Área controlada pela Somália mostrada em verde escuro; aSomalilândia (em verde claro) é reivindicada, mas não controlada (Estado autodeclarado, masnão reconhecido).
A Somália nunca foi formalmente colonizada.[19][20][21] O Estado Dervixe repeliu com sucesso oImpério Britânico por quatro vezes e obrigou-o a retirar-se para a região costeira.[22] Como resultado de sua fama noOriente Médio e naEuropa, o Estado Dervixe foi reconhecido como um aliado peloImpério Otomano e o peloImpério Alemão,[23][24] e manteve-se durante aPrimeira Guerra Mundial como o único poder muçulmano independente nocontinente africano. Após um quarto de século, mantendo os britânicos na baía, os dervixes foram finalmente derrotados em 1920, quando oReino Unido usou pela primeira vez na África aviões que bombardearam a capital,Taleex. Como resultado deste bombardeamento, os antigos territórios dervixes foram transformados em umprotetorado da Grã-Bretanha. AItália enfrentou situação semelhante quando sofreu a mesma oposição de sultões somalis e dos exércitos e não adquiriu o controle total de partes da Somália moderna até aera fascista, no fim de 1927. Esta ocupação durou até 1941 e foi substituído por uma administração militar britânica. ONorte da Somália continuaria a ser um protetorado e osul da Somália tornou-se em 1949 uma tutela das Nações Unidas sob a administração italiana, oProtetorado da Somalilândia. A União das duas regiões, em 1960, formou a República Democrática Somali.
A história do atual território da Somália remonta à antiguidade, quando a região foi conhecida pelos antigos egípcios. Entre os séculos II e VII d.C. da nossa era, muitas partes dos territórios foram anexados aoImpério de Axum. Pouco tempo depois, certas tribos árabes se instalaram ao largo da costa dogolfo de Adem, e ali fundaram umsultanato, concentrado noPorto de Zeilá. Ao mesmo tempo, o país se tornou islâmico devido à influência dosxiitas vindos do atual Irã. De todas as formas, os habitantes conservaram suas línguas ancestrais em vez de adotar oárabe.
A partir doséculo VIII, somalis e pastores nômades instalados ao norte doCorno de África começaram até a atual região somali. Anteriormente, osoromos, pastores-agricultores, iniciaram uma migração até oOgadênia e planície abissínia. Todos estes povos se instalaram definitivamente no território. Alguns povos árabes tentaram se apropriar do território e muitos somalis foram se desprezando ao exterior, sobretudo até aEtiópia.
Ao longo dos séculos XIX e XX,franceses,britânicos eitalianos estabeleceram domínios na região. A Somália atual surgiu em 1960, quando dois protetorados (um italiano e outro britânico) uniram-se. ASomália Britânica ganhou independência comoEstado da Somalilândia em 26 de junho de 1960. Dias depois, um referendo aprovou a unificação com oProtetorado da Somalilândia, dando origem a República da Somália em 1 de julho de 1960. A entãoSomália Francesa, atualDjibuti, conseguiu sua independência por separadamente, em 1977.
Durante esta época, a Somália teve estreitas relações com aUnião Soviética. Em 1974, Somália e União Soviética assinaram um tratado, que previa aos soviéticos uma base militar no país africano. Mas o acordo foi rompido após três anos, entre intrigas que envolviam a vizinhaEtiópia, rival somali, em uma guerra entre ambos, onde a Somália se voltou para o Ocidente. Portanto, a situação econômica do país era muito delicada.
Ante esta péssima situação econômica, surgiu uma oposição armada no norte do país em 1987. Em 1990, este grupo adquiriu o controle de grande parte do território, dissolvendo-se de fato o estado somali já existente.
Este grupo opositor se dividiu em 1991 por motivos diferentes e distintos, entre eles as tradicionais inimizades entre diferentes classes e etnias: oMovimento Patriótico Somali (MPS) ao sul e oMovimento Nacional Somali (MNS) ao norte. Por outro lado, o grupoCongresso Unido Somali (CUS) tomou a capitalMogadíscio, provocando a queda de Siad Barre.
