Era filho de Thomas Southey e de Margaret Hill, um negociante abastado que tinha o estabelecimento na "Rua do Vinho". Robert trabalhou na loja do pai como entregador. Com o falecimento do pai o negócio foi sucedido por seu tio que cuidou da sua educação. Na adolescência foi destinado para a carreira eclesiástica, teve lições com um ministro protestante e depois ingressou no Colégio Corstor. Aos 13 anos foi matriculado na Westminster School de onde foi expulso por editar num periódico satírico contra os dirigentes da escola. Mais tarde ingressou naUniversidade de Oxford.
Foi levado para Lisboa por seu tio materno Herbert Hill, pastor anglicano, onde teve a oportunidade de planejar umaHistória de Portugal, não publicada.[3] Em 1801 foi nomeado secretário particular do Secretário do Tesouro para a Irlanda, retirando-se deste emprego foi residir emKeswick.[4] Tinha uma biblioteca que somava 14 000 volumes, sendo cerca de 700 títulos sobre a história ibérica.[5]
Especializou-se emHistória de Portugal e doBrasil, provavelmente era possuidor da melhor coleção de livros espanhóis e documentos originais sobre Portugal e América do Sul em toda a Inglaterra. Morreu de AVC em21 de março de1843, foi enterrado em Crosthwaite Churchyard emKeswick, ao lado de sua primeira esposa e três de seus filhos.[6] O centenário do seu falecimento foi objeto de comemoração no Brasil por diversas entidades culturais, principalmente pelos Institutos Históricos e Geográficos Brasileiros e de São Paulo.
Uma das caracterizações correntes de Southey mostra-o como um apostata que mudou de um radicalismo que apoiava aRevolução Francesa, na juventude, para um conservadorismo, na velhice. Essa afirmação foi utilizada diversas vezes contra Southey por seus contemporâneos. Essa suposta apostasia foi exposta ao ridículo com a publicação pirata do poema juvenilWat Tyler (1817), escrito em 1794, poema dramático, que abordava a grande rebelião sangrenta liderada porWat Tyler, no século XIV, por causa do aumento de impostos, e refletia as opiniões políticas radicais que Southey tinha em sua juventude. Era realmente um mistério para Southey como essa obra havia sido impressa 23 anos depois de ser escrita. Ele chegou a entrar na justiça para impedir a publicação, alegando que não havia vendido osdireitos autorais, mas preferiu desistir da causa tendo em vista que era uma ação que envolvia perjúrio de alguma das partes. Assim,Wat Tyler acabou sendo publicado e vendido. Estima-se que a vendagem ficou em torno de 60 mil cópias, o que faria desse poema, ironicamente, a obra mais vendida de Southey.[7]
Diferentemente de seus adversários políticos, que buscavam enquadrá-lo como apostata, Southey enxergava a sua trajetória mais como uma mudança de opinião que, em suas palavras, eram “corretas em si mesmas e erradas apenas em sua direção”. Acreditava que escrevia na década de 1810 com “o mesmo coração e com os mesmos desejos, mas com uma compreensão madura e estoques adequados de conhecimento”. Para ele não existia uma passagem brusca de um radicalismo jacobino para um conservadorismoTory, mas um desenvolvimento dos seus ideais de juventude.[8] A interpretação de que os denominadosromânticos eram radicais que tinham se tornado conservadores, embora mais idiossincráticos, serviu perfeitamente para justificar a suposta mudança abrupta de posição política de Southey.[9]
De 1810 a 1819 lançou aHistória do Brasil, emLondres, que foi a primeira publicação contendo a sua história geral e que abrange todo o período colonial até a chegada deD. João VI ao Brasil, em 1808. Sobre esta obra, dizNelson Werneck Sodré:O que se deve ler para conhecer o Brasil: Um dos seus grandes méritos está em não se ter deixado fascinar pela tradição oficial, particularmente quanto à obra dos jesuítas, mantendo julgamento próprio, estabelecendo critérios de discriminação diversos daqueles habitualmente adotados. (Do prefácio da obra de Southey porBrasil Bandecchi)
Da sua obra disse o próprio Southey:
“
Seria faltar à sinceridade que vos devo, esconder que minha obra, daqui a longos tempos, se encontrará entre as que não são destinadas a perecer; que me assegurará ser lembrado em outros países que não o meu; que será lida no coração da América do Sul e transmitirá aos brasileiros, quando eles se tiverem tornado uma nação poderosa, muito da sua história que de outra forma teria desaparecido ficando para eles o que é para a Europa a obra de Heródoto. (idem)
”
Em 1862, a suaHistória do Brasil foi editada pela primeira vez no Brasil pela Livraria Garnier, em 6 volumes com tradução de Luís Joaquim de Oliveira e Castro e anotada pelo Cônego Dr. Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro.[10] Em 1965, foi impressa a terceira edição no Brasil pela Editora Obelisco, limitada em 6 volumes, dirigida porBrasil Bandecchi e com orientação gráfica de Pedro J. Fanelli.
