Conhecido também como Saulo, se dedicava àperseguição dos primeiros discípulos deJesus na região deJerusalém.[nota b] De acordo com o relato naBíblia, durante uma viagem entre Jerusalém eDamasco, numa missão para que, encontrando fiéis por lá, "os levasse presos a Jerusalém", Saulo teve uma visão de Jesus envolto numa grande luz, ficou cego, mas teve a visão recuperada após três dias porAnanias, que também o batizou. Começou então a pregar o Cristianismo.[nota c] Juntamente comSimão Pedro eTiago, o Justo, ele foi um dos mais proeminentes líderes do nascente cristianismo.[9] Era tambémcidadão romano, o que lhe conferia uma situação legal privilegiada.[10] A questão de sua cidadania romana gera certa curiosidade. Paulo afirma emAtos 22, 28 ser romano "de nascimento". Tal declaração parece indicar que o apóstolo herdou essa posição de seu pai.[11]
A conversão de Paulo mudou radicalmente o curso de sua vida. Com suas atividades missionárias e obras, Paulo acabou transformando as crenças religiosas e a filosofia de toda a região dabacia do Mediterrâneo. Sua liderança, influência e legado levaram à formação de comunidades dominadas por gruposgentios que adoravam oDeus de Israel, aderiam ao código moraljudaico, mas que abandonaram oritual e as obrigações alimentares daLei Mosaica por causa dos ensinamentos de Paulo sobre avida e obra de Jesus e seu "Novo Testamento", fundamentados namorte de Jesus e na suaressurreição.[nota d]
A principal fonte para informações históricas sobre a vida de Paulo são as pistas encontradas em suas epístolas e nosAtos dos Apóstolos. Os Atos recontam a carreira de Paulo, mas deixam de fora diversas partes de sua vida, como a suaalegada execução em Roma.[6]
Estudiosos comoHans Conzelmann e o teólogo John Knox (não deve ser confundido comJohn Knox doséculo XVI), disputam a confiabilidade histórica dos Atos dos Apóstolos.[12][13] O relato do próprio Paulo sobre seu passado está principalmente naEpístola aos Gálatas. De acordo com alguns acadêmicos, o relato da visita de Paulo a Jerusalém emAtos 11 contradiz o relato nasepístolas paulinas.[6] Outros consideram o relato de Paulo nas epístolas como sendo mais confiável do que os encontrados nos "Atos".[2]:p. 316-320
O uso de "Paulo" (emgrego: Παῦλος -Paulos; emlatim:Paulus ouPaullus - "baixo"; "curto"[17]) aparece nos "Atos" pela primeira vez quando ele começou sua primeira jornada missionária em território desconhecido. EmAtos 13:6–13, Paulo aparece, juntamente comBarnabé eJoão Marcos, conversando comSérgio Paulo, um oficial romano emChipre que será convertido por ele.Paulus era um sobrenome romano e alguns argumentam que Paulo o adotou como seu primeiro nome.[18] Outra teoria, apontada peloVaticano, afirma que era costume para os judeus romanizados da época adotarem um nome romano e o pai de Paulo provavelmente quis agradar à família dosPauli.[19] Por fim, há ainda os que consideram possível a homenagem a Sérgio Paulo e mais provável que a mudança esteja mais relacionada a um desejo do apóstolo em se distanciar da história do Rei Saul, que perseguiu Davi.[20]
Em "Atos dos Apóstolos", Paulo afirma ter nascido emTarso (naprovíncia de Mersin, na parte meridional daTurquia central) e faz breves menções à sua família. Um sobrinho é mencionado emAtos 23, 16 e sua mãe é citada entre os que moram em Roma emRomanos 16:13. É ali também que o apóstolo confessa que«Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas e, arrastando homens e mulheres, os entregava à prisão.» (Atos 8:3).[nota f]
Mesmo tendo nascido em Tarso, foi criado em Jerusalém, "aos pés deGamaliel",[nota r] que é considerado um dos maiores professores nos anais do judaísmo e cujoequilibrado conselho (Atos 5:34–39), pedindo que os judeus contivessem a fúria contra os discípulos, contrasta com a temeridade de seu estudante que, após a morte deEstevão, saiu num rompante perseguindo os "santos".[nota g]
A conversão de Paulo pode ser datada entre os anos de31 e36[21][22][23] pela referência que ele fez em uma de suas epístolas.[6] De acordo com os "Atos dos Apóstolos", sua conversão (metanoia) ocorreu na "estrada para Damasco", onde ele afirmou ter tido uma visão deJesus ressuscitado que o deixou temporariamente cego.[nota h]
Nosversículos iniciais daEpístola aos Romanos, Paulo nos dá umalitania de sua própria alegação apostólica e de suas convicções pós-conversão sobre a ressurreição de Cristo.
