Movatterモバイル変換


[0]ホーム

URL:


Ir para o conteúdo
Wikipédia
Busca

Papa João XXIII

Este é um artigo destacado. Clique aqui para mais informações.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

João XXIII
261.ºPapa daIgreja Católica
3.º Soberano da Cidade do Vaticano
Atividade eclesiástica
OrdemOrdem Franciscana Secular
DioceseDiocese de Roma
Eleição28 de outubro de1958
Entronização4 de novembro de1958
Fim do pontificado3 de junho de1963
(4 anos, 218 dias)
PredecessorPio XII
SucessorPaulo VI
Ordenação e nomeação
Ordenação diaconal18 de dezembro de1903
Arquibasílica de São João de Latrão
porPietroCardeal Respighi
Ordenação presbiteral10 de agosto de1904
Santa Maria in Montesanto
por Giuseppe Ceppetelli
Nomeação episcopal3 de março de1925
Ordenação episcopal19 de março de1925
Santi Ambrogio e Carlo al Corso
porGiovanniCardeal Tacci Porcelli
Nomeado arcebispo3 de março de1925
Nomeado Patriarca15 de janeiro de1953
Cardinalato
Criação12 de janeiro de1953
porPapa Pio XII
OrdemCardeal-presbítero
TítuloSanta Priscila
Brasão
Papado
Brasão
LemaOBŒDIENTIA ET PAX
(Obediência e paz)
ConsistórioConsistórios de João XXIII
Santificação
Beatificação3 de setembro de2000
Praça de São Pedro
porPapa João Paulo II
Canonização27 de abril de2014
Praça de São Pedro
porPapa Francisco
Veneração porIgreja Católica
Comunhão Anglicana
Festa litúrgica11 de outubro(Catolicismo)
4 de junho(Anglicanismo)
[1]
PadroeiroDelegados Pontifícios
Exército Italiano[2]
Dados pessoais
Nome de nascimentoAngelo Giuseppe Roncalli
NascimentoSotto il Monte,Itália
25 de novembro de1881
Nacionalidadeitaliano
MortePalácio Apostólico,Vaticano
3 de junho de1963 (81 anos)
SepulturaBasílica de São Pedro
ProgenitoresMãe: Marianna Giulia Mazzolla(1854-1939)
Pai: Giovanni Battista Roncalli(1854-1935)
Funções exercidas-Núncio Apostólico naBulgária(1925-1934)
-Núncio Apostólico naTurquia eGrécia(1934-1944)
-Núncio Apostólico naFrança(1944-1953)
-Patriarca deVeneza(1953-1958)
Assinatura{{{assinatura_alt}}}
dados emcatholic-hierarchy.org
Categoria:Igreja Católica
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo
Lista de papas
Mensagem do Papa João XXIII ao povo brasileiro em 1960, durante a inauguração deBrasília.

João XXIII ouSão João XXIII(emitaliano:Giovanni XXIII; emlatim:Ioannes XXIII),O.F.S., nascidoAngelo Giuseppe Roncalli; (Sotto Il Monte,25 de novembro de1881Vaticano,3 de junho de1963) foi oPapa daIgreja Católica,Bispo de Roma eSoberano daCidade do Vaticano de 28 de outubro de 1958 até a data de sua morte. Pertencia àOrdem Franciscana Secular e escolheu como lema papal:Obediência ePaz.[3][4]

Sendo umsacerdotecatólico desde 1904, ele iniciou a sua vida sacerdotal emItália, onde foi secretário particular dobispo de Bérgamo D. Giacomo Radini-Tedeschi (1905-1914), professor do Seminário de Bérgamo e estudioso da vida e obra deSão Carlos Borromeu,capelão militar doExército italiano durante aPrimeira Guerra Mundial[5] e presidente italiano do "Conselho das Obras Pontifícias para a Propagação da Fé" (1921-1925). Em 1925, sendo já umarcebispo-titular, iniciou-se a sua longa carreira diplomática, onde o levou àBulgária comovisitador apostólico (1925-1935), àGrécia eTurquia comodelegado apostólico (1935-1944) e àFrança comonúncio apostólico (1944-1953). Em todos estes países, ele destacou-se pela sua enorme capacidade conciliadora, pela sua maneira simples e sincera de diálogo, pelo seu empenho ecuménico e pela sua bondade corajosa em salvarjudeus durante aSegunda Guerra Mundial. Em 1953, foi nomeadocardeal ePatriarca de Veneza.[3][6]

FoieleitoPapa no dia 28 de outubro de 1958. Considerado inicialmente um Papa de transição, depois do longo pontificado dePio XII,[7] ele convocou, para surpresa de muitos, oConcílio Vaticano II, que visava arenovação da Igreja e à formulação de uma nova forma de explicar pastoralmente adoutrina católica ao mundo moderno.[8][9][10] No seu curto pontificado de cinco anos escreveu oitoencíclicas, sendo as principais aMater et Magistra (Mãe e Mestra) e aPacem in Terris (Paz na Terra).[3]

Devido à sua bondade, simpatia, sorriso, jovialidade e simplicidade, João XXIII era aclamado e elogiado mundialmente como o "Papa bom" ou o "Papa da bondade".[3][11] Mas, mesmo assim, vários grupos minoritários decatólicos tradicionalistas acusavam-no de sermaçom, radical esquerdista eheregemodernista por ter convocado oConcílio Vaticano II e promovido aliberdade religiosa e oecumenismo.[12] FoideclaradoBeato peloPapa João Paulo II no dia 3 de Setembro de 2000.[13] É considerado o patrono dos delegados pontifícios e a sua festa litúrgica é celebrada no dia 11 de Outubro.[6] Foicanonizado em 27 de Abril de 2014, domingo daDivina Misericórdia, juntamente com o também PapaJoão Paulo II. AMissa de canonização foi presidida peloPapa Francisco e concelebrada peloPapa EméritoBento XVI.[14]

Início

[editar |editar código]

Angelo Giuseppe Roncalli nasceu e foi batizado emSotto il Monte (província de Bérgamo,Itália), no dia 25 de novembro de 1881, filho de Giovanni Battista Roncalli e da Marianna Mazzola. Era o terceiro filho duma família agrícola pobre e numerosa. Devido à fervorosa vida religiosa da família e da sua paróquia local, Roncalli acabou por ingressar no Seminário de Bérgamo. Ali, ele começou a escrever o seu "Diário da Alma" (ou Jornal da Alma), um livro autobiográfico muito famoso onde estão reunidos os seus escritos espirituais, datados entre 1895 a 1961. Em 1897, ele professou a regra daOrdem Franciscana Secular. Entre 1901 e 1905, devido a uma bolsa de estudos para clérigos daDiocese de Bérgamo, ele conseguiu ser aluno doPontifício Seminário Romano do Apolinário. Em 1904, doutorou-se emteologia e foi ordenadosacerdotecatólico emRoma, no dia 10 de agosto do mesmo ano.[3][15][16][17]

Continuou com os seus estudos no Apolinário, inscrevendo-se no curso deDireito Canónico. Mas, antes de poder concluí-lo, em 1905, regressou a Bérgamo para ser o secretário do então Bispo de Bérgamo, D. Giacomo Radini-Tedeschi, que o influenciou na sua maneira de lidar com as questões sociais.[15][16] Durante estes anos, Roncalli foi também professor do Seminário de Bérgamo e aprofundou-se no estudo da vida e da obra deSão Carlos Borromeu, deSão Francisco de Sales e do BeatoGregório Barbarigo (este último foi canonizado por ele em 1960).[3][18] Este estudo aprofundado levou-o a editar os documentos arquivados de Carlos Borromeu, que tinha participado comoarcebispo de Milão noConcílio de Trento. Este projeto, que demorou muitos anos, visto que o último volume destes documentos só foi publicado em 1957, levou-o a perceber mais sobre a dinâmica conciliar e a compreender que o Concílio de Trento era mais reformista do que antiprotestante.[17]

Em 1915, quando aItália entrou naPrimeira Guerra Mundial, ele foi alistado comosargento do corpo médico ecapelão militar dos soldados feridos. Em 1919, foi nomeado diretor espiritual do Seminário de Bérgamo. Em 1921, oPapa Bento XV nomeou-o presidente italiano do "Conselho das Obras Pontifícias para a Propagação da Fé". No exercício deste cargo, Roncalli visitou muitasdioceses da Itália, organizou vários círculos missionários, estabeleceu contactos com várias ordens missionárias e compreendeu melhor a dinâmica e situação das missões católicas espalhadas pelo mundo.[3][17] Devido ao seu sucesso nesta obra pontifícia, mas especialmente devido ao seu projecto de estudo relacionado com Carlos Borromeu, ele tornou-se amigo de Achilles Ratti, o futuroPapa Pio XI.[17]

Carreira diplomática

[editar |editar código]

Na Bulgária

[editar |editar código]

Genealogia episcopal do Papa João XXIII”

— * ... ?

