Irreligião (também referida comoincredulidade,ausência de religião ou pessoassem religião) é a ausência, indiferença ou não prática de umareligião.[1] Alguns segmentos podem posicionar-se contrários e, eventualmente, inclusive ser hostis às religiões, como pode ser o caso doanticlericalismo, doantiteísmo e daantirreligião. Quando caracterizada como indiferença à religião, inclui oapateísmo. A irreligião também consiste parcialmente na rejeição da crença religiosa, onde se insere oateísmo e ohumanismo secular. Quando caracterizada como a ausência de crença religiosa, pode incluir algumas pessoas que seriam incluídas noagnosticismo,ignosticismo,não-teísmo,deísmo,pandeísmo, ceticismo religioso,livre-pensamento e a não crença. A irreligião pode até incluir formas deteísmo dependendo do contexto religioso, como naEuropa doséculo XVIII, onde o epítome da irreligião foi o deísmo.[2]
Embora povos classificados como irreligiosos podem não seguir qualquer religião, nem todos necessariamente não acreditam nosobrenatural ou emdeidades; assim como uma pessoa pode ser um teísta sem uma religião ou ser um não praticante. Em particular, aqueles que associam religiões organizadas com qualidades negativas, mas ainda mantêm crenças espirituais, poderiam ser descritos como irreligiosos.
Atualmente, 16% da população mundial (1,1 bilhão de pessoas) são consideradas não religiosas.[3] Algumas evidências sugerem que ostatus religioso que mais cresce nosEstados Unidos é o status denominado "sem religião".[4]
No geral, o número de pessoas sem religião no mundo cresceu exponencialmente noséculo XXI.[5] A medição de irreligiosidade dentro de uma população requer grande sensibilidade cultural, especialmente fora do Ocidente, onde os conceitos de "religião" ou "secularidade" nem sempre estão enraizados na cultura local.[6]
O termo "sem religião" não é do agrado de todos os integrantes deste segmento. Há aqueles que preferem o termo "não religioso" (considerado menos ofensivo), e há aqueles que preferem especificar a sua postura filosófica, identificando-se, explicitamente, como ateus, agnósticos ou deístas. O termo também pode se referir a qualquer pessoa que não se considera adepta de alguma religião formal. Não exclui a possibilidade de uma pessoa sem religião possuir uma cosmovisão religiosa. Um exemplo disso é a autoraKaren Armstrong que se define como "monoteístafreelance"[7].
Contudo, há diferenças filosóficas entre os principais grupos de não religiosos.
Osagnósticos entendem que as questões metafísicas (ou transcendentais) ou religiosas não são possíveis de análise pela razão humana. O agnóstico não tem uma crença certa nem uma descrença certa em uma divindade, mantendo que não é possível resolver o problema (incognoscibilidade).[8]
Osateus não creem na existência de qualquer deus. Ateus podem ser materialistas, isto é, não acreditam na existência de deus algum, nem da alma humana, nem qualquer outro tipo de coisa que não seja material, ou podem não acreditar na existência de deus(es) podendo eventualmente aceitar certas ideias imateriais como a alma humana. Ateísmo não é religião, mas algumas religiões como ojainismo e obudismo também não acreditam na existência de deus(es).
Osdeístas acreditam na existência de um ser superior (ou deus), e defendem que a existência de deus pode ser compreendida por intermédio da razão. Contudo, os deístas não seguem qualquer religião denominacional. Para o deísta, as pessoas devem assumir a responsabilidade pelos seus atos, e procurarem a felicidade nesta vida terrena, ao invés de aceitarem os tormentos das injustiças sociais em procura de uma vida eterna de caráter duvidoso. Os conceitos de "inspiração" e "revelação divina" não são negados, mas o deísta duvida se realmente a pessoa as recebeu.
O Instituto Gallup tem a mais ampla definição de irreligião: a pergunta solicitada foi "Religião é importante?", os que responderam "não" para essa pergunta estão representados abaixo. O Instituto de Comunicação Dentsu mostra a porcentagem de pessoas que se afirmaram como "sem religião". E Zuckerman dá a definição mais estrita, citando o número de "ateus eagnósticos" na população.