Os seus próprios textos nos dão alguma ideia sobre o que ele pensava de sua relação com oJudaísmo. Se por um lado se mostrava crítico, tanto teologicamente quanto empiricamente, das alegações de superioridade moral ou de linhagem dos judeus,[nota s] por outro defendia fortemente a noção de um lugar especial reservado aosfilhos de Israel.[nota t]
Ele ainda afirmou que recebeu as"boas novas" não de qualquer um, mas por uma revelação pessoal de Jesus Cristo.[nota i] Por isso, ele se entendia independente da comunidade de Jerusalém[2]:p. 316 - 320 (possivelmente noCenáculo), embora alegasse sua concordância com ela no que tangia ao conteúdo do Evangelho.[nota j] O que é mais impressionante nessa conversão é a mudança na forma de pensar que ocorreu. Ele teve que mudar seu conceito sobre quem oMessias era e, particularmente, aceitar a ideia, então absurda, de um Messias crucificado. Ou talvez o mais difícil tenha sido a mudança de seus conceitos sobre a superioridade dos judeus. Ainda há debates sobre se Paulo já se considerou como o veículo de evangelização dosgentios no momento de sua conversão ou se isto se deu mais tarde.[24]
Após a sua conversão, Paulo foi para Damasco, onde os "Atos" afirmam que foi curado de sua cegueira ebatizado porAnanias de Damasco.[25] Paulo afirma em2 Coríntios 11:32 que foi em Damasco que ele escapou por pouco da morte, indo em seguida primeiro para aArábia e depois de volta para Damasco.[nota u][26] Esta viagem de Paulo para a Arábia não é mencionada em nenhum outro lugar noNovo Testamento e alguns autores acreditam que ele tenha na realidade viajado até oMonte Sinai para meditar no deserto.[27][28] Ele descreve emGálatas como, três anos após a sua conversão, ele viajou para Jerusalém, onde se encontrou comTiago, o Justo, e ficou comSimão Pedro por 15 dias.[nota v]
A narrativa em Gálatas continua afirmando que, quatorze anos após a sua conversão, ele foi de novo a Jerusalém.[nota w] Não se sabe exatamente o que aconteceu neste período, conhecido como "anos desconhecidos", mas tanto os Atos quanto os Gálatas nos dão algumas pistas.[29] Ao final deste período,Barnabé foi ao encontro de Paulo e o trouxe de volta paraAntioquia.[nota x] O autor F. F. Bruce sugeriu que os quatorze anos podem ser contados a partir da conversão de Paulo ao invés de sua primeira visita a Jerusalém.[30]
Quando uma grande fome ocorreu naJudeia,[31] Paulo e Barnabé viajaram para Jerusalém para entregar a ajuda financeira daigreja de Antioquia.[32] De acordo com os Atos, Antioquia já tinha se tornado um centro importante para os fiéis após a dispersão dos crentes que se seguiu aomartírio deEstêvão[2] e foi lá que os seguidores de Jesus foram, pela primeira vez, chamados cristãos.[nota k]
Nos Atos, relatam-se três viagens de Paulo: a primeira, liderada primeiro por Barnabé, levou Paulo de Antioquia atéChipre, passando depois pelaÁsia Menor (Anatólia) e de volta a Antioquia. Em Chipre, Paulo enfrenta e cegaElimas, o mago, que estava criticando seus ensinamentos aoprocônsulSérgio Paulo. Deste ponto em diante, passa a ser chamado Paulo e aparece como o líder do grupo.[33] Quando chegaram emPerge,João Marcos, que acompanhava o grupo, voltou paraJerusalém e os dois foram paraAntioquia na Pisídia, Paulo profere umlongo discurso e converte muitos, mas o grupo acaba expulso da cidade (Atos 13). EmIcônio, foram novamente expulsos e seguiram paraListra, onde foram confundidos com os deuses romanosJúpiter eMercúrio depois que Paulocurou um coxo. Por conta da intriga dosjudeus, Paulo foi preso e apedrejado, mas sobreviveu e, com Barnabé, seguiu paraDerbe. De lá, retornaram passando novamente pelas mesmas cidades para reforçar as comunidades recém-fundadas e terminaram a viagem emAntioquia (Atos 14).
