
São denominadas comoRepública Irmãs ou comoRepúblicas Jacobinas alguns estados apoiados pelos exércitos franceses nos territórios "libertados" por eles durante asGuerras revolucionárias francesas durante o período doDiretório (1795-1799) daPrimeira República Francesa. Tratava-se deestados satélites organizados segundo o modelo daConstituição do ano III e nos que implantaram os princípios daRevolução francesa. Durante a época napoleónica (1799-1814) foram incorporadas noImpério francés.
Após a proclamação daRepública Francesa, aConvenção ofereceu, em 19 de novembro de 1792 "fraternidade e ajuda a todos os povos que desejassem recuperar a sua liberdade". Durante aguerra contra aPrimeira Coligação, formada após a execução do reiLuis XVI (janeiro de 1793), os generais e os representantes em missão nos exércitos revolucionários recebem ordem de "que destruam oAntigo Regime" nos territórios que ocupam, mas que "deixem que cada povo se governasse a si próprio". Assim, quando os exércitos franceses se aproximam deMogúncia proclamam que "o soldado oferece ao povo, com uma mão o símbolo da paz e com a outra sepulta as suas armas no peito dos seus opressores...".[1]
Iniciou-se então, no seio da Convenção, um debate sobre o estatuto legal dos territórios "libertados". Contavam com o antecedente da cidadepapal deAvinhão e do território anexo, ocondado Venaissin, que tinham solicitado a sua incorporação noReino de França após a celebração dum referendo em 11 de janeiro de 1790; a sua anexação fora aceite em 13 de dezembro de 1791. Assim, quando as tropas francesas penetraram nosPaíses Baixos Austríacos durante aGuerra da Primeira Coligação, em princípios de 1793, proclamaram que vinham ajudar o povo a conquistar a sua liberdade, mas logo anexaram os territórios àRepública Francesa em 30 de março. O mesmo sucedeu emNice e naSaboia, territórios daCasa de Saboia que acabaram incorporadas na França. Sorte diferente tiveram os domínios dobispado deBasileia que se convertem naRepública Rauraciana em 20 de março de 1793.[1]
Sob o regime doDiretório é decidido que os territórios conquistados, transformados em "repúblicas irmãs", deveriam ser uma espécie de estados tampões que protegeriam a República Francesa. Assim inicia-se uma política expansionista dirigida a garantir a segurança da França que atingiria as suas "fronteiras naturais", em especial noReno. Adicionalmente, estas "repúblicas irmãs" não só deveriam ocupar-se do aprovisionamento do exército francês como também pagavam contribuições de guerra a utilizar para sanear o deficitário orçamento francês. Por último, também constituiriam novos mercados para os produtos franceses.[2]
A primeira "república irmã", constitui-se sob a Convençãotermidoriana no território dasProvíncias Unidas em 16 de maio de 1795 com o nome deRepública Batava. Sob o Diretório o generalNapoleão Bonaparte funda, no norte de Itália, em 15 de outubro de 1796, aRepública Cispadana[3]. No ano seguinte adiciona-se-lhe aLombardia, conquistada aos austríacos por Bonaparte, nascendo assim aRepública Cisalpina cuja Constituição toma como modelo aConstituição do ano III. Nesse mesmo ano (1797) nasce emGénova aRepública Lígur.[4]
Em janeiro de 1798 as tropas do Diretório ajudam a fundar aRepública Helvética, anexando à FrançaMulhouse eGenebra. O mesmo fazem no mês seguinte aosEstados Pontifícios, onde é estabelecida aRepública Romana e, em setembro, noPiemonte[5]. Em janeiro de 1799 orei de Nápoles avança sobre Roma mas é obrigado a retirar-se, refugiando-se, por fim, naSicília. Com o apoio do exército francês os "patriotas" napolitanos proclamam aRepública Partenopeia.[6]
Apesar disso, as vitórias daSegunda Coligação obrigam os exércitos franceses a abandonar as "repúblicas irmãs". QuandoNapoleão recupera esses territórios, restaura algumas delas, como a República Batava, a República Italiana ou a República Lígur, mas não a República Romana nem a República Partenopeia. Finalmente, entre 1806 e 1808, as repúblicas irmãs desaparecem ao serem integradas por Napoleão noImpério Francês.[7]
Aregime revolucionário francês teve abordagens variáveis de acordo com os tempos e com o lugar em que ocorreram os diferentes movimentos revolucionários noutros estados. Um certo número derepúblicas irmãs daPrimeira República Francesa foram, assim, constituídas mas tiveram existência efémera sendo, por fim, absorvidos como departamentos primeiro da República e, depois, do Império, que as transformou em reinos e principados a distribuir por membros dafamília Bonaparte.
| 1796: Itália setentrional antes da invasão francesa. | 1803: Repúblicas irmãs na Itália setentrional. | 1806: Repúblicas irmãs substituídas por monarquias. |