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Portugal

38° 43′ N, 9° 09′ O
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Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 Nota: Para outros significados, vejaPortugal (desambiguação).
República Portuguesa
Portugal
Hino: A Portuguesa
noicon
Localização de Portugal (em verde) na União Europeia (em verde claro)
Localização de Portugal (em verde)
naUnião Europeia (em verde claro)
CapitalLisboa
38° 42' N9° 10' O
Maior cidadeLisboa
(Pop. 2021: 545 796)[1]
Área Metropolitana
(Pop. 2021: 2 870 208)[1]
Língua oficialportuguês[a]
Línguas reconhecidasmirandês
língua gestual portuguesa
Gentílicoportuguês(esa)
GovernoRepública
constitucionalunitária
semipresidencialista[2]
Marcelo Rebelo de Sousa
José Pedro Aguiar-Branco
Luís Montenegro
LegislaturaAssembleia da República
Formação 
868 d.C.
25 de julho de 1139
4-5 de outubro de 1143
23 de maio de 1179
1 de dezembro de 1640
Entrada na UE1 de janeiro de 1986
Área
 • Total92 230[4][5]km²
 • Água (%)1.2[6]
FronteiraEspanha
População
 • Censo de 202110 343 066[1] hab.
 • Densidade112,1 hab./km² (66.º)
PIB (PPC)Estimativa para 2022
 • TotalUS$ 406,2
mil milhões
 *[7] (52.º)
 • Per capitaUS$ 39 544[7] (58.º)
PIB (nominal)Estimativa para 2022
 • TotalUS$ 271,2
mil milhões
 *[7] (47.º)
 • Per capitaUS$ 26 404[7] (52.º)
IDH (2021)0,866 (38.º) – muito alto[8]
Gini (2019)BaixaPositiva 31,9[9]
Moedaeuro[d] (EUR)
Fuso horárioWET[e] (UTC−1 a 0)
 • Verão (DST)WEST (UTC0 a +1)
[f]
Cód. ISOPRT
Cód. Internet.pt[g]
Cód. telef.+351
Website governamentalPresidência da República
Governo

Portugal, oficialmenteRepública Portuguesa,[10][h] é umpaíssoberano[i]unitário localizado no sudoeste daEuropa, cujo território se situa na zona ocidental daPenínsula Ibérica e em arquipélagos noAtlântico Norte. O território português tem uma área total de 92 090 km²,[11] sendo delimitado a norte e leste pelaEspanha e a sul e oeste pelooceano Atlântico, compreendendo umaparte continental e duasregiões autónomas: os arquipélagos dosAçores e daMadeira. Portugal é anação mais a ocidente docontinente europeu. O nome do país provém da sua segunda maior cidade,Porto, cujo nomelatino-celta eraPortus Cale.[12][13]

O território dentro das fronteiras atuais da República Portuguesa tem sido continuamente povoado desde os tempos pré-históricos: ocupado porlusitanos e porceltas, como osgalaicos, foi integrado naRepública Romana e mais tarde anexado porpovos germânicos, como ossuevos e osvisigodos. Noséculo VIII, as terrasforam conquistadas pelosmouros. Durante aReconquista cristã foi formado oCondado Portucalense,  estabelecido noséculo IX porVímara Peres, umvassalo dorei das Astúrias.[14] O condado tornou-se parte doReino de Leão em 1097, e os condes de Portugal estabeleceram-se como governantes independentes do reino noséculo XII, após abatalha de São Mamede.[15] Em 1139 foi estabelecido oReino de Portugal, cujaindependência foi reconhecida em 23 de maio de 1179, através doManifestis Probatum. Em 1297 foramdefinidas as fronteiras notratado de Alcanizes, tornando Portugal no mais antigoEstado-nação da Europa com fronteiras definidas.[16][17] Nos séculos XV e XVI, como resultado do pioneirismo naEra dos Descobrimentos (ver:descobrimentos portugueses), Portugal expandiu a influênciaocidental e estabeleceu umimpério que incluía possessões naÁfrica,Ásia,Oceânia eAmérica do Sul, chegando a ser a potência económica, política e militar mais importante de todo o mundo. OImpério Português foi o primeiroimpério global da História,[18] começando com aconquista de Ceuta em1415,[19] mas a importância internacional do país foi-se deteriorando durante oséculo XIX, século marcado pelaindependência do Brasil, a suamaior colónia.

Com aRevolução de 1910, amonarquia foi abolida, contando com 34 monarcas entre 1139 e 1910. APrimeira República Portuguesa foi muito instável, devido aos sucessivos governos que se formaram e caíram pouco depois. Tal regime deu lugar àditadura militar, devido aogolpe de Estado de28 de maio de 1926. Já em 1933, foi instaurado oEstado Novo, um regime autoritário originalmente presidido porAntónio de Oliveira Salazar e posteriormente porMarcello Caetano, que durou até 1974. Ademocracia representativa foi instaurada após aRevolução de 25 de Abril de 1974, que terminou com aguerra colonial em África. Durante este período, as províncias ultramarinas de Portugal, comoAngola eMoçambique, tornaram-se independentes, e, no final do século, em 1999, deu-se a transferência da soberania deMacau para aChina, marcando, assim, o fim de um império com quase 600 anos de existência e o mais duradouro dosimpérios coloniais europeus.

Portugal é umpaís desenvolvido,[20] com umÍndice de Desenvolvimento Humano (IDH) consideradomuito elevado. O país foi classificado na 22.ª posição emqualidade de vida (em 2023),[21] e é, também, uma das nações maisglobalizadas[22] epacíficas do mundo.[23] É membro daOrganização das Nações Unidas (ONU), daUnião Europeia (incluindo aZona Euro e oEspaço Schengen), daOrganização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), daOrganização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e daComunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Portugal também participa em diversasmissões de manutenção de paz das Nações Unidas.

Etimologia

O nomePortugal apareceu entre os anos 930 a 950 daEra Cristã, sendo no final doséculo X que começou a ser usado com mais frequência. O ReiFernando I de Leão e Castela, chamado oMagno, denominou oficialmente o território de Portugal, quando, em 1067, o deu ao seu filho D.Garcia, que se intitulou rei do mesmo nome.[24] Noséculo V, durante o reinado dosSuevos,Idácio de Chaves já escrevia sobre um local chamadoPortucale, para onde fugiuRequiário.[25]Cale, a atualVila Nova de Gaia, já era conhecida porPortucale no tempo dosgodos.[24]

Num diploma de 841, surge por incidente, a primeira menção da provínciaportugalense.Afonso II das Astúrias, ampliando a jurisdição espiritual dobispo deLugo, diz:

Totius galleciae, seu Portugalensi Provintiae summun suscipiat Praesulatum.[26] (Que ele tome oprelado supremo de toda a província daGalécia e de Portugal).

A etimologia do nomePortugal é incerta. Uma possibilidade éPortus Cale. Outra éPortogatelo, nome dado por um chefe oriundo daGrécia chamadoCatelo, ao desembarcar e se estabelecer junto do atualPorto.[27] A primeira vez que o nome de Portugal aparece como elemento de raizheráldica, é numa carta de doação daIgreja de São Bartolomeu de Campelo porD. Afonso Henriques em 1129.[28]

História

Ver artigo principal:História de Portugal

Primeiros povos

Ver artigos principais:Povos ibéricos pré-romanos,Romanização,Lusitânia,Galécia, eInvasões bárbaras

Apré-história de Portugal é partilhada com a do resto daPenínsula Ibérica. Os vestígios humanos modernos mais antigos conhecidos são de homens deCro-Magnon com "traços" deNeandertal, com 24 500 anos e que são interpretados como indicadores de extensas populações mestiças entre as duas espécies. São também os vestígios mais recentes de seres com caraterísticas de Neandertal que se conhece, provavelmente os últimos da sua espécie.[29] Por volta de5 500 a.C., surge uma cultura mesolítica.[30] Durante oNeolítico a região foi ocupada porpré-celtas e celtas, dando origem a povos como osgalaicos,lusitanos ecinetes, e visitada porfenícios[31] ecartagineses. Osromanos incorporaram-na no seuimpério comoLusitânia[32] (centro e sul de Portugal), após vencida a resistência onde se destacouViriato.[30]

Noséculo III, com as reformas doimperadorDiocleciano(r. 284–305), foi criada aGalécia, a norte do Douro, a partir daTarraconense, abrangendo o norte de Portugal, com capital administrativa emBrácara Augusta. A romanização marcou a cultura, em especial alíngua latina, que foi a base do desenvolvimento dalíngua portuguesa.[33] Com o enfraquecimento do império romano, a partir de 409, o território éocupado por povos germânicos comovândalos naBética,Alanos que fixaram-se naLusitânia esuevos naGalécia. Em 415 osvisigodos entram na Península, a pedido dos romanos, para expulsar os invasores. Face a isso os vândalos e os Alanos deslocam-se para o norte de África. Os suevos, sob o ReiHermerico estabeleceram o seu reino com capital emBraga,[34] enquanto os visigodos fundam o seu reino com capital emToledo.

Ibéria muçulmana

Ver artigos principais:Invasão muçulmana da Península Ibérica eAlandalus
OCalifado de Córdova no início doséculo X

Portugal continental atual, juntamente com a maior parte daEspanha moderna, fez parte doAlandalus, entre 726 e 1249, após aconquista da Península Ibérica peloCalifado Omíada. O domínio islâmico durou entre algumas décadas, a norte, e cinco séculos, no sul.[35]

Depois de derrotar osvisigodos em apenas alguns meses, o Califado Omíada começou a expandir-se rapidamente na península. A partir de 726, o território português atual tornou-se parte do vasto império omíada centrado emDamasco, que se estendia desde orio Indo nosubcontinente indiano aosul da França, até seu colapso em 750. Naquele ano, o oeste do império ganhou a sua independência sobAbderramão I com o estabelecimento doEmirado de Córdova. Após quase dois séculos, o emirado tornou-se oCalifado de Córdova em 929, até à sua dissolução, em 1031, em 23 pequenos reinos, chamadostaifas.[35]

Por volta de 840–900, a costa Portuguesa foi alvo de váriasincursões víquingues (do nórdico antigovíkingr). Tal como o resto daEuropa virada para o atlântico, Portugal não escapou impune a estas violentas incursões e, de facto, grande foi o impacto que deixaram na região. Durante este período,muçulmanos, cristãos ejudeus que habitavam o atual território português viveram uma época de constante medo e receio de uma ameaça nórdica. Estes ataques foram sentidos um pouco por toda a costa com alguns, inclusive, tendo como alvo a importante cidade deLisboa. Embora estas invasões fossem cessar por volta do ano 1000, muitas foram as influências que ficaram no país,"tais como as imponentes muralhas do castelo deGuimarães, mas também a vila de Póvoa do Varzim outrora uma colónia nórdica".[36]

Os governadores das taifas proclamaram-seemires das suas províncias e estabeleceram relações diplomáticas com os reinos cristãos do norte. A maior parte de Portugal caiu nas mãos dataifa de Badajoz dadinastia Abássida, e após um curto período de uma efémera taifa de Lisboa em 1022, ficou sob domínio da taifa de Sevilha dos poetas dosabádidas. O período das taifas terminou com a conquistaalmorávida, proveniente deMarrocos, em 1086, e tiveram uma vitória decisiva naBatalha de Zalaca. Al-Andaluz foi dividida em diferentes distritos chamadoscora. OAlgarbe Alandalus, no seu auge, era constituído por dez coras,[37] cada um com uma capital e governadores distintos. As principais cidades do período situavam-se no sul do país. A população muçulmana da região consistia principalmente de ibéricos nativos convertidos aoislão (os chamadosmuladis) eberberes. Osárabes eram principalmente nobres daSíria eOmã; e apesar de em menor número, constituíam a elite da população. Os berberes eramnómadas originários dasmontanhas do Atlas eRife donorte da África.[35]

Reconquista e Condado Portucalense

Ver artigos principais:Reconquista,Condado Portucalense,Portugal na Reconquista, eIndependência de Portugal
Mapa político do noroeste daPenínsula Ibérica no final doséculo XII

Em 868, durante aReconquista, formou-se oCondado Portucalense,[38] o núcleo do Estado Português, estabelecido como parte da Reconquista doreino das Astúrias, porVímara Peres.[14][15] O condado tornou-se parte doReino de Leão em 1097.[14][15]

Muito antes de Portugal conseguir a sua independência, já tinham havido algumas tentativas de alcançar uma autonomia mais alargada e estas continuaram até a independência por parte dos condes que governavam as terras doCondado da Galiza e dePortucale (com destaque paraNuno Mendes). Para anular as tentativas de independência da nobreza local em relação ao domínio leonês, o ReiAfonso VI entregou o governo do Condado da Galiza (que nessa altura incluíaas terras de Portucale) ao seu genro, o CondeRaimundo de Borgonha. Após muitos fracassos militares de D. Raimundo contra osmouros, Afonso VI decidiu entregar em 1096 ao primo deste, oConde D. Henrique, também ele genro do rei, o governo das terras mais a sul do Condado da Galiza, refundando assim oCondado Portucalense.