Com o país sofrendo pelos conflitos internos, o governo central desapareceu após a queda da ditadura pró-soviética de Siad Barre, em 1991. Os "senhores da guerra" tomaram conta do país esfacelado. Desde então, a Somália vive em guerra civil intermitente, a qual matou dezenas de milhares de somalis. Não existe mais unidade nacional, e o país fragmentou-se em regiões. Em 1991, surgiu a Somalilândia, que chegou a declarar sua independência da Somália no mesmo ano, porMohamed Ibrahim Egal, no mesmo ano daJubalândia. Apesar da sua relativa estabilidade, em comparação com a tumultuosa região sul, não foi reconhecida como estado independente por nenhum governo estrangeiro.
Em 1992 iniciou-se, primeiramente no sul, uma ação humanitária daONU, encabeçadas por tropas dosEstados Unidos. Embora conseguisse diminuir a fome no país, a operação foi um fiasco, com a morte de 18 soldados norte-americanos. Esta história é contada no filmeBlack Hawk Down deRidley Scott. Os marines deixaram o país em 1993. Sozinha, a ONU acabou por retirar-se oficialmente a 3 de março de 1995. AONU interveio para a formação de um governo, sem ter êxito. Por outro lado, aSomalilândia presenteava uma maior estabilidade, do que outros recentes estados proclamados no território antigo da Somália, comoPuntlândia, constituído em 1998, mas seguiu sem ser reconhecida por nenhum país. Puntlândia, por sua parte, não se instaurou como estado independente, e sim como parte da Somália, baixo à forma de "estado autônomo", com a obrigação autoimposta de restaurar e manter a unidade somali, baseando em sistema federal.
Em 1998 registaram-se mais duas cisões no país, e uma quarta em 1999, todas elas de contornos pouco claros. A última cisão conduziu à autonomia de Puntlândia ouSouthwestern Somalia ("Somália do Sudoeste"), contudo dada à situação pouco clara no que concerne às fronteiras da Somália, há que ponderar antes de atribuir este título.
Em 2000, os delegados da conferência de reconciliação, reunidos emArta, aprovaram uma lei nacional que atuaria como constituição da Somália por um período de três anos de transição. Esta constituição garantia aos somalis aliberdade de expressão e associação, direitos humanos, e realizava uma separação de poderes, garantindo sua independência. Durante este período de transição, a República Somali adotou um sistema federal de governo, como 18 administrações regionais. A Assembleia de Transição Nacional exercia oPoder Executivo. Estava formada por 245 membros, 44 por cada uma das quatro classes principais (Dir, Hawiye, Darod y Oigil), 24 na aliança das classes menores, assim como 20 para somalis de grande influência e 25 para mulheres. Foi inaugurada em agosto de 2000 e elegeu como primeiro presidente doGoverno de transição Somali,Abdiqasim Salad Hassan, que, entre outras coisas, interveio militarmente naJubalândia em 2004.
Em outubro de 2004 elegeu-seAbdullahi Yusuf Ahmed como presidente do Governo Nacional de Transição. A eleição aconteceu emNairóbi, capital doQuênia, já queMogadíscio era controlada por chefes tribais. Sem serviços públicos e forças de segurança do Estado, a capital somali vive sob a influência dos chamados "senhores de guerra", principais chefes dosclãs do país falido. Sediado emBaidoa, a 200 km a noroeste de Mogadíscio, o governo de Yusuf e do primeiro-ministroAli Mohammed Ghedi é reconhecido pela comunidade internacional, mas é tido como fraco, pois não é reconhecido pelos chefes tribais.
Em 26 de dezembro de 2004, uma das catástrofes naturais mais devastadoras da história contemporânea, otsunami que varreu os países do Sudoeste Asiático, também afetou a Somália, destruindo povoações e segundo as estimativas, causando a morte de 298 pessoas.
Em maio de 2006, iniciou-se aSegunda Batalha de Mogadíscio, entre a Aliança para a Restauração da Paz e contra o terrorismo e milícias leais àUnião de Tribunais Islâmicos. Em 5 de junho, ao menos 350 pessoas morreram em fogo cruzado.
O segundo governo de transição, dirigido porAbdullahi Yusuf Ahmed, quem anteriormente havia sido presidente dePuntlândia até 2004, e que aprovou uma intervenção de paz pelaONU, declarou que a aliança dos senhores de guerra (referindo-se a ARPCT) combatiam o poder executivo.