Paulo partiu para sua segunda viagem de Jerusalém, onde estava sendo realizado oconcílio com os outros apóstolos no qual aobrigatoriedade da circuncisão foi retirada. A maior parte dos acadêmicos concorda que houve uma reunião vital entre Paulo e aigreja de Jerusalém em algum momento entre os anos de48 e50,[6] descrita emAtos 15:2 e geralmente entendido como o mesmo evento mencionado por Paulo emGálatas 2:1.[6] A principal questão discutida ali foi se os gentios convertidos precisavam ou não ser circuncidados, conforme o relato nos Atos e em Gálatas. Paulo alega em sua epístola que terá sido neste encontro que Pedro,Tiago eJoão aceitaram a missão de Paulo aos gentios.[34]
Com o objetivo de levar a Antioquia o resultado do concílio, os fiéis realizaram uma eleição para escolher dois mensageiros que acompanhariam Paulo e Barnabé nessa missão. Os eleitos então foram Silas eJudas, "chamado Barsabá".[nota y]
Paulo, Barnabé, Judas e Silas partiram então deJerusalém levando os decretos dos apóstolos aos fiéis em Antioquia e nasprovíncias romanas daSíria eCilícia. Chegando a Antioquia, eles cumprem a missão que lhes foi dada, sendo que Judas retorna para Jerusalém e desaparece da história, enquanto Silas permanece na cidade.[nota z]
Em Antioquia, Paulo e Barnabé tiveram uma dura discussão sobre se deveriam levarJoão Marcos com eles. EmAtos 13, é mencionado que o menino já os tinha deixado em uma viagem anterior para retornar para casa. Paulo acreditava que ele ainda não estava pronto para este tipo deevangelização e, por isso, ele e Barnabé decidiram se separar. Barnabé acabou levando João Marcos consigo para Chipre eSilas se juntou a Paulo.[35]
Paulo e Silas viajaram para diversas cidades diferentes, como Tarso,Derbe eListra (todas naÁsia Menor). Nesta última, eles encontraramTimóteo, um discípulo que tinha uma boa reputação, e decidiram levá-lo com eles. EmFilipos (naGrécia), uma multidão incitada por homens insatisfeitos com oexorcismo de uma escrava que dava muitos lucros aos seus patrões com suas adivinhações, se insurgiu contra os missionários, açoitando e prendendo Paulo e Silas. Após ummilagroso terremoto, os portões da prisão se abriram e os dois puderam escapar, o que levou por sua vez à conversão do carcereiro.[nota a1] Eles seguem então paraBereia, de onde Paulo segue paraAtenas, deixando ali Silas e Timóteo.[nota b1] Na capital grega, Pauloprega no Areópago contra os muitos ídolos que encontra, converteDionísio, o Areopagita e parte.[nota c1]
Por volta de 50 a 52, Paulo passou 18 meses em Corinto,[6] onde reencontrou Timóteo e Silas. A referência nos Atos aoprocônsulGálio permite inferir a data (videInscrição de Gálio[6]). Lá ele trabalhou com Silas e Timóteo[6] e conheceuPriscila e Áquila, que se tornaram fiéis crentes e ajudaram Paulo em suas viagens missionárias. A dupla seguiu Paulo e seus companheiros atéÉfeso e o grupo permaneceu ali para iniciar aquela que seria a mais forte e fiel igreja cristã daquele tempo, um importante centro da cristandade a partir do ano 50. Em 52, Partiu paraCesareia Marítima, passou porJerusalém e finalmente chegou emAntioquia.[35]
Paulo iniciou sua terceira viagem missionária passando por toda a região daGalácia e daFrígia para reforçar a fé e ensinar para os fiéis, além de repreender os que estavam em erro. Quando chegou emÉfeso, ficou ali por pouco menos de três meses e realizou uma série de milagres, como curas eexorcismos. Depois deprovocar uma revolta na cidade, o apóstolo seguiu para aMacedônia,[36] passando novamente por Corinto, onde permaneceu por três meses. Quando ele estava pronto para retornar para aSíria, mudou de ideia por conta de um plano que os judeus tinham feito contra sua vida, voltando então para a Macedônia e dali seguiu para aTrôade, onderessuscitou o jovemÊutico depois de ele ter caído três andares e ter sido«levantado morto» (Atos 20:9).[37] A viagem de Paulo, que pretendia chegar em Jerusalém para celebrar o Pentecostes (entre maio e junho), continuou passando porAssos,Mitilene,Quios,Samos eMileto (Atos 20). A dura jornada passou ainda porCós,Rodes ePátara, onde Paulo embarca num navio com destino àTiro, naFenícia. Depois de sete dias na cidade, o grupo de Paulo segue paraPtolemaida,Cesareia, onde visitaramFilipe, o Evangelista, e finalmente Jerusalém (Atos 21).
Embora Paulo tenha escrito sobre uma visita que fez aIlíria, ele estava se referindo ao que hoje chamamosIlíria Grega,[38] parte daprovíncia romana da Macedônia, onde hoje está atualmente aAlbânia.[39]
Estátua na Basílica de Nossa Senhora da Assunção do Mosteiro de São Bento na cidade de São Paulo
Paulo e seus companheiros seguiram então para Roma, naquela que foi provavelmente a última das viagens missionárias, em60. A viagem começou em Jerusalém, onde os irmãos foram recebidos em festa. Lá, Paulo foi espancado e quase morto, preso e enviado paraCesareia Marítima, onde esteve detido durante aproximadamente um ano e meio. Foi transferido para Roma depois de apelar aCésar, um direito que tinha por sercidadão romano, ao perceber que não receberia julgamento justo de seu povo. Paulo passou então a pregar na capital imperial.[40]
Apesar do acordo encontrado no Concílio de Jerusalém, como tinha entendido Paulo, o apóstolo relata como ele depois confrontou publicamente Pedro, no que ficou conhecido como "Incidente em Antioquia", por causa da relutância dele em realizar suas refeições com os cristãos gentios em Antioquia.[41]
Escrevendo depois sobre o incidente, relata ter dito a Pedro e os demais presentes«Se tu, sendo judeu, vives como gentio, e não como judeu, como obrigas os gentios a viver como os judeus?» (Gálatas 2:11–14). Paulo também menciona que até mesmo Barnabé, seu companheiro de viagem até aquele momento, ficou do lado de Pedro.[41][nota l]
O resultado final do incidente permanece incerto. AEnciclopédia Católica afirma que"o relato de Paulo sobre o incidente não deixa dúvidas de que Pedro viu justiça na reprimenda". Em contraste, a obra"From Jesus to Christianity", deL. Michael White, alega que"o confronto com Pedro foi uma falha completa, uma bravata política, e Paulo logo deixou Antioquia comopersona non grata para nunca mais voltar".[42]
Esta tabela foi adaptada da obra de White,From Jesus to Christianity.[34] Este pareamento entre as viagens de Paulo como narradas nos Atos e nas Epístolas não é consenso entre os acadêmicos.