Com o governo doConde D. Henrique, o Condado Portucalense conheceu não só uma política militar mais eficaz na luta contra os mouros, como também uma política independentista mais ativa. Só após a sua morte, quando o seu filhoD. Afonso Henriques subiu ao poder, Portugal alcançou a independência, com a assinatura, em 1143, doTratado de Zamora, ao mesmo tempo que conquistou localidades importantes comoSantarém,Lisboa,Palmela (que foi abandonada pelos mouros após a conquista de Lisboa) eÉvora, esta conquistada porGeraldo Sem Pavor aos mouros.[39]

No dia 23 de maio de 1179, Portugal foi reconhecido peloPapa Alexandre III como reino eD. Afonso Henriques como rei, na bulaManifestis Probatum.[40]

Terminada aReconquista do território português em 1249, a independência do novo reino viria a ser posta em causa diversas vezes porCastela.

Descobrimentos e Dinastia Filipina

Ver artigos principais:Descobrimentos portugueses eImpério Português
Chegada deVasco da Gama aCalecute,Índia, a 20 de maio de 1498

Primeiro, na sequência dacrise da sucessão deD. Fernando I, que culminou naBatalha de Aljubarrota, em 1385.[41] Com o fim desta guerra, Portugal deu início ao processo de exploração e expansão conhecido pelosDescobrimentos, que oficialmente começou com a conquista deCeuta, em 1415. As figuras mais importantes foram oInfante D. Henrique,o Navegador, e o ReiD. João II. Em 1422, por decreto deD. João I, Portugal abandonou oficialmente o sistema de datação anterior, aEra de César, e adotou o sistemaAnno Domini, tornando-se assim o último reino católico a fazê-lo.[42] OCabo Bojador foi dobrado porGil Eanes em 1434 e a exploração da costa africana prosseguiu até queBartolomeu Dias, já em 1488, comprovou a ligação entre os oceanosAtlântico eÍndico ao dobrar ocabo da Boa Esperança.[43]

Em rápida sucessão, descobriram-se novas rotas e terras naAmérica do Norte, naAmérica do Sul, e noOriente, na sua maioria durante o reinado deD. Manuel I,o Venturoso. Foi a expansão no Oriente, sobretudo graças às conquistas deAfonso de Albuquerque que, durante a primeira metade doséculo XVI, concentrou quase todos os esforços dos portugueses, embora já em 1530D. João III tivesse iniciado acolonização do Brasil.[44]

Mapa anacrónico dos territórios que já fizeram parte doImpério Português

O país teve o seuséculo de ouro durante este período. Porém, nabatalha de Alcácer-Quibir (1578), o jovem reiD. Sebastião e parte da nobreza portuguesa pereceram. Sobe ao trono oRei-Cardeal D. Henrique, que morre dois anos depois, iniciando acrise de sucessão de 1580 que teve como desfecho a chamadaUnião Ibérica, em que Portugal e Espanha, mantendo coroas separadas, eram regidas pelo mesmo rei, com a subida ao trono português deD. Filipe II de Espanha, I de Portugal, o primeiro de três reis espanhóis dadinastia filipina.[45]

Privado de uma política externa independente e envolvido na guerra travada por Espanha com osPaíses Baixos, Portugal sofreu grandes reveses no império, resultando na perda do monopólio do comércio no Índico.[46]

Esse domínio foi terminado a 1 de dezembro de 1640 pela nobreza nacional que, após ter vencido a guarda real num repentino golpe de estado, depôs a duquesa governadora de Portugal, coroandoD. João IV como Rei de Portugal.[46]

Restauração, absolutismo e liberalismo

Ver artigos principais:Restauração da Independência eSismo de Lisboa de 1755
Aclamação deD. João IV,o Restaurador após o 1 de dezembro de 1640

Após ogolpe de estado que restauraria a independência portuguesa a 1 de dezembro de 1640, seguiu-se uma guerra comEspanha que terminaria apenas em 1668, com a assinatura de umtratado de paz em que Espanha reconhecia em definitivo a restauração de Portugal.[47]

O final doséculo XVII e a primeira metade doséculo XVIII assistiram ao florescimento daexploração mineira do Brasil, onde se descobriram ouro e pedras preciosas que fizeram da corte deD. João V uma das mais opulentas da Europa. Estas riquezas serviam frequentemente para pagar produtos importados, maioritariamente de Inglaterra (por exemplo: quase não existia indústria têxtil no reino e todos os tecidos eram importados de Inglaterra).[46]

O comércio externo baseava-se na indústria do vinho e o desenvolvimento económico do reino foi impulsionado, já no reinado deD. José, pelos esforços deSebastião José de Carvalho e Melo,Marquês de Pombal, ministro entre 1750 e 1777, para inverter a situação com grandes reformas mercantilistas. Foi neste reinado que um violento sismo devastou Lisboa e o Algarve, a 1 de novembro de 1755.[48]

A 19 de setembro de 1761, pela mão de Sebastião José de Carvalho e Melo, entãoconde de Oeiras e assinado por D. José, foi emitido um alvará libertando todos os escravos negros provenientes daAmérica,África ouÁsia assim que chegassem à metrópole, atual território de Portugal, após desembarque.[49] Esta lei, expandida posteriormente em novos alvarás, fez de Portugal o primeiro país a abolir o tráfico de escravos na metrópole.[50]

Era Napoleónica

Ver artigos principais:História de Portugal (1777–1834) eReino Unido de Portugal, Brasil e Algarves
Embarque da família real portuguesa para o Brasil no cais de Belém, a 29 de novembro de 1807

Por manter a aliança com aInglaterra e se recusar a aderir aoBloqueio Continental, Portugal foi três vezesinvadido pelos exércitosnapoleónicos. A primeira invasão ocorreu em 1807. Acorte e a família real portuguesa refugiaram-se no Brasil e a capital deslocou-se para oRio de Janeiro, onde permaneceriam até 1821, quandoD. João VI, desde 1816 rei doReino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, regressou a Lisboa para jurar a primeiraConstituição. No ano seguinte, o seu filhoD. Pedro IV foi proclamado imperador do Brasil, passando a ser conhecido no Brasil comoD. Pedro I.[51]

Portugal viveu, no restanteséculo XIX, períodos de enorme perturbação política e social (aguerra civil e repetidas revoltas e tentativas de golpes de Estado, como aRevolução de Setembro, aMaria da Fonte, aPatuleia,Belenzada) e só com oAto Adicional àCarta, de 1852, foi possível a acalmia política e o início da política de fomento protagonizada no período daRegeneração, do qual foi figura de proaFontes Pereira de Melo.[52]

No final doséculo XIX, as ambições coloniais portuguesas chocaram com as britânicas, resultando noultimato britânico de 1890.[53] A cedência às exigências britânicas por parte doRei D.Carlos e os cada vez mais frequentes escândalos económicos lançaram a monarquia num descrédito crescente, o que culminou, no dia 1 de fevereiro de 1908, no oregicídio, ondeD. Carlos e o príncipe herdeiro,D. Luís Filipe, foram assassinados. A monarquia ainda esteve no poder durante mais dois anos, chefiada porD. Manuel II, mas viria a ser abolida a 5 de outubro de 1910, implantando-se aRepública.[54]

Primeira República e Estado Novo

Ver artigos principais:Implantação da República Portuguesa,Primeira República Portuguesa,Estado Novo, eRevolução de 25 de Abril de 1974
Manifestação pela Revolução de 25 de Abril na cidade doPorto em 25 de Abril de 1983

A República foi instaurada a5 de outubro de 1910 e o jovem reiD. Manuel II parte para oexílio em Inglaterra.[55] Após vários anos de instabilidade política, com lutas de trabalhadores, tumultos, levantamentos, homicídios políticos e diversas crises financeiras (problemas que a participação naPrimeira Guerra Mundial contribuiu para aprofundar), oExército tomou o poder, em 1926.[56]

O regime militar nomeouministro das FinançasAntónio de Oliveira Salazar (1928), professor daUniversidade de Coimbra, que pouco depois foi nomeadoPresidente do Conselho de Ministros (1932).[56]

Ao mesmo tempo que restaurou as finanças, instituiu oEstado Novo, regimeautoritário de corporativismo de Estado, com partido único e sindicatos estatais, com afinidades bem marcadas com ofascismo pelo menos até 1945.[57] Em 1968, afastado do poder por doença, sucedeu-lheMarcello Caetano.[58]

Movimentosindependentistas enacionalistas africanos, inspirados por outras independências em África e apoiados por países como aUnião Soviética,Cuba e aChina, resultaram no início daguerra colonial, primeiro emAngola (1961) e em seguida naGuiné-Bissau (1963) e emMoçambique (1964). Apesar das críticas de alguns dos mais antigos oficiais do Exército, entre os quais o generalAntónio de Spínola, o governo parecia determinado em continuar esta política.[59]

Com o seu livroPortugal e o Futuro, em que defendia a insustentabilidade de uma solução militar nasguerras do Ultramar, Spínola seria destituído, o que agravou o crescente mal-estar entre os jovensoficiais do Exército, os quais, no dia25 de abril de 1974 desencadearam um golpe de estado, conhecido como aRevolução dos Cravos.[60]

A esse sucedeu-se um período de confronto político muito aceso entre forças sociais e políticas, designado comoProcesso Revolucionário em Curso (PREC), com especial ênfase durante o verão de 1975, a que se chamouVerão Quente, no qual o país esteve prestes a entrar em guerra civil e tornar-se numa ditadura comunista. Foram feitos ataques às sedes de partidos de esquerda como oPCP por parte de jovens de direita, receosos pelo futuro incerto de Portugal e pelas ideias desses partidos. Neste período, Portugalconcede a independência a todas as suas antigas colónias em África.[61]

Restauração da democracia e integração europeia

Ver artigo principal:Terceira República Portuguesa
Foto de Família na cerimónia de assinatura doTratado de Lisboa. Portugal é membro daUnião Europeia desde 1986.

A 25 de novembro de 1975, diversos setores daesquerda radical (essencialmenteparaquedistas e polícia militar na Região Militar de Lisboa), provocados pelas notícias, preparam-se para levar a cabo uma tentativa de golpe de estado, que, no entanto, não tem sucesso, uma vez que oGrupo dos Nove reage, pondo em prática um plano militar de resposta previamente pensado, liderado porAntónio Ramalho Eanes. É importante notar que o 25 de abril sem o 25 de novembro teria levado o país a uma ditadura comunista satélite da URSS.[62] Felizmente, Ramalho Eanes triunfa e, no ano seguinte, consolida-se ademocracia. O próprio Ramalho Eanes é, no ano seguinte, eleito primeiro Presidente da República, por sufrágio universal. Aprova-se umaConstituição democrática e estabelecem-se os poderes políticos locais (autarquias) e governos autónomos regionais nosAçores eMadeira.[63]

Entre as décadas de 1940–60, Portugal foi membro cofundador daNATO (1949),EFTA (1960) eOCDE (1961), saindo da EFTA em 1986, para aderir à entãoComunidade Económica Europeia (CEE).[64] Em 1999, Portugal aderiu àZona Euro,[65] e ainda nesse ano, entregou a soberania deMacau àRepública Popular da China.[66] Desde a sua adesão à União Europeia, o país presidiu oConselho Europeu por 4 vezes (em 1992, 2000, 2007 e 2021), tendo a presidência de 2007 sido marcado pela cerimónia de assinatura doTratado de Lisboa.[67]

Geografia

Ver artigo principal:Geografia de Portugal
Carta topográfica e da administração de Portugal

Situado no extremo sudoeste europeu, Portugal Continental faz fronteira apenas com um outro país,Espanha a Este e a Norte, a Oeste e a Sul é limitado peloAtlântico. O território é dividido no continente pelo rio principal, oTejo. A norte, a paisagem é montanhosa nas zonas do interior com planaltos, intercalados por áreas que permitem o desenvolvimento da agricultura. A sul, até ao Algarve, o relevo é caraterizado por planícies, sendo as serras esporádicas. Outros rios principais são oDouro, oMinho e oGuadiana, que tal como o Tejo, nascem em Espanha. Entre os rios que têm todo o seu percurso no território português temos oVouga, oSado, oZêzere e o maior, oMondego (estes últimos nascem naSerra da Estrela, onde se situa a montanha mais alta de Portugal Continental, aTorre — 1 993 m dealtitude máxima, e a 2.ª mais alta de Portugal — apenas atrás daMontanha do Pico, nosAçores).[68]

As ilhas dosAçores estão localizadas norifte médio do oceano Atlântico; algumas das ilhas tiveram atividade vulcânica recente:São Miguel em 1563, eCapelinhos em 1957, que aumentou a área ocidental daIlha do Faial.[69] OBanco D. João de Castro é um grande vulcão submarino que se situa entre as ilhasTerceira e São Miguel e está 14 m abaixo da superfície do mar. Entrou em erupção em 1720 e formou uma ilha, que permaneceu acima da tona de água durante vários anos. Uma nova ilha poderá surgir num futuro não muito distante. O ponto mais alto de Portugal é aMontanha do Pico naIlha do Pico, umvulcão que atinge 2 351 m de altitude.[70] As ilhas daMadeira, ao contrário dos Açores que se situam na área dorifte médio do oceano Atlântico, estão situadas no interior daplaca africana e a sua formação deve-se à atividade de umponto quente não relacionado com acirculação tectónica. Esta situação de estabilidade e localização no interior daplaca tectónica leva a que este seja o território do país menos sujeito asismos.[71]

A última erupção vulcânica de que há evidência ocorreu há cerca de 6 000 anos, nailha da Madeira, manifestando-se atualmente o vulcanismo de forma indireta, através da libertação de gases vulcânicos profundos e águas quentes e gaseificadas descobertas aquando da abertura detúneis rodoviários e galerias de captação de água no interior da ilha principal.[71] O ponto mais alto do território é oPico Ruivo com 1 862 m de altitude,[72] que é também o terceiro mais alto do país.[73]

