentar inúmeras dificuldades econômicas e financeiras.[37]

A Technicolor expandiu-se para aÍndia na década de 1950, e Jhansi Ki Rani foi o primeiro filme Technicolor produzido no país. Em 1956, a Technicolor firmou um acordo com os Ramnord Research Laboratories como seu laboratório processador. Planejou-se a construção de um laboratório de imbibição emMumbai, mas ele nunca chegou a ser criado.[38]

À medida que o fim do processo Technicolor se tornava evidente, a empresa reaproveitou suas câmeras de três cores para a fotografia em tela larga e introduziu o processo Technirama em 1957.[8] Outros formatos nos quais a empresa investiu incluíram VistaVision, Todd-AO e Ultra Panavision 70. Todos eles representavam uma melhoria em relação aos negativos de três tiras, pois as ampliações a partir do negativo geravam cópias por transferência de corantes mais nítidas e com grão mais fino.[39] Em meados da década de 1960, o processo de transferência de corantes acabou caindo em desuso nos Estados Unidos por ser caro e lento na produção de cópias. Com o aumento do número de salas de cinema no país, a tiragem padrão de 200–250 cópias cresceu consideravelmente. E, embora a impressão por transferência de corantes produzisse cores superiores, a quantidade de cópias de alta velocidade que podiam ser feitas em laboratórios espalhados pelo país superou o número menor e mais lento de cópias disponíveis apenas nos laboratórios da Technicolor. Um dos últimos filmes americanos impressos pela Technicolor foi O Poderoso Chefão – Parte II (1974).

Um laboratório foi estabelecido na Itália para contornar impostos sobre a importação de filmes estrangeiros.[40] Em 1975, a planta de transferência de corantes nos Estados Unidos foi fechada, e a Technicolor passou a operar exclusivamente como processadora Eastman. Em 1977, a última impressora de transferência de corantes, em Roma, foi usada porDario Argento para produzir cópias de seu filme de terrorSuspiria.[41] O laboratório da Technicolor em Paris havia sido fechado em 1958, enfrentando uma dívida de 450 milhões de francos. Em 1980, a unidade italiana da Technicolor encerrou a impressão por transferência de corantes.

A linha britânica foi encerrada em 1978 e vendida ao Beijing Film and Video Lab, que enviou o equipamento para a China. Um grande número de filmes chineses e deHong Kong foi produzido pelo processo de transferência de corantes da Technicolor, incluindoJu Dou (1990), deZhang Yimou, e até mesmo um filme americano,Space Avenger (1989), dirigido por Richard W. Haines. A linha de Pequim foi encerrada em 1993 por diversos motivos, incluindo a inferioridade do processamento.

Uso pós-1995

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Após 1995, a Technicolor reintroduziu temporariamente o processo de transferência de corantes (dye transfer). Em 1997, ele voltou a ser usado principalmente em restaurações de clássicos comoO Mágico de Oz,…E o Vento Levou,Janela Indiscreta eApocalypse Now Redux, além de alguns grandes filmes contemporâneos, comoO Resgate do Soldado Ryan,Godzilla,Toy Story 2 ePearl Harbor. O processo foi definitivamente descontinuado em 2002, após a compra da empresa pelaThomson.

No campo arquivístico, o dye transfer manteve grande prestígio por sua durabilidade: as cópias Technicolor preservam as cores por décadas, ao contrário de muitos filmes Eastmancolor anteriores a 1983, que sofrem desbotamento. Além disso, os negativos em preto e branco do sistema de três tiras permanecem estáveis ao longo do tempo, sendo ideais para restaurações e transferências digitais, embora apresentem desafios técnicos como encolhimento desigual e diferenças de contraste entre as tiras — problemas hoje em grande parte resolvidos com tecnologia digital.

A empresa Technicolor continuou ativa após o fim do processo clássico, expandindo-se para processamento de vídeo, mídia digital e pós-produção. Passou por diversas aquisições e reestruturações, tornando-se parte do grupo francês Thomson, que adotou o nomeTechnicolor SA em 2010. Em 2020, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial nos EUA, citando os impactos da COVID-19. Em 2021 e 2022, suas divisões foram reorganizadas e separadas, dando origem à Vantiva e à Technicolor Creative Studios.

Apesar disso, a estética visual do Technicolor por transferência de corantes segue influente no cinema contemporâneo, frequentemente recriada digitalmente em filmes ambientados no século XX. Ainda hoje, os créditos “Color by Technicolor” ou “Prints by Technicolor” permanecem como um selo histórico de qualidade cinematográfica.

Referências

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Bibliografia

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Ligações externas

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1929 – 1939
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