Com 8,1 milhões de habitantes, é o estado mais populoso da Região Norte e onono mais populoso do Brasil. Dois de seus municípios possuem população acima de 500 mil habitantes: Belém, a capital e sua maior cidade com 1,4 milhão de habitantes em 2018 eAnanindeua, com 525,5 mil habitantes.[8]
A região que hoje forma o estado do Pará foi explorada, inicialmente, pelo espanholFrancisco de Orellana. Orellana iniciou sua viagem partindo da foz do rio Amazonas, percorrendo todo o Vale Amazônico, enquanto descrevia em cartas as belezas e possíveis riquezas do local (como asdrogas do sertão), com os fatos mais prováveis de chamar a atenção da coroa espanhola. A partir doséculo XVII, a região foi denominadaConquista do Pará, passando a integrar a entãoCapitania do Maranhão daAmérica Portuguesa. Em 1616, foi criada aCapitania do Grão-Pará e a cidade de Belém do Pará, quando os portugueses decidiram expandir seus domínios para o oeste. Posteriormente, foi criando oEstado do Grão-Pará e Rio Negro, que englobava tanto o atual estado do Pará como aCapitania de São José do Rio Negro (atual estado doAmazonas).
O território paraense é coberto pela maior floresta tropical do mundo, aAmazônia. O relevo é baixo e plano; 58% do território se encontram abaixo dos 200 metros. As altitudes superiores a 500 metros estão nas seguintes serras:Serra dos Carajás,Serra do Cachimbo eSerra do Acari. Nos últimos anos, o estado experimentou um notável crescimento econômico, registrando umProduto interno bruto (PIB) considerado alto e uma urbanização maciça em suas maiores cidades. No entanto, o Pará ainda registra vários problemas sociais e ambientais, especialmente em seu interior. Vem do Pará o maior índice dedesmatamento no Brasil, mesmo em áreas de preservação ambiental, alinhado a outras anomalias sociais.[9] Problemas como apobreza ecriminalidade são encontrados demasiadamente e o estado possui a segunda pior educação pública do Brasil, conforme oPrograma das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD-Brasil), acapital mais favelizada do país, com mais da metade da população vivendo em favelas; o estado fica naterceira colocação,[10] além do quarto menorÍndice de Desenvolvimento Humano (IDH) da nação, com 0,698 (2017) e o município com a pior qualidade de vida em todo o país,Melgaço, situado naIlha de Marajó.[11][12]
OtopônimoPará vem do nome dorio Pará, derivado do termopa’ra, que na línguatupi-guaraní significa "rio-mar" ou "rio do tamanho do mar".[13]
O termo rio-mar era como os índios denominavam o Rio Pará, umabifurcação fluvial que serve como braço esquerdo dorio Tocantins,[14] correndo ao sul da ilha de Marajó, que se une com as águas dorio Amazonas.[15] Há partes do seu percurso tão largas ao ponto de não avistar a outra margem, mais parecendo um mar do que um rio.[13]
Cujogentílico éparaense,[16] e tambémamazonidaparauara; umtupinismo derivado do termopara'wara que representa "o que nasceu no rio-mar".[17][18][19]
Por volta do ano 1000 a.C. a 1000 d.C. floresceram sociedades complexas, como as que habitavam a região deSantarém (inicialmente aldeia de Tapajós[21]) e doArquipélago do Marajó (inicialmente região Marinatambal[22]). Estas sociedades se destacavam pelo alto nível dehierarquia social, produção decerâmica, e aagricultura (particularmente a plantação demandioca).
A sociedade marajoara (termo global) subdividia-se em fases distintas de acordo com níveis de ocupação e desenvolvimento social: Ananatuba, Mangueiras, Formiga, Acauã,[23] Alta Marajoara e, Aruã.[24] Nas duas últimas, desenvolveu-se o que chama-se decivilização (caracterizada basicamente por construção de comunidades fixas),[25][26][27] chamada de Cacicados Amazônidas,[28] que ia desde oTapajós até a foz dorio Amazonas.[28] No período de 400 a 1400 d.C., principalmente na ilha do Marajó, essas sociedades indígenas levantavam suas casas sobremorros artificiais, estrutura elevada que protegia das inundações, chamados deteso.[29][30][31]
No século XVI,neerlandeses,ingleses efranceses fizeram incursões no atual Pará, ignorada porPortugal eEspanha, em busca do urucum, guaraná e pimenta. Os portugueses só começaram a se interessar pela região no final do século XVI, por ser a entrada da Amazônia e ter riquezas naturais, além do interesse de outros Estados europeus na região.[34]
Ao longo do século XVII, a colonização portuguesa no Pará avançou pelo Vale Amazônico e Portugal enviou colonos para a região. Nesse século e na primeira metade do século XVIII, a economia paraense era baseada na extração das "drogas do sertão", nome dados a especiarias amazônicas como o guaraná, castanha-do-pará, fumo e tintas. Essas especiarias eram extraídas em missões religiosas ou feitorias, usando-se da mão-de-obra indígena, muitas vezes escravizada.[34][35][38][39]
Em 1751, oMarquês do Pombal, então primeiro-ministro de Portugal, transferiu a capital do Estado do Grão-Pará deSão Luís para Belém.[40] Em 1755, para dinamizar a economia paraense, o governo metropolitano e da Capitania tomou decisões como a extinção da escravidão indígena, fim da influência jesuítica e a criação daCompanhia de Comércio do Grão-Pará e Maranhão. Foi introduzida a mão-de-obra africana escravizada na região.[34][41]
AEra Pombalina (1750-77) foi um período de prosperidade para o Pará, sobretudo por causa do cultivo de cacau, principal produto da região. No entanto, após a demissão de Pombal, em 1777, a região entrou em um período de longa decadência.[35]
