Movatterモバイル変換


[0]ホーム

URL:


Ir para o conteúdo
Wikipédia
Busca

Povos indígenas do Brasil

Este é um artigo destacado. Clique aqui para mais informações.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Povos indígenas do Brasil
Indígenas respectivamente dos povos:
Ashaninka, Assurini, Bororo, Kayapó, Guajajara, Kaiowá, Kuikuro, Kaingang, Zo'è, Yanomami, Xacriabá, Yawalapiti, Wauja, Waiwai, Terena e Rikbaktsa
População total
1 693 535
segundo o Censo de 2022, aproximadamente 0,8% da população doBrasil[1]
Regiões com população significativa
Línguas
Línguas indígenas eportuguês. O número de línguas indígenas é incerto, variando conforme os critérios utilizados, mas pode chegar a cerca de 270.
Religiões
Religiões tradicionais ecristianismo
Grupos étnicos relacionados
Povos ameríndios

Ospovos indígenas do Brasil compreendem um grande número de diferentesgrupos étnicos que habitam o país desde milênios antes do início dacolonização portuguesa, que principiou noséculo XVI, fazendo parte do grupo maior dospovos ameríndios. No momento dachegada dos portugueses ao Brasil, os povos nativos eram compostos por povosseminômades que subsistiam dacaça,pesca,coleta e daagricultura itinerante, desenvolvendo culturas diferenciadas. Apesar de protegida por muitas leis, a população indígena foi amplamente exterminada pelos conquistadores diretamente e pelas doenças que eles trouxeram, caindo de uma população de milhões para cerca de 150 mil em meados doséculo XX, quando continuava caindo. Apenas na década de 1980 ela inverteu a tendência e passou a crescer em um ritmo sólido. No censo doInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2022, 1 693 535 brasileiros se autodeclararam indígenas, embora milhões de outros tenham algum grau deascendência indígena. Ainda sobrevivem diversospovos isolados, sem contato com acivilização dominante.

Os povos indígenas brasileiros deram contribuições significativas para a sociedade mundial, como a domesticação damandioca e o aproveitamento de várias plantas nativas, como omilho, abatata-doce, apimenta, ocaju, oabacaxi, oamendoim, omamão, aabóbora e ofeijão. Além disso, difundiram o uso darede de dormir e o costume dobanho diário, desconhecido pelos europeus doséculo XVI. Para alíngua portuguesa legaram uma multidão de nomes de lugares, pessoas, plantas e animais (cerca de 20 mil palavras), e muitas de suas lendas foram incorporadas aofolclore brasileiro, tornando-se conhecidas em todo o país. Também foram importantes aliados dos portugueses, mesmo que involuntários, na consolidação da conquista territorial, defendendo e fixando cada vez mais distantes fronteiras, e deram grande contribuição à composição da atualpopulação nacional através damestiçagem.

Suas culturas diversificadas compunham originalmente um rico mosaico de tradições, línguas e visões de mundo que, depois de serem longamente desprezadas como típicas de sociedades bárbaras, ingênuas e atrasadas, ou no máximo apreciadas como exotismos e curiosidades, hoje já começam a ser vistas em larga escala como culturas complexas, sofisticadas em muitos aspectos, interessantes por si mesmas e portadoras de valores importantes para o mundo moderno, como o respeito pela Natureza e um modo de vidasustentável, merecendo consideração como qualquer outra. Mesmo assim, a degradação das culturas tradicionais pelo contato assíduo com a civilização tem sido rápida mesmo dentro das reservas, acarretando penosas repercussões sociais.

Para muitos observadores, o destino dos povos indígenas do Brasil ainda é incerto, e esperam muitas lutas pela frente. Os conflitos que os envolvem continuam a se multiplicar; mortes, abusos, violência e disrupção interna continuam a afligir muitas comunidades, mesmo com todos os avanços e toda proteção jurídica, com toda a conscientização política das comunidades e sua mobilização conjunta, e mesmo com o apoio de expressiva parcela da população brasileira não indígena e organismos internacionais. Há poderosos interesses políticos e econômicos em jogo, e mesmo interesses culturais. Ainda falta muito para que eles consigam garantirsuas terras e uma sobrevivência digna e independente da tutela do governo, que historicamente os entendeu como incapazes e chamou a si a responsabilidade de "administrá-los", mas tem sido também incapaz de assegurar-lhesos direitos que já foram definidos constitucionalmente, e vem sendo acusado até de promover profundos retrocessos de maneira deliberada, que dão continuidade aum secular genocídio, atraindo com isso pesadas e incessantes críticas em casa e no estrangeiro.

Definição

[editar |editar código]
Uma das mais antigas representações europeias dos indígenas brasileiros, incluída noAtlas Miller de 1519

NaIdade Média, a palavra "índio" era empregada para designar todas as pessoas doExtremo Oriente. Ao chegar às Américas,Cristóvão Colombo acreditou que havia encontrado um novo caminho para asÍndias e chamou os nativos que encontrou de "índios".[2] O conceito de "índio" é, portanto, uma invenção europeia, historicamente incorreta e para alguns grupos carrega um cunho depreciativo.[3] Os habitantes originais das Américas nunca se viram como um só povo. Pelo contrário, diferentes grupos indígenas nutriam grande animosidade e constantemente guerreavam entre si.[4] A denominação mais conhecida das váriasetnias quase nunca é a forma como seus membros se referem a si mesmos, e sim o nome dado pelos brancos europeus ou por outras etnias, muitas vezes inimigas, que os chamavam de forma depreciativa, como é o caso doscaiapós, denominação que lhes foi atribuída por povostupis e que significa "semelhante a macaco".[5]

Origem

[editar |editar código]
Ver artigos principais:Paleoamericanos,Povos ameríndios,Povoamento das Américas,Arqueologia da América, eHistória genética dos povos indígenas da América
Hipótese mais aceita da colonização da América. Em marrom, o mapa atual; em ocre, a terra exposta naglaciação, e a área em branco é o gelo terrestre entre 36 e 16 mil anos AP.

Todos os seres humanos descendem de antepassados que habitaram aÁfrica, local onde oHomo sapiens surgiu cerca de 300 mil anosantes do presente (AP).[6][7][8] Por milhares de anos, a África foi o único lugar do mundo onde havia pessoas. Em geral acredita-se que as primeirasa saírem de lá o fizeram há cerca de 50-60 mil anos, mas talvez antes, e a partir de então passaram a se espalhar pelo resto do mundo. Sua primeira irradiação foi para oOriente Médio, a única ligação terrestre da África com os outros continentes, e dali as correntes migratórias se dispersaram: algumas seguiram para o oeste, atingindo aEuropa, enquanto outra parcela rumou para o leste, atingindo aÁsia eOceania. O isolamento prolongado entre essas populações acabou por transformá-las, dando-lhes diferentes características físicas e hábitos de vida, adaptando-se a novos ambientes.[8][9]

Os povos daAmérica (ameríndios) são descendentes do grupo que seguiu para o leste e povoou a Ásia e Oceania. Sua penetração na América foi explicada por várias teorias, e atualmente a mais aceita diz que a passagem foi feita através doestreito de Bering durante aIdade do Gelo. Neste período, com o declínio da temperatura mundial, o gelo do mundo se expandiu, rebaixando onível do mar e expondo terra seca entre apenínsula de Chukotka, no extremo nordeste da Ásia, e apenínsula de Seward, naAmérica do Norte, criando uma ligação transitável entre os dois pontos, a terra daBeríngia. Ali o mar era raso e a exposição máxima de terra seca ocorreu entre 23 e 19 mil anos AP, expondo umistmo de mais de mil quilômetros de largura. No entanto, o gelo cobria a maior parte do norte do território americano, impedindo a progressão dos migrantes da Beríngia para o sul. Com a elevação das temperaturas, em torno de 15-14 mil anos atrás abriu-se um corredor no meio do gelo, possibilitando a passagem. Com o fim da Idade do Gelo o nível do mar subiu, e entre 12 e 11,3 mil anos AP a ligação dos dois continentes foi definitivamente inundada, bloqueando novas migrações e isolando as populações que ficaram na Ásia das que migraram para a América. Como não havia alternativa, essas pessoas continuaram se deslocando, ao longo de milhares de anos, povoando toda a América.[10][11][12][13]

Povoamento da América

[editar |editar código]

A penetração via Beríngia se consolidou como a melhor explicação para a origem dos povos da América.[14] Análises linguísticas corroboram esses resultados, tendo sido encontradas similaridades entre as línguas faladas naSibéria e aquelas faladas no continente americano,[15] e também tem apoio nagenética, mas ainda subsiste considerável incerteza sobre quando o homem penetrou no continente pela primeira vez, sobre quantos foram, se a migração aconteceu de uma só vez ou em ondas sucessivas, e como dali se desenhou o avanço para o sul.[16][10][11][12][17][18]

Distribuição mundial doHaplogrupo Q (ADN-Y)
Vias da dispersão mundial doHaplogrupo K (ADN-Y)

Os estudos mais recentes tendem a apontar para o estabelecimento do núcleo genético ancestral na Sibéria/nordeste asiático em torno de 40 mil anos AP, a chegada na Beríngia de uma onda migratória principal a partir de c. 34 mil anos AP,[19] com duas ou mais outras ondas, menores e posteriores, com pouca expressão em termos de volume de descendência;[14][20] significativa diversificação genética durante a permanência na Beríngia, sem novos contatos com populações asiáticas, formando-se entre c. 24 mil e c. 18 mil anos AP pelo menos 15 linhagens distintas e exclusivas do continente americano, apontando para uma diversidade genética da população fundadora maior do que se pensava,[14][21] e então ocorrendo diversos fluxos migratórios para o sul.[14][22][20] Pelo menos uma das linhagens trazìa pequena parte de material genético oriundo da Oceania/sudeste asiático, mas esta linhagem em grande parte se extinguiu logo após a entrada na América e é ancestral de poucos povos modernos.[14][22][20][23] Os pontos que ainda permanecem os mais disputados são o número de ondas migratórias e a cronologia dessas migrações.[14]

Migrações da Ásia, África e Europa via oceano também foram aventadas, mas têm poucos defensores e nenhuma evidência biológica ou arqueológica sólida. Contudo, há algumas evidências genéticas de uma migração muito pequena da Polinésia via oceano diretamente para a América do Sul, mas em tempos bem mais recentes.[14]

Durante muito tempo se julgou que os primeiros humanos a se fixarem na América haviam sido os chamadospovos de Clóvis, instalados noNovo México,Estados Unidos, cujos registros mais antigos teriam c. 13-14,5 mil anos.[12][24] No entanto, a partir do início do século XXI, um crescente número de estudos vêm apontando para a ocupação inicial da América entre 20 e 15 mil anos AP, e essa nova visão tem sido amplamente aceita.[25][19] Mesmo assim, o debate continua.[14] Diversossítios arqueológicos americanos têm sido propostos com datações ainda mais recuadas, inclusive no Brasil, mas não se formou nenhum consenso sobre essas propostas e continuam sob intensa crítica,[25][14] como o sítio das pegadas humanas em Vasequillo, no México, datado com cerca de 40 mil anos,[19] o sítio deMonte Verde, noChile, para o qual foi proposta uma datação de 33 mil anos,[11][24] e quatro assentamentos na América do Norte, que foram datados entre 100 e 300 mil anos.[11] Isso colocaria a migração antes de o corredor de terra seca e livre de gelo ter-se formado em torno de 14-15 mil anos AP, exigindo uma explicação alternativa para a passagem, mas não a torna impossível, podendo ter havido deslocamentos por mar ou pelo litoral.[10][11] Se a passagem litorânea aconteceu, será difícil provar, pois com a última elevação no nível do mar as evidências estarão hoje submersas.[10][19]

O que parece claro é que os seres humanos foram extremamente rápidos no seu avanço, e em apenas três milênios havia pessoas ocupando todo o continente americano e chegavam àTerra do Fogo, seu extremo sul, se adaptando aos mais variadoshabitats e modificando-os sensivelmente.[26][27]

Povoamento do Brasil

[editar |editar código]
Ver artigo principal:História pré-cabralina do Brasil
Crânio escavado no sítio da Pedra Furada.

A forma e cronologia de ocupação do atual território brasileiro, como se pode deduzir, são igualmente incertas. Os sítios arqueológicos localizados naSerra da Capivara, como o de Pedra Furada, Tira-Peia, Moendas e Sítio do Meio, estão entre os mais antigos do Brasil, com indícios de que tenham sido ocupados entre 30 e 20 mil anos AP.[25] Achados emSão Raimundo Nonato, noPiauí, sugerem cronologias que se estendem a até 48 mil anos AP, e especula-se que camadas inferiores já identificadas mas ainda não exploradas poderiam revelar fósseis de até 60 mil anos, e no sítio Santa Elina, no Mato Grosso, foram propostas datações de 27 mil anos.[14][10][11][17][18][28][29] Essas e outras datações similares permanecem muito controversas, e a opinião mais aceita considera que a ocupação do Brasil começou cerca de 13 mil anos AP.[25][14][19][30][31] O extremo sul do Brasil parece ter sido atingido primeiro pelospovos umbu, que deixaram registros datados com c. 12 mil anos de idade.[32]

Ocrânio de Luzia exposto noMuseu Nacional do Brasil.

No sítio daLapa Vermelha, na região arqueológica deLagoa Santa, emMinas Gerais, foi encontrado umcemitério datado em pouco mais de 10 mil anos, estudado primeiramente porPeter Lund noséculo XIX. Muitas outras pesquisas se sucederam.Annette Laming-Emperaire, na década de 1970, encontrou ali ofóssil batizado deLuzia.[17][18] Parte de uma população conhecida comopovo de Lagoa Santa, Luzia ficou conhecida como a mais antiga brasileira, com idade estimada inicialmente em até 16,4 mil anos,[33] mas essa antiguidade foi contestada, aceitando-se em geral c. 11 mil anos. Baseando-se na forma do seu crânio, na década de 1990 o pesquisador Walter Neves reconstruiu a face de Luzia dando-lhe uma marcante aparêncianegroide, contrastando com ofenótipomongoloide que define os ameríndios em geral.[34] Achados em vários outros locais de todo o continente, embora não tão antigos, confirmam uma presença precoce do tipo negroide na América, bem antes da chegada dos primeiros africanos noséculo XVI.[17][35][36][28] Contudo, em um estudo recente, a análise do DNA mostrou que o código genético do povo de Lagoa Santa é semelhante ao de todos os povos indígenas da América, mas um indivíduo continha uma pequena participação de genes negroides oriundos daOceania (Austrália eMelanésia). Outro estudo, porém, testando uma amostragem diferente, não detectou a presença desta linhagem. De toda forma, nenhum dos estudos atribuiu a forma do crânio de Luzia a possíveis genes negroides, e explicaram-na pela simples diversificação genética e fenotípica das populações ameríndias depois da sua chegada na América. Essas pesquisas recentes possibilitaram a criação de um outro modelo para o rosto do povo de Lagoa Santa, mais semelhante ao tipo mongoloide.[14][37][34]

Corteestratigráfico de umsambaqui, comum em assentamentos litorâneos de toda a América, com ossadas e camadas de conchas e artefatos

A chegada dos primeiros povos ao Brasil desencadeou significativas mudanças no meio ambiente, através da extinção damegafauna primitiva pela caça, da domesticação de uma série de plantas para consumo, e do desenvolvimento de técnicas de cultivo e dispersão de espécies arbóreas selecionadas, como oaçaí e oburiti, modificando deliberadamente a composição vegetal de certas áreas da mata. Ao mesmo tempo, as populações diversificaram suas culturas e tecnologias no processo de adaptação aos diferentes ambientes que encontraram, formando-se sociedades com diferentes tipos de economia e organização, que iam desde as sociedades decaçadores-coletoresnômades até sociedades agrárias com variados graus desedentarização e outras com algum nível deurbanização.[38] Pesquisas recentes derrubaram a antiga teoria de que as populações brasileiras teriam ficado completamente isoladas das populações andinas, demonstrando que ocorreram algumas trocas genéticas e culturais entre essas regiões.[22]

O Brasil, ao ser formado pela migração de ameríndios, africanos e europeus (a partir do século XVI) e asiáticos (a partir do século XX) tornou-se um ponto de "reencontro" dessas pessoas que, apesar de terem a mesma origem ancestral, ficaram separadas durante milênios devido às migrações para diferentes partes do mundo. Esses milênios de separação criaram diferenças culturais, linguísticas e fenotípicas, em decorrência da adaptação de cada grupo a meios ambientais completamente diferentes. Apesar dessas diferenças serem muitas vezes interpretadas como formadoras de "raças" humanas diferentes, do ponto de vista genético o conceito deraça é infundado.[39]

As sociedades tradicionais

[editar |editar código]

Diversidade e unidade

[editar |editar código]
Pontas de flecha em pedra lascada dacultura umbu, a primeira que deixou registros conhecidos no sul do Brasil
Peça de pedra polida em forma de peixe da culturasambaqui

Como base do entendimento sobre a cultura indígena é preciso saber que não há uma cultura indígena unificada. Cada povo ao longo de milênios desenvolveu modos próprios de compreender e de se relacionar com o mundo, que se expressam em tradições religiosas, artesanato, músicas, hábitos sociais e festejos peculiares, entre outros aspectos, e entrar em detalhes sobre cadaetnia e cada grupo seria impossível no escopo deste artigo.[40][41][42][43]

As descrições quinhentistas e seiscentistas sobre o modo de vida dos indígenas brasileiros foram feitas pelos colonizadores, seus relatos tratam em geral dos povostupis, e são limitados em muitos aspectos. Sendo culturas que nunca haviam entrado em contato, houve muita incompreensão e imprecisão de parte dos primeiros observadores.[44] Até onde se sabe, viviam uma vida basicamente decaçadores-coletoresnômades, com umacultura material reduzida a armas e ferramentas — sobrevivendo grande acervo de pontas de flecha e lança, machados e outros artefatos empedra lascada e osso — formas de sepultamento e apetrechos pessoais, incluindo adornos corporais com conchas, pedras, sementes, etc. Aos poucos aparecem objetos empedra polida de progressiva sofisticação,registros rupestres e logo artefatos emcerâmica e pedra esculpida (estes, raros), além de evidências de práticas agrícolas, indicando algum grau desedentarização, definindo o modelo abaixo descrito, que corresponde, numa grande generalização, à provável realidade dos indígenas brasileiros noséculo XVI. Mas esta evolução não foi linear, e os diferentes povos foram encontrados pelos colonizadores vivendo variadas formas de cultura, uma diversidade que perdura até hoje e continua em transformação. Nenhuma das atuais etnias do Brasil ainda conserva sua cultura como era no tempo do Descobrimento. A despeito dessas diferenças, há também características básicas comuns.[24][45][46][47][48]

O Portal Brasil, com dados do Censo de 2010, indica que ainda vivem no país mais de 300 etnias, que falam mais de 270 línguas, mas esses números variam conforme os critérios utilizados.[49] OMinistério da Justiça, por exemplo, apontava cerca de 218 etnias e 180 línguas em 2007.[50][51] Essa riqueza linguística deixou grande contribuição à cultura nacional em nomes de pessoas e lugares, comoCuritiba,Piauí, Ubirajara e Iracema, em nomes de plantas ou animais como caju, jacaré, abacaxi, tatu.[52] O número de vocábulos tupis incorporados ao português do Brasil é alto, alcançando, segundo estimativas, o número de 20 mil palavras.[53]

Organização da aldeia e sustento

[editar |editar código]
Uma aldeia típica doAlto Xingu

As comunidades viviam emtribos, uma entidade organizacional complexa composta de várias aldeias ligadas por parentesco e por interesses comuns. Cada aldeia consistia de um grupo de habitações coletivas, as chamadasocas ou malocas, dispostas em relação a uma praça que podia ser o centro ou não, e que era destinada a atividades comunitárias como celebrações, rituais, assembleias e outras. No centro da praça podia haver uma oca destinada a atividades exclusivamente masculinas. Em cada habitação moravam muitos casais com suas famílias, podendo abrigar de 50 a 200 indivíduos, e em muitos casos, bem mais. As ocas eram construídas com um arcabouço de madeira inteiramente fechado com palha, deixando de uma a três aberturas para circulação.[44] Em geral eram estruturas alongadas e altas, mas podiam assumir variadas formas e tamanhos, e algumas tribos, como osmarubo e osianomâmis, construíam apenas uma, onde residiam todas as pessoas da aldeia.[54]

Uma aldeia com um sistema de paliçadas para defesa, gravura deHans Staden, 1557

A maior parte da vida familiar se desenvolvia no interior das ocas, que possuíam divisões internas mínimas ou nenhuma. Com esta conformação, nada podia ser segredo para ninguém e tudo era feito à vista de todos, inclusive o intercurso sexual dos casais. À noite acendiam fogueiras e dormiam em redes. Uma descrição dePero de Magalhães Gândavo, corroborada por outros cronistas, assim mostra o cotidiano no interior das habitações: "Em cada casa vivem todos muito conformes, sem haver nunca entre eles nenhumas diferenças: antes são todos amigos uns dos outros, que o que é de um é todos, e sempre de qualquer coisa que um coma, por pequena que seja, todos os circunstantes hão de participar dela".Jean de Léry relatou que "mostram os selvagens sua caridade natural presenteando-se diariamente uns aos outros com veações, peixes, frutas e outros bens do país, e prezam de tal forma essa virtude que morreriam de vergonha se vissem o vizinho sofrer falta do que possuem".Florestan Fernandes acrescentou: "O mesmo padrão básico de cooperação vicinal aplicava-se às relações dos membros das malocas que faziam parte de um grupo social. Os produtos da caça, da pesca, da coleta e das atividades agrícolas pertenciam à parentela que os conseguisse".[44]

Quando a aldeia ficava próxima de inimigos, era cercada porpaliçadas de troncos de árvores. Entre as paliçadas eram cavados fossos disfarçados com ramos e folhas, e, no fundo, eram fincadas estacas pontiagudas. Algumas tribos, como osaimorés, não construíam aldeias. Simplesmente limpavam uma área e dormiam debaixo das árvores, mantendo, à noite, fogueiras acesas.[55] Outros, como ostucanos, organizavam-se em núcleos familiares mais ou menos independentes, estabelecendo aldeias e habitações pequenas.[56]

Viviam da caça, da pesca e daagricultura de subsistência, mudando periodicamente a instalação das aldeias conforme o declínio dosrecursos naturais disponíveis no entorno. O abandono de áreas exploradas possibilitava sua recuperação natural.[45][57] Como precisavam de poucos bens materiais, e obtinham tudo diretamente de uma Natureza exuberante, apobreza era desconhecida no cotidiano, sempre havia o bastante para todos viverem felizes e saudáveis, com uma cultura fortemente baseada natroca e na distribuição equitativa de excedentes. Carências e fome só ocorriam em situações de crise geral, como nasepidemias, que despovoavam as aldeias desestruturando suas cadeias produtivas, ou nas secas, que afetavam negativamente o ambiente de grandes regiões.[45][58]

Beiju servido sobre folhas de bananeira

Tinham amplo conhecimento da produção de bebidas fermentadas a partir de tubérculos, raízes, folhas, sementes e frutos como o milho, mandioca, batata-doce, buriti, caju, amendoim, banana, ananás.[59] Deixaram forte herança na culinária brasileira, com pratos à base de mandioca e milho, tais como apamonha e obeiju, e também com o guaraná, palmito, batata-doce, cará, pinhão, cacau, amendoim, caruru, serralha, mamão, araçá e caju, embora haja dezenas de outros hoje pouco comuns ou de conhecimento apenas regional, como o abajeru, apé, araticum, azamboa, bacaba, bacupari, camboim, cambucá, curuanha, curuiri, guti, grumixama, guapuronga, mocurí, mundururu, murici, ubucaba e umari. Outros vegetais utilizados pelos indígenas eram o algodão, o tucum, gramíneas, bambus e o guaratá bravo, para extração de fibras e fabrico de tecidos, ornamentos e cestaria; para fazer vassouras, a piaçava; gêneros de abóboras para produzircabaças, usadas para armazenar água ou farinha. Dos alimentos derivados de animais, destacam-se os de tartarugas e seus ovos, como o arabu, o abunã, o mujanguê e o paxicá; de peixes, como apaçoca e omoquém (também podem ser de outros animais), opiracuí, amoqueca e amixira.[52][60]

Estrutura social e familiar

[editar |editar código]
Debret:Família de chefecamacã se preparando para um festejo, c. 1820-1830
Indígenaianomâmi em sua rede tecendo uma cesta, tendo ao regaço seu filho pequeno

