O rum pode ser feito de duas formas diferentes: a agrícola e a industrial. O primeiro é obtido diretamente docaldo de cana fermentado, e o segundo é obtido a partir domelaço. A destilação pode ser feita emalambique ou coluna de destilação. Em ambas, o resultado é uma bebida cristalina. Quanto à cor dourada encontrada em alguns tipos da bebida, deve-se ao envelhecimento emtonéis decarvalho ou à adição decorantes caramelo. Os envelhecidos são muito mais caros e, pelo seu sabor peculiar e característico, devem ser consumidos puros ou com gelo. O rum pode também ser a mistura de dois ou mais tipos de rum, como o agrícola com o industrial, o de alambique com o de coluna de destilação, o novo com o envelhecido, e diferentes combinações entre estes tipos.[1]
O rum é o principal ingrediente de muitos drinques famosos, como o apiña colada, odaiquiri, o daiquiri de banana, omojito e acuba libre.É produzido principalmente nas ilhas doCaribe.
A grande quantidade de países produtores de rum se reflete na gama de variedades da bebida. As principais são:
Rum encorpado: é o rum escuro. Tem corpo e aromas marcantes e é originário daJamaica,Martinica,Barbados;
Rum aromático: além do melaço da cana, contém bagos de arroz vermelho. Produzido principalmente naIndonésia, é levado para aPaíses Baixos e aSuécia para ser engarrafado e utilizado na fabricação doponche;
Rum cubano: rum leve, com teor alcoólico de 40°GL, pode ter coloração transparente (paracoquetéis) ou dourada. Amarca mais famosa deste tipo de rum é oHavana Club (propriedade doEstadoCubano). Esta marca surgiu quando aBacardi foiprivatizada pelosEstados Unidos. Por esta razão, a Bacardi é uma marca americana, sendo muitas vezes considerada erradamente uma marca cubana;[2]
Rum daJamaica: o mais forte de todos os tipos de rum. Tem teor de quase 75°GL, e geralmente é exportado para aInglaterra, onde é envelhecido em tonéis de carvalho por muitos anos;
De acordo com Maria Dembinska, o reiPedro I de Chipre levou, aoCongresso de Cracóvia (1364), rum para ser distribuído comopresente aosmonarcas presentes ao evento.[3] Tal hipótese é plausível dado que oChipre era, naIdade Média, um grande produtor de cana-de-açúcar,[4] embora a bebida nomeada como "rum" por Dembinska talvez fosse bem diferente do rum destilado que conhecemos atualmente. Dembinska também sugere que, em Chipre, o rum era consumido misturado com asoumada, umleite de amêndoa também produzido em Chipre.[3]
Outra antiga bebida que se assemelhava ao rum era obrum, criado há milênios pelosmalaios.Marco Polo registrou que, noséculo XIV, lhe foi servido um "vinho muito bom de açúcar" na região do atualIrã.[5]
A cana sacarina foi introduzida nailha da Madeira (Portugal) por volta de 1425, tendo sido as primeiras estacas importadas daSicília por ordem do infante domHenrique, ou seja, logo após o início da sua colonização. Da ilha da Madeira, a cana foi transportada para asÍndias (Novo Mundo). Devido ao lucrativo mercado do açúcar naEuropa, foram instalados váriosengenhos de açúcar nas colônias americanas. Durante a produção do açúcar, são gerados vários resíduos, como as espumas durante a fervura do caldo de cana, e o mel de furo, oumelaço, na fase de cristalização do açúcar. A maior parte destes resíduos era descartada, pois havia pouco uso para eles. Alguém descobriu que, misturados à água, eles fermentam. Não tardou para que eles começassem a ser destilados para obtenção de bebida alcoólica. Nos princípios do século XVII, surgiu o primeiro rum destilado a partir da cana-de-açúcar naspossessões inglesas das Américas, ao mesmo tempo que atafia nasfrancesas, aaguardiente de caña nasespanholas e aaguardente (apelidada de "cachaça" noBrasil) nasportuguesas. Ou seja, eram todas a mesma bebida, com diferentes nomes, de acordo com a colônia onde era produzida.[1]
Existem várias histórias elendas sobre o rum que envolvem os piratas da época.
Noséculo XVII, o rum era já muito conhecido, sendo considerado como uma bebida medicinal que curava todas as doenças e expulsava os "demónios" do corpo.Em 1775, o rum era a bebida mais vendida na América: o consumo anualper capita era de aproximadamente 18 litros.
Algunsexperts[quais?] na matéria defendem que a palavra "rum" deriva deRumbullion ouRumbustion. Expressões usadas, nagíria, pelosingleses para descrever os excessos provocados pelos bêbados.Outros afirmam que a palavra "rum" tem origem no termolatinosaccharum (açúcar).
Nacultura popular, o rum é classicamente associado a piratas, sendo retratado como a bebida predileta dos mesmos. Alguns piratas associados ao rum foram o britânico (galês) capitãoHenry Morgan, George Lowther, Ned Low, John Browne, William Lewis e Edward Teach, oBarba Negra.[6]
Também é bem lembrado o poemapublicitário do rum Creosotado, lançado nosanos 1950 em papel colado nosbondes, pelo Brasil:
Veja, ilustre passageiro, que belo tipo faceiro você tem ao seu lado. Mas, no entanto, acredite: quase morreu debronquite. Salvou-o o Rum Creosotado.
Referências
↑abCavalcante, Messias Soares.A verdadeira história da cachaça. São Paulo: Sá Editora, 2011. 608p.ISBN 9788588193628
↑abMaria Dembinska, Food and Drink in Medieval Poland: Rediscovering a Cuisine of the Past (Philadelphia: University of Philadelphia Press, 1999) p. 41.
↑J. H. Galloway, 'The Mediterranean Sugar Industry' in Geographical Review Vol. 67, No. 2 (Apr., 1977), p. 190.
↑Pacult, F. Paul (July 2002). "Mapping Rum By Region". Wine Enthusiast Magazine.
↑Curtis, Waine. and a bottle of rum - A history of the New World in ten cocktails. New York: Three Rivers Press, 2007. 199p.ISBN 9780307338624