O Pará apoiou aRevolução Constitucional do Porto, ocorrida em Portugal entre 1820 e 1821, levante que foi reprimido. Por manter mais relações comLisboa do que com oRio de Janeiro, o Grão-Pará só aderiu à Independência do Brasil em 1823. A Província do Grão-Pará ficou esquecida pelo governo imperial, fator que, junto com as péssimas condições de vida da sua população, levaram ao levante popular conhecido comoCabanagem (1835-40).[35][41][42][43]
Nas últimas décadas do século XIX e início do século XX, o Pará se integrou à economia nacional, graças aociclo da borracha, inserido no contexto daRevolução Industrial. Isso gerou uma prosperidade na Amazônia, que viveu um período conhecido como “Belle Époque”. Belém prosperou e foi urbanizada, ficando conhecida como “Paris n’América”: foram abertos grandes lojas e bancos e teatros, oMuseu Paraense e o centro da cidade foi arborizado com mangueiras vindas daÍndia.[34][35] Para trabalhar nos seringais, vieram muitosnordestinos flagelados pela seca, principalmentecearenses.[44]
Com a decadência do ciclo da borracha, na década de 1910, a Amazônia, incluindo o Pará, viveu décadas de decadência econômica e empobrecimento. A partir dos anos 1950, o Pará viveu um período de recuperação econômica, com a abertura das rodoviasBelém-Brasília eTransamazônica e a agropecuária e extrativismo vegetal e mineral, concentrados no sul e sudoeste do estado. No entanto, o custo ambiental do desenvolvimento foi caro, principalmente por conta do desmatamento e contaminação do meio ambiente. Além disso, surgiram muitos conflitos fundiários, resultando, por exemplo, noMassacre de Eldorado do Carajás em 1996 e no assassinato da missionária, ambientalista e defensora dos sem-terraDorothy Stang em 2005.[34][35][41]
O plenário daCâmara dos Deputados aprovou, em 2011, dois Decretos Legislativos (nº 136/2011 e nº137/2011)[45] que autorizavam a realização de umplebiscito que iria decidir pela criação dos estados deCarajás eTapajós, que seria uma divisão do estado do Pará. Os decretos, ao todo, destinaram recursos de R$ 10,4 milhões para a realização,[46] sendo promulgados pelo presidente doCongresso Nacional,José Sarney (PMDB-AP).
Depois de promulgado, o plebiscito foi realizado em dezembro de 2011. No resultado final, 66,6% dos eleitores rejeitaram a criação dos estados de Carajás e do Tapajós, enquanto 33,4% se disseram favoráveis. Houve 1,05% de votos nulos e 0,41% em branco, em um total de 3,6 milhões de votos válidos. Cerca de 4.848.495 eleitores estavam aptos a votar, mas houve 1.246.646 abstenções, o equivalente a 25,71% do total. Os eleitores compareceram a 14.249 seções espalhadas em todo o estado.[47]
Alguns analistas criticaram a cobertura considerada excessivamente parcial dos órgãos de imprensa do Pará. De um lado, veículos declaradamente contrários à criação dos estados de Tapajós e Carajás; do outro, jornais favoráveis à medida.[48]
Estudos apresentados peloInstituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostraram que, em caso de separação do Pará em três estados, no plebiscito realizado no dia 11 de dezembro, todos ficariam deficitários. O Pará registra atualmente um superávit anual de aproximadamente R$ 300 milhões. Subtraindo as despesas da receita orçamentária do estado, Carajás terá déficit de pelo menos R$ 1 bilhão anual, Tapajós, de R$ 864 milhões, e o Pará remanescente, de R$ 850 milhões, totalizando aproximadamente um saldo negativo anual de R$ 2.714 bilhões à União.[49]
Quase todo o território estadual está inserido naFloresta Amazônica, mas também se encontram no Parácampos limpos, nas várzeas de alguns rios ou naIlha de Marajó, e decerrados. A vegetação sofreu muito desmatamento, como consequência da construção de rodovias, agricultura, pecuária e mineração.[50] Dentre as espécies vegetais encontradas na Amazônia paraense, estão aseringueira,maçaranduba,castanheira,malva,timbó e madeiras de lei.[50]
O estado possui médias térmicas anuais entre 24 e 26 °C, além de altoíndice pluviométrico, que chega a alcançar 2.000 mm nas proximidades do rio Amazonas. A quase totalidade de sua área encontra-se nafloresta Amazônica, exceto nas partes onde existem formações de campos - região do baixorio Trombetas eArquipélago do Marajó.[51]
O relevo do Pará é de altitudes modestas e formado por grandes superfícies planas e onduladas. Em torno de 86% do território estadual está abaixo de 300 m de altitude e cerca de 58%, abaixo de 200 m. Os cerca de 14% do território acima de 300 m de altitude consistem doPlanalto das Guianas, ao norte, e daSerra dos Carajás edo Cachimbo ao sul.[50][52] O relevo paraense é constituído das seguintes unidades: planície aluvial, platô de terra firme, encosta do Planalto Central, o Planalto das Guianas e planície litorânea.
A Planície aluvial se estende pelo vale doRio Amazonas e de seus afluentes e é uma área sujeita a inundações. Já o platô de terra firme, o qual é constituído de terrenos sedimentares (arenitos), alarga-se ao norte e sul da várzea, com um relevo de tabuleiro de até 100 m de altitude. A encosta doPlanalto Central Brasileiro, na qual estão as serras dos Carajás e do Cachimbo, é esculpida em rochas cristalinas e tem relevo ondulado. O Planalto das Guianas também é esculpido em rochas cristalinas. A planície litorânea é dominada pelos tabuleiros litorâneos, os quais, muitas vezes, formam as chamadas falésias.[50]
A bacia hidrográfica do estado abrange área de 1.253.164 km², sendo 1.049.903 km² pertencentes àbacia Amazônica e 169.003 km² pertencentes àbacia do Tocantins.[53] É formada por mais de 20 mil quilômetros de rios como oAmazonas, que corta o estado no sentido oeste/leste e deságua numgrande delta marajoara, ou os rios Tocantins e Guamá que formam bacias independentes.
