Salamis | |
|---|---|
Ilustração doSalamis caso ele tivesse sido tomado e completado para uso da Marinha Imperial Alemã | |
| Operador | Marinha Real Helênica |
| Fabricante | AG Vulcan |
| Homônimo | Batalha de Salamina |
| Batimento de quilha | 23 de julho de 1913 |
| Lançamento | 11 de novembro de 1914 |
| Destino | Desmontado |
| Características gerais (como projetado) | |
| Tipo de navio | Couraçado |
| Deslocamento | 19 800 t |
| Maquinário | 3turbinas a vapor 18caldeiras |
| Comprimento | 173,71 m |
| Boca | 25 m |
| Calado | 7,6 m |
| Propulsão | 3 hélices |
| - | 40 800 cv (30 000 kW) |
| Velocidade | 23 nós (43 km/h) |
| Armamento | 8 canhões de 356 mm 12 canhões de 140 ou 152 mm 12 canhões de 75 mm 5tubos de torpedo de 500 mm |
| Blindagem | Cinturão: 98 a 250 mm Convés: 73 mm Torres de artilharia: 250 mm Barbetas: 250 mm |
OSalamis (Σαλαμίς) foi umcouraçado encomendado pelaMarinha Real Helênica. Sua construção começou em julho de 1913 nos estaleiros daAG Vulcan emHamburgo e foilançado ao mar em novembro do ano seguinte, porém nunca foi finalizado. De acordo com seu projeto, seria armado com uma bateria principal composta por oito canhões de 356 milímetros, teria umdeslocamento de mais de dezenove mil toneladas e conseguiria alcançar uma velocidade máxima de 23nós. O navio tinha a intenção de modernizar a frota grega e também responder à uma expansão naval daMarinha Otomana, que tinha antes encomendado a construção deum couraçado moderno de um estaleiro britânico.
O projeto doSalamis começou a ser elaborado em meados de 1911 e foi revisado várias vezes durante seu processo de desenvolvimento, com diferentes estaleiros de vários países apresentando propostas. O início daPrimeira Guerra Mundial em 1914 paralisou as obras e o casco incompleto do navio foi usado como alojamento flutuante pelos alemães. Seus canhões tinham originalmente sido encomendados daBethlehem Steel nosEstados Unidos e foram vendidos para aMarinha Real Britânica, que os usou para armar uma novaclasse demonitores. O casco sobreviveu intacto à guerra e foi sujeito a uma longa disputa judicial que por fim deu ganho de causa à AG Vulcan, que o desmontou em 1932.
AGuerra Greco-Turca de 1897 mostrou que aMarinha Otomana era incapaz de desafiar o poderio daMarinha Real Helênica pelo controle doMar Egeu. Consequentemente, oImpério Otomano começou um programa de expansão naval que inicialmente reconstruiu vários de seus antigosironclads em navios mais modernos.[1] Em resposta, o governo daGrécia decidiu em 1905 reconstruir sua frota, que na época era centrada nos três ironclads da ClasseHydra, construídos na década de 1880. A Marinha Real procurou propostas de estaleiros estrangeiros a partir de 1908. Licitações vindas daVickers doReino Unido para um pequeno couraçado de 8,1 mil toneladas foram rejeitadas.[2]
Uma mudança constitucional em 1911 permitiu que o governo grego contratasse especialistas estrangeiros, o que levou ao convite para uma missão naval britânica a fim de aconselhar o programa de rearmamento. Foram recomendados dois couraçados de doze mil toneladas e umcruzador blindado grande. A Vickers eArmstrong Whitworth enviaram propostas para os couraçados. O projeto da Vickers era menor e armado com dez canhões de 254 milímetros, enquanto a Armstrong Whitworth propôs uma embarcação maior com armas de 356 milímetros. O governo não levou essas propostas adiante. A Vickers no mesmo ano apresentou pprojetos para navios menores, semelhantes aos de 1908.[3]

O primeiro passo do programa armamentista grego foi finalizado em outubro de 1909 com a compra do cruzador blindadoGeorgios Averof, originalmente de construção italiana.[4] Os otomanos por sua vez compraram os antigos couraçadospré-dreadnought alemãesSMS Kurfürst Friedrich Wilhelm eSMS Weissenburg,[nota 1] ampliando a corrida armamentista entre os dois países.[6] A Marinha Real tentou comprar dois antigos couraçado franceses, porém a compra fracassou e não foi adiante, assim como uma tentativa para adquirir dois couraçados britânicos. Os gregos então tentaram comprar navios nosEstados Unidos, porém os estadunidenses negaram pelos temores de que o negócio fosse alienar os otomanos, com quem o país tinha um significativo interesse industrial e comercial.[7] O Império Otomano encomendou o dreadnoughtReşadiye em agosto de 1911 de um estaleiro britânico, ameaçando o controle grego do Egeu. A Grécia enfrentou a escolha de conceder a corrida armamentista ou encomendar navios capitais próprios.[8]