Em 1925, oPapa Pio XI nomeou-ovisitador apostólico naBulgária e elevou-o à dignidade episcopal deArcebispotitular de Areopolis, sendo sagrado no dia 19 de março de 1925.[3][6] Ele escolheu como lema episcopalOboedientia et Pax (Obediência e Paz), que sempre conservou como lema pessoal. Com esta nomeação, deu-se início à sua longa carreira diplomática.[19]

Na sua estadia na Bulgária, ele cuidou e visitou a pequena comunidade católica existente, constituída aproximadamente por 62 mil búlgaroslatinos e daIgreja Greco-Católica Búlgara.[17] Ele desenvolveu também relações cordiais com as demais comunidades cristãs búlgaras, nomeadamente com a maioritária e oficialIgreja Ortodoxa Búlgara, revelando-se assim já desde cedo o seu espírito tolerante eecuménico.[3] Para além disso, ele destacou-se também nos seus inúmeros gestos humanitários reveladores de grande caridade e boa vontade, salientando-se três casos especiais:[20]

  • depois de chegar à Bulgária, ele foi logo visitar os feridos internados num hospital católico que tratavam gratuitamente todas as pessoas, independentemente da sua religião. Estes feridos foram vítimas de um atentado falhado contra oRei Bóris III numa catedral ortodoxa deSófia, sendo os feridos por issoortodoxos que estavam a frequentar o local de culto. O rei búlgaro ficou tão impressionado que o recebeu numa audiência privada, sendo um ato inédito, visto que os visitadores apostólicos não gozavam de nenhum estatuto diplomático e as relações entre a minoria católica e a maioria ortodoxa eram muito tensas;[20]
  • em julho de 1924, teve a coragem de visitar uma vila onde a discriminação anticatólica tornou-se forte e violenta. Depois da sua visita e do seu sermão amigável revelador de boa vontade, conseguiu apaziguar os ânimos e conquistar simpatias daquela população maioritariamente ortodoxa;[20]
  • em 1928, ele coordenou pessoalmente, no terreno, a distribuição de comida e outros produtos para as vítimas de um grande terramoto que devastou a região central da Bulgária. Ele até dormiu nas tendas de emergência, juntamente com os desalojados, para lhes darem algum conforto e esperança.[20]

Angelo Roncalli tornou-se também amigo de vários judeus importantes e daRainha Joanna da Bulgária, mulher de Boris III e filha do ReiVítor Emanuel III da Itália.[21] No dia 30 de novembro de 1934, Roncalli passou a serArcebispo-titular de Mesembria.[22]

Na Grécia e Turquia

[editar |editar código]

Em 1935, Roncalli foi nomeadoadministrador apostólico doVicariato Apostólico deIstambul, constituído por uma comunidade estimada em 35 mil católicos derito romano e oriental.[17] Foi também nomeadodelegado apostólico naTurquia e naGrécia, onde trabalhou intensamente ao serviço dos católicos e estabeleceu um exemplar diálogo respeitoso com osortodoxos e osmuçulmanos.[3] Apesar de não ter nenhum status diplomático, desenvolveu relações cordiais com vários funcionários públicos e diplomatas sediados na Turquia, nomeadamente o embaixador alemãoFranz von Papen.[20] Em 1944, num dos seus sermões proferidos emIstambul, revelou já o seu desejo em convocar umconcílio ecuménico, que iria ser no futuro oConcílio Vaticano II (1962-1965).[23]

Segunda Guerra Mundial e judeus

[editar |editar código]
Monumento ao Papa João XXIII, no exterior da Igreja de Santo António de Pádua, emIstambul.

Durante aSegunda Guerra Mundial (1939-1945), Roncalli, sediado na Turquia neutra, conseguiu salvar muitosjudeus com a distribuição gratuita de permissões de trânsito fornecidas pela Delegação Apostólica,[3] de certificados debaptismo temporários e de certificados de imigração para aPalestina arranjados por organizações judaicas.[24] Teve pela primeira vez um vago conhecimento do sofrimento dos judeus em Setembro de 1940, quando contatou e ajudou refugiados judeus vindos da Polónia a alcançarem a Palestina, naquela altura umterritório sob mandato britânico.[20][24] Desde então, fez inúmeras tentativas, umas infrutíferas e outras bem sucedidas, para ajudar e salvar judeus de diversos países e regiões, tais como aHungria, aRoménia, aTransnistria, a Itália, a França, a Alemanha, aEslováquia, aCroácia, aGrécia e a Bulgária, onde intercedeu a favor dos judeus junto do ReiBóris III da Bulgária. Além disso, continuou também a ajudar corajosamente os refugiados judeus que conseguiram chegar à Turquia a alcançarem a Palestina. Para tal, cooperou com diversas pessoas de boa vontade, nomeadamente Chaim Barlas, representante daAgência Judaica emIstambul,Rabino Chefe Yitzhak HaLevi Herzog (ou Isaac Herzog) e Ira Hirschmann, delegado norte-americano do "War Refugee Board" em Istambul.[24]

Muito mais do que notificar a dramática situação e transmitir pedidos de Barlas e outros ao Vaticano, uma das suas ações humanitárias mais importantes foi coordenar o envio, através de agentes judaicos da Palestina e dos correios e representantes diplomáticos da Santa Sé, de milhares de vistos turcos, certificados de imigração e certificados de baptismo temporários para vários clérigos e religiosos católicos residentes na Hungria, tais como as irmãs da Congregação de Nossa Senhora do Sião e o Arcebispo Angelo Rotta,núncio apostólico emBudapeste e colaborador do diplomata sueco Raoul Wallenberg.[24][25] Em seguida, eles distribuíam estes documentos para os judeus húngaros, com o objetivo de lhes permitirem fugir para a Palestina através da Turquia ou simplesmente sobreviverem na Hungria, ocupada pelos alemães em 1944, visto que osnazis geralmente não prendiam os judeus baptizados ou protegidos pela Igreja Católica, por respeito pela neutralidade daSanta Sé. A distribuição gratuita e massiva de certificados de baptismo, muitos deles falsos e independentemente se os seus beneficiários receberam ou não o baptismo, foi idealizada por Roncalli e apoiada por Ira Hirschmann. Ele inspirou-se em alegados casos de algumas freiras da Congregação de Nossa Senhora do Sião que já distribuíam secretamente estes certificados aos judeus húngaros.[24][26] Os clérigos húngaros também emitiram os seus próprios certificados de baptismo e Angelo Rotta, além de emitir também mais de quinze mil permissões de trânsito esalvos-condutos, protegeu pessoalmente várias casas seguras em Budapeste que alojavam judeus.[27] Por causa deste enorme esforço conjugado, em Fevereiro de 1945, quando Budapeste foi ocupada pelos soviéticos, cerca de 100 mil judeus conseguiram sobreviver à ocupação alemã, ou seja, cerca de metade da população judia da Hungria.[20] No final da Guerra, estimou-se também que se salvaram entre 24 mil a 80 mil judeus só com os certificados de baptismo.[24][26]

Roncalli até conseguiu a ajuda do embaixador alemãoFranz von Papen na sua missão de salvar judeus: segundo o seu testemunho escrito aoTribunal de Nuremberg, Roncalli afirmou que von Papen deu-lhe a possibilidade de salvar a vida de 24 mil judeus.[20] Por isso, em reconhecimento deste trabalho humanitário, a Fundação Internacional Raoul Wallenberg defende, desde o ano 2000, a atribuição do prémioJusto entre as nações a Roncalli, cujas ações humanitárias estão a ser investigadas e estudadas com mais pormenor por esta fundação.[25][28]

Na França

[editar |editar código]
Angelo Roncalli (discursando) a ser ouvido pelo ministro francêsRobert Schuman, em 1950.

Em 1944, oPapa Pio XII nomeou-onúncio apostólico emParis. Aproximando-se do fim da Segunda Guerra Mundial, Roncalli ajudou os prisioneiros de guerra, incluindo os alemães detidos naFrança, e contribuiu para normalizar a vida eclesial francesa.[3] Na sua qualidade de núncio, ele participou nas negociações da Santa Sé com o governo francês deCharles de Gaulle acerca da questão do afastamento de bispos franceses considerados colaboracionistas doregime de Vichy. Inicialmente, o governo francês queria afastar 25 bispos, mas, após intensas negociações, apenas sete deles foram discretamente demitidos. Porém, eles puderam gozar das suas pensões de reforma e as razões do seu afastamento não foram divulgadas, contribuindo assim para a normalização das relações entre a Igreja Católica e o Estado francês.[17][29] Em Paris, Roncalli tornou-se também no primeiro observador permanente da Santa Sé naUNESCO.[18] Por último, ele desempenhou também um importante papel de mediador entre as fações mais conservadoras e mais progressistas do clero francês:[6] como por exemplo, ele teve que lidar com o movimento dos padres-operários e com a nova corrente teológica progressistaNouvelle Théologie (ouRessourcement), ambos ganhando força e influência na França depois da Segunda Guerra Mundial. O movimento, influenciado cada vez mais pelas ideias esquerdistas, acabou por ser suprimido na França pelo Papa Pio XII em 1954.[30][31] Em relação àNouvelle Théologie, ela e os seus adeptos nunca foram explicitamente condenados, mas apenas algumas das suas ideias o foram em 1950 na encíclicaHumani Generis pelo Papa Pio XII, que receava uma nova vaga demodernismo.[32]

Em 1953, Angelo Roncalli foi elevado acardeal e nomeadoPatriarca de Veneza.[22] Num sinal de consideração pelo seu trabalho e pela sua personalidade, o presidente francêsVincent Auriol, reclamando para si o antigo privilégio dos monarcas franceses, deu osolidéu vermelho a Roncalli numa cerimónia noPalácio do Eliseu. Antes de Roncalli partir paraVeneza, ele foi homenageado num jantar de despedida, onde estiveram presentes muitas figuras ilustres e muitos políticos daDireita, daEsquerda e doCentro.[12] Mais tarde, avaliando o seu trabalho feito na França, a Santa Sé caracterizou Roncalli como "um observador atento, prudente e repleto de confiança nas novas iniciativas pastorais" do clero francês; e também como um sacerdote com uma sincera piedade e uma "simplicidade evangélica, inclusive nos assuntos diplomáticos mais complexos".[3] Na sua permanência em França, Roncalli recordaria mais tarde em tom de humor que quando uma mulher com vestes muito reduzidas entrava numa sala de recepção onde ele estava, as pessoas da sala não olhavam para ela, mas sim para ele, para ver qual era a sua reação e se ele olhava para a recém-chegada.[12][17]

O Cardeal-patriarca de Veneza, Angello Roncalli em audiência com o presidente italianoLuigi Einaudi.