Não há um número exato de rios no estado do Pará, pois muitos deles são afluentes e apresentam diferentes tamanhos e extensões. No entanto, o estado é conhecido por seus rios vastos e imponentes, com destaque para o rio Amazonas, que é o rio mais extenso e caudaloso do mundo, e oRio Tocantins, que é um dos principais afluentes do Rio Amazonas, assim como os riosTapajós,Xingu eCuruá pela margem direita e os riosTrombetas,Nhamundá,Maicuru eJari pela margem esquerda. Os rios principais, além do Amazonas, são os rios Tapajós, Tocantins, Xingu, Jari e Trombetas.
Além desses, há diversos outros rios importantes no estado, como o Rio Xingu, o Rio Araguaia, o Rio Tapajós, o Rio Jari, o Rio Guamá, o Rio Trombetas, o Rio Parauapebas, entre outros.
Estão também no Pará alguns dos mais importantes afluentes do Amazonas. Esta rede hidrográfica garante duas importantes vantagens: facilidade da navegação fluvial e potencial hidroenergético avaliado em mais de 25.000 MW.
Rio Amazonas: É o rio mais extenso e caudaloso do mundo, com cerca de 6.992 km de comprimento. Atravessa o estado do Pará em sua porção oeste, sendo um importante meio de transporte para as populações ribeirinhas e um grande potencial hidrelétrico. É formado pela junção dos rios Marañón e Ucayali, na região da Tríplice Fronteira (Peru, Colômbia e Brasil).
Rio Tocantins: É um dos principais afluentes do Rio Amazonas, com cerca de 2.640 km de extensão. Atravessa o estado do Pará em sua porção sudeste, sendo também importante para a navegação e produção de energia elétrica. Nasce no estado de Goiás, na Serra dos Caiapós.
Rio Xingu: É um importante afluente do Rio Amazonas, com cerca de 1.979 km de extensão. Atravessa o estado do Pará em sua porção leste, sendo um importante ecossistema e abrigando diversas comunidades indígenas. Nasce na Serra do Roncador, em Mato Grosso.
Rio Araguaia: É um rio que nasce no estado de Goiás e passa pelo estado do Pará em sua porção sudeste, com cerca de 2.627 km de extensão. É importante para a pesca e turismo na região. Nasce na Serra do Caiapó.
Rio Tapajós: É um importante afluente do Rio Amazonas, com cerca de 1.900 km de extensão. Atravessa o estado do Pará em sua porção oeste, sendo importante para a navegação e pesca na região. Nasce na Serra do Caiapó, em Mato Grosso.
Rio Jari: É um rio que nasce no estado do Amapá e passa pelo estado do Pará em sua porção leste, com cerca de 830 km de extensão. É importante para a navegação e produção de energia elétrica. Nasce na Serra do Tumucumaque.
Rio Guamá: É um rio que nasce na Serra do Carajás e deságua na Baía do Marajó, com cerca de 480 km de extensão. É importante para a navegação e abastece a cidade de Belém.
Rio Trombetas: É um rio que nasce na Serra do Cachimbo e deságua no Rio Amazonas, com cerca de 750 km de extensão. É importante para a mineração de bauxita na região.
Rio Parauapebas: É um rio que nasce na Serra dos Carajás e deságua no Rio Tocantins, com cerca de 580 km de extensão. É importante para a navegação e abastece a cidade de Parauapebas.
Segundo os dados coletados peloIBGE durante oCenso 2022, 69,9% da população se autoidentifica comopardos, 19,3% comobrancos, 9,8% como pretos e 0,9% comoindígenas e 0,1% como amarelos.[57]
De acordo com um estudo genético de 2013, a ancestralidade da população de Belém foi assim descrita: 53,70% de contribuição europeia, 29,50% de contribuição indígena e 16,8% de contribuição africana.[58] Em 2011, a ancestralidade da população de Belém seria a seguinte: 69,70% de contribuição europeia, 19,40% de contribuição indígena e 10,9% de contribuição africana.[59]
Apresença dos portugueses no estado teve início no século XVII. Em janeiro de 1616, o capitão portuguêsFrancisco Caldeira Castelo Branco iniciou a ocupação da terra, fundando o Forte do Presépio, núcleo da futura capital paraense. A fixação portuguesa foi efetivada com as missões religiosas e as bandeiras, que ligavam o Forte do Presépio aSão Luís doMaranhão, por terra e subiram oRio Amazonas. Os portugueses foram os primeiros a chegar no Pará, Deixando contribuições que vão desde a culinária à arquitetura.
Os primeirosimigrantes japoneses que se destinaram àAmazônia saíram doPorto de Kobe, noJapão, no dia 24 de julho de 1926, e só chegaram ao município deTomé-Açu no dia 22 de setembro do mesmo ano, com paradas noRio de Janeiro eBelém. Os japoneses foram responsáveis pela introdução de culturas como ajuta e apimenta-do-reino na década de 1930; de mamão-Havaí e do melão na década de 1970. A terceira maior colônia japonesa noBrasil está no Pará, com cerca de 13 mil habitantes, perdendo apenas para os estados deSão Paulo eParaná. Eles vivem principalmente nos municípios deTomé-Açu,Santa Izabel do Pará eCastanhal, sabendo-se queTomé-Açu foi o primeiro local doNorte do país a receber imigrantesjaponeses, por volta de 1929.[60]
Osimigrantes italianos que vieram para o Pará são predominantemente da região Sul daItália, originários daCalábria,Campânia eBasilicata. Eram todos colonos, mas aqui se dedicaram ao comércio. O primeiro comércio italiano de que se tem notícia é de 1888, que ficava emSantarém. Eles fincaram raízes familiares emBelém,Breves,Abaetetuba,Óbidos,Oriximiná,Santarém eAlenquer. A presença na região oeste do Pará era tão acentuada, que havia uma representação do consulado daItália emÓbidos, considerada a cidade mais italiana do Estado. O consulado ficava emRecife,Pernambuco. EmBelém, os italianos se dividiram entre a atividade comercial e os pequenos serviços. Ao mesmo tempo em que trabalharam, foram importantes no início do processo de industrialização da capital (1895). Segundo o censo de 1920, existia no Pará cerca de mil italianos. Ao final da Segunda Guerra, registrou-se um refluxo causado pela perseguição aalemães,japoneses eitalianos. Os italianos, assim como osfranceses, não permaneceram em território paraense.[61]
Divisão das regiões intermediárias (vermelho) e imediatas (cinza).
