Inicialmente denominado "pop progressivo", o estilo era uma consequência de bandaspsicodélicas que abandonaram as tradiçõespop padrão em favor de instrumentação e técnicas de composição mais frequentemente associadas aojazz,folk, oumúsica clássica. Elementos adicionais contribuíram para seu rótulo de "progressivo": as letras eram mais poéticas, a tecnologia era aproveitada para novos sons, a música se aproximava da condição de "arte" e o estúdio, mais do que o palco, tornou-se o foco da atividade musical , que muitas vezes envolvia criar música para ouvir em vez de dançar.
O estilo musical buscava uma fusão da música pop e do rock com outros gêneros de harmonia mais complexa. Na sua essência, o som progressivo extrapolava o formato canção em músicas com longuíssimos trechos instrumentais, muitas vezes compondo os chamados “álbuns conceituais”, discos que contavam uma história ou possuíam alguma ligação temática entre suas faixas.[1] Assim como a guitarra elétrica se tornou marca registrada dorock n' roll, oteclado se tornou parte inerente do estilo, alcançando ou até mesmo superando sua condição de principal instrumento.
Tornou-se muito popular nadécada de 1970, quando o gênero alcançou seu ápice e também sua própria queda de popularidade. Ao longo dos anos apareceram muitos subgêneros deste estilo tais como orock sinfônico, ospace rock, okrautrock, oR.I.O, ometal progressivo e oavant-garde metal. Praticamente todos os países desenvolveram músicos ou agrupamentos musicais voltados a esse gênero. A queda de sua popularidade no final dos anos 1970 foi resultado direto do surgimento de expressões musicais mais simples e menos complexas acessíveis para as rádios, como opunk rock e anew wave, apesar do gênero retornar em parte nadécada de 1980 com uma nova roupagem, conhecido agora comorock neoprogressivo.
De acordo com entrevistas concedidas pelas bandas em documentários, não houve uma organização consciente de formação do estilo e seus protagonistas geralmente rejeitam ser rotulados, bem como, nas composições não havia padrão a ser seguido quanto a duração e forma.[2] As principais características do rock progressivo incluem:
O uso desíncope, compassos compostos e mistos, escalas musicais e modos complexos, como o início do álbumClose To The Edge do grupoYes.
Enormes solos de praticamente todos os instrumentos, expressamente para demonstrar o virtuosismo efeeling dos músicos, que contribuíram para a fama de intérpretes comoRick Wakeman,Neil Peart,David Gilmour eGreg Lake.
Inclusão de peças clássicas nos álbuns, como o grupoEmerson Lake & Palmer, que incluía partes extensas de peças deBach em seus álbuns.
Pela maior parte da crítica musical e do público, o grupoPink Floyd é tido como uma banda de rock progressivo, pois tem como característica marcante de sua obra elementos como: músicas longas, arranjos não tradicionais, uso de sintetizadores e longas partes instrumentais. Porém, existe uma vertente de pesquisadores de música progressiva que afirma que, apesar de apresentar várias características em comum com o gênero, o Pink Floyd não poderia ser considerado progressivo, sendorock psicodélico ou rock lisérgico a melhor definição para sua música. Segundo essa corrente, uma das principais assinaturas e característica determinante do gênero é como a música flui e se movimenta, passeado por mudanças de andamento e fórmula de compasso (influência damúsica clássica). Tal característica praticamente inexiste nas composições do Pink Floyd, que sempre teve ominimalismo como marca registrada. A música "Money" é uma das poucas exceções, cuja fórmula de compasso em boa parte é 7/4, porém não chega nem de perto no número de variações de clássicos do progressivo, como por exemplo "Heart of Sunrise" do Yes ou "Natural Science" do Rush.