Suas sociedades eram comunais, sempropriedade privada em larga escala, bastante igualitárias e descentralizadas, ainda queestratificadas, com papéis sociais nítidos e excludentes, com divisão de trabalho estatus em moldes tradicionais, embora algumas culturas fossem bastante livres neste aspecto, permitindo grandes intercâmbios de funções. Lideranças e outras funções de prestígio às vezes eram transmitidas em caráter hereditário,[45][57][61] mas em geral os critérios decisivos eram a competência, o prestígio e o carisma pessoal.[62] Costumavam venerar os ancestrais e tinham respeito pela autoridade e sabedoria dos líderes, dos anciãos e dospajés, que se responsabilizavam pelas tarefas administrativas superiores da tribo, incluindo a aplicação da Justiça e a condução de ritos e festejos coletivos.[45][58][63] As tribos mantinham-se coesas for fortes laços de parentesco e reciprocidade.[45][62] O poder era exercido principalmente através da persuasão e da cortesia, de forma colegiada entre os maiorais, os pajés e anciãos, sendo raras as decisões autocráticas do líder principal salvo em emergências coletivas; podia envolver oferta de presentes e outras benesses ao grupo, e líderes tirânicos não permaneciam muito tempo na função. Para que pudessem exercer sua generosidade, os líderes recebiam serviços e bens diversos da comunidade.[62] Seu contato com outras tribos, mediado geralmente por essa elite, se dava através de relações de comércio, cortesia, comemoração, ritual, cooperação, parentesco ou afinidade, aliança e conflito.[57][64][65] Guerras entre indígenas foram comuns antigamente, se registram ciclos de alternância de poder entre vários cacicados poderosos ao longo dos séculos.[57]

Os homens cuidavam da guerra, da caça, da pesca, da liderança tribal e relações externas, da construção das estruturas físicas da aldeia, das canoas e armas, de certos tipos de arte e ornamentos corporais, da produção do fogo, dos ritosxamânicos (que incluíam práticas medicinais) e da derrubada das matas para as lavouras. Às mulheres cabiam o plantio, a colheita, o preparo de alimentos, a fabricação de utensílios domésticos, tecidos e adornos, a preservação do fogo, a limpeza e organização das ocas, a criação de animais, o cuidado inicial da prole e dos mais velhos, e colaboravam na caça e na pesca coletando os animais. Sua sociedade impunha um pesado fardo às mulheres em múltiplos trabalhos, alguns muito pesados, mas delas dependia parte essencial do sustento da tribo e desempenhavam um papel fundamental na localização do homem no tecido social e na preservação do seu conforto pessoal, a ponto de o padreJosé de Anchieta dizer que se um homem não tivesse mulher era um pobre coitado. A educação das crianças era compartilhada por todos os habitantes da aldeia, e estimulava-se a autonomia. Certas atividades podiam ser discriminadas por idade. Não haviaescravidão para obtenção de mão de obra, embora fizessem prisioneiros de guerra. Para trabalhos de grande vulto o sistema do mutirão era a prática usual.[44][45][61]

Famíliamagüta da Amazônia em 1865

A família podia sermonogâmica oupoligâmica, com predomínio dapoliginia. O casamento não era uma ligação perene nem muito sólida, odivórcio era frequente e fácil, e os maridos podiam usar as mulheres como moeda de troca. O relacionamento entre as várias esposas de um mesmo homem podia gerar atritos e ciúmes, especialmente se havia uma predileta, mas em geral era cordial e respeitoso. Em muitas tribos o casamento era um complexorito de passagem que exigia o sacrifício de um prisioneiro de guerra, quando o homem trocava de nome e podia então constituir família.[44] Havia muitas uniões consanguíneas, fortalecendo a unidade dos clãs e as redes de reciprocidade que asseguravam a manutenção da ordem e da vida comunitária em larga escala.[44][45][62] Maus tratos de homens sobre esposas e filhos eram comuns e aceitos socialmente, entendidos como assunto privado; em muitas tribos pais e mães tinham direito de vida e morte sobre seus dependentes.[62] A mãe amamentava o filho por vários anos, caso não tivesse outro no período. A criança pequena estava sempre acompanhada, e antes de andar frequentemente ia carregada em várias atividades adultas, incluindo a lavoura. Se fosse menino, o pai lhe ensinava logo cedo a manejar o arco e a flecha, a construir balaios e outras lidas. Quando menina, a mãe a introduzia no mister de fiar, tecer redes e fabricar adornos.[55][61] Rituais solenes de passagem, conduzidos por xamãs ou pajés, marcavam as diferentes etapas do crescimento desde o nascimento até a morte, e eram celebrados por toda a tribo com grande aparato.[45][63][66][67] Pessoas com deficiência ou muito idosas podiam ser abandonadas, mortas ou podiam solicitareutanásia.[62]

Tradições, crenças, conhecimentos e valores

[editar |editar código]
Ver artigos principais:Cultura indígena do Brasil,Jogos dos Povos Indígenas, eMitologia guarani
Urna funerária marajoara,Museu Americano de História Natural

A vida de cada indivíduo era programada em linhas gerais desde antes do nascimento pela estrutura tradicional e relativamente fixa de suas culturas, com normas sociais mantidas sem grande modificação desde tempos imemoriais. Muitas sociedades eram profundamente ritualizadas, desenrolando o tecido de suas vidas ao comando demitos e crenças diversas, que cercavam certas atividades detabus invioláveis e davam instruções para muitos atos cotidianos.[66][68][69] No entanto, variações e mudanças existiram ao longo do tempo, e cronistas antigos informam que na ocorrência de uma situação inesperada ou desconhecida, costumava-se convocar um conselho tribal para analisar o fato novo. Se ele pudesse ser harmonizado às tradições, era incorporado ao cânone dos costumes e imediatamente se tornava regra geral, mas apenas um voto contrário na assembleia podia levar à sua rejeição.[44] Com o passar do tempo ocorreram muitos intercâmbios entre povos diferentes, e depois com os colonizadores, e essa evolução progride ainda hoje, sendo de fato culturas vivas e dinâmicas, mesmo que baseadas em tradições antigas.[42][57][65]

Pouco se sabe sobre suas antigas crenças religiosas senão através de interpretações distorcidas transmitidas pelos colonizadores, para os quais nos primeiros tempos parecia que não possuíam nenhuma ideia deDeus.[66][70][71] Nas palavras de Hans Alfred Trein, "a inexistência de uma formação social deEstado foi interpretada como carência civilizatória, da mesma forma como a inexistência de um Deus e de um discursoteológico foi interpretada como carência de religião".[71] Logo se percebeu que eles mantinham sim muitos ritos e crenças religiosos, a ideia do divino era de fato generalizada, mas com muitas variações em seu significado.[71][72][73] Nas cosmovisões indígenas é comum uma noção de tempo não linear, em que o universo não tem uma origem e fim definidos e os tempos se confundem. Muitas tribos acreditavam em um deus supremo, mas este deus podia ter a função única de criar o universo, deixando-o depois sob a responsabilidade de deuses secundários.[69][70][71][73] Às vezes, porém, a origem do mundo é inteiramente desconhecida e ele já aparece pronto nas suas lendas de criação, podendo então destacar-se a figura de um herói sábio e civilizador, que podia ser algum tipo de super-homem ou alguma entidade divina, seres benevolentes que organizam e instruem a humanidade e lhe concedem dádivas valiosas. Em muitas tradições a humanidade nasce de um animal mitológico poderoso. Por outro lado, cosmogonias com um par (às vezes antagônico) ou uma coletividade de criadores primevos também são comuns.[71][74]

Pajé guarani
Funeral dosbororos, registrado porWilhelm Kuhnert (1865–1926)

Vários animais, plantas, seres mitológicos e a própria Terra e seus elementos em todas as culturas foram variavelmente deificados (animismo), sacralizados ou personificados, e em muitas comunidades cultivava-se uma identificaçãopanteísta de um poder divino insondável com a Natureza e os homens. Para eles o mundo visível era apenas um de muitos mundos paralelos, que em certos aspectos ou momentos podiam se tornar intercomunicantes.[68][67] A ideia de umparaíso pós-morte, como a "terra sem males" dosguaranis, reservada aos bons e corajosos, era recorrente em várias culturas,[75][76][77] e praticavam-se elaborados rituais de sepultamento dos mortos, bem como para preservar a memória de ancestrais e dos fundadores míticos dos clãs. Mas suas religiões não eramdogmáticas, não havia umaliturgia imutável, nem escrituras sagradas, não ofereciam vítimas sacrificiais ao seus deuses e não praticavam oproselitismo religioso.[67] Acreditavam em diversos tipos de demônios e espíritos da floresta, como oCurupira, um protetor dos animais, capazes de causar dano às pessoas, exigindo ser aplacados com ritos ou presentes. Os mediadores por excelência entre o plano divino e humano eram ospajés ouxamãs, que eram também, junto com os anciãos, os principais guardiões e transmissores de suas tradições. Mas havia algumas tribos sem pajés, e os deuses, espíritos e antepassados podiam se comunicar com os humanos comuns através de animais, sonhos, intuições e visões proféticas. O uso de substânciasalucinógenas,tabaco e beberagensembriagantes era generalizado, embora sujeito a regras precisas, para fazer a ponte para o mundo invisível, para relembrar tradições e os antepassados, selar pactos entre as tribos ou renovar a união interna da comunidade.[45][56][70][71][73][67][78][79]

Diversas de suas lendas se tornaram populares entre não-indígenas, enriquecendo osfolclores regionais, como as lendas doBoto, daBoitatá, daIara, doUirapuru e do Curupira,[80] mas as mitologias indígenas geram também grande interesse acadêmico, e a partir de estudos deClaude Lévi-Strauss passou-se a perceber uma recorrência de certos temas em seus mitos e cosmologias que são comuns à cultura ocidental, podendo por isso ser valiosas vias de comunicação intercultural. No sumário doInstituto Socioambiental, esse corpo de símbolos enfatiza...

"[...] a reflexão sobre oposições, tais como a de natureza/cultura; vida/morte; homem/mulher; particular/geral; identidade/alteridade. As mitologias e as cosmologias indígenas tratam, portanto, de temas com que se preocupam todos os homens, com menor ou maior grau de elaboração, expressão ou consciência. São temas que remetem à essência do que significa ser humano e estar no mundo. Por isto mesmo, apesar do estranhamento inicial trazido por signos desconhecidos - que carregam concepções inesperadas, articuladas a teorias cuja tradução escapa à primeira aproximação - a comunicação é possível e se dá não só na pesquisa e na divulgação, como também fascina e desafia".[68]
Pictograma naSerra da Capivara mostrando um ritual envolvendo uma árvore

Desenvolveram vários conhecimentos astronômicos e científicos, associando observações dos astros e domeio ambiente aos ciclos de vida da comunidade e às suas crenças religiosas, mas muito pouco se sabe sobre isso. Na descrição do etnoastrônomo Germano Bruno Afonso, "os índios e os povos antigos não faziamastronomia só por fazer. Tudo tinha uma razão. Além da parte prática, com finalidade de orientação — ospontos cardeais — havia toda uma parte religiosa, de ritual, de culto aos mortos, de fertilidade etc., que também era ligada à astronomia. Por exemplo, para os tupi-guarani cada um dos pontos cardeais representa o domínio de um deus".[81] OCruzeiro do Sul era a constelação mais conhecida, usada como uma referência para orientação geográfica.[82] Sobrevivem relatos históricos sugestivos, como o domissionário francêsClaude d'Abbeville: "Os tupinambá atribuem (corretamente) à Lua o fluxo e o refluxo do mar e distinguem muito bem as duas marés cheias que se verificam nalua cheia e nalua nova ou poucos dias depois". Vários mitos relacionam o fenômeno dapororoca àsfases da Lua, o que é também correto, muitas tribos usavam formas derelógios solares (gnômons), e contavam o tempo através domovimento aparente do Sol.[82] Astros e constelações aparecem em pictogramas rupestres, e são personificados e divinizados em suas tradições imemoriais, atribuindo-se-lhes poderes maravilhosos e até comportamentos emocionais. Guerreiros ou personagens famosos podiam ser transformados em estrelas e constelações, ou mesmo em animais ou plantas sobrenaturais.[82][83][84][85][86] No célebre mito damandioca, por exemplo, em versão recolhida porCouto de Magalhães, a planta, que é vital para o sustento indígena, nasce do corpo de uma menina morta.[87] Para ostupi-guarani, seJaci (a Lua), gostasse de alguma menina e a quisesse ter por companhia, a transformava em estrela. Por outro lado,eclipses ecometas, aparições inesperadas, fora da ordem natural que concebiam, costumavam espalhar o terror entre eles.[88] Estando em contato íntimo com a Natureza, se tornaram profundos conhecedores de seus segredos e recursos, ainda que inúmeros fenômenos naturais fossem explicados através de razões sobrenaturais.[86][88] Plantavam de acordo com as estações e as fases da Lua, conheciam relações entremudanças climáticas e mudanças nabiodiversidade, e usavam ocontrole biológico de pragas agrícolas.[82]

Muitas etnias mantinham costumes que chocaram os colonizadores, como ocanibalismo, oincesto, oinfanticídioneonatal[89] e afeitiçaria, embora deva-se assinalar que estavam inseridos em um contexto cultural coerente,[45][90][91] mas foram também frequentes os relatos sobre sua generosidade, sua habilidade guerreira, seus valores de honra e coragem, notabilizando-se como heróis, por exemplo,Filipe Camarão eSepé Tiaraju.[45][92][93][94] D'Abbeville registrou noséculo XVI: "As leis da cavalaria, no tempo em que floresceu na Europa, não excediam por certo em pundonor e brios a bizarria dos selvagens brasileiros. Jamais o ponto de honra foi respeitado como entre estes bárbaros, que não eram menos galhardos e nobres do que esses outros bárbaros, godos e árabes, que fundaram a cavalaria".[95]Duelos por questões de honra eram comuns.[62]

Uma guerra naval em gravura deTheodor de Bry

A guerra era frequente e muitas vezes ritualizada. Podia atender à necessidade de resolver rivalidades e delimitar poder entre as tribos, mas suas principais motivações eram a vingança de ofensas e a captura de prisioneiros destinados ao sacrifício por ocasião do matrimônio dos guerreiros. Até a chegada do colonizador parecem ter sido muito raras as guerras de conquista, não conheciam o cavalo nem armas de fogo ou equipamentos bélicos sofisticados, e suas armas principais eram o tacape, o arco e a flecha, pedras de arremesso, a lança e o escudo, instrumentos típicos do combate corpo-a-corpo, não desprezavam o uso de golpes com mãos nuas, arranhamentos com as unhas e mordidas, e eram hábeis na guerrilha, no combate naval e na emboscada. Matar muitos inimigos e fazer prisioneiros acrescentava grande prestígio e fazia parte do seu sistema de afirmação da masculinidade. Os prisioneiros de guerra não precisavam ficar confinados porque a fuga representaria grande vergonha e desonra. Eram tratados familiarmente como se fossem membros da aldeia, e eram bem alimentados e cuidados até o momento de serem mortos.[44][62][94]José de Anchieta testemunhou: "Naturalmente são inclinados a matar, mas não são cruéis; porque ordinariamente não dão nenhum tormento aos inimigos, porque se os não matam nos conflitos da guerra, depois tratam-nos muito bem, e contentam-se com lhes quebrar a cabeça com um pau, que é morte muito fácil. [...] Se de alguma crueldade usam, ainda que raramente, é com o exemplo dos portugueses e franceses". Apesar dos conflitos frequentes, os relatos de carnificinas extensas intertribais só aparecem depois de avançar a conquista portuguesa, quando mudam todas as relações de poder, as guerras para conquista e escravização se tornam habituais e se formam e caem em sucessão poderosos cacicados.[94]

Dança coletiva em torno dos troncos que representam os mortos homenageados noQuarup, um dos mais importantes festejos intergrupais da região doXingu

Também se registram narrativas sobre intensos afetos familiares e sua predisposição a atividades artísticas e festejos,[45][96][97] celebrando regularmente grandes encontros que congregavam enormes grupos, sendo o mais conhecido oQuarup, ritual celebrado até hoje que homenageia os mortos importantes, onde se trocam presentes, compartilham refeições elaboradas e experiências de vida, e ocorrem disputas esportivas, cantos, lamentos e danças coletivas.[98][99]

Muitas vezes cobriam seus corpos com variada ornamentação de plumas, fibras e outros materiais naturais, especialmente em ocasiões de festejo ou cerimônia, mas a nudez era corriqueira e não causava nenhuma vergonha. Mas vivendo na floresta, cheia de animais agressivos e obstáculos físicos, muitas tribos usavam no cotidianotapa-sexos, protetores penianos ou tangas de tecido, que tinham a função de proteger os genitais contra acidentes ou ataques de insetos. Mantas de tecido para cobrir todo o corpo eram raras.[58][100] Dispensavam grandes cuidados ao corpo e à higiene pessoal. Deles vem o costume moderno do banho diário.[101] Mas pouco se sabe sobre a suasexualidade e seu significado sociocultural ou afetivo. Pareciam ter uma atitude bastante livre quanto a ela em vários aspectos. Avirgindade era pouco valorizada e costumavam ser ativos sexualmente antes do casamento, embora tabus interditassem para o sexo ospré-púberes e as mulheres emperíodo menstrual e nopuerpério. Em muitas tribos eram aceitos, por exemplo, osexo grupal, algumas formas deincesto, oadultério e ahomossexualidade, e homens podiam oferecer os favores sexuais de suas esposas a visitantes ilustres como forma de cortesia. Mesmo o sexo e a higiene eram praticados à vista de quem estivesse perto. É de notar que as ocas em que viviam não tinham divisões internas.[62][96][102]

Por outro lado, tinham suas próprias convenções restritivas que, se violadas, acarretavam vergonha,ostracismo ou outras sanções severas que iam de castigos físicos até obanimento ou apena de morte. Alguns exemplos são ilustrativos: Xamãs suspeitos de praticar feitiçaria contra membros de sua tribo podiam ser executados;[62][91] se um homem se mostrasse covarde era rejeitado pelas esposas; revelação de segredos deiniciação podia significar a morte,[62] e em algumas tribos se mulheres profanassem a Casa das Flautas, reservada apenas aos homens, sua lei exigia que fossem punidas com umestupro coletivo.[43] Os crimes não prescreviam pelo tempo e justificações como embriaguez, descontrole emocional ou coação não costumavam ser aceitas como atenuantes ou escusas de responsabilidade.[62][91]

Relação com o ambiente e a terra

[editar |editar código]
Família em atividades à beira de um rio

Em muitos aspectos de sua vida a Natureza se fazia presente, e de fato, como se viu, sua sobrevivência dependia dela em regime diário.[45][103] Mantinham animais de estimação;[104] muitas tribos eclãs remontavam suasgenealogias a animais míticos; vários animais e plantas participavam de lendas, eram tidos como deuses ou mágicos, deviam ser propiciados com oferendas e cerimônias, e eram reproduzidos em sua arte.[105][106] Embora não tivessem umaconsciência ecológica nos moldes ocidentais, viam em geral a Criação como uma obra divina, a vida como toda interrelacionada, e a Terra como viva e sagrada, e mesmo que tirassem proveito e sustento do ambiente, mantinham um modelo de vida caracterizado pelasustentabilidade.[58][73][107] Pela fundamental importância que as terras tradicionais têm nas suas culturas, estando intimamente associadas amitos fundadores, hábitos de vida e tradições culturais e sociais, e sendo o local de sepultamento dos venerados ancestrais, sua perda em regra significa a desintegração das sociedades.[47][108]

Sua sobrevivência também é ameaçada porque muitos animais e plantas que lhes eram importantes de várias maneiras estão desaparecendo, e a legislação nacional proíbe a predação e captura deespécies nativas. Para os indígenas se abre exceção, desde que o uso se destine à alimentação e a funções tradicionais, mas isso impede que usem produtos naturais, como penas de aves, em artesanato com objetivo comercial, que para muitas tribos já é importante fonte de renda.[109][110]

Cultura e arte

[editar |editar código]
Ver artigos principais:Cultura indígena do Brasil,Línguas indígenas do Brasil,Música indígena brasileira, eArte plumária indígena brasileira
Mapa etnográfico da América do Sul, apresentando as principaisfamílias linguísticas

Como já foi mencionado, originalmente a educação nas comunidades era dada de maneira coletiva e tradicional, em grande parte baseada naoralidade, já que nenhuma das sociedades indígenas brasileiras possuiusistemas de escrita conhecidos. Calcula-se que antes de Cabral eram faladas cerca de 1 300 línguas nativas. Hoje seu número é muito menor. Não se sabe exatamente qual seja, devido à variação nos critérios utilizados, mas pode ainda haver cerca de 270 línguas vivas. O número oficial do IBGE é de 274. Muitas, porém, estão em rápido declínio, com apenas poucos falantes. Poucas foram estudadas em profundidade, apenas 9% delas tem descrição completa, comgramática, coletânea de textos edicionário. Elas se dividem em dois grandestroncos linguísticos, otupi e omacro-jê. No primeiro se incluem, por exemplo, as línguastupi-guarani, monde,tupari,juruna emundurucu, e no segundo, jê,bororo e botocudo. Também existem diversos grupos falantes delínguas isoladas, sem afinidades próximas com quaisquer outras línguas, como oticuna,trumai ejabuti. Além disso, há uma infinidade dedialetos e variações das línguas principais. O ticuna, oguarani-caiouá e ocaingangue são as que têm maior número de falantes.[111][112][113]

Pinturas rupestres noParque Nacional Serra da Capivara, declaradoPatrimônio Mundial pelaUnesco em vista de sua importância arqueológica, possuindo 912 sítios identificados e 657 com pinturas e gravuras.[114]
Vestes cerimoniais e cestaria dosaparai.Memorial dos Povos Indígenas
Têxtil com padronagem geométrica típica dostiriós-caxuianas. Memorial dos Povos Indígenas

Apesar da ausência de sistemas de escrita, muitos grupos desenvolveram uma rica diversidade de sinais e outras formas gráficas, de variado grau de complexidade, repetidas através de gerações e que, sabe-se, eram portadoras de significados específicos, uma forma de comunicação diferente dos sistemas de escrita formais do ocidente, embora seja comparável à sua arte. Ainda que seu significado exato permaneça com frequência mal compreendido, especialmente nos documentos arqueológicos, esses sinais e formas visuais, às vezes arranjados em cenas narrativas ao lado de figuras de seres vivos, são documentos históricos importantes para a reconstituição de suas vidas.Pictogramas egravuras rupestres que sobrevivem em sítios arqueológicos em todo o Brasil dão amplo testemunho de mentes capazes de criar mensagens complexas, em que se mesclam plasticidade e significados.[42][45][115] Na descrição de Irene Machado, pesquisadora doCNPq, "as inscrições rupestres [...] constituem um legado capaz de desfazer equívocos e desvendar redes de possibilidades. Porque constroem sistemas de escrita por meio de signos notacionais, estão muito mais próximas da criação científica e artística do que da mera comunicação instrumental".[115] Grande parte deste acervo arqueológico já desapareceu ou está ameaçado pelo avanço da civilização, pelo desconhecimento do seu valor e pelovandalismo premeditado.[116][117][118]

Mesmo que muito já tenha sido perdido, acultura material eimaterial dos povos indígenas brasileiros que sobrevive até o presente é riquíssima em seu conjunto, embora possa variar muito entre os casos individuais. Algumas culturas se caracterizam pela grande fartura de apetrechos e objetos decorados, organizam ritos suntuosos, apreciam generosa pintura corporal; outras são mais adeptas da simplicidade visual, mas podem desenvolver por exemplo grandes habilidades musicais, ter substantiva tradição oral e falar linguagens sutis e sofisticadas. Entre as especialidades que cultivaram se destacam amúsica, adança, acerâmica, atecelagem, acestaria, apintura corporal e aarte plumária. Essa produção tinha papel central na vida das tribos, sendo o veículo de ideias, conceitos religiosos e símbolos coletivos, além de servir como expressão de beleza e habilidade. De fato, os melhores criadores eram prestigiados.[105][41][45][46][47][106][119]

Mas não havia a figura do "artista"; todos eram hábeis em várias formas de arte. Uma dedicação especializada e exclusiva, típica da sociedade ocidental, era visto como sintoma de um desequilíbrio espiritual ou uma obsessão, pois as atividades vitais deviam ser distribuídas equilibradamente e a produção de objetos simbólicos, que compunham grande parte de sua cultura material, estava sob a influência de poderes espirituais, e devia ser restrita a ocasiões ritualizadas. O próprio processamento das matérias-primas usadas para a confecção dos artefatos era carregado de ritualidade e sujeito a leis precisas, que variavam entre cada tribo.[120] Para ospalicures, por exemplo, as penas vermelhas dasararas são assentos de espíritos protetores, por isso usadas em adornos corpóreos, objetos e espaços a fim de afugentar influências malignas.[121] Entre osuaianas, a tintura doarumã é a matéria-prima mais carregada de simbolismo, já que a constituição da planta é comparada à dos seres humanos.[120] O grandecocarcaiapó chamadokrokrok ti simboliza a própria aldeia. No centro vão penas azuis que representam a praça, o local masculino e público por excelência, em torno são enfileiradas penas vermelhas, simbolizando o mundo feminino e doméstico. Penugens brancas de acabamento representam a floresta.[122] Muitos povos e clãs desenvolveram uma série de padrões geométricos tradicionais, aplicados em cestaria, cerâmica, pintura corporal e tecelagem, que se tornaram marca registrada de cada grupo, possuindo também significados e preservando conhecimentos matemáticos.[123]