Há um debate sobre se a viagem de Paulo em Gálatas 2 se refere à visita para ajudar na fome ou sobre oConcílio de Jerusalém. Se for à primeira, então esta é a visita feita«depois de quatorze anos» (Gálatas 2:1).
Paulo chegou a Jerusalém em57 com uma coleta de dinheiro que tinha feito para a comunidade local[6] e, segundo Atos, ele foi recebido calorosamente. Porém, o relato continua afirmando que ele foi interrogado porTiago por ensinar a«...todos os judeus que estão entre os gentios a apostatarem de Moisés, dizendo-lhes que não circuncidem seus filhos nem andem segundo os nossos ritos» (Atos 21:22). Paulo então realizou um ritual de purificação para não dar aos judeus nenhum motivo para acusá-lo por não seguir os mandamentos daLei.[6]
Paulo porém continuava a pregar contra acircuncisão, contra as restrições alimentares e contra os requerimentos daTorá e isto provocou o rompimento final com os judeus.[6] Paulo causou um alvoroço ao aparecer noTemplo e somente escapou da morte por ter sido preso.[6] Ele foi então mantido prisioneiro por dois anos emCesareia até que um novo governador reabrisse seu caso em59.[6] Quando Paulo foi acusado detraição apelou aoCésar, alegando seu direito, comocidadão romano, de ser levado a um tribunal apropriado e de se defender das acusações.[6]
Atos 28:1 relata que no caminho para Roma, Paulo sofreu um naufrágio em"Melite" (Malta),[6] onde ele se encontrou comPúblio[nota o1] e foi recebido pelos habitantes da ilha com "muita humanidade".[nota p1] Ele chegou a Roma por volta do ano60 e passou mais dois anos em prisão domiciliar.[nota q1] Contando esta vez, Paulo passou entre cinco e seis anos preso em celas ou prisioneiro em casa.
...Igreja fundada e organizada em Roma pelos dois mais gloriosos apóstolos, Pedro e Paulo; também [ensinando] a fé pregada aos homens, que chegou aos nossos dias através dasucessão dos bispos....Os abençoados apóstolos, então, tendo fundado e abençoado a Igreja, entregaram nas mãos de Lino oepiscopado.
Paulo, porém, não foibispo de Roma e nem levou ocristianismo para lá, pois já havia cristãos em Roma quando ele chegou lá[nota r1]. É evidente também que Paulo já tinha escrito umaepístola para a Igreja de Roma antes de ter visitado a cidade.[nota o] Porém, Paulo pode ter tido um importante papel na formação da Igreja na capital romana.
Vários autores cristãos da Antiguidade já propuseram mais detalhes sobre a morte de Paulo.I Clemente, uma carta escrita pelobispo de Roma,Clemente, por volta do ano 90 relata o seguinte sobre Paulo:[46]
“
"Por causa de inveja e brigas, Paulo, pelo exemplo, mostrou a recompensa da resistência paciente. Após ele ter sido preso por sete vezes, ter sido exilado, apedrejado e ter pregado no ocidente e no oriente, ele recebeu o reconhecimento que era o prêmio da sua fé, tendo ensinado a retidão para o mundo inteiro e tendo chegado aos confins do ocidente. E quando ele já tinha dado seu testemunho perante os governantes, partiu deste mundo e foi para um lugar sagrado, tendo encontrado um notável padrão de resistência paciente.
Comentando sobre esta passagem, Raymond Brown escreve que, ainda que ela não afirme categoricamente que Paulo foi martirizado em Roma,"...algo assim é a mais provável interpretação".[47]
Eusébio de Cesareia, que escreveu noséculo IV, afirma que Paulo foi decapitado durante o reino doimperador romanoNero.[48] Este evento tem sido datado ou no ano de 64, quando Roma foi devastada por um incêndio, ou alguns anos depois, em 67. A festa de São Pedro e São Paulo, daIgreja Católica, é comemorada em29 de junho, o que pode refletir uma data tradicional para o seumartírio. Outras fontes também apontaram uma tradição de que Pedro e Paulo teriam morrido no mesmo dia (e, possivelmente, no mesmo ano).[49]
OapócrifoAtos de Pedro sugere que Paulo sobreviveu a Roma e viajou para o oeste, para aHispânia.[50] Alguns mantém o ponto de vista que ele poderia ter visitado a Grécia e a Ásia Menor após a sua viagem àHispânia e que ele pode ter sido finalmente preso em Troas e enviado a Roma para ser executado[51] (veja-se adiscussão acima sobre as epístolas a Timóteo).