Cardeal e Patriarca de Veneza

[editar |editar código]
Angelo Roncalli enquanto Cardeal-Patriarca de Veneza (1953-1958)
Brasão de Roncalli, como Cardeal e Patriarca de Veneza

No dia 12 de janeiro de 1953, Angelo Roncalli foi elevado aCardeal-presbítero deSanta Prisca e, no dia 15 de janeiro de 1953, foi nomeadoPatriarca de Veneza.[22] EmVeneza, ele continuou o seu trabalho ecuménico; convocou umsínodo diocesano; criou cerca de 30paróquias; e privilegiou o contato com os padres e leigos católicos, realizando por isso várias visitas pastorais. A sua modéstia, simplicidade e jovialidade quebraram muitos protocolos e ele realizou muitas visitas e passeios informais pelas ruas deVeneza, tentando conversar com todos aqueles que ele encontrava na rua. Usava até frequentemente os transportes públicos, nomeadamente asgôndolas, e estava muitas vezes presente nos principais eventos da cidade.[19]

Eleição

[editar |editar código]
Ver artigo principal:Conclave de 1958

Na sequência da morte doPapa Pio XII, em 1958, realizou-se rapidamente umconclave, onde se reuniram os cardeais-eleitores para escolherem um novo Papa. Ao contrário do que se sucedeu noconclave de 1939 (onde Pio XII foi quase unanimemente eleito Papa), oconclave de 1958 tinha vários candidatos favoritos (oupapabiles). Devido a este fato, os cardeais-eleitores procuraram escolher um candidato idoso e de compromisso, acabando assim por eleger Angelo Roncalli, que era precisamente um homem modesto e idoso (já tinha quase 77 anos). Por esta razão, ele era apenas considerado um Papa "de transição".[7][33]

Assim sendo, Angelo Roncalli foi eleitoPapa em 28 de Outubro de 1958, na 11.ª votação, e tomou onome papal deJoão XXIII (Ioannes PP. XXIII, pela grafia latina). Perante os cardeais, ele justificou a sua escolha da seguinte maneira:

Eu escolho João... um nome doce paraNós, pois é o nome do nosso pai; querida para mim, porque é o nome da humilde igreja paroquial onde fui baptizado; o nome solene de inúmeras catedrais espalhadas pelo mundo, incluindo anossa própria basílica. Vinte e doisJoões [ou Joãos] de legitimidade indiscutível tivemos, e quase todos tiveram um breve pontificado. Nós temos preferido esconder a pequenez do nosso nome por trás desta magnífica sucessão de Romanos Papas.[33]

Apesar dos seus argumentos, a escolha desse nome causou surpresa. Isto porque, afinal, o último papa a chamar-se João fora ofrancês Jacques D'Euse, ainda naIdade Média (Papa João XXII); e ainda porque existiu, também na Idade Média, umantipapa com o nome de João XXIII.[34]

Pontificado

[editar |editar código]
Presidente argentinoArturo Frondizi com o Papa João XXIII (à direita), em 1960.
Ver artigo principal:Evolução do Colégio dos Cardeais sob o pontificado de João XXIII
João XXIII junto com seu secretário particularLoris Francesco Capovilla.

Seu pontificado teve início no dia 4 de novembro de 1958, data escolhida por ele para coincidir com a festa litúrgica deSão Carlos Borromeu, que foi profundamente estudado pelo próprio.[35] No seu pontificado de cinco anos, João XXIII convocoucinco consistórios, criando ao todo mais de 50 cardeais e quase duplicando o número de membros doColégio dos Cardeais.[6] No primeiroconsistório (1958), elevou a Cardeal oArcebispo Montini (um candidato favorito noconclave de 1958, mesmo sem ser Cardeal), fazendo com que o Arcebispo de Milão pudesse de facto participar do próximo conclave (de fato, Montini tornar-se-ia noPapa Paulo VI).[7][22] Quando foi eleito Papa, João XXIII insistiu queDomenico Tardini fosse seusecretário de Estado, mesmo sabendo que ele não gostava muito de si. Tardini, que trabalhou durante muitos anos naCúria Romana, ficou muito admirado e surpreendido com esse gesto generoso do Papa.[23]

Tendo já desde cedo um espírito de tolerância e deecumenismo, João XXIII procurou cooperar e dialogar com outras crenças e religiões, nomeadamente com osprotestantes, osortodoxos, osjudeus, osanglicanos e até com osxintoístas. Neste campo, ele recebeu em audiência privada grupos de judeus, oarcebispo da Cantuária, um representante daIgreja da Escócia e um importante sacerdote xintoísta.[36] Ele criou inclusivamente, em 1960, oSecretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos, que tinha por função recompor a unidade entre os cristãosseparados. Durante o seu pontificado, ele instituiu também uma Comissão para a revisão doCódigo de Direito Canónico e convocou, em 1960, o primeirosínodo daDiocese de Roma.[3][6][19] Também retirou daliturgia deSexta-feira Santa as duras expressões relativas aosjudeus[11] e inaugurou uma nova era de relacionamento e diálogo judaico-católico. Teve também alguma influência na composição da declaraçãoNostra Aetate, que foi aprovada peloConcílio Vaticano II (já após a sua morte) e que trata essencialmente das relações da Igreja Católica com os não-cristãos, em particular com os judeus. Neste documento, a Igreja rejeitou de vez as acusações dedeicídio ao povo judaico e condenou oantissemitismo.[18][20]

Em 1959, João XXIII, através do documentoDubium doSanto Ofício, confirmou oDecreto contra o Comunismo, aprovado pelo Papa Pio XII em 1949 e que proibia os católicos de defenderem ocomunismo ou de votarem em candidatos, organizações ou partidos comunistas ou aliados de comunistas.[37][38][39] Segundo fontestradicionalistas, baseado neste decreto,Fidel Castro, que instaurou o comunismo emCuba, foi por issoexcomungado no dia 3 de janeiro de 1962 por João XXIII.[40][41] Contudo, a excomunhão de Castro é ainda imersa em divergência, em face do caráter francamente diplomático assumido pelo Papa, havendo quem afirme (o que seria corroborado por relatos de seu secretário particular, Loris Capovilla) que este fato nunca teria ocorrido.[42] Fortalece esta conclusão o fato de o Papa ter recebido e dialogado, em 1963, com a filha e o genro deKhrushchev (líder da União Soviética), numa tentativa de diminuir as tensões entre aIgreja Católica e aUnião Soviética.[19] Com um grande amor àTurquia, foi justamente durante o seu pontificado que este país estabeleceu relações diplomáticas com a Santa Sé, em 1960. Para tal, muito contribuiu a sua longa e exemplar estadia na Turquia, onde deixou amigos e abundantes impressões positivas acerca da sua pessoa. Por isso, passou também a ser apelidado de "Papa turco".[43]

O Papa João XXIII preside a cerimônia de abertura do Concílio Vaticano II.

Em 1962, durante aCrise dos Mísseis emCuba, o Papa pediu a todos os governantes do mundo para se esforçarem a salvaguardar a paz, que é querida pela humanidade. Algumas pessoas acreditam que esta mensagem, difundida pelaRádio Vaticano, teve muita importância na diminuição de tensões entre aUnião Soviética e osEstados Unidos e na consequente decisão de Khrushchev de iniciar o diálogo com os EUA.[23][44] Em reconhecimento pelo seu trabalho em prol da paz e da humanidade, João XXIII foi agraciado com oPrémio Balzan, que lhe foi entregue no dia 10 de maio de 1963. Em dezembro de 1963, ele foi também condecorado postumamente com aMedalha Presidencial da Liberdade, atribuída pelopresidente norte-americanoLyndon Johnson. O Papa João XXIII também tornou-se naPessoa do Ano de 1962.[19][45]

A 11 de Abril de 1963, a menos de dois meses da sua partida publicou aquela que é a sua mais famosa Encíclica:Pacem in Terris. Foi a primeira Encíclica dedicada "a todos as pessoas de boa vontade".

Apesar de ter um pontificado curto, que durou menos de cinco anos, João XXIII é considerado um dos mais populares e amados Papas, não só dentro da Igreja Católica, mas também por entre os não-católicos. Deixou para o mundo uma imagem de "bom Pastor" que quer abraçar e amar todos os homens (quer eles sejam católicos ou não).[6][23][44] ASanta Sé caracterizou João XXIII como um Papa "manso e atento, empreendedor e corajoso, simples e cordial, [que] praticou cristãmente asobras de misericórdia corporais e espirituais, […] recebendo homens de todas as nações e crenças e cultivando um extraordinário sentimento de paternidade para com todos. […] Sustentava-o um profundo espírito deoração, e a sua pessoa, iniciadora duma granderenovação na Igreja, irradiava a paz própria de quem confia sempre noSenhor".[3] Durante as celebrações dos 50 anos da eleição de João XXIII (2008), oPapa Bento XVI afirmou que "a fé em Cristo e na Igreja foi o segredo que fez do beato João XXIII uma figura mundial dapaz".[46]

João XXIII acreditava que a Igreja Católica não devia ser só uma instituição com leis e doutrinas, mas que devia ser, acima de tudo, uma autêntica comunhão do género humano com oamor de Deus. Também acreditava que arenovação da Igreja era necessária e fruto da atuação sobrenatural doEspírito Santo sobre a Igreja. Esta sua convicção e confiança na ação do Espírito Santo, ou seja, naDivina Providência, deu-lhe coragem e determinação em convocar oConcílio Vaticano II (1962-1965), cuja ideia ele afirmava ser uma inspiração súbita do Espírito Santo.[36][44]

Visitas pastorais

[editar |editar código]
Papa João XXIII na Praça de São Pedro (Vaticano), em 1960

Como Papa, João XXIII preocupou-se muito com as responsabilidadespastorais do clero. Por isso, para dar o exemplo, ele visitou os doentes, os encarcerados e muitasparóquias daDiocese de Roma, sobretudo as dos bairros mais novos.[3][6] Aliando à sua preferência pelotítulo papal deServus Servorum Dei e às suas encíclicas e discursos reconciliadores e defensores do diálogo e da paz, estas visitas pretenderam também mostrar a Igreja como uma força espiritual suprapolítica e humanizadora no mundo, tentando assim despolitizar a Igreja, que se envolveu várias vezes no início daGuerra Fria na política para travar o avanço docomunismo.[36]

Como por exemplo, no dia 25 de dezembro de 1958, cerca de dois meses depois da sua eleição, visitou as crianças gravemente doentes internadas noHospital Bambino Gesù e noHospital Santo Spirito, onde confortou amavelmente as crianças e conversou com algumas delas.[19] No dia seguinte (26 de dezembro), ele foi visitar os encarcerados daprisãoRegina Coeli. Lá, conseguiu criar um ambiente familiar, comovente e fraternal, ao afirmar que "sou Giuseppe, vosso irmão" e que "aqui [na prisão] estamos na Casa doPai". Disse também aos prisioneiros que "pus meus olhos nos vossos olhos, coloquei meu coração junto ao vosso coração".