Montanha do Pico (ao fundo), no arquipélago dosAçores, o ponto mais alto do país
Serra da Estrela, a mais alta cordilheira dePortugal Continental

A costa portuguesa é extensa: tem 1 230 km em Portugal continental, 667 km nos Açores, 250 km na Madeira onde se incluem também asIlhas Desertas, asIlhas Selvagens e a ilha doPorto Santo. A costa formou belas praias, com variedade entre falésias e areais. Na ilha do Porto Santo umaformação de dunas de origem orgânica (ao contrário da origem mineral da costa portuguesa continental) com cerca de 9 km é um ponto turístico muito apreciado internacionalmente. Uma característica importante na costa portuguesa é aria de Aveiro, estuário dorio Vouga, perto da cidade deAveiro, com 45 km de comprimento e um máximo de 11 km de largura, rica em peixe e aves marinhas. Existem quatro canais, entre estas várias ilhas e ilhotas, e é onde quatro rios encontram o oceano.[74] Com a formação de cordões litorais definiu-se uma laguna, vista como um dos elementos hidrográficos mais marcantes da costa portuguesa. Portugal possui uma das maioreszonas económicas exclusivas (ZEE) da Europa, cobrindo cerca de 1 683 000 km².[75]

Clima

Ver artigo principal:Clima de Portugal
Portugal de acordo com aclassificação climática de Köppen

Portugal tem umclima mediterrânico,Csa nosul eCsb nonorte, de acordo com aclassificação climática de Köppen-Geiger.[76] Portugal é um dos paíseseuropeus mais amenos: a temperatura média anual em Portugal continental varia dos 13 °C no interior norte montanhoso até 18 °C nosul, nabacia do Guadiana.[76] OsVerões são amenos nas terras altas donorte do país e na região litoral do extremo norte e docentro. OOutono e oInverno são tipicamente ventosos,chuvosos e frescos, sendo mais frios nos distritos do norte e centro do país, nos quais ocorrem temperaturas negativas durante os meses mais frios. No entanto, nas cidades mais aosul de Portugal, as temperaturas só muito ocasionalmente descem abaixo dos 0°C, ficando-se pelos 5 °C na maioria dos casos.[77]

Normalmente, os meses dePrimavera eVerão são ensolarados e as temperaturas são altas durante os meses secos de julho e agosto, podendo ocasionalmente passar dos 40°C em boa parte do país, em dias extremos,[78] e com maior frequência no interior doAlentejo.[79]

Aprecipitação total anual média varia de pouco mais de 3 000 mm nas montanhas do norte a menos de 600 mm em zonas do sul doAlentejo.[76] O país tem cerca de 2 500-3 200horas de sol por ano, e uma média de 4–6 horas noInverno e 10–12 horas noVerão, com valores superiores nosudeste e inferiores nonoroeste.[78][80]

Aneve ocorre regularmente em quatro distritos nonorte do país (Guarda,Bragança,Vila Real eViseu) e diminui a sua ocorrência em direção aosul, até se tornar inexistente na maior parte doAlgarve. NoInverno, temperaturas inferiores a −10°C enevões ocorrem com alguma frequência em pontos restritos, tais como aSerra da Estrela, aSerra do Gerês e aSerra de Montesinho, podendo nevar de outubro a maio nestes locais.[77]

Fauna e flora

Ver artigo principal:Flora de Portugal
Ver também:Lista de anfíbios de Portugal,Lista de aves de Portugal,Lista de répteis de Portugal, eLista de mamíferos de Portugal
Mata da Albergaria, noParque Nacional da Peneda-Gerês
Camaleão da região doAlgarve

O clima e a diversidade geográfica moldaram a flora portuguesa. No que diz respeito àsflorestas portuguesas estão muito difundidos, por razões económicas, o pinheiro (especialmente as espéciesPinus pinaster ePinus pinea), o castanheiro (Castanea sativa), osobreiro (Quercus suber), aazinheira (Quercus ilex), ocarvalho-português (Quercus faginea) e o eucalipto (Eucalyptus globulus).[81]

A fauna demamíferos é muito variada e inclui araposa,texugo,lince-ibérico,lobo-ibérico,cabra-selvagem (Capra pyrenaica), o gato-selvagem (Felis silvestris), alebre, adoninha, osacarrabos,gineta e, ocasionalmente,urso-pardo (perto doRio Minho, perto daPeneda-Gerês)[82] e muitos outros. Portugal é um lugar de paragem importante paraaves migratórias que se deslocam entre a Europa e África, em lugares como oCabo de São Vicente ou aSerra de Monchique, onde podem ser vistos milhares de pássaros que voam a partir daEuropa paraÁfrica noOutono ou no sentido oposto naPrimavera. Portugal tem cerca de600 espécies de aves, entre as quais 235 nidificantes e quase todos os anos há novos registos.[83]

Portugal tem mais de 100 espécies de peixes de água doce que variam desde o bagre-gigante-europeu (Parque Natural do Tejo Internacional) a pequenas espécies endémicas que vivem apenas em pequenos lagos (Zona Oeste, por exemplo). Algumas destas espécies raras e específicas estão altamente ameaçadas, devido à perda dehabitat, poluição e secas. As águas marinhas portuguesas são umas das mais ricas em biodiversidade do mundo. As espécies marinhas estão na ordem dos milhares e incluem asardinha (Sardina pilchardus), oatum e acavala-do-atlântico.[84]

Em Portugal, também é possível observar o fenómeno deressurgência, especialmente na costa ocidental, que torna o mar extremamente rico em nutrientes e biodiversidade.[85] Asáreas protegidas de Portugal[86] incluem umparque nacional,[87] trezeparques naturais (o mais recente criado em 2005),[88] novereservas naturais,[89] cincomonumentos naturais[90] e seispaisagens protegidas,[91] que vão desde oParque Nacional Peneda-Gerês aoParque Natural da Serra da Estrela. Em 2005, a Área de Paisagem Protegida do Litoral deEsposende foi promovida aParque Natural para "a conservação do cordão litoral e dos seus elementos naturais físicos, estéticos e paisagísticos".[92]

Demografia

Ver artigo principal:Demografia de Portugal
Densidade populacional em Portugal Continental (2021):
Habitantes por km2
  •   0-49
  •   50-99
  •   100-499
  •   500-999
  •   1000-1999
  •   2000+

Portugal registou no ano de 2021 uma população de 10 343 066 habitantes[93] através doscensos de 2021, dos quais 9 644 530 com nacionalidade portuguesa e 698 536estrangeiros,[94] representando cerca de 6,2% dos residentes[95] e umadensidade populacional de 112,2 habitantes por km2.[96] A população portuguesa está composta por 12,9% com idade compreendida entre os 0 e os 14 anos, 63,7% entre os 15 e os 64 anos e 23,4% com mais de 65 anos.[97] A esperança média de vida foi de 80,72 anos em 2020.[98]

Desde do ano de 2018 regista-se um crescimento da população portuguesa, depois de vários anos de decrescimento populacional através dacrise financeira de 2008, passando de 10 283 822 habitantes em 2018 para 10 343 066 habitantes em 2021,[99] crescendo 0,6% e em 59 244 residentes. Ataxa de natalidade situa-se nos 7,7 bebés por mil habitantes[100] e ataxa de mortalidade em 12 mortes por mil habitantes.[101] Em 2022 foram registados 83 436 nascimentos[102] e 124 755 mortes.[103]

As maioresregiões em termos populacionais são aRegião do Norte, com 3,6 milhões de habitantes, aÁrea Metropolitana de Lisboa, com 2,9 milhões de habitantes e aRegião do Centro, com 1,6 milhões de habitantes. Já as maiores áreas urbanas com maior concentração populacional são as duasáreas metropolitanas portuguesas, a deLisboa e doPorto, com 2,9 e 1,7 milhões de habitantes respectivamente, a seguir doAlgarve com 470 mil habitantes, aRegião de Coimbra com 437 mil habitantes e oAve com 420 mil habitantes.[99]

Composição étnica

Ver artigo principal:Portugueses
Mulheres portuguesas com trajes típicos deViana do Castelo

Os dados sobre a composição genética dosportugueses apontam para a sua fraca diferenciação interna e base essencialmentecontinental europeiapaleolítica.[104] É certo que houve processos démicos noMesolítico (provável ligação aoNorte de África) eNeolítico (criando alguma ligação com oMédio Oriente, mas bastante menos do que noutras zonas da Europa), tal como as migrações dasIdades do Cobre,Bronze eFerro contribuíram para aindo-europeização daPenínsula Ibérica (essencialmente uma «celtização»), sem apagar o forte carátermediterrânico, particularmente a sul e leste. Aromanização, as invasõesgermânicas, o domínioislâmicomouro, e a presençajudaica terão tido igualmente o seu impacto e a sua contribuição démica. Podem mesmo listar-se todos os povos historicamente mais importantes que por Portugal passaram e/ou ficaram: as culturas pré-indo-europeias da Ibéria (comoTartessos e outras anteriores) e seus descendentes (como oscónios, posteriormente «celtizados»); osprotoceltas e celtas (tais como oslusitanos,gallaici,celtici); alguns poucosfenícios ecartagineses;Romanos;Suevos,búrios evisigodos, bem como alguns poucosvândalos ealanos; alguns poucosbizantinos;Berberes com algunsárabes esaqaliba (escravoseslavos);Judeussefarditas; africanos subsarianos; fluxos menos maciços de migrantes europeus (particularmente daEuropa Ocidental). Todos estes processos populacionais terão deixado a sua marca, ora mais forte, ora só vestigial. Mas a base genética da população portuguesa é relativamente homogénea no território português, tal como no resto da Península Ibérica, mantém-se a mesma nos últimos quarenta milénios: os primeirosseres humanos modernos a entrar na Europa Ocidental, oscaçadores-recoletores doPaleolítico.[j]

De acordo com os resultados do Inquérito às Condições de Vida, Origens e Trajetórias da População Residente em Portugal (ICOT), de 2023, as pessoas com idade dos 18 aos 74 anos autoidentificaram-se, ao nível da origem ou pertença étnica, do seguinte modo: 6,4 milhões (~92,3%) com o grupo étnico branco; 169,2 (~2,4%) mil com o grupo negro; 56,6 mil (~0,8%) com o grupo asiático; 47,5 mil (~0,7%) com o grupo étnico cigano; e 262,3 mil (3,8%) com o grupo de origem ou pertença mista.[106]

Línguas

Ver artigos principais:Línguas de Portugal,Língua portuguesa,Português europeu, eLíngua mirandesa
Mapacronológico mostrando o desenvolvimento do português/galego naPenínsula Ibérica

A língua oficial da República Portuguesa é o português,[107] adotado em 1290 por decreto do rei D. Dinis. Com mais de 210 milhões de falantes nativos,[108] é a quinta língua mais falada no mundo e a terceira mais falada nomundo ocidental.[109] É a língua oficial deAngola, doBrasil, deCabo Verde, daGuiné-Bissau, deMoçambique e deSão Tomé e Príncipe, e língua oficial a par de outros idiomas também oficiais emTimor-Leste, emMacau e naGuiné Equatorial. É também falada na antigaÍndia Portuguesa (Goa,Damão,Diu eDadrá e Nagar-Aveli), além de ter também estatuto oficial naUnião Europeia, naUnião de Nações Sul-Americanas (UNASUL), noMercado Comum do Sul (Mercosul) e naUnião Africana.[110]

São ainda reconhecidas e protegidas oficialmente alíngua gestual portuguesa[111] e omirandês, protegida oficialmente no concelho deMiranda do Douro,[112] com origem noasturo-leonês, ensinada como segunda língua facultativa em escolas do concelho deMiranda do Douro e parte do concelho deVimioso. O seu uso, no entanto, é bastante restrito, estando em curso ações que garantam os direitos linguísticos à sua comunidade falante.[113]

A língua portuguesa é umalíngua românica (do grupoibero-românico), tal como ogalego,castelhano,catalão,italiano,francês,romeno,reto-romanche (Suíça), e outros.[114] O português é conhecido comoa língua de Camões (por causa deLuís de Camões, autor deOs Lusíadas),a última flor do Lácio, expressão usada nosonetoLíngua Portuguesa[115] deOlavo Bilac ou aindaa doce língua porMiguel de Cervantes.[116]

Religião

Ver artigos principais:Religião em Portugal eIgreja Católica em Portugal
OSantuário de Fátima, também chamado "O altar do Mundo" pela sua projecção mundial entre oscatólicos

AConstituição Portuguesa garante aliberdade religiosa e aigualdade entre religiões,[117] apesar daConcordata que privilegia aIgreja Católica,[118] em várias dimensões da vida social, pelo que é comum, em algumas cerimónias oficiais públicas como inaugurações de edifícios ou eventos oficiais de Estado, haver a presença de um representante da Igreja Católica. No entanto, a posição religiosa dos políticos eleitos é normalmente considerada irrelevante pelos eleitores. A exemplo disso, dois dos últimos Presidentes da República (Mário Soares eJorge Sampaio) eram pessoas assumidamentelaicas.[119] De acordo com pesquisa de 2010 doEurobarómetro, 70% dos portugueses disseram acreditar na existência de algum deus. 15% disseram crer na existência de algum tipo de espírito ou força vital, ao passo que 12% não acreditavam que exista qualquer tipo de espírito, deus, ou força vital.[120]