Enáuenê-nauê tocando um instrumento de sopro e ostentando completa ornamentação corporal

A música tinha grande destaque entre as artes, sua origem era tida como divina, sendo recebida através de sonhos. Para eles o som tinha poderes mágicos, estando na base da estruturação docosmos e sendo poderoso instrumento de intervenção deliberada no mundo físico, como por exemplo produzindo curas. Praticamente não se produzia música que não tivesse alguma associação com o sagrado, estando presente em toda parte, especialmente nos grandes festejos, quando era praticada coletivamente.[69][73] As cantorias e declamações rituais, que recontavam histórias da tradição, descreviam sonhos proféticos, invocavam espíritos e produziam curas e visões, "cumprem também um papel fisiológico na própria constituição dos estados psíquicos, atualizando a experiência dos eventos míticos", como descreveu a antropóloga Deise Montardo.[41] A música também incluía canções de amor e saudade, podendo ser impregnadas de intenso lirismo poético.[124]José Miguel Wisnik analisou esta importância dizendo que "cantar em conjunto, afinar as vozes, significa entrar em acordo profundo e não visível sobre a intimidade da matéria", produzindo uma identificação e afirmação comunitária contra o mar de sons do mundo manifesto.[69] Segundo Adriane Salik,

"Nos mitos estavam refletidas questões da origem do seu povo, modo de proceder na vida e sentido de existência, as quais estão intrinsecamente relacionadas com as sonoridades musicais. É a música que estabelece a conexão mito e cosmologia com as artes do corpo: a dança, a plumária e a ornamentação, sendo portadora de sentido, estabelecendo, por conseguinte, uma ponte entre mito e rito [...] funcionando como uma 'máquina de transformar verbo em corpo' como diz Menezes Bastos".[69]

Por esses poucos exemplos se percebe a forte importância da arte em suas culturas. Contudo, é preciso advertir que eles não tinham um conceito de "arte" como o ocidental, considerando-a uma atividade autônoma; suas atividades criativas eram integradas às funções cotidianas e sua "arte" era em essência utilitária, em grande medida se confundindo com oartesanatofolclórico pelas suas características tradicionalistas, passadas de geração em geração.[63][119][125] Esta distinção, que já foi muito usada para desqualificá-la, se tornou, porém, ultrapassada, em vista do amplo reconhecimento atual da cultura indígena material e imaterial como arte efetivamente pelos próprios ocidentais, com riqueza de funções e significados, qualidade estética e níveis de complexidade equiparáveis aos da tradição do ocidente, e muitos museus em todo o mundo possuem preciosas coleções de artefatos indígenas.[105][41][106]

Outros modelos de sociedade

[editar |editar código]
Cerâmicatupi-guarani pré-cabralina, mostrando o típico modelo despojado predominante no Brasil indígena.Museu da UFRGS
Cerâmica da cultura de Santarém, pré-cabralina.Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo

O modelo generalista de cultura acima descrito, que define tipicamente uma sociedade pré-histórica inteiramente silvícola e seminômade, é o que por muito tempo foi considerado o padrão comum a todas as culturas autóctones do território brasileiro. Nas últimas décadas, no entanto, uma série de pesquisas vem acumulando evidências de que este modelo não foi o único desenvolvido pelos povos nativos em tempos mais recuados. Várias tradições e lendas têm circulado há séculos sobre supostas "civilizações" ou "cidades perdidas" na Amazônia e outras regiões brasileiras, trazendo relatos sobrehieróglifos misteriosos gravados em pedras,megálitos, artefatos tecnológicos,pirâmides e estruturas urbanas.[126][127][128]

Tornaram-se notórios, por exemplo, os casos das "pedras de moinho" de quase 5 m de diâmetro e perfeitamente circulares descritas naserra da Copaoba, na Paraíba, pelopolímataKaspar Barlaeus, da corte do conquistadorMaurício de Nassau; o do "menir" instalado sobre uma enorme pedra esférica descrito noséculo XIX por Adauto Ramos, doIHGB, e depois destruído;[126] o do "Eldorado amazônico", um reino fabuloso de riqueza e abundância inimagináveis, e o da "cidade antiquíssima" alegadamente descoberta em 1753 porbandeirantes que procuravam as lendárias minas deMuribeca, mas que nunca foi reencontrada apesar de muitas buscas. De acordo com o relatório que descreve o local, o famosoManuscrito 512 resgatado em 1839 naReal Livraria Pública da Corte, a cidade, que parecia abandonada, era grande e organizada. Entrava-se nela por umarco triunfal que continha inscrições, e tinha casario regular de alvenaria cercando uma praça quadrada onde havia vários monumentos, incluindo uma "coluna de pedra preta de grandeza extraordinária, e sobre ela uma estátua de homem ordinário, com uma mão na ilharga esquerda, e o braço direito estendido, mostrando com o dedo index ao Polo do Norte; em cada canto da dita praça está uma agulha, à imitação das que usavam os romanos, mas algumas já maltratadas, e partidas como [se] feridas de alguns raios".[127]

Dólmen em Anicuns, Goiás
Megálitos noParque Arqueológico do Solstício.

Se uma parte desse folclore pode ser reflexos distantes e distorcidos de povos pré-cabralinos reais, deixados na memória coletiva de outros povos que depois os transmitiram aos brancos, a maior parte desses relatos é especulação, fantasia, fraude ou má interpretação de elementos naturais.[128][129]

No entanto, nem tudo é engano e invenção, e evidências estudadas com metodologia científica atual apoiam algumas das antigas tradições orais, mostrando que de fato floresceram culturas material e tecnologicamente mais estruturadas no Brasil. A cerâmica das culturas Santarém eMarajó, conhecida e apreciada há bastante tempo, é significativamente mais complexa e tecnicamente avançada do que a da vasta maioria dos outros povos brasileiros, parecendo relacionar-se à de culturas urbanizadas daMesoamérica e da costa sul-americana do Pacífico, embora pouco se saiba sobre suas sociedades.[130][131][132]

Menires,dólmens e alinhamentos de pedras apontando para a posição em que o Sol nasce nosolstício do inverno foram descobertos em Roraima, Goiás, Maranhão e Piauí, Paraná e Santa Catarina.[126] Tornaram-se bem conhecidos osmegálitos doParque Arqueológico do Solstício no município deCalçoene, noAmapá, datados com cerca de 2 mil anos que, se presume, eram utilizados para observações astronômicas.[133]

Mais relevantes são as centenas degeoglifos que vêm sendo descobertos em toda a Bacia Amazônia depois do desenvolvimento recente de novas tecnologias para mapeamento aéreo e por satélite, concentrados nos estados brasileiros do Acre, Rondônia e Amazonas, numa faixa com uma extensão de cerca de 1 800 km.[134][135] Os geoglifos são diferenças detectadas no nível do terreno, de grandes dimensões e formas geométricas regulares, que evidenciam a antiga existência de alterações feitas pelo homem na paisagem, através de obras de terraplenagem, escavação ou construção, constituindo vestígios de estruturas como canais, diques, estradas, cultivos agrícolas organizados, arruamentos, alicerces de edifícios urbanos, cemitérios, santuários, etc.[134][136]

Geoglifos na Fazenda Colorada, no Acre

As estruturas geoglíficas encontradas no Brasil são às vezes monumentais, indicando a existência de algumas sociedades muito avançadas. Tradições da região recolhidas no século XVIII diziam que estas áreas haviam sido densamente povoadas no passado. Escavações em diversos sítios têm trazido à luz cerâmicas, ex-votos e outros artefatos com acentuada diversificação estilística de lugar para lugar, o que aponta para povos que tinham uma tradição construtiva em comum mas haviam desenvolvido identidades separadas. Este campo de pesquisa é recente e ainda há pouca informação sobre o funcionamento detalhado dessas sociedades, mas segundo Souza et alii, pela quantidade e amplitude das obras pode-se pensar em sociedades organizadas em nível regional e não somente local, muito estruturadas, hierarquizadas e estáveis, com alta densidade populacional. Grandes construtores, com capacidade de planejamento a longo prazo, viviam em grandes vilas fortificadas com paliçadas e fossos, situadas sobre montes artificiais, às vezes com vários círculos concêntricos de defesas, interligadas por uma rede de estradas. Sua estrutura básica geralmente reflete os atuais aldeamentos indígenas do Xingu, mas em uma escala muito maior.[134] Alguns desses povos aparentemente viviam principalmente da agricultura, e outros viviam principalmente do manejo planejado dos recursos florestais nativos combinado ao cultivo de espécies arbóreas selecionadas. Há evidências de extensa e duradoura domesticação do ambiente nas áreas com geoglifos.[137]

Até 2023, 961 sítios com geoglifos foram descobertos na Amazônia, datados de c. 500 a c. 1 500 d.C.,[138] com um pico de ocupação nos sítios entre os anos de 1250 e 1500.[134] Nesta época podem ter vivido até 10 milhões de pessoas na Amazônia, e o desaparecimento dessas sociedades altamente organizadas foi atribuído à chegada dos europeus.[137] Eles se distribuem por toda a Amazônia, mas de forma muito irregular, com algumas áreas de alta concentração.[137] Segundo estimativa de Paripato et alii, pode-se esperar encontrar de 10 a 20 mil outros sítios semelhantes.[139] Segundo a arqueóloga Carolina Levis, da Universidade Federal de Santa Catarina, "há algum tempo, os ecologistas viam a Amazônia como uma vasta floresta intocada, mas agora, combinando vários tipos de vestígios, podemos ver que muitas áreas que hoje são florestas densas já foram antigamente submetidas a extensas obras de engenharia e ao cultivo e domesticação de plantas por sociedades pré-colombianas, dominando técnicas sofisticadas de manejo de terras e plantas, que, em alguns casos, ainda estão presentes no conhecimento e práticas das comunidades atuais".[138]

Contato com os europeus e assimilação à sociedade brasileira

[editar |editar código]
Ver artigos principais:Brasil Colônia,Genocídio dos povos indígenas no Brasil, eLista de guerras indígenas no Brasil
Machado empedra polida,indústria lítica. Museu da UFRGS
Dança dosTarairiú, óleo sobre tela deAlbert Eckhout (século XVII).
Uma redução detapuias noséculo XIX, no Brasil central, em aquarela deRugendas

As populações pioneiras da América, não encontrando competidores, e tendo uma ricamegafauna à disposição para caça, floresceram, espalhando-se pelos quatro quadrantes do continente. Alguns grupos chegaram a desenvolver, após muitos milênios, civilizações urbanas letradas de elevada complexidade social e tecnológica, grande poderio militar e riqueza material, realizando ampla transformação da Natureza, como osmaias eastecas.[24] Os povos que se radicaram no Brasil, por sua vez, semi-isolados pelacordilheira dos Andes das culturas mais sofisticadas do Pacífico e da América Central, em sua maioria mantiveram hábitos silvícolas despojados e seminômades, ainda viviam napré-história, e desconheciam tecnologias como aroda, oespelho ou asarmas de fogo. Portanto, achegada dos europeus em 1500 representou umchoque cultural enorme.[24][45]

A superioridade militar, administrativa e tecnológica dos portugueses logo se impôs, e até mesmo a sua arte foi usada em seu favor, sendo notório, por exemplo, o irresistível fascínio que a música ocidental exercia sobre muitos povos, facilitando imenso aaculturação. A admiração não foi recíproca. Entendendo o indígena como um ser bruto, quase um animal, que deveria ser domesticado ou derrotado, os portugueses não viam mal no processo colonizador, e de fato muitos acreditavam que a colonização iria salvar o indígena de terríveis erros morais e de sua "pobreza" cultural e material. Mas, na prática, mesmo que aIgreja Católica desde oséculo XVI tivesse reconhecido neles a condição de seres humanos, o europeu muitas vezes nem acreditava que possuíssem alma ou intelecto, não exigindo a consideração devida aos homens. Na sua lógica não havia justificativa para que não aceitassem o jugo imposto, pois era "para seu próprio bem". Os que não o fizessem espontaneamente, então nada os poderia salvar, pois como eram "apenas bestas", "peças" que podiam ser postas em mercado, estavam entregues à cobiça dosbandeirantes ecapitães-do-mato caçadores de indígenas. Esta mentalidade, predominando, autorizou o massacre que se seguiu, numa época em que a conquista de outros mundos e a subjugação a ferro e fogo de outros povos eram coisa normal e tanto fonte de glória e honra como de lucro e poder. Algumas tribos aceitaram facilmente a dominação portuguesa, mas muitas outras resistiram, passando a ser perseguidas e exterminadas em massa, ou acabavam virando escravas.[140][141][142][143] Entre as primeiras obras publicadas sobre os povos indígenas brasileiros, noséculo XVI, encontram-se os livros escritos pelomercenário alemãoHans Staden, pelomissionário francêsJean de Léry e pelohistoriador portuguêsPero de Magalhães Gândavo.[144]

Diversas ordens religiosas, em particular osjesuítas, participaram da conquista mandando missionários bem preparados que serviram como evangelizadores, pacificadores, professores, médicos e artistas, e supriam necessidades em todas as áreas. Formou-se um sistema dereduções, aldeamentos fixos mais ou menos autossuficientes, semelhantes a vilas europeias, administrados pelos padres com a cooperação dos indígenas. Muitos encontraram ali proteção contra a barbárie que se abatia sobre os povos livres, e religiosos comoManuel da Nóbrega eAntónio Vieira se notabilizaram empreendendo, através de sua influência política e moral, esforços constantes para protegê-los, dentro do entendimento da cultura dominante. Porém, o preço pago pela proteção foi a perda integral das raízes culturais que distinguiam cada povo, homogeneizando-se a cultura de todos sob o manto doCatolicismo e o império da Coroa portuguesa, e transformando-os em pequenos produtores rurais. Comparado ao florescente exemplo da Província Jesuítica do Paraguai e doutras partes daAmérica espanhola, o sistema das reduções no Brasil foi bem menos eficiente e organizado, encontrando muitas resistências indígenas, mas de qualquer maneira teve um papel importante no processo aculturador e foi a origem de muitas cidades brasileiras,[45][145][146][147] comoSão Miguel das Missões eSão Nicolau.[148][149]

Theodor de Bry:Ataque de portugueses e tupiniquins às aldeias tupinambás, c. 1592
Debret:Carga de cavalaria guaicuru, 1822

Porém, nas últimas décadas, as novas produções históricas têm dado visibilidade a uma outra análise da questão indígena. Sem negar a violência com que muitos europeus os trataram, elas têm passado a ver no indígena não apenas uma vítima passiva da colonização europeia, mas também como um agente que interferiu e teve papel fundamental no processo de construção da sociedade brasileira moderna. Sem a ajuda dos indígenas, a própria colonização teria sido impraticável. Indígenas amistosos comercializavam com os colonos portugueses, fornecendo-lhes víveres e produtos naturais valiosos como madeira, condimentos e substâncias medicinais, e contribuíram mesmo para escravizar e exterminar outros indígenas, participando dasentradas e bandeiras, expedições portuguesas que visavam a escravização indígena.[150][151][152]

Muitos indígenas se beneficiaram com a chegada dos portugueses. Para muitos, a vida junto aos brancos parecia atrativa e abandonavam voluntariamente suas aldeias, indo viver junto deles.[153] As novas tecnologias trazidas pelos colonizadores e desconhecidas dos indígenas provocaram uma revolução na vida das tribos. O anzol facilitou enormemente a pesca. O machado de metal facilitou muito o trabalho de cortar madeira. A introdução do cavalo e do gado facilitou deslocamentos, aaragem da terra para as lavouras e o transporte de cargas, além de o cavalo favorecer a guerra e a caça, tornando-se afamados cavaleiros oscharrua eguaicuru, por exemplo.[154][155][156]

A Primeira Missa no Brasil, deVítor Meireles, 1860,Museu Nacional de Belas Artes. Imagem romântica mostrando uma integração pacífica. Durante oséculo XIX, oRomantismo tornou o indígena um personagem heroico virtuoso

Noséculo XIX, por meio da correnteromântica conhecida comoindianismo, o indígena passou a ser descrito no discurso oficial e nas artes eruditas como o "bom selvagem". Essa concepção, derivada doIluminismo, via o indígena como dono de uma moral pura, vivendo em harmonia com a Natureza, uma vítima indefesa da crueldade europeia. Nesta época literatos e artistas falavam deles como os primogênitos do Brasil, o fundamento de uma nova ideia de unidade nacional, uma ideologia sentimental, ufanista e progressista que foi adotada pelo governo em um amplo programa de reformas em vários níveis da vida brasileira, das artes à economia, da política à educação.[157][158] No entanto, para os indígenas, na prática a situação era bem diferente. Mesmo depois de inúmeros regulamentos civis e eclesiásticos desde oséculo XVI tentarem proteger os povos nativos, garantindo os seusdireitos humanos e os seus direitos àsterras em que habitam, a sociedade branca de modo geral fazia ouvidos surdos e ainda não os aceitava como iguais. É registrado que o governo tentou várias vezes proibir a escravidão indígena, mas as tentativas despertavam revoltas entre os colonos, que não queriam perder o capital que representavam e a sua força de trabalho. Outras leis contradiziam as que os protegiam, e continuavam a ser considerados judicialmente incapazes, devendo sertutelados pelo Estado, que os confinava em reservas pequenas ou expulsava tribos de suas terras sob pretextos os mais frágeis. Muitos continuavam a ser escravizados, perseguidos e mortos.[143][159][160][161] No final do processo da colonização, estima-se que a população indígena havia declinado para cerca de 600 mil pessoas, vivendo em grande parte em condições de opressão e miséria.[159]

Boa parte da população indígena morreu nas guerras, nas perseguições e na escravidão, mas grande mortalidade se deveu ao contágio de doenças trazidas pelos europeus, contra as quais os indígenas não tinhamimunidade, por terem vivido durante milênios isolados de outras populações.[162] Durante oséculo XIX, com os avanços emepidemiologia, começaram a ser documentados casos de brasileiros desencadeando propositalmente epidemias devaríola comoarma biológica contra os indígenas. Um caso "clássico", segundo antropólogo Mércio Pereira Gomes, é o da vila deCaxias, no sul do Maranhão. Por volta de 1816, para conseguir mais terras, fazendeiros resolveram "presentear" os indígenastimbira com roupas de pessoas infectadas pela doença (que normalmente são queimadas para evitar contaminação). Os indígenas levaram as roupas para as aldeias e, logo, os fazendeiros tinham muito mais terra livre para a criação de gado. Casos similares ocorreram por toda a América do Sul. As "doenças do homem branco" ainda afetam as comunidades indígenas, causando muitos óbitos.[163]

Fotografia publicada pelo jornal O Globo em 25 de janeiro de 1966 mostrando a reconstituição, feita pelo Serviço de Proteção ao Índio, do assassinato cruel de uma mulher indígenacinta-larga, cortada ao meio durante oMassacre do Paralelo 11

Ao longo do século XX a situação não mudou muito. Investigações promovidas pelaComissão Nacional da Verdade, analisando uma vasta documentação — incluindo um relatório de mais de 7 mil páginas elaborado em 1967 pelo procurador Jader de Figueiredo Correia, o chamadoRelatório Figueiredo, encomendado pelo Ministério do Interior —, revelaram que desde a década de 1940 até o fim daditadura militar foi perpetrada uma enorme quantidade de abusos, violências e crueldades contra os indígenas de todo o Brasil, caracterizando um comportamento sistemático da sociedade e com participação ativa do poder público, incluindo os crimes de genocídio de comunidades inteiras, assassinatos, torturas, prisões, escravidão, abuso sexual, internamentos em campos de concentração, trabalho forçado, remoções forçadas, disseminação proposital de doenças, desvio de verbas e dilapidação do patrimônio indígena, e desapropriações ilegais de suas terras para exploração de seus recursos, ilegalidades cometidas por funcionários da FUNAI, por governos locais e por fazendeiros, garimpeiros, grileiros, madeireiros, empresários e outros agentes privados que tinham ligações com políticos, juízes, militares e funcionários públicos.[164][165][166][167] Mais de 8 mil mortes de indígenas foram documentadas neste período, mas a Comissão da Verdade avaliou que o número real deve ser exponencialmente maior. Ao mesmo tempo, a política estatal continuava inteiramente desfavorável aos indígenas, com grande incentivo ao avanço da colonização para o interior a fim de implementar um projeto desenvolvimentista de grande escala, e com pouca consideração pelos interesses das comunidades afetadas, promovendo direta ou indiretamente a constante violação dos seus direitos. A corrupção era generalizada nos altos escalões dos governos, o sistema judiciário era largamente omisso, e a FUNAI não cumpria suas funções, ao contrário, contribuía ativamente para as ilegalidades e violações.[164]

Preâmbulo do Estatuto do Índio

A criação de algumas leis protetoras entre as décadas de 1960 e 1970, como oEstatuto do Índio de 1973, trouxe alguns avanços, mas assim como a atividade de Comissões Parlamentares de Inquérito no Senado e na Câmara e denúncias repetidas a organismos nacionais e internacionais, pouco efeito prático produziram, embora tenham chamado mais atenção para a situação de calamidade generalizada. Somente a partir da década de 1970, com o engajamento de muitas entidades civis na defesa dos indígenas e com o crescente protagonismo dos próprios na luta por seus direitos, um panorama um pouco mais positivo começou a ser desenhado, não sem despertar uma forte oposição do governo militar, que procurou desacreditar, dissolver e perseguir todas as ações indigenistas que não passassem pela FUNAI. A visão dominante ainda era de que os indígenas eram povos primitivos, um entrave ao progresso, e deveriam ser assimilados e aculturados à civilização ocidental.[168][169] O grande marco indigenista do século XX só foi estabelecido na redemocratização do país, com aConstituição de 1988, que assegurou aos indígenas direitos imprescritíveis às terras, ao usufruto exclusivo dos seus recursos, à autonomia, à organização social, aos costumes, às línguas, crenças e tradições, sendo atribuída ao Estado a responsabilidade de providenciar a demarcação das suas terras, que foram declaradas bens da Uniãoinusucapíveis, inalienáveis e indisponíveis. Porém, mesmo com as garantias constitucionais, as lutas estavam longe de terminar.[170][171]

Ancestralidade indígena na atual população brasileira

[editar |editar código]
Ver artigo principal:Composição étnica do Brasil

Uma grande parte da população indígena foi assimilada pela sociedade brasileira, dando origem a prolífica descendência que, não obstante, já não mais se identifica como "índia".[172]Gilberto Freyre, emCasa-Grande & Senzala, considerou o elemento indígena como importante formador da identidade social brasileira, principalmente nos primeiros séculos de contato com os europeus, atribuindo um papel essencial às mulheres nativas:

"Para a formidável tarefa de colonizar uma extensão como o Brasil, teve Portugal de valer-se noséculo XVI do resto de homens que lhe deixara a aventura da Índia. E não seria com esse sobejo de gente, quase toda miúda, em grande parte plebeia, além do mais,moçárabe, isto é, com a consciência de raça ainda mais fraca que nos portugueses fidalgos ou nos do norte, que se estabeleceria na América um domínio português exclusivamente branco ou rigorosamente europeu. A transigência com o elemento nativo se impunha à política colonial portuguesa: as circunstâncias facilitaram-na. Aluxúria dos indivíduos, soltos sem família, no meio da indiada nua, vinha servir a poderosas razões do Estado no sentido de rápido povoamentomestiço da nova terra. E o certo é que sobre a mulhergentia fundou-se e desenvolveu-se através dos séculos XVI e XVII o grosso da sociedade colonial, em um largo e profundo mestiçamento, que a interferência dos padres daCompanhia de Jesus salvou de resolver-se todo emlibertinagem para em grande parte regularizar-se em casamento cristão".[173]
Capa dapartitura daóperaO Guarani, deCarlos Gomes, baseada noromance homônimo deJosé de Alencar, um clássico da mitificação romântica do indígena como obom selvagem

Hodiernamente, milhões de brasileiros descendem, em diferentes graus, dos povos indígenas. De fato, tradições familiares recordando de "avós índias laçadas no mato", cobiçadas pela sua beleza e mesmo sua bravura, mas "amansadas" o suficiente para se tornarem esposas cristãs, são recorrentes pelo Brasil afora.[174][175][176][177] Complementando a descrição de Freyre, a pesquisadora Elaine Rocha diz que o indígena, antes visto como um indolente inútil para o trabalho, um bêbado contumaz ou um rebelde perigoso, adquiriu prestígio quando foi mitificado pelos românticos doséculo XIX, e sua incorporação à sociedade branca em certos aspectos foi mais fácil do que a do negro, muito mais desprezado pela cultura dominante, mesmo que este também tenha deixado vastíssima descendência miscigenada, tanto com brancos como com indígenas.[175] Prossegue a pesquisadora:

"O relacionamento entre índios e brancos durante a conquista da terra (foi reconstruído pelos românticos) de maneira que ficasse bem clara a superioridade moral e material do europeu, devidamente reconhecida pelos indígenas, que almejam, sobretudo, servir ao branco por quem se apaixonam e por quem são capazes de sacrificar a vida. [...] Dessa maneira, a nobreza do protagonista indígena só se mantém na medida em que se reconhece o mérito civilizador de seu senhor. Assim também, no mito da avó que foi pega a laço, a avó, no caso é a corajosa indígena que, a princípio, resiste ao agressor, mas, ao final, se rende à sua superioridade. Numa única lenda, as famílias logram explicar a tonalidade da pele mais escura, exaltar a honra da avó, que só se rendeu aos encantos do homem branco depois de 'laçada', e da indígena fiel que permanece casada e dá ao senhor uma família 'genuinamente' brasileira".[175]

Pesquisas científicas confirmam aquelas tradições familiares, mostrando que milhões de brasileiros carregam em seuDNA o material genético de povos indígenas. A população brasileira é bastante heterogênea, portanto o grau de ancestralidade indígena varia de pessoa para pessoa e também geograficamente. De maneira geral, as pesquisas mostram que os brasileiros apresentam alto grau de ancestralidade europeia do lado paterno, enquanto as ancestralidades ameríndias e africanas predominam do lado materno. Isso reflete a característica da colonização portuguesa, na qual a maioria dos colonizadores eram homens, gerando o padrão sexual de miscigenação entre homem europeu e mulher indígena ou africana. O Brasil contrasta com outros países daAmérica Latina onde a presença negra é inexistente ou residual.[178]

Em uma dessas pesquisas, 33% dos brasileiros brancos, da classe média, descendem de uma ancestral indígena pela linhagem materna. Nenhum deles descende de indígenas pela linhagem paterna. Isso confirma que o homem indígena deixou poucos descendentes no Brasil, enquanto a mulher indígena foi importante na formação da população brasileira.[179] Outra pesquisa informou que os brasileiros, brancos, pardos ou negros, apresentam um grau uniforme de ancestralidade indígena, normalmente abaixo dos 20%. Existe, contudo, discrepância regional. Enquanto que na amostra deManaus, capital noAmazonas, 37,8% da ancestralidade da população é indígena, emSanta Catarina é de apenas 8,9%.[180]

Situação recente

[editar |editar código]
Ver artigo principal:Genocídio dos povos indígenas no Brasil
Manifestantes em conflito com a polícia em Brasília sobre área considerada indígena mas reivindicada por uma construtora, 2011
Índiosguarani de uma aldeia urbana de Porto Alegre, marginalizados, vivendo de alguma ajuda oficial e da venda de artesanato nas ruas

O convívio dos povos indígenas com o restante da sociedade brasileira tem sido problemático desde o Descobrimento, mesmo com seus lados positivos, e não parece que as tensões vão se resolver tão cedo. Para uns o caminho inevitável é a progressiva assimilação à sociedade ocidental, para outros, o isolamento se revela a única maneira de preservar a identidade cultural das tribos, que se dissolve ou perde grande parte de suas características singulares invariavelmente em todos os casos de contato próximo e continuado com a civilização. Entre os extremos, explodem continuamente novos conflitos e disputas que causam mortes e outros tipos de violência, chegando as denúncias a fóruns internacionais como aONU, aOEA e aOIT, sem que até agora houvesse solução satisfatória.[181][182][159][143]

A consequência prática deste processo dialético dramático tem sido a expulsão de muitos povos de suas terras, transformando, como disse Melissa Curi, professora daUniversidade de Brasília e funcionária daFunai, "sociedades autônomas em minorias dependentes";[181] a desvirtuação de formas válidas e em muitos aspectos mais saudáveis de ver o mundo e de relacionar-se com a Natureza;[103] a perda de inúmeros saberes e artes tradicionais; a destruição gratuita de inúmeras vidas por doenças,preconceitos, pobreza, alcoolismo, prostituição e violência, entre tantos outros males que surgem do contato com os civilizados.[181][182][183]

Considerando que de fato a sua população atual é drasticamente menor do que a que vivia em 1500, junto com as amplas evidências de descaso e maus tratos contínuos que são domínio público, muitos especialistas e observadores nacionais e internacionais denunciam a situação histórica dos índios no Brasil como umgenocídio sistemático, que ainda hoje continua a apagar muitas vidas.[143][159][172][184][185] Entre 2003 e 2011 mais de 500 índios foram assassinados, em conflitos geralmente ligados à posse de terras. Em 2012 o índice de violência contra índios cresceu 237% em relação a 2011.[186][187] Em 2013 as lideranças indígenas entregaram uma carta à presidenteDilma Rousseff exigindo medidas urgentes para evitar "a extinção programada" de suas etnias que acusam o governo de orquestrar.[188] Segundo oConselho Indigenista Missionário, em 2018 a violência contra os índios continuava crescendo, com 110 assassinatos, além de 847 casos de omissão e morosidade na regularização de terras; 20 casos de conflito relativo a direitos territoriais; 96 casos de invasões de terra, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio, e 59 casos de roubo de madeira e minérios, caça e pesca ilegais, contaminação do solo e da água por agrotóxicos, e incêndios, dentre outras ações criminosas. Os casos de suicídio de indígenas chegaram a 128.[189] Segundo muitos observadores, ogoverno Bolsonaro promoveu o maior ataque à dignidade, à cultura e aos direitos indígenas das últimas décadas,[190][191][192] e o presidente deu repetidas declarações públicas onde expressou visões depreciativas e preconceituosas sobre os indígenas.[193] Para Fiona Watson, diretora de pesquisas da organizaçãoSurvival International, "continuamos recebendo dezenas de relatórios de todo o Brasil sobre o que parece ser uma guerra aberta contra as comunidades indígenas". Sydney Possuelo, ex-diretor da Funai e defensor dos direitos indígenas, disse que "a situação dos povos indígenas do Brasil nunca foi boa. Mas, durante 42 anos de trabalho na Amazônia, este é o momento mais perigoso que já vi".[194]

A posse desuas terras é a maior reivindicação dos índios brasileiros na atualidade.[172] A terra é a raiz de valores fundamentais para suas culturas. Mas cerca de 90% de todos os processos demarcatórios estão sendo contestados na Justiça, as deliberações costumam se arrastar por décadas e mesmo terras já demarcadas frequentemente são invadidas ou espoliadas com o beneplácito do governo e da sociedade.[195][196] Muitos já vivem em cidades, seja forçados à migração pela expulsão das suas terras, seja pelas difíceis condições de subsistência que encontram em reservas pequenas e exaustas, seja procurando as cidades espontaneamente, em busca de maior conforto, reconhecimento, tratamento de saúde, educação ou por outros motivos, mas via de regra vão iludidos e o que encontram lá são condições talvez ainda mais árduas, vivendo em sua maioria emfavelas e tentado com muita dificuldade preservar suas tradições, quando não acabam, por força de um contexto desfavorável, as abandonando. Se tornam mais visíveis, e isso tem ajudado na sensibilização geral da população, mas ao mesmo tempo permanecem entre os grupos urbanos mais desamparados, tão à margem da sociedade quanto outras minorias "problemáticas".[183][197][198][199][200]

Por outro lado sua conscientização política cresce a cada dia, suas demandas agregam apoios diversos, e muitos povos nativos já se encontram mobilizados e unidos através de várias associações, entre as quais se destaca aArticulação dos Povos Indígenas do Brasil, que os representa em nível nacional. Mesmo com os significativos avanços recentes, o caminho que os leva até uma verdadeira equiparação social apenas começou a ser aberto, e muito ainda resta por fazer.[201][202] Como sintetizou o antropólogo Rinaldo Arruda, daUniversidade de São Paulo,

Índiosbaré em suas terras, a Comunidade Nova Esperança, 2005
"Na postura ideológica predominante, os índios não fazem parte de nosso futuro, já que são considerados uma excrescência arcaica, ainda que teimosa, de umapré-brasilidade. Uma brasilidade, aliás, que não os reconhece, formada a partir de sua negação. [...] Do prisma das sociedades indígenas, as contradições, ambiguidades e tensões decorrentes das relações de dependência e subordinação com a sociedade envolvente permanecem atuantes, assim como ainda prevalecem. [...] Os interesses anti-indígenas, exigindo um permanente esforço de resistência, de luta política e de reelaboração de suas formas de reprodução sociocultural. [...] De um lado, o conhecimento dos processo naturais e as práticas de manejo adaptadas às florestas tropicais desenvolvidas por estes povos, por meio da observação e experimentação, cujos resultados acumularam-se em milênios de ocupação da região, têm grande interesse para a ciência e para a sociedade. Por outro, o estilo de vida cooperativo, baseado no desenvolvimento de mecanismos políticos e psicológicos de estabilidade social, colocam questões fundamentais para a humanidade. Mas a questão crucial, que a atualidade nos coloca de forma cada vez mais incisiva, é se haverá a oportunidade e a possibilidade de a humanidade aventurar-se em culturas singulares no interior do sistema mundial, inventando ao mesmo tempo outros contratos decidadania".[202]

Legislação e política

[editar |editar código]
Ver artigos principais:Declaração sobre os Direitos dos Povos Indígenas,Estatuto do Índio, eFundação Nacional do Índio
Ver também:Lista de povos indígenas do Brasil

Desde os primeiros tempos da colonização o indígena recebeu proteção legal. Em 1549, na instalação do Governo Geral em Salvador, apareceu a primeira regulamentação sobre os indígenas na forma de um Regimento que garantia proteção aos aliados da Coroa e dava aosjesuítas voz ativa nos assuntos relacionados aos indígenas.[153] Em 1680 um Alvará Régio instituiu o indigenato, o reconhecimento do direito congênito e primário dos povos nativos ao seu território tradicional.[203] Depois destas leis, muitas outras apareceram para dar salvaguardas aos povos indígenas, mas invariavelmente com poucos efeitos práticos.[143][204]

Efígie indígena na cédula de5 Cruzeiros, conhecida como "cédula do índio", emitida pelaCasa da Moeda do Brasil em 1961 noGoverno Tancredo Neves.[205]

Para tentar resolver alguns desafios mais urgentes, o governo criou em 1910 oServiço de Proteção ao Índio (SPI). O Serviço garantiu a posse de algumas terras tradicionais aos seus ocupantes e as protegeu contra invasões, e reconheceu a importância de suas culturas originais e suas instituições, mas em tudo sua atuação foi tímida. Depois de o Serviço se desestruturar completamente entre grande controvérsia pública, foi substituído pelaFundação Nacional do Índio (Funai) em 1967. A Funai também não encontrou condições fáceis de trabalho, erguendo-se sobre os escombros do SPI, administrando um contexto de perene carestia de recursos humanos e financeiros, enfrentando prolongadas e desgastantes batalhas jurídicas em múltiplas frentes, e tendo em tempos recentes seus poderes reduzidos, também sob vasta controvérsia. Além disso, toda a política oficial na época continuava a se voltar ao objetivo de assimilar os povos à cultura brasileira, negando-lhes o direito àautodeterminação previsto naDeclaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, embora essa linha de pensamento já não fosse um consenso. Mas ainda foi a base doEstatuto do Índio, lei que entrou em vigor em 1973, mesmo que ela tenha trazido muitos avanços para a questão indígena.[140][143]

Indígenas na Assembleia Nacional Constituinte que elaborou aConstituição do Brasil de 1988.
Indígenas durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal sobre a demarcação daTerra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, 2008

Muito em virtude da mobilização dos próprios indígenas, especialmente através da União das Nações Indígenas (UNI),[206] uma nova visão foi inaugurada com aConstituição de 1988, que declarou "todos são iguais perante a Lei, sem distinções de qualquer natureza" e admitiu omulticulturalismo, reconhecendo vários direitos indígenas importantes, incluindo o direito à posse da terra habitada tradicionalmente e à preservação intacta de suas culturas no ambiente natural necessário para isso. Ocorre que oEstatuto e aConstituição entraram em conflito em aspectos doutrinais e se tornaram imediatamente polêmicos, e a regulamentação das normas secundárias nunca progrediu como deveria. Além disso, o regime detutela, à qual os indígenas estão formalmente sujeitos pelo Estado, como definido noEstatuto está em conflito com aquele expresso noCódigo Civil, há disputa sobre o que quer dizer "terras tradicionais", sobre o significado deetnia, e a controvérsia permanece acesa em torno de vários outros conceitos fundamentais. Tudo isso lança os indígenas num contexto jurídico incerto e incoerente muito desfavorável aos seus interesses.[143][207][182][208][209] Também se complica a aplicação de penalidades por crimes cometidos por índígenas.[210]

Diversos outros dispositivos legais em anos recentes contemplaram interesses indígenas em áreas como saúde, meio ambiente, educação, patrimônio arqueológico e imaterial, assistência social, apoio à produção e regularização fundiária.[211] Apesar dos diversos decretos, o indígena brasileiro tem que se integrar nacultura brasileira para requereremancipação.[212] Instâncias internacionais como asNações Unidas, aOrganização Internacional do Trabalho e aUnesco também têm se empenhado na elaboração de convenções e programas de proteção e fomento às culturas indígenas de todo o mundo, com destaque para dois marcos internacionais de grande importância: aDeclaração das Nações Unidas sobre Direitos dos Povos Indígenas, de 2007, e sobretudo aConvenção 169 da Organização Internacional do Trabalho sobre os Povos Indígenas e Tribais, de 1989, criada por consequência da outra, o único instrumento internacional referente aos indígenas com força de lei, do qual o Brasil é signatário.[143][213][214][215][216]

Mesmo com tantas garantias, o Congresso Nacional e as cortes de justiça do Brasil se tornaram arenas de conflitos legais intermináveis, e sob pressão delobby econômico e político inúmeros projetos de lei apresentados nos últimos anos vêm tentando sabotar ou reverter as conquistas já realizadas, colocando mais combustível numa polêmica antiga que continua degenerando para a violência armada.[195][217][218]

Um marco institucional e simbólico importante foi a criação doMinistério dos Povos Indígenas em 1º de janeiro de 2023, a fim de dar maior atenção aos problemas que os povos enfrentam, tendo como sua primeira titular a indígenaSônia Guajajara. A criação do Ministério criou grandes expectativas entre os povos indígenas, mas imediatamente o Ministério passou a sofrer pressões, acabou enfraquecido e jogado para a periferia das atenções do governo,[219][220][221] uma situação agravada pela sua estrutura muito precária, orçamento pequeno e falta de servidores.[221]

Articulação interna

[editar |editar código]
Ver artigo principal:Movimento indígena no Brasil
Acampamento Terra Livre de 2019
CaciqueRaoni, da etniacaiapó, uma das figuras mais respeitadas do movimento indígena na atualidade

As associações e organizações indígenas surgiram no Brasil nos anos 1970-80, a partir de um rápido processo de conscientização política entre as tribos ocorrido com importante apoio da Igreja Católica.[222]Marçal de Souza,Ailton Krenak,Marcos Terena eRaoni, entre outras lideranças, começavam a se tornar notórias até internacionalmente, e surgiam organismos como o Warã Instituto Indígena Brasileiro e o Grumin — Rede de Comunicação Indígena.[223][224][225][226] O debate para aConstituição de 1988 deu outro impulso à articulação, formando-se a UNI, a cuja influência se devem muitos dos avanços expressos na nova lei, estimulando também a criação de novas organizações. Nesta época oMinistério Público passou a dar grande atenção aos indígenas, favorecido pelo novo contexto jurídico e por reformas administrativas.[206] Mas somente em 2005 é que foi conseguida uma integração poderosa e permanente em nível nacional, materializada naArticulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), fruto do consenso obtido entre as lideranças reunidas noAcampamento Terra Livre, montado anualmente naEsplanada dos Ministérios, emBrasília, exatamente para ganhar visibilidade e sensibilizar o poder público sobre as necessidades urgentes das tribos.[201][223]

Em 2006, pesadamente pressionado, o governo criou a Comissão Nacional de Política Indigenista, subordinada à Funai, com o objetivo expresso de "auxiliar na articulação intersetorial do governo e proporcionar uma maior participação e controle social indígena sobre as ações governamentais".[201] Os índígenas brasileiros tentam fortalecer sua integração interna e o diálogo com o restante da sociedade através de muitas outras iniciativas, independentes ou em parceria com entidades e o governo, como osJogos dos Povos Indígenas, encontros culturais e as assembleias estaduais, e mantêm websites para a divulgação de sua cultura e dos desafios que enfrentam.[227][228][229] Igrejas, acadêmicos, ONGs e vários outros segmentos sociais nas décadas recentes têm dedicado atenção aos índígenas brasileiros, e lhes têm dado significativa ajuda em muitas de suas reivindicações.[206]

Demografia

[editar |editar código]
Ver artigo principal:Lista de unidades federativas do Brasil por população indígena
Proporção da população indígena por estados brasileiros, de acordo com o IBGE
  > 3%
  2% – 3%
  1% – 2%
  0,5% – 1%
  < 0,5%

Estimativas da população indígena na época do Descobrimento sugerem que existiam cerca de 1-1,5 mil povos.[159][230] A população total em 1500 é muito difícil de estimar, e diferentes autores sugerem de 1 até 10 milhões de pessoas, mas geralmente se pensa em uma população dentro da faixa de 2-3 a 4-5 milhões.[159][231][232][233][234][235] Desde então a população sofreu um declínio acentuado. Nos anos 1960 sobreviviam somente cerca de 120 mil indivíduos,[159] e os números continuaram a cair até os anos 1980, chegando-se a pensar que sua extinção completa era inevitável. Porém, com programas de auxílio do governo, a tendência passou a ser de crescimento populacional.[49][236]

Os recenseamentos da população indígena são pouco precisos e variam conforme a fonte e os métodos utilizados,[237] e o critério adotado pelo Censo oficial, o de autoidentificação, é pouco confiável. Uma significativa parcela das pessoas que se declaram indígenas é miscigenada com pequena porção genética ou sequer sabe a que etnia pertence.[238] Segundo Maria Ferreira Levy, "mesmo hoje, as dificuldades para calcular números de indígenas no país são enormes. [...] A migração de indígenas para cidades [...] oferece um problema de difícil solução metodológica, que ainda estamos longe de resolver adequadamente".[233]

Em 2006 foram identificados 215 povos, com uma população de aproximadamente 345 mil pessoas, segundo dados da Funai.[237] No Censo de 2010, 817.963 pessoas se autodeclararam indígenas,[49][236][239] e de acordo com o Censo de 2022, o Brasil tinha 1,7 milhão de pessoas se autoidentificaram como indígenas, espalhadas em cerca de 86% dos municípios, concentrados em sua maioria na região Norte. Esse grupo corresponde a 0,83% da população brasileira e 63% dele reside fora de territórios indígenas. A localidade que abriga a maior população indígena do país é aTerra Indígena Yanomami, com 27.152 indivíduos, seguida pelaTerra Indígena Raposa Serra do Sol, com 26.176 indivíduos.[240][241] O aumento populacional não se deve apenas a um crescimento demográfico, mas parte é decorrente da mudança nos critérios de identificação e no surgimento depovos emergentes.[242]

Segundo oInstituto Socioambiental, em 2022 havia 266 povos no Brasil, totalizando cerca de 790 mil pessoas, além de mais de 100 registros de povos isolados, dos quais pouco se sabe. A significativa diferença em relação ao Censo se deve a critérios metodológicos diferentes, levando em conta principalmente a população que vive em terras indígenas. Mais de 200 etnias tinham uma população inferior a 3 mil pessoas, diversas contavam com pouquíssimos indivíduos e estavam à beira da extinção.[243]

Uma população muito maior tem alguma ancestralidade indígena,[244] mas essa população miscigenada com ascendência distante não é considerada indígena.[159] Entre os estados com maior população indígena estãoːAmazonas (29,98%),Bahia (13,53%),Mato Grosso do Sul (6,87%),Pernambuco (6,3%) eRoraima (5,75%).[240]

Mapa da distribuição de indígenas pormunicípios brasileiros, de acordo com oCenso 2022.
  > 80%
  50% - 79%
  25% - 49%
  10% - 24%
  1% - 9%
  < 1%

Abaixo, dados dosrecenseamentos doIBGE de 2000, 2010 e 2022, demonstrando em percentual os dez municípios brasileiros com maior população autodeclarada indígena:

Dados de 2000[245]
  1. São Gabriel da Cachoeira (AM) – 76,31%
  2. Uiramutã (RR) – 74,41%
  3. Normandia (RR) – 57,21%
  4. Santa Rosa do Purus (AC) – 48,29%
  5. Ipuaçu (SC) – 47,87%
  6. Baía da Traição (PB) – 47,70%
  7. Pacaraima (RR) – 47,36%
  8. Benjamin Constant do Sul (RS) – 40,73%
  9. São João das Missões (MG) – 40,21%
  10. Japorã (MS) – 39,24%
Dados de 2010[246]
  1. Uiramutã (RR) – 88,1%
  2. Marcação (PB) – 77,5%
  3. São Gabriel da Cachoeira (AM) – 76,6%
  4. Baía da Traição (PB) – 71,0%
  5. São João das Missões (MG) – 67,7%
  6. Santa Isabel do Rio Negro (AM) – 59,2%
  7. Normandia (RR) – 56,9%
  8. Pacaraima (RR) – 55,4%
  9. Santa Rosa do Purus (AC) – 53,8%
  10. Amajari (RR) – 53,8%

Dados de 2022[247]

  1. Uiramutã (RR)ː 94,5%
  2. São Gabriel da Cachoeira (AM)ː 88,7%
  3. Santa Isabel do Rio Negro (AM)ː 84,8%
  4. Marcação (PB)ː 81,4%
  5. Carnaubeira da Penha (PE)ː 77,1%
  6. Baía da Traição (PB)ː 76,6%
  7. Normandia (RR)ː 76,1%
  8. São João das Missões (MG)ː 71,9%
  9. Amajari (RR)ː 65,5%
  10. Santa Rosa do Purus (AC)ː 63,3%

Povos isolados

[editar |editar código]
Ver artigo principal:Povos isolados
Aldeia de índígenas isolados, no Acre

Há vários registros de avistamento de povos indígenas sem contato com a civilização. A Funai criou em 1987 um departamento especial para tratar deles,[248] e segundo seus dados de 2013 são 32 os povos isolados no Brasil, com um total de cerca de dez mil pessoas.[249] Mas os dados são controversos. Em outro documento ela acusou a existência de 69 povos,[250] e o CIMI, por sua vez, apontou em 2012 para 98.[251] Em 2022 a Funai listou oficialmente 114 registros, sendo 28 confirmados e 86 em diferentes fases de estudo para confirmação. Pesquisadores e indigenistas informaram cerca de 20 outros registros, ainda por confirmar.[252]

Como se pode imaginar, sabe-se muito pouco sobre eles, e a partir de más experiências anteriores, para preservar a integridade de suas culturas agora é política da Funai só se aproximar de isolados em caso de ameaça à sua sobrevivência. Foi o que aconteceu com uma tribo dos cauaívas que vive em uma área do município deColniza, Mato Grosso, cuja existência se desconhecia até seu território ser invadido por fazendeiros em 2005, colocando-os em risco iminente de agressão ou contágio.[249][253]

Vários desses avistamentos ocorreram dentro de reservas já demarcadas, o que favorece sua proteção, mas outros estão em regiões que sofrem grande pressão desenvolvimentista, e seu destino está criticamente ameaçado, o que é complicado por políticas adversas e pela crônica falta de verbas e precarização da estrutura e autonomia da Funai.[254][252] Alguns grupos, como os hi-merimã, osapiacás do matrinxãs e os catavixis, fizeram contato em tempos anteriores mas decidiram voltar ao isolamento, e outros fazem contato com outros indígenas mas não com civilizados.[255]

Povos emergentes

[editar |editar código]
Ver artigo principal:Povos indígenas emergentes
Família de cariris