Vindiciae Ecclesiae Anglicanae: Letters to C. Butler, Esq. comprising Essays on the Romish Religion and Vindicating The Book of the Church (1826)
SirThomas More: or, Colloquies on the Progress and Prospects of Society (1829)
Selections from the Prose Works of Robert Southey, Chiefly for the Use of Schools and Young Persons (1832)
Essays, Moral and Political (1832)
Lives of the British Admirals, with an Introductory View of the Naval History of England (1833-1840)
Letter to John Murray, Esq., ‘Touching’ Lord Nugent (1833)
The Doctor (1834-1847)
The Life of the Reverend Andrew Bell, Comprising the History of the Rise and Progress of the System of Mutual Tuition, vol. 1 (1844)
Select Biographies, Cromwell and Bunyan (1844)
Common Place Book (1849-1851)
Review of Churchill’s Poems (1852)
Journal of a Tour in the Netherlands in the Autumn of 1815 (1903)
Journal of a Tour in Scotland in 1819 (1929)
Journal of a Residence in Portugal 1800-1801 and a Visit to France 1838 (1959)
Traduções
On the French Revolution, vol. 2 (1797)
Amadis of Gaul, from the Spanish Version of Garciordonez de Montalvo (1803)
Palmerin of England (1807)
Chronicle of the Cid, from the Spanish (1808)
5. Edições e anotações de obras
The Annual Anthology (1799-1800)
The Works of Thomas Chatterton (1803)
Specimens of the Later English Poets (1807)
The remains of H. K. White, with an account of his life by R. Southey (1807)
The Geographical, Natural, and Civil History of Chili, por Juan Ignatius de Molina (1809)
The Byrth, Lyf, and Actes of Kyng Arthur, with an Introduction and Notes by R. Southey (1817)
The Pilgrim’s Progress, with a Life John Bunyan by R. Southey (1830)
Attempts in Verse, by John Jones, an Old Servant: With some account of the Writer Written by Himself, and an Introductory Essay on the Lives and Works of our Uneducated Poets, by R. Southey, Poet Laureate (1831)
Select Works of the British Poets, from Chaucer to Johnson, With Biographical Sketches, by R. Southey (1831)
Horae Liricae by Isaac Watts, With a Memoir of the Author (1834)
Pinto, Alexandre Dias (2007).The elusive manuscript of Robert Southey's ‘History of Portugal’. Novos Caminhos da História e da Cultura - Actas do XXVII Encontro da APEAA. Lisboa: APEAA & CEAP.
Southey, Robert (2011).Catalogue Of The Valuable Library Of The Late Robert Southey ..: Which Will Be Sold By The Auction ... By Messrs. S. Leigh Sotheby & Co. ... On ... May 8th, 1844, And Fifteen Following Days... Londres: Compton & Ritchie.ISBN978-1246514100.
Southey, Roberto (1862).História do Brasil. Vol I ao VI. Traduzido por Oliveira e Castro, Luiz Joaquim de. Rio de Janeiro: Garnier.