Com as suas poucas palavras e os seus simples gestos, ele conseguiu transmitir aos presos a infinita misericórdia de Deus. Este seu discurso era de tal forma cheio de esperança que um encarcerado, condenado por homicídio, perguntou, entre lágrimas, que "o que o senhor [o Papa] disse antes, vale também para mim?". João XXIII, comovido, deu-lhe surpreendentemente um grande e amoroso abraço como resposta.[17][47][48][49]

Estas visitas pastorais tiveram e têm grande valor e significado visto que, desde 1870, nenhum Papa tinha saído doVaticano para ir visitar aDiocese de Roma, da qual é Bispo. João XXIII preocupou-se também com a condição social dos trabalhadores, dos pobres, dos órfãos e dos marginalizados.[19]

O Concílio Vaticano II

[editar |editar código]
Ver artigo principal:Concílio Vaticano II
Concílio Vaticano II, a decorrer no interior daBasílica de São Pedro (Vaticano).

João XXIII inaugurou em 1962 umconcílio ecuménico - oConcílio do Vaticano II - menos de 90 anos após o último (Concílio Vaticano I, convocado porPio IX para afirmar o dogma dainfalibilidade papal). Mas, a intenção em realizar este concílio foi já anunciado por João XXIII no dia 25 de janeiro de 1959.[6]

João XXIII idealizou o Concílio Vaticano II "como um «novoPentecostes» […]; uma grande experiência espiritual que reconstituiria aIgreja Católica" não apenas como instituição, mas sim "como um movimentoevangélico dinâmico […]; e uma conversa aberta entre osbispos de todo o mundo sobre como renovar oCatolicismo como estilo de vida inevitável e vital".[10] O próprio Papa João XXIII afirmou que "o que mais importa ao Concílio Ecumênico é o seguinte: que o depósito sagrado dadoutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz".[50] Para satisfazer esta sua intenção, João XXIII queria ardentemente que a Igreja mudasse de mentalidade e adoptasse uma postura mais positiva e ativa, para poder melhor enfrentar e acompanhar as transformações do mundo moderno. Apesar de ter umcancro inoperável no estômago, que foi diagnosticado em setembro de 1962, João XXIII quis continuar, com todas as suas débeis forças, a dirigir o Concílio Vaticano II.[44]

A partir deste Concílio, que só terminou em 1965, a Igreja Católica, através dasua renovação, abriu-se mais ao mundo moderno. Por isso, houve várias mudanças significativas que João XXIII não conseguiu ver: uma grande reformalitúrgica (revisão e simplificação daMissa de rito romano); uma nova perspectiva sobre aliberdade religiosa, a natureza e constituição daIgreja, o apostolado dosleigos e a dignidade dos fiéis, acolegialidade dosbispos e a relação entre aRevelação divina e aTradição; novos rumos para oecumenismo e apastoral católica; e uma nova abordagem aos problemas do Mundo moderno.[8][9][10]

A centralização do poder noVaticano, iniciada no final doséculo XIX, foi revista, sendo a Igreja vista como uma comunidade de cristãos em todo o mundo. O Concílio, todavia, não firmoudogmas, mas sim serviu de orientação pastoral à Igreja Católica,[10] sendo seus efeitos vistos de forma controversa por alguns praticantes do catolicismo, nomeadamente peloscatólicos tradicionalistas.[51][52][53]

O discurso da Lua

[editar |editar código]

Um dos discursos mais célebres do Papa João XXIII é o que hoje é conhecido como "o discurso da Lua".[54]

Na noite de 11 de outubro de 1962, data da abertura doConcílio Vaticano II, aPraça de São Pedro estava lotada de fiéis que, ainda que não compreendessem a fundo as mudanças teológicas e pastorais do acontecimento, percebiam a sua força histórica, seu caráter importante e as dificuldades que surgiriam. A multidão pedia pelo Papa e este partilhou com a multidão a sua satisfação pela abertura da primeira sessão do Concílio, que contou com a participação de 2 540prelados (ou padres conciliares) de todo o planeta, de várias centenas de peritos (ou consultores teológicos) e de várias dezenas de observadoresortodoxos eprotestantes.[52][55] Embora com a saúde já bastante debilitada pelocâncer no estômago, João XXIII fez questão de dirigir as cerimônias.[44]

Naquela noite, daquele que foi o primeiro dia de um dos eventos mais importantes da História da Igreja Católica, João XXIII saiu espontaneamente e dirigiu-se aos fiéis, com palavras simples e amáveis. Fez inclusive, uma evocação àLua (foi o que fez com que ficasse chamado como "O discurso da Lua"): "Poderíamos dizer que até mesmo a Lua está com pressa esta noite... Observem-na, lá no alto, está a olhar para este espetáculo...". Cumprimentou os fiéis desua diocese (o Papa é também obispo de Roma) e prosseguiu o discurso: "A minha pessoa nada vale: é um irmão que fala para vocês, um irmão que viroupai por vontade deNosso Senhor. Vamos continuar a querer bem um ao outro [...]. Voltando para casa, encontrarão as crianças. Dêem a elas um carinho [(ou uma carícia)] e digam: "Este é o carinho do Papa." Talvez as encontreis com alguma lágrima por enxugar. Tende uma palavra de consolo para aqueles que sofrem. Saibam os aflitos que o Papa está com os seus filhos, sobretudo nas horas de tristeza e de amargura. E depois todos juntos vamos amar-nos uns aos outros, [...] sempre cheio de confiança emCristo que nos ajuda e nos escuta [...]. Adeus, filhinhos. Àbênção junto o desejo de uma boa noite".[54]

Encíclicas

[editar |editar código]
Ver também:Lista de encíclicas do Papa João XXIII
Monumento ao Papa João XXIII, no exterior da Igreja de São Basílio, em Roma
Estátua de João XXIII naLourinhã, emPortugal.

No seu curto pontificado de cinco anos, João XXIII escreveu oitoencíclicas, que possuem um carácter mais pastoral do que dogmático:[11][56]

As suas encíclicas mais conhecidas são, sem dúvida nenhuma, aPacem in Terris e aMater et Magistra,[11] ambas fortemente relacionadas com aDoutrina Social da Igreja.[57]

Mater et Magistra

[editar |editar código]
Ver artigo principal:Mater et Magistra

A encíclicaMater et Magistra (em português: Mãe e Mestra), publicada em 1961, pretendeu actualizar aDoutrina Social da Igreja, através de uma nova e profunda leitura dos "«sinais dos tempos»" da década de 1960. Nessa década, uma nova conjuntura mundial começou a formar-se, muito devido aos seguintes acontecimentos: a reconstrução após aSegunda Guerra Mundial, que suscitou um grande desenvolvimento de alguns povos, deixando outros nosubdesenvolvimento; adescolonização daÁfrica e aGuerra Fria. Todos estes acontecimentos foram acompanhados por novos problemas relacionados com a agricultura, o desenvolvimento tecnológico e económico, aexplosão demográfica e a necessidade de cooperação económica e política mundial.[57][58]

Sobre este pano de fundo, aMater et Magistra, considerando as desigualdades existentes no plano económico e internacional, exortou os países mais ricos a ajudar os mais pobres[11] e defendeu a participação dos trabalhadores na posse, gestão e lucros das respectivasempresas.[59] Esta encíclica analisou também acorrida ao armamento, asuperpopulação, osubdesenvolvimento e a condição dos trabalhadores rurais, incluindo o consequente fenómeno doêxodo rural e do crescimento exponencial das cidades.[58]

Por isso, "as palavras-chave da encíclica são comunidade e socialização:" a Igreja Católica (comoMãe e Mestra) "é chamada, naverdade, najustiça e noamor, a colaborar com todos os homens para construir uma autêntica comunhão. Por tal via, ocrescimento econômico [...] poderá promover também adignidade" do Homem.[57]

Pacem in Terris

[editar |editar código]
Ver artigo principal:Pacem in Terris

A encíclicaPacem in Terris (em português: Paz na Terra), publicada em 1963, realçou o tema da paz, num período marcado pelaproliferação nuclear e pela perigosa disputa - aGuerra Fria - entre osEstados Unidos e aUnião Soviética. Através desta encíclica, a Igreja reflectiu profundamente sobre adignidade, osdeveres e osdireitos humanos, que foram considerados fundamentos da paz mundial.[57][59] APacem in terris, completando o discurso daMater et Magistra, sublinhou "a importância da colaboração entre todos: é a primeira vez que um documento da Igreja é dirigido também a «todas as pessoas de boa vontade», que são chamados a uma «imensa tarefa de recompor as relações da convivência naverdade, najustiça, noamor, naliberdade»".[57] Este apelo à colaboração incitou a Igreja Católica a começar aostpolitik.[23]

Estedocumento pontifício defendeu também odesarmamento, uma distribuição mais equitativa de recursos, um maior controlo das políticas das empresas multinacionais e o acolhimento dosrefugiados por parte dos Estados; reconheceu "que todas as nações têm igual dignidade e igual direito ao seu próprio desenvolvimento"; propôs a construção de uma sociedade baseada no princípio dasubsidiariedade; e incentivou os católicos à acção e à transformação do presente e do futuro. Esta encíclica exortou também os poderes públicos internacionais, sendo aOrganização das Nações Unidas a sua autoridade máxima, a promover obem comum universal, através de uma resolução eficaz dos vários problemas que assolam o mundo.[57][58][59]

No fundo, João XXIII queria a consolidação da "Paz na terra, anseio profundo de todos os homens de todos os tempos, [que] não se pode estabelecer nem consolidar senão no pleno respeito da ordem instituída porDeus". Para o Papa, esta ordem "é de natureza espiritual, [...] que se funda naverdade, que se realizará segundo ajustiça, que se animará e consumará noamor, que se recomporá sempre naliberdade, mas sempre também em novo equilíbrio, cada vez mais humano".[60]

Brasão pontifício de João XXIII.

