Esta páginacita fontes, mas quenão cobrem todo o conteúdo. Ajude ainserir referências (Encontre fontes:Google (N • L • A • I • WP refs) • ABW • CAPES).(junho de 2019) |
| Outros nomes | Salamanca do Jarau |
| Origem | |
| Local de aparição | Quaraí, |
| Conhecida no mito por | Ter se relacionado com um sacristão de um povoado do lado direito do Uruguai. |
| Folclore | |
| É | Uma princesa moura amaldiçoada e transformada em salamandra. |
| Aparição na Cultura |
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A lenda da 'Teiniaguá', também conhecida comoSalamanca do Jarau é umalendagaúcha, que conta a história de umaprincesamoura que se transforma em umabruxa e que vem em uma urna deSalamanca, naEspanha para umacaverna noCerro do Jarau, emQuaraí, noRio Grande do Sul.
Um ícone da culturagaúcha, aTeiniaguá, é umaprincesa da regiãomoura, transformada emlagartixa pelo Diabo Vermelho dos índios,Anhangá-Pitã. Séculos atrás, quando caiu o último reduto árabe naEspanha, veio fugida e transfigurada em uma velha, para que não fosse reconhecida e aprisionada.
Corpo delagartixa (ousalamandra), encontra-se no lugar de sua cabeça uma pedra preciosa cintilante, cor derubi, que fascina os homens e os atrai, destinada a viver em uma lagoa noCerro do Jarau. O nome Salamanca, ao invés de "salamandra", é reconhecido também como referência à cidade espanhola de Salamanca, a qual foi ocupada pelos islâmicos do norte da África entre os séculos VIII e X, e que ficou por muito tempo na zona de combate entre os islâmicos do Sul e os cristãos do Norte. Esta é uma explicação que reitera a referência à princesa ou nobre moura.
Mas um dia osacristão daigreja daaldeia próxima, assolado pelocalor, foi até a lagoa refrescar-se. Ao se aproximar percebeu que a lagoa fervia e na sua frente Teiniaguá surgiu, rapidamente ele a agarrou, a aprisionou em uma guampa, e foi para seus aposentos atrás da igreja. Durante a noite, ao abrir a guampa, ocorre umamágica, ela volta a sermulher e lhe pedevinho. Sabendo que o único vinho que podia oferecer era o do padre, não hesitou em buscá-lo. Todas as noites o fato se repetia, e ospadres começaram a desconfiar; uma noite entraram no quarto do sacristão, a Teiniaguá, rapidamente se transformou em lagartixa e fugiu para as barrancas doUruguai,enquanto ele foipreso.
O sacristão foi condenado a morte, e no dia da aplicação da sentença, sua amada sentiu um mau pressentimento e voltou à aldeia para resgatá-lo. Utilizando magia, o encontrou e nesse momento houve um grande estrondo, que produziufogo e fumaça e tudo afundou.
Ficaram confinados após isso, em uma caverna profunda, chamada deSalamanca do Jarau. De onde só sairiam quando surgisse alguém capaz de cumprir as sete provas: as espadas ocultas na sombra,a arremetida de jaguares e pumas furiosos, a dança dos esqueletos, o jogo das línguas de fogo e das águas ferventes, a ameaça da boicininga amaldiçoada (única que não está presente na literatura épica, é um aproveitamento folclórico), o convite das donzelas cativas, o cerco dos anões.
Com os desafios superados, seria concedido ao valente vencedor um desejo, o qual, ele deveria depois renegar. Após duzentos anos, chega à furna umgaúcho chamado Blau, que conheceu a lenda através de sua avócharrua. Sem hesitar ele cumpriu as provas, porém, não desejou nada. A princesa ficou triste, pois assim não conseguiriam, ela e seu amado sacristão, libertarem-se do encanto. Quando o gaúcho montava em seu cavalo para ir embora, o sacristão lhe deu uma moeda de ouro, como lembrança de sua estada; sem poder recusar, colocou a moeda no bolso e foi embora.
Alguns dias depois ficou sabendo que um amigo seu desistira de ser criador de gado, lembrou da moeda e foi comprar umboi, mas ao retirá-la para pagar foram surgindo novas moedas e ele conseguiu comprar todos. Admirado com a riqueza de Blau, o amigo espalhou anotícia, e todos ficaram espantados com ela. Acreditando que ele havia feito um pacto com odemônio, ninguém mais quis lhe vender nem comprar nada. Sentindo saudade da vida de antes, voltou à gruta para devolver a moeda mágica. Chegando lá, contou a história ao sacristão e lhe devolveu a moeda. Ao colocá-la em sua mão, o feitiço foi quebrado com uma grande explosão.
Da furna saíram os dois condenados, transformados em um belo casal de jovens. Casaram-se e trouxeram a descendênciaindígena-ibérica aos povoados doRio Grande do Sul.
Esta lenda, registrada porJoão Simões Lopes Neto e publicada pela primeira vez no ano de 1913 emLendas do Sul, inspirouÉrico Veríssimo a escreverA Teiniaguá, parte de seuromance famoso "O Tempo e o Vento". Duasquadrinizações foram feitas, a primeiraSalamanca do Jarau: Blau Nunes e As sete provas da Teiniaguá,roteirizada por Renato Motta com desenho de Saulo Morales publicada em 2007 pela WS Editor[1] e a segundaA Salamanca do Jarau, com roteiro e desenhos deHenrique Kipper, publicada em 2015 através doPrograma de Ação Cultural doEstado de São Paulo.[2][3] A lenda também inspirou odesenho animado brasileiro Jarau.[4]