O estado do Pará é formado oficialmente pela união de 144municípios.[65] A última alteração feita entre seu municípios foi entre 1999 e 2012, com a criação e instalação do município deMojuí dos Campos, desmembrado deSantarém.[66] Atualmente existem 51 pedidos de emancipação de distritos para formação de novos municípios.[67]
Os estados brasileiros são formados por subdivisões criadas peloIBGE chamadas deregiões geográficas intermediárias, que congregam municípios com características similares, tais como geográficas e socioeconômicas. Asregiões geográficas intermediárias correspondem a uma revisão das antigasmesorregiões, que estavam em vigor desde a divisão de 1989. Asregiões geográficas imediatas, por sua vez, substituíram asmicrorregiões.[68] Essa subdivisão é usada para fins estatísticos, não constituindo uma entidade política ou administrativa.
Belém é o município com o maior número de eleitores, com 1,043 milhão destes. Em seguida aparecem Ananindeua, com 291,2 mil eleitores, Santarém (209,4 mil eleitores), Marabá (159 mil eleitores) e Parauapebas, Castanhal e Abaetetuba, com 149,5 mil, 121,2 mil e 104,6 mil eleitores, respectivamente. O município com menor número de eleitores éBannach, com 3,1 mil.[70]
Completando a lista dos cinco maiores partidos políticos no estado, por número de membros, estão oPartido Republicano Brasileiro (PRB), com 33 354 membros; e oPartido Trabalhista Brasileiro (PTB), com 31 268 membros. Ainda de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, oPartido Novo (NOVO) e oPartido da Causa Operária (PCO) são os partidos políticos com menor representatividade na unidade federativa, com 6 e 11 filiados, respectivamente.[71]
Exportações do Pará - (2021)[72]Valor da produção mineral comercializada em 2018 segundo o Anuário Mineral Brasileiro 2018, Agência Mineral Nacional (AMN).
A economia é baseada noextrativismo mineral (ferro,cobre,bauxita,manganês,ouro,níquel,estanho,calcário), vegetal (madeira), naagricultura (mandioca,açaí,palma,abacaxi,cacau,pimenta-do-reino,coco,banana,soja e outros),pecuária, indústria e no turismo.[73] O extrativismo mineral vem desenvolvendo uma indústria metalúrgica cada vez mais significativa. Em 2019, o Pará deteve a maior participação na produção nacional de alumínio (90%), manganês (69%) e cobre (64%). Possui a segunda maior participação na produção brasileira de estanho (41%), ferro (40%) e ouro (25%). Contando a produção e o beneficiamento de minerais o Pará e o líder nacional em valor de produção comercializada (48% de participação no mercado)[74].
A pauta deexportação do Pará, no ano de 2012, foi baseada em minério de ferro (59,46%),óxido de alumínio (8,19%),minério de cobre (6,06%), alumínio bruto (5,09%) e bovinos (3,60%).[72] A concetração em indústria extrativa aumentou em 2021.
Na produção demandioca, o Brasil produziu um total de 17,6 milhão de toneladas do produto em 2018. O Pará foi o maior produtor nacional, com 3,8 milhão de toneladas produzidas.[75] Em 2019, o Pará produzia 95% doaçaí no Brasil. O estado comercializa mais de 1,2 milhão de toneladas do fruto para outros estados. O valor passa de US$ 1,5 bilhão, cerca de 3% do PIB do estado. O segundo maior produtor de açaí do Brasil é o Amazonas (52 mil toneladas), seguido por Roraima (3,5 mil toneladas).[76]
Em 2018, o Pará foi o maior produtor brasileiro deabacaxi, com 426 milhões de frutos colhidos.[77] Em 2017, o Brasil era o 3º maior produtor mundial (perto de 1,5 bilhão de frutos colhidos em cerca de 60 mil hectares). É a quinta fruta mais cultivada no País. O sudeste do Pará tem 85% da produção estadual: as cidades deFloresta do Araguaia (76,45%),Conceição do Araguaia (8,42%) eSalvaterra (3,12%) lideravam o ranking neste ano. Floresta do Araguaia também possui a maior indústria de suco concentrado da fruta do Brasil, exportando para os países da União Europeia, Estados Unidos e Mercosul.[83]
O Pará foi o 2º maior produtor nacional delimão em 2019, com 104 mil toneladas. Porém, quase toda a produção nacional é realizada em São Paulo, que produz 1,1 milhão de toneladas.[80] O Pará também é um dos maiores produtores brasileiros decoco. Em 2019, era o 3º maior produtor do país, com 191,8 milhões de frutos colhidos, perdendo apenas para a Bahia e o Ceará.[81] O Pará é o maior produtor brasileiro depimenta-do-reino, com 34 mil toneladas colhidas em 2018.[79]
Acastanha do pará sempre foi um dos principais produtos do extrativismo do Norte do Brasil, com coleta no chão da floresta. Porém, nas últimas décadas, foi criado o cultivo comercial da castanheira. Já existem propriedades com mais de 1 milhão de pés de castanheira para produção em larga escala.[84] As médias anuais de produção no Brasil variavam entre 20 mil e 40 mil toneladas por ano em 2016.[85] As castanheiras também são boas fornecedoras demadeira de qualidade.