As composições do rock progressivo muitas vezes se inspiravam nos moldes das "suítes" eruditas:
A forma de uma peça que é subdividida em várias à maneira da música erudita. Um bom exemplo disso é “Close to the Edge” e "And You And I" doYes no álbumClose to the Edge, que são divididas em quatro partes, ou "2112" doRush dividida em sete partes, ou até mesmo a instrumental "La villa Strangiato" dividida em onze partes. Outros exemplos mais recentes dometal progressivo são "A Change of Seasons" (do álbumA Change Of Seasons) e "Octavarium" (do álbumOctavarium) doDream Theater, que é dividida em sete e cinco partes, respectivamente; e "Through the Looking Glass" (três partes), "The Divine Wings of Tragedy" (sete partes) e "The Odyssey" (sete partes) doSymphony X.
Composição feita de várias peças, estilo “manta de retalhos”. Bons exemplos são: “Supper’s ready” doGenesis no álbumFoxtrot e o álbumThick as a Brick doJethro Tull.
Harmonias feitas com base em tríades, utilizando progressões não tão usuais, o progressivo (com algumas exceções, como o grupo de Rock ProgressivoSoft Machine) não utilizam acordes com sonoridades dissonantes, como feito naBossa Nova e noJazz.
Uma peça que permite o desenvolvimento musical em progressões ou variações à maneira de um bolero. "Abbadon's Bolero" do trioEmerson, Lake & Palmer, “King Kong” do álbumUncle meat deFrank Zappa são bons exemplos.
No DVD documentário "Genesis Songbook" (2001), o baixistaMike Rutherford ressalta que as composições longas e divididas em partes eram por vezes mais fáceis de compor do que faixas curtas de 3 minutos e tão somente eram um reflexo da liberdade de ideias que os músicos dispunham, e também por conter as contribuições de cada membro do grupo.
O rock progressivo foi tocado pela primeira vez no final dos anos 1960, no entanto, se tornou especialmente popular no início da metade dos anos 1970. No final dos anos 1960, algumas bandas - geralmente da Inglaterra - começaram a experimentar formas de músicas mais longas e complexas[3] pois os jovens músicos daquela geração estavamvivendo a "contra-cultura" que rompia com a cultura pop ehippie,ao passo que as gravadoras concediam liberdade de criação aos artistas contribuindo para um leque ilimitado de possibilidades em estúdio. O termo "rock progressivo" foi cunhado pela imprensa nos anos 1970 pela necessidade jornalística de atribuir rótulos ao escrever matérias e resenhas.[2][4]
Inicialmente chamado de "pop progressivo", o estilo era uma consequência de bandas psicodélicas que abandonaram as tradições pop padrão em favor de instrumentação e técnicas de composição mais frequentemente associadas aojazz,folk oumúsica clássica. Elementos adicionais contribuíram para seu rótulo "progressista": as letras eram mais poéticas, a tecnologia era aproveitada para novos sons, a música aproximava-se da condição de "arte", e o estúdio, não o palco, tornou-se o foco da atividade musical, muitas vezes criando música para ouvir em vez de dançar.
Bandas tidas como referência do rock progressivo incluemThe Nice eSoft Machine, e apesar das origens terem sido formadas em meados da década de 1960 foi somente em 1969 que a cena estaria se formando concretamente, como evidenciado pela aparição deKing Crimson em fevereiro desse mesmo ano. A banda foi seguida rapidamente de outras bandas do Reino Unido incluindoYes,Pink Floyd,Genesis,Emerson Lake and Palmer eJethro Tull, e outras bandas menos famosas, comoFocus,Family,Traffic,Camel dentre outras. Exceto pelo ELP, tais bandas começaram suas carreiras antes do King Crimson, mas mudaram o curso de sua música consideravelmente após o lançamento do álbumIn the Court of the Crimson King, considerado o marco zero definitivo do rock progressivo.
As músicas que mais refletiram o que foi o Rock Progressivo e que se tornaram mais famosas foram: "Roundabout" doYes, "Karn Evil 9"(principalmente a 1st impression, pois a 2nd e 3rd impression são solo de piano e bateria) deEmerson, Lake & Palmer, "2112" doRush, "The Knife" doGenesis, "Proclamation" doGentle Giant, "Echoes" doPink Floyd, "Thick as a Brick Part I & II" doJethro Tull e "The Court of the Crimson King" doKing Crimson.