Um sarcófago que pode conter as relíquias do apóstolo Paulo foi identificado na Basílica de São Paulo Extra-Muros, de acordo com Giorgio Filippi, chefe do departamentoepigráfico doMuseu do Vaticano.
Sob o altar elevado, está uma laje de mármore doséculo IV, que sempre esteve visível, contém uma inscriçãoPAULO APOSTOLO MART (Paulo Apóstolo Mártir). A placa tem três furos e provavelmente está relacionada com o culto funerário de São Paulo. De acordo com Giorgio Filippi, esses buracos foram usados para a "criação de relíquias" por meio de simples contato com o túmulo do apóstolo. Ao longo daVia Ostiense, um santuário foi erguido sobre o túmulo do apóstolo Paulo ainda noséculo I Como já fizera comSão Pedro, oimperador romanoConstantino, começou, no início doséculo IV, a construir umabasílica para abrigar o túmulo. Então, em 386, meio século após a do imperador e por conta do afluxo de peregrinos, uma basílica ainda maior foi construída por ordem dos imperadoresValentiniano II,Teodósio I eArcádio.
Em junho de 2009 opapa Bento XVI anunciou os resultados das escavações ali realizadas. O sarcófago em si não foi aberto, mas foi examinado por meio de uma sonda e revelou pedaços de incenso e de linho, azul e púrpura, assim como pequenos fragmentos de osso, que foram datados porradiocarbono como sendo doséculo I ou II. De acordo com oVaticano, isto é uma evidência a favor da tradição de que ali está efetivamente o túmulo de Paulo.[55]
Quatorze epístolas doNovo Testamento são atribuídas a Paulo, das quais sete têm a autoria quase que universalmente aceita, enquanto que as outras sete são disputadas:Efésios,Colossenses,2 Tessalonicenses,1 Timóteo,Tito eHebreus. Destas, quatro são consideradas como sendo de outro autor que não Paulo por razões textuais e gramaticais, enquanto que as outras três são disputadas por alguns acadêmicos.[56] Paulo aparentemente ditou todas as suas epístolas (exceto Gálatas) através de um secretário (ouamanuense), que geralmente parafraseava o tom de sua mensagem, como era a prática entre os escribas doséculo I.[2]:316-320[57]
Estas epístolas circularam entre as comunidades cristãs e eram lidas em público por membros da igreja, juntamente com outras obras.[58] Elas foram citadas ainda noséculo I, por volta de 96, porClemente de Roma em sua epístolaClemente aos Coríntios.[46]
As epístolas paulinas foram na sua maioria escritas para igrejas que Paulo visitou e o apóstolo era um grande viajante. Ele passou porChipre, por toda aÁsia Menor, pelaGrécia,Creta eRoma. Elas estão repletas de exposições sobre o que os cristãos deveriam acreditar e como deveriam viver, ao passo que ele não relata ao destinatário (e aos leitores modernos) muito sobre a vida de Jesus. Suas mais explícitas referências são passagens sobre aÚltima Ceia[nota s1] e acrucificação e ressurreição.[nota t1] As referências aos ensinamentos de Jesus são também esparsos,[nota u1] levantando a questão, ainda em disputa, sobre o quão consistente éseu relato sobre a fé com o que está nos quatroevangelhos canônicos, os Atos e aEpístola de Tiago. O ponto de vista de que o Cristo de Paulo é diferente do Jesus histórico foi proposta pelo teólogoAdolf Harnack.[59] De toda maneira, ele nos dá o primeiro relato escrito do que é ser cristão e da espiritualidade cristã.
Das catorze cartas atribuídas a Paulo e incluídas nocânone do Novo Testamento, há pouca ou nenhuma disputa de que Paulo tenha escrito pelo menos sete:[60]:p. 411
AEpístola aos Hebreus, que foi atribuída a ele ainda na antiguidade, já era questionada na época, e atualmente não é considerada como tendo sido escrita por ele pela maior parte dos especialistas (vejaAntilegomena). Há variados graus de disputa a respeito da autoria das demais epístolas.[61]
A autenticidade daEpístola aos Colossenses tem sido questionada[62] por conter uma descrição de Jesus não encontrada em nenhuma outra de Paulo, descrevendo-o como a "imagem do Deus invisível",[nota v1] umacristologia que só tem paralelo noEvangelho de João.[nota w1] Evidências internas demonstram uma conexão próxima com aEpístola aos Efésios,[63] que é muito similar a Colossenses (dos 155 versículos, 78 são idênticos[63]), mas quase sem referências pessoais. O estilo de Colossenses é único entre as epístolas paulinas, não se encontrando a ênfase na cruz que se vê nas demais e nem referência àSegunda vinda de Cristo, além de uma exaltação docasamento que contrasta com a encontrada em1 Coríntios 7:8–9. Finalmente, segundo R.E. Brown, ela exalta a Igreja de uma forma que só se tornaria comum numa segunda geração de cristãos,"construída sobre a fundação deixada pelos apóstolos e profetas", já passada.[64] Os defensores da autoria paulina argumentam que ela foi escrita para ser lida uma quantidade grande de igrejas (daí a similaridade com Efésios) e marca um estágio final do desenvolvimento de Paulo de Tarso. Deve ser lembrado também que a porção moral da epístola, que é composta dos dois últimos capítulos, tem uma afinidade muito maior com os trechos equivalentes em outras epístolas enquanto que o restante casa perfeitamente com os detalhes que conhecemos sobre a vida de Paulo, dando-nos ainda mais pistas sobre ela.[63] Ela confirma, por exemplo, que ele estava preso quando a escreveu.[nota x1]