Na produção decacau, o Pará vem disputando com aBahia a liderança da produção brasileira. Em 2017 o Pará obteve a liderança pela primeira vez. Em 2019, os paraenses colheram 135 mil toneladas de cacau, e os baianos, 130 mil toneladas. A área de cacau da Bahia é praticamente três vezes maior do que a do Pará, mas a produtividade do Pará é praticamente três vezes maior. Alguns fatores que explicam isto são: as lavouras da Bahia são mais extrativistas, e as do Pará tem um estilo mais moderno e comercial, além dos paraenses usarem sementes mais produtivas e resistentes, e à sua região propiciar resistência à vassoura-de-bruxa.[78]Rondônia é o 3º maior produtor de cacau do país, com 18 mil toneladas colhidas em 2017.[86]
Nos últimos anos, com a expansão da cultura dasoja por todo o território nacional, e também pela falta de áreas livres a se expandir nas regiões sul, sudeste e até mesmo no centro-oeste (nas quais a soja se faz mais presente), as regiões sudeste e sudoeste do Pará tornaram-se uma nova área para essa atividade agrícola. Pela rodoviaSantarém-Cuiabá (BR-163) é escoada boa parte da produção sojeira deMato Grosso, que segue até o porto deSantarém, aquecendo a economia da cidade tanto pela exportação do grão como pela franca expansão de seu plantio: a produção local já representa 5% do total de grãos exportados. Na safra 2019, o Pará colheu perto de 1,8 milhão de toneladas de soja, número ainda pequeno perante a produção brasileira de 120 milhões de toneladas neste ano, mas que vem em constante crescimento nos estados do Norte.[87][88][89] Em 2018, o Pará ocupou a 6ª posição nacional na produção debanana, com 423 mil toneladas do produto.[90]
A pecuária é mais presente no sudeste do estado. Em 2018, o Pará possuía o 5º maior rebanho bovino do Brasil, com 20,6 milhões de cabeças de gado. A cidade de São Félix do Xingu é a que tem o maior rebanho do país, com 2,2 milhões de animais. Marabá é a sexta maior cidade do país em número, com 1 milhão de animais. No ranking dos 20 principais rebanhos, o Pará possui sete cidades. Parte disso se deve ao fato de os municípios do Pará terem território gigantesco.[91]
A indústria do estado concentra-se mais na região metropolitana deBelém, com os distritos industriais deIcoaraci eAnanindeua, e também vem se consolidando em municípios comoMarituba,Barcarena eMarabá através de investimentos na verticalização dos minérios extraídos, comobauxita eferro, que ao serem beneficiados, agregam valor ao se transformarem em alumínio e aço no próprio Estado.[92] Pela característica natural da região, destacam-se também como fortes ramos da economia as indústrias madeireira e moveleira, tendo um polo moveleiro instalado no município deParagominas.
O extrativismo mineral vem desenvolvendo uma indústria metalúrgica cada vez mais significativa. No município deBarcarena é beneficiada boa parte dabauxita extraída no município deParagominas e na região do Tapajós emOriximiná. No momentoBarcarena é um grande produtor dealumínio, e sedia uma das maiores fábricas desse produto no mundo, boa parte é exportado, o que contribui para o município desenvolver um dos principaisportos do Pará, no distrito deVila do Conde. Ao longo daEstrada de Ferro Carajás, que vai da regiãosudeste do Pará atéSão Luís doMaranhão, é possível atestar a presença crescente desiderúrgicas. O governo federal implementou emMarabá um pólosiderúrgico emetalúrgico, além das companhias já presentes na cidade. O polo siderúrgico deMarabá utilizava intensamente ocarvão vegetal para aquecer os fornos que produzem oferro gusa, contribuindo assim, para a devastação mais rápida das florestas nativas da região. Mas recentemente este cenário vem mudando, as indústrias estão investindo no reflorestamento de áreas devastadas e na produção de carvão do coco da palmeiraBabaçu, que não devasta áreas da floresta nativa porque consiste somente na queima dococo e não do coqueiro, este é produzido principalmente no município deBom Jesus do Tocantins.
No ano de 2017, em termos de produção comercializada, no setor deminério de ferro, o Pará foi o 2º maior produtor nacional, com 169 milhões de toneladas (dos 450 milhões produzidos pelo país), a um valor de R$ 25,5 bilhões. Nocobre, o Pará produziu quase 980 mil toneladas (das 1,28 milhões de toneladas do Brasil), a um valor de R$ 6,5 bilhões. Noalumínio (bauxita), o Pará realizou quase toda a produção brasileira (34,5 de 36,7 milhões de toneladas) a um valor de R$ 3 bilhões. Nomanganês, o Pará realizou grande parte da produção brasileira (2,3 de 3,4 milhões de toneladas) a um valor de R$ 1 bilhão. Noouro, o Pará foi o 3º maior produtor brasileiro, com 20 toneladas a um valor de R$ 940 milhões. Noníquel, o Pará foi o 2º em produção, tendo obtido 90 mil toneladas a um valor de R$ 750 milhões. Já noestanho, o Pará foi o 3º maior produtor (4,4 mil toneladas, a um valor de R$ 114 milhões). O Pará teve 42,93% do valor da produção mineral comercializada do Brasil, com quase R$ 38 bilhões.[93]
Devido á proximidade das minas de minério de ferro, foi criada aSiderúrgica Norte Brasil (Sinobras) emMarabá-PA. Em 2018, a empresa produziu 345 mil toneladas de aço bruto, dos 35,4 milhões produzidos no país[94] O Pará tinha em 2017 um PIB industrial de R$ 43,8 bilhões, equivalente a 3,7% da indústria nacional. Empregava 164.989 trabalhadores na indústria. Os principais setores industriais são: Extração de Minerais Metálicos (46,9%), Serviços Industriais de Utilidade Pública, como Energia Elétrica e Água (23,4%), Construção (14,8%), Metalurgia (4,3%) e Alimentos (4,3%). Estes 5 setores concentram 93,7% da indústria do estado.[95]