O rock progressivo ganhou seu momento quando os fãs de rock estavam em desilusão com o movimentohippie, movendo-se da música popularsorridente da década de 1960 para temas mais complexos e obscuros, que motivavam a reflexão. Ao contrário da música pop em geral, que limitava o universo lírico das canções com uma abordagem mais radiofônica e amorosa, o lirismo do rock progressivo se expandia livremente com letras que abordavam temas comoficção científica,fantasia,religião,guerra,amor,loucura,história etc. O álbumTrespass doGenesis inclui a canção "The Knife", que retrata um demagogo violento, e "Stagnation", que retrata um sobrevivente de um ataque nuclear. O grupoVan der Graaf Generator também abordava em suas obras temas existenciais que relacionavam-se com oniilismo, além de suas críticas ao mundo moderno e questões metafísicas. O álbumBrain Salad Surgery do supergrupoEmerson, Lake & Palmer inclui a suíte "Karn Evil 9", que retrata a conspiração entre seres humanos e máquinas em um mundo sombrio onde ahumanidade está sendo destruída ou entrou em decadência e desamparo. O álbumThe Dark Side of the Moon, um dos maiores sucessos do grupoPink Floyd, aborda temasexistencialistas comoconflito,ganância, a passagem do tempo,morte einsanidade, este último inspirado em parte pela deterioração do estado mental deSyd Barrett, ex-membro do grupo.
Desde o início do gênero, embora não estabelecido como regra geral entre os artistas do gênero, era comum o uso de capas criativas e enigmáticas, criadas para abordar um determinado tema com diferentes significados. Grandes artes foram criadas por artistas, ilustradores e designers, os mais famosos sendo o ilustrador britânicoRoger Dean, a agênciaHipgnosis,Storm Thorgerson, Aubrey Powell,Peter Christopherson, Paul Whitehead, Mark Wilkinson entre outros. As capas de discos de muitas bandas do estilo também seguiram a tendência "perfeccionista" do gênero, sendo a mesma tratada como uma "obra de arte" a ser trabalhada e apresentada ao público.[5] A capa do álbumIn the Court of the Crimson King uma das mais importantes bandas do progressivo é sem dúvida um grande clássico. Feita por Barry Godber – morto um ano depois, de ataque cardíaco – ela transmite toda a proposta que a banda desejou passar através das músicas.“Se você cobrir o rosto sorridente, os olhos revelam uma tristeza incrível. O que se pode acrescentar? Ele reflete a música”, explicou o guitarrista Robert Fripp.[6] Como curiosidade, as cenas do filmeAvatar (2009) foram inspiradas nas pinturas do desenhista Roger Dean, famoso por seus trabalhos surreais e conhecido por projetar várias das capas do grupo Yes.[7]
O estilo foi especialmente popular naEuropa e em partes daAmérica Latina. Várias bandas fora do Reino Unido que seguiram a trajetória dos britânicos foram oPremiata Forneria Marconi,Area,Banco del Mutuo Soccorso eLe Orme daItália, além deAnge,Gong eMagma daFrança. A cena italiana foi posteriormente categorizada comorock sinfônico italiano. AAlemanha também produziu uma cena progressiva significante, geralmente referida comoKrautrock. Os Psico,Tantra,Quarteto 1111 eJosé Cid, cujo disco10 000 anos depois entre Vénus e Marte é considerado um dos melhores de rock progressivo, protagonizaram o género emPortugal. NoBrasil,Os Mutantes combinaram elementos da música brasileira, rock psicodélico e outros sons experimentais para criar um som diferente do que havia sido feito até o presente momento, com letras inspiradas pela fantasia, literatura e história. A banda introduziu oMellotron no Brasil (embora não existam fontes, nota-se que o instrumento nunca foi ouvido na música brasileira até a gravação do compactoMande Um Abraço pra Velha em 1972) além do primeiro amplificador Leslie rotatório para órgão Hammond. Outras bandas brasileiras que contribuíram à cena progressiva nacional sãoO Terço,Som Nosso de Cada Dia,Marco Antônio Araújo,A Barca do Sol,Moto Perpétuo,Módulo 1000,Bacamarte eSom Imaginário. As mais recentes poderemos citar Quaterna Réquiem, Tempus Fugit, Vitral, Lummen, Caravela Scarlate, Arcpélago, Únitri, Cálix e Kaoll.
