Trabalhou como crítico e historiador de cinema desde a década de 1960, tendo entrevistado muitos cineastas/realizadores do meio, bem como atores e atrizes dentre os quaisAlfred Hitchcock,Allan Dwan,John Ford,Howard Hawks, e muitos outros. Estas entrevistas renderam-lhe vários livros e documentários. Foi amigo pessoal de diversos destes profissionais, inclusive deOrson Welles, o qual lhe concedeu várias entrevistas que foram reunidas no livro "Este é Orson Welles" (This is Orson Welles).
Peter Bogdanovich é filho de imigrantes fugitivos daEuropa dominada pelonazismo: seu pai, Borislav Bogdanovich (1899-1970) era pintor e pianistasérvio, e sua mãe, Herma Robinson Bogdanovich (1918-1979), era filha de uma família rica dejudeusaustríacos.
Estudou atuação com a professora e atrizStella Adler, por volta de 1955. No início dos anos 60, Bogdanovich começou a programar festivais de cinema para oMuseu de Arte Moderna de Nova Iorque. Um espectador obsessivo defilmes, quando jovem chegou a assistir a mais de quatrocentos filmes em um ano. Bogdanovich tirou do esquecimento e revalorizou o trabalho de cineastas americanos comoJohn Ford, sobre quem escreveu um livro, baseado em suas notas tomadas enquanto produzia a retrospectiva sobre o diretor no MoMa; sobre o subestimadoHoward Hawks, e também deu atenção aos pioneiros do cinema americano, até então ignorados, comoAllan Dwan.
Bogdanovich foi influenciado pelos críticos franceses dos anos 50 da revistaCahiers du Cinéma, especialmente pelo diretor, atuando especialmente como crítico,François Truffaut. Antes de Bogdanovich tornar-se ele mesmo um diretor, construiu uma reputação como um crítico de cinema na revistaEsquire. Em 1968, seguindo os exemplo dos críticos doCahiers du Cinéma como Truffaut,Jean-Luc Godard,Claude Chabrol, eÉric Rohmer, os criadores daNouvelle Vague("Nova Onda"), que faziam seus próprios filmes, Bogdanovich decidiu tornar-se um diretor. Ele e sua esposaPolly Platt fizeram as malas e partiram paraLos Angeles. Pretendendo penetrar na indústria do cinema, a persistência de Bogdanovich foi recompensada quando passou a ser convidado para as festas e premiéres de filmes da indústria cinematográfica. Durante uma exibição, Bogdanovich conseguiu conversar com o diretorRoger Corman. Corman declarou que havia gostado de um artigo que Bogdanovich havia escrito para a revista Esquire. Durante a conversa Corman ofereceu a ele um emprego como diretor, que foi aceito. Trabalhou com Corman emTargets eVoyage to the Planet of Prehistoric Women. Bogdanovich, mais tarde, disse sobre o estilo de dirigir de Corman: "Eu fui da lavanderia até a direção do filme em três semanas. Ao todo, trabalhei vinte e duas semanas - pré-produção, filmagem, segunda unidade, corte, dublagem - nunca havia aprendido tanto até então".
Retornando ao jornalismo, Bogdanovich iniciou uma amizade de muitos anos comOrson Welles, ao entrevistá-lo no set de filmagem do filme deMike Nichols,Catch-22. Bogdanovich desempenhou um papel crucial em elucidar Welles e sua carreira de roteirista e ator-diretor, em seu livroThis is Orson Welles (1992). No início dos anos 70, quando Welles teve problemas financeiros, Bogdanovich o acolheu em sua mansão em Bel Air por um período de dois anos.
O cineasta, então com 32 anos, foi aclamado pelos críticos como um garoto-prodígio, nos moldes deOrson Welles, ao realizar seu filme mais conhecido,The Last Picture Show, em 1971. O filme recebeu oito indicações aoOscar, incluindo Melhor Diretor para Bogdanovich e Melhor Filme. Ganhou duas estatuetas:Cloris Leachman eBen Johnson nas categorias de Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Ator Coadjuvante.Cybill Shepherd, que interpretou o papel de Jacy Farrow, e Bogdanovich, apaixonaram-se durante as filmagens. O caso ocasionou o seu divórcio com Polly Platt, colaboradora de longa data e mãe de seus dois filhos.
Lua de Papel, uma comédia ambientada na era daGrande Depressão americana, era estrelada por Ryan O'Neal. Sua filhaTatum O'Neal, então com dez anos de idade, integrante do elenco, ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, e o filme marcou um dos melhores momentos da carreira de Bogdanovich.
Forçado a dividir os ganhos com os seus amigos diretores, Bogdanovich ficou insatisfeito com o arranjo. The Directors Company produziu somente mais dois filmes,The Conversation (1974), de Coppola, eDaisy Miller, de Bogdanovich, que teve uma recepção fria da crítica.
Uma adaptação do romance deHenry James,Daisy Miller (1974), marcou o início do fim da carreira de Bogdanovich como um diretor popular. O filme, cuja personagem-título foi interpretado porCybill Shepherd, noiva do diretor, foi rejeitado pelos críticos e tornou-se um fracasso de bilheteria.