De acordo com o último Censo doIBGE, oBrasil tem cerca de 16,4 milhões de pessoas sem filiação religiosa (9,3% dapopulação).[9]
NoBrasil, nos últimos anos, houve uma sensível diminuição dos católicos nominais, um aumento percentual das outras religiões, especialmente asreligiões pentecostais, e a ampliação, e consolidação, de valores seculares laicos que se opõem frontalmente a um estilo de vida religioso.[10]
De fato, isso tem causado mudanças na sociedade brasileira, até então adaptada a uma hegemonia quase incontestável daIgreja Católica Romana. Era o catolicismo romano, outrora, a principal formuladora da ética e da moral social. Contudo, atualmente, ela vem sendo cada vez mais questionada no tocante a sua ideologia religiosa. Dentro desta perspectiva, surgem novas formas de codificar a moral, a ética, e de experimentar o "mundo transcendental".[11]
No Brasil, ainda há certo constrangimento das pessoas (em especial, nas classes menos abastadas) de se afirmarem, socialmente, como sem religião ou não religiosos.[carece de fontes?] Embora a maior parte da população seja nominalmente católica, muitos declaram-se católicos mas raramente participam dos serviços religiosos.[carece de fontes?]
Na verdade, apenas 73% dos ateus e agnósticos brasileiros disseram não se considerar de nenhuma religião. Ao responderem à pergunta "Você se considera pertencente a alguma religião em particular? Se sim, qual?" 18% afirmaram ser cristãos, 1% budistas e 1% não souberam responder[12]
IV- é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
VIII- ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.
Artigo 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I- estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público.
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AConstituição brasileira de 1988 instituiu uma total divisão entre a religião (seja ela qual for) e o Estado, consolidando o conceito deEstado Laico. O governo instituído, democraticamente, não pode favorecer, nem interditar, as atividades de qualquer religião alguma ou qualquer deus ou deuses. Além disso, não pode impor uma religião específica aos seus cidadãos, nem discriminá-los em razão de não seguirem a ideologia religiosa majoritária ou mesmo de não seguir nenhuma religião. Tal princípio constitucional, o conceito de Estado Laico, já é antigo no Brasil, aConstituição de 1891 já o havia instituído:
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Artigo 72 (Caput)
§7°- Nenhum culto ou igreja gozará de subvenção oficial, nem terá relações de dependência ou aliança com o Governo da União ou dos Estados.
Nos países lusófonos da África, o catolicismo é predominante, mas divide espaço com as religiões pentecostais, e as crenças nativas, emAngola,Cabo Verde,Moçambique, eSão Tomé e Príncipe, havendo algum sincretismo religioso. EmGuiné-Bissau, o catolicismo é bem minoritário, e as crenças nativas e o islamismo predominam. A liberdade religiosa é garantida pela Constituição destes países, bem como o conceito de Estado laico. A posição religiosa dos políticos costuma ser pouco importante para os eleitores, e cresce a secularização dos costumes socioculturais.
EmMacau, na China, predomina obudismo, com a presença de minorias católicas e protestantes. No estado indiano deGoa, o catolicismo é minoritário. Contudo, há um conjunto arquitetônico deIgrejas e Conventos de Goa, que são consideradas pelaUnesco como de relevância histórica. Também há liberdade religiosa, que é garantida por lei, sendo o papel da religião secundário. Em Macau, há um sincretismo entre o budismo e crenças populares chinesas, e nenhuma interferência religiosa nos assuntos típicos do Estado (como preconiza oPartido Comunista Chinês).
Na atualidade, encontramos em diversos segmentos sociais pessoas que assumem uma postura não religiosa. Isto não necessariamente significa a promoção de preconceitos àqueles que estão filiados às religiões convencionais; porém, é um indicativo que a desfiliação religiosa é um processo crescente e cada vez mais perceptível. Os motivos da desfiliação podem ser os mais variados.[15]
↑Zuckerman, Phil; Galen, Luke W.; Pasquale, Frank L. (2016). "Secularity Around the World". In:The Nonreligious: Understanding Secular People and Societies. New York: Oxford University Press. pp. 6–8, 13–15, 32–34.