A maioria dos portugueses (80,2% da população total — segundo os resultados oficiais dosCensos 2021), inscrevem-se numa tradiçãocatólica.[121] A prática dominical doCatolicismo segundo um estudo da própriaIgreja Católica (de 2001) é realizada por 1 933 677 católicos praticantes (18,7% da população total) e o número decomungantes é de 1 065 036 (10,3% da população total). Cerca de metade doscasamentos realizados são casamentos católicos, os quais produzem automaticamente efeitos civis. Ocasamento entre pessoas do mesmo sexo, assim como odivórcio, são permitidos, conforme estabelecido noCódigo Civil (por mútuo consentimento ou por requerimento no tribunal por um dos cônjuges no caso do divórcio) apesar de oDireito Matrimonial Canónico não prever estas figuras, tal como o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Existem vinte dioceses em Portugal, agrupadas em três distritos eclesiásticos:Braga,Lisboa eÉvora.[122] Outras estatísticas não oficiais mostram que em 2004 a população católica de Portugal era de 90,41%, sendo a população da Diocese Portalegre-Castelo Branco a mais católica com 99,35% de fiéis e a população da Diocese de Beja a menos devota ao catolicismo com 83,42% de católicos. Já as Dioceses de Lisboa e do Porto possuíam respetivamente 85,00% e 90,56% de população católica.[123]




Religião em Portugal em 2021[124]

  Catolicismo (80.20%)
  Outra forma deCristianismo (4.57%)
  Outra religião (1.14%)
  Sem religião (14.09%)

Oprotestantismo em Portugal possui várias denominações atuantes maioritariamente de cultos com inspiraçãoevangélicaneopentecostal (ex.:Congregação Cristã em Portugal,Assembleias de Deus em Portugal eIgreja Maná) ou de imigração brasileira (ex:Igreja Universal do Reino de Deus).[125] AsTestemunhas de Jeová contam com perto de 50 mil praticantes em Portugal, distribuídos por cerca de 650 congregações, sendo que os simpatizantes alcançam um número similar. Mais de 95 mil pessoas assistiram em 2007 à sua principal celebração, aComemoração da Morte de Cristo. A religião está presente no país desde 1925, tendo sido proscrita oficialmente entre 1961 e 1974, período em que operou na clandestinidade. Em dezembro de 1974, a Associação das Testemunhas de Jeová foi legalmente reconhecida, tendo hoje a sua sede emAlcabideche. Portugal é um dos 236 países onde esta denominação religiosa se encontra atualmente ativa.[126]

A comunidadejudaica em Portugal conseguiu manter-se até à atualidade, não obstante a ordem de expulsão dosjudeus a 5 de dezembro de 1496 por decreto doreiD. Manuel I, obrigando muitos a escolher entre conversões forçadas ou a efetiva expulsão do país, ou à prisão e consequentes penas decretadas pelaInquisição portuguesa, que, precisamente por este motivo acabou por ser uma das mais ativas na Europa. A forma como o culto se desenvolveu na vila raiana deBelmonte é um dos exemplos de perseverança dos judeus como unidade em Portugal. Em 1506, em Lisboa, dá-se ummassacre de Judeus em que perderam a vida entre dois mil a quatro mil pessoas, um dos mais violentos na época, a nível europeu.[127]

Existem ainda minoriasislâmicas (15 mil pessoas)[128] ehindus, com base, na sua maioria, em descendentes deimigrantes, bem como alguns focos pontuais (alguns apenas a nível regional) debudistas,gnósticos eespíritas.[129]

Urbanização

A cidade deLisboa, com mais de meio milhão de habitantes e com perto de 3 milhões de habitantes na suaárea metropolitana, é a maior cidade e a maior área urbana do país, principal polo económico, detendo o principal porto marítimo e aeroporto portugueses e é a cidade mais rica de Portugal, com umPIBper capita superior ao da média daUnião Europeia. Outras cidades importantes são as doPorto, (cerca de 240 000 habitantes — 1,7 milhões naárea metropolitana) a segunda maior cidade e centro económico,Aveiro (por vezes denominada a "Veneza portuguesa"),Braga ("Cidade dosArcebispos"),Chaves (cidade histórica e milenar),Coimbra (cidade académica que detém a mais antiga universidade do país),Guimarães ("Cidade-berço"),Évora ("Cidade-Museu"),Setúbal (terceiro maior porto),Portimão (3.º porto de cruzeiros e sede do AIA),Faro eViseu. Naárea metropolitana de Lisboa existem cidades com grandedensidade populacional comoAgualva-Cacém eQueluz (concelho deSintra),Amadora,Almada,Amora,Seixal,Barreiro,Montijo eOdivelas. Naárea metropolitana do Porto os concelhos mais povoados sãoVila Nova de Gaia,Maia,Matosinhos eGondomar. NaRegião Autónoma da Madeira a principal cidade é oFunchal. NaRegião Autónoma dos Açores existem três cidades principais:Ponta Delgada, nailha de São Miguel,Angra do Heroísmo nailha Terceira eHorta nailha do Faial.[130]

Municípios mais populosos dePortugal
Estimativa de 2021 doInstituto Nacional de Estatística (INE)[130]

Lisboa

Sintra
PosiçãoLocalidadeRegiãoPop.PosiçãoLocalidadeRegiãoPop.
1LisboaLisboa545 79611AmadoraLisboa171 454
2SintraLisboa385 60612SeixalLisboa166 507
3Vila Nova de GaiaNorte303 82413GondomarNorte164 257
4PortoNorte231 80014GuimarãesNorte156 830
5CascaisLisboa214 12415OdivelasLisboa148 034
6LouresLisboa201 59016CoimbraCentro140 816
7BragaNorte193 32417Vila Franca de XiraLisboa137 529
8AlmadaLisboa177 23818Santa Maria da FeiraNorte136 674
9MatosinhosNorte172 55719MaiaNorte134 977
10OeirasLisboa171 65820 Vila Nova de FamalicãoNorte133 534

Política

Ver artigo principal:Política de Portugal

Governo

Ver artigo principal:Governo da República Portuguesa

Em Portugal, a lei fundamental é aConstituição, datada de 1976, todas as outras leis devem respeitá-la. A constituição sofreu algumas revisões. Está previsto na Constituição a realização de referendos de consulta popular, no entanto, o resultado pode ser anulado politicamente. O primeiro referendo foi em 1933 que aprovou a Constituição que levou à criação do Estado Novo. Outras leis estruturantes do país são oCódigo Civil (1966), oCódigo Penal (1982), o Código Comercial (1888), o Código de Processo Civil (2013), o Código de Processo Penal (1987) e o Código do Trabalho (2011). Algumas destas leis têm sofrido revisões profundas desde a sua publicação original.[131]

Existem quatroÓrgãos de Soberania: oPresidente da República (Chefe de Estado — poder moderador, mas com algum poder executivo), aAssembleia da República (Parlamento — poder legislativo), oGoverno (poder executivo) e osTribunais (poder judicial). Vigora no país um sistemasemipresidencialista, segundo o quadro constitucional estabelecido em 1976.[131] Osemipresidencialismo português — de pendor parlamentarista (atenuado ou acentuado, conforme o governo seja maioritário ou minoritário)[132] — suporta 4 traços estruturais essenciais: a eleição doPresidente da República por sufrágio direto e universal; a partilha do poder executivo entre este e oGoverno, sem nunca o primeiro chefiar direta e formalmente o Executivo;[133] a responsabilização política do Governo perante aAssembleia da República e oPresidente da República; e oChefe de Estado detém o poder de dissolução doParlamento e das Assembleias Legislativas Regionais.[132]

Portanto, o Presidente da República é o chefe de Estado e é eleito porsufrágio universal, para um mandato de cinco anos. Ao contrário dos outros órgãos de soberania, o candidato a este cargo tem que ser maior de 35 e cidadão nacional. O candidato vencedor — na tomada de posse perante aAssembleia da República — presta o seguinte juramento:«Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa».[134] O candidato eleito tem de ter mais de metade dos votos. No caso de não haver um vencedor claro, é feita uma segunda volta com os dois candidatos mais votados da primeira volta.

O Presidente da República exerce — entre assupra mencionadas funções — a de comando, como Comandante Supremo das Forças Armadas (Exército, Armada, Força Aérea, Guarda Nacional Republicana); a de representação formal do Estado português no estrangeiro e nas relações internacionais, nomeadamente na de ratificação das convenções ou tratados internacionais e na receção das credenciais de embaixadores estrangeiros; a de promulgar e mandar publicar ou vetar os atos legislativos, nomeadamente asLeis da Assembleia da República, osDecretos-Lei e os decretos-regulamentares doGoverno, bem como requerer a fiscalização da constitucionalidade destes diplomas; a de nomeação e exoneração do Primeiro-Ministro e dos demais ministros, neste último caso sob proposta do chefe do governo; conferir condecorações e exercer o cargo de grão-mestre das ordens honoríficas. Cabe, ainda, ao Presidente da República, sob proposta do Governo, a nomeação e exoneração de embaixadores e dos mais altos cargos militares (chefes de estado maior), bem como a nomeação doProcurador-Geral da República. No âmbito da interdependência de poderes entre o Presidente da República, a Assembleia da República e o Governo, cabe ao primeiro declarar a guerra e fazer a paz, declarar o estado de emergência e o de sítio e indultar e comutar penas. O chefe de Estado português reside, oficialmente, noPalácio de Belém, emLisboa.[131]

Marcelo Rebelo de Sousa, opresidente do país desde 9 de Março de 2016
Luís Montenegro é o atualprimeiro-ministro português desde 2 de Abril de 2024

A Assembleia da República, que reúne em Lisboa, noPalácio de São Bento, é eleita para um mandato de quatro anos. O primado do poder legislativo está atribuído à Assembleia da República, partilhando, em alguns casos, parte desse poder com o Governo. No entanto, a Assembleia da República detém poderes fiscalizadores dos atos legislativos do Governo, quer através da concessão de autorizações legislativas, quer através da apreciação parlamentar destes. Neste momento conta com 230 deputados, eleitos em 22 círculos plurinominais em listas departidos políticos, embora nestas possam participar cidadãos independentes. O presidente da Assembleia é eleito pelos deputados, sendo sempre um deputado eleito nas legislativas, geralmente o deputado eleito é do partido do governo. O presidente da Assembleia é a segunda figura do estado, tomando a seu cargo as funções do presidente da República em caso de ausência deste.[131]

O Governo é chefiado peloprimeiro-ministro, que é, por regra, o líder do partido mais votado em cada eleição legislativa, e é convidado, nessa forma, pelo presidente da República para formar governo, pelo que o governo não é eleito mas nomeado. É o Presidente da República quem nomeia e exonera os restantes ministros, sob proposta do primeiro-ministro[131] Este reside oficialmente noPalacete de São Bento, nas traseiras daAssembleia da República, em Lisboa.[135] Qualquer governo pode ser alvo duma moção de censura podendo derrubá-lo na Assembleia. Uma moção de confiança também pode ser apresentada, opondo-se à moção de censura.[131]

Desde 1975, o panorama político português tem sido dominado por dois partidos: oPartido Socialista (PS) e oPartido Social Democrata (PSD). Estes partidos têm dividido as tarefas de governar e administrar a maioria das autarquias, praticamente desde a instauração da democracia. No entanto, partidos como oPartido Comunista Português (PCP), que detém ainda a presidência de autarquias e uma grande influência junto do movimento sindical ou oCDS — Partido Popular (CDS-PP) (que já governou o país em coligação com o PS e com o PSD) são também importantes no xadrez político. Para além destes, têm assento no Parlamento oBloco de Esquerda (B.E.) e oPartido Ecologista "Os Verdes" (PEV).[131]

Sistema judicial

Ver artigo principal:Direito de Portugal
Praça do Comércio (Terreiro do Paço) emLisboa, onde estão sediados alguns dos mais importantes departamentos governamentais do país, bem como oSupremo Tribunal de Justiça

Ostribunais administram ajustiça em nome do povo, defendendo os direitos e interesses dos cidadãos, impedindo a violação da legalidade democrática e mediando os conflitos de interesses que ocorram entre diversas entidades. Segundo a Constituição existem as seguintes categorias de tribunais:Tribunal Constitucional, que tem a competência de interpretar a Constituição e fiscalizar a conformidade das leis com as suas disposições; oSupremo Tribunal de Justiça e os tribunais judiciais deprimeira instância (Tribunais de Comarca) e de segunda instância (Tribunais da Relação); oSupremo Tribunal Administrativo e os tribunais administrativos e fiscais de primeira e segunda instâncias (Tribunais Centrais Administrativos); e oTribunal de Contas.[131]

Portugal tem um regime legal considerado inovador, no plano internacional, de opção pela salvaguarda do toxicodependente, ao invés da sua punição. Em 2001, o governo português descriminalizou, com resultados eficazes, a posse de todas as drogas como acanábis, acocaína, aheroína e oLSD.[136] Enquanto que a posse não é criminalizada, o tráfico ainda o é. Aos cidadãos portugueses apanhados em flagrante com pequenas quantidades de qualquerdroga, é dada a opção de ir para uma clínica de reabilitação, sendo que a recusa ao tratamento pode ser feita sem consequências. Apesar das críticas de outros países europeus, que declararam o consumo de drogas em Portugal iria aumentar tremendamente, o uso de drogas entre os adolescentes caiu, juntamente com o número de casos de infeção peloHIV, que caiu 50 por cento em 2009.[137][138][139]

