Até10 de outubro de2010 São Martinho era parte dasAntilhas Neerlandesas (ou Antilhas Holandesas), coletividade que foi extinta por decisão das populações residentes de suas partes constituintes.
Em 1493, durante asegunda viagem deCristóvão Colombo àsÍndias Ocidentais, primeiramente ao avistar a ilha, ele chamou-a deIsla de San Martín, em homenagem aSão Martinho de Tours, porque era 11 de novembro, dia do referido santo. No entanto, embora tenha reivindicado o território comoespanhol, Colombo nunca desembarcou na ilha, e a Espanha não fez do povoamento da ilha uma prioridade.
Osfranceses eneerlandeses, por outro lado, cobiçavam a ilha. Enquanto os franceses queriam colonizar as ilhas entreTrindade e asBermudas, os neerlandeses acharam São Martinho um intermédio conveniente entre suas colônias emNova Amsterdã (Nova Amesterdão, emportuguês europeu; atualNova Iorque) e oBrasil (Nova Holanda). Com poucas pessoas habitando a ilha, os neerlandeses fundaram facilmente um povoado naquele local em 1631, erguendo o Forte de Amsterdam como uma proteção contra invasores. Jan Claeszen Van Campen tornou-se seu primeirogovernador, e logo depois aCompanhia Neerlandesa das Índias Orientais começou suas operações de mineração de sal. Colôniasbritânicas e francesas também se estabeleceram na ilha. Observando essas colônias prósperas e pretendendo manter o controle do comércio de sal, os espanhóis acharam São Martinho muito mais atraente. AGuerra dos Oitenta Anos que se disputava entre a Espanha e os Países Baixos também incentivou os ataques.
O exército espanholtomou São Martinho aos neerlandeses em 1633, assumindo o controle e expulsando todos ou quase todos os colonos da ilha. Em Point Blanche, eles construíram o que é hoje o Antigo Forte espanhol para assegurar o território. Mesmo que os neerlandeses tenham retaliado emvárias tentativas de ganhar de volta São Martinho, eles falharam. Quinze anos após a Espanha conquistar a ilha, a guerra dos oitenta anos terminou. Desde que eles não precisavam mais da base no Caribe e São Martinho quase não dava lucro, a Espanha perdeu o interesse de o continuar defendendo. Em 1648, eles desertaram a ilha.
Com São Martinho novamente livre, tanto os neerlandeses como os franceses aproveitaram a chance para restabelecer as suas colônias. Os colonos neerlandeses vieram deSanto Eustáquio, enquanto os franceses vieram deSão Cristóvão. Depois de alguns conflitos iniciais, ambos os lados perceberam que não cederiam facilmente. Preferindo evitar uma guerra total, foi assinado oTratado de Concórdia em 1648, que dividiu a ilha em duas. Durante a negociação do tratado, os franceses tinham uma frota de navios fora da costa, que usaram como uma ameaça para negociar mais terra para si. Apesar do tratado, as relações entre os dois lados nem sempre foram cordiais. Entre 1648 e 1816, os conflitos mudaram as fronteiras dezesseis vezes. No final, os franceses saíram à frente com 54 km², contra 41 km² do lado neerlandês.
Embora os espanhóis tivessem sido os primeiros a importar escravos para a ilha, seus números foram poucos. Mas com os novos cultivos dealgodão,tabaco eaçúcar, números maciços de escravos foram importados para trabalhar nasplantações. A população escrava rapidamente se tornou maior do que a dos proprietários de terras. Submetidos a tratamento cruel, os escravos faziam rebeliões, e seus números avassaladores eram impossíveis de ignorar. Em 12 de julho de 1848, os franceses aboliram a escravidão (escravatura, em português europeu) desse lado de São Martinho. Quinze anos mais tarde os neerlandeses os seguiram.
