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Sionismo

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Osionismo (emhebraico: ציונותTsiyonut) é ummovimento político que defende o direito àautodeterminação dopovo judeu e à existência de umEstado nacional judaico independente e soberano no território onde historicamente existiu o antigoReino de Israel (Eretz Israel) por meio da colonização do território até então com a população majoritariamentepalestina.

O sionismo é também chamado denacionalismo judaico e historicamente propõe a erradicação daDiáspora Judaica, com o retorno da totalidade dos judeus ao atualEstado de Israel. O movimento defende a manutenção da identidade judaica, opondo-se à assimilação dos judeus pelas sociedades dos países em que viviam.

O sionismo surgiu no final doséculo XIX naEuropa Central eOriental como um movimento de revitalização nacional e logo foi associado, pela maioria dos seus líderes, àcolonização daPalestina.[1] Segundo o pensamento sionista, a Palestina fora ocupada porestranhos.[2] Desde acriação do Estado de Israel, o movimento sionista continua a defender o estado judeu, denunciando as ameaças à sua permanência e à sua segurança.

Os críticos do sionismo o consideram como um movimento colonialista ouracista.[3] Os sionistas rebatem essas críticas, fazendo uma analogia considerada errônea entre os acadêmicos de conectar oantissionismo com oantissemitismo.[4][5][necessário esclarecer]

Terminologia

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O termo "sionismo" é derivado da palavra "Sion" (emhebraico:ציון), que, em hebraico, quer dizer elevado. Originalmente,Sião ou Sion era o nome de uma das colinas que cercam aTerra Santa, onde existiu umafortaleza de mesmo nome. Durante oreinado deDavid, Sião se tornou umsinônimo deJerusalém ou daTerra de Israel. Em muitas passagens bíblicas, osisraelitas são chamados de "filhos (ou filhas) de Sião".

NoLivro de Isaias, o nome de Sião figura diversas vezes como equivalente para todo aquele que crê no Deus de Israel:Por amor de Sião não me calarei, e por amor de Jerusalém não me aquietarei, até que saia a sua justiça como um resplendor, e a sua salvação como uma tocha acesa (Isaias, 62-1).

História do sionismo

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O chamado "sionismo moderno" articulou-se e desenvolveu-se especialmente a partir da segunda metade do século XIX, em especial entre os judeus daEuropa Central e doLeste Europeu, que viviam sob a pressão das perseguições emassacres sistemáticos provocados peloantissemitismo crônico destas regiões.

Theodor Herzl (1860 – 1904), Fundador do sionismo moderno

Oséculo XIX foi uma época de irrupçõesnacionalistas em todo mundo.Gregos,italianos,poloneses,alemães e sul-americanos, entre outros, estabeleceram seus movimentos nacionais em busca de singularidade política, étnica e cultural. Seguindo estes modelos, o sionismo foi o mais recente dos processos de renascença nacional a despertar na Europa.

O sionismo também pode ser considerado como uma reação ao crescente assimilacionismo provocado pela integração dos judeus da Europa Central aos povos e comunidades onde se encontravam estabelecidos, o que, segundo os críticos, solapava as bases culturais e religiosas fundamentais dojudaísmo tradicional.

O uso do termo "sionismo" surgiu durante um debate público realizado na cidade deViena, na noite de 23 de janeiro de1892, e foi cunhado porNathan Birnbaum, um escritor judeu local que fundara em 1885 a revista “Selbstemanzipation!” (Autodeterminação!).[6] No entanto, considera-se que o "Pai do sionismo" tenha sido o jornalista e escritor austríacoTheodor Herzl, autor do livroDer Judenstaat (O Estado Judeu).

Precedentes do sionismo

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São considerados precursores do sionismo (ou "protossionistas") alguns pensadores e religiosos judeus que expressaram em obras escritas o desejo ancestral do povo judeu de retornar às suas raízes históricas através da volta para sua terra de origem. Por outro lado, o nacionalismo judaico é considerado como uma decorrência direta dos diversos movimentos nacionalistas que surgiram no Ocidente a partir doiluminismo, daRevolução Francesa[7] e daRevolução Americana.