A 31 de maio de 2010, Portugal tornou-se o sexto país da Europa e o oitavo país do mundo a reconhecer legalmente ocasamento entre pessoas do mesmo sexo em nível nacional. A lei entrou em vigor em 5 de junho de 2010.[140]

Relações externas

Ver artigos principais:Política externa de Portugal eMissões diplomáticas de Portugal
José Sócrates a fazer um discurso naassinatura do Tratado de Lisboa, em 2007

A política externa de Portugal está ligada ao seu papel histórico como figura proeminente daEra dos Descobrimentos e detentor do extintoImpério Português. Portugal é um membro fundador daNATO (1949),OCDE (1961) e daEFTA (1960); deixando esta última em 1986 para aderir àUnião Europeia (UE), na altura aindaComunidade Económica Europeia (CEE).[141][142] Fundador da primeiraAgência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA),[143] em 25 de junho de 1992, tornou-se umEstado-membro do Espaço Schengen, e, em 1996, cofundou aComunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).[144]

Portugal tem beneficiado significativamente da União Europeia e é um proponente da integração europeia. Esteve napresidência do Conselho da União Europeia por quatro vezes (em 1992, 2000, 2007 e 2021).[145] Portugal aproveitou as suas presidências para lançar um diálogo entre a UE eÁfrica, tornar a economia europeia mais dinâmica e competitiva e, na penúltima presidência, constituir e assinar, em conjunto com os restantes Estados-membros, oTratado Reformador, que ficou conhecido por Tratado de Lisboa.[67]

Portugal foi um membro fundador daNATO; é um membro ativo da aliança ao, por exemplo, contribuir proporcionalmente com grandes contingentes nas forças da paz nosBalcãs. Portugal propôs a criação daComunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para melhorar os seus laços com os outros países falantes dalíngua portuguesa.[144] Adicionalmente, tem participado, juntamente com a Espanha numa série decimeiras ibero-americanas. Portugal advogou firmemente a independência deTimor-Leste, uma antiga província ultramarina, enviando tropas e dinheiro para Timor, em estreita colaboração com osEstados Unidos, aliadosasiáticos e aONU.[146]

Possui uma amizade e aliança através de um tratado celebrado com oBrasil, além da História que une os dois países (ver:Relações entre Brasil e Portugal).[147] Portugal detém aaliança mais antiga do mundo, que foi celebrada com aInglaterra (sucedida peloReino Unido) e se mantém até aos dias de hoje.[148]

O único litígio internacional diz respeito ao município deOlivença. Português desde 1297, o município de Olivença foi cedido à Espanha no âmbito doTratado de Badajoz, em 1801, após aGuerra das Laranjas. Portugal alegou que lhe pertencia, em 1815, no âmbito doTratado de Viena. Hoje o município consiste no município espanhol com o mesmo nome e no município deTáliga, separado do anterior. No entanto, asrelações diplomáticas bilaterais entre os dois países vizinhos são cordiais, bem como no âmbito da União Europeia.[149]

Forças militares e policiais

Ver artigos principais:Forças Armadas de Portugal eHistória militar de Portugal
CaçasF-16 daForça Aérea Portuguesa

As forças armadas têm três ramos:Exército,Marinha eForça Aérea. Os militares de Portugal servem, sobretudo, como uma autodefesa vigorosa cuja missão é proteger a integridade territorial do país, e fornecerassistência humanitária e de segurança no país e no estrangeiro.[150] Desde 2004, oserviço militar obrigatório já não é praticado, tendo sido substituído peloDia da Defesa Nacional.[151] A idade para o recrutamento voluntário é fixada nos 18 anos.[152] Noséculo XX, Portugal esteve envolvido em duas grandes intervenções militares: aPrimeira Guerra Mundial e aGuerra Colonial Portuguesa (1961–1974).[59]

Portugal tem participado em missões de manutenção da paz, nomeadamente emTimor-Leste, naBósnia e Herzegovina, noKosovo, noAfeganistão, noIraque (Nasiriyah) e no sul doLíbano. O Exército Português possui umaBrigada de Reação Rápida, umaBrigada Mecanizada e umaBrigada de Intervenção. Estes três escalões de força aglutinam sobre si as mais diversas especialidades da disciplina militar, contendo, assim, unidades deengenharia,cavalaria,artilharia einfantaria, inserindo-se nesta última as unidades detropas especiais, comocomandos,paraquedistas eoperações especiais.[146]

A segurança da população está a cargo daGuarda Nacional Republicana (GNR) e daPolícia de Segurança Pública (PSP)[153][154] que estão sob a alçada doMinistério da Administração Interna. Para além destas, Portugal possui aPolícia Judiciária (PJ), que é o principalórgão policial de investigação criminal do país, vocacionado para o combate à grande criminalidade, nomeadamente ao crime organizado, terrorismo, tráfico de estupefacientes, corrupção e criminalidade económica e financeira. A Polícia Judiciária está integrada noMinistério da Justiça, atuando sob orientação doMinistério Público.[155]

Subdivisões

Ver artigo principal:Organização territorial de Portugal

Uma das principais divisões administrativas de Portugal são os 18distritos no continente e as duasregiões autónomas, dosAçores e daMadeira, que se subdividem em 308municípios e 3 091freguesias.[4][156] Portugal também está dividido em trêsNUTS.[157] Esta divisão foi elaborada para fins estatísticos, estando em vigor em todos os países da União Europeia.[158] O primeiro (NUTS I) é composto por três grandes regiões:Portugal Continental,Região Autónoma dos Açores eRegião Autónoma da Madeira.[159]

Apesar de serem os distritos a divisão administrativa de primeira ordem em Portugal Continental, é outra a divisão técnica de primeira ordem. Trata-se das cinco grandes regiões geridas pelas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDRs), e que correspondem às subdivisõesNUTS II para Portugal. Os seus limites obedecem aos limites dosmunicípios, mas não obedecem aos limites dos distritos, que por vezes se espalham por mais do que uma região.[160] As regiões de NUTS II subdividem-se em sub-regiões estatísticas sem significado administrativo, denominadaNUTS III, cujo único objetivo é o de servirem para agrupar municípios contíguos, com problemas e desafios semelhantes, e obter assim dados de conjunto destinados principalmente ao planeamento económico.[159]

Uma outra versão da divisão administrativa portuguesa, que está atualmente (2008) em processo de implantação (a diferentes velocidades consoante as várias estruturas), gira em volta de "áreas urbanas", definidas como unidades territoriais contínuas constituídas por agrupamentos de concelhos.[161] Existem dois tipos de áreas urbanas:Grandes Áreas Metropolitanas (GAM) — área urbana composta por nove ou mais concelhos, e com população superior a 350 mil habitantes;[162]Comunidades Intermunicipais (CIM) — área urbana composta por três ou mais concelhos, e com uma população entre 10 a 100 mil habitantes eleitores.[163]

Regiões de Portugal (NUTS II)[164][165]
 RegiãoÁreaPopulação  RegiãoÁreaPopulação
1Norte21.286 km²3 586 5866Algarve4.960 km²467 343
2Centro22.635 km²1.653.1957Oeste e Vale do Tejo9.839 km²809 905
3Açores2.333 km²236 4138Lisboa3.001 km²2 870 208
4Madeira801 km²250 7449Alentejo27.330 km²468.672
5Península de Setúbal1.421 km²807.902


Economia

Ver artigo principal:Economia de Portugal
Principais produtos deexportação de Portugal em 2019 (em inglês)

Desde 1985, o país entrou num processo de modernização num ambiente bastante estável (1985 até à atualidade) e juntou-se àUnião Europeia em 1986. Os sucessivos governos fizeram várias reformas: privatizaram muitas empresas controladas pelo Estado e liberalizaram áreas-chave da economia, incluindo os setores dastelecomunicações efinanceiros. Portugal desenvolveu uma economia crescentemente baseada em serviços e foi um dos onze membros fundadores da moeda europeia — oEuro — em 1999. Começou a circular a sua nova moeda em 1 de janeiro de 2002 comonze outros Estados membros da União Europeia.[166]

Quando se analisa num maior período de tempo, verifica-se que a convergência da economia portuguesa para os padrões daUnião Europeia tem sido impressionante, especialmente entre 1986 e o início da década de 2000.[167][168] De acordo com Barry (2003), "o que parece ter sido crucial no caso português, em relação à Espanha pelo menos, é o grau de flexibilidade domercado de trabalho que a economia exibe. (...) Essa convergência portuguesa tem sido impressionante, mesmo que, coerente com o seu relativamente baixo estoque decapital humano, a economia tem-se especializado em produção de baixa tecnologia."[168] O crescimento económico português esteve acima da média da União Europeia na maior parte da década de 1990[169] e uma pesquisa sobrequalidade de vida feita pelaEconomist Intelligence Unit classificou Portugal como o país com a 19.ª melhor qualidade de vida no mundo em 2005, à frente de outros países económica e tecnologicamente avançados comoFrança,Alemanha,Reino Unido eCoreia do Sul, mas nove lugares atrás de seu único vizinho, aEspanha.[170]

No entanto, o Relatório de Competitividade Global de 2013, publicado peloFórum Económico Mundial, classificou o nível de competitividade económica de Portugal na 46.ª posição entre os 60 países pesquisados, atrás de Espanha eItália, o que representa uma queda em relação às posições conquistadas nos relatórios de anos anteriores.[171] Portugal também continua a ser o país com o menorPIB per capita entre as nações daEuropa Ocidental[172] e o que apresenta um dos mais altos índices dedesigualdade económica entre os membros da União Europeia.[173] Em 2007, o fraco desempenho da economia portuguesa foi explorado pela revistaThe Economist, que descreveu Portugal como o "novohomem doente da Europa".[174] Em 6 de abril de 2011, após o início dacrise económica de 2008 e o aprofundamento dacrise da dívida pública da Zona Euro, o então primeiro-ministro José Sócrates anunciou na televisão nacional que o país pediu ajuda financeira aoFundo Monetário Internacional (FMI) e aoFundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), como aGrécia e aRepública da Irlanda já tinham feito. Foi a terceira vez que a ajuda financeira externa foi solicitada ao FMI — a primeira foi no final de da década de 1970, após aRevolução de 25 de Abril.[175] Em 6 de julho do mesmo ano, a agência de notação norte-americanaMoody's despromoveu a classificação do para "lixo financeiro", provocando a queda dos maiores bancos nacionais noPSI.[176] Em 2017, o país saiu da classificação de "lixo financeiro" e voltou a ter taxas de crescimento na faixa dos 2,8–3%. A agência de notação financeiraFitch Ratings e aStandard & Poor's retiraram Portugal do nível de "lixo", melhorando em dois patamares a classificação atribuída à dívida pública portuguesa, de BB+ para BBB, o segundo nível da categoria de investimento.[177]

Setores

Oeiras, naÁrea Metropolitana de Lisboa, onde estão sediadas muitas das empresasmultinacionais que operam em Portugal

Com um passado predominantemente agrícola, atualmente e devido a todo o desenvolvimento que o país registou, a estrutura da economia baseia-se nos serviços e na indústria, que representam 67,8% e 28,2% doVAB.[178]

A agricultura portuguesa está bem adaptada devido ao clima, relevo e solos favoráveis. Nas últimas décadas, intensificou-se a modernização agrícola, embora ainda cerca de 12% da população ativa trabalhe na agricultura. As oliveiras (4 000 km²), osvinhedos (3 750 km²), otrigo (3 000 km²) e omilho (2 680 km²) são produzidos em áreas bastante vastas. Osvinhos (especialmente oVinho do Porto e oVinho da Madeira) eazeites portugueses são bastante apreciados devido à sua qualidade. Portugal também é produtor defruta de qualidade selecionada, nomeadamente aslaranjas algarvias, apêra-rocha da região Oeste, amaçã de Alcobaça, acereja da Gardunha e abanana da Madeira. Outras produções são dehorticultura oufloricultura, como abeterraba doce, óleo degirassol etabaco.[179]

A importância económica da pesca tem vindo a diminuir, empregando menos de 1% da população ativa. A diminuição das reservas de recursos piscatórios refletiu-se na redução da frota pesqueira portuguesa que, embora se tenha vindo a modernizar, ainda tem dificuldade em competir com outras frotas europeias. Apesar da reduzida extensão da plataforma continental portuguesa, existe alguma diversidade de espécies nas águas daZEE de Portugal, uma das maiores da Europa. A frota portuguesa efetua captura em águas internacionais e nas ZEE de outros países. No seu todo, as espécies mais capturadas são asardinha, ocarapau, opolvo, opeixe-espada-preto, acavala e oatum. Os portos com maior desembarque de pescado, em 2001, foram os deMatosinhos,Peniche,Olhão eSesimbra.[75]

Acortiça tem uma produção bastante significativa: em 2010, Portugal produzia 54% da cortiça produzida no mundo.[180] Os recursos minerais mais significativos em Portugal são ocobre, olítio (7), ovolfrâmio (6), oestanho, ourânio,feldspatos (11),sal-gema,talco emármore[181]

Abalança comercial de Portugal é, há muito, deficitária, com o valor dasexportações a cobrir apenas 65% do valor dasimportações em 2006.[182] As maiores exportações correspondem aos têxteis, vestuário, máquinas, material elétrico, veículos, equipamentos de transporte, calçado, couro, madeira, cortiça, papel, entre outras.[183] O país importa principalmente produtos vindos da União Europeia:Espanha,Alemanha,França,Itália eReino Unido.[184]