Ocontra-almirante Lionel Grant Tufnell, o chefe da missão naval britânica na Grécia, defendeu a compra de outro cruzador blindado como oGeorgios Averof, junto com outras embarcações menores, além da alocação de fundos para a modernização da base naval emSalamina. Esta proposta tinha o apoio doprimeiro-ministroElefthérios Venizélos, que queria controlar os gastos navais no orçamento de 1912. O plano deu em nada, pois o governo ficou esperando pela chegada de conselheiros britânicos para o projeto de Salamina.[9] A Marinha Real reuniu um comitê no início de 1912 encarregado de adquirir um navio capital para fazer frente aoReşadiye, inicialmente foi concebido como umcruzador de batalha. O novo navio teria umdeslocamento limitado a treze mil toneladas, pois era o máximo que a doca flutuante dePireu poderia acomodar. O programa foi finalizado em março e os gregos também abriram licitações paracontratorpedeiros,barcos torpedeiros,submarinos e um navio depósito para apoiar o cruzador de batalha.[10]
Dez estaleiros britânicos, quatro franceses, três alemães, três estadunidenses, dois italianos e um austro-húngaro apresentaram propostas para esses contratos,[10] com a Vickers e a Armstrong Whitworth enviando os mesmos projetos de 1911.[11] Tufnell fazia parte do comitê supervisionando o processo, mas descobriu que os gregos tinham uma grande oposição sobre os projetos britânicos. A Vickers deixou competição, enquanto o custo da proposta da Armstrong Whitworth era muito mais elevado do que dos outros. Os britânicos ainda assim tinham esperanças de conseguir os contratos pela relação entre as marinhas dos dois países, algo refletido pelo número de oficiais britânicos que tinham sido contratados pela Marinha Real Helênica naqueles últimos anos. Por outro lado, os estaleiros franceses reclamaram que os britânicos estavam se beneficiando injustamente da presença de sua missão naval.[12] A Marinha Real decidiu que o projeto de casco da Vickers era o melhor, porém as armas, munição e blindagem estadunidenses eram superiores.[13] Nenhum dos países conseguiu os contratos, pois negociações entre Venizélos e o embaixador alemão garantiram os contratos para aAlemanha.[14][nota 2]
A Marinha Real selecionou em junho de 1912 propostas da alemãAG Vulcan para dois contratorpedeiros e seis barcos torpedeiros que seriam finalizados em apenas três a quatro meses. Este prazo excecionalmente curto foi alcançado com a ajuda daMarinha Imperial Alemã, que permitiu que os gregos adquirissem navios alemães em construção. O preço do contrato era evidentemente baixo, pois um estaleiro britânico chegou a afirmar que não conseguiam entender como a AG Vulcan seria capaz de ter lucro. Um mês depois a Grécia selecionou a AG Vulcan novamente para a construção de seu cruzador de batalha, mas sua blindagem e armamentos viriam daBethlehem Steel nos Estados Unidos. Estaleiros britânicos ficaram novamente furiosos, mais uma vez alegando que seria impossível para a AG Vulcan conseguir lucro com o contrato, concluindo que o governo alemão estava subsidiando a compra para conseguir se estabelecer no mercado da construção naval. Os gregos, por sua vez, alegaram que os fabricantes britânicos estavam conspirando para manter altos os preços das placas de blindagem e que foram capazes de abaixar os preços encomendando a blindagem nos Estados Unidos.[15]