Os primeiros protossionistas foram membros do clero judaico, como osrabinosJudá Alkalai;Naftali Berlin (o “HaNatziv”);Tzvi Kalisher;Samuel Mohiliver eIsaac Jacob Reines.

Segundo a narrativa religiosa e tradicional, o sionismo surgiria logo após a queda doSegundo Templo e a consequente expulsão da maioria dos judeus dos territórios do antigoReino de Israel, entre os anos66 d.C. e135 d.C. A oração "no ano que vem, em Jerusalém", recitada todo os anos durante oPessach, expressa a vontade, transmitida através das gerações, de retorno àTerra de Israel como condição precípua para a vinda doMessias e do estabelecimento de uma nova ordem, onde as esferas sagrada e terrena passariam a conviver em um único plano.

A "nostalgia de Sião" se manifestou claramente nos discursos de diversosmísticos judeus surgidos ao longo dos séculos de duração da Diáspora, desdeDavid Alroy ("falso messias"), noséculo XII, atéSabbatai Zevi, noséculo XVII, passando pelos poemas deYehudah Halevi e por uma infinidade de místicos.

Noséculo XIX, o britânicoGeorge Eliot publica o romanceDaniel Deronda (1876), que descreve a vida de um homem que se dedica à busca da criação de um centro nacional para os judeus. Mas seriamLeon Pinsker, médico polonês eMoses Hess, escritor alemão, aqueles que mais se destacariam como precursores do sionismo naquele século.

O Caso Dreyfus como impulso

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Ao final do século XIX, os judeus que detinham uma condição social um pouco mais elevada (em geral os habitantes dos países da Europa Ocidental) julgavam-se mais seguros contra as perseguições antissemitas que vitimavam os judeus doLeste, mais arraigados às tradições, pois encontravam-se plenamente inseridos nas sociedades daqueles países. Esses judeus pouco diferiam, culturalmente, de seus vizinhos cristãos, e muitos abandonavam as práticas religiosas ou se convertiam aocristianismo, como forma de selar o processo de completa assimilação. Entre esses, encontrava-se Theodor Herzl, umadvogado nascido emBudapeste e que, na juventude, chegou a pedir em carta aoPapa que ajudasse os judeus de toda aEuropa a se converterem coletivamente aocatolicismo. [carece de fontes]

Herzl ganhou notoriedade quando passou a publicar matérias assinadas na imprensa alemã a partir do final dadécada de 1880 e, graças a isso, recebeu um convite para se tornar correspondente do jornal "Neue Freie Presse" emParis, onde cobriu o julgamento do militarAlfred Dreyfus. Dreyfus era um oficial judeu doExército Francês acusado injustamente deespionar em favor dos alemães. Ao testemunhar a série de fraudes engendradas por elementos da oficialidade francesa para culpar Dreyfus com alegações antissemitas, Theodor Herzl se deu conta de que nem aassimilação cultural seria capaz de livrar os judeus da discriminação.

Com base nessas reflexões e aproveitando-se do pensamento de outras pessoas, Herzl escreve, em1895, sua principal obra,Der Judenstaat – Versuch Einer Modernen Lösung der Judenfrage ("O Estado Judeu – Uma Solução Moderna para a Questão Judaica"), onde preconiza a necessidade da reconstrução dasoberania nacional dos judeus em umEstado próprio.[8] EmO Estado Judeu, Herzl descreve, de forma romanceada, suas visões de como tornar possível a construção de uma futura nação judaica, discorrendo sobreimigração, compra de terras, edificações, leis, idioma etc. Muitas das ideias de Herzl serviriam de inspiração para os primeiros legisladores do futuroEstado de Israel.

O Congresso Sionista

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O livro de Herzl foi bem recebido pela maior parte dos judeus europeus que compartilhavam dos mesmos ideais. Com o intuito de aglutinar as diversas tendênciasnacionalistas judaicas, Herzl organizou oPrimeiro Congresso Sionista, que deveria ser realizado emMunique, na Alemanha. Contudo, líderes religiosos da comunidade judaica local se opuseram à iniciativa, por temerem uma exposição excessiva e uma possível retaliação antissemita. Assim, o evento acabou por se realizar na cidadesuíça deBasileia, em29 de agosto de1897. Segundo seus criadores, o Congresso tinha como propósito de mostrar ao mundo "o que é o sionismo e o que ele pretende" e também para unir todos os sionistas sob uma só organização.