Fãs e especialistas possuem maneiras divergentes de categorizar as diversas ramificações do rock progressivo na década de 1970. ACena Canterbury pode ser considerada um sub-gênero do rock progressivo, apesar de ser muito mais direcionado aojazz fusion, encontrado em bandas como Traffic. Outras bandas tomaram uma direção mais comercial, incluindoRenaissance,Queen eElectric Light Orchestra, e são algumas vezes categorizadas como rock progressivo. Através do tempo, bandas comoLed Zeppelin e Supertramp também incorporaram elementos não usuais em seu som tais como quebras de tempo e longas composições.
ORush foi uma banda não europeia muito bem sucedida com influências do gênero.
A popularidade do gênero atingiu seu auge em meados da década de 1970, quando os artistas regularmente atingiam o topo das paradas na Inglaterra e Estados Unidos. Nessa época começaram então a surgir bandasestadunidenses comoKansas eStyx, que apesar de existirem desde o começo dosanos 1970, tornaram-se sucesso comercial após o vinda do rock progressivo às Américas. A banda deToronto,Rush, também foi muito bem sucedida fazendo um hard rock com influências progressivas, com uma sequência de álbuns de sucesso desde meados da década de 1970 até atualmente.
Com o advento dopunk rock no final da década de 1970 as opiniões da crítica naInglaterra voltaram-se ao estilo mais simples e agressivo de rock, com as bandas progressivas sendo consideradas pretensiosas e exageradas em demasiado, terminado com o reinado de um dos estilos mais liderantes do rock.[8][9] Tal desenvolvimento é visto frequentemente como parte de uma mudança geral na música popular, assim como ofunk esoul foram substituídos pelamúsica disco e ojazz ameno ganhou popularidade sobre ojazz fusion. Apesar disso, algumas bandas estabelecidas ainda possuíam ampla base de fãs, comoRush,Genesis eYes continuaram regularmente no topo de paradas e realizando grandes turnês. Em torno de 1979, é geralmente considerado que o punk rock evoluiu para oNew Wave.
Os princípios dosanos 1980 assistiram o retorno ao gênero, através de bandas como osMarillion,IQ,Pendragon ePallas. Os grupos que apareceram nesta altura são por vezes chamados de “neoprogressivos”. Foram amplamente inspirados pelo rock progressivo, mas também incorporaram fortemente elementos donew wave. É caracterizado pela música dinâmica, com grande presença de solos tanto deguitarra quanto deteclado. Por esta altura alguns dos grupos leais ao rock progressivo mudaram a sua direção musical, simplificando as suas composições e incluindo mais abertamente elementos eletrônicos. Em 1983 os Genesis alcançam um grande êxito internacional com a música “Mama”, que tinha um forte ênfase nabateria eletrônica. Esta canção foi gravada em um álbum que também celebrizou o clássico "Home by the Sea", que apresentava uma versão com letra e outra instrumental. Em 1984, o Yes alcança um grande êxito com o álbum90125 e o sucesso “Owner Of A Lonely Heart”, que continha (para aquela época) efeitos eletrônicos modernos e era acessível a ser tocada em discotecas e danceterias. Em 1983 é criado oApocalypse, um dos principais grupos brasileiros de progressivo. O grupo lançaria 10 álbuns, incluindo 4 álbuns na Europa, e gravaria o primeiro álbum duplo ao vivo de rock progressivo brasileiro nos EUA.