O projeto inicial doSalamis tinha 140metros decomprimento de fora a fora,boca de 22 metros,calado de 7,3 metros e um deslocamento de 13,7 miltoneladas. O navio foi projetado com duasturbinas a vapor de 26 milcavalos-vapor (19,1 milquilowatts) de potência e velocidade máxima de 21nós (39 quilômetros por hora). O armamento seria de seis canhões de 356 milímetros em trêstorres de artilharia duplas na linha central, uma na proa, uma na popa e uma à meia-nau, com seis canhões de 152 milímetros, oito de 76 milímetros, quatro de 47 milímetros e doistubos de torpedo de 450 milímetros.[16]
Houve várias revisões no projeto. A Marinha Real começou esforços sérios para se fortalecer em meados de 1912, enquanto cresciam as tensões que levariam àPrimeira Guerra Balcânica. Ela queria apenas pequenas alterações no projeto em agosto, porém as primeiras operações na guerra convenceram o comando naval sobre as vantagens advindas de um navio maior.[17] Tufnell sugeriu um motivo diferente para as alterações, acusando os alemães de terem oferecido um projeto barato e inseguro para o mar, conseguido o contrato e então pressionado os gregos por um projeto mais caro e prático.[18]
Existia também a possibilidade de que couraçados dacorrida armamentista naval da América do Sul fossem colocados a venda, uma perspectiva que interessava gregos e otomanos.Dois couraçados já tinham sido completados para oBrasil, com um terceiro em construção no Reino Unido. Outros dois estavam em construção para aArgentina nos Estados Unidos. Segundo o historiador Paul G. Halpern, "a repentina aquisição por uma única potência de todos ou mesmo alguns desses navios poderia ter sido o suficiente para desequilibrar uma delicada balança de poder tal qual aquela que prevalecia no Mediterrâneo". Os dois países tinham interesse nos navios argentinos,[19] com Venizélos tendo tentado comprar um dos couraçados daClasseRivadavia enquanto ainda estava em construção como uma alternativa para um reprojeto doSalamis, algo que acabou adiando sua finalização.[20]
O governo argentino se recusou a vender o navio e assim Venizélos concordou em modificar o projeto doSalamis, com um comitê especial sendo criado para essa revisão e que incluía oficiais navais gregos e britânicos. O comitê era a favor de um projeto com deslocamento de 16,8 mil toneladas, porém Hubert Searle Cardale, o único membro da missão naval que estava na lista ativa daMarinha Real Britânica, propôs um aumento para 19,8 mil toneladas, argumentando que este aumento permitiria uma embarcação muito mais poderosa.[17] Venizélos aprovou o aumento para 16,8 mil toneladas, mas foi contra quaisquer outros aumentos. Lambrós Koromilas, o Ministro das Relações Exteriores, eNikólaos Strátos, o Presidente do Parlamento, conspiraram para que a proposta de 19,8 mil toneladas fosse adotada enquanto Venizélos estava comparecendo à conferência doTratado de Londres. Koromilas e Strátos enganaram o resto do gabinete sobre a real opinião do primeiro-ministro e conseguiram sua aprovação para o contrato.[20]
A proposta de 19,8 mil toneladas defendida por Koromilas e Strátos foi oficialmente adotada em 23 de dezembro de 1912. As mudanças mais significativas foram um aumento de cinquenta por cento no deslocamento, a adição de uma quarta torre de artilharia dupla e o arranjo da bateria em duas torres nà vante e duas torres à ré, em ambos os casos com uma sobreposta a outra. O navio seria entregue para a Marinha Real em março de 1915 ao custo de 1,693 milhões delibras esterlinas.[16] M. K. Barnett, escrevendo contemporaneamente para a revistaScientific American, comentou que a embarcação "não estabelece qualquer avanço em particular no projeto de navios de guerra, sendo, em vez disso, um esforço para combinar as maiores qualidades defensivas e ofensivas ao menor custo".[21] Por outro lado, oJournal of the American Society of Naval Engineers acreditou que oSalamis tinha sido projetado para velocidade e poder de fogo em detrimento de blindagem.[22] Venizélos tentou cancelar o novo contrato assim que retornou para a Grécia, porém a AG Vulcan negou, comentando que "Primeiros-ministros sobem e caem do poder e a influência de Venizélos não será duradoura".[20] A encomenda doSalamis, que era chamado tanto de couraçado quanto de cruzador de batalha, fez da Grécia o décimo quarto e último país a encomendar um navio no estilo dreadnought.[17][23]