O evento reuniu cerca de duzentos participantes e seus principais resultados foram a formulação da plataforma sionista, conhecida comoPrograma de Basileia, e a fundação daOrganização Sionista Mundial, sob a presidência de Herzl. Durante a reunião, discutiu-se onde deveria ser instalado o Estado Judeu, dividindo-se os congressistas entre aPalestina otomana ou algum território desabitado cedido aos sionistas,[9] como a ilha deChipre, aPatagônia e até em alguma das colônias europeias naÁfrica, como oCongo ouUganda. Venceram os partidários da Palestina, com o argumento de que aquela era a região de origem de toda identidade judaica na Antiguidade.[10] Em seu diário, Herzl escreveu: "Se eu tivesse que resumir o Congresso de Basileia numa só frase, ela seria: ‘em Basileia eu fundei o Estado Judeu’. Se eu dissesse isto hoje, seria objeto de risos universais; mas em cinco anos, talvez em cinquenta, todos o verão".

Seriam realizados 21 Congressos Sionistas até à eclosão daSegunda Guerra Mundial.

Oposição judaica ao sionismo

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Segundo alguns autores, a intenção de imigrar e viver na Palestina seria algo distante das intenções reais da maioria dos judeus, estando presente apenas enquanto referência religiosa. Abraham Leon escreve em 1942 que "durante o tempo que o judaísmo ficou incorporado ao sistema feudal, o 'sonho de Sião' não foi precisamente mais que um sonho e não correspondia a nenhum interesse real (...). O taberneiro ou o 'granjeiro' judeu da Polônia doséculo XVI pensava em retornar à Palestina tanto quanto o milionário judeu da América de hoje."[11]

A tese do retorno ao lugar de origem ganhou a grande maioria dos adeptos por ter forte apelo religioso, baseado na redenção do povo de Israel e na “Terra Prometida”. Por outro lado, outras correntes religiosas (em especial as fundamentalistas) a consideravam uma compulsão heroica e sentimental, e alguns até a reprovavam duramente, alegando que está “redenção” deveria vir obrigatoriamente pela “obra deDeus” e não de ações políticas. Outros judeus a não aderir ao sionismo foram os adeptos dobudismo. No entanto, tais visões foram se tornando gradativamente minoritárias e isoladas com o passar dos anos e o crescimento da Organização Sionista.

Nos dias atuais, a oposição judaica ao sionismo está restrita a alguns membros de seitas religiosas, como osharedim doNeturei Karta,Satmer eEdá Hacharedit, bem como os adeptos de ideologias internacionalistas de esquerda.

A Palestina e a Terra de Israel

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A região da Palestina, onde historicamente existiu uma pátria judaica, encontrava-se desde o ano de 638 sob o controleárabemuçulmano. A partir de 1517, oImpério Turco-Otomano incorpora aquelas terras, tornando-se a Palestina umaprovíncia turca,status que duraria até o início doséculo XX. A presença dos judeus na região permaneceu ininterrupta por todo este período, embora em condição de minoria. Em algumas cidades, comoHebrom eSafed, a presença das comunidades judaicas se fazia mais numerosa e importante, convivendo em relativa paz com a maioria muçulmana.

Havia também a tradição judaica de migrar para a Palestina para lá morrer e ser sepultado, ou para estudos religiosos nas diversasyeshivot instaladas na região. Estas escolas de formação rabínica recebiam recursos doados por organizações filantrópicas, mas na segunda metade do século XIX, algumas destas organizações, como aAliança Israelita Universal, passaram a investir na fundação de cidades e fazendas coletivas, dentro de um espíritosocialista e secular. AssimMikveh Israel foi fundada em 1870, seguida porPetah Tikva (1878),Rishon LeZion (1882) e outras comunidades agrícolas fundadas pelas sociedadesBilu eHovevei Zion.