As diferenças em vocabulário, estilo e teologia em relação às demais obras de Paulo. Os defensores da autenticidade afirma que elas foram provavelmente escritas em nome do apóstolo sob sua autoridade por algum de seus discípulos, a quem ele teria explicado claramente o que deveria ser escrito, ou a quem ele havia passado um sumário por escrito dos pontos a serem desenvolvidos, e que, uma vez escritas, Paulo as teria lido, aprovado e assinado.[51]
A dificuldade de alinhá-las com a biografia conhecida de Paulo.[65] Estas epístolas, assim como as dirigidas aos Colossenses e aos Efésios, foram escritas no período em que Paulo estava preso, mas ao contrário delas, afirmam que o apóstolo foi solto e viajou depois disso. Os defensores argumentam que Paulo foi preso pela primeira vez não por algum crime contra os romanos, mas para salvá-lo da prisão. Em Filêmom, ele parece ter a esperança de ser libertado logo[nota y1] e haveria bastante tempo para ele ter visitado Creta e escrever as epístolas a Timóteo antes de sua segunda - e final - prisão pelos romanos.[51]
Finalmente, foram levantadas diversas objeções sobre o estado avançado da Igreja que a epístola deixa transparecer. Novamente, os defensores alegam que a epístola usa termos como "bispo", "diácono" e "padres" como sinônimos para indicar os que foram legados pelos apóstolos com a missão evangélica e não no sentido organizacional que termo viria a adquirir nos anos seguintes. Alegam também que se estas epístolas fossem mesmo, como alegam os críticos, uma defesa dasucessão apostólica pelos bispos, elas já deveriam ter sido atacadas como fraudes na antiguidade, argumenta que não encontra nenhum suporte evidencial.[51]
O principal argumento contra a autoria de Paulo daSegunda Epístola aos Tessalonicenses é que a suaescatologia parece contradizer a daPrimeira Epístola aos Tessalonicenses.[66] Enquanto a primeira epístola parece indicar que aparousia é iminente,[nota z1] na segunda ele a coloca num futuro desconhecido,[nota a2] o que implicaria num "erro" do apóstolo em uma epístola que, segundo os crentes, teve inspiração divina. A defesa principal é que a frase mais polêmica,«Então nós que estivermos vivos, e formos deixados, seremos arrebatados em nuvens...» (1 Tessalonicenses 4:17) teve tradução problemática já naVulgata (emlatim:Nos, qui vivimus, qui residui sumus).
A teologia da redenção foi um dos principais assuntos abordados por Paulo.[67] Paulo ensinou que os cristãos foram redimidos daLei (vejasupersessionismo) e dopecado pela morte de Jesus e sua ressurreição.[67] Sua morte foi uma expiação e, pelo sangue de Cristo, a paz foi estabelecida entre Deus e o homem.[67] Pelobatismo, um cristão toma sua parte na morte de Jesus e na sua vitória sobre a morte, recebendo, gratuitamente, uma renovada condição de filho de Deus.[67]
Paulo pregando emAtenas. Pintura na parede do auditório Weise-Gymnasium, emZittau, naSaxônia
A teologia de Paulo sobre o evangelho acelerou a separação da seita messiânica dos cristãos do judaísmo, algo que Paulo não desejava.[6] Ele escreveu que somente a fé em Cristo (comoMessias) era suficiente e decisiva para asalvação, tanto de judeus quanto de gentios, tornando ocisma entre os cristãos e os judeus não só inevitável, mas permanente.[6] Ele argumentou que os gentios convertidos não precisavamse tornar judeus ouser circuncidados, nem tampouco seguir asleis alimentares.[6] Porém, emRomanos, ele insiste numa visão positiva do valor daLei Mosaica como um guia moral.[nota b2]
De acordo com Ehrman, Paulo acreditava que Jesus iria retornar ainda durante a sua vida.[16] Ele afirma que Paulo acreditava que os cristãos que tinham morrido nesse meio tempo seriamressuscitados para poder participar doReino de Deus. Acreditava também, segundo ele, que os salvos seriam transformados e assumiriam formas sobrenaturais.[16]
O ensinamento de Paulo sobre o fim do mundo aparece muito claramente nas suas epístolas à igreja deTessalônica. Muito perseguidos, é possível que eles tenham escrito para o apóstolo primeiro perguntando sobre os que já tinham morrido e sobre o que deveriam esperar no final. Paulo então os assegura queos mortos se levantarão primeiro e serão seguidos pelos que ainda estão vivos.[nota c2] Veja adiscussão mais acima sobre as epístolas aos tessalonicenses, o que pode sugerir uma iminência do fim, mas ele não foi específico sobre a cronologia e encoraja seus ouvintes a terem paciência na epístola seguinte.[68] O final dos tempos será uma batalha entre Jesus e o "Homem da iniquidade",[nota p] cuja conclusão será o triunfo final de Cristo.