Nosanos 1990 outras bandas começaram a reviver o estilo com a chamadathird wave, composta por bandas como ossuecosThe Flower Kings, osinglesesPorcupine Tree, os escandinavos e osamericanosSpock's Beard eEcholyn, que incorporaram o rock progressivo no seu estilo único e eclético. apesar de não soar igual, tais bandas estão muito relacionadas com os artistas da década de 1970, considerados por alguns inclusive uma fase retrô do estilo.
Nadécada de 2000 e na última década e meia surgiram, no mundo inteiro, vários festivais dedicados ao género. Como exemplo cite-se o prestigiado festival portuguêsGouveia art rock que se realiza desde 2003 e já é considerado um evento de referência em todo o mundo.
Os tempos turbulentos dos anos 1960 envolvendo a política e religião nacionais afetaram inúmeros músicos em busca de algo novo - alguma maneira de paralelo ao clima político através da mídia artística. Variando de estudantes de conservatório altamente qualificados a cantores e compositores locais, esse espírito conseguiu cativar um país inteiro em poucos anos. Os jovens estavam inquietos, explodindo com um desejo ardente de mudar a atmosfera sóbria e sufocante da sociedade italiana a partir de um de seus símbolos, sua venerável tradição musical. A maioria dos músicos tinha inclinações de esquerda mais ou menos fortes (o principal exemplo sendo oArea), enquanto os poucos exemplos de bandas abertamente de direita nunca conseguiram sair da obscuridade ou ganhar mais do que seguidores estritamente cult.
Sem uma forte tradição de rock nos anos 1960, a Itália produziu principalmente bandas de batida de qualidade variável, bem como cantores bem versados na longa tradição decanzone do país. À medida que o maremoto da contracultura varreu, trouxe uma revolução não apenas na forma de rock progressivo, mas também em diferentes formas de rock continental mais pesado que estava se estabelecendo na mesma época. As influências psicodélicas e a incorporação da música clássica podem ter sido os mesmos trampolins usados pela maioria das outras cenas progressivas ao redor do mundo durante o mesmo período, mas mesmo neste estágio embrionário havia um cheiro de algo mais no ar. No final dos anos 1960, quando a cena beat já caminhava para o declínio, várias bandas se formaram, algumas delas lançando singles (ou mesmo álbuns) que preencheram a lacuna entre a música beat, a música convencional italiana fácil de ouvir (musica leggera), e novas ideias vindas daGrã-Bretanha - entre eles,New Trolls,Le Orme,Panna Fredda, I Quelli (que mais tarde se tornariaPremiata Forneria Marconi), Il Mucchio eFabio Celi e gli Infermieri.
"Queríamos colocar algumas improvisações entre as partes cantadas e tivemos que decidir sobre o estilo a seguir... Depois de ter ido ao festivalIsle of Wight, ficou claro para todos nós que não poderíamos manter em tocar as músicas usuais com versos e refrões." - Toni Pagliuca, Le Orme.
O início da nova década viu o surgimento de um número incontável de bandas e artistas, alguns dos quais se tornariam atos de sucesso. PFM,Banco del Mutuo Soccorso,Osanna,Il Balletto di Bronzo,Quella Vecchia Locanda pertencem a este grupo, com todos, exceto o último, ainda ativo no momento da redação. Alguns outros só conseguiram lançar um álbum (ou até mesmo um punhado de singles) antes de se separarem. A febre do rock progressivo se tornou tão difundida na Itália que alguns especialistas dizem que todos os artistas e bandas na Itália produziram pelo menos um álbum progressivo durante esse período. Vários artistas conhecidos do mainstream começaram sua carreira com um álbum progressivo, como os cantores e compositoresRiccardo Cocciante (com Mu) e Ivano Fossati (com o primeiro álbum Delirium, Dolce acqua). Ou, como Lucio Battisti ou Fabrizio De André, lançaram discos fortemente influenciados pelo prog quando o movimento estava no auge.