Mas com a primeira grande leva de imigrantes judeus chegados à Palestina, a partir de 1881, a demografia na Palestina começou a sofrer a sua primeira grande mudança em séculos. Estas ondas (chamadas dealiot), oriundas principalmente doImpério Russo e doIêmen, acabaram por gerar mais comunidades agrícolas e cidades.[12] Estas primeirasaliot independentes serviriam de modelo para as imigrações que viriam nos anos seguintes, já sob o estímulo da Organização Sionista de Herzl.

Até meados do século XIX, a população total da Palestina registrava um decréscimo lento. Mas as migrações judaicas inverteram este quadro, e no raiar do século XX a região registrou o primeiro aumento demográfico em séculos. A população de judeus chegou a 10% do total antes de 1909, quando foi fundada a cidade deTel Aviv, a primeira urbe exclusivamente judaica desde a Antiguidade.

O estabelecimento dos primeirosolim em terras palestinas se deu em zonas desabitadas, adquiridas com recursos doados por subscrições públicas ou por grandes filantropos europeus. O mais célebre destes foi obarãoEdmond de Rothschild, que sozinho doou recursos para a aquisição de 125 mil acres (ou 22,36 km²) de terras.

No entanto, uma nova onda de perseguições antissemitas ocorrida na Rússia fez crescer o número deolim. Em abril de 1903 oPogrom de Kishinev vitimou dezenas de judeus[13] e evidenciou para os sobreviventes a necessidade de buscar a autodeterminação em um ambiente democrático.

O sionismo como colonialismo

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O sionismo como colonialismo é o paradigma que vê o sionismo e o conflito israelo-palestiniano como uma forma de colonização, sendo a sua expressão máxima a construção massiva decolonatos.[14]  Patrick Wolfe, um influente teórico de estudos coloniais, considerou Israel um exemplo e discutiu-o no seu ensaioSettler colonialism and the elimination of the native ("Colonialismo e a eliminação dos nativos").[15][16] Outros estudiosos que usaram uma análise colonial de Israel na Palestina incluemEdward Said,Rashid Khalidi, Fayez Sayegh,Maxime Rodinson, George Jabbour,Ibrahim Abu-Lughod, Baha Abu-Laban, Jamil Hilal e Rosemary Sayigh. Muitos dos próprios pais da doutrina sionista não discutiram sequer o facto do sionismo ter um claro objetivo colonial e declararam-no publicamente, comoZeev Jabotinsky indicando que "o sionismo é uma aventura de colonização".[17]

O actual quadro concetual surgiu em resposta às mudanças no cenário político em meados da década de1990 que "reformularam a história daNakba como duradoura" num processo liderado por académicos palestinianos em Israel. A utilização deste paradigma tem aumentado nos últimos anos entre ativistas e em menor grau também nos círculos académicos.[14]

Apesar disto, a caracterização do sionismo como um movimento colonial é interpretada por muitos judeus israelitas como uma forma deantissemitismo que nega o que consideram ser a sua ligação histórica à terra. Isto reflete-se ainda mais nos esforços de diplomacia pública do Estado israelita, respondendo ao que considera ataques à sua legitimidade.[18]

Em contraste com ocolonialismo clássico, no caso sionista o foco está na eliminação, em vezde exploração, dos habitantes originais de um território, ou seja, dos palestianos. Conforme teorizado por Patrick Wolfe, este ímpeto de colonização é planeado e sistemático, operando através de processos que incluem projetos de assimilação, segregação, miscigenação, conversão religiosa, encarceramento, e chegando a operar a eliminação física dos palestinianos.[19]

Em1967, o historiador francêsMaxime Rodinson escreveu um artigo posteriormente traduzido e publicado em inglês comoIsrael: A Colonial Settler-State?[20] Lorenzo Veracini descreve Israel como um estado colonial e escreve que os colonos judeus só puderam expulsar os britânicos em 1948 porque tinham as suas próprias relações coloniais dentro e fora das novas fronteiras do novo Estado Hebraico. Veracini acredita que a possibilidade de uma separação israelita-palestiniana está sempre latente e está apenas seria revertida através do "acomodamento de uma autonomia palestina dentro das instituições do Estado israelita" (ou seja, forçando asolução do Estado único).[21]