As modificações do projeto ocorreram sobre as objeções dos britânicos, incluindo do contra-almirante Mark Kerr e do príncipeLuís de Battenberg, o novo chefe da missão naval britânica na Grécia. Luís escreveu que compra de navios capitais modernos pelos gregos seria "indesejável de todos os pontos de vista", pois as finanças do país não conseguiriam mantê-los e o poder cada vez maior de torpedos estava fazendo embarcações menores mais perigosas. Kerr, de forma semelhante, sugeriu a Venizélos que uma frota construída ao redor de navios menores seria mais adequada para o apertado Mar Egeu. Opondo-se fortemente a essas opiniões estavam a Marinha Real e o reiConstantino I, ambos os quais desejavam uma frota de batalha regular, pois acreditavam que era o único modo de garantir a superioridade naval da Grécia sobre o Império Otomano.[24]
OSalamis teria 173,71 metros decomprimento da linha de flutuação com um convés principal único indo desde a proa até a popa,boca de 25 metros ecalado de 7,6 metros. O navio foi projetado para ter um deslocamento de 19,8 mil toneladas e teria sido equipado com dois mastros de tripé. Seu sistema de propulsão seria de trêsturbinas a vaporAEG, cada uma girando uma hélice, com o vapor necessário sendo proporcionado por dezoitocaldeiras Yarrow a carvão. As caldeiras teriam sido conectadas a duas chaminés bem espaçadas. Esse maquinário proporcionaria aoSalamis 40,8 mil cavalos-vapor (trinta mil quilowatts) de potência e uma velocidade máxima de 23 nós (43 quilômetros por hora).[16] Essa velocidade seria significativamente mais elevada que a maioria dos couraçados contemporâneos, que alcançavam 21 nós (39 quilômetros por hora),[25] o que contribuiu para sua classificação como cruzador de batalha. Um grande guindaste seria instalado entre as chaminés para lidar com os botes.[16]

O armamento principal do couraçado seria de oito canhões calibre 45 de 356 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas, todas as quais foram construídas pela Bethlehem Steel. Duas torres ficariam instaladas à vante dasuperestrutura com uma sobreposta a outra, enquanto as outras duas ficariam à ré das chaminés no mesmo arranjo.[16] Essas armas poderiam disparar projéteis perfurantes ou altamente explosivos de 640 quilogramas. Os projéteis teriam umavelocidade de saída de 780 metros por segundo. Essas armas mostraram-se bem resistentes ao desgaste depois que entraram no serviço britânico, porém sofriam de um decaimento significativo após aproximadamente 250 disparos, o que contribuía para uma precisão ruim depois de longo uso. As torres que acomodariam os canhões poderiam abaixá-los até cinco graus negativos e elevar até quinze graus, sendo operadas eletricamente.[26]
Há discordâncias sobre como seria a composição da bateria secundária. Segundo o historiador Andrzej V. Mach, a bateria seria formada por doze canhões calibre 50 de 152 milímetros, também fabricados pela Bethlehem Steel, montados emcasamatas à meia-nau, seis de cada lado.[16] Essas armas disparariam projéteis de 48 quilogramas a uma velocidade de saída 853 metros por segundo.[27] Segundo o historiador Norman Friedman, seis desses canhões foram vendidos para o Reino Unido depois do início daPrimeira Guerra Mundial, sendo usados para fortalecerScapa Flow, a principal base daGrande Frota.[28] Entretanto, segundo o historiador Anthony Preston, oSalamis teria sido armado com doze canhões de 140 milímetros encomendados na britânica Coventry Ordnance Works.[29] O armamento secundário seria complementado com doze canhões de disparo rápido de 75 milímetros também em casamatas, além de cincotubos de torpedo submersos de 500 milímetros.[16]