Durante os anos de pico do movimento RPI no início dos anos 1970, inúmeras bandas mostraram seu talento nos muitos festivais pop organizados em toda a Itália. Os festivais eram muitas vezes gratuitos e ostentavam um nível de liberdade artística e competição raramente visto na música popular. Os fãs testemunharam bandas saindo da obscuridade para competir no mesmo palco que os pesos pesados. Essa competição musical criou uma espécie de espiral ascendente; todos tentaram superar uns aos outros, produzindo sons únicos e incorporando influências díspares em suas músicas. A variedade da música foi às alturas, com todas as bandas compartilhando as mesmas aspirações, embora raramente o mesmo som. Também deve ficar claro que, apesar das crenças daqueles que descartam o prog italiano como simplesmente uma falsificação britânica, muitas dessas bandas estavam criando músicas fenomenalmente originais, experimentais, de espírito livre e criativamente bem-sucedidas. Enquanto bandas do exterior ajudaram a influenciar e inspirar bandas italianas, as bandas jovens da Itália rapidamente pegaram a bola e correram com ela. É ridículo sugerir que a cena seja uma mera imitação. A espiral ascendente também significou um mercado supersaturado, no qual muitas bandas só conseguiram lançar um ou dois lançamentos com orçamento mínimo e gravação intensa. Alguns dos melhores, mais genuínos e preciosos álbuns do Rock Progressivo Italiano podem ser encontrados neste grupo: "Dedicato a Frazz" deSemiramis, "Concerto delle menti" de Pholas Dactylus, "Per un mondo di cristallo" de Raccomandata Ricevuta di Ritorno, "Zaratustra" doMuseo Rosenbach e "Ys" do Balletto di Bronzo, para citar apenas alguns.
"Tivemos que enfrentar essa tradição, tivemos que lutar contra as convenções e nos recusar a ser integrados. Os Novos Sons ainda não chegaram, não havia música para os jovens, não havia nada, era preciso inventar e construir seu espaço. Talvez essa tenha sido a mola mestra que desencadeou tamanha força criativa." - Gianni Leone.
Com o tempo algumas das maiores bandas alcançaram sucesso internacional, sendo o PFM o exemplo mais conhecido. O letristaPeter Sinfield, conhecido por seu trabalho com gigantes como King Crimson e ELP, chegou a escrever para a banda, enquantoPeter Hammill forneceu letras em inglês para "Felona e Sorona" deLe Orme. Ironicamente, esse sucesso muitas vezes significou um desvio das raízes dos sons do RPI, tornando esses álbuns mais alinhados à cena britânica do que a maioria dos artistas e álbuns nos arquivos. Olhe abaixo da superfície para descobrir joias escondidas (ou não tão escondidas). Enquanto os três grandes do prog italiano frequentemente mencionados (PFM, Banco e Le Orme) são convenientemente considerados o pico por aqueles que mencionam casualmente essa cena, os entusiastas do RPI sabem que o rio é muito mais profundo, e muitos de nossos favoritos pessoais são encontrados fora desses grupos populares. Aqueles que pesquisam além da superfície descobrirão que os trabalhos mais ousados e provocativos muitas vezes foram feitos por grupos mais obscuros que lançaram um álbum fantástico e depois desapareceram no ar. Esta síndrome comum de bandas italianas "one-shot" tornou-se a ruína de muitos fãs de RPI.
Após seu desenvolvimento explosivo no início dos anos 1970, o movimento seguiu o mesmo caminho que outros movimentos musicais progressivos ao redor do mundo com a aproximação dos anos 1980. Alguns artistas influentes continuaram a lançar novos álbuns, embora nunca com o mesmo sucesso dos dias felizes. Outros mudaram com o tempo e se tornaram artistas mainstream de grande sucesso tanto na Itália quanto internacionalmente. Como em outras partes do universo prog, a quantidade e a qualidade do RPI começaram a secar um pouco no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, embora houvesse alguns lançamentos de qualidade desse período. Esses títulos tendiam a ser mais melódicos e menos avant-garde do que o período clássico, mas eram respeitáveis. Para citar apenas alguns, havia Locanda Delle Fate, Stefano Testa, Pierpaolo Bibbo e L'Estate de San Martino. Area, Stormy Six e PFM também tinham um bom título ou dois.