Ao longo doséculo XX apareceram grupos miscigenados reivindicando a condição de "povo indígena". Este processo, chamadoetnogênese, tem ocorrência em todo o mundo. No Brasil ocorre principalmente naregião Nordeste. São dezenas de grupos requerendo reconhecimento, sendo exemplos osnáuas,matipus,caxixós, apiuns,cariris,calabaças, ostabajara sda Paraíba, ostapebas,pitaguaris,tremembés,canindés, ostupinambás de Olivença e oskalankó.[256] Para aantropologia, umaetnia é umgrupo social que compartilha de elementosculturais egenéticos. A etnogênese se justifica, portanto, como um processo de fundo social e político baseado em uma autoidentificação. Porém, a transformação qualitativa gerada pelo reconhecimento formal como indígenas é ambígua e controversa. Por um lado, passam muitas vezes a ser vistos como "menos indígenas" que os outros indígenas, não merecendo o mesmo tratamento, enquanto ao mesmo tempo já não são "civilizados", perdendo direitos correspondentes, podendo fazê-los cair em uma espécie delimbo jurídico e social.[256][172][257][258] Na análise de José Maurício Arruti, antropólogo doMuseu Nacional,

"Importa compreender as razões, os meios e os processos que permitem um determinado agregado qualquer se instituir como grupo, ao reivindicar para si o reconhecimento de uma diferença em meio à indiferença, ao instituir uma fronteira onde antes só se postulava contiguidade e homogeneidade. Se oetnocídio é o extermínio sistemático de um estilo de vida, a etnogênese, em oposição a ele, é a construção de uma autoconsciência e de uma identidade coletiva contra uma ação de desrespeito (em geral produzida pelo Estado nacional), com vistas ao reconhecimento e à conquista de objetivos coletivos".[256]

Mas às vezes essas reivindicações são criticadas como fraudulentas, objetivando apenas a obtenção de terras e benefícios oficiais e o atingimento de resultados políticos, e os conflitos são frequentes.[259][260] Como exemplo, um colunista da revistaVeja afirmou em 2013 que de 15 reservas propostas para demarcação no Paraná, em 5 os indígenas só "apareceram" ali em 2007, e nas outras, em 2012, e "o único 'povo tradicional' nas áreas reivindicadas pela Funai são osprodutores rurais".[260]

Terras indígenas

[editar |editar código]
Ver artigos principais:Terras indígenas do Brasil,Marco temporal das terras indígenas,Garimpo no Brasil, eDesmatamento no Brasil
Mapa dereservas indígenas brasileiras em 2008

Em 1961 foi criado oParque Indígena do Xingu, a primeira reserva indígena brasileira a ser criada numa perspectiva multicultural, após forte atuação dosirmãos Villas-Bôas, doMarechal Rondon e deDarcy Ribeiro, entre outros indigenistas, para que a natureza, os povos nativos da região, suas culturas e costumes fossem preservados em sua inteireza e diversidade.[261][262] O governo estabeleceu em 2012 uma política territorial específica para os indígenas, consagrada naPolítica Nacional de Gestão Ambiental e Territorial de Terras Indígenas, que procura criar "estratégias integradas e participativas com vistas ao desenvolvimento sustentável e à autonomia dos povos indígenas".[263][264] Outras organizações, incluindo estrangeiras, auxiliam o governo nessa difícil tarefa, mas algumas são acusadas de servirem a interesses não revelados. Nesse sentido, controles mais rígidos sobre a atuação dessas organizações junto às comunidades indígenas estão sendo estudados.[206][265] O modelo das reservas indígenas demarcadas pela Funai difere no modelo norte-americano, no qual a propriedade das terras passa a pertencer aos povos indígenas. No Brasil, as reservas indígenas demarcadas pela Funai são patrimônio inalienável da União, cedidas para posse eusufruto vitalício dos indígenas, não havendo, portanto, como associá-las a uma perda desoberania ou a uma ameaça àsegurança nacional, como já foi alegado.[151][198][266]

Em 2006 eram 582 terras indígenas, com uma extensão total de 108 429 222 hectares, equivalendo a 12,54% de todo o território nacional. A maior parte está localizada na Amazônia, com 405 terras distribuídas em 103 483 167 hectares, que correspondem por cerca de 99% da área total de terras indígenas brasileiras. Dois terços da população indígena vivem nessas reservas amazônicas, e o restante se comprime no 1% de território que lhe coube nas outras regiões todas somadas.[237] Segundo a Funai, em 2012 havia 683 terras cadastradas, em diferentes graus de regularização. 406 estavam plenamente regularizadas, mas 20% das reservas estavam invadidas.[250] Em 2022 o número havia crescido para 731, com um total de 117.377.553 hectares, mas apenas 440 estavam com sua situação jurídica consolidada. 118 estavam em processo de identificação, 6 tinham restrição de uso a não indígenas, 43 estavam identificadas, 74 declaradas, 38 reservadas e 12 homologadas.[267] Todos os estados brasileiros, incluindo oDistrito Federal, possuem comunidades indígenas.[250]

Destruição causada pelo garimpo ilegal naTerra Indígena Kayapó, no estado do Pará
Apreensão de madeira extraída ilegalmente naTerra Indígena Pirititi, em Roraima

O problema da demarcação de reservas desde os tempos coloniais tem sido acompanhado de grande controvérsia, violência e denúncias repetidas de corrupção oficial e violações dedireitos humanos.[268][269][270][187] Somente em 2024 ocorreram 154 conflitos em pelo menos 114 terras indígenas em 19 estados. Entre 2014 e 2024 os casos de assassinatos de indígenas cresceram 201,43%, passando de 70 casos em 2014 para 211 em 2024, e os casos de violências diversas passaram de 248 para 424.[271] A Funai enfrenta múltiplos problemas internos e externos para cumprir suas tarefas de demarcação e salvaguarda das terras,[272][273][274][275] e mesmo terras já consolidadas são frequentemente invadidas e sofrem variadas formas de dano, como por exemplo pela exploração madeireira, grilagem e garimpo ilegais.[276][277] As reservas fora da Amazônia são os principais palcos de conflito, sendo todas áreas pequenas, densamente povoadas e pesadamente pressionadas pelo entorno civilizado.[237]

A oposição aos interesses dos indígenas é grande, especialmente nos setores ligados aoagronegócio, empreiteiras e indústrias, que usam de seu enorme poder de influência política e econômica para sustentar argumentos invalidados pela Lei, pelaética elementar ou pela melhor ciência.[278][279][280][218] Por exemplo, é frequente a alegação de que "é muita terra para pouco índio", e que se os indígenas continuarem a receber terras como vinham recebendo na última década, em breve esgotariam os estoques disponíveis, impedindo o crescimento daprodução primária e criando sério risco para asegurança alimentar nacional. Mas esse argumento não tem base nos fatos.[281][282][283]

Outras ameaças aparecem na forma de legislação. O CIMI afirmou em 2013 que "há mais de uma centena de proposições legislativas contrárias aos direitos dos povos em tramitação nas duas casas do Congresso".[280] Muitos outros projetos de lei contrários à integridade das reservas foram propostos desde então, muitos deles aprovados, e sem o consentimento dos indígenas, como manda a Constituição, com um ataque particularmente assíduo e agressivo durante ogoverno Bolsonaro.[277] As maiores fontes de conflito são projetos de mineração e obras de infraestrutura como estradas e barragens.[268][284][285] Tais medidas são justificadas em geral em nome do "relevante interesse da União", uma possibilidade prevista constitucionalmente, mas que tem sido interpretada com cada vez maior largueza.[284][286][287]

Protesto de indígenas na Câmara dos Deputados contra o Marco Temporal

Outro argumento repetidamente usado e que representa grave ameaça às futuras demarcações é a tese doMarco Temporal, que prevê que só poderão ser demarcadas terras que estavam sendo tradicionalmente ocupadas na data da promulgação da Constituição de 1988, desconsiderando todo o histórico de expulsões ilegais que muitas etnias e grupos sofreram. A vinculação com esta data não está prevista na Constituição. A tese tem sido intensamente combatida pelos indígenas e seus apoiadores e tem gerado grande atritos políticos e judiciais, dando margem também para aumento dos conflitos violentos no campo e insegurança jurídica.[288][289][290][291]

A posse das terras tradicionais é um elemento estruturante central para as sociedades indígenas, estando intimamente ligadas aos seus valores e práticas espirituais, culturais e sociais, além de serem o fundamento da sua sobrevivência material. O impacto da questão das terras pode ser ilustrado pela situação dosguarani-caiouás, uma das etnias mais fortemente pressionadas, na descrição doMinistério das Relações Exteriores:

Indígenas guarani-caiouás em acampamentos improvisados à beira da rodovia que liga as cidades deAmambaí ePonta Porã, 2011
"Nos últimos anos, a Funai tem investido muito para recuperar os territórios tradicionalmente ocupados pelos guarani-caiouás e dominados irregularmente por produtores de soja e agropecuaristas, a fim de garantir a sobrevivência física e cultural deste grupo que, no passado, se espalhava da região Centro-Oeste até o Sul do país. A perda gradual do espaço geográfico da aldeia (tekoha) comprometeu a organização social dos guarani-caiouás, fortemente ligada aos seus conceitos míticos. O espaço da aldeia tem uma relação com o sagrado e a sua perda implica uma falta de referencial para as demais atividades do grupo. Não só a perda dotekoha alterou os aspectos culturais desses indígenas. O processo de anulação dos valores culturais dos guarani-caiouás se deveu, em grande parte, à presença de várias seitasprotestantes, que penetram no grupo com o objetivo de dar-lhes assistência. Esta influência das missões religiosas, impondo conceitos estranhos a eles, como o dopecado, gerou conflitos. Sem o referencial místico, intrínseco à terra que deveriam ocupar, e contaminados por outros entendimentos de religiosidade, muitos indígenas viram e ainda veem nosuicídio uma alternativa para acabar com o próprio conflito interno. Quando não tomam esta atitude extrema, entregam-se ao consumo de bebidas alcoólicas, que, igualmente, leva à sua degradação. Alguns, entretanto, buscam a alternativa de se empregarem nas fazendas instaladas em suas terras tradicionais. Esta decisão, por si só, já representa um total distanciamento do padrão cultural de um guarani-caiouá".[47]

Segundo Roberto Liebgott e Iara Bonin, coordenadores do CIMI, refletindo um consenso entre os especialistas,

Revoltados com aProposta de Emenda à Constituição 215, que daria ao Congresso Nacional poderes para demarcar as terras indígenas, centenas de indígenas invadiram o plenário da Câmara dos Deputados em 16 de abril de 2013
"A condição primordial para qualquer relação respeitosa que se pretenda com os povos indígenas é a demarcação e garantia de suas terras. Não há como assegurar a vida, a cultura, a existência digna desses povos fora de seus territórios. Mas, evidentemente, esta garantia não é suficiente. [...] Infelizmente, todas as referências culturais e as formas de representação que produzimos sobre os povos indígenas nos levam a pensar que eles são frágeis, menos desenvolvidos, menos cultos, menos civilizados, menos dispostos ao trabalho, e que suas culturas são primitivas, menos complexas, menos valiosas. Tudo isso precisa ser problematizado. A grande questão é que somos impelidos a pensar a existência indígena em função de nossa própria existência. Neste caso, afirmamos a tolerância para com eles, mas nunca nos perguntamos quem somos nós para tolerar, aceitar ou permitir que eles vivam do modo que desejarem. Um bom começo para repensarmos as bases dessa relação seria reconhecermos que os povos indígenas possuem suas formas próprias de viver, e isso independe de nossa aprovação, aceitação ou tolerância".[222]

A falta de demarcação gera outros efeitos negativos além dos descritos, pois somente comunidades residentes em áreas regularizadas podem receber oficialmente uma série de serviços de educação, fomento agrícola e social.[172] A solução do problema das terras indígenas terá importantes repercussões tanto para a sobrevivência daqueles povos quanto para a conservação das florestas. O Brasil é o campeão mundial emdesmatamento, e sofre com inúmeras outras ameaças que põem em risco abiodiversidade e osecossistemas, como apoluição e oaquecimento global.[292][103] Neste sentido, o papel dos indígenas instalados em suas terras de direito e mantendo seus hábitos tradicionais é importante na medida em que essas comunidades são consideradas exemplos emmanejo sustentável das florestas. Os povos indígenas podem ser tão efetivos para a preservação das florestas quanto sua transformação em santuários ecológicos convencionais.[103]

Economia e desenvolvimento

[editar |editar código]
Indígenasguaranisemi-aculturados vivem em situação de pobreza naregião das Missões, onde as reservas são pequenas e disputadas

Já são raras as tribos que podem viver de acordo com suas antigas práticas, até mesmo os povos isolados estão sob crescente pressão.[251] Este problema está diretamente ligado à conflituosa questão de suas terras. Em 2003, mais de 90% das aldeias enfocadas em um estudo de Peter Schröder dependiam principalmente da agricultura. A caça e a pesca, antes muito importantes, ainda são praticadas por quase todas as aldeias, mas na maioria das vezes em escala limitada.[293] Piora o problema o fato de que muitas reservas são pequenas, seusrecursos naturais estão se exaurindo e já não têm condições de sustentar comunidades em crescimento.[197] Cerca de um terço das reservas enfrenta dificuldades no abastecimento de alimentos e nas infraestruturas, tornando a desnutrição e a pobreza problemas recorrentes,[294] e forçando muitos à migração para fazendas da região ou para as cidades, em busca de melhores condições.[199][295] Alguns, porém, migram em busca de educação, de reconhecimento, de atendimento médico e outros motivos. Já são muitos os indígenas que cursam universidades, exercem profissões liberais e técnicas e mesmo ingressam na política partidária, influenciando a realidade nacional em múltiplos níveis.[199][296][297][298]

Inauguração de um Ponto de Inclusão Digital na aldeia Teko-Haw daTerra Indígena Alto Rio Guamá, 2023

Constitucionalmente, os indígenas têm direito à participação nos lucros derivados de investimentos e obras em suas terras, mas como a Lei nem sempre é cumprida, em grande número de casos os povos acabam explorados sem compensações adequadas, sofrendo sérios impactos sociais negativos e vendo o ambiente de que precisam para viver ser destruído e poluído. Projetos de mineração, usinas hidrelétricas, exploração madeireira, agropecuária,grilagem de terras e obras de infraestrutura como estradas e linhas de transmissão energética, são os que geram mais problemas.[299][143][300][301] Muitas comunidades já tomaram conhecimento doaquecimento global e dos prejuízos que o fenômeno vem causando para o meio ambiente em todo o mundo, danos que eles corroboram através de observações diárias, sofrendo com as mudanças nas chuvas, com a redistribuição ou declínio de espécies selvagens, e com as secas mais intensas, que prejudicam suas economias baseadas na terra.[302]

Outras dificuldades advêm dos múltiplos modelos produtivos adotados tradicionalmente pelos vários povos, complicando o estabelecimento de políticas gerais consistentes. Em geral suas economias se caracterizam pela ausência de instituições formais de produção e distribuição de produtos, pelo baixo grau de especialização, pelo baixo nível tecnológico, pelos mercados pequenos, por um sistema de trocas não monetárias, pela ênfase (ainda que não exclusiva) naeconomia de subsistência, e pela complexidade da integração com o sistemacapitalista.[293] Contudo, uma expressiva parcela da população autodeclarada como indígena, calculada em 2006 entre 100 e 190 mil pessoas (mas podem ser até 350 mil) já não vive em reservas,[199][303] e está plenamente imersa no sistema econômico capitalista, embora em geral, com muito menos preparo, atua em grande desvantagem e obtém resultados bem mais fracos. A maioria acaba virando mão de obra barata e termina seus dias emfavelas nos grandes centros urbanos, incapaz de conquistar uma vida digna.[293][199][295][304]

Representante fulni-ô fala da cultura de seu povo para escolares noJardim Botânico de Brasília, em comemoração doDia dos Povos Indígenas, 2011

Para ajudar a resolver esses desafios, o governo e entidades privadas, em parceira com as comunidades, mantêm vários projetos para o desenvolvimento econômico e social das tribos, enfocando omanejo sustentável dos recursos naturais, a organização decooperativas, grupos de artesãos e outras formas deeconomia solidária, e articulação de um sistema de comércio integrado aeconomia formal, colocando excedentes de colheitas ou artefatos étnicos em feiras regionais, o que tem sido importante fonte de renda para muitas comunidades.[293][301][305][306] Embora essas iniciativas atendam a demandas urgentes de sobrevivência, têm o inconveniente de estreitar cada vez mais os laços dos indígenas com a civilização, dissolvendo progressivamente seus costumes tradicionais, um fenômeno que causa por si diversos efeitos deletérios sobre os indivíduos e grupos, como já foi explicado.[293][307] Mas segundo Ana Carolina Coimbra, trabalhando sobre o caso dosfulni-ô mas descrevendo uma conjuntura que é comum, disse que os indígenas têm procurado absorver essas mudanças legítima e criativamente: "Este tipo de ação está inserido em um processo de mudança cultural que implica na ressignificação de elementos externos à cultura a partir de uma lógica própria. Neste caso específico, o contexto em que estão inseridas as comunidades indígenas as leva à apropriação de um discurso político étnico visando sua autodeterminação e autogestão, e a uma consequente revalorização cultural".[307]

Educação

[editar |editar código]
Ver artigo principal:Educação indígena
Antonio Ruiz de Montoya:A Arte da Língua Guarani, 1724, um dos vários manuais técnicos produzidos pelos missionários para seus propósitos educativos

Originalmente os ensinamentos eram transmitidos de pais para filhos em situações práticas, mas também através da arte, de lendas, mitos eritos de passagem de caráter religioso e público, e de fato toda a comunidade participava da educação de suas crianças.[42][45][57][65][115] A partir da colonização europeia, todo esse sistema se viu na contingência de mudar, introduzindo-se o ensino por mestres especializados, os professores, com disciplinas compartimentalizadas e de fraca vinculação com a realidade de suas vidas e sua herança cultural. Nos tempos coloniais, praticamente, a educação que se ministrou aos indígenas se resumiu aocatecismo religioso, utilizando frequentemente formas artísticas ocidentais para seduzi-los paraCristo, como o teatro e a música, que fascinavam os povos nativos, e algumas letras mais avançadas eram dadas aos caciques e seus filhos. Os demais podiam ser preparados em ofícios mecânicos e artísticos e técnicas agropastoris. Lógico, buscou-se a abolição da diversidade linguística em favor de uma unidade lusófona. Não obstante, durante muito tempo chegaram a se falarlínguas crioulas de vasta ocorrência geográfica, híbridos compostos de várias línguas indígenas regionais em mistura ao português, como alíngua geral paulista e onheengatu, que produziram prolífica literatura devocional e técnica. Porém, foram etapas intermédias num projeto de uniformização linguística e educativa total, consagrado peloMarquês de Pombal em meados doséculo XVIII. Neste processo, muitos elementos culturais e práticas educativas originais se desvirtuaram. Desde o início se patentearam diferenças culturais aparentemente intransponíveis, e a adequação do sistema educativo ocidental à transmissão do pensamento e da cultura nativa tem sido desde então objeto de perene controvérsia e fonte de conflito.[53][308][309][310][311][312][313][314]

O governo delimitou seu campo através de vários instrumentos legais, especialmente aLei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, e instituições específicas sob o comando atualmente doMinistério da Educação em parceria com a Funai,[315] tem destinado grandes recursos para a educação dos indígenas nas reservas e fora delas, inclusive em cursos superiores, e também dos não indígenas a respeito da realidade nativa. Os próprios indígenas estão envolvidos nestas atividades educacionais de várias maneiras, agrupando-se em associações para preservação e divulgação de tradições, formando-se professores e produzindo material didático em línguas nativas, mas no contexto da educação formalizada e homogeneizadora do Brasil moderno, tem sido complexa a tarefa de preservar tradições para os que vivem mergulhados nelas mas as estão perdendo, e traduzi-las com fidelidade para uma outra cultura,[109][315][316][317] e ainda parecem prevalecer apresentações estereotipadas e simplistas, reiterando conceitos ultrapassados e atrasando os avanços em direção ao entendimento mútuo.[318][319]

Indígenascanela em escola de aldeia maranhense

Deve ser notado que o programa de educação indígena do governo tem um perfil flexível, buscando adaptar o modelo padronizado às necessidades das comunidades, preservando as línguas, usando materiais preparados no local por professores indígenas, elaborando currículos diferenciados, incluindo a comunidade no estabelecimento de parâmetros e adequando o calendário escolar ao ritmo de vida tradicional das tribos.[315] A meta do governo é que todos os professores das escolas em reservas sejam indígenas.[320] Mas além da problemática implícita no modelo educativo, as próprias infraestruturas educativas nas aldeias são precárias. Segundo estudo de Rangel & Liebgott,

"Os dados (de 2012) indicam que não há escolas que assegurem a conclusão doensino fundamental e que, na quase totalidade das comunidades indígenas, não háensino médio. Impondo, com isso, que os estudantes indígenas frequentem as escolas dos municípios, onde lhes são negados os direitos a uma educação escolar diferenciada. Os dados apresentados pelo CIMI indicam que a política de educação escolar indígena está relegada, basicamente, aos municípios, que impõem as condições, os profissionais e os currículos escolares. Os chamados territórios etnoeducacionais, apresentados pelo Ministério da Educação, são ainda uma mera ficção, ou seja, não estão em funcionamento, os povos indígenas não os conhecem e sequer sabem como poderão ser implementados".[321]
A indígena Mayá da etniapataxó hãhãhãe fala sobre a importância dos pontos de cultura indígenas (vídeo)

As carências envolvem falta de instalações adequadas para as aulas, de transporte, de merenda escolar, de professores e materiais didáticos, além da precariedade da formação dos profissionais para atuar junto a essas comunidades, seja ativamente na sala de aula, seja compondo a equipe pedagógica necessária para se desenvolver o programa educativo.[322] A educadora Iara Bonin afirmou que "para muitos estados e municípios, a oferta de educação escolar indígena específica e diferenciada é vista como uma regalia, uma concessão, e não como um direito dos povos indígenas". Também há denúncias de alijamento das comunidades nos processos decisórios e de implementação de projetos educativos sem o necessário consentimento prévio dos povos. Alunos que conseguem progredir até os cursos superiores também são afetados, sendo ouvidas contínuas queixas de atrasos no repasse das bolsas de estudo e outros auxílios, criando dificuldades de transporte, moradia e alimentação, importantes para assegurar sua permanência nas universidades.[323]

Intelectuais indígenas combatem a falta de conhecimento sobre seus povos (vídeo)

Aalfabetização dos indígenas nosvernáculos, paralelamente ao trabalho sistematizador doslinguistas, também tem tido o efeito de gerar literatura, fato de fundamental importância num contexto de progressiva dissolução e esquecimento das tradições e mitos, e tem capacitado os indígenas para registrar de maneira duradoura sua própria versão da História e descrever suas visões de mundo com autenticidade, corrigindo interpretações distorcidas, possibilitando além disso a preservação das próprias línguas e a maior divulgação de suas culturas. Fortalece ainda o senso de identidade das tribos, lhes infunde mais orgulho de suas origens e dá bases para eles elaborem formas próprias depedagogia.[324][325]

Algumas populações indígenas lutam para garantir espaço nas universidades. Em Manaus, por exemplo, foi conquistado o acesso e permanência na Universidade Federal do Amazonas por meio de ações afirmativas. A fim de solucionar essas questões de permanência, a conquista não aconteceu apenas por garantir vagas ao indígena, novas disciplinas foram criadas a fim de atender a realidade dos indígenas, não apenas no sentido de prover discussões mais significativas à sua realidade, mas também para produzir um conhecimento que previamente não acontecia. Também foi garantida estrutura física e financeira para que eles pudessem morar perto da universidade, resolvendo o problema de longas distâncias que impossibilitam o acesso ao estudo. Alguns cursos na área da pós-graduação também contam com espaço para indígenas, dessa forma, democratizando a educação.[326]

Escultura em pedra da culturasambaqui pré-cabralina, representando um tubarão. Acervo do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Antropologia e Arqueologia da Universidade Federal de Pelotas

O tema indígena faz parte hoje do currículo escolar brasileiro desde o nível primário,[327] e permanece muito explorado até as pós-graduações, havendo muitos museus, pontos de cultura, grupos e instituições que se dedicam a conservar e divulgar a riqueza e a diversidade do patrimônio arqueológico, histórico e artístico dos indígenas, bem como de suacultura imaterial, que estão seriamente ameaçados.[101][116][328][329] Incontáveis programas de estudos acadêmicos em andamento objetivam melhor entender a sociedade indígena para melhor dialogar com ela, e também pelo mérito do seu interesse intrínseco, que tem sido reconhecido por especialistas como imenso, podendo dar contribuição valiosa para um mundo que hoje se debate em uma profunda crise de valores humanos, sociais e ecológicos.[101][140][328][329][330][331][332]

Saúde

[editar |editar código]
Ver artigos principais:Pajé,Medicina indígena,Saúde indígena no Brasil,Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas,Distrito sanitário especial indígena, eCOVID-19 e povos indígenas no Brasil
Indígenas em luta esportiva, exibindo seus corpos fortes e bem constituídos
Abertura da 5ª Conferência Nacional de Saúde Indígena, 2013