OSalamis teria um cinturão blindado de 250 milímetros de espessura na parte central do navio, onde protegeria as áreas mais críticas, como depósitos de munição e salas de máquinas. O cinturão diminuiria de espessura nas extremidades além das torres de artilharia principais, ficando com 98 milímetros; a altura do cinturão também diminuiria nessas áreas. O convés blindado principal teria 73 milímetros de espessura na parte central da embarcação, assim como o cinturão principal, enquanto sobre áreas menos importantes sua espessura diminuiria para 38 milímetros. As torres de artilharia principais seriam protegidas por placas de 250 milímetros na frente e nas laterais, enquanto suas respectivasbarbetas teriam sido protegidas pela mesma espessura. A torre de comando teria uma blindagem mais fina, com uma proteção de apenas 32 milímetros.[16]
Obatimento de quilha doSalamis ocorreu em 23 de julho de 1913 no estaleiro da AG Vulcan emHamburgo.[16] Entretanto, o equilíbrio de poder naval no Egeu mudou rapidamente. AMarinha do Brasil colocou oRio de Janeiro, seu terceiro dreadnought, à venda em outubro de 1913. Vários países se interessaram na aquisição desse navio, incluindoRússia,Itália, Grécia e Império Otomano. Britânicos e franceses também estavam muito envolvidos, dado seus interesses no Mediterrâneo. Os franceses concordaram em novembro em apoiar os gregos com um grande empréstimo como modo de impedir que os italianos adquirissem o couraçado. Além disso, o cônsul geral grego no Reino Unido afirmou que oBanco da Inglaterra estava preparado para adiantar todo o dinheiro necessário para a compra assim que o empréstimo francês estivesse garantido. Esses arranjos demoraram muito tempo e os otomanos acabaram conseguindo comprar oRio de Janeiro no final de dezembro por meio de um empréstimo particular de um banco francês.[30][31]
A compra causou pânico na Grécia e o governo pressionou a AG Vulcan para finalizar oSalamis o mais rápido possível, porém ele não poderia ser completado até meados de 1915, época em que o novo couraçado otomano já teria sido entregue. A Grécia então decidiu encomendar um novo dreadnought de um estaleiro francês, que seria construído como uma versão ligeiramente modificada daClasseBretagne;[32] o batimento doVasilefs Konstantinos ocorreu em 12 de junho de 1914.[16] Em seguida, os gregos, como uma medida tapa-buraco, compraram os dois pré-dreadnoughts USSMississippi e USSIdaho dos Estados Unidos, que foram renomeados paraKilkis eLemnos.[33] Kerr criticou essa compra afirmando que esses navios eram "completamente inúteis para guerra", vindos com um preço que poderia ter sido pago por um dreadnought novo.[34]

O início da Primeira Guerra Mundial em julho de 1914 alterou drasticamente a situação, pois o governo britânico declarou um bloqueio naval da Alemanha. Isto impedia que as armas do navio fossem entregues, porém o casco mesmo assim foilançado ao mar em 11 de novembro de 1914. As obras foram paralisadas em 31 de dezembro já que não havia possibilidade de armar a embarcação.[16][35] Além disso, escassez de trabalhadores e o redirecionamento da produção de aço para as necessidades doExército Imperial Alemão significaram que projetos menos críticos não poderiam ser finalizados, especialmente já que outros navios de guerra estavam mais próximos de serem completados e poderiam ser colocados em serviço mais rapidamente.[36] Nesse momento a Grécia tinha pagado apenas 450 mil libras esterlinas para a AG Vulcan. A Bethlehem se recusou a entregar as armas aos gregos e assim os canhões de 356 milímetros foram vendidos para os britânicos, que os usaram para armar osmonitores da ClasseAbercrombie.[16][35]