Após a abolição da escravatura, a cultura de plantação diminuiu e houve uma queda na economia da ilha. Em 1939, São Martinho recebeu um grande impulso quando foi declaradoporto livre de impostos. O lado neerlandês começou com foco noturismo, na década de 1950, enquanto o lado francês seguiu o exemplo duas décadas depois. Por ser dividida em uma parte neerlandesa e uma francesa, oboom turístico era mais pesado em São Martinho do que nas ilhas circundantes. OAeroporto Internacional Princesa Juliana tornou-se um dos mais movimentados no Caribe Oriental. Durante boa parte deste período, São Martinho foi governado pelo magnataClaude Wathey doPartido Democrata.[7]
A demografia da ilha mudou drasticamente durante este período também. A população da ilha passou de apenas 5 000 para cerca de 80 000 habitantes, em meados da década de 1990. A imigração de áreas vizinhas das Pequenas Antilhas,Curaçau,Haiti,República Dominicana,Estados Unidos,Europa eÁsia transformou a população nativa em uma minoria.[8]
São Martinho tornou-se um "território insular" (eilandgebied emneerlandês) dasAntilhas Neerlandesas em 1983. Antes dessa data, São Martinho fazia parte do território insular das Ilhas de Barlavento, juntamente comSaba eSanto Eustáquio. O estatuto de um território insular implica considerável autonomia resumida noRegulamento Insular das Antilhas Neerlandesas. O território da ilha de São Martinho foi governado por um conselho insular, um conselho executivo, e umadministrador do governo (emneerlandês: gezaghebber) sendo nomeado pela Coroa Neerlandesa.
Em 5 de setembro de 1995, ofuracão Luis atacou severamente as ilhas, causando danos extensos, 35 anos depois dofuracão Donna.
Em 1994, oReino dos Países Baixos e aFrança assinaram oTratado franco-neerlandês em São Martinho para controle de fronteiras, o que permitiu a junção dos controles de fronteira franco-neerlandesa comuns nos chamados "voos de risco". Depois de algum atraso, o tratado foi ratificado em novembro de 2006 na Países Baixos, e, posteriormente, entrou em vigor em 1 de agosto de 2007. Embora o tratado já estivesse em vigor, suas provisões ainda não foram implementadas como um grupo de trabalho específico no tratado ainda não instalado.
Em 10 de outubro de 2010, São Martinho tornou-se umpaís constituinte (emneerlandês: Land Sint Maarten) dentro do Reino dos Países Baixos, tornando-se constitucionalmente um parceiro igual, tal comoAruba,Curaçau, e a próprioPaíses Baixos. A São Martinho foram atribuídos os códigos SXM e SX, ao abrigo doISO 3166-1 alfa-2,[9] o código.sx naInternet eccTLD tornou-se disponível para registrar em 15 de novembro de 2012.[10]
O Fórum de Philipsburg é um dos símbolos de São MartinhoUm mapa topográfico da ilha de São MartinhoO mapa mostrando "São Martinho" francês (ao norte) e "São Martinho" neerlandês (ao sul)Mapa
O chefe de Estado é o atual monarca dos Países Baixos, oRei Guilherme Alexandre,[12] que é representado pelogovernador de São Martinho, eleito para um mandato de seis anos.[12] O chefe de governo é o primeiro-ministro de São Martinho que forma, juntamente com o Conselho de Ministros, o poder executivo do governo.
Eugene Holiday[13] foi nomeado e juramentado como primeiro governador de São Martinho (neerlandês:Gouverneur) em 30 de setembro de 2010,[12] embora ogezaghebber atual (administrador) seja muitas vezes chamado de governador pelo Conselho de Ministros do Reino dos Países Baixos. Também assumiu o cargo em 10 de outubro de 2010.[12]
AConstituição de São Martinho foi aprovada por unanimidade pelo conselho da ilha de São Martinho em 21 de julho de 2010. As eleições para um novo conselho insular foram realizados em 17 de setembro de 2010,[16] já que o número de assentos aumentou de 11 a 15. O conselho da ilha recém-eleito se tornará o Parlamento de São Martinho (em neerlandês:Staten van Sint Maarten) em 10 de outubro.[16] uma maioria dos 8 parlamentares podem escolher o chefe do poder executivo, o chamado primeiro-ministro de São Martinho (Minister-president van Sint Maarten). O parlamento pode elaborar e adotar leis e exercer o controle e fiscalização do executivo.