APacem in terris, quando foi publicada, provocou uma enorme e positiva impressão a todos, inclusivamente ao bloco soviético.[11] Devido à sua importância e popularidade, esta encíclica está atualmente depositada nos arquivos daOrganização das Nações Unidas.[19]

Brasão e lema

[editar |editar código]
Ver artigo principal:Brasão do Papa João XXIII

Obrasão pontifício de João XXIII é um escudo eclesiástico, em campo degoles e com uma faixa deargente com uma torre do mesmo, brocante sobre tudo ladeada de duas flores-de-lis deargente. Em chefe as armas patriarcais deSão Marcos deVeneza, que é deargente com um leão alado e nimbado, passante ao natural, sustentando um livro aberto que traz a legenda: PAX TIBI MARCE EVANGELISTA MEVS, em letras desable. O escudo está assente em tarja branca. O conjunto pousado sobreduas chaves decussadas, a primeira de jalde e a segunda de argente, atadas por um cordão de goles, com seus pingentes. O seu timbre é umatiara papal de argente com três coroas de jalde.[61]

O lema papal de João XXIII éOBŒDIENTIA ET PAX (em português:Obediência ePaz). Este lema é o seu testemunho santo de que só se tem paz quando se obedece a Jesus Cristo.[19] Em 3 de Junho de 2013, no final de uma Missa por ocasião do 50.º aniversário da morte de João XXIII, oPapa Francisco explicou melhor a espiritualidade subjacente ao lema episcopal (e pontifício) de João XXIII:[4]

Obediência e paz. [...] Gostaria de começar pela paz, porque é este o aspecto mais evidente, que o povo sentiu no Papa João: Angelo Roncalli era um homem de paz; uma paz natural, serena, cordial; uma paz que com a sua eleição ao Pontificado se manifestou ao mundo inteiro e recebeu o nome de bondade. [...] Se a paz foi a característica exterior, a obediência constituiu para Roncalli a disposição interior: a obediência, na realidade, foi o instrumento para alcançar a paz. Antes de tudo ela teve um sentido muito simples e concreto: desempenhar na Igreja o serviço que os superiores lhe pediam, sem nada procurar para si, sem se subtrair a nada do que lhe era pedido, mesmo quando isto significou deixar a própria terra, confrontar-se com mundos que desconhecia, permanecer longos anos em lugares onde a presença de católicos era muito escassa. Este deixar-se guiar, como uma criança, constituiu o seu percurso sacerdotal que vós bem conheceis. [...] Através desta obediência, o sacerdote e bispo Roncalli viveu também uma fidelidade mais profunda, que poderíamos definir, como ele teria dito, abandono àProvidência divina. [...] Ainda mais profundamente, mediante este abandono quotidiano à vontade de Deus, o futuro Papa João viveu uma purificação que lhe permitiu desapegar-se completamente de si mesmo e aderir a Cristo. [...] «Quem perder a sua vida por mim, salvá-la-á» diz-nos Jesus (Lc 9, 24). Consiste nisto a verdadeira nascente da bondade do Papa João, da paz que difundiu no mundo, encontra-se aqui a raiz da suasantidade: nesta sua obediência evangélica. E este é um ensinamento para cada um de nós, mas também para a Igreja do nosso tempo: se nos soubermos deixar guiar peloEspírito Santo, se soubermos mortificar o nosso egoísmo para dar espaço ao amor do Senhor e à sua bondade, então encontraremos a paz, então saberemos ser construtores de paz e difundiremos a paz à nossa volta. Cinquenta anos após a sua morte, a guia sábia e paterna do Papa João, o seu amor pelatradição da Igreja e a consciência da sua necessidade constante de actualização, a intuição profética da convocação doConcílio Vaticano II e a oferta da própria vida pelo seu bom êxito, permanecem como marcos nahistória da Igreja do século XX e como um farol luminoso para o caminho que nos aguarda.

— Papa Francisco - 3 de Junho de 2013

Morte, beatificação e canonização

[editar |editar código]

Conhecido como o "Papa Bom", João XXIII morreu decâncer no estômago, após longa luta contra tal enfermidade, no dia 3 de junho de 1963, não chegando por isso a encerrar o Concílio Vaticano II. Foi sucedido peloCardeal Giovanni Montini, que escolheu o nome papal dePaulo VI e que implementou as medidas e reformas do Concílio Vaticano II.[44] Na altura da sua morte, a revista "Time" constatou e comentou que poucos pontífices conseguiram entusiasmar o mundo como João XXIII o fez.[11] Já durante o Concílio Vaticano II, o CardealLeo Joseph Suenens e vários prelados defenderam acanonização de João XXIII por aclamação conciliar, como se fazia antigamente naIgreja primitiva. Mas, esta proposta foi prontamente rejeitada por prelados mais conservadores e pelaCongregação para as Causas dos Santos.[23] Por isso, o seu processo de canonização foi só iniciado em 1965, em simultâneo com o processo doPapa Pio XII, ambos com a autorização de Paulo VI.[19] O "Diário da Alma" de Roncalli contribuiu muito para a longa investigação orientada pelaCongregação, porque neste livro está registado o seu desenvolvimento espiritual e o seu caminho desantificação. O Diário descreve vários métodos que João XXIII usou para vencer opecado: como por exemplo, ele evitava ficar sozinho com mulheres bonitas. No seu Diário, ele também revelou a sua humildade e a sua simples mas profundapiedade, mantida desde criança e radicada na crescente confiança e obediência a Deus. No fundo, todos os seus escritos espirituais exprimem o seu grandeamor a Cristo, à humanidade, à Igreja e aoReino de Deus.[17][23]

Em janeiro de 2000, a Santa Sé reconheceu oficialmente a veracidade da curamilagrosa dafreira italiana Caterina Capitani de um tumor no estômago, porintercessão de João XXIII, em 1966.[62][63] Com esse reconhecimento, ele foi declaradoBeato peloPapa João Paulo II no dia 3 de setembro de 2000, em cerimônia solene naPraça de São Pedro, juntamente com oPapa Pio IX.[13] Sobre ele, o Papa João Paulo II afirmou:

João XXIII, o Papa que conquistou o mundo pela afabilidade dos seus modos, dos quais transparecia a singularbondade de ânimo. […] É conhecida a profunda veneração que o Papa João tinha peloPapa Pio IX, do qual desejava abeatificação. Durante umretiro espiritual, em 1959, escrevia no seu Diário [da Alma]: "Penso sempre em Pio IX de santa e gloriosa memória, e imitando-o nos seussacrifícios, desejaria ser digno de celebrar a suacanonização" […]. Do Papa João permanece na memória de todos a imagem de um rosto sorridente e de dois braços abertos num abraço ao mundo inteiro. Quantas pessoas foram conquistadas pelasimplicidade do seu ânimo, conjugada com uma ampla experiência de homens e de coisas! A rajada de novidade dada por ele não se referia decerto àdoutrina, mas ao modo de a expor; era novo o estilo de falar e de agir, era nova a carga desimpatia com que se dirigia às pessoas comuns e aos poderosos da terra. Foi com este espírito que proclamou oConcílio Vaticano II, com o qual iniciou uma nova página nahistória da Igreja: os cristãos sentiram-se chamados a anunciar oEvangelho com renovada coragem e com uma atenção mais vigilante aos "sinais" dos tempos. O Concílio foi deveras uma intuição profética deste idoso Pontífice que inaugurou, no meio de não poucas dificuldades, uma nova era deesperança para os cristãos e para a humanidade. Nos últimos momentos da sua existência terrena, ele confiou àIgreja o seu testamento: "O que tem mais valor na vida éJesusCristo bendito, a sua Santa Igreja, o seu Evangelho, averdade e abondade".[13]

A sua festa litúrgica é celebrada no dia 11 de outubro, dia em que teve início a primeira sessão do Concílio Vaticano II. É o patrono dos delegados pontifícios.[6]

Processo de canonização

[editar |editar código]
Ver artigo principal:Canonização de João XXIII e João Paulo II
A Canonização do Beato Papa João XXIII e do Beato Papa João Paulo II, os retratos de ambos estão pendurados nas sacadas da Basílica de São Pedro. Esta cerimônia ficou marcada por ser a primeira vez que dois Papas, celebraram juntos a canonização de um santo. O Papa Francisco presidiu a celebração, e o Papa Emérito Bento XVI concelebrou.