Outros comentadores, como Daiva Stasiulis, Nira Yuval-Davis,  e Joseph Massad em "Colónia Pós-Colonial: tempo, espaço e corpos na persistência da Questão Palestiniana" incluíram Israel na sua análise global das sociedades colonizadoras.[22][23]Ilan Pappé descreve o sionismo e Israel em termos semelhantes.[24] A académica Amal Jamal, daUniversidade de Tel Aviv, declarou: "Israel foi criado por um movimento colonial de imigrantes judeus".[19]

O historiador israelitaBenny Morris no seu livro "The Arab-Israeli war" em1948 escreve: "é evidente que os acontecimentos de 1948 naPalestina foram uma limpeza étnica executada pelos judeus nas zonas árabes".[25] Os métodosterroristas, de inspiração nazi e fascista, levados a cabo peloIrgun ("Organização Militar Nacional na Terra de Israel"), liderado porMenachem Begin, também foram denunciados no mesmo ano por diversos intelectuais judeus, entre os quaisAlbert Einstein eHannah Arendt, numacarta aberta publicado pelo jornalThe New York Times no dia 4 de dezembro do mesmo ano.[26]

A IJAN- International Jewish Anti-Zionist Network, no seumanifesto de janeiro de2009,[27] denuncia a ocupação israelita das terras palestinianas, e reafirma o seu trabalho para "desmontar o apartheid israelita, permitir o regresso dos refugiados palestinianos e o fim da colonização israelita da Palestina". No mesmo sentido aAmnesty International tem vindo a lançar vários apelos contra oapartheid (segregação racial) exercido sobre o povo palestiniano nas áreas controladas porIsrael.[28][29]

As divisões do sionismo

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O sionismo socialista

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Ver artigo principal:Sionismo trabalhista

A partir doSegundo Congresso Sionista, realizado em1898, surgiram osSionistas Socialistas, inicialmente um grupo minoritário, em sua maioria oriunda da Rússia, mas que exigiu representação na Organização Sionista Mundial. A presença dos sionistas socialistas seria cada vez maior, chegando à maioria dos delegados a partir de do 18º Congresso, realizado emPraga, em 1933. Os sionistas socialistas formariam o principal núcleo político dos fundadores do Estado de Israel, gerando futuros líderes comoDavid Ben-Gurion,Moshe Dayan,Golda Meir,Yitzhak Rabin eShimon Peres.

Alguns pensadores fundamentais para o conhecimento do sionismo socialista sãoDov Ber Borochov eAaron David Gordon. Ambos, porém, encontram em Moses Hess uma origem da combinação de um estado judeu e socialista.

Diferentemente dos primeiros sionistas reunidos por Herzl, os sionistas socialistas não acreditavam que o Estado Judaico seria criado apelando à comunidade internacional, mas através da luta de classes e dos esforços da classe trabalhadora judaica na Palestina. Os socialistas pregavam o estabelecimento doskibbutzim (fazendas coletivas) no campo e de um proletariado nas grandes cidades.

O sionismo político

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Ver artigo principal:Sionismo político

A cisão da Organização Sionista pelos socialistas provocou a formação de um segundo bloco, a que se chamou de “Sionistas Políticos”, que tal como Herzl e tambémChaim Weizmann, preconizavam a independência do Estado Judeu pela via diplomática. Em busca disso, o próprio Herzl encontrou-se com oKaiserGuilherme II da Alemanha e com osultãoAbdulamide II daTurquia, com os quais pediu o apoio de seus países para o estabelecimento do Estado Judeu na Palestina. Após a morte de Theodor Herzl, em 1904, e com o fracasso de uma solução negociada para a independência do Estado Judeu, o sionismo político foi perdendo importância dentro da Organização Sionista.

O sionismo revisionista

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Ver artigo principal:Sionismo revisionista

Os maiores opositores dos sionistas socialistas seriam os sionistas revisionistas, que surgiram em1925, liderados porVladimir Ze'ev Jabotinsky, um filósofoliberal que pretendia reviver na Organização Sionista “o espírito e a doutrina verdadeiramente herzlianos”.[30]

Para os sionistas revisionistas, o Estado Judeu só seria viabilizado com a organização dos judeus em frentes paramilitares que combatessem, simultaneamente, a presença britânica na Palestina (a partir de 1917) e a resistência armada dos árabes muçulmanos da Palestina, que vinham atacando pessoas e propriedades dos sionistas. Osrevisionistas também combatiam os socialistas, pois pregavam uma ideologia liberal-democrática (contrária aomarxismo) dentro da Organização Sionista e a defendiam para o futuro Estado Judeu.