Um verso naPrimeira Epístola a Timóteo[nota d2], tradicionalmente atribuída a Paulo (videacima), é frequentemente utilizada como maior fonte de autoridade na bíblia para que às mulheres seja vedado osacramento daordem, além de outras posições de liderança e ministério nocristianismo. A Epístola a Timóteo é também muitas vezes utilizada por muitas igrejas para negar-lhes o voto em assuntos eclesiásticos e posições de ensino para público adulto e também a permissão para o trabalho missionário.[69]
“
11A mulher aprenda em silêncio com toda a sujeição; 12pois não permito à mulher que ensine, nem que tenha domínio sobre o homem; mas que esteja em silêncio.
13Pois Adão foi formado primeiro, depois Eva.
14Adão não foi seduzido, mas a mulher é que, deixando-se iludir, caiu na transgressão;
Esta passagem parece estar dizendo que as mulheres não devem ter na igreja nenhum papel de liderança frente aos homens.[70] Se ela também proíbe as mulheres de ensinar outras mulheres ou crianças é duvidoso, pois até mesmo as igrejas católicas - que proíbem o sacerdócio feminino - permitem queabadessas ensinem e assumam posições de liderança sobre outras mulheres. Qualquer interpretação desta parte das escrituras tem que se confrontar com as dificuldades teológicas, contextuais, sintáticas e léxicas destas poucas palavras.[71]
O teólogo J. R. Daniel Kirk encontrou um importante papel para as mulheres naigreja antiga, como por exemplo quando Paulo elogiaFebe por seu trabalho comodiaconisa[nota e2] e tambémJúnia,[nota f2] considerada por alguns como sendo a única mulher citada no Novo Testamento entre os apóstolos.[72][73] Kirk aponta para estudos recentes que levaram alguns a concluir que a passagem que obriga as mulheres a "ficarem caladas nas igrejas" em1 Coríntios 14:34 foi uma adição posterior, aparentemente por um autor diferente e não era parte da carta original de Paulo à igreja deCorinto. Outros, como Giancarlo Biguzzi, alegam que a restrição de Paulo sobre as mulheres em Coríntios é genuína, mas aplica-se ao caso particular de proibi-las de fazerem perguntas ou de conversar, e não uma proibição generalizada contra as mulheres falarem, pois em1 Coríntios 11:5 Paulo afirma o direito das mulheres de profetizar.[74]
O terceiro exemplo de Kirk de uma visão mais inclusiva está em«Não pode haver judeu nem grego, não pode haver escravo nem livre, não pode haver homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus» (Gálatas 3:28). Ao anunciar um fim dentro da igreja das divisões que eram tão comuns no mundo todo, ele conclui destacando que"...havia mulheres doNovo Testamento que ensinaram e tinham autoridade naigreja antiga e que estes ensinamentos e esta autoridade eram sancionadas por Paulo e que o apóstolo mesmo oferece um paradigma teológico dentro do qual a superação da subjugação da mulher é um resultado esperado".[75]
A influência de Paulo no pensamento cristão é possivelmente o mais importante dentre todos os outros autores do Novo Testamento.[6] Paulo declarou que sua fé em Cristo tornou aTorá desnecessária para a salvação, exaltou a igreja cristã como sendo o corpo de Cristo e mostrou o mundo fora da igreja como estando sob julgamento.[6]
Elaine Pagels, professora de religião naUniversidade de Princeton e uma autoridade reconhecida sobre ognosticismo, argumenta que Paulo era um gnóstico e que asepístolas pastorais, antignósticas, são falsificações "pseudo-paulinas", escritas para refutar esta crença ainda na antiguidade.[76]
O acadêmico britânico e judeuHyam Maccoby argumenta que o Paulo como descrito nosAtos dos Apóstolos e o Paulo que aparece em suas próprias obras são pessoas muito diferentes. Algumas dificuldades foram apontadas no relato de sua vida, por exemplo. O Paulo dos Atos está muito mais interessado na história factual e menos na teologia e ideias como a justificação pela fé não estão ali, assim como não estão as referências ao Espírito, de acordo com Maccoby. Ele também afirma que não existem referências aJoão Batista nasepístolas paulinas, enquanto Paulo o menciona diversas vezes nos Atos.[77] Maccoby teoriza ainda que Paulo sintetizou o judaísmo, o gnosticismo e o misticismo para um cristianismo como uma religião com um salvador cósmico. De acordo com ele, ofarisaísmo de Paulo foi sua própria invenção e que ele, na verdade, teria se associado com ossaduceus. Maccoby atribui ainda as origens doantissemitismo cristão a Paulo e alega que a visão das mulheres que o apóstolo defendia, embora inconsistente, refletia seu gnosticismo (em seus aspectosmisóginos).[77]
Outros autores lembram que linguagem nos discursos de Paulo é muito parecida com a deLucas no estilo. Além disso, George Shillington escreve que o autor dos Atos provavelmente criou os discursos de acordo com este estilo e eles contêm sua marca teológica e literária.[78] Contrariamente, o historiador eapologista cristão Christopher Price argumenta que o estilo de Lucas nos Atos representa o estilo dos historiadores da época que reconhecidamente relatavam discursos em suas obras.[79]
F. C. Baur (1792–1860), professor de teologia emTubinga, naAlemanha, o primeiro acadêmico a criticar os Atos e as epístolas paulinas, e fundador daEscola de Tubinga de teologia, argumentou que Paulo, como o "Apóstolo dos gentios", estava em violenta oposição com osdoze apóstolos originais. Baur considera os Atos como uma obra tardia e pouco confiável.[80] O debate que ele iniciou continua até hoje, comAdolf Deissmann[81] (1866 - 1937) eRichard Reitzenstein[82] (1861–1931) enfatizando a herança grega de Paulo eAlbert Schweitzer destacando a sua dependência do Judaísmo.[83]
F.F. Powell argumenta que Paulo, em suas epístolas, fez uso de muitas ideias do filósofo gregoPlatão, chegando até mesmo a usar as mesmasmetáforas e a mesma linguagem.[87] Por exemplo, emFedro, Platão colocouSócrates dizendo que os ideais celestes são percebidos como "se através de um vidro, vagamente".[88] Estas palavras são ecoadas por Paulo em«Pois agora vemos como por um espelho em enigma» (1 Coríntios 13:12).