Com a inexistência na prática de um governo central, a Somália persiste imersa em umaguerra civil. Em 5 de junho de 2006, milícias islâmicas — que formam a União das Cortes Islâmicas (UCI) — tomaram grande parte da capital somali. A UCI controla outros territórios no país e pretende impor a lei islâmica (Sharia) nestas zonas. Em junho, o governo somali de transição e a UCI assinaram um acordo de reconhecimento mútuo. Um mês depois, um dos últimos focos de resistência dos senhores da guerra foi derrotado, após dois dias de batalha que deixou 140 mortos e 150 feridos.
Em julho de 2006, a UCI passou a controlar todo o sudeste do país e a capital Mogadíscio e avançava para tomar controle do resto do país. O governo interino pediu ajuda internacional, e o Conselho de Segurança da ONU aprovou planos de enviar uma força de paz africana para apoiar Yusuf. Segundo a ONU, as Cortes estavam sendo providas de armas pelaEritreia e o governo interino somali estava sendo armado pelaEtiópia. O governo etíope foi que mais apoiou o governo interino da Somália e, em dezembro, ordenou uma incursão militar direta neste país contra alvos da milícia islâmica. Forças etíopes e do governo interino tomaram várias cidades que estavam sob controle da União das Cortes Islâmicas (UCI), inclusive Mogadíscio. O novo conflito levou milhares de refugiados somalis para a fronteira com a Etiópia e oQuênia.
Ao largo de 2007, tanto aJubalândia quanto à maior parte dos territórios controlados pelaUnião das Cortes Islâmicas, assim comoGalmudug, passaram provisoriamente nas mãos do Governo de Transição Somali, quedando o estado proclamado daSomalilândia, e em medida menor o estadoautônomo dePuntlândia, como principais decisões para a reunificação total da antiga Somália, junto às ações armadas dos restos daUCI. No mesmo ano, parte da UCI se converteu emAliança para a Reliberação da Somália (ARS).
A ARS, junto com o governo de transição somali, compactaram em outubro de 2008 em ampliar o Parlamento e a constituir um governo de unidade, o que levou, em janeiro de 2009, à eleição do terceiro presidente doGoverno de Transição Somali,Sharif Ahmed, que exerce até hoje o cargo depresidente da Somália, que anteriormente foi membro daUnião de Cortes Islâmicas, como o intuito de criar um governo nacional que pacificava finalmente todas as facções.
Os Estados Unidos e oReino Unido apoiaram a intervenção estrangeira na Somália, pois temem que a UCI tenha ligações com a rede terroristaAl-Qaeda. Em 20 de março de 2009 foi assinado, emDjibuti, pelo governo de transição somali e pela opositora Aliança para a Nova Libertação da Somália mais um acordo para tentar levar estabilidade ao país.
Uma criança pobre somali em uma região deMogadíscio afetada pela guerra civilRebeldes da Somália
Em 1991 se viram grandes mudanças na Somália. O presidenteSiad Barre foi derrubado pelos clãs donorte e dosul combinados com todas as forças das quais eram apoiadas e armadas pelaEtiópia. E na sequência de uma reunião doMovimento Nacional Somali eanciões dos clãs do norte, a parte antiga do nortebritânico do país declarou sua independência como aSomalilândia em maio de 1991, emborade facto independente e relativamente estável em relação ao sul tumultuada, não foi reconhecida pelo governo local e por nenhum governo estrangeiro.
Isto causou uma cisão entre o SNM, USC e SPM e os grupos armados, oMovimento Democrático Somali (SDM) eAliança Nacional Somali (SNA), por um lado e no seio das forças USC. Este esforço levou a remover Barre, que ainda afirmou ser o presidente legítimo da Somália. Ele e seus partidários armados permaneceram no sul do país até meados de 1992, causando uma nova escalada da violência, especialmente noGedo,Bay,Bakool,Lower Shabelle,Juba Inferior,Médio e regiões Juba. O conflito armado na USC devastou a região deMogadíscio.
A guerra civil tem interrompido a agricultura e a distribuição de alimentos no sul da Somália. A base da maioria dos conflitos foram as fidelidades clã e competição por recursos entre os clãs rivais. James Bishop, o embaixador dosEstados Unidos para a Somália passada, explicou que há "concorrência para a água, pastagens, gado e… É uma competição que costumava ser travada com flechas e sabres… Agora é travada comAK-47s". A resultante fome (cerca de 300 000 mortos) levou asNações Unidas em 1992 a autorizarem uma operação de paz limitada aOperação das Nações Unidasna Somália I (UNOSOM I), que era limitada a usar força para autodefesa, ela logo foi ignorada pelos beligerantes.