O sionismo religioso

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Ver artigo principal:Sionismo religioso

O sionismo religioso combina o sionismo e o judaísmo religioso, baseando o sionismo nos princípios da Torá, Talmud e outros. Moisés defendia ideias protonacionalistas na Torá desde que ele fugiu do Egito Antigo.

O sionismo cultural

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Ver artigo principal:Sionismo cultural

Em uma acepção menos comum, o termo pode também se referir aosionismo cultural, proposto porAhad Ha'am, e ao apoio político dado ao Estado de Israel por não judeus, tal como nosionismo cristão.

Pensadores sionistas

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São conhecidos por esse nome personalidades que, com suas obras e artigos colaboraram com a estruturação do sionismo como ideologia de formação de um Estado Judeu nos mais diferentes formatos.

Além disso, os pensadores sionistas serviram (e servem) como eixo orientador das comunidades ao redor do mundo, e como referências para seus seguidores. Isso não descarta a importância de autores como Leon Pinsker, considerado um pré-sionista.

Diversas correntes de pensamento são importantes para a compreensão do sionismo atual.Achad Ha-am, por exemplo, foi o criador de uma visão peculiar do sionismo, mas que é intimamente ligada aos dias atuais. Há aindaRav Kook, com o sionismo religioso.

Relativamente às críticas dirigidas ao sionismo, de que seria um movimento de cunho racista,[31] seus defensores defendem-se alegando que o sionismo não é doutrinariamente unificado e coeso, possuindo diversas versões divergentes umas das outras. Além disso, alguns também discordam afirmando que palestinos e judeus não são racialmente distintos, e assim não se aplicaria o termo já que a discriminação não se funda na raça.

O antissionismo

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Ver artigo principal:Antissionismo