Sabe-se que os indígenas gozavam originalmente de boa saúde, tendo corpos mais fortes e robustos do que os europeus,[333] exercitados nas artes militares, na produção de artefatos e construção de cabanas, nas contínuas atividades físicas em seu cotidiano de estreito contato com a Natureza, movimentando-se sempre a pé ou em canoas de remo, na caça e pesca, na agricultura, e nos esportes como ahuka-huka e oRáRá[334] (lutas), ocabo-de-guerra, oxikunahity (um "futebol" em que a bola é impulsionada exclusivamente por cabeceios), a corrida carregando toras de madeira e orõkrã (um jogo com bastões e uma pelota).[335] Sualongevidade nos tempos pré-cabralinos é incerta, mas sobrevivem relatos dos primeiros exploradores, no entanto, afirmando que muitos viviam até velhice avançada, conhecendo até quatro gerações de descendentes.[333]

Suas práticas de cura tinham caráterxamanístico e ritual, possuindo conotações mágicas e religiosas, e as doenças frequentemente eram atribuídas a origens sobrenaturais. Em sua medicina usavam ervas, produtos animais e procedimentos físicos invasivos, que podiam incluir sangrias e escarificações.[336][337] Muitas vezes o atendimento de saúde tradicional distribuía funções entre várias figuras além do curador principal, o pajé, incluindo rezadores e benzedeiras, conhecedores de ervas e parteiras. Diversos de seus conhecimentos foram aproveitados pelos europeus desde o início e hoje estão sendo estudados pela ciência e em parte incorporados ao sistema de saúde indígena organizado pelo governo.[338][339][340]

Como já foi dito, depois da chegada dos portugueses, inúmeras epidemias de doenças desconhecidas na América dizimaram populações inteiras, entre elasmalária,tuberculose,infecções respiratórias,hepatite edoenças sexualmente transmissíveis.[341][342] O problema continua, e de acordo com oInstituto Socioambiental é um dos tópicos mais delicados de toda a questão indígena brasileira.[343] Desde sua origem a Funai se responsabilizou pelo atendimento sanitário dos indígenas, envolvendo para isso diversos outros órgãos e instituições, entre elas aFundação Nacional de Saúde (Funasa), que gerencia a seção indígena doSistema Único de Saúde. Em 1999 o sistema foi reorganizado e descentralizado, criando-se o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena e 34 Distritos Sanitários Especiais, com bons resultados, mas historicamente o atendimento sempre foi no geral insatisfatório, e as críticas proliferavam. Noticiavam-se casos de retorno epidêmico de doenças já controladas, sucateamento da infraestrutura, corrupção oficial, autoritarismo e descaso no atendimento e excesso de burocracia. Adesnutrição infantil se tornava uma ameaça séria, vitimando crescente número de crianças. A situação calamitosa invocou a intervenção do Ministério Público.[342][343] Em 2010, depois de pressão das comunidades, o governo criou uma secretaria especial para tratar da questão, vinculada diretamente aoMinistério da Saúde, que encampou a administração dos Distritos Sanitários. Estes órgãos atendem os casos mais simples. Quadros complexos são encaminhados a hospitais regionais mais aparelhados. Os Conselhos Indígenas de Saúde, que contam com membros das comunidades, controlam o funcionamento do sistema de saúde voltado para os indígenas. Na prática, porém, o setor, assim como todo o resto da questão indígena, está sempre enfrentando carências múltiplas, e sendo centro de inúmeras críticas e controvérsias, mesmo internas.[343][344]

Indígenas de várias etnias dareserva do vale do Javari invadem a tenda Revolução Cubana e o Centro de Imprensa doFórum Social Mundial pedindo mais saúde e denunciando várias mortes por hepatite nos últimos anos, 2009

Atualmente o principal marco legal específico para a área de saúde é aPolítica Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas, regulamentada pelaPortaria nº 254, de 31 de janeiro de 2002.[341] Dados do governo de 2006 apontam que entre os problemas de alta ocorrência estãoanemia,diarreia,tuberculose,doenças de pele, infecções respiratórias, edoenças crônicas comoobesidade,hipertensão arterial ediabetes mellitus. Cerca de um terço das reservas enfrenta dificuldades de abastecimento alimentar, gerandodesnutrição.[294] Segundo pesquisa de 2010 da Unesco em parceria com o Ministério da Cultura e o Museu Nacional, nos últimos anos se verifica uma transição epidemiológica entre os povos nativos. Se antes predominavam as doenças infecciosas e parasitárias, agora estão em rápida ascensão as doenças crônicas não transmissíveis e as doenças sociais.[342] Têm sido registrados crescentes taxas de transtornospsicológicos epsiquiátricos, bem como desuicídios,homicídios,abuso sexual,violência doméstica,drogadição ealcoolismo. A perda de suas terras e a proximidade com a civilização, que levam à desagregação das culturas, são as principais causas apontadas.[336][337][342] Toda a questão é complicada pela falta de conhecimentos mais sólidos sobre aepidemiologia, os hábitos de alimentação, higiene corporal e conservação da saúde entre os povos indígenas.[294][337][342] Embora o governo subsidie diversos projetos acadêmicos de pesquisa,[342][345] ele mesmo reconheceu amplas carências, como consta na suaPolítica Nacional:

"Não se dispõe de dados globais fidedignos sobre a situação de saúde (dos povos indígenas), mas sim de dados parciais, gerados pela Funai, pela Funasa e diversas organizações não governamentais ou ainda por missões religiosas que, por meio de projetos especiais, têm prestado serviço de atenção à saúde dos povos indígenas. Embora precários, os dados disponíveis indicam, em diversas situações, taxas demorbidade emortalidade três a quatro vezes maiores que aquelas encontradas na população brasileira geral. O alto número de óbitos sem registro ou indexados sem causas definidas confirmam a pouca cobertura e baixa capacidade de resolução dos serviços disponíveis".[337]
Indígenas em um laboratório observandoplasmódios da malária ao microscópio

Para o antigo diretor do Departamento de Saúde Indígena da Funasa, Wanderley Guenka, as maiores dificuldades vêm da multiplicidade de realidades culturais entre os vários povos, impedindo a criação de uma política unificada de saúde, a falta de preparo técnico, as grandes distâncias e dificuldades de acesso às reservas mais remotas, a precária infraestrutura em muitas aldeias e a crônica escassez de verbas.[346] Em 2012 a presidente Dilma Rousseff criou um comitê espacial para dar maior atenção ao problema, com foco no atendimento básico, incluindoexame pré-natal,vacinação, avaliação nutricional, controle do crescimento e desenvolvimento, consultas médicas e odontológicas, testes paraHIV,sífilis ehepatites.[347]

Entre as conquistas recentes no setor podem ser citadas o expressivo crescimento populacional nas últimas décadas,[342] a formação de muitos profissionais de saúde indígenas, que passaram a se encarregar da maior parte do atendimento básico nas aldeias, e a importante redução namortalidade infantil, que caiu de 74,61 óbitos por mil nascidos vivos em 2000, para 46,73 em 2008, resultado da integração de uma série de programas de saúde, desenvolvimento econômico e assistência social. No início de 2008 atuavam na área indígena 12 895 profissionais de saúde, com 1 681 de nível superior e 11 214 de nível médio.[341]

Evangelização e aculturação

[editar |editar código]

Como já foi descrito, os portugueses desde os primórdios da colonização buscaram transformar os indígenas em bons cristãos. Muitos de seus costumes eram vistos como imorais e pecaminosos, e suas religiões, como primitivas, supersticiosas e obscuras, quando não demoníacas, e por isso era preciso a todo custo "salvá-los" de sua forma de vida. Isso não mudou muito. A despeito de todos os problemas que isso causou historicamente, grande parte da população indígena brasileira permanece ainda hoje sob forte pressão de propagandistas de outras religiões, que continuam tentando convertê-los às suas fileiras sob os mais variados argumentos, mas em geral tentando assimilá-los para a órbita da civilização e revelando uma visão subjacente preconceituosa, ignorante e prepotente sobre suas práticas religiosas tradicionais, fazendo-os ouvir aquele mesmo tipo depregação de séculos passados que, embora muitas vezes realizada com boa intenção, desvirtua ou substitui suas crenças originais e provoca profundos conflitos de consciência nos indivíduos. Tenta-se "levar a palavra de Deus" ao indígena como se ele não tivesse suas próprias figuras divinas e seus preceitos, nunca tivesse ouvido falar em um poder espiritual, e como se tivessepedido aevangelização, querendo-se homogeneizar a espiritualidade nativa à sombra docristianismo, quase invariavelmente considerado superior.[47][348][349][350][351] O caciqueiauanauá Biraci dá um eloquente testemunho:

"Convenceram todo mundo a ser crente. Botaram uma ameaça no nosso coração, dizendo que sem essa religião todo mundo iria para o inferno, que nós não teríamos salvação, não seríamos capaz de ser um povo feliz. Que nós vivíamos com o demônio. Que nossos rituais e nossas crenças eram coisas do demônio. [...] Eram racistas, não gostavam da gente, pareciam que tinham nojo de índio. Não deixavam índio andar no mesmo barco com eles. Não deixavam comer junto. Nos tratavam mal. Sem respeito. Principalmente os americanos. Eram muito arrogantes. A gente sofria muito. A gente tinha vergonha de ser a gente. [...] Nós éramos proibidos, através da intimidação, de realizar nossos rituais. Do lado da missão estavam os seringalistas, seringueiros. Se aliavam com todo mundo. E a igreja fazia a gente aceitar ser dominado. Além da evangelização, dessa descaracterização cultural do nosso povo, ainda mantinham a presença dos não indígenas dentro da terra. Faziam a gente aceitar nossa condição de escravo".[352]
Encontro religioso guarani no Mato Grosso do Sul
Representantes do Conselho Indigenista Missionário no lançamento do relatórioViolência Contra os Povos Indígenas 2012

Porém, religiosos e associados ao trabalho missionário muitas vezes argumentam que a evangelização contemporânea, diferente da histórica, é oferecida como uma opção e não um imperativo, que pode ajudar os indígenas em sua conscientização política e em suas lutas sociais, e pode capacitá-los para participar da sociedade brasileira de forma digna e construtiva.[353][354][355] Às vezes essas missões propõem ajudar os indígenas na reconstrução de tradições religiosas perdidas.[349][356] É verdade que diversas denominações têm oferecido importante ajuda aos indígenas em suas demandas e têm evitado muito sofrimento e injustiças,[206][349][357] mas isso não anula o fato de que a presença missionária nas aldeias tem sido sempre fator de profunda modificação cultural e mesmo econômica,[150][349][350] e é a causa até hoje de permanente tensão, distúrbios sociais e de disseminação de diversas doenças.[358][348][359]

É de notar que aConferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), entidadecatólica, que através doConselho Indigenista Missionário tem sido uma das mais aguerridas e influentes defensoras dos indígenas,[359][360] embora reconhecendo que as cosmovisões indígenas são "a alma de suas culturas" e que "a convicção de cada pessoa tem uma dignidade própria", e afirmando que não visa aconversão impositiva, não obstante coloca a evangelização dos povos nativos como uma de suas metas, defende omagistério universal daIgreja Católica, entende a humanidade toda como o "povo eleito",Jesus como o primeiro dos missionários, cujo exemplo deve ser seguido, eNossa Senhora como mãe de "todos os povos".[361][362] O papaBento XVI, em discurso proferido emAparecida, disse que a evangelização não supôs, em nenhum momento, uma alienação dasculturas pré-colombianas, nem foi uma imposição de uma cultura estranha. Diante de múltiplos protestos, no entanto, dez dias depois ele se retratou, reconhecendo o lado sombrio dessa história.[363] A posição do CIMI não está livre de problemas e ambiguidade,[360][364] mas tem se caracterizado pelo progressivo distanciamento doproselitismo, concentrando-se na luta política, no respeito às diferenças e no assistencialismo, ao contrário das missões das ordens e congregações.[352][365] Mesmo com este direcionamento oficial, o destacado teólogoPaulo Suess reconhece que o proselitismo ainda subsiste: "Nunca oficialmente. Nunca vão dizer isso abertamente em uma assembleia do CIMI. Mas na aldeia eles podem agir assim".[352] De qualquer forma, na opinião do antropólogo Marcos Pereira Rufino, em anos recentes a atuação católica tem sido a menos problemática entre todas as denominações cristãs, enquanto no trabalho das outras a situação é bem mais complicada, com denúncias de violações de direitos humanos e outras irregularidades se multiplicando.[365] Segundo noticiou em 2007 o portal interdenominacional Gospel+,

"O trabalho decatequese há décadas deixou de ser uma exclusividade da Igreja Católica, que perdeu terreno nessa área. Pastoresevangélicos tomaram seu lugar e hoje operam um vigoroso esforço de conversão em massa. Já superaram os católicos no número de missionários. [...] Existem 222 tribos no país. Os católicos estão em apenas 107 delas. Protestantes de denominações comoBatista,Adventista,Quadrangular eAssembleia de Deus, por exemplo, já estão presentes em 153. Seu objetivo é claro: chegar a cada etnia 'não alcançada' por Jesus, fincar uma igreja e conduzi-la pelo que consideram o caminho da salvação. [...] Em 1972 (a Igreja Católica) criou o CIMI para gerir a relação com os índios, e passou a pregar que a cultura nativa deveria ser preservada, inclusive em suas crenças. Foi um flanco aberto para que os missionários evangélicos avançassem em peso por entre as aldeias mais remotas do país. [...] Sua estruturalogística também salta aos olhos. Para levar os pastores a cada canto do país, os evangélicos contam com a ONG Asas de Socorro, que tem onze aviões, sendo três hidroaviões que não necessitam nem de pista de pouso. Com uma engrenagem assim, não há pajé que resista".[366]

Em 1991 a Funai determinou a retirada de todos os missionários das reservas, diante de inúmeras denúncias de genocídio, escravidão, servidão, exploração sexual e monopolização do acesso à saúde e à educação,[358] e desde 1994 somente podem entrar nas reservas missionários convidados pelos indígenas.[367] Para contornar o interdito, muitas vezes são oferecidos às aldeias serviços e benesses em troca do convite,[368] ou as lideranças cristãs trabalham para formar missionários indígenas, que por sua vez podem atuar livremente nas reservas.[350][369] Edward Luz, presidente da organização não denominacional Missão Novas Tribos do Brasil,[369] acusada de muitas irregularidades, inclusive de grande extermínio entre o povozo'é nos anos 80, infectado por doenças que eles levaram,[358][370] foi explícito em suas intenções dizendo que "o Estado não pode impedir que um índio se encontre com outro índio. [...] A maioria desses índios voltará ao seu povo para pregar oEvangelho. Contra essa força não haverá resistência (da Funai)".[369] "Se (o governo) proíbe pregar o Evangelho, está proibindo a liberdade da adoração; proíbe o autor do Evangelho, o senhor Jesus; e proibiu aBíblia, proibiu o Deus criador. E nós partimos para um confronto".[358] No4º Congresso Brasileiro de Missões, opresbiteriano Ronaldo Lidório declarou que "precisamos de mais 500 novos missionários para pregar o Evangelho a todos os povos indígenas".[369] A Associação de Missões Transculturais Brasileiras e o Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas, com apoio da Associação Nacional de Juristas Evangélicos, divulgaram em 2013 uma nota oficial em protesto contra os obstáculos à ação missionária entre os indígenas.[355]

Santuário dos Pajés na terra indígena noSetor Noroeste de Brasília
Capela cristã em terrasachanincas, no Acre

Propostas de autorizar legalmente a atuação missionária já chegaram ao Congresso Nacional e desencadeiam grande polêmica, pois o Brasil é umEstado laico, e a imposição da evangelização sobre os indígenas, violando aliberdade de culto, é inconstitucional, além de inevitavelmente levar àaculturação.[371] Abancada evangélica, aliando-se àbancada ruralista, tem grande influência parlamentar.[372][373][374] O jornalistaFelipe Milanez denunciou, juntando-se a um grande coro de críticos, que aComissão de Direitos Humanos e Minorias daCâmara dos Deputados, que esteve em 2013 sob o comando do controverso pastor evangélicoMarco Feliciano, "segue misturando religião com Estado, rasgando a laicidade, e promovendo violência contra as minorias. Os missionários tentam pressionar o governo para que possam pregar o Evangelho nas aldeias, promovendo assim o proselitismo religioso. Querem pregar de forma aberta, pois escondido já o fazem".[358] Outros pesquisadores e jornalistas confirmam a pregação clandestina, e como foi dito as próprias igrejas, ignorando todos os impedimentos legais, reconhecem que ela continua em progresso,[350][368][369][375] ocorrendo até mesmo denúncias de perseguições a pajés e disputas por aldeias entre as várias denominações,[356][376] uma situação que remonta aos primórdios da penetraçãoprotestante no país.[356][377] Segundo a antropóloga Ana Paula de Oliveira, as dificuldades impostas oficialmente para a evangelização, ao contrário de inibi-la, a estimulam, pois para muitos missionários, quanto maiores as provações, mais gloriosos serão os resultados espirituais, sentindo-se engajados em verdadeiracruzada.[350]

Mas a questão não é simplesmente polarizada e está cheia de nuanças e contradições. Antropólogos e outros ativistas têm assumido a religião indígena e fazem proselitismo dela.[349] Muitas comunidades adotaram o cristianismo e o praticam há tempo, exigindo a presença de padres e pastores.[352][366] Somente de indígenas evangélicos existem 210 mil, segundo o Censo de 2010.[367] Estes também defendem o proselitismo sobre outras etnias, se orgulham da conversão e muitas vezes confundem benefícios sociais recebidos com religião, acreditando que "somente depois daBíblia o desenvolvimento chegou às aldeias, que hoje têm luz elétrica e água encanada". Basílio Jorge, indígena e pastor evangélico, ilustra a profundidade da transformação cultural condenando a antiga e inocente nudez dos povos: "É indecente as mulheres usarem vestido curto ou short. O cabelo delas também deve ser comprido. Está tudo escrito naBíblia".[366] Outras comunidades absorveram parte da religião estranha e a adaptaram para a formação de novos cultossincréticos, e essas formas religiosas adquirem importante papel em suas vidas.[150][349][350] Ao mesmo tempo, missionários frequentemente são acusados de entrar em conluio com a Funai e outros organismos a fim de desestabilizar o diálogo entre indígenas e civilizados,[378][379] "semeando ventos que vão produzir uma tempestade no campo", como disse o jornalista Robson Bonin em artigo na revistaVeja.[378]

Identidade indígena

[editar |editar código]

Tem emergido um debate sobre o que é "ser indígena". Para os ocidentais, os indígenas ainda são geralmente imaginados como integrantes de culturas silvícolas e como indivíduos seminus cobertos de pinturas corporais e adereços plumários. Contudo, o contato com a civilização dominante levou muitos a absorver elementos culturais e hábitos ocidentais — roupas, língua, moradia em casas, uso de aparelhos eletrônicos, frequência em universidades, etc. —, pondo em jogo a questão de até que ponto um indígena permanece identificado como indígena num contexto de ampla e rápida transformação sociocultural. Muitas vezes essa incorporação de ocidentalismos por indígenas é usada como justificativa para desqualificar sua condição de indígena e até mesmo para negar o direito à terra e o acesso a benefícios governamentais. A conceituação de "indígena" ainda está de modo geral dependente de um estereótipo físico e/ou cultural que tem implicaçõesracistas e que remete ao passado, e que desconsidera o fato de que as culturas originais, embora mantenham um caráter tradicionalista, nunca foram estáticas — elas evoluíram. Este estereótipo foi impresso massivamente nas comunidades por força da opressão colonialista. Tentativas de libertação desses preconceitos são um fenômeno recente e têm gerado controvérsia, mas muitos indígenas, com base em sua ancestralidade e numa percepção dinâmica de cultura, já começam a reivindicar o direito à diversidade como parte essencial do direito à autodeterminação, o direito de permanecerem sendo "indígenas" mesmo que sua cultura e aparência se modifiquem.[380][381] Estes argumentos são uma das bases dos movimentos de reivindicação identitária dospovos emergentes, mas não só deles.[381]

Dia dos Povos Indígenas

[editar |editar código]
Ver artigo principal:Dia dos Povos Indígenas
Celebração do 19 de abril na Terra Indígena Cantagalo, Rio Grande do Sul, em 2018. Vídeo.

O Dia dos Povos Indígenas, 19 de abril, foi criado pelo presidente brasileiroGetúlio Vargas através dodecreto-lei 5.540, de 1943, então com o nome Dia do Índio,[382] relembrando o dia, em 1940, no qual várias lideranças indígenas do continente resolveram participar doCongresso Indigenista Interamericano, realizado noMéxico. Eles haviamboicotado os dias iniciais do evento, temendo que suas reivindicações não fossem ouvidas pelos "homens brancos". Durante este congresso, foi criado oInstituto Indigenista Interamericano, também sediado no México, que tem, como função, zelar pelos direitos dos indígenas na América. O Brasil não aderiu imediatamente ao instituto, mas, após a intervenção doMarechal Rondon, apresentou sua adesão e instituiu o Dia do Índio no dia 19 de abril.[383]

O nome da data foi alterado em 8 de julho de 2022 para Dia dos Povos Indígenas através da Lei 14.402. O projeto de alteração partiu da deputadaJoênia Wapichana, com a justificativa de que o termo "índio" estimula a perpetuação de estereótipos e é considerado pelos povos originários como preconceituoso, mas também serve para deixar explícita a diversidade dos povos que habitam e habitaram o Brasil. O projeto foi vetado pelo então presidente Jair Bolsonaro, mas o Congresso derrubou o veto no dia 5 de julho.[384]

Ver também

[editar |editar código]