O prog sinfônico italiano é notável pela proeminência das influências clássicas, muitas vezes fornecendo a força motriz por trás da música. O novo ouvinte descobrirá que esse ramo específico do RPI se parece mais com música clássica em um cenário de rock, em oposição a influências clássicas ocasionais em cima do formato de rock. Além disso, as ricas e diversas tradições musicais da Itália permeiam os álbuns, criando um forte caráter nacional e até regional. Os grupos RPI do "livro-texto" geralmente podem ser identificados por um senso penetrante de melancolia romântica e um toque de terra, às vezes reforçado por elementos barrocos, às vezes por elementos mais étnicos. Outras características distintivas incluem influências evidentes de ópera e opereta, narrativa selvagem e descontrolada e, como regra geral, vocais ousados e altamente emocionais. Há galanteria extrovertida e operística e brio ou balada suave; uso emocionante de todos os tipos de teclados, com sons ouvidos em nenhum outro lugar, exceto nesta cena em particular; instrumentos exóticos como aggeggi, ottavino, mandoloncello, clavicembalo - nomes que fazem cócegas na imaginação e deixam sua marca distinta na música. Há um casamento mágico único do tradicional com o moderno, do caloroso com o selvagem. A combinação de flauta, piano e violino é frequentemente encontrada, e a interação entre os dois primeiros instrumentos em particular fornece ao subgênero uma parte justa de sua identidade e sabor.
Embora o elemento sinfônico seja de fato o mais comum no RPI, o gênero seria mais bem caracterizado como eclético. Jazz-fusion, folk, hard rock riffs à la Jethro Tull, Deep Purple e Led Zeppelin, drama intenso à Van der Graaf Generator (cujos álbuns foram reverenciados na Itália), cantor e compositor, proto-metal, blues, tendências avant, pop, psych, dark/ocult, eletrônico – a lista continua. Ainda mais surpreendente, essas diferenças de estilo podem ser encontradas em graus variados em um álbum, e ainda parecem naturais na estrutura estilística distinta mencionada acima.
Nenhuma visão geral do RPI estaria completa sem mencionar o uso da língua italiana, por muitos considerada uma das línguas mais musicais do mundo. Pode-se afirmar com segurança que o uso do italiano é inerente à alma do RPI, componente crítico para a valorização plena do subgênero. De fato, mesmo que alguns álbuns importantes do RPI fossem traduzidos para o inglês na tentativa de obter reconhecimento internacional, a maioria deles não impressiona. Eles sentem como se estivesse faltando um dos ingredientes básicos do que faz do RPI uma mistura tão bem-sucedida. Enquanto os fãs mais sérios do RPI consideram os vocais italianos essenciais para sua experiência auditiva, é justo dizer que alguns acreditam que as letras em inglês não são tão prejudiciais - mesmo que na maioria dos casos o fraseado estranho, a ênfase incorreta e o forte sotaque italiano dos cantores prejudiquem significativamente de um efeito geral autêntico. Enquanto alguns fãs de prog podem achar o estilo vocal italiano gregário desafiador no início, os novatos são encorajados a simplesmente ficar com ele por um tempo. Com apenas um esforço modesto, qualquer novato do RPI logo descobrirá que não pode imaginar essa música sem os vocais italianos tradicionais - eles realmente são a cereja do bolo.
“Progressive é basicamente uma mistura de três elementos: a música, a improvisação inspirada no jazz e a composição em estilo clássico. Na Itália temos que lidar com a nossa tradição clássica: o melodramma, Respighi, Puccini, Mascagni, mas também todos os compositores clássicos contemporâneos. É neste legado, na minha opinião, que se esconde a especificidade do rock progressivo italiano." - Franco Mussida, PFM.[10]