Turismo

Ver artigo principal:Turismo em Portugal
Praia da Marinha, emLagoa, considerada uma das dez mais belas praias daEuropa peloGuia Michelin[185]

Oturismo continua a ser um setor económico extremamente importante para Portugal, sendo que o número de visitantes deverá aumentar significativamente nos próximos anos. No entanto, há uma crescente concorrência com destinos doLeste Europeu, como aCroácia, que oferecem atrativos semelhantes, mas que muitas vezes são mais baratos. Consequentemente, o país é quase obrigado a concentrar-se nas suas atrações de nicho, como a saúde, a natureza e o turismo rural, com o objetivo de permanecer à frente dos seus concorrentes.[186]

Portugal está entre os 20 mais visitados países do mundo, recebendo uma média anual de 13 milhões de turistas estrangeiros.[187] O turismo está a desempenhar um papel cada vez mais importante naeconomia de Portugal, contribuindo para cerca de 11% do seuproduto interno bruto (PIB) em 2010.[188] Entre os povos estrangeiros que mais visitaram o país em 2012 estão osbritânicos, seguidos porespanhóis,alemães,franceses ebrasileiros.[189]

Palácio Nacional da Pena emSintra, classificadoPatrimónio Mundial pelaUNESCO

Em 2013, Portugal foi obteve a 20.ª posição entre as 140 nações avaliadas peloÍndice de Competitividade em Viagens e Turismo, publicado peloFórum Económico Mundial.[190] No mesmo ano, Portugal também foi eleito pelaCondé Nast Traveller o melhor destino do mundo para se viajar.[191] Paisagem, gastronomia, praias e a simpatia da população foram os critérios usados para a escolha. A publicação ressaltou o "especial encanto que é visível nas tradições do país, com cidades que combinam a modernidade com o peso visível da História, paisagens e praias que nos reconciliam com a natureza".[192]

Em maio de 2014, o portal de viagens do jornal norte-americanoUSA Today elegeu o país como o melhor da Europa para passar férias.[193]

Os principais pontos turísticos de Portugal sãoLisboa,Fátima,Algarve eMadeira, mas o governo português continua a promover e desenvolver novos destinos turísticos, como o vale doDouro, a ilha dePorto Santo e oAlentejo. Em 2005, Lisboa foi a segunda cidade europeia, apenas atrás deBarcelona, que atraiu mais turistas, com sete milhões de dormidas nos hotéis da cidade.[194]

Vista deFunchal, naRegião Autónoma da Madeira, um importante destino turístico do país

Infraestrutura

Educação

Ver artigo principal:Educação em Portugal
Escola Secundária D. Filipa de Lencastre em Lisboa

A coordenação da política relativa ao sistema educativo compete aoMinistério da Educação e aoMinistério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.[195] A Constituição da República Portuguesa estabelece que todos têm direito ao ensino, com garantia do direito à igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar, determina que o Estado criará uma rede de estabelecimentos públicos de ensino que cubra as necessidades de toda a população e assegura a liberdade de aprender e de ensinar, garantindo o direito de criação de escolas privadas.[196] O ensino público tem, em regra, maior expressão que o ensino privado salvo no que se refere à educação pré-escolar.[197]

A taxa deanalfabetismo[k] apurada nos Censos de 2021, situava-se ainda em 3,1% (2,1% nos homens e 4,0% nas mulheres).[199] No ano letivo de 2014–2015, a taxa de escolarização atingia 98,3% no ensino básico, 89,5% na educação pré-escolar, 74,6% no ensino secundário e 31,4% no ensino superior.[200]

Osistema educativo é regulado pelaLei de Bases do Sistema Educativo, e compreende aeducação pré-escolar, aeducação escolar e aeducação extra-escolar.[201] A educação pré-escolar é universal para todas as crianças a partir do ano em que atinjam os 4 anos de idade.[202] A educação escolar compreende os ensinosbásico,secundário esuperior.[203][204]

Palácio das Escolas, sede daUniversidade de Coimbra, fundada em 1290 e uma dasuniversidades mais antigas do mundo ainda em funcionamento

O primeiro nível de ensino, oensino básico, tem uma duração de nove anos organizada em três ciclos: 1.º ciclo (1.º ao 4.º anos de escolaridade); 2.º ciclo (5.º e 6.º anos de escolaridade) e 3.º ciclo (7.º ao 9.º anos de escolaridade).[205] O nível seguinte, oensino secundário tem uma duração de três anos (10.º, 11.º e 12.º anos de escolaridade) e organiza-se num só ciclo. O ensino secundário organiza-se segundo formas diferenciadas, contemplando a existência de cursos predominantemente orientados para a vida activa ou para o prosseguimento de estudos.[206] A escolaridade obrigatória é de 12 anos, abrangendo os ensinos básico e secundário e inicia-se aos seis anos de idade.[207]

Oensino superior é constituído por dois subsistemas:universitário epolitécnico.[208] Na organização dos seus cursos foi adotado o modelo definido no âmbito doProcesso de Bolonha, através de um conjunto der alterações introduzidas pelas instituições de ensino superior entre os anos de 2006 e 2009.[209] O ensino universitário é ministrado emuniversidades,institutos universitários e também em escolas universitárias não integradas em universidades.[210] Nas universidades e institutos universitários são conferidos os graus académicos delicenciado,mestre edoutor. Nas escolas universitárias não integradas em universidades são conferidos apenas os graus de licenciado e de mestre.[211] As universidades têm formas diversas de organização. Na organização tradicional as suas unidades orgânicas denominam-se, em regra,faculdades e, nalguns casos,institutos ouescolas.[212] A primeira universidade portuguesa foi criada em 1290, aUniversidade de Coimbra, estabelecida primeiramente emLisboa antes de se fixar definitivamente emCoimbra a partir de 1537.[213] No ano letivo de 2015–2016, a maior universidade portuguesa, considerando como indicador o número de alunos, era aUniversidade de Lisboa, com 49 225 estudantes inscritos.[214]

O ensino politécnico é ministrado eminstitutos politécnicos, constituídos por duas ou mais escolas, em escolas politécnicas integradas em universidades e também em escolas politécnicas não integradas.[215] No ensino politécnico são conferidos os graus académicos delicenciado e demestre.[216] As unidades orgânicas de ensino politécnico denominam-se, em regra, escolas, e nalguns casos institutos.[217] No ano letivo de 2015–2016, o maior instituto politécnico, considerando como indicador o número de alunos, era oInstituto Politécnico do Porto, com 17988 estudantes inscritos.[214]

Saúde

Ver artigo principal:Saúde em Portugal

O sistema desaúde português é caraterizado por três sistemas coexistentes: oServiço Nacional de Saúde (SNS), os regimes de seguro social de saúde especiais para determinadas profissões (subsistemas de saúde) e seguros de saúde de voluntariado privados. O SNS oferece uma cobertura universal.[218] Além disso, cerca de 25% da população é coberto por subsistemas de saúde, 10% em seguros privados e outros 7% em fundos mútuos.[219]

OMinistério da Saúde é responsável pelo desenvolvimento da política da saúde, bem como de gerir o SNS. Cinco administrações regionais de saúde são responsáveis pela execução dos objetivos da política nacional de saúde, desenvolvimento de orientações eprotocolos e supervisionar a prestação de cuidados de saúde. Os esforços para a descentralização têm-se destinado a transferir a responsabilidade financeira e degestão a nível regional.[219] Na prática, porém, a autonomia das administrações regionais de saúde sobre definição de orçamento e das despesas foi limitada aos cuidados primários. O SNS é predominantemente financiado através de uma tributação geral. As contribuições dos empregadores (incluindo oEstado) e dos empregados representam as principais fontes de financiamento dos subsistemas de saúde. Além disso, os pagamentos diretos pelo paciente e os prémios de seguros voluntários de saúde representam uma grande percentagem de financiamento.[219]

Semelhante aos outros países da Europa, em Portugal a maioria da população morre comdoenças não transmissíveis.[219] A mortalidade devido adoenças cardiovasculares (DCV) é maior do que naZona Euro, mas as suas duas principais componentes, a doença cardíaca e adoença cerebrovascular, mostram as tendências em relação inversa com a Europa, com a doença cerebrovascular sendo a maior causa de morte em Portugal (17%).[219] Doze por cento da população morre decancro com menos frequência do que na Europa, mas não diminui a taxa de mortalidade tão rapidamente como na Europa. O cancro é mais frequente entre as crianças, bem como entre as mulheres mais jovens, com idade inferior a 44 anos. Embora ocancro do pulmão (lentamente aumentando entre as mulheres) e ocancro da mama (diminuindo rapidamente) não afetem tanto, ocancro do colo do útero e dapróstata são mais frequentes. Portugal tem a mais alta taxa de mortalidade pordiabetes na Europa, com um aumento acentuado desde os finais da década de 1980.[219]

Em Portugal, ataxa de mortalidade infantil caiu acentuadamente desde a década de 1980, quando 24 em cada mil nascimentos morriam no primeiro ano de vida. Agora, é cerca de 3 mortes por cada mil nascimentos. Esta melhoria deveu-se principalmente à diminuição da mortalidade neonatal, de 15,5 para 3,4 por cada mil nados-vivos.[219] De acordo com o últimoRelatório de Desenvolvimento Humano, a média devida em 2006 foi de 77,9 anos.[219]

Ciência e tecnologia

Ver artigo principal:Ciência e tecnologia em Portugal

As atividades de investigaçãocientífica etecnológica em Portugal são sobretudo conduzidas no âmbito de uma rede de unidades deI&D pertencentes a universidades públicas e estatais de gestão autónoma de investigação, em instituições como o INEGI —Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial,INESC — Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores ou INETI —Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação. O financiamento deste sistema de investigação é conduzido principalmente sob a autoridade doMinistério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.[220]

As maiores unidades de I&D das universidades públicas, em número significativo de publicações, que alcançou o reconhecimento internacional, incluem instituições de investigação de biociências como oInstituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, oInstituto de Medicina Molecular,[221] oCentro de Neurociências e Biologia Celular,[222] oIPATIMUP, e oInstituto de Biologia Molecular e Celular.[223] Dos centros de investigação notáveis apoiados pelo Estado, está oLaboratório Internacional Ibérico de Nanotecnologia, um esforço de investigação conjunta entre Portugal e Espanha. Entre as maiores instituições não estatais está oInstituto Gulbenkian de Ciência e aFundação Champalimaud,[224] que atribui anualmente um dos mais elevados prémios monetários do mundo relacionado com a ciência. Uma série de empresas nacionais e multinacionais de alta tecnologia, são também responsáveis por projetos de investigação e desenvolvimento. Uma das mais antigas academias de Portugal é aAcademia das Ciências de Lisboa.[225]

Portugal fez acordos com várias organizações científicas europeias com vista à plena adesão. Estas incluem aAgência Espacial Europeia (ESA), oLaboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), oITER, e oObservatório Europeu do Sul (ESO). Portugal tem entrado em acordos de cooperação com oMIT (EUA) e outras instituições norte-americanas, a fim de desenvolver e aumentar a eficácia do ensino superior e de investigação em Portugal.[226]

Comunicações e media

Ver artigo principal:Telecomunicações em Portugal
Centro de Produção daRádio e Televisão de Portugal (RTP) emChelas, inaugurado em 2007

O jornalAçoriano Oriental é o jornal mais antigo de Portugal e está entre os dez mais antigos do Mundo, tendo sido fundado a 18 de abril de 1835. Vários jornais têm surgido ao longo dos anos, sendo de destacar os jornaisO Século, oDiário de Notícias e oJornal de Notícias. Em Portugal, existem várias revistas nas bancas sobre os mais variados temas, sendo as que tratam os assuntos da vida social que tem mais leitores. Destas, aNova Gente, aCaras, aLux, aVIP e aFlash são as mais vendidas.[227]

Portugal tem uma das mais altas taxas de penetração detelemóveis no mundo, sendo que o número de aparelhos de comunicações móveis já ultrapassou o número da população total (à data de 2007, o número de utilizadores era de 13 413 milhões). Esta rede também oferece conexões sem fio àInternet móvel, e abrange todo o território. No final do primeiro trimestre de 2008 existiam em Portugal cerca de 1,713 milhões de utilizadores com acesso à Internet embanda larga móvel e cerca 1,58 milhões de acessos à Internet fixa, dos quais aproximadamente 1,52 milhões em banda larga. Pela primeira vez, o número de utilizadores de banda larga móvel ultrapassou o número de clientes de banda larga fixa.[228]

A maioria dos portugueses assiste àtelevisão através de cabo. Tendo em conta os crescimentos em ambas as tecnologias, no final do primeiro trimestre de 2008, os assinantes dos serviços de TV por subscrição suportados em redes de distribuição por cabo ousatélite (DTH) representavam cerca de 36,2 por cento dos alojamentos, mais 1 ponto percentual do que no trimestre anterior. A penetração destes serviços continua a ser superior à média nas Regiões Autónomas (que também verificaram crescimentos significativos).[229]

Por iniciativa do Governo, a constituição daRádio e Televisão de Portugal (RTP), SARL é feita a 15 de dezembro de 1955. Em 1975, a RTP foi nacionalizada, transformando-se na empresa pública Radiotelevisão Portuguesa, mais tarde Rádio e Televisão de Portugal.[230] Nos finais do século, o Estado concedeu licença para a criação de duas estações de televisão:Sociedade Independente de Comunicação[231] (1992) eTelevisão Independente[232] (1993). Em 2011, estes eram os únicos quatro canais em sinal aberto existentes em Portugal. Para além dos canais nacionais, existem dois regionais:RTP Açores (1975)[233] eRTP Madeira (1972).[234] A RTP mantém três emissoras derádio:Antena 1,Antena 2 eAntena 3.[235] Para além destas, existem emissoras privadas, sendo as mais conhecidas e antigas, aRádio Renascença,[236] aRádio Comercial e oRádio Clube Português.[237]