Referências

  1. "Brasil tem 1,7 milhão de indígenas e mais da metade deles vive na Amazônia Legal". Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 8 de outobro de 2023
  2. Schütz, Ricardo."Word Histories". English Made in Brazil}}
  3. D'Angelis, Wilmar."No Brasil ainda tem índio".Kamuri, 29 de março de 2017
  4. Ribeiro 2003, p. 32-34
  5. "Sobre o nome dos povos". Instituto Socioambiental, consulta em 12 de dezembro de 2025
  6. Rito, Teresa et al."A dispersal of Homo sapiens from southern to eastern Africa immediately preceded the out-of-Africa migration". In:Scientific Reports, 2019; 9 (1)
  7. Richter, Daniel et al."The age of the hominin fossils from Jebel Irhoud, Morocco, and the origins of the Middle Stone Age". In:Nature, 2017 (546): 293–296
  8. abO’Connell, James F. et al."When did Homo sapiens first reach Southeast Asia and Sahul?" In:Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, 2018; 115 (34): 8482-8490
  9. Liu et al. 2006, pp. 230–237
  10. abcdeFagundes et al. 2008, pp. 1–10
  11. abcdefBandeira 2008, pp. 431-468
  12. abcFagundes, Kanitz & Bonatto 2008, p. e3157
  13. Hoffecker & Elias 2013, pp. 1-18
  14. abcdefghijkl Da-Gloria, Pedro."Ocupação inicial das Américas sob uma perspectiva bioarqueológica". In:Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi — Ciências Humanas, 2019; 14 (2): 429-457
  15. Levinson & Dediu 2012, p. e45198
  16. "Novos dados lançam dúvidas sobre o homem americano".ComCiencia, 10/09/2003
  17. abcdSouza et al. 2006, pp. 19-43
  18. abcPivetta, Marcos & Zorzetto, Ricardo."Walter Neves: O pai de Luzia".Pesquisa Fapesp, 11 de maio de 2012
  19. abcdeDias, Adriana Schmidt."Um réquiem para Clovis". In:Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi — Ciências Humanas, 2019; 14 (2): 459-476
  20. abcBaima, Cesar."O mistério dos índios brasileiros". Instituto Socioambiental, 22/07/2015
  21. Ferreira, Lívia Leite.Estudo de polimorfismos da região controle (D-loop) do DNA mitocondrial em pacientes com diabetes tipo 1: relação com a cor autodeclarada em pais e avós. Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2023, p. 33
  22. abcBiernath, André."As descobertas sobre origem e história dos povos indígenas da América do Sul reveladas pela genética".BBC Brasil, 21 de janeiro de 2023
  23. Silva, Marcos Araújo Castro e.Perspectiva genômica sobre a origem, história e diversidade dos povos indígenas da América do Sul: do povoamento inicial à colonização europeia. Doutorado. Universidade de São Paulo, 2021 (resumo)
  24. abcdeBattaglia et al. 2013
  25. abcdLourdeau 2019, pp. 367-398
  26. Oliveira 2005, p. 18-22
  27. Canclini 2009, pp. 11-13
  28. abMelatti 2007, pp. 18-20
  29. Dias & Jacobus 2003, pp. 39-67
  30. Isnardis, Andrei."Semelhanças, diferenças e rede de relações na transição Pleistoceno-Holoceno e no Holoceno inicial, no Brasil Central". In:Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi — Ciências Humanas, 2019; 14 (2): 399-427
  31. Mongeló, Guilherme."Ocupações humanas do Holoceno inicial e médio no sudoeste amazônico". In:Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi — Ciências Humanas, 2020; 15 (2)
  32. Cruz, Rafael Cabral & Guadagnin, Demétrio Luis."Uma Pequena História Ambiental do Pampa: proposta de uma abordagem baseada na relação entre perturbações e mudança". In: Costa, Benhur Pinós da; Quoos, João Henrique Quoos; Dickel, Mara Eliana Graeff (orgs.).A sustentabilidade da Região da Campanha-RS: Práticas e teorias a respeito das relações entre ambiente, sociedade, cultura e políticas públicas. Universidade Federal de Santa Maria, 2010, pp. 154-178
  33. Feathers et al. 2010, pp. 431–432
  34. abSalles, Silvana & Said, Tabita."DNA antigo conta nova história sobre o povo de Luzia".Jornal da USP, 08/11/2018
  35. Neves & Hubber 2005, pp. 18309-18314
  36. Pivetta, Marcos."A América de Luzia".Pesquisa Fapesp, 22 de agosto de 2012
  37. Menezes, César."Estudo contradiz teoria de povoamento da América e sugere que rosto de Luzia era diferente do que se pensava".G1, 8 de novembro de 2018
  38. Magalhães, Marcos Pereira et al."O Holoceno inferior e a antropogênese amazônica na longa história indígena da Amazônia oriental (Carajás, Pará, Brasil)". In:Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi - Ciências Humanas, 2019; 14 (2): 291-325
  39. Pena & Bortolini 2004, pp. 31-50
  40. Coelho 2007, pp. 237-249
  41. abcdMontardo 2006, pp. 115-134
  42. abcdFreire, José Ribamar Bessa."Cinco Equívocos sobre a Cultura Indígena Brasileira". In:Cenesch — Revista do Centro de Estudos do Comportamento Humano, 2000, pp. 17-33
  43. abPiedade 2006, pp. 35-48
  44. abcdefghFernandes 1976, pp. 72-86
  45. abcdefghijklmnopqrsSchmitz 2005, pp. 30-55
  46. abRibeiro & Ribeiro 1957
  47. abcdeA Cultura dos Povos Indígenas. Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores - Itamaraty, 27 de dezembro de 2014
  48. Dorta & Cury 2000, pp. 35-38
  49. abc"Brasil tem quase 900 mil índios de 305 etnias e 274 idiomas".Dourados Agora, 13 de agosto de 2012
  50. Etnias Indígenas. Ministério da Justiça do Brasil, 2007
  51. Diversidade das Línguas Indígenas. Ministério da Justiça do Brasil, 2007
  52. ab"Influência da cultura indígena em nossa vida vai de nomes à medicina".Globo Ecologia, 30 de março de 2012
  53. abManso, Bruno Paes."Tupi or not tupi".Veja, 26 de dezembro de 1998
  54. "Habitações". Instituto Socioambiental
  55. abSalvador 1965
  56. abPhillips, David."Em nome de Deus". Instituto Antropos, 9 de março de 2009
  57. abcdefMachado 2006
  58. abcd"Sociedade Indigena". Instituto Arca de Noé, 3 de dezembro de 2013
  59. Cavalcante 2011
  60. Freyre 2006, pp. 163-165
  61. abcJunges, Márcia."A importância da mulher na sociedade kaiowá". In:Revista do Instituto Humanitas – Unisinos, 2011; XI (359)
  62. abcdefghijklColaço 2006
  63. abc"Anciãos transmitem cultura indígena".ComCiência – SBPC/Labjor, 10 de setembro de 2002
  64. Ferreira 2009, pp. 97-136
  65. abc"Redes indígenas de relações". Instituto Socioambiental
  66. abc"Rituais". Instituto Socioambiental
  67. abcd Cesarino, Pedro de Niemeyer."Xamanismo". Instituto Socioambiental, 2009
  68. abcSilva, Aracy Lopes da."Mitos e cosmologia". Instituto Socioambiental
  69. abcdeSalik 2010, pp. 22-25; 40-41
  70. abcTrein 2012, pp. 1081-1095
  71. abcdefBrandão 1990
  72. Brito, Ênio José da Costa"A identidade indígena: Estratégias políticas e culturais (século XVI e século XVII)". In:Revista de Estudos da Religião, 2005 (5): 1-10
  73. abcdePrezia, Benedito."O Sagrado nas Culturas Indígenas". In:Revista Uniclar, 2007; IX (1)
  74. Laraia 2013, pp. 427-439
  75. "A Busca da Terra sem Mal". Comissão Pró-Índio de São Paulo, 2012
  76. Rocha 2010, pp. 33-34
  77. Venosa 1980
  78. Moreau 2003, pp. 123-154
  79. Damas 2012
  80. Coelho 2003, pp. 145-162
  81. Bond, Rosana."A impressionante Astronomia dos índios brasileiros". In:A Nova Democracia, 2004 (18)
  82. abcdAfonso 2009
  83. Lima 2004, pp. 175-177
  84. Fernandes 2010
  85. Oshiro, Vitor."Unesp resgata astronomia indígena".Jornal da Cidade, 03/12/2011
  86. abLévi-Strauss 2004, pp. 223-227
  87. Magalhães 1876, pp. 134-135
  88. abAfonso 2010, pp. 62-65
  89. Santos-Granero 2011
  90. Raminelli, Ronald."Um alemão na Terra dos Canibais". In:Revista de História, 2007 (98)
  91. abcSantos, Coimbra Jr. & Flowers 2005, pp. 69-71
  92. Miranda 2004, pp. 167-169
  93. Lei nº 12.366 de 3 de novembro de 2005. Assembleia Legislativa do Estado de Rio Grande do Sul
  94. abcMoreau 2003, pp. 153-171
  95. Ramos 2006, p. 59
  96. abJunqueira & Mindlin 2003
  97. Sevcenko 2000, pp. 39-47
  98. "Ritual: Kuarup. Etnia: Índios do Alto Xingu". Ministério da Justiça, 2007
  99. "Kuarup, ritual do pranto no Xingu ocorre em agosto".EBC, 22 de junho de 2004
  100. Bernand 2006, p. 472
  101. abc"Ministério anuncia a criação de pontos de cultura indígena em todo o País".Portal Brasil, 23 de abril de 2012
  102. Souza 2004
  103. abcdCore Writing Team 2005, p. 127
  104. Antonialli, Souki & Teixeira 2004, p. 2
  105. abcDolabella, Renato Melo et al."Arte Plumária: índios Brasileiros". Grupo de Estudo do Projeto Experimental Artesanato, UFMG, 2014
  106. abcDorta & Cury 2000
  107. "Povos indígenas e meio ambiente". Instituto Socioambiental
  108. "Os índios". Funai, 2013
  109. abTiriba 2012
  110. John, Liana."A Arte Plumária Indígena é sustentável?"O Estado de S.Paulo, 5 de outubro de 2000
  111. Gaspar, Lúcia."Línguas Indígenas no Brasil". Fundação Joaquim Nabuco, 19 de abril de 2011
  112. "Quem São". Funai, 2014
  113. Moore, Denny."Línguas indígenas: situação atual, levantamento e registro". In: Revista Eletrônica do IPHAN, 22 de maio de 2007
  114. "Parque Nacional Serra da Capivara". Fundação Museu do Homem Americano, 2014
  115. abcMachado 2010
  116. abTeixeira, Pozzi & Silva 2012
  117. Rocha, Mariana."Obras que revelam".Ciência Hoje, 7 de agosto de 2013
  118. Silva 2012
  119. abHamada & Zenun 1999, pp. 59-62
  120. abVan Velthem 2007, pp. 117-146
  121. Dorta & Cury 2000, p. 174
  122. Vidal & Silva 1995, p. 396
  123. Sufiatti, Bernardi & Duarte 2013, pp. 67-98
  124. Cesarino, Pedro."Poéticas indígenas". Instituto Socioambiental
  125. Lagrou 2010
  126. abcGaldino 2011, pp. 43-45
  127. abLanger 2001, p. 49
  128. abFerreira 1999
  129. Langer, Johnni."Caçadores da lenda perdida". In:Revista de História, 7 de julho de 2008
  130. Schaan 2006, pp. 99-117
  131. "Cultura Santarém". Museu Nacional, 2013
  132. Correa 1965, pp. 3-21
  133. Corrêa, Márcia."Randolfe vai atuar para potencializar turismo em sítios arqueológicos". Núcleo de Pesquisa Arqueológica da UFRGS, 2013
  134. abcdSouza et al. 2018
  135. Heckenberger, Michael J."As cidades perdidas da Amazônia". In:Scientific American Brasil, 2009 (90)
  136. Schaan et al. 2007, p. 67-82
  137. abcEsquer, Michael."Ancient Amazon earthwork findings spotlight Indigenous land struggles today".Mongabay, 1 de dezembro de 2023
  138. ab"Amazonian Rainforest Hides Thousands of Records of Ancient Indigenous Communities Under Its Forest Canopy". Max Planck Institute, 5 de outubro de 2023
  139. Peripato et al. 2023, pp. 103-109
  140. abcAraújo 2006, pp. 23-79
  141. Oliveira 2006, pp. 102-121
  142. Paiva 2005
  143. abcdefghiLima 2009
  144. Melatti 2007, p. 58
  145. Almeida & Puci 2003, pp. 52-53
  146. Marzal & Tua 1999, pp. 37-46, 49-71, 489-495
  147. Saint-Hilaire 2002, p. 323
  148. Candeias, Nelly Martins Ferreira."República Guarani: As Ruínas de São Miguel". Clube dos 21 Irmãos Amigos, 2009
  149. Fonseca, Bianca Trindade da."Missões Jesuíticas: antecedentes históricos". In:Revista P@rtes, 11 de março de 2011
  150. abcFernandes 2004
  151. abCunha 1994
  152. Barreto 2008, pp. 110-121
  153. abGarcia, Elisa Frühauf."Solução caseira". In:Revista de História, 2013 (8): 27-29
  154. Lima, Shirota & Barros 2006, pp. 20-26
  155. Ferreira 2006
  156. Zorzetto, Ricardo."O DNA dos Pampas". In:Pesquisa Fapesp, 2007 (134)
  157. Biscardi & Rocha 2006
  158. Franz 2007
  159. abcdefghGomes 2008, pp. 1-19
  160. Eisenberg 2004, pp. 7-35
  161. Neto 2011
  162. "A Chegada do Europeu". Funai, 2013
  163. "Reserva indígena: Vale do Javari, no Amazonas, agoniza com malária e hepatite".O Globo, 24 de maio de 2008
  164. abRelatório da Comissão Nacional da Verdade, volume II - textos temáticos. Texto 5 - Violações de Direitos Humanos dos Povos Indígenas. Comissão Nacional da Verdade, 2014, pp. 200-203
  165. Projeto Memórias da Ditadura."Indígenas: Violências contra os indígenas durante a ditadura". Instituto Vladimir Herzog / Secretaria Especial da Cultura
  166. Reina, Eduardo."O relatório que apontava há 56 anos maus-tratos a indígenas e descaso de militares".BBC Brasil, 24 de janeiro de 2024
  167. Projeto Memórias Reveladas."Encontrado há 10 anos, Relatório Figueiredo revelou extermínio, mas cultura indígena resiste em MS". Arquivo Nacional, 20 de abril de 2023
  168. Oliveira, Kelly Emanuelly de.Estratégias sociais no Movimento Indígena : representações e redes na experiência da APOINME. Doutorado. Universidade Federal de Pernambuco, 2010, pp. 57-81; 91-99
  169. Cavalcante, Olendina de Carvalho. "Movimento indígena: notas para uma discussão". In:Textos & Debates, 1996 (2)
  170. Machado, Almires Martins. "Movimento indígena ou indígenas em movimento". In:MovimentAção — Revista do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal da Grande Dourados, 2017; 4 (6): 165-177
  171. Wapixana, Joênia Batista de Carvalho. "Terras Indígenas: a casa é um asilo inviolável". In: Araújo, Ana Valéria et al.Povos Indígenas e a Lei dos "Brancos": o direito à diferença. Edições MEC/Unesco, 2006, pp. 85-100
  172. abcdeFachin, Patricia."Uma hora ele é índio demais e atrapalha, outra hora ele é índio de menos, e não têm direitos". In:Revista do Instituto Humanitas – Unisinos, 24 de agosto de 2012
  173. Freyre 2006, p. 161
  174. Soares 2012, p. 11
  175. abcRocha 2006, pp. 203-220
  176. Marcos, Marina Cândido."Minha vó era bugre!".Índio Educa, 15 de junho de 2012
  177. Dawsey 2006, p. 166
  178. Ribeiro 2007
  179. Alves-Silva et al. 2000, pp. 444–61
  180. O'Rourke 2013, p. e75145
  181. abcCuri 2007, pp. 221-252
  182. abc"Direitos constitucionais indígenas". Instituto Socioambiental
  183. abAbdala, Vitor."Número de indígenas vivendo em cidades é cada vez maior no Brasil".Agência Brasil, 24 de março de 2010
  184. Caleffi 2003, pp. 20-42
  185. Milanez, Felipe."Genocídio brasileiro, por Vincent Carelli".Carta Capital, 12 de junho de 2013
  186. Azevedo, Dermi."Cimi: Novo genocídio ameaça povos indígenas do país".Carta Maior, 29 de maio de 2013
  187. ab"Violências contra os povos indígenas aumentaram em 2012". CIMI, 27 de junho de 2013
  188. "Carta Pública dos Povos Indígenas do Brasil à presidenta da República Dilma Rousseff". CIMI, 10 de julho de 2013
  189. "Relatório Cimi: violência contra os povos indígenas no Brasil tem aumento sistêmico e contínuo". CIMI, 27/ de setembro de 2018
  190. "Bolsonaro diz que reservas indígenas inviabilizam a Amazônia".Exame, 13 de fevereiro de 2020
  191. Oliveira, Rafael."Com Bolsonaro, práticas violentas contra indígenas se multiplicam".Carta Capital, 3 de outubro de 2019
  192. Kucharz, Tom."O plano genocida de Bolsonaro para a destruição dos povos indígenas". In:Revista do Instituto Humanitas — Unisinos, 20 de fevereiro de 2020
  193. Ker, João."Cada vez mais humano, fedorentos, massa de manobra: as declarações de Bolsonaro sobre os índios".O Estado de S.Paulo, 24 de fevereiro de 2020
  194. Watson, Fiona."Bolsonaro: 100 dias de guerra contra os povos indígenas".El País, 16 de abril de 2019
  195. abCruz, Elaine Patricia."Brasil não cumpre convenção da OIT que garante consulta prévia a índios em projetos, diz procuradora".Agência Brasil, 2 de julho de 2012
  196. Duprat, Deborah."Decisões que causam perplexidade". Instituto Socioambiental
  197. abAlencar 2005, pp. 68-74
  198. abCarvalho 2006, pp. 85-101
  199. abcdeBaines 2001
  200. Comissão Pró-Índio de São Paulo e do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos 2013, pp. 14-16
  201. abcProjeto Protagonismo dos Povos Indígenas Brasileiros através dos instrumentos internacionais de Direitos Humanos.Comunicação ao Comitê de Especialistas na Aplicação das Convenções e Recomendações da OIT sobre o cumprimento da Convenção 169 sobre Povos Indígenas e Tribais. APOINME - Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo / CIR - Conselho Indígena de Roraima / COIAB - Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira / Warã Instituto Indígena Brasileiro, 2008
  202. abArruda 1994, pp. 77-85
  203. Resende 2009
  204. Castelo Branco, Tales & Rosa, Hilário."Constituição de 1988 não permite invasão de terras por índios".Consultor Jurídico, 21 de agosto de /2008
  205. Museu de Valores 1988
  206. abcdeAraújo 2006, pp. 38-40
  207. Magalhães 2005, pp. 16-20
  208. "O Estatuto do Índio". Instituto Socioambiental
  209. Araújo 2006, pp. 55-56
  210. Araújo 2006, pp. 65-66
  211. Magalhães 2005, pp. 3-5
  212. "Índio pode...?". Instituto Socioambiental, 2000
  213. Bokova, Irina."Apelo da UNESCO no Dia Internacional dos Povos Indígenas do Mundo". Representação da Unesco no Brasil, 29 de julho de 2013
  214. UNESCO 2007
  215. Almeida 2004, pp. 9-32
  216. C169 - Indigenous and Tribal Peoples Convention. International Labour Organization, 1989
  217. Almeida, Gustavo de."Milícias contra índios".Isto É, 22 de outubro de 2008
  218. abSanson, Cesar."Perdemos as contas de quantas vezes Dilma esteve com latifundiários, empreiteiras, mineradores e a turma das hidrelétricas". In:Revista do Instituto Humanitas — Unisinos, 22 de abril de 2013
  219. Cima, Ivan César e Liebgott, Roberto."Política indigenista do governo Lula em 2023: de onde vem e para onde vai". Conselho Indigenista Missionário, 19 de dezembro de 2023
  220. Vilardi, Gabriel."Governo se afasta do movimento indígena: tutela, falsa conciliação e PEC da morte". In:Revista do Instituto Humanitas - Unisinos, 16 de outubro de 2024
  221. abMartins, Rafael Moro."Isolamento, preconceito e déficit de poder marcam primeiro ano do Ministério dos Povos Indígenas".Sumaúma Jornalismo, 3 de abril de 2024
  222. abWolfart, Graziela & Sbardelotto, Moisés."Como entender a cultura indígena e suas transformações?". In:Revista do Instituto Humanitas – Unisinos, 5 de maio de 2008
  223. abFulni-ô, Amazonir."Pesquisa recupera história do movimento indígena no Brasil".UnB Ciência, 5 de abril de 2011
  224. Gallois 2014, pp. 29-36
  225. Scherer-Warren 2006, pp. 109-130
  226. Acselrad 2010, pp. 103-119
  227. Franzin, Adriana."Aberta em Brasília a 1ª Conferência Nacional dos Povos Indígenas".Agência Brasil, 12 de abril de 2006
  228. Suess, Paulo."Raízes, aprendizados e rumos pastorais do Cimi". CIMI, 21 de novembro de 2012
  229. Terena, Carlos Justino."Jogos dos Povos Indígenas". Funai, 2002
  230. Sato, Sandra."Mesmo ameaçada, população indígena cresce".O Estado de S. Paulo, 11 de agosto de /2001
  231. Gontijo, Carolina Carvalho.Estrutura e Ancestralidade Genética de Populações Afro-derivadas Brasileiras. Universidade de Brasília, 2019, p. 32
  232. Conceição, Marcio Magera et al."A esperança indígena através de políticas públicas brasileiras". In:Revista Educação - UNG-Ser, 2020; 15 (2): 9–19.
  233. abLevy, Maria Stella Ferreira."Perspectivas do crescimento das populações indígenas e os direitos constitucionais". In:Ponto de Vista – Revista Brasileira de Estudos Populacionais, 2008; 25 (2)
  234. Carpes, Shana Francesca Nascimento & ¨Camargo, Maria Aparecida Santana."Os Povos Indígenas a Partir do Descobrimento do Brasil e dos Processos de Aculturação". In:XVI Seminário Internacional de Educação no Mercosul, 3 a 7 de maio de 2013
  235. "Dia dos primeiros habitantes da América". Defensoria Pública do Estado Paraná, 19/04/2018
  236. ab"População indígena no Brasil". Instituto Socioambiental
  237. abcdAraújo 2006, p. 23
  238. Azevedo, Marta."O Que o Censo 2022 Vai Poder Mostrar Sobre os Povos Indígenas". In: Ricardo, Fany Pantaleoni; Klein, Tatiane; Santos, Tiago Moreira dos (eds.).Povos Indígenas no Brasil, 2017-2022. Instituto Socioambiental, 2022, 2ª edição, pp. 55-59
  239. Azevedo, Marta Maria."O Censo 2010 e os Povos Indígenas". Instituto Socioambiental, 2010
  240. ab"Censo do IBGE: Brasil tem 1,7 milhão de indígenas".G1, 7 de agosto de 2023
  241. Coelho, Renato."Em pouco mais de uma década, grupo que se declara indígena no Brasil cresceu 89%, mostra Censo 2022".Jornal da Unesp, 10 de agosto de 2023
  242. Vieira, Isabela."População indígena dobrou em nove anos, constata IBGE".Agência Brasil, 2 de setembro de 2009
  243. "Lista de Povos Indígenas no Brasil". In: Ricardo, Fany Pantaleoni; Klein, Tatiane; Santos, Tiago Moreira dos (eds.).Povos Indígenas no Brasil, 2017-2022. Instituto Socioambiental, 2022, 2ª edição, pp. 9-17
  244. "Marcas genéticas da miscigenação". In:Pesquisa Fapesp, 2000 (52)
  245. «Tabela 2112 - População residente por tipo de deficiência e cor ou raça». IBGE. 2000. Arquivado dooriginal em 24 de setembro de 2015 
  246. Diretoria de Pesquisas.Os indígenas no Censo Demográfico 2010. IBGE, 2010
  247. "Tabela 9605 - População residente, por cor ou raça, nos Censos Demográficos". IBGE, consulta em 25 de dezembro de 2023
  248. "Coordenação Geral de Índios Isolados". Funai, 2000
  249. ab"Funai tenta manter sobrevivência de índios que vivem isolados na floresta".Jornal Hoje, 14 de agosto de 2013
  250. abcPlano Plurianual 2012
  251. abCapítulo IV 2012, pp. 128-135
  252. abSantos, Tiago Moreira dos."Povos Indígenas Isolados e Ameaças Reeditadas". In: Ricardo, Fany Pantaleoni; Klein, Tatiane; Santos, Tiago Moreira dos (eds.).Povos Indígenas no Brasil, 2017-2022. Instituto Socioambiental, 2022, 2ª edição, pp. 67-70
  253. Mesquita, Florêncio."Servidores da Funai morreram ao tentar contato com índios isolados na Amazônia".A Crítica, 9 de junho de 2013
  254. Vaz, Antenor."Panorama dos Povos Indígenas Isolados na América do Sul". In: Ricardo, Fany Pantaleoni; Klein, Tatiane; Santos, Tiago Moreira dos (eds.).Povos Indígenas no Brasil, 2017-2022. Instituto Socioambiental, 2022, 2ª edição, pp. 64-66
  255. "Povos isolados". Instituto Socioambiental
  256. abcArruti, José Maurício."Etnogêneses Indígenas". Instituto Socioambiental
  257. Bartolomé 2006
  258. Araújo 2006, p. 71
  259. Araújo 2006, pp. 52-53; 74
  260. abAzevedo, Reinaldo."Estudo da Embrapa demonstra que presença indígena em 15 áreas do Paraná é uma fraude. Ou: Como trabalha a Funai".Veja, 16 de maio de 2013
  261. "Xingu 40 Anos".Brasil Oeste, 20 de maio de 2001
  262. Araújo 2006, pp. 28-29
  263. Decreto nº 7.747 de 5 de junho de 2012. Presidência da República
  264. "Projeto de gestão sustentável em terras indígenas terá apoio do governo alemão".Portal Brasil, 1 de novembro de 2011
  265. "Índios da Raposa são manipulados por interesses estrangeiros, diz governador".Diário do Grande ABC, 8 de dezembro de 2008
  266. "Jobim: é equívoco discutir demarcação de terra indígena".Terra, 23 de abril de 2008
  267. Ricardo, Fany."Terras Indígenas no Período de 2017 a 2022". In: Ricardo, Fany Pantaleoni; Klein, Tatiane; Santos, Tiago Moreira dos (eds.).Povos Indígenas no Brasil, 2017-2022. Instituto Socioambiental, 2022, 2ª edição, pp. 115-117
  268. abLourenço, Luana."Presidenta da Funai sai em meio a conflitos indígenas e mudanças nas regras de demarcação".Agência Brasil, 7 de junho de 2013
  269. Lourenço, Iolando."Deputados apresentam requerimento para criação de CPI da Funai e do Incra".Agência Brasil, 16 de maio de 2013
  270. Araújo 2006, pp. 24-25
  271. "Assassinatos de indígenas crescem em 2024 e chegam a 211, indica Cimi". 'Agência Brasil, 29 de julho de 2025
  272. "Após série de protestos, Dilma Rousseff ordena intervenção na Funai".Correio Braziliense, 8 de maio de 2013
  273. Struck, Jean-Philip."Terra de Índio? A política indigenista brasileira virou terra de ninguém".Veja, 8 de junho de 2013
  274. Carvalho, Vinícius."A Funai está morta!"Ecológico, 24 de setembro de 2013
  275. "Funai põe culpa em governos por sucateamento".Folha de S.Paulo, 6 de fevereiro de 2011
  276. Oviedo, Antonio."Panorama das Pressões e Ameaças e do Desmatamento em TIs no Brasil". In: Ricardo, Fany Pantaleoni; Klein, Tatiane; Santos, Tiago Moreira dos (eds.).Povos Indígenas no Brasil, 2017-2022. Instituto Socioambiental, 2022, 2ª edição, pp. 159-163
  277. abBatista, Juliana de Paula; Jucá, Kenzo; Guetta, Maurício."O Maior Ataque Legislativo aos Direitos Indígenas da História". In: Ricardo, Fany Pantaleoni; Klein, Tatiane; Santos, Tiago Moreira dos (eds.).Povos Indígenas no Brasil, 2017-2022. Instituto Socioambiental, 2022, 2ª edição, pp. 77-80
  278. Lourenço, Luana."Produtores rurais pedem suspensão de demarcação de terras indígenas e ameaçam parar o país".Agência Brasil, 28 de maio de 2013
  279. Caitano, Adriana e Chaib, Julia."Fazendeiros e entidades do agronegócio fecham estradas em 10 estados".Correio Brasiliense, 15 de junho de 2013
  280. ab"Nota do Cimi: O Governo Dilma, o agronegócio e os Povos Indígenas".EcoDebate, 5 de junho de 2013
  281. "CNA estima que o país corre o risco de diminuir em 48,8 milhões de hectares o tamanho das áreas de produção agrícola".Agência Brasil, 10 de julho de 2013
  282. "Tese polêmica sobre a disponibilidade de terras para ampliar a produção de alimentos opõe ruralistas e ambientalistas".Ecodebate, 29 de abril de 2009
  283. Silva 2011
  284. abMello, Daniel."Mineração está entre as principais ameaças a terras indígenas em São Paulo".Agência Brasil, 17 de abril de 2013
  285. Verdum, Ricardo."O PAC da Mineração nas Terras Indígenas". Instituto de Estudos Socioeconômicos
  286. Freire, José Ribamar Bessa."O Brasil é o agronegócio que a AGU resolveu defender".Terra Magazine, 29 de julho de 2012
  287. "Povos Indígenas do Estado do AC, Sudoeste do AM e Noroeste de RO manifestam indignação contra o preconceito do governo Dilma com os povos indígenas". CIMI, 18 de maio de 2013
  288. Batista, Juliana de Paula & Guetta, Maurício."O marco temporal e a reinvenção das formas de violação dos direitos indígenas". Instituto Socioambiental, 22 de agosto de 2018
  289. "Por 9 a 2, STF derruba marco temporal das terras indígenas".Folha de S.Paulo, 21 de setembro de 2023
  290. Neiva, Lucas."Bancada ruralista prepara resposta contra o STF pelo Marco Temporal".Congresso em Foco, 25 de setembro de 2023
  291. "Terras indígenas: Lula veta marco temporal aprovado pelo Congresso".Agência Senado, 23 de outubro de 2023
  292. "Posicionamento da COIAB diante do quadro de violação aos Direitos Indígenas". CIMI, 8 de junho de 2013
  293. abcdeSchröder 2003, pp. 19-29
  294. abcCaldas 2006
  295. abBaptista 2012, p. 14
  296. Carvalho 2004
  297. Souza, Marcelle."Precisamos de mais índios na universidade, diz professor kaiowá".UOL Educação, 19 de abril de 2013
  298. Rattner, Jair."Índios querem ter participação política".DN Globo, 10 de outubro de 2009
  299. Santos & Nacke 1991, pp. 71-84
  300. "Unidades de Conservação: Terras indígenas". Instituto Socioambiental
  301. abMáximo, Wellton."Assembléia do Cimi discute formas de sustento dos povos indígenas".Agência Brasil, 30 de julho de 2007
  302. Macedo 2011, p. 18
  303. Araújo 2006, p. 23
  304. Araújo 2006, p. 49
  305. "Comunidades indígenas preparam proposta de desenvolvimento sustentável para levar ao governo".Agência Brasil, 25 de novembro de 2003
  306. Porto, João."Missionários e indígenas discutem sustentabilidade das aldeias".Rádio Nacional da Amazônia, 4 de agosto de 2007
  307. abCoimbra 2011
  308. Cuturi 2004, pp. 74-100
  309. Fleck 2008, pp. 109-118
  310. Villalta 1997, pp. 332-345
  311. Daher 1998, pp. 31-43
  312. Freire 2009, pp. 321-338
  313. Damasceno 1970, pp. 13-18
  314. Custódio 2012
  315. abcGrupioni, Luís Donisete Benzi."Educação Escolar Indígena: Introdução". Instituto Socioambiental
  316. Grupioni 2003, pp. 13-18
  317. Gilberto 2009
  318. Guimarães 2010
  319. Cabañas, Marilu."Professores têm formação superficial sobre cultura indígena".Rede Brasil Atual, 14 de outubro de 2013
  320. Soares, Wellington."Formação de professores para Educação Indígena: Foco em cada povo - Ações diferenciadas para cada realidade". In:Nova Escola, 2001 (260)
  321. Rangel & Liebgott 2012, p. 17
  322. Leite, Oliveira & Wunsch 2021, pp. e39863–e39863
  323. Bonin 2012, pp. 108-110
  324. Munduruku, Daniel."A escrita e a autoria fortalecendo a identidade". Instituto Socioambiental
  325. Souza, Lynn M. T. Menezes de."Uma outra história, a escrita indígena no Brasil". Instituto Socioambiental
  326. Menezes et al. 2021, p. e36591
  327. Leal, Leonardo."Ensino da história e cultura indígena é estabelecido por lei com interdisciplinaridade".Correio de Uberlândia, 17 de junho de 2013
  328. ab"Cultura e identidade para a igualdade étnico-racial". In:Notas para Ler no Ar, 2011 (126)
  329. abFreire 1998
  330. Costa 2002, p. 54
  331. "Nações Unidas ressaltam importância da cultura indígena no Dia Internacional dos Povos Indígenas". Centro de Informação das Nações Unidas — UNIC Rio, 9 de agosto de 2010
  332. Vessani 2005
  333. abPires 2012, p. 63
  334. Juvêncio, Nosá Ferreira; Rodrigues, Isabel Cristina; Herold Junior, Carlos."Valores históricos e culturais da luta tradicional RáRá do povo Kanhgág". In:Territorial, 2025 (14) — Dossiê Etnoesporte e Jogos Indígenas e Tradicionais
  335. "Modalidades dos VI Jogos dos Povos Indígenas". Funai, 2002
  336. abSouza, Oliveira & Kohatsu 2005, pp. 149-167
  337. abcdSantos & Coimbra Jr. 2005, pp. 13-47
  338. Gil 2007, pp. 23-36
  339. Souza 2007, pp. 55-62
  340. Almeida 2007, pp. 70-77
  341. abcFunasa 2009, pp. 3-5
  342. abcdefgBasta, Orellana & Arantes 2010, pp. 60-107
  343. abc"Saúde Indígena: Caos e retrocesso". Instituto Socioambiental, 2006
  344. "Povos Indígenas". Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, 2010
  345. Funasa 2010, pp. 3-11
  346. Funasa 2010, pp. 7-8
  347. "Decreto cria comitê para intensificar atenção à saúde indígena".Portal Brasil, 21 de junho de 2012
  348. ab"Missionários, colonos e a modernidade". Instituto Socioambiental
  349. abcdefSimonian 1998
  350. abcdefOliveira 2010, pp. 105-128
  351. Matos, Alderi Souza de."Missões Católicas e Protestantes a partir do século 16". Instituto Presbiteriano Mackenzie, 2008
  352. abcdMilanez 2011
  353. "Presença e ação missionária evangélica entre os povos indígenas do Brasil". Associação Missionária Transcultural Brasileira, 2014
  354. Suess 2013
  355. ab"Anajure emite nota contra proibição de trabalhos missionários com índios".Universo Cristão, 19 de dezembro de 2013
  356. abcAlmeida 2000
  357. "Missão indígena: Metodistas atuam desde 1928". Universidade Metodista de São Paulo, abril de 2012
  358. abcde Milanez, Felipe."Em defesa das almas indígenas".Carta Capital, 11 de setembro de 2013
  359. ab"Cimi: 40 anos em defesa dos povos indígenas - Entrevista especial com Antônio Brand". In:Revista do Instituto Humanitas – Unisinos, 26 de maio de 2012
  360. abProcópio 2008, pp. 97-132
  361. Plano Pastoral 2009
  362. "CNBB divulga nota sobre Povos Indígenas e Agricultores". CIMI, 27 de novembro de 2013
  363. "Papa volta atrás em suas declarações sobre evangelização dos índios da América".UOL, 23 de maio de 2007
  364. "Cimi – todos aos 40". In:Revista do Instituto Humanitas – Unisinos, 23 de abril de 2012
  365. ab Rufino, Marcos Pereira."Nem só de pregação vive a missão". Instituto Socioambiental
  366. abc"Missionários evangélicos são maioria na catequização de índios".Gospel Mais, 20 de abril de 2007
  367. ab Luchete, Felipe."Índios evangélicos aumentam 42% em 10 anos e já são 210 mil".Folha de S.Paulo, 22 de julho de 2012
  368. abFarias, Elaíze."Missionários avançam sobre terra indígena Vale do Javari (AM)".A Crítica, 17 de março de 2013
  369. abcdeMartins, Dan."Missionários cristãos investem na evangelização de indios brasileiros".Gospel Mais, 17 de janeiro de 2012
  370. Cartagenes, Rosa."Zo'é: os Tupi da fronteira do mundo". Amazoé, 2009
  371. "Evangelização de índios leva à aculturação, diz a OAB".Folha de Boa Vista, 17 de janeiro de 2004
  372. "PEC 215: as bancadas ruralista e evangélica contra os povos indígenas. Entrevista especial com Cleber César Buzatto". In:Revista do Intituto Humanitas – Unisinos, 10 de abril de 2012
  373. Milanez, Felipe."A nova 'guerra justa' aos índios".Carta Capital, 5 de junho de 2013
  374. Mendonça, Ricardo."Dilma cede à pressão dos ruralistas e rifa os direitos indígenas, diz antropóloga da USP".Folha de S.Paulo, 22 de julho de 2013
  375. Santos, Eliana."Índios são evangelizados".Amazônia à Vista, 21 de setembro de 2005
  376. Menezes, Juçara."Antropólogo denuncia perseguição a pajés de etnias do interior do Amazonas".Portal Amazônia, 14 de janeiro de 2013
  377. Grigório 2013
  378. abBonin, Robson."Funai e religiosos missionários jogam índios contra agricultores em Mato Grosso do Sul".Veja, 14 de dezembro de 2013
  379. Ricupero, Rubens."Amazônia, índios e missionários".Folha de S.Paulo, 31 de janeiro de 1994
  380. Peixoto 2017, pp. 27-56
  381. abCohn 2001
  382. Decreto-Lei nº 5.540, de 2 de Junho de 1943. Câmara dos Deputados
  383. "Por que o dia 19 de abril é o Dia do Índio?" Museu do Índio, 2014
  384. Souza, Mateus."Dia dos Povos Indígenas, em 19 de abril, substitui Dia do Índio após derrubada de veto".Agência Senado, 11 de julho de 2022