Em 5 de julho de 2013 oPapa Francisco aprovou os votos favoráveis da Sessão Ordinária dos Cardeais e Bispos sobre acanonização do Beato João XXIII e decidiu que iria convocar umConsistório, no qual incluiria também a canonização do Beato João Paulo II, Papa que beatificou João XXIII. A canonização de João XXIII reveste-se de uma singularidade: foi aprovado sem o segundo milagre, ou seja, não foi necessário o reconhecimento de um novo milagre por sua intercessão, habitualmente exigido para concluir e confirmar a canonização. Normalmente o processo de canonização é confirmado por dois milagres: um para a beatificação e outro para a canonização propriamente dita. No caso de João XXIII, o requisito do segundo milagre foi dispensado pelo Papa Francisco.[64][65]

O Consistório foi convocado no dia 30 de setembro, quando o Papa Francisco anunciou que a cerimónia de canonização dos dois Papas (João XXIII e João Paulo II) seria em 27 de abril de 2014.[66] Finalmente, como previsto, João XXIII foi canonizado em 27 de abril de 2014, domingo daDivina Misericórdia, em Roma, juntamente com o também PapaJoão Paulo II. A missa de canonização foi presidida pelo Papa Francisco e concelebrada pelo Papa Emérito Bento XVI.[14] Sobre o Papa João XXIII, o Papa Francisco afirmou:

São João XXIII e São João Paulo II tiveram a coragem de contemplar as feridas de Jesus, tocar as suas mãos chagadas e o seu lado trespassado. Não tiveram vergonha da carne de Cristo, não se escandalizaram d’Ele, da sua cruz; não tiveram vergonha da carne do irmão (cf. Is 58, 7), porque em cada pessoa atribulada viam Jesus. Foram dois homens corajosos, cheios daparrésia do Espírito Santo, e deram testemunho da bondade de Deus, da sua misericórdia, à Igreja e ao mundo. Foram sacerdotes, bispos e papas do século XX. Conheceram as suas tragédias, mas não foram vencidos por elas. Mais forte, neles, era Deus; mais forte era a fé em Jesus Cristo [...]; mais forte, neles, era a misericórdia de Deus que se manifesta nestas cinco chagas; mais forte era a proximidade materna deMaria. Nestes dois homens contemplativos daschagas de Cristo e testemunhas da sua misericórdia, habitava «uma esperança viva», juntamente com «uma alegria indescritível e irradiante» (1 Ped 1, 3.8). [...] Esta esperança e esta alegria respiravam-se naprimeira comunidade dos crentes, emJerusalém. [...] É uma comunidade onde se vive o essencial doEvangelho, isto é, o amor, a misericórdia, com simplicidade e fraternidade. E esta é a imagem de Igreja que oConcílio Vaticano II teve diante de si. João XXIII e João Paulo II colaboraram com oEspírito Santo pararestabelecer e actualizar a Igreja segundo a sua fisionomia originária, a fisionomia que lhe deram os santos ao longo dos séculos. [...] Na convocação do Concílio, São João XXIII demonstrou umadelicada docilidade ao Espírito Santo, deixou-se conduzir e foi para a Igreja um pastor, um guia-guiado, guiado pelo Espírito. Este foi o seu grande serviço à Igreja; por isso gosto de pensar nele comoo Papa da docilidade ao Espírito Santo.[67]

Corpo exposto e bem preservado

[editar |editar código]
Sarcófago de vidro do Papa João XXIII, na Basílica de São Pedro

Em 2001, o cadáver de João XXIII foi transferido do subterrâneo para ser definitivamente exposto ao público no interior daBasílica de São Pedro, mais concretamente numa capela lateral próxima do altar deSão Jerónimo. Atualmente, ele está dentro de um caixão de bronze e vidro, à prova de balas e deradiação ultravioleta. Uma vez exposto, as pessoas constataram rapidamente o surpreendente grau de preservação do corpo de João XXIII.[62]

Porém, geralmente, o seu cadáver intacto não é considerado umcorpo incorrupto, porque a sua preservação pode não ter uma causa milagrosa. Segundo o professor Gennaro Goglia, ele contribuiu para preservar o cadáver de João XXIII com um tratamento especial que, embora não sendo umaembalsamação, implicava a aplicação de um líquido especial, com o objectivo de tornar possível a exposição do cadáver durante o funeral.[62] Mas esta tese não é a única, existindo ainda várias outras teses e explicações científicas para serem debatidas e provadas.[68][69]

Críticas, controvérsias e teorias de conspiração

[editar |editar código]
Ver artigo principal:Críticas e teorias de conspiração envolvendo o Papa João XXIII

Apesar de ser amado, aclamado e homenageado por muitos, o Papa João XXIII é também alvo de várias críticas, acusações e teorias de conspiração, que são feitas e defendidas maioritariamente por alguns grupos decatólicos tradicionalistas, entre os quais se destacam ossedevacantistas e os conclavistas.[12] Estes grupos defendem que João XXIII eramaçom ourosacruciano;[12][70][71][72][73] era simpatizante ou cúmplice docomunismo, dosocialismo e de correntes radicais anticatólicos;[12] e era umheregemodernista por defender oecumenismo, aliberdade religiosa e a realização doConcílio Vaticano II.[12] Por acusá-lo de ser um herege, alguns até defendem a teoria conspiratória de que João XXIII era umantipapa que usurpou ilegalmente acátedra de São Pedro, que devia pertencer ao cardealGiuseppe Siri.[71][72][73]

Em 17 de agosto de 2003, o jornal britânicoThe Guardian publicou um documento confidencial da Igreja, ao qual teve acesso, datado de 16 de março de 1962, instruindo bispos em todo o mundo a encobrir casos de abuso sexual por clérigos, ou correriam o risco de seremexpulsos da Igreja. O documento, com o selo do papa João XXIII , chama-se "De Modo Procedendi in Causis Solicitationis",[74] ou seja "Instrução sobre como proceder em casos de solicitação".[nota 1] No documento de 69 páginas, pede-se que as vítimas façam um juramento de sigilo no momento de fazer uma reclamação aos oficiais da Igreja. Afirma que as instruções devem 'ser diligentemente armazenadas nos arquivos secretos da Cúria [Vaticano] como estritamente confidenciais. O tema se concentra no abuso sexual iniciado como parte da relação confessional entre um padre e um membro de sua congregação, mas cobre também aspectos relacionados com o "crime indescritível" com jovens de ambos os sexos e sexo com animais. Os bispos são instruídos a investigar esses casos 'da maneira mais secreta [...] contidos por um silêncio perpétuo [...] e todos devem observar o mais estrito segredo que é comumente considerado um segredo do Santo Ofício sob pena de excomunhão.[75][76][77]

O documento foi válido até ao ano de 2001, quando foi publicado pelo Vaticano um novo conjunto de procedimentos para investigar e julgar crimes canónicos especialmente graves, incluindo certos crimes sexuais cometidos pelo clero.[78]

Existem também alguns grupos, ligados àufologia ou à crença de profecias apocalípticas, que defendem que João XXIII teve vários contatos comextraterrestres e redigiu um conjunto deprofecias com muitas metáforas que abrangem desde a Segunda Guerra Mundial até aofim do mundo. Parte destas profecias obscuras foram registradas no livro "As Profecias do Papa João XXIII", de Pier Carpi.[79][80]

A Igreja Católica nunca se deu ao trabalho de oficialmente refutar as críticas dos grupos católicos tradicionalistas. Esta afirma que todas as dúvidas importantes acerca dasantidade, catolicidade e conduta de João XXIII foram clarificadas ou refutadas direta ou indiretamente pela sua beatificação. A Igreja conseguiu beatificá-lo sem grandes problemas e escândalos, sendo, segundo a Igreja, um forte sinal revelador do pouco impacto que estas críticas e acusações conspiratórias apresentam.[81][23][82]

Carta a Viúva de Marc Sangnier

[editar |editar código]

Durante sua atuação como Cardeal e Patriarca de Veneza em 1950, João XXIII decidiu escrever uma carta a esposa deMarc Sangnier, por ocasião de sua morte naquele mesmo ano.

"Cara Senhora:

Fiquei fascinado por Marc Sangnier quando o ouvi falar pela primeira vez em Roma por volta de 1903 ou 1904 em um encontro de jovens católicos. O poderoso carisma de suas palavras e seu espírito me cativaram. A lembrança mais vívida de toda a minha juventude é de sua personalidade e de sua atividade política e social... Por ocasião de sua morte, meu espírito foi verdadeiramente confortado ao notar que as 'vozes oficiais mais altas da França' se uniram unanimemente como um manto de honra para coroar Marc Sangnier com o Sermão da Montanha. Não se poderia prestar maior homenagem ou louvor à memória deste emblema francês cujos contemporâneos foram capazes de apreciar a clareza de uma alma profundamente cristã e uma nobre simplicidade de coração."

Segundo tradicionalistas ligados ao sedevacantismo, ao analisar a carta, percebe-se que João XXIII havia tido influência das ideias modernistas deMarc Sangnier desde sua juventude, ideias essas que foram condenadas pela igreja durante o pontificado deSão Pio X em sua encíclica Notre Charge Apostolique, promulgada em 15 de agosto de 1910. E, segundo sedevacantistas, justamente por concordar com as ideias modernistas de Marc Sangnier desde jovem, João XXIII não poderia ter sido eleito papa em 28 de outubro de 1958, uma vez que estava aderindo a práticas condenadas pela igreja católica e que deveriam ter resultado em sua excomunhão ou pela sua não entronização ao pontificado em 1958.

Entretanto, a acusação de que o futuro Papa João XXIII teria sido influenciado por ideias modernistas de Marc Sangnier a ponto de merecer excomunhão e ser impedido de assumir o pontificado contém diversas falhas e imprecisões históricas, teológicas e contextuais.

As iniciativas posteriores de Sangnier à sua excomunhão, como La Democratie e La Jeune République, receberam aprovação eclesiástica. Ao elogiar Sangnier em 1950, João XXIII estava reconhecendo o valor de um católico que, apesar de um percurso complexo, permaneceu obediente à Igreja e continuou a trabalhar dentro dos limites estabelecidos pela autoridade papal.