De acordo com dados de 2009, fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, existiam, no estado, 2 742 estabelecimentos hospitalares, com 13 720 leitos.[96] Destes estabelecimentos hospitalares, 2 057 eram públicos, sendo 1 932 de caráter municipais, 54 de caráter estadual e 71 de caráter federal.[96] 685 estabelecimentos eram privados, sendo 631 com fins lucrativos e 54 sem fins lucrativos. 271 unidades de saúde eram especializadas, com internação total, e 2 312 unidades eram providas de atendimento ambulatorial.[96] No mesmo ano, registrou-se que apenas 47,03% da população paraense tinha acesso à rede de água, enquanto 57,8% tinha acesso à rede de esgoto sanitário.[97] Ainda em 2009, foi verificado que o estado tinha um total de 552,5 leitos hospitalares por habitante e, em 2005, registrou-se 7,1 médicos para cada grupo de 10 mil habitantes.[97]
Uma pesquisa promovida peloIBGE em 2008 revelou que 71,2% da população do estado avalia suasaúde como boa ou muito boa; 61,7% da população realiza consulta médica periodicamente; 30,6% dos habitantes consultam odentista regularmente e 8,7% da população esteve internado em leito hospitalar nos últimos doze meses.[98] Os dados da pesquisa afirmaram ainda que 23,9% dos habitantes declararam ter algumadoença crônica e apenas 13,7% possuíam plano de saúde. Menos da metade dos domicílios particulares no Pará são cadastrados no programa Unidade de Saúde da Família: 47,4 destes%.[98]
Tratando da saúde feminina, 23,7% das mulheres residentes no estado com mais de 40 anos fizeram exame clínico das mamas nos últimos doze meses; 32,8% das mulheres entre 50 e 69 anos fizeramexame demamografia nos últimos dois anos; e 79,1% das mulheres entre 25 e 59 anos fizeram exame preventivo paracâncer do colo do útero nos últimos três anos.[98]
O Pará possui várias instituições educacionais, sendo as mais renomadas localizadas principalmente naRegião Metropolitana de Belém e em outras cidades de médio porte. A educação do estado é tida como a segunda pior do país, comparada à dos demais estados brasileiros. No fator "educação", doÍndice de Desenvolvimento Humano de 2010, o estado obteve um patamar de 0,528, ficando à frente apenas da educação deAlagoas em âmbito nacional.[99] Sobre a questão do analfabetismo, alista de estados brasileiros por taxa de analfabetismo mostra o Pará com a 16ª menor taxa, com 11,23% de sua população considerada analfabeta.[100] Houve superação na taxa de analfabetismo paraense. Em 2001, o mesmo ocupava a 18ª colocação no mesmo quesito, com 28,5% de sua população tida como analfabeta.[101][102]
O estado possui a quarta maior porcentagem, entre os estados brasileiros, de pessoas entre 7 e 14 anos de idade que não frequentam unidades escolares. Os dados do censo demográfico de 2010, realizado pelo IBGE, revelam que 5% dos habitantes do Pará nesta faixa etária encontram-se nesta situação, deixando-o apenas à frente deRoraima,Acre eAmazonas.[103] Entre a população na faixa etária de 15 a 17 anos de idade, o índice era ainda maior: 18,5% destes não frequentam unidades de ensino, de acordo com o censo de 2010. Isso colocou o Pará na 18ª posição nacional, no ranking que abrangeu todas as 27 divisões administrativas do Brasil. Apenas os estados deMato Grosso,Espírito Santo,Alagoas,Paraná, Amazonas,Rondônia,Santa Catarina,Mato Grosso do Sul e Acre estão em situação semelhante ou pior.[103] A população paraense em idade escolar alcançava 2 255 030 habitantes em 2010, um total de 29,7%.[104]
Em 2011, noÍndice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), o estado obteve nota de 4,2 nos anos íniciais do ensino fundamental, 3,7 nos anos finais do ensino fundamental, e 2,8 no 3º ano do ensino médio.[105] O patamar atingido pelo estado foi um dos mais baixos do país, principalmente no ensino médio. Os municípios do estado que atingiram as melhores colocações na rede pública de ensino, nos anos iniciais do ensino fundamental foram:Dom Eliseu (5,2);Ourilândia do Norte (5,2);Ulianópolis (5,1);Parauapebas (4,9) eParagominas eSantarém (4,7). Nos anos finais do ensino fundamental, na rede pública de ensino, os municípios que alcançaram as melhores posições foram:Bannach (4,7);Altamira (4,4); Parauapebas (4,4);Novo Progresso (4,2) eBelterra,Uruará eSantarém Novo (4,1).[105] Nos anos iniciais do ensino fundamental,Santa Maria das Barreiras foi o município com a pior avaliação educacional, segundo o IDEB, atingindo 2,8 pontos. Nos anos finais do ensino médio, o município que alcançou o pior desempenho foiAfuá, também com 2,8 pontos.[105]
A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Técnica e Tecnológica SECTET[108]foi criada em 2007[109], como órgão da administração direta[110] do Estado do Pará..
Tem por finalidade planejar, coordenar, formular e acompanhar a política estadual de desenvolvimento econômico, científico e tecnológico, bem como promover, apoiar, controlar e avaliar as ações relativas ao desenvolvimento e ao fomento da pesquisa e à geração e aplicação de conhecimento científico e tecnológico no Estado do Pará.
Em 2016[111], foi concedido SECTET, a seguinte designação: Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica, mantendo a sigla SECTET.
Para isso dispõe dos seguintes sistemas de software:. A criação da secretaria foi um marco importante para o desenvolvimento do estado, que passou a investir mais em ciência e tecnologia para impulsionar o crescimento econômico e social.