Bibliografia

[editar código]

Livros

[editar código]
  • Alencar, Edna Ferreira (2005). «Políticas Públicas e (In)Sustentabilidade Social: o caso de comunidades de várzea no Alto Solimões, Amazonas». In: Lima, Deborah (org.).Diversidade socioambiental nas várzeas dos rios Amazonas e Solimões: perspectivas para o desenvolvimento da sustentabilidade. Brasília: Ibama, ProVárzea 
  • Almeida, M. Berenice de; Puci, Magda Dourado (2003).Outras Terras, Outros Sons. São Paulo: Callis Editora Ltd. 
  • Almeida, Ledson Kurtz de (2007). «Oficinas de Medicina Tradicional entre os Manoki». In: Ferreira, Luciane Ouriques; Osório, Patricia Silva (orgs.).Medicina Tradicional Indígena em Contextos – Anais da I Reunião de Monitoramento(PDF). Brasília: Projeto Vigisus II/Funasa. Arquivado dooriginal(PDF) em 24 de dezembro de 2013 
  • Barreto, Cristiana (2008). «Entre mistérios e malogros: os primeiros contatos com ameríndios da Amazônia». In: Maria Cristina M., Scatamacchia; Solano, Francisco E. (org.).América, Contacto y Independência. Washington D. C.: Instituto Panamericano de Geografía y Historia 
  • Basta, Paulo Cesar; Orellana, Jesem Douglas Yamall; Arantes, Rui (2010). «Perfil epidemiológico dos povos indígenas no Brasil: notas sobre agravos selecionados». In: Garnelo, Luiza; Pontes, Ana Lúcia (orgs.).Saúde Indígena: uma introdução ao tema(PDF). Brasília: Edições MEC/Unesco 
  • Bernand, Carmen; Gruzinski, Serge (2006).História do Novo Mundo: As Mestiçagens.2. São Paulo: EdUSP 
  • Bonin, Iara Tatiana (2012). «Desassistência na Área de Educação Escolar Indígena».Violência contra os Povos Indígenas no Brasil(PDF). Brasília: Conselho Indigenista Missionário 
  • Canclini, Arnoldo (2009).Así nació Ushuaia. Buenos ires: Editorial Dunken 
  • Cavalcante, Messias Soares (2011).A verdadeira história da cachaça. São Paulo: Sá Editora.ISBN 9788588193710 
  • Colaço, Thais Luzia (2006)."Incapacidade Indígena": Tutela Religiosa e Violação do Direito Guarani Pré-Colonial nas Missões Jesuíticas. Curitiba: Juruá Editora 
  • Costa, Maria Castilho (2002).A imagem da mulher: um estudo de arte brasileira. São Paulo: Senac 
  • Comissão Pró-Índio de São Paulo e do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos (2013).'A Cidade como Local de Afirmação dos Direitos Indígenas(PDF) 1ª ed. São Paulo: Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos 
  • Core Writing Team (2005).Ecosystems and Human Well-being: A Report of the Millennium Ecosystem Assessment. Synthesis(PDF). Washington, DC: Island Press 
  • Cunha, Manuela Carneiro da (org.) (1992).História dos índios no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, Secretaria Municipal de Cultura,FAPESP 
  • Cuturi, Flavia (2004). «Reductio ad unam linguam: la violenza prottetiva nelle riduzioni gesuitiche».In nome di Dio. L'impresa missionaria di fronte all'alterità. Sesto San Giovanni: Meltemi Editore srl.ISBN 9788883533488 
  • Damasceno, Athos (1970).Artes Plásticas no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Globo 
  • Dawsey, John Cowart (2006).Memorial. São Paulo: Universidade de São Paulo 
  • Dorta, Sonia Ferraro; Cury, Marília Xavier (2000).A plumária indígena brasileira no Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. São Paulo: EdUSP 
  • Erlandson, Jon; et al. (2007). «One if by the land, two if by the sea». In: Jones, Terry; Klar, Kathryn.California Prehistory: Colonization, Culture, and Complexity. Lanham: Rowman Altamira/Society for California Archaeology 
  • Equipe de Apoio aos Povos Indígenas Isolados (2012). «IV - Os Povos Indígenas Isolados continuam ameaçados». In: Rangel, Lúcia Helena (coord.).Violência contra os Povos Indígenas no Brasil(PDF). Brasília: Conselho Indigenista Missionário 
  • Fernandes, Florestan (1976). «Antecedentes Indígenas: organização social das tribos tupis». In:Hollanda, Sérgio Buarque de.História Geral da Civilização Brasileira. Tomo I: A Época Colonial - Do descobrimento à expansão territorial.1 5ª ed. Algés: Difel 
  • Freyre, Gilberto (2006).Casa-grande & senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal 51ª ed. São Paulo: Global 
  • Galdino, Luiz (2011). «Pré-História II: Estudos para a arqueologia da Paraíba». In: Oliveira, Thomas Bruno (org.).As itaquatiaras e os megálitos(PDF). João Pessoa: Sociedade Paraibana de Arqueologia/JRC Editora. Arquivado dooriginal(PDF) em 15 de dezembro de 2013 
  • Gil, Laura Perez (2007). «Possibilidades de articulação entre os sistemas de parto tradicionais indígenas e o sistema oficial de saúde no Alto Juruá». In: Ferreira, Luciane Ouriques; Osório, Patricia Silva (orgs.).Medicina Tradicional Indígena em Contextos – Anais da I Reunião de Monitoramento(PDF). Brasília: Projeto Vigisus II/Funasa. Arquivado dooriginal(PDF) em 24 de dezembro de 2013 
  • Gomes, Mércio Pereira (2008). «O Caminho Brasileiro para a Cidadania Indígena». In: Pinsky, Jaime; Pinsky (orgs.), Carla B.História da Cidadania. São Paulo: Contexto 
  • Hamada, Katsue; Zenun, Valeria Maria Alves Adissi (1999).Ser índio hoje. São Paulo: Edições Loyola 
  • Hoffecker, John F.; Elias, Scott A. (2013) [2007].Human Ecology of Beringia. Nova Iorque: Columbia University Press 
  • Lévi-Strauss, Claude (2004).Do Mel às Cinzas. São Paulo: Cosac Naify.ISBN 9788575033777 
  • Macedo, Valéria (2011). «A Cosmopolítica das Mudanças (Climáticas e Outras)». In: Ricardo, Carlos Alberto; Ricardo, Fany Panteloni.Povos indígenas no Brasil: 2006/2010. São Paulo: Instituto Socioambiental 
  • Magalhães, José Vieira Couto de (1876).O Selvagem. Rio de Janeiro: Typ. da Reforma 
  • Magalhães, Edvard Dias (org.) (2005).Legislação Indigenista Brasileira e Normas Correlatas 3ª ed. Brasília: Funai 
  • Marzal, Manuel María; Tua, Sandra Negro, eds. (1999).Un reino en la frontera: las misiones jesuitas en la América colonial. Lima: Fondo Editorial Pontifícia Universidad Católica del Perú 
  • Melatti, Julio Cezar (2007).Índios do Brasil. São Paulo: EdUSP.ISBN 9788531410130 
  • Miranda, Evaristo Eduardo de (2004).O descobrimento da biodiversidade: a ecologia de índios, jesuítas e leigos no sécolo XVI. São Paulo: Edições Loyola 
  • Moreau, Filipe Eduardo (2003).Os índios nas cartas de Nóbrega e Anchieta. São Paulo: Annablume.ISBN 9788574193854 
  • Museu de Valores do Banco Central do Brasil (1988).O Museu de Valores do Banco Central do Brasil. São Paulo: Banco Safra S. A. 
  • Oliveira, Lizete Dias de (2005). «Síntese Histórica do Povoamento do Rio Grande do Sul». In: Silveira, Elaine da; Oliveira, Lizete Dias de (orgs.).Etnoconhecimento e Saúde dos Povos Indígenas do Rio Grande do Sul. Canoas: Editora da ULBRA.ISBN 9788575281390 
  • Rangel, Lucia Helena; Liebgott, Roberto Antonio (2012). «A Dura e Dolorosa Realidade a que os Povos Indígenas Estão Submetidos no Brasil». In: Rangel, Lúcia Helena (coord.).Violência contra os Povos Indígenas no Brasil(PDF). Brasília: Conselho Indigenista Missionário 
  • Ribeiro, Darcy; Ribeiro, Bertha (1957).Arte plumária dos Índios Kaapor(PDF). Rio de Janeiro: Grafica Seikel 
  • — (2003).O Povo Brasileiro(PDF). São Paulo: Companhia de Bolso. Arquivado dooriginal(PDF) em 16 de junho de 2012 
  • — (2007).As Américas e a Civilização - processo de formação e causas do desenvolvimento cultural desigual dos povos americanos. São Paulo:Companhia de Bolso 
  • Saint-Hilaire, Auguste de (2002).Viagem ao Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Martins Livreiro 
  • Salvador, Frei Vicente do (1965).História do Brasil 1500-1627 5ª ed. São Paulo: Edições Melhoramentos 
  • Santos, Ricardo Ventura; Coimbra Jr., Carlos E. A.; Flowers, Nancy (2005). «Demografia, Epidemias e Organização Social: os Xavánte de Pimentel Barbosa (Etéñitépa), Mato Grosso». In: Santos, Ricardo Ventura; Pagliaro, Heloísa; Azevedo, Marta Maria (orgs.).Demografia dos povos indígenas no Brasil(PDF). Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ. Arquivado dooriginal(PDF) em 14 de dezembro de 2013 
  • ——————; —————— (2005). «Cenários e tendências da saúde e da epidemiologia dos povos indígenas no Brasil». In: ——————; Coimbra, Carlos E. A.; Escobar, Ana Lúcia (orgs.).Epidemiologia e saúde dos povos indígenas no Brasil(PDF). Rio de Janeiro: FIOCRUZ/ABRASCO 
  • Santos, José Geraldo (2020).O Brasil indígena e mestiço de Manoel Bomfim. Curitiba: Editora CRV.ISBN 9786555787597 
  • Schröder, Peter (2003).Economia indígena: situação atual e problemas relacionados a projetos indígenas de comercialização na Amazônia legal. Recife: Editora Universitária UFPE.ISBN 9788573151954 
  • Sevcenko, Nicolau (2000).O Brasil indígena e mestiço de Manoel Bomfim. São Paulo: Editora Peirópolis.ISBN 9788585663469 
  • Silva, J. A. A da. (coord.) (2011).O Código Florestal e a Ciência: contribuições para o diálogo. São Paulo: Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência/Academia Brasileira da Ciência 
  • Souza, Juberty Antonio de; Oliveira, Marlene de; Kohatsu, Marilda (2005). «O uso de bebidas alcoólicas nas sociedades indígenas: algumas reflexões sobre os caingangues da bacia do rio Tibagi, Paraná». In: Coimbra Jr., Carlos E. A.; Santos, Ricardo Ventura; Escobar, Ana Lúcia. (orgs).Epidemiologia e saúde dos povos indígenas no Brasil(PDF). Rio de Janeiro: FIOCRUZ / ABRASCO 
  • Souza, Liliane Cunha de (2007). «Remédios do Mato e Remédios de Farmácia: relações entre o sistema médico Fulni-ô e o sistema oficial de saúde». In: Ferreira, Luciane Ouriques; Osório, Patricia Silva (orgs.).Medicina Tradicional Indígena em Contextos – Anais da I Reunião de Monitoramento(PDF). Brasília: Projeto Vigisus II/Funasa. Arquivado dooriginal(PDF) em 24 de dezembro de 2013 
  • Vidal, Lux B.; Silva, Aracy Lopes da (1995). «O sistema de objetos nas sociedades indígenas: arte e cultura material». In: Silva, Aracy Lopes; Grupioni, Luis Donizete Benzi (orgs.).A temática Indígena na Escola: novos subsídios para professores de 1º e 2º graus(PDF). Brasília: MEC/MARI/UNESCO 
  • Villalta, Luiz Carlos (1997). «O que se fala e o que se lê: língua, instrução e leitura». In: Novais, Fernando (diretor da coleção); Souza, Laura de Mello e (organizadora do volume).História da Vida Privada no Brasil: Cotidiano e vida privada na América portuguesa.1. São Paulo: Companhia das Letras 

Periódicos

[editar código]

Teses acadêmicas

[editar código]


Ligações externas

[editar |editar código]
Outros projetosWikimedia também contêm material sobre este tema:
CommonsCategoria noCommons
WikiversidadeCursos naWikiversidade
AWikiversidade possui recursos de aprendizagem relacionados aPovos indígenas do Brasil.
Filmes
Grupos étnicos
Tronco tupi
Macro-jê
Outros grupos
Culturas
arqueológicas
Organizações
Tópicos relacionados
*: extintos; ?*: reivindicados; "aspas": grupos heterogêneos
Portal:Povos nativos do Brasil
Línguas
  • 274
Tronco Tupi
Tronco Macro-Jê
Outras famílias
Tópicos relacionados
Fontes:ISA - Quadro Geral dos Povos,ISA - Troncos e famílias,ISA - De Olho nas Terras Indígenas; *: extintos; ?*: reivindicados; "Aspas": grupos heterogêneos
Tópicos sobre oBrasilBrasil
Cultura
Economia
Geografia
História
Infraestrutura
Política
Principal
Idiomas
Grupos religiosos
(lista)
Movimentos
populacionais
Grupos étnicos
Brasil
Africanos
Norte da África
Sul da África
África Central
Oeste da África
Americanos
América do Norte
Caribe
América Central
América do Sul
Asiáticos
Leste da Ásia
Sul da Ásia
Ásia Central
Sudeste da Ásia
Oeste da Ásia
Europeus
Europa Central
Leste da Europa
Norte da Europa
Sudeste da Europa
Sul da Europa
Oeste da Europa
Oceânicos
Australásia
Demografia
regional
Regiões
Unidades
federativas

Controle de autoridade
Obtida de "https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Povos_indígenas_do_Brasil&oldid=71621456"
Categoria:
Categorias ocultas:

[8]ページ先頭

©2009-2026 Movatter.jp