[nota d]^«Por isso ele é mediador de uma nova aliança, para que, tendo intervindo a morte para a redenção das transgressões que havia debaixo da primeira aliança, os que têm sido chamados, recebam a promessa da eterna herança.» (Hebreus 9:15).
[nota e]^«circuncidado ao oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus. Quanto à Lei, fui fariseu;» (Filipenses 3:5).
[nota f]^ Veja também«quanto ao zelo, persegui a igreja, tendo-me tornado irrepreensível quanto à justiça que há na Lei.» (Filipenses 3:6) e«Ouvistes falar do meu modo de viver no judaísmo em outro tempo, de como perseguia excessivamente a igreja de Deus e a assolava,» (Gálatas 1:13).
[nota g]^ Principalmente«Tendo recebido autoridade dos principais sacerdotes, eu não somente encarcerei muitos santos, como também dei o meu voto contra estes quando os matavam;» (Atos 26:10), mas tambémAtos 9:13.
[nota i]^«pois eu nem o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas sim mediante a revelação de Jesus Cristo.» (Gálatas 1:12).
[nota j]^«Somente ouviram dizer: Aquele que dantes nos perseguia, agora prega a fé que outrora combatia;» (Gálatas 1:23).
[nota k]^«...e em Antioquia os discípulos pela primeira vez foram chamados cristãos» (Atos 11:26).
[nota l]^«Pois antes de chegarem alguns da parte de Tiago, ele comia com os gentios; mas quando eles vieram, subtraía-se e separava-se temendo os que eram da circuncisão. Os outros judeus também dissimularam juntamente com ele, de modo que até Barnabé foi levado com eles na sua dissimulação.» (Gálatas 2:12–13)
[nota m]^ Paulo não diz claramente que esta foi a sua segunda visita. Em Gálatas, ele lista três importantes encontros com Pedro e este foi o segundo de sua lista. O terceiro encontro se deu em Antioquia. Por outro lado, ele também não nega claramente ter visitado Jerusalém entre a sua "primeira" e "segunda" visitas.
[nota n]^ Note que Paulo apenas escreve que ele estava a caminho de Jerusalém, ou apenas planejando a visita. Ele pode ou não ter feito visitas adicionais após esta visita, se é que ele de fato esteve lá desta vez.
[nota o]^ Principalmente nos versículos«todos os que estão em Roma, queridos de Deus, chamados para serem santos» (Romanos 1:7) e«assim, quanto é em mim, estou pronto para anunciar o Evangelho também a vós que estais em Roma.» (Romanos 1:7), entre outras citações naEpístola aos Romanos.
[nota p]^«Ninguém de modo algum vos engane; porque o dia não chegará sem que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, aquele que se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, de sorte que se assenta no santuário de Deus, ostentando-se como Deus» (2 Tessalonicenses 2:3–4)
[nota q]^ Como Jesus é chamado por Paulo em«mas dos apóstolos não vi a nenhum, senão a Tiago, irmão do Senhor.» (Gálatas 1:19). Para uma discussão mais ampla sobre o assunto, vejaTiago, o Justo eIrmãos de Jesus.[89]
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↑Joseph Barber Lightfoot, em seu"Commentary on the Epistle to the Galatians" escreveu:"Neste ponto [Gálatas 6:11 ] o apóstolo toma a caneta de seuamanuensis e o parágrafo final foi escrito pela sua mão. A partir do tempo que suas cartas passaram a ser falsificadas em seu nome (2 Tessalonicenses 2:2 e2 Tessalonicenses 3:17) parece que se tornou seu costume finalizar com algumas palavras escritas com sua própria letra como precaução contra elas. No caso em questão, ele escreveu um parágrafo inteiro, resumindo as principais lições da epístola em sentenças concisas, ansiosas e desconexas. Ele escreveu também em letras grandes, negritas (emgrego:pelikois grammasin, de forma que sua letra pode refletir a sua energia e a determinação de sua alma.
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