Relação com o Padre Pio

[editar |editar código]

Segundo o historiador italiano Sérgio Luzzatto, a relação entre João XXIII eSão Pio de Pietrelcina (ou "Padre Pio") era controversa e caracterizada pelo cepticismo e pelas críticas em relação ao Padre Pio feitas por João XXIII. Este Papa chegou mesmo a acusar e a acreditar que Padre Pio era umafraude e umaalma perdida que tinha uma féquase medieval e relaçõesincorretas com várias mulheres.[83]

Mas, uma outra fonte afirmava que a atitude de João XXIII em relação ao Padre Pio era, em geral, muito positiva. Mas, devido às informações erradas e negativas que ele recebeu, João XXIII tornou-se por isso bastante céptico e crítico. Contudo, segundo esta mesma fonte, pouco antes da sua morte, o Papa confessou que tinha sido informado erroneamente e reconheceu asantidade do Padre Pio. Pediu mesmo ao Padre Pio para rezar por ele.[84]

Ordenações[85]

[editar |editar código]

Ordenações diaconais

[editar |editar código]

Ordenações presbíteros

[editar |editar código]

Ordenações episcopais

[editar |editar código]

Foi o principal sagrante dos seguintesbispos:

E foi consagrante de:

Ver também

[editar |editar código]

Notas e referências

Notas

  1. "Solicitação", na sentido de "importunação [sexual]".Citação:O crime de importunação ocorre quando o sacerdote tenta um penitente, quem quer que seja, quer no ato da confissão sacramental, quer antes ou imediatamente depois, quer na ocasião, quer a pretexto da confissão, quer mesmo fora da confissão no confessionário ou (em um local) diferente daquele [normalmente] designado para a audiência de confissões ou [em um local] escolhido para o propósito simulado de ouvir uma confissão. [O objetivo desta tentação] é solicitar ou provocar [o penitente] em relação a assuntos impuros e obscenos, seja por palavras ou sinais ou acenos de cabeça, seja por toque ou por escrito, então ou depois [que a nota foi lida] ou se ele teve com [aquele penitente] fala ou atividade proibida e imprópria com ousadia temerária. ( Constituição Sacrum Poenitentiae). Excerto traduzido de"Crimine solicitationies", pág 1

Referências

  1. "Normas para o Ano Cristão". Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. 27 de novembro 2014. Disponível em:[1]. Página visitada em 20 de julho de 2015.
  2. «San Giovanni XXIII sarà patrono dell'Esercito».lastampa.it (em italiano). 10 de setembro de 2017. Consultado em 25 de agosto de 2022 
  3. abcdefghijklmnop«Biografia de João XXIII».Santa Sé. Consultado em 11 de Junho de 2009 
  4. abFRANCISCO (2013).«Discurso do Papa Francisco aos peregrinos da Diocese de Bérgamo (3 de Junho de 2013)». Santa Sé. Consultado em 29 de Abril de 2014 
  5. «Biografia do Papa João XXIII».www.vatican.va. Consultado em 25 de agosto de 2022 
  6. abcdefghij«Pope Blessed John XXIII» (em inglês). Saints.SQPN.com. Consultado em 12 de Junho de 2009 
  7. abcJOHN CARMEL HEENAN (1974).Crown of Thorns. an autobiography, 1951-1963 (em inglês). Londres: Hodder and Stoughton.ISBN 0-340-16816-1 
  8. ab«O Concílio Vaticano II». Doutrina Católica. Consultado em 10 de Junho de 2009 
  9. ab«Catolicismo e mundo moderno». Hieros. Consultado em 10 de Junho de 2009 
  10. abcdGEORGE WEIGEL (2002).A Verdade do Catolicismo. Resposta a Dez Temas Controversos. Lisboa: Bertrand Editora. p. 45 - 46.ISBN 972-25-1255-2 
  11. abcdefg«Biografias de Pio IX e João XXIII». Paróquias.org. 3 de Setembro de 2000. Consultado em 23 de Junho de 2009 
  12. abcdefg«The Scandals and Heresies of John XXIII»(PDF) (em inglês). Most Holy Family Monastery. Consultado em 10 de Junho de 2009 
  13. abcJOÃO PAULO II (2000).«Homilia de João Paulo II para o Rito de Beatificação Solene do dia 3 de Setembro de 2000»(n. 1). Santa Sé. Consultado em 10 de Junho de 2009 
  14. ab«Papa Francisco: "João XXIII e João Paulo II não tiveram vergonha da carne de Cristo"». Santa Sé. 27 de Abril de 2014. Consultado em 28 de Abril de 2014 
  15. ab«Biografia di Papa Giovanni XXIII» (em italiano). Santa Sé. Consultado em 19 de Novembro de 2025 
  16. abFrancesco Traniello (2001).«GIOVANNI XXIII, papa» (em italiano). Treccani Enciclopedia. Consultado em 19 de Novembro de 2025 
  17. abcdefghijJAMES MARTIN, S.J. (11 de Outubro de 2010).«Blessed Angelo Roncalli, Blessed John XXIII» (em inglês). America - In All Things. Consultado em 3 de Março de 2011 
  18. abcMARCOS AGUINIS (26 de Novembro de 2001).«The Legacy of John XXIII» (em inglês). Fundação Internacional Raoul Wallenberg. Consultado em 28 de Fevereiro de 2011 
  19. abcdefghij«Blessed Pope John XXIII» (em inglês). Casa do Papa João XXIII. Consultado em 13 de Junho de 2009 Nota: ver secçãoLife; subsecçõesMain dates eFlashes of the life.
  20. abcdefghiJOSEPH D'HIPPOLITO (20 de Agosto de 2004).«Pope John XXIII and the Jews» (em inglês). Fundação Internacional Raoul Wallenberg. Consultado em 28 de Fevereiro de 2011 
  21. «Testimonies and stories - Summary of the research work of the International Angelo Roncalli Committee» (em inglês). Fundação Internacional Raoul Wallenberg. Consultado em 28 de Fevereiro de 2011 
  22. abcd«Pope John XXIII (Bl. Angelo Giuseppe Roncalli)» (em inglês). Catholic Hierarchy. 2000. Consultado em 14 de Junho de 2009 
  23. abcdefgh«ALMOST A SAINT: POPE JOHN XXIII» (em inglês). St Anthony Messenger Magazine Online. 1996. Consultado em 10 de Junho de 2009 
  24. abcdef«Historical Studies and researches - Summary of the research work of the International Angelo Roncalli Committee» (em inglês). Fundação Internacional Raoul Wallenberg. Consultado em 1 de Março de 2011 
  25. ab«The IRWF postulates the Apostolic Delegate as a "Righteous Among the Nations"» (em inglês). Fundação Internacional Raoul Wallenberg. 7 de Setembro de 2000. Consultado em 19 de Junho de 2009 
  26. abSERGIO RUBIN (27 de Maio de 2001).«When John XXIII baptized Jews» (em inglês). Fundação Internacional Raoul Wallenberg. Consultado em 1 de Março de 2011 
  27. «Monsignor Angelo Rotta» (em inglês). Fundação Internacional Raoul Wallenberg. Consultado em 1 de Março de 2011 
  28. «Jewish Leader Wants Honor for John XXIII» (em inglês). Fundação Internacional Raoul Wallenberg. 4 de Novembro de 2008. Consultado em 19 de Junho de 2009 
  29. Peter Hebblethwaite e Margaret Hebblethwaite.«John XXIII: pope of the century»(págs. 100-102). Consultado em 4 de Março de 2011 
  30. FELIX CORLEY (27 de Fevereiro de 1999).«Fr. Jacques Loew: Spawned the Worker-Priest Movement» (em inglês).The Catholic - Labor Network. Consultado em 4 de Março de 2011 
  31. Urbi et Orbi,Time, 14 de Dezembro de 1953; págs.9 e10. Página visitada em 4 de Março de 2011 (em inglês)
  32. «Culture and Theology: The Ressourcement Movement (Part 3)» (em inglês). Vox Nova. 7 de Abril de 2008. Consultado em 4 de Março de 2011 
  33. abI choose John,Time, 10 de Novembro de 1958; págs.2 e3. Página visitada em 4 de Março de 2011 (em inglês)
  34. «The unlikely election of John XXIII» (em inglês). CatholicIreland.net. 2003. Consultado em 14 de Junho de 2009 
  35. VALENTINI, Demétrio.«Aprendiz de Papa». ADITAL. Consultado em 20 de julho de 2012 
  36. abc«John XXIII» (em inglês). History.com. Consultado em 5 de Março de 2011 
  37. «Decretum Contra Communismum» (em inglês e latim). Associação Cultural Montfort. Consultado em 27 de Abril de 2013 
  38. Dubium, 4 de Abril de 1959, inActa Apostolicae Sedis (AAS), 1959,p. 271-272 (em latim).
  39. «Decreto Contra o Comunismo e sua confirmação». missagregoriana.com.br. 3 de janeiro de 2013. Consultado em 27 de Abril de 2013 
  40. POLLIANNA MILAN (15 de Agosto de 2009).«Os condenados pela Igreja». Gazeta do Povo. Consultado em 5 de março de 2011 
  41. «15/08/2009 - Os condenados pela Igreja». Universidade de Brasília. Consultado em 5 de Março de 2011 
  42. Unisinos (2 de Abril de 2012).«A excomunhão de Fidel? Nunca existiu». Unisinos. Consultado em 11 de dezembro de 2012 
  43. «Two Italian productions about the "Turkish Pope" who saved Jewish lives» (em inglês). Fundação Internacional Raoul Wallenberg. 12 de Setembro de 2000. Consultado em 3 de Março de 2011 
  44. abcdefAUSTIN CLINE.«Biography: Pope John XXIII» (em inglês). About.com: Agnosticism / Atheism. Consultado em 13 de Junho de 2009 
  45. «Presidential Medal of Freedom» (em inglês). John F. Kennedy Presidential Library and Museum. Consultado em 4 de Março de 2011 
  46. «A fé, segredo que fez do Papa bom um homem de paz; explica Bento XVI». Zenit. 29 de Outubro de 2008. Consultado em 19 de Junho de 2009 
  47. «How John XXIII Changed History of Church and World» (em inglês). Zenit.org. Consultado em 30 de Julho de 2009 
  48. ANDREA TORNIELLI.«Dois bons Papas». Revista Passos Litterae Communionis. Consultado em 29 de Setembro de 2010 
  49. «Discorso di papa Giovanni XXIII ai carcerati di Regina Coeli» (em italiano). Consultado em 29 de Setembro de 2010 
  50. JOÃO XXIII (1962).«Discurso de Sua Santidade Papa João XXIII na Abertura Solene do SS. Concílio»(cap. V, n. 1).Santa Sé. Consultado em 10 de Junho de 2009 
  51. GEORGE WEIGEL (2002).A Verdade do Catolicismo. Resposta a Dez Temas Controversos. Lisboa: Bertrand Editora. p. 45, 68 e 69.ISBN 972-25-1255-2 
  52. abFACULTY OF CATHOLIC UNIVERSITY OF AMERICA (1967).New Catholic Encyclopedia (em inglês).XIV 1 ed. Nova Iorque: McGraw-Hill. p. 563.ISBN 0-7876-4004-2 
  53. GIUSEPPE ALBERIGO (2006).A Brief History of Vatican II (em inglês) 1 ed. Maryknoll: Orbis Books. p. 69.ISBN 1-57075-638-4 
  54. ab«Discorso alla Luna» (em italiano). Giovaniemissione. Consultado em 13 de Junho de 2009 
  55. «O Concílio Vaticano II»(DOC). Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios (PB). 1999. Consultado em 14 de Junho de 2009 
  56. «Encíclicas - João XXIII». Santa Sé. Consultado em 23 de Junho de 2009 
  57. abcdefPONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ (2004).«Compêndio da Doutrina Social da Igreja»(n. 89 - 104). Santa Sé. Consultado em 23 de Junho de 2009 
  58. abcMÁRITON SILVA LIMA (2003).«Os direitos sociais depois de Leão XIII». Consultado em 23 de Junho de 2009 
  59. abc«A DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA».Missionários da Consolata. 13 de Março de 2006. Consultado em 23 de Junho de 2009 
  60. JOÃO XXIII (1963).«Pacem in terris»(n. 1 e 37). Santa Sé. Consultado em 23 de Junho de 2009 
  61. «Stemma Summi Pontificis Ioannis Papae XXIII» (em latim). Santa Sé. Consultado em 13 de Junho de 2009 
  62. abc«João XXIII exposto em S. Pedro». Paróquias.org. 4 de junho de 2001. Consultado em 19 de Junho de 2009 
  63. «The narration of the healed sister» (em inglês). Casa do Papa João XXIII. Consultado em 19 de junho de 2009 
  64. Rádio Vaticana.«João Paulo II e João XXIII serão proclamados santos provavelmente este ano». 5/7/2013. Consultado em 7 de julho de 2013 
  65. Agência Ecclesia.«Vaticano: Papa aprova canonização de João XXIII sem necessidade de segundo milagre». 5/7/2013. Consultado em 4 de outubro de 2013 
  66. Canção Nova (26 de abril de 2014).«Confirmado: Bento XVI concelebrará Missa de canonização». Consultado em 26 de abril de 2014 
  67. FRANCISCO (2014).«Homilia do Papa Francisco para a Santa Missa e Canonização dos Beatos João XXIII e João Paulo II (27 de Abril de 2014)». Santa Sé. Consultado em 29 de Abril de 2014 
  68. JOHN VENNARI (2 de Maio de 2001).«Vatican Says Body Of John XXIII No Miracle» (em inglês). lewrockwell.com. Consultado em 19 de Junho de 2009 
  69. RENZO ALLEGRI (4 de Abril de 2003).«Pope John - incorrupt» (em inglês). Messenger of Saint Anthony. Consultado em 28 de Novembro de 2017 
  70. ORLANDO FEDELI (2005).«João XXIII, Paulo VI e a Maçonaria». Associação Cultural Montfort. Consultado em 10 de Junho de 2009 
  71. ab«Brief Overview of the V-2 Sect Antipopes: Roncalli to Ratzinger (October 28, 1958 - Present)» (em inglês). DestroyFreemasonry.com. Consultado em 11 de Junho de 2009 
  72. ab«Pope John XXIII - Modern conspiracy theories» (em inglês). Global Oneness. Consultado em 10 de Junho de 2009 
  73. ab«Pope John XXIII Was A Practicing Freemason» (em inglês). Rense.com. Consultado em 11 de Junho de 2009 
  74. «Instruction on the Manner of Proceeding in Causes involving the Crime of Solicitation». Vatican. 1962 
  75. Bowcott, Owen (18 de agosto de 2003).«Row over Vatican order to conceal priests' sex abuse» (em inglês). The Guardian 
  76. Barnett, Antony (17 de agosto de 2003).«Vatican told bishops to cover up sex abuse» (em inglês). the Guardian 
  77. Doyle, Thomas P.; Sipe, Richard; Wall, Patrick J. (2006).Sex, priests, and secret codes : the Catholic Church's 2000-year paper trail of sexual abuse. [S.l.]: Volt Press. pp. 47–51 
  78. Doyle, Thomas (15 de julho de 2011).«The 1922 instruction and the 1962 instruction "Crimen Sollicitationis" promulgated by the Vatican»(PDF). Arquivado em WayBack Machine 
  79. «Profecias e os ETs». Consultado em 10 de Junho de 2009 
  80. «João XXIII: o Papa que viu o fim do mundo». Nostradamus - A Hora da Verdade. Consultado em 29 de Setembro de 2010 
  81. «Pope John XXIII Rosicrucian Masonic Sect???? (página 1)» (em inglês). Catholic Answers Forums. Consultado em 4 de Março de 2011 
    «Pope John XXIII Rosicrucian Masonic Sect???? (página 2)» (em inglês). Catholic Answers Forums. Consultado em 4 de Março de 2011 
  82. I. Shawn McElhinney.«A Refutation of the Heresy of Sedevacantism» (em inglês). Consultado em 4 de Março de 2011 
  83. «Italy's favourite saint was a fraud believed former pope» (em inglês). Times Online. 25 de Outubro de 2007. Consultado em 29 de Julho de 2009 
  84. «Saint Father Pio – a sign and challenge» (em inglês). Sunday Catholic WeeklyNiedziela. 2008. Consultado em 29 de Julho de 2009 
  85. «Catholic Hierarchy» (em inglês) 