Não se sabe ao certo o que ocorreu com o casco durante a guerra. Um relatório pós-guerra da revistaProceedings of the United States Naval Institute afirmou que ele foi rebocado paraKiel, onde foi usado como alojamento flutuante.[37] O historiador René Greger, por outro lado, afirmou que oSalamis nunca deixou Hamburgo.[38] Alguns observadores contemporâneos acreditavam que o couraçado tinha sido finalizado para uso da Marinha Imperial Alemã, com o almirante britânicosir John Jellicoe, o comandante da Grande Frota, tendo recebido relatórios de inteligência dizendo que a embarcação talvez estivesse em serviço em 1916.[39] Outros observadores, como Barnett, salientaram a dificuldade que a Marinha Imperial Alemã teria para rearmar oSalamis com armas alemãs, dado ao fato que a Alemanha não tinha nenhum projeto para canhões ou torres de 356 milímetros. Ele considerou essa suposição de que o navio tinha sido colocado em serviço como "duvidosa".[40] Sua avaliação provou-se correta, já que seria necessário uma reconstrução substancial das estruturas das barbetas para que acomodassem armas alemãs. Como canhões navais não eram facilmente acessíveis devido às necessidades do Exército Imperial Alemão, trabalhos foram direcionados para navios ainda em construção, como o cruzador de batalhaSMS Hindenburg.[41] Os britânicos perceberam que esses rumores eram falsos quando o couraçado não apareceu naBatalha da Jutlândia em maio–junho de 1916.[39]
Independentemente do que ocorreu com o navio da guerra, aProceedings comentou em 1920 que era "improvável" que a construção doSalamis fosse retomada.[37] A Marinha Real Helênica se recusou a aceitar um casco incompleto e consequentemente a AG Vulcan processou o governo grego em 1923. Uma longaarbitração se seguiu.[16] A Marinha Real argumentou que o navio, que tinha sido projetado em 1912, era agora obsoleto e que sob os termos doTratado de Versalhes ele de qualquer forma não poderia ser armado por um estaleiro alemão. Os gregos pediam que a AG Vulcan devolvesse os pagamentos adiantados feitos antes da paralisação das obras. A disputa foi parar diante do Tribunal Arbitral Misto Greco-Alemão, estabelecido sob o Artigo 304 do Tratado de Versalhes, com o processo se arrastando pelo decorrer da década de 1920. Um almirante holandês foi nomeado pelo tribunal em 1924 para avaliar as reclamações gregas e ele acabou ficando do lado da AG Vulcan, possivelmente em parte pelas inquisições gregas ao estaleiro mais cedo naquele mesmo ano sobre a possibilidade de modernizar o projeto. A resposta do estaleiro não satisfez os gregos e essa proposta foi abandonada.[42]
O iminente recomissionamento em 1928 do cruzador de batalha turcoYavuz Sultan Selim fez a Grécia reconsiderar uma oferta da AG Vulcan a fim de chegarem a um acordo, com uma das opções sendo completar e modernizar oSalamis. O custo seria absorvido pelas reparações de guerra que a Alemanha devia à Grécia nos anos de 1928 até 1930 e parte de 1931. O almirante grego Periklis Argiropoulos, o Ministro da Marinha, queria aceitar a oferta, destacando um relatório feito pelo Estado-Maior Geral que demonstrava que umSalamis modernizado seria capaz de derrotar oYavuz Sultan Selim, pois o navio grego possuiria uma blindagem mais espessa e um armamento mais poderoso que a embarcação turca. O arquiteto naval britânico Eustace Tennyson d'Eyncourt emitiu um estudo apoiando Argiropoulos, destacando que oSalamis seria provavelmente mais rápido e teria uma bateria antiaérea mais robusta. O comandante Andreas Kolialexis era contra a ideia, escrevendo um memorando em meados de 1929 a Venizélos, que era novamente o primeiro-ministro, argumentando que finalizar oSalamis demoraria muito tempo e que uma frota armada com torpedos, incluindo submarinos, seria preferível.[43]
Venizélos determinou que o custo de finalizar oSalamis seria muito alto, pois também seria necessário a aquisição de contratorpedeiros e uma poderosaaviação naval. Em vez disso, oKilkis eLemnos seriam mantidos para servirem de defesa litorânea contra oYavuz Sultan Selim. Esta decisão foi reforçada pelo início daGrande Depressão no mesmo ano, o que enfraqueceu a já combalida economia grega.[44] A arbitração determinou em 23 de abril de 1932 que o governo grego devia trinta mil libras para a AG Vulcan e que o estaleiro ficaria com o casco. O navio foi desmontado emBremen no mesmo ano.[16] OVasilefs Konstantinos, o outro dreadnought grego, teve um destino semelhante. Suas obras também tinham sido paralisadas em decorrência do início da guerra em 1914 e depois disso o governo grego também se recusou a pagar pelo navio inacabado.[23]