Em 1978, o governo das Antilhas Neerlandesas instalou um comitê de investigação sobre asilhas de Barlavento (emneerlandês: Commissie van Onderzoek Bovenwindse Eilanden) para investigar as denúncias de corrupção no governo da ilha. Em agosto de 1990 o promotor das Antilhas Neerlandesas iniciou uma investigação sobre os supostos vínculos entre o governo da ilha e a máfia siciliana. Em 1991 o Tribunal de Contas das Antilhas Neerlandesas divulgou um relatório que concluiu que o governo da ilha estava "doente".[17]
O governo e o parlamento dos Países Baixos aumentaram a pressão para tomar medidas contra a corrupção. Por causa disto, o governo das Antilhas Neerlandesas instalou, em dezembro de 1991, a Comissão Pourier, encarregada de investigar os assuntos do governo da ilha. Com o relatório, chegaram à conclusão de que a ilha estava em uma grave crise financeira, que ademocracia não foi cumprida e que o governo era umaoligarquia, em síntese, o governo da ilha era um completo fracasso.
Após longas negociações, o governo promulgou uma ordem em 1993, onde deixou a São Martinho sob supervisão direta do reino. Embora inicialmente a ordem estivesse destinada a durar um ano, o conselho a prorrogou até 1 de março de 1996.[18]
Embora muito tenha mudado desde então, as denúncias de atividades ilegais continuam afetando São Martinho. Em 2004 solicitou à Pesquisa Científica e Centro de Documentação (em neerlandês: Wetenschappelijk Onderzoek-en Documentatiecentrum (WODC), do Ministério da Justiça neerlandês, que realizasse uma investigação sobre o crime organizado em São Martinho. O relatório concluiu que alavagem de dinheiro e o tráfico decocaína tinha-se generalizado na ilha. Também alegou que dinheiro da ilha tinha sido utilizado para financiar redes terroristas doHamas, para sua fundação associada (Fundação Terra Santa para o Auxílio e o Desenvolvimento) e para ostalibãs.[19]
No censo das Antilhas Neerlandesas de 2001, a população do território da ilha era de 30.594.[20] A estimativa oficial da população em 1 de janeiro de 2010 foi de 37 429 para uma densidade populacional de 1 100 habitantes por km².
Os idiomas oficiais são oneerlandês e oinglês.[21] Umcrioulo local originado do inglês também é falado. Umaregata anual é promovida durante três dias, culminando no primeiro fim de semana de março. Dentre os mais importantes artistas da ilha estão Isidore "Mighty Dow" York,kaisonista (Kaiso é um tipo de música popular no Caribe. Kaisonian [traduzido porkaisonista] é qualquer pessoa que componha esse tipo de música e/ou realize performances dela).panman[nt 1][22][23][24] Roland Richardson, pintor impressionista; Nicole de Weever, bailarina, estrela da Broadway; Lasana M. Sekou, poetisa, escritora, advogada independente; Clara Reyes, coreógrafa; Tanny and The Boys, grupo musical de cordas.
↑Panman é um músico profissional que toca um instrumento chamado PAN (tambor de aço) criado em Trindade e Tobago. O tambor de aço (steel drum em inglês) é um instrumento musical de percussão originário de Trinidad e Tobago, muito utilizado no calipso, um dos ritmos musicais caribenhos. É constituído por um cilindro feito de aço, com o fundo moldado em concavidades de diferentes tamanhos. Cada concavidade emite uma nota diferente e são afinados cromaticamente (embora alguns tambores de aço possam eventualmente ter afinação diatônica).
↑Macedo, Vítor (Primavera de 2013).«Lista de capitais doCódigo de Redação Interinstitucional»(PDF). Sítio web da Direcção-Geral da Tradução da Comissão Europeia no portal da União Europeia.A Folha — Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias (n.º 41): 11.ISSN1830-7809. Consultado em 19 de junho de 2013
↑Correia, Paulo (2024).«Ex-Antilhas Neerlandesas — ficha de país(es)»(PDF).A folha — Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias (76 — outono de 2024). pp. 14–17. Consultado em 22 de abril de 2025