OsCerambicídeos (Cerambycidae), comumente denominados deserra-pau compreendem umafamília deinsetos pertencentes à ordemColeoptera. Esta é uma das maiores famílias de besouros, possuindo mais de 25.000 espécies descritas.[1] Apresentam muitíssimas e variadas formas, cores e tamanhos e existem em todos oscontinentes, exceto apenas naAntártida, predominando nas áreastropicais. Em sua maioria, vivem entre asplantas, sendo algumasespécies exclusivamentearborícolas. Dentre estas, algumas são consideradaspragas potenciais, causando danos aocultivo de diferentes tipos defrutas,grãos e até mesmo no cultivo damadeira (tais como o dePinus).
Estes besouros geralmente têm como característica notável as longasantenas articuladas que possuem, em muitos casos, tendo mais que o dobro do tamanho do própriocorpo do inseto. Apesar da grande maioria das espécies não serem muito vistosas, o formato intrigante somado às grandes dimensões que determinadas espécies atingem, chamam a atenção de colecionadores ligados à área daEntomologia ou mesmo de amadores em todo omundo. Graças a essa procura, algumas espécies exóticas têm sido vítimas dotráfico de animais silvestres - o que com o apoio dodesmatamento e da destruição de seushabitats naturais, têm colocado um grande número de espécies em risco considerável deextinção.
Os tamanhos e cores dos cerambicídeos variam muito de acordo com a espécie. Enquanto alguns exemplares são diminutos, outros figuram entre os maiores insetos do mundo, como é o caso doTitanus giganteus daFloresta Amazônica. Exemplares desta espécie alcançam quase 20centímetros de comprimento.[2]
Outras grandes espécies de cerambicídeos amazônicos são aMacrodontia cervicornis (que atinge 16 centímetros de comprimento)[2] e também oAcrocinus longimanus (que atinge 15 centímetros de comprimento),[3] sendo ambos igualmente muito conhecidos por sua beleza singular. Apenas os besouros do gêneroDynastes rivalizam em tamanho com tais cerambicídeos.
Estão presentes na maioria das espécies de cerambicídeosolhos compostos relativamente grandes (em especial, quando comparados com os de outrasfamílias de besouros. O par de antenas que possuem quase sempre é muito comprido, em muitos casos as antenas são tão longas quanto o própriocorpo do besouro, característica principalmente dos machos.[4]
O protórax dos cerambicídeos é geralmente mais estreito que o resto do corpo do inseto. É comum algumas espécies possuíremtubérculos ouespinhos nas laterais do protórax. Possuem três pares depernas ligadas ao tórax, sendo que em algumassubfamílias (tais comoPrioninae) apresentam uma série de espinhos distribuídos pelas pernas.[4]
Possuemélitros muito bem desenvolvidos, em alguns casos são espinhosos no ápice. Asasas são igualmente bem desenvolvidas, porém, existem gêneros com asas atrofiadas ou inexistentes. O abdome possui cinco divisões chamadas deesternitos, embora alguns machos de determinadas espécies possam apresentar até seis desses segmentos.[4]
Espécie de cerambicídeo que se alimenta dopólen das flores.
Os indivíduos adultos são fitófagos, vivendo em meio àsárvores ouplantas das quais se alimentam suas larvas. Algumas espécies permanecem sobre asflores, se alimentando depólen. Outras se alimentam defrutos maduros que se rompem ao cair no solo. Os indivíduos adultos não costumam ser nocivos aosvegetais, com exceção apenas daqueles conhecidos popularmente como "serradores" ou "serra-paus".[5] Contudo, só atacam árvores vivas que apresentem alterações nas suas condições fisiológicas.[6][7]
Estes besouros, apesar do tamanho que podem possuir,voam muito bem. Não raro são capturados àquilômetros de distância de sua mata de origem, em muitos casos, por serem atraídos por luzes fortes provenientes decasas,acampamentos ou decidades circunvizinhas. A grande maioria dos cerambicídeos, quando capturados, produzem umruído estridente bem característico resultante do esfregamento da superfície inferior do pronoto contra a face superior do mesonoto, partes essas transversais e finamente enrugadas.[5]
Câmaras abertas por larvas de cerambicídeos num tronco de árvore.
Os cerambicídeos depositam os seusovos nosgalhos outroncos deplantashospedeiras vivas, mortas ou já abatidas, dependendo da espécie. Desses ovos saem, algum tempo depois,larvas (ou brocas), cujo comportamento pode variar segundo o grupo a qual pertencem. Algumas vivem emtúneis ou galerias que elas próprias constroem na entrecasca (parte mais interna da casca de uma árvore), às vezes circundando-a; outras perfuram na madeira túneis mais ou menos alongados, longitudinais e de secção elíptica, todavia não tão achatada quanto as galerias dosBuprestideos.[5]