Em reação à violência contínua e à catástrofe humanitária, osEstados Unidos organizaram uma coalizão militar com o propósito de criar um ambiente seguro no sul da Somália para a realização de operações humanitárias. Esta coligação, ("Unified Task Force" ou UNITAF) entrou na Somália em dezembro de 1992, na operação "Restore Hope" e foi bem-sucedida em restaurar a ordem e aliviar afome. Em maio de 1993, a maioria das tropas dos Estados Unidos se retirou e a UNITAF e foi substituída pelaOperação das Nações Unidas na Somália II (UNOSOM II).
Contudo,Mohamed Farrah Aidid viu UNOSOM II como uma ameaça ao seu poder e em junho de 1993 sua milícia atacou as tropas do exército doPaquistão em Mogadíscio e infligiram cerca de 24 vítimas. Os conflitos se agravaram até que 19 soldados americanos e mais de mil somalis foram mortos em umaincursão em Mogadíscio em 3 e 4 de outubro de 1993. A ONU retirou aOperação United Shield em 3 de março de 1995, tendo sofrido baixas significativas, e com a estabilidade do governo ainda não restaurada. Em agosto de 1996, Aidid morreu em Mogadíscio.
Piratas armados em embarcações de deslocamento rápido ao largo das costas da Somália.Foto: US Navy
Desde o início da guerra civil, nosanos 1990, somalis tem praticado a pirataria nas águas ao largo doChifre da África, sequestrando navios epetroleiros e suas tripulações em alto mar, em troca de resgate, tornando a região uma ameaça à navegação internacional.[30]
Desde 1998, entidades como aOrganização Marítima Internacional e oPrograma Alimentar Mundial, ligado àONU, tem expressado publicamente temores com o aumento da pirataria na região.[31] A ação dos piratas somalis tem elevado o custo dos fretes e impedido a entrega de mantimentos às populações famintas do país por mar, sendo necessária a escolta de navios de guerra para o descarregamento nos portos somalis.
Em 7 de outubro de 2008, oConselho de Segurança da ONU baixou uma resolução convocando os países com navios de guerra nas águas do leste africano a que colocassem seus navios à disposição do combate à ameaça crescente dos piratas somalis, que já sequestraram dezenas de navios mercantes, petroleiros e suas tripulações. ARússia também anunciou a entrada de seus barcos de guerra na área para combate à pirataria, atuando de forma independente.[33] Em 19 de novembro, aÍndia anunciou a destruição de uma embarcação pirata somali, após combate com afragataINS Tabar, enviada pela marinha indiana à região.[34]
Os piratas são basicamente ex-pescadores,militares ligados aos clãs de senhores da guerra do país dividido e técnicos emeletrônica eGPS, sendo estimados num total de 1 000 homens armados, que, em equipes, se utilizam de pequenas embarcações rápidas para interceptar e abordar os navios.[35]
Em 21 de novembro, a ONU anunciou a formação de uma força de ataque à pirataria e autorizou a marinha indiana a entrar no golfo de Adem e em águas territoriais da Somália, para combater as embarcações piratas e destruir suas bases conhecidas.[36]
A Somália é o país mais oriental daÁfrica, e ocupa uma área de 637 657 km² (aproximadamente igual à soma da área dos estadosbrasileiros deMinas Gerais eEspírito Santo). A região ocupada pelo país é comumente chamadaChifre da África - pela semelhança entre o desenho de seu mapa com o chifre de umrinoceronte. A região do Chifre da África (ou Corno de África, como é conhecida em Portugal) também inclui os vizinhosEtiópia eDjibuti.
O país está situado na costa leste africana ao norte dalinha do Equador, entre ogolfo de Adem, a norte, e ooceano Índico a leste. Seu território consiste de muitos platôs, planícies e montanhas. O norte do país é montanhoso, com altitudes entre 900 e 2 100 metros. No noroeste do país, na região autônoma deSomalilândia (autodeclarada independente), segue a cadeia montanhosa de Cal Madow (Surud) desde a fronteira noroeste com a Etiópia até a região deSanaag, onde localiza-se o ponto mais elevado do país no picoShimbiris com 2 450 m. As áreas do centro e do sul são planas, com altitudes inferiores a 180 m. Os riosJuba eShabele nascem na vizinha Etiópia e atravessam o país em direção ao Oceano Índico. O Shebele, entretanto, não alcança o mar, exceto em períodos de chuva mais intensa.