Energia

Ver artigo principal:Eletricidade em Portugal
Parque eólico emAboim, no município deFafe

Portugal é um país altamente deficitário em termos energéticos. Em 2019, o país importou 74% da energia total que consumiu, uma das maiores taxas entre os membros daAgência Internacional de Energia.[238] Relativamente à produção de eletricidade, Portugal produziu, em 2005, 85% da eletricidade que consumiu (importando os restantes 15%).[239] A produção doméstica total nesse mesmo ano foi 4 657 GW•h repartida do seguinte modo em termos das fontes utilizadas: não renováveis — 80,8% (carvão — 32,7%,gás natural — 29,2%,petróleo — 18,9%); renováveis — 19,2% (hidroelétrica — 11%,eólica — 3,8%,biomassa — 3,0%, outras — 1,4%).[239]

Contudo, pela primeira vez na sua história, Portugal, nos primeiros 5 meses de 2010, teve uma balança comercial de energia elétrica positiva, exportando mais energia que a que importou (982 GW•h contra 946 GW•h).[240] ABarragem de Alqueva, no Alentejo — servindo a irrigação dos campos e gerando energia hidroelétrica, que criou o maior lago artificial na região ocidental daEuropa e foi um dos maiores projetos de investimento do país.[241]

ABarragem de Castelo do Bode, uma das mais importanteshidrelétricas do país

Em 2007, foi inaugurada uma das maiores centrais deenergia solar fotovoltaica do mundo (11 MW), emBrinches, concelho deSerpa.[242] Paralelamente a primeira exploração comercial do mundo daenergia das ondas do mar entrou em funcionamento em setembro de 2008, 5 km ao largo deAguçadoura, concelho dePóvoa de Varzim.[243]

Em 2016, Portugal passou quatro dias consecutivos a utilizar apenasenergia renovável[244][245] e assinou acordo internacional para comércio de energia renovável comMarrocos,Espanha,França eAlemanha.[246] Em 2021, Portugal tinha, em energia elétrica instalada, 7 241 MW emenergia hidroelétrica (27º maior do mundo), 5 248 MW emenergia eólica (18º maior do mundo), 1 801 MW emenergia solar (32º maior do mundo), e 666 MW embiomassa, além de outras fontes.[247]

Água e saneamento

Estação de tratamento de água emBragança

Antes de 1993, a situação global dos serviços de abastecimento público de água e saneamento de águas residuais em Portugal era bastante deficiente e apresentava dificuldades em responder aos novos desafios impostos pelaUnião Europeia.[248]

Portugal possui serviços de abastecimento de água e de drenagem e tratamento de águas residuais em geral modernos, fiáveis e com garantia de qualidade de serviço aceitável. Em 2009 e segundo os últimos dados disponíveis, as taxas de cobertura dos serviços eram de 94% para o serviço de abastecimento de água e de 80% e 72% para a drenagem de águas residuais e para o tratamento de águas residuais, respetivamente (INSAAR).[249] No que respeita à qualidade da água para consumo humano, Portugal dispõe de água de abastecimento público com qualidade elevada. Cerca de 98% da água para consumo humano é controlada e de boa qualidade, segundo os padrões nacionais e europeus.[250]

Transportes

Ver artigo principal:Transportes em Portugal
UmA320 daTAP Portugal

Os transportes foram encarados como uma prioridade na década de 1990, sobretudo devido ao aumento da utilização de veículos automóveis e à industrialização. Portugal foi um dos primeiros países do Mundo a ter umaautoestrada, inaugurada em 1944, ligandoLisboa aoEstádio Nacional, a futura Autoestrada Lisboa-Cascais (atualA5). No entanto, apesar de terem sido posteriormente construídos alguns outros troços nas décadas de 1960 e 1970, só no final da década de 1980 foi iniciada a construção de autoestradas em grande escala. Hoje em dia a rede de autoestradas portuguesas é bastante desenvolvida e percorre quase todo o território, ligando todo o litoral e as principais cidades do interior, numa extensão total de aproximadamente 3 000 km. Há ainda os Itinerários Principais (IP) e osItinerários Complementares (IC) que podem ser constituídos por autoestradas, vias rápidas (estrada destinada apenas a tráfego motorizado, com cruzamentos desnivelados e de acesso restrito a nós de ligação) eestradas nacionais. O país tem 82 900 km de rede de estradas, dos quais 71 294 km são pavimentadas e 2 613 km fazem parte de um sistema deauto-estradas.[184] Destes, cerca de 1 700 km requerem o pagamento deportagens.[251]

As duas principais áreas metropolitanas têm sistemas demetropolitano: oMetropolitano de Lisboa e oMetro Sul do Tejo, naÁrea Metropolitana de Lisboa, e oMetro do Porto, naÁrea Metropolitana do Porto, cada uma com mais de 35 quilómetros de linhas.[252][253]

VLT doMetro do Porto a cruzar aPonte de D. Luís

O transporte ferroviário de passageiros e mercadorias é feito utilizando os 3 319 km de linhas ferroviárias em serviço, dos quais 1 430 encontram-se eletrificados e aproximadamente 900 permitem velocidades de circulação superiores aos 120 quilómetros por hora (dados de 2008).[184][254] A rede ferroviária é gerida pelaInfraestruturas de Portugal (IP) enquanto que os transportes de passageiros e mercadorias são da responsabilidade daComboios de Portugal (CP), ambas empresas públicas. Em 2006 a CP transportou 133 milhões de passageiros e 9,75 milhões de toneladas de mercadorias.[255]

Lisboa tem uma posição geográfica que a torna num ponto de escala para muitas companhias aéreas estrangeiras nos aeroportos em todo o país. Em 2010, o Governo estava a estudar o projeto para a construção de um novo Aeroporto Internacional emAlcochete, para substituir o atual aeroporto da Portela, em Lisboa. Em 2011 o país possuía cerca de 65 aeroportos,[184] sendo os mais importantes deLisboa (Portela),hub daTAP Air Portugal,[256]Faro,Porto (Francisco Sá Carneiro),Funchal (Madeira) ePonta Delgada (João Paulo IIAçores).[257] Os principaisportos de Portugal sãoLeixões,Lisboa,Setúbal eSines. O país também possui cerca de 210 quilómetros dehidrovias.[184]

Ponte Vasco da Gama, sobre oRio Tejo, a maior daEuropa, com mais de 17 quilómetros de extensão.[258]

Cultura

Ver artigo principal:Cultura de Portugal
O Fado, pintura do artista portuguêsJosé Malhoa

Portugal desenvolveu uma cultura específica, influenciada por várias civilizações que cruzaram oMediterrâneo e ocontinente europeu, ou foram introduzidos quando a nação desempenhou um papel ativo durante aEra dos Descobrimentos.[259]

Nas décadas de 1990 e 2000, Portugal modernizou os seus equipamentos culturais públicos, além da criação, em 1956, daFundação Calouste Gulbenkian, emLisboa. Estes incluem oCentro Cultural de Belém, em Lisboa, aFundação de Serralves e aCasa da Música, noPorto, bem como novos equipamentos culturais públicos como bibliotecas municipais e salas de concerto que foram construídos ou renovados em muitos municípios por todo o país.[260]

Música e dança

Ver artigo principal:Música de Portugal
Ver também:Fado
Amália Rodrigues em 1969

A música tradicional portuguesa é variada e muito rica. Dofolclore fazem parte as danças do vira, do Minho, dosPauliteiros de Miranda, da zona mirandesa, doCorridinho do Algarve ou do Bailinho, da Madeira. Instrumentos típicos são ocavaquinho, agaita-de-foles, oacordeão, oviolino, ostambores, aguitarra portuguesa (instrumento caraterístico dofado) e uma variedade de instrumentosde sopro epercussão. Ainda na cultura popular existem asbandas filarmónicas que representam cada localidade e tocam vários estilos de música, desde a popular à clássica, sendo as bandas portuguesas das que melhor qualidade artística têm.[261]

O mais conhecido estilo demúsica português é ofado, cuja intérprete mais célebre foiAmália Rodrigues. Outros cantores comoAlfredo Marceneiro,Vicente da Câmara,Nuno da Câmara Pereira,Frei Hermano da Câmara,António Pinto Basto eHermínia Silva também se distinguiram como fadistas. No entanto, o Fado tem também nos últimos anos assistido ao aparecimento de jovens cantores que atingem grande êxito, comoRicardo Ribeiro,Cristina Branco,Camané,Mariza,Ana Moura,Mafalda Arnauth eMísia, entre outros, bem como de jovens guitarristas comoBernardo Couto. Recentemente, através dosMadredeus e de cantores como Mariza ouDulce Pontes, a música portuguesa tem atingido um patamar de reconhecimento internacional e tem ajudado a divulgar alíngua portuguesa em todo o mundo.[262] A nível de instrumentistas merece realce a carreira e composições do guitarristaCarlos Paredes, o mais conhecido mestre deguitarra portuguesa.[263]

Salvador Sobral, vencedor doFestival Eurovisão da Canção 2017

Referências da canção de finais doséculo XX (principalmente do período pré e pós-revolucionário) sãoZeca Afonso,Sérgio Godinho,Fausto,Adriano Correia de Oliveira,Vitorino,José Mário Branco, osTrovante, entre outros. Mesmo sendo ainda o fado o género mais conhecido além-fronteiras, a "nova" música portuguesa também tem um papel importante, demonstrando grande originalidade.Rui Veloso,The Gift,Mafalda Veiga,Kátia Guerreiro,Sara Tavares,Jorge Palma,Clã,David Fonseca,GNR,Ornatos Violeta,Xutos & Pontapés,Moonspell,Da Weasel,Primitive Reason,Deolinda,Mão Morta,Blasted Mechanism eMind Da Gap são apenas alguns dos nomes mais conhecidos, indo dorock, àpop-eletrónica e aorap, entre outros estilos.[264] ComSalvador Sobral, Portugal venceu em 2017 oFestival Eurovisão da Canção em Kiev.[265]

Amúsica erudita portuguesa constitui um capítulo importante da música ocidental. Ao longo dos séculos, sobressaíram nomes de compositores e intérpretes como os trovadoresMartim Codax eD. Dinis, os polifonistasDuarte Lobo,Filipe de Magalhães,Manuel Cardoso ePedro de Cristo, o organistaManuel Rodrigues Coelho o compositor e cravistaCarlos Seixas, a cantoraLuísa Todi, o sinfonista e pianistaJoão Domingos Bomtempo ou o compositor e musicólogoFernando Lopes Graça. O período de ouro da música portuguesa coincidiu, discutivelmente, com o apogeu da polifonia clássica noséculo XVII (Escola deÉvora,Santa Cruz de Coimbra). Entre as grandes referências atuais, pontificam os nomes dos pianistasArtur Pizarro,Maria João Pires,Olga Prats eSequeira Costa, da violetistaAnabela Chaves, do violinistaCarlos Damas, do compositorEmmanuel Nunes, do compositor e maestroÁlvaro Cassutto. As orquestras sinfónicas mais importantes são a Orquestra daFundação Gulbenkian, aOrquestra Nacional do Porto e aOrquestra Sinfónica Portuguesa. No que diz respeito à ópera, oTeatro Nacional de São Carlos em Lisboa é o mais representativo.[264]

Literatura

Ver artigo principal:História da literatura em Portugal
Fernando Pessoa, um dos melhores escritores dacivilização ocidental

Aliteratura portuguesa, uma das primeiras literaturasocidentais, desenvolveu-se através de texto e música. Até 1350, os trovadores galego-portugueses espalharam a sua influência literária para a maior parte daPenínsula Ibérica.[266]Gil Vicente (1465–1536), foi um dos fundadores das tradições dramáticas portuguesa e espanhola.[267][268]

Aventureiro e poeta,Luís de Camões (1524–1580) escreveu o poema épicoOs Lusíadas, com aEneida deVirgílio como sua principal influência. A poesia moderna portuguesa está enraizada nos estilos neoclássico e contemporâneo, como exemplificado porFernando Pessoa (1888–1935).[267][268]

Aliteratura moderna portuguesa é representada por autores comoAlmeida Garrett,Camilo Castelo Branco,Eça de Queirós,Sophia de Mello Breyner Andresen,António Lobo Antunes eMiguel Torga. Com um estilo particularmente popular e distinto estáJosé Saramago, vencedor do prémioNobel da Literatura em 1998.[267][268]

José Saramago, vencedor do prémioNobel da Literatura em 1998

Na literatura portuguesa, é eminente apoesia, estando entre os maiores poetas portugueses de todos os temposLuís de Camões eFernando Pessoa, aos quais se pode acrescentarBocage,Antero de Quental,Eugénio de Andrade,Sophia de Mello Breyner Andresen,Florbela Espanca,Cesário Verde,António Ramos Rosa,Mário Cesariny,Herberto Helder,Al Berto,Alexandre O'Neill eRuy Belo, entre outros.[267][268]

Naprosa,Damião de Góis, oPadre António Vieira,Almeida Garrett,Miguel Torga,Fernando Namora,Nuno Bragança,José Cardoso Pires,António Lobo Antunes. No teatro, têm destaque, para além da figura maior deGil Vicente,António José da Silva — dito "o Judeu" — eBernardo Santareno.[267][268]

Gastronomia

Ver artigo principal:Gastronomia de Portugal

A gastronomia é muito rica em variedade e do agrado de nacionais e estrangeiros em geral. Cada zona do país tem os seus pratos típicos, incluindo os mais diversificados alimentos, passando pelas carnes degado,carneiro,porco eaves pelos variadosenchidos, pelas diversas espécies depeixe fresco (sardinha e carapau) emarisco. O bacalhau é dos peixes mais consumidos, existindo imensos pratos à base deste peixe. Entre osqueijos sobressaem os daSerra da Estrela, deAzeitão e deSão Jorge, entre muitos outros.[269][270]

Pastéis de nata

Portugal é um país fortementevinícola, sendo célebres os vinhos doDouro, doAlentejo e doDão, osvinhos verdes doMinho, e os licorosos doPorto e daMadeira. Na doçaria, entre uma enorme variedade de receitas tradicionais, são muito famosos os chamadosPastéis de nata (ou pastéis de Belém, assim denominados na região de Lisboa apenas, mantendo-se o segredo da sua confeção bem guardado), assim como osovos moles de Aveiro, opastel de Tentúgal, a sericaia ou oPão de Ló de Ovar, e as Tíbias na cidade de Braga a par de muitos outros.[269][270] Muita da doçaria foi criada nos antigos conventos.