Ver também

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Referências

  1. «CONFERENCE OF ZIONISTS; Elect Delegates at Their Meeting in Baltimore. WILL COLONIZE PALESTINE Rabbis Gottheil and Wise Were Chosen Members of the International Executive Committee.».The New York Times (em inglês). 20 de junho de 1899. Consultado em 16 de outubro de 2023 
  2. PAPPÉ, Ilan,A limpeza étnica da Palestina, 2006, p.10-11.
  3. Nações Unidas A/RES/3379 (XXX) 10 de novembro de 1975.Resolution adopted by the General Assembly on the report of the Third Committee (A/10320) 3379 (XXX). Elimination of all forms of racial discriminationArquivado em 6 de dezembro de 2012, noWayback Machine.. AResolução 3379 determina que o sionismo é uma forma de racismo e de discrimação racial. Foi anulada pela Resolução 4686 da Assembleia Geral de 16 de Dezembro de 1991.
  4. Anti-Zionism is anti-semitism, por Emanuele Ottolenghi.The Guardian, 29 de novembro de 2003.
  5. Institute for Global Jewish Affairs.Jewish Political Studies Review 16:3-4 (Fall 2004).Anti-Zionism and Anti-Semitism, por Robert Wistrich.
  6. Laqueur, Walter.A History of Zionism – Holt, Reinhart and Winston (1972)
  7. «Napoleão Bonaparte foi o primeiro sionista».Terra. Consultado em 15 de fevereiro de 2020 
  8. Herzl, Theodor.O Estado Judeu – Editora e Livraria Sêfer (São Paulo,1997)
  9. Discurso de abertura do Primeiro Congresso Sionista
  10. Goldmann, Nahum.O Paradoxo Judeu – Memórias pessoais dos encontros históricos que moldaram o drama do Judaísmo moderno – Editora B’nai B’rith (São Paulo,1984)
  11. LEON, Abraham. apud WEINSTOCK, Nathan.El sionismo contra Israel: una historia critica del sionismo. Barcelona: Fontanella, 1970, p. 78.
  12. Scharfstein, Sol,Chronicle of Jewish History: From the Patriarchs to the 21st Century, p.231,KTAV Publishing House (1997),ISBN 0-88125-545-9
  13. Cem anos de Kishinev
  14. abSabbagh-Khoury, Areej (março de 2022).«Tracing Settler Colonialism: A Genealogy of a Paradigm in the Sociology of Knowledge Production in Israel».Politics & Society (em inglês) (1): 44–83.ISSN 0032-3292.doi:10.1177/0032329221999906. Consultado em 14 de outubro de 2023 
  15. Wolfe, Patrick (dezembro de 2006).«Settler colonialism and the elimination of the native».Journal of Genocide Research (em inglês) (4): 387–409.ISSN 1462-3528.doi:10.1080/14623520601056240. Consultado em 14 de outubro de 2023 
  16. saienglert (26 de outubro de 2020).«What is at Stake in the Study of Settler Colonialism?».Developing Economics (em inglês). Consultado em 14 de outubro de 2023 
  17. Hart, Alan (13 de agosto de 2010).Zionism: The Real Enemy of the Jews, Volume 1: The False Messiah (em inglês). [S.l.]: SCB Distributors 
  18. Tawil-Souri, Helga (2016).«Response to Elia Zureik's Israel's Colonial Project in Palestine: Brutal Pursuit».Arab Studies Quarterly (4): 683–687.ISSN 0271-3519.doi:10.13169/arabstudquar.38.4.0683. Consultado em 14 de outubro de 2023 
  19. abBusbridge, Rachel (janeiro de 2018).«Israel-Palestine and the Settler Colonial 'Turn': From Interpretation to Decolonization».Theory, Culture & Society (em inglês) (1): 91–115.ISSN 0263-2764.doi:10.1177/0263276416688544. Consultado em 14 de outubro de 2023 
  20. Rodinson, Maxime (1967).«Israel, fait colonial?»(PDF). New York: Monad Press. Consultado em 14 de outubro de 2023 
  21. Veracini, Lorenzo (1 de janeiro de 2007).«Settler colonialism and decolonisation».Faculty of Law, Humanities and the Arts - Papers (Archive). Consultado em 14 de outubro de 2023 
  22. Massad, Joseph (2006).«The "post-colonial" colony: Time, space, and bodies in Palestine/Israel». Routledge.ISBN 978-0-203-96535-1.doi:10.4324/9780203965351-9/post-colonial-colony-time-space-bodies-palestine-israel-joseph-massad. Consultado em 14 de outubro de 2023 
  23. «The pre-occupation of postcolonial studies».catalog.library.vanderbilt.edu (em inglês). 2000. Consultado em 14 de outubro de 2023 
  24. «The Palestinian enclaves struggle: an interview with Ilan Pappé».www.kingsreview.co.uk. Consultado em 14 de outubro de 2023 
  25. «Yes, Benny Morris, Israel Did Perpetrate Ethnic Cleansing in 1948».Haaretz (em inglês). Consultado em 17 de outubro de 2023 
  26. «1948: N.Y. Times Publishes Letter by Einstein, Other Jews Accusing Menachem Begin of Fascism».Haaretz (em inglês). Consultado em 17 de outubro de 2023 
  27. Anti-Zionist, International Jewish (2008).«Judíos Contra El Colonialismo Sionista. Carta De La Red Judía Antisionista Internacional».Mientras Tanto (108/109): 157–163.ISSN 0210-8259. Consultado em 16 de outubro de 2023 
  28. «Israel/OPT: HRC52 oral statement: Time to recognize that Israel is committing apartheid».Amnesty International (em inglês). Consultado em 16 de outubro de 2023 
  29. «EU needs to acknowledge the reality of Israeli apartheid».Amnesty International (em inglês). 20 de março de 2023. Consultado em 16 de outubro de 2023 
  30. BENARI, Yehuda – “Zeev Jabotinsky – Um esboço biográfico” (Biblioteca Popular Judaica/FISESP –1977)
  31. Abu Kbash, Bilal, “Netanyahu aspires to win even in alliance with the Arabs”,https://24.ae, 9-1-2021

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