O filme seguinte de Bogdanovich, um roteiro original, cujo título foi retirado de uma canção deCole Porter,At Long Last Love (1975), protagonizado por Shepherd seria, na opinião dos críticos na época, um dos piores filmes já realizados. Esta película também foi um fracasso junto ao público, apesar de contar comBurt Reynolds, um astro do cinema na década de 1970.
Tentando novamente reviver técnicas antigas do cinema, Bogdanovich insistiu em filmar os números musicais deAt Long Last Love ao vivo/em direto, um processo que não era utilizado desde os primeiros dias dos filmes falados. A decisão foi muito ridicularizada já que ninguém no elenco era conhecido exatamente por suas habilidades musicais. (Bogdanovich produziu um disco, em 1974, mal-recebido pela crítica, no qualCibyll Shepherd cantava canções de Porter).
Bogdanovich voltou aos velhos triunfos e tradições do cinema comNo Mundo do Cinema (Nickelodeon) (1976), uma comédia que reconta os primeiros dias da indústria cinematográfica, que reuniu novamente no mesmo elenco Ryan eTatum O'Neal, além de Burt Reynolds. Aconselhado a não utilizar a impopular Shepherd no filme, Bogdanovich deu uma chance à novataJane Hitchcock, no papel da mocinha ingênua. Infelizmente, a magia dePaper Moon não se repetiu e o filme foi outro fiasco.
Depois de uma pausa de três anos, Bogdanovich voltou à cena com o filmeSaint Jack (1979), realizado para aPlayboy Productions, deHugh Hefner. O relacionamento de Bogdanovich e Shepherd havia terminado em 1978, mas a produção do filme era parte de um acordo judicial que Shepherd havia ganho contra Heffner, que havia publicado fotos da atriz nua na Playboy, "pirateadas" do filmeThe Last Picture Show.
Bogdanovich então lançou-se ao filme que seria o Waterloo de sua carreira,They All Laughed (1981), uma comédia de baixo custo, estrelada porAudrey Hepburn e a Miss Playboy de vinte anosDorothy Stratten. Durante as filmagens, Bogdanovich apaixonou-se por Stratten, que era casada com o empresário de modelos Paul Snider. Stratten decidiu abandonar Snider e juntar-se a Bogdanovich. Quando ela contou a Snider que ela estava o deixando, Snider a matou e em seguida suicidou-se.
They All Laughed teve distribuição comprometida devido à publicidade negativa causada pela morte trágica de Stratten, apesar de ser um dos poucos filmes em que Audrey Hepburn atuou depois de sua aposentadoria provisória em 1967 (seria o último filme em que a atriz atuaria no papel principal). Bogdanovich comprou os direitos sobre o negativo do filme, para que ninguém o visse, embora a produção tenha sido vista em um lançamento limitado e despertado uma reação fraca da crítica. O episódio fez com que Bogdanovich perdesse milhões de dólares, levando-o à falência. O cineastaQuentin Tarantino listou-o como um dos "Dez Melhores Filmes de Todos os Tempos", em 2002.
O cineasta voltou a escrever com a carreira no cinema em crise e começou pelas memórias de Dorothy,The Killing of the Unicorn: Dorothy Stratten (1960-1980), publicadas em 1984. O artigo sobre o assassinato de Stratten, escrito por Teresa Carpenter,Death of a Playmate, foi publicado na revistaThe Village Voice e ganhou oPrêmio Pulitzer em 1981. Embora Bogdanovich não tenha criticado o artigo de Carpenter em seu livro, a autora levantou sua voz contra ele e Hefner, alegando que Stratten era uma vítima dos dois tanto quanto fora de Snider. Em particular, ela criticou Bogdanovich por cultivar, em relação à Stratten, "uma preferência infantil por personagens ingênuos". O artigo de Carpenter serviu como base para o filme deBob FosseStar 80 (1983), no qual Bogdanovich foi retratado como um cineasta fictício, uma pessoa bondosa mas um tanto desorientada e ingênua.
Apesar de ter conseguido um sucesso moderado comMask de 1985, a sua sequência deThe Last Picture Show,Texasville de 1990, foi um fracasso de público e de crítica. Ambos os filmes foram objetos de disputa pois Bogdanovich ainda exigia maior controle sobre seus filmes mas os estúdios mantiveram em suas mãos o orçamento e a montagem de ambos.
Mask contou com trilha sonora deBob Seger, contra o desejo do cineasta que queriaBruce Springsteen. Quanto àTexasville, Bogdanovich frequentemente queixava-se que a versão exibida não era a que pretendia fazer. Uma versão de diretor deMask, ligeiramente mais longa e com as canções de Springteen, foi lançada em DVD em 2006. Outra, deTexasville, foi lançada emlaserdisc mas nunca em DVD. Na época das filmagens deTexasville, Bogdanovich também revisitou seu primeiro sucesso,The Last Picture Show, e acabou produzindo uma versão de diretor ligeiramente modificada. Desde esta época, esta versão é a única disponível do filme.
Bogdanovich dirigiu outros dois filmes na sequência:Noises Off, de 1992, que se tornou, anos depois, umcult movie, enquanto que o outro,The Thing Called Love, de 1993, ficou conhecido erroneamente como a última vez em que o atorRiver Phoenix atuou no cinema.
Bogdanovich morreu em 6 de janeiro de 2022, aos 82 anos de idade, em Los Angeles.[2]