A Somália tem uma população estimada de 18 milhões de pessoas.[37] Cerca de 85% são daetnia somali. Estas estimativas são difíceis de ajustar, devido à complicada situação política do país, e também à natureza nômade muito de seus habitantes. O último recenseamento foi no ano de 1975, baseado em alguns analistas estrangeiros. A taxa de crescimento da população somali é uma das mais elevadas naÁfrica e no mundo.
Atualmente, cerca de 60% da população somali é denômades ou seminômades, criadores degado,camelos ecabras. Aproximadamente 25% dos habitantes são agricultores assentados nas regiões férteis entre os riosJuba eShebelle, a sul do país. O resto da população está concentrada nas áreas metropolitanas.
Aguerra civil no início de 1990 aumentou consideravelmente o tamanho dadiáspora somali. Depois da guerra, a Somália teve uma grande comunidade de refugiados fora do país, uma das maiores da África. Somalis nômades e grupos de minorias étnicas compõem o restante da população do país, incluindo: benadiris, bravaneses, bantus, bajunis,indianos,persas,italianos ebritânicos.
Há poucas informações e estatísticas fiáveis sobreurbanização na Somália. No entanto, estimativas foram feitas indicando uma urbanização de 5% e 8% ao ano, com muitas das cidades em crescimento rápido e, às vezes, desordenado. Atualmente,37% da população do país vive em cidades, porcentagem que tende a aumentar rapidamente.
O número de línguas faladas na Somália é muito reduzido quando comparado com outros países daÁfrica. As línguas oficiais do país são osomali e oárabe. Oinglês e oitaliano são as línguas estrangeiras mais utilizadas e são classificadas como "segundas línguas" pelo governo de transição somali. O somali é classificado como "primeira língua" pelo povo somali, o grupo étnico mais populoso do país.[38][39] É membro do ramoCuxítico da família delínguas afro-asiáticas, cujos parentes mais próximos falavam línguas dos tiposAfar eSaho.[40]
A situação política da Somália é ainda confusa. O poder político encontra-se dividido por váriossenhores da guerra que dominam várias zonas do país. Com o transcorrer da guerra civil, estes foram os estados autônomos que surgiram na Somália após 1990, apenas a Somalilândia se autoproclamou independente, os outros três reivindicam autonomia dentro de uma Somália unificada.
Porto deBosasoPrincipais produtos deexportação da Somália em 2019 (em inglês)Colheita de mamão mostrada num selo somali de 1961
O país tem umaeconomia de mercado. É um dos países mais pobres do planeta, tendo relativamente poucos recursos naturais. A economia é excessivamente agrícola, pouco industrializada, sendo que as indústrias mais predominantes são a de refinação de açúcar e a têxtil. 65% do seuPIB vem da agricultura, contra 25% de serviços e 10% da indústria.
A maior parte da economia foi devastada na Guerra Civil Somali. A criação degado respondia por cerca de 40% do PIB e por cerca de 65% das exportações. Grande parte de sua população que vive da criação de gado é nômade ou seminômade. Além do gado, abanana era outro importante item de exportação. Oaçúcar, osorgo, omilho e ospeixes são produtos para o mercado interno. Grande parte da economia se baseia à criação decamelos, setor pecuário que o país possui o maior rebanho do mundo. A produção leiteira do país é o setor econômico mais destacado: em 2019 o país produziu 2,1 bilhões de litros de leite de animais variados (camela, vaca, ovelha e cabra). Já a produção de carne do país é pequena.[41] A agricultura do país não produz grandes quantidades: em 2019, os maiores volumes estavam nacana de açúcar, frutas,sorgo,mandioca, legumes,milho egergelim.[41] Nos dados oficiais, as maiores exportações de produtos agropecuários processados do país em termos de valor, em 2019, foram:gergelim (U$ 38,7 milhões),limão (U$ 7,9 milhões), peles (U$ 1,8 milhões) e óleos (U$ 1,4 milhões), entre outros.[41] O pequeno setor industrial se baseia no processamento de produtos agrícolas, e responde por 10% do PIB, a maioria das instalações industriais foi fechada por causa da guerra civil. Além disso, em 1999, distúrbios na capital,Mogadíscio e áreas vizinhas atrapalharam ações de ajuda internacional.