Ligações externas

[editar |editar código]
Outros projetosWikimedia também contêm material sobre este tema:
WikiquoteCitações noWikiquote
CommonsImagens emedia noCommons
Precedido por:
Dom Carlo Agostini
Brasão arquiepiscopal
Patriarca de Veneza

1953 — 1958
Sucedido por:
Dom GiovanniCardeal Urbani
Precedido por:
Dom Adeodato GiovanniCardeal Piazza,O.C.D.
Brasão arquiepiscopal
Cardeal-presbítero deSanta Prisca

1953 — 1958
Séculos I a IV
Séculos V a VIII
Séculos IX a XII
Séculos XIII a XVI
Séculos XVII a XX
Século XXI
História
Hierarquia
Doutrina
eTeologia
Culto
Organização
e Governo
Papas recentes
(séc. XX e XXI)
Outros
Organizações fundadas ou inspiradas porSão Francisco (1181–1226)
Geral
PioM
Ordens
e grupos
Papas
1927–50
1951–75

1951:Mohammed Mossadegh
1952:Isabel II do Reino Unido
1953:Konrad Adenauer
1954:John Foster Dulles
1955:Harlow Curtice
1956:Guerreiros Húngaros pela Liberdade
1957:Nikita Khrushchov
1958:Charles de Gaulle
1959:Dwight D. Eisenhower
1960:Cientistas Americanos:George Beadle /Charles Draper /John Enders /Donald A. Glaser /Joshua Lederberg /Willard Libby /Linus Pauling /Edward Purcell /Isidor Rabi /Emilio Segrè /William Bradford Shockley /Edward Teller /Charles Townes /James Van Allen /Robert Woodward
1961:John F. Kennedy
1962:Papa João XXIII
1963:Martin Luther King Jr.
1964:Lyndon B. Johnson
1965:William Westmoreland
1966:A Geração Abaixo dos Vinte e Cinco
1967:Lyndon B. Johnson
1968:Os Astronautas da Apollo 8:William Anders /Frank Borman /Jim Lovell
1969:A Classe Média Americana
1970:Willy Brandt
1971:Richard Nixon
1972:Henry Kissinger /Richard Nixon
1973:John Sirica
1974:Faisal da Arábia Saudita
1975:Mulheres Americanas:Susan Brownmiller /Kathleen Byerly /Alison Cheek /Jill Conway /Betty Ford /Ella Grasso /Carla Hills /Barbara Jordan /Billie Jean King /Carol Sutton /Susie Sharp /Addie Wyatt

1976–2000
2001–presente

2001:Rudy Giuliani
2002:As Delatoras:Cynthia Cooper /Coleen Rowley /Sherron Watkins
2003:O Soldado Americano
2004:George W. Bush
2005:Os Bons Samaritanos:Bono /Bill Gates /Melinda Gates
2006:Você
2007:Vladimir Putin
2008:Barack Obama
2009:Ben Bernanke
2010:Mark Zuckerberg
2011: O Manifestante
2012:Barack Obama
2013:Papa Francisco
2014:Combatentes do vírusebola: Jerry Brown / Kent Brantly / Ella Watson-Stryker / Foday Gollah / Salome Karmah
2015:Angela Merkel
2016:Donald Trump
2017:Aqueles que Quebraram o Silêncio
2018:Os Guardiões e a Guerra da Verdade:Jamal Khashoggi / Maria Ressa / Wa Lone e Kyaw Soe Oo / Funcionários doThe Capital
2019:Greta Thunberg
2020:Joe Biden /Kamala Harris
2021:Elon Musk
2022:Volodymyr Zelensky /Espírito da Ucrânia
2023:Taylor Swift
2024:Donald Trump
2025:Os Arquitetos da IA:Sam Altman /Dario Amodei /Demis Hassabis /Jensen Huang /Fei-Fei Li /Elon Musk /Lisa Su /Mark Zuckerberg

Controle de autoridade
Obtida de "https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Papa_João_XXIII&oldid=71732009"
Categorias:
Categorias ocultas:

[8]ページ先頭

©2009-2026 Movatter.jp