Além disso, a secretaria desempenha um papel importante na atração de investimentos para o estado, por meio da criação de um ambiente favorável à inovação e ao desenvolvimento tecnológico. Com isso, o Pará tem se consolidado como um importante polo de tecnologia e inovação na região norte do Brasil, contribuindo para o crescimento econômico e social do estado e do país todo.
Programa de Apoio à Inovação Tecnológica no Estado do Pará (PAIT-PA). O programa tinha como objetivo apoiar projetos de pesquisa e desenvolvimento em áreas estratégicas para o estado, como a biotecnologia, a informática e a tecnologia da informação.
O PAIT-PA oferecia diversos incentivos para as empresas e instituições de pesquisa que desenvolvessem projetos inovadores, como financiamento, capacitação técnica e científica, e apoio na gestão da propriedade intelectual. O programa também buscava estimular a cooperação entre as empresas e as universidades do estado, por meio de parcerias e convênios.
Centro de Referência em Inovação Tecnológica do Pará (Critec), cujo objetivo era oferecer apoio técnico e científico para empresas e instituições de pesquisa em projetos de inovação. O Critec contava com um corpo técnico altamente qualificado e com infraestrutura de ponta, como laboratórios e equipamentos de última geração.
Programa de Bolsas de Iniciação Científica e Tecnológica (PBIC-PA). O programa tinha como objetivo estimular o interesse dos estudantes pela pesquisa científica e tecnológica, bem como contribuir para a formação de recursos humanos qualificados nas áreas de ciência e tecnologia.
O PBIC-PA oferecia bolsas de iniciação científica e tecnológica para estudantes de graduação de universidades e faculdades do estado, que desenvolvessem projetos de pesquisa em áreas estratégicas para o estado. Os estudantes selecionados recebiam uma bolsa de estudos e contavam com orientação técnica e científica para a execução dos projetos.
Por sua localização geográfica na imensa planície dabacia do rio Amazonas, na parte norte, nordeste e noroeste do estado predomina a opção pelo modal de transporte hidroviário, utilizando basicamente a vital e importantíssimaHidrovia do Solimões-Amazonas, mas também aHidrovia Tocantins-Araguaia (esta já dentro dabacia do Tocantins). Em outra medida, dado sua maior ligação com os estados do Nordeste e Centro-Oeste brasileiro, as partes leste e sudoeste do estado — desde a região sul, a sudeste (incluíndo a região de Carajás), passando pelo centro do estado até a zona da capital — estão mais sujeitas a opção pelos transportes rodoviários do que pelos hidroviários (embora não exclusivamente), com destaque para as rodoviasBelém-Brasília,Alça Viária,BR-155,PA-150/PA-475,BR-222,BR-316,BR-163,Transamazônica eBR-158, principais vias de transporte das regiões paraenses citadas.
O estado mantém 108 pontos de infraestrutura portuária, que servem para importação e exportação de mercadorias e transporte de pessoas. A capital do estado, Belém, se destaca entre os municípios portuários. É lá que está instalada aEstação das Docas, cartão postal da cidade. Os principais portos do Pará:Porto de Belém, Porto de Miramar, Porto do Outeiro, Porto de Vila do Conde,Porto de Santarém, Porto de Itaituba, Porto de Óbidos, Porto Altamira, Porto de São Francisco e o Porto de Marabá.[114]
O Pará possui 4 das dez maiores usinas hidrelétricas do Brasil em capacidade instalada. Belo Monte e Tucuruí estão entre as seis maiores usinas do mundo juntamente com Itaipu. Segundo o Anuário da EPE, em 2020, o estado se destacou na produção de energia elétrica:
Capacidade instalada 20.487 MW (11,7% do total nacional, 1º no ranking nacional).
Geração de energia: 60.793 GWh (9,8% do total nacional, 4º no ranking nacional).
Consumo: 19.525 GWh (4,1% do total nacional, 8º no ranking nacional).
O Pará é segundo maior estado do Brasil em questão de território, talvez por isto exista uma grande diversidade tanto social quanto natural, podemos observar isso através da cultura regional que é na verdade uma mistura de ritmos e raças convivendo harmoniosamente.
A expansão da fronteira econômica nas bordas da Amazônia, no caso paraense as regiões sudeste e sul (destacadamente Carajás), alterou não somente fatores demográficos ou econômicos, mas também deixou uma forte e distintiva marca em questões culturais, que influenciou fortemente a composição de um novo perfil cultural. O exemplo disto é a singular diferença que há entre os costumes de vestimenta, música, dialeto, culinária e visão de espaço e tempo entre as principais cidades do nordeste paraense —Belém,Ananindeua eCastanhal —, e a região de Carajás/sudeste/sul paraense.[117]
A diferença mais marcante em relação a cultura da região de Carajás/sudeste/sul paraense diz respeito ao seu modo de falar (ou dialeto). Devido a intensa migração de goianos, mineiros, maranhenses, paulistas, paranaenses e gaúchos, o dialeto local tornou-se uma mescla dos dialetos falados por cada um destes imigrantes.[117]
No meio acadêmico é conhecido por dialeto da serra amazônica[118] (em alusão à localização da região, nas partes mais altas da amazônia) ou do arco do desflorestamento. Este dialeto é muito próximo dos dialetosnordestino,caipira esertanejo, e muito diferente daquele falado no nordeste paraense (amazofonia).[117]
O Banho de Cheiro é muito usado na comemoração dafesta junina e doreveion no estado.[120] Uma prática ritualística ao qual se atribui o poder de atrair a felicidade, reatar amores e, abrir as portas da prosperidade ao sebanhar.[119] Enquanto o Cheiro de Papel é usado para aromatizar roupas guardadas em gavetas e armários.[119]
O artesanato é marcado por peças inspiradas nas milenares civilizações indígenas e joias produzidas com matérias primas encontradas na própria natureza. Utilizam-se todos os tipos de material retirado da própria região, e representa-se por vários ramos comocerâmica,cestaria,talha, objetos de madeira, de ouriços, de conchas, cuias e outros matérias, criando um segmento importante e criativo da nossa cultura. Quando se fala em cerâmica, dois grupos se destacam: os marajoaras e os tapajônicos. Artesanato regional:Cerâmica,cuia,miriti,balata, entalhe em madeira,palha,patchouli.tururi e artigo em cheiro.[121]
A culinária paraense possui grande influência indígena. Os elementos encontrados na região, formam a base de seus pratos, o que deixa osgourmets maravilhados pela alquimia utilizada na produção destes pratos exóticos. Os nomes dos pratos são tão exóticos quanto seu sabor, já que são de origem indígena.