Entre os pratos típicos são de destacar ocozido à portuguesa, obacalhau à Brás,à Gomes de Sá ou empastéis, as espetadas da Madeira, o cozido vulcânico dos Açores (São Miguel), oleitão assado à moda da Bairrada osrojões deAveiro e doMinho, achanfana da Beira, a carne de porco à alentejana, os peixes grelhados muito consumidos no litoral, astripas (da região do Porto), aspataniscas (da região deLisboa) ou ogaspacho (do Alentejo e Algarve). A cozinha portuguesa influenciou também outras gastronomias, tais como ajaponesa, com a introdução datempura.[269][270]

Arquitetura

Ver artigo principal:Arquitetura de Portugal
Vista exterior daCasa da Música, noPorto, edifício cuja arquietura foi aclamada internacionalmente[271]

Após um períodoromânico que vigorou até aoséculo XIII, vão surgindo monumentos de estilo gótico com destaque para oMosteiro da Batalha. Portugal destacou-se pelo desenvolvimento domanuelino, umgótico tardio financiado pelos chamadosdescobrimentos, caraterizado pela profusão de elementos marítimos.[272] De destacar também oestilo pombalino com início na segunda metade doséculo XVIII, com grande expressão em Lisboa na chamadabaixa pombalina.[273]

A arquitetura popular marcou a arquitetura dos anos 1950, no chamado "Português Suave" que prevaleceu até ao final doSalazarismo.[274] A arquitetura contemporânea portuguesa contrapõe tradições à intenção de inovar, desenvolvida por várias gerações desde meados doséculo XX até aos nossos dias.Álvaro Siza (prémio Pritzker),Fernando Távora,Eduardo Souto de Moura (prémio Pritzker),Raul Hestnes Ferreira,Rui Jervis Atouguia,Jorge Ferreira Chaves,Francisco Conceição Silva,Keil do Amaral,Cassiano Branco,Pancho Guedes,Francisco Castro Rodrigues,Manuel Tainha,Vítor Figueiredo,Gonçalo Byrne eTomás Taveira são alguns dos mais notáveis arquitetos portugueses da época contemporânea.[275][276][277]

Desporto

Ver artigos principais:Desporto em Portugal ePortugal nos Jogos Olímpicos
Cerimónia de abertura doCampeonato Europeu de Futebol de 2004 (UEFA), noEstádio do Dragão, noPorto

Ofutebol é o mais conhecido e praticado desporto em Portugal.[278] O antigo jogadorEusébio é ainda um grande símbolo da História dofutebol português[279] e os mais recentes fenómenos de popularidadeLuís Figo,Vítor Baía,Rui Costa,João Vieira Pinto,Pedro Pauleta eCristiano Ronaldo, estão entre os numerosos exemplos de outros futebolistas de renome mundial nascidos em Portugal. Alguns dos chamados clubes históricos são oSport Lisboa e Benfica, oSporting Clube de Portugal, oFutebol Clube do Porto, conhecidos como "Os Três Grandes",[280] todos campeões daLiga Portuguesa de Futebol inúmeras vezes.Belenenses eBoavista são os dois outros clubes que já ganharam o o campeonato português, ambos por uma vez. UltimamenteSporting Clube de Braga eVitória Sport Clube têm vindo a ganhar popularidade a nível europeu e internacional.[281][282]

Algumas das modalidades desportivas em que o país mais se destaca a nível internacional além dofutebol são: avela, aequitação, ojudo, ociclismo, otriatlo, acanoagem, ohóquei em patins, oatletismo, otiro, osurf, aginástica acrobática, oténis de mesa, otaekwondo e oténis. Portugal participou em todos osJogos Olímpicos de Verão desde osJogos de 1912,[283] tendo ganho quatro medalhas de ouro em atletismo (Carlos Lopes nosJogos de 1984,[284]Rosa Mota nosJogos de 1988,[285]Fernanda Ribeiro nosJogos de 1996[286] eNelson Évora nosJogos de 2008[287]) e numerosas medalhas de prata e bronze nos restantes desportos.[288]

Feriados

Ver artigo principal:Feriados em Portugal
Festejos deAno-Novo noPorto
Portugueses emLisboa a celebrar o 25 de Abril, em comemoração daRevolução dos Cravos
Terreiro do Paço, emLisboa,Portugal em época natalícia
Comemorações daPáscoa emProença-a-Velha
DataNomeObservações[289]
1 de JaneiroSolenidade de Santa Maria, Mãe de DeusCelebra afesta de Santa Maria, mãe de Deus, sendo a primeira grande festa dos cristãos. Celebra ainda aPassagem de ano (início do novo ano) e o Dia Mundial da Paz.
Terça-feira,festa móvelEntrudoFeriado facultativo, sendo rara a sua não utilização na prática. A data tem origem na tradição de antes de se iniciar a Quaresma, haver uma época de maior exagero e menos temperança. É conhecido por Carnaval.
Sexta-feira,festa móvelSexta-Feira SantaCelebra a Paixão e Morte deJesus Cristo emJerusalém. Este dia é geralmente marcado pela recriação da Via-Sacra em diversas localidades.
Domingo,festa móvelPáscoaSendo celebrado a um Domingo, não é classificado como feriado oficial. As tradições gastronómicas da Páscoa variam muito entre as diversas regiões do país desde o pão-de-ló aofolar. Em algumas regiões, a tradição doCompasso ainda se mantém mesmo nas grandes cidades quando um pequeno grupo visita cada casa com um crucifixo e onde é feita uma pequena cerimónia de bênção da casa. Também é altura da segunda visita tradicional dos afilhados solteiros aos respectivos padrinhos para receberem a prenda de Páscoa, tradicionalmente, o Folar.
25 de AbrilDia da LiberdadeCelebração daRevolução dos Cravos que marcou o fim do regime ditatorial em 1974.
1 de MaioDia do TrabalhadorEste feriado celebra todos os trabalhadores, no dia deSão José Operário, padroeiro dos trabalhadores. Celebra-se ainda a festa dasMaias
Quinta-feira,festa móvelCorpo de DeusSegunda quinta-feira a seguir à Festa de Pentecostes (Espírito Santo). Celebra o culto à Eucaristia, e está arraigado desde a Idade Média.
10 de JunhoDia de PortugalOficialmenteDia de Portugal, de Camões, e das Comunidades Portuguesas. A data do falecimento deLuís Vaz de Camões em 1580 e o dia doSanto Anjo da Guarda de Portugal é utilizada para relembrar os feitos passados e a essência espiritual na forma de arcanjo que protege a nação portuguesa. É costume, neste dia, condecorar os heróis nacionais.
15 de AgostoAssunção de Nossa SenhoraEste feriado celebra a Assunção da Virgem Maria ao Céu. É uma das festas mais antigas da Cristandade, e na Península Ibérica era chamada a Senhora de Agosto.
5 de OutubroImplantação da RepúblicaEste feriado celebra aProclamação da República Portuguesa, em 1910. Relembra-se ainda aFundação de Portugal, com a assinatura doTratado de Zamora, em 1143.
1 de NovembroTodos os SantosCelebra todos os santos e mártires cristãos. Tradicionalmente é utilizado para recordar entes falecidos, celebra, no entanto, todos os santos cristãos, já que os defuntos se celebram no dia a seguir,2 de Novembro.
1 de DezembroRestauração da IndependênciaCelebra a restauração da soberania, em 1640 e oDia da Bandeira.
8 de DezembroNossa Senhora da ConceiçãoPadroeira de Portugal desde 1646. É uma das maiores festas cristãs; até há alguns anos, era também o chamado Dia da Mãe. O arquétipo popular (celebração da Senhora da Conceição ou Concepção, isto é, da Maternidade) é diferente do conceito teológico oficial (afirmação de Maria como também tendo nascido sem cópula carnal de seus pais).
25 de DezembroNatal do SenhorCelebra o nascimento de Jesus Cristo, em Belém. A noite de 24 para 25, vulgarmente chamada deConsoada, é marcada pelaMissa do Galo. É também marcada pela gastronomia típica desta época, pelos jantares em família e pela troca de presentes, que pode efectuar-se logo após o jantar, após a meia-noite ou na manhã do dia 25.

Notas e referências

Notas

  1. A língua oficial da República Portuguesa é o português (parágrafo 3 do artigo 11.° daConstituição da República Portuguesa). São ainda reconhecidas e protegidas oficialmente: omirandês, no concelho deMiranda do Douro (Lei n.º 7/99, de 29 de janeiro de 1999), alíngua gestual portuguesa (Artigo 74.º, parágrafo 2, alínea h), daConstituição da República Portuguesa — revisão de 1997) e obarranquenho, no concelho deBarrancos (Lei n.º 97/2021, de 30 de dezembro de 2021).
  2. OPresidente da República é o chefe supremo das Forças Armadas (Marinha, Exército e Força Aérea), representa o país internacionalmente e promulga as leis para oDiário da República.
  3. O conceito atual dedeclaração de independência não existia na época. Nem o de reconhecimento. Portugal foi reconhecido como um reino com o seu próprio Rei, em1179, com abula papalManifestis Probatum, autoridade que, na época, atuava como árbitro da comunidade internacionalRes publica christiana.
  4. Antes de 2002:Escudo
  5. NosAçores o fuso horário éUTC-1, sendo ohorário de VerãoUTC(0)
  6. Portugal passou a ter oHorário da Europa Central e oHorário de Verão da Europa Central em 1992, mas regressou àHora da Europa Ocidental em 1996, concluindo que o anterior horário poderia criar distúrbios nos hábitos de sono das crianças, ao não estar escuro pelas 22h00 ou 22h30 nas noites de Verão, com repercussões no desempenho escolar e que as companhias de seguro reportavam um elevado número de acidentes. OHorário de Verão em Portugal foi adotado em 1916, sendo que desde então não houve Horário de Verão em 14anos. O período de vigência foi bastante variado até 1997, quando oParlamento Europeu uniformizou oHorário de Verão na Europa. O Horário de Verão em Portugal vigora desde o últimodomingo de março até ao último domingo de outubro e corresponde aoHorário de Verão da Europa Ocidental.
  7. EmMacau, até à entrega àChina, também .mo. EmTimor-Leste, até à independência em 2002, também .tp.
  8. Emmirandês:Pertual eRepública Pertuesa.
  9. Os Estados-membros daUnião Europeia transferiram parte da sua soberania na forma de poderes legislativos, executivos e judiciais para as instituições da UE, o que perfaz um exemplo desupranacionalidade, veja-seEuropa, informação recolhida a 28 de fevereiro de 2011
  10. De facto, a presente população portuguesa apresenta caraterísticas que não só a marcam como uma população ibérica paleolítica, mas também como uma população, conjuntamente com os bascos, relativamente isolada de grandes influências mediterrânicas, bem como com um nível de especificidades tais que apontam para umEfeito fundador ("The Portuguese have a characteristic unique among world populations: a high frequency of HLA-A25-B18-DR15 and A26-B38-DR13, which may reflect a still detectable founder effect coming from ancient Portuguese").[105]
  11. O conceito estatístico de analfabeto adotado pelo Instituto Nacional de Estatística de Portugal é o seguinte: Analfabeto é o indivíduo com 10 ou mais anos que não sabe ler nem escrever, isto é, incapaz de ler e compreender uma frase escrita ou de escrever uma frase completa.[198]

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  205. Cf. artigos 6.º e 8.º da Lei de Bases do Sistema Educativo.
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  210. Cf. artigo 5.º da Lei n.º 62/2007, de 10 de setembro.
  211. Cf. n.ºs 2 e 3 do artigo 6.º da Lei n.º 62/2007, de 10 de setembro.
  212. Cf. n.º 4 do artigo 13.º da Lei n.º 62/2007, de 10 de setembro.
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  215. Cf. n.ºs 5 e 6 do artigo 13.º da Lei n.º 62/2007, de 10 de setembro.
  216. Cf. n.º 2 do artigo 7.º da Lei n.º 62/2007, de 10 de setembro.
  217. Cf. n.º 5 do artigo 13.º da Lei n.º 62/2007, de 10 de setembro.
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