A Somália tem uma das mais altas taxas demortalidade infantil do mundo, com cerca de 10% das crianças morrendo pouco depois de nascer e 25% das sobreviventes morrem antes dos 5 anos de idade. A organização humanitáriaMédicos Sem Fronteiras considera a situação do país "catastrófica". Para piorar, o país tem o maior número de subnutridos do mundo (75%), e não aEtiópia, que possui 50% de seu povo. Isso coloca a Somália entre os 8 países mais pobres do mundo (o mais pobre éSerra Leoa).
Até 1991, a estrutura organizacional e administrativa do setor de saúde da Somália era supervisionada peloMinistério da Saúde. As autoridades médicas regionais gozavam de alguma autoridade, mas a administração deste setor era amplamente centralizada. A exploração da saúde pelo setor privado foi proibida em 1972, sob iniciativa do governo deSiad Barre.[42][43] Durante a guerra civil, o sistema de saúde público foi em grande parte destruído, assim como outros setores anteriormente nacionalizados, com a iniciativa privada substituindo o antigo monopólio do governo sobre a saúde.[44] Muitos novos centros de saúde, clínicas, hospitais e farmácias foram estabelecidos no processo por meio de iniciativas locais.[44] Embora a saúde esteja agora amplamente concentrada no setor privado, o sistema público de saúde do país está em processo de reconstrução e é supervisionado pelo Ministério da Saúde. A região autônoma de Puntland mantém seu próprio Ministério da Saúde, assim como a região separatista da Somalilândia.[45][46]
Comparando o período de 2005 a 2010 com a meia década imediatamente anterior à eclosão do conflito (1985-1990), a expectativa de vida no país aumentou de uma média de 47 anos para homens e mulheres para 48,2 anos para homens e 51 anos para mulheres.[47][48] Da mesma forma, o número de crianças de um ano totalmente imunizadas contra o sarampo aumentou de 30% em 1990 para 40% em 2005; e para a tuberculose, cresceu de 20% para 50% no mesmo período.[47][49]
De acordo com uma estimativa daOrganização Mundial de Saúde de 2005, cerca de 97,9% das mulheres e meninas da Somália foram submetidas àmutilação genital feminina,[50] um costume pré-marital endêmico principalmente no Chifre da África e em partes do Oriente Médio.[51][52] Incentivado por mulheres na comunidade, tem como objetivo principal proteger a castidade, deter a promiscuidade e oferecer proteção contra agressões sexuais.[53][54] Em 2013, aUNICEF em conjunto com as autoridades somalis relatou que a taxa de prevalência entre meninas de 1 a 14 anos nas regiões autônomas do norte de Puntland e Somalilândia caiu para 25% após uma campanha de consciência social e religiosa. Cerca de 93% da população masculina da Somália também é circuncidada.[55][56]
O Ministério da Educação é oficialmente responsável pela educação na Somália, e supervisiona oensino primário,secundário,formação técnica e profissional, bem como a formação e capacitação de professores e educação não formal. Cerca de 15% do orçamento do governo é destinado à educação.[57] As macrorregiões autônomas de Puntland e Somalilândia mantêm seus próprios Ministérios da Educação. Cerca de 37,8% da população com 15 anos ou mais de idade sabe ler e escrever, sendo maior entre os homens (49,7%) e apenas 25,8% entre as mulheres, conforme estimativas de 2006.
Após a eclosão da guerra civil, em 1991, a tarefa de administração de escolas na Somália foi inicialmente ocupada por comissões de educação da comunidade estabelecida em 94% das escolas locais.[58] Diversos problemas surgiram com relação ao acesso à educação nas áreas rurais, além da qualidade educacional, capacidade de resposta dos currículos escolares, os padrões educacionais e controles, gestão e planejamento de capacidade e financiamento.[57]
A cultura somali é amplamente baseada noislã e napoesia, e tem se desenvolvido oralmente ao longo dosanos. A facilidade na fala é considerada uma propriedade especialmente entre ossomalis, tendo-se muito em conta em figuras, como as de políticos ou líderes religiosos. A religião majoritária no país é osunismo, o que obriga oscidadãos a abster-se deporco eálcool, assim como de participar dejogos de azar. Muitasmulheres usam ohijabe.
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