O Pará apresenta mais de uma centena de espécies comestíveis, são as denominadas frutas regionais, e em muitas vezes apresentando um exótico sabor para as suas sobremesas.
O carimbó ou curimbó (dotupikorimbó; de "kori": “pau oco” e "m’bó": “furado”) é umamanifestação cultural brasileira de origemafro-indígena, formado porgênero musical edança, criado noséculo XVII no então Império das Amazonas/Conquista do Pará (atual estado doPará) na então América Portuguesa/Brasil Colônia.[122] Evoluindo como uma celebração interiorana entre amigos e familiares após pescarias e plantios acompanhado pelo batuque dotambor artesanal curimbó;[123][35] do qual se originou o nome da manifestação.[124][125][126]Desta forma, o Carimbó segue sendo um modo de vida forte e atuante nos municípios do Estado do Pará, principalmente no seu modo original, tradicional, "pau e corda"[127], a exemplo deMestre Damasceno[128][129][130] e seu conjunto de carimbó Nativos Marajoara (Salvaterra), Grupo Tambores do Pacoval (Soure), Grupo Acauã (Cachoeira do Arari), Sereias do Mar (Marapanim), Os Quentes da Madrugada (Santarém Novo), entre tantos outros grupos tradicionais, que seguem em continuação do trabalho de Mestre Lucindo[127] eMestre Verequete.[123], que ajudaram na popularização do Carimbó durante as décadas de 1960 e 1970, assim também como o Mestre Cupijó e o Pinduca, com o seu carimbó mais estilizado[131], diferente do formato tradicional.
No dia 26 de agosto, anualmente é celebrado ocentenário do Verequete, um dos mais importantes mestres do ritmo no estado, devido sua trajetória na composição de músicas no estilo tradicional “pau e corda”. Em homenagem, a data foi intitulada como o Dia Municipal do Carimbó, instituído em 2004.[135] Entretanto, as diferenças regionais do estado ressaltam-se também em fatores musicais onde no sudeste e sul paraense (destacadamente a região de Carajás), por exemplo, há uma clara preferência por ritmos como oforró e osertanejo em detrimento dobrega e docarimbó, ritmos tradicionais do nordeste paraense.[136]
As manifestações culturais são bem diversificadas, no segundo domingo de outubro a cidade de Belém recebe devotos de todo o Brasil na procissão doCírio de Nazaré, em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré. Cerca de milhões de pessoas participam de uma das maiores festas católicas do país.[137]
Entre as manifestações culturais mais apreciadas estão os folguedos populares. São festas, cheias de dramaticidade e alegria, que acontecem, tradicionalmente, em datas marcadas. Oçairé, no município deSantarém, é uma festa que dura oito dias, misturando o profano e o religioso. A Marujada, emBragança, reúne vários ritmos, dançados, basicamente, por mulheres. Tem ainda oBoi Bumbá, mistura de dança, batuque e drama, e os Cordões de Pássaros, já quase esquecidos, mas ainda encenados na periferia de Belém.[138] No sudeste do estado, as intensas tradições nordestinas e sulistas fazem com que, respectivamente,Marabá realize os maioresfestejos juninos paraenses, com arraiais em toda a cidade, além de barracas de comidas típicas e bebidas,[139] eTucumã realize a manifestação cultural chamada "feira dos estados", de folclore sulista, com música e tradições como o uso dabombacha e alguns traços culinários como ocharque, ochimarrão e ochurrasco, além de venda de comidas típicas.[140] Também em diversas cidades do estado do Pará são realizadas feiras agropecuárias com exibição de espetáculos, cavalgadas, leilões, exposição de animais, mostra comercial e industrial, parque de diversões, rodeios e outros atrativos.[141]
Na segunda semana de junho ocorre oFestival Folclórico de Altamira, organizado pelaAGFAL (Associação dos Grupos Folclóricos de Altamira). O evento ocorre desde 2003 e é considerada a maior festa cultural daTransamazônica.[142]
No estado do Pará, só há um feriado estadual: o dia 15 de agosto, em homenagem à adesão doGrão-Pará àindependência do Brasil. Este feriado foi oficializado através da Lei n.º 9.093, de setembro de 1995, proposta pelo deputado estadual Zeno Veloso.[143]
↑«População do Pará no Censo 2022». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 22 de dezembro de 2023. Consultado em 3 de dezembro de 2024
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↑IBGE,Anuário estatístico do Brasil 2001, p. 2-81. Citado em: ADAS, Melhem e ADAS, Sergio.Panorama geográfico do Brasil. 4a. ed. São Paulo:Editora Moderna, 2004. p. 248
↑modificada pela Lei Nº 8.096, de 1º Janeiro de 2015
↑Em 13/10/2016, foi publicada a Lei 8.404 que alterou a Lei de criação da SECTET, concedendo à Secretaria a seguinte designação:Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica.Mantendo a sigla SECTET.
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↑BRITO, Heloíde Lima de; SANTOS, Mayra Suany Ferreira dos. (et. all.). Os Dialetos Paraenses. I Colóquio de Letras da FPA: Do Dialeto à Literatura Paraense: Conhecendo o Universo Linguístico-Literário Regional. Capanema: Faculdade Pan-Americana, 2010.
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