O formal Jardim Luxemburgo (Jardin du Luxembourg) apresenta 25hectares departerres empedrados e relvados, povoados porestátuas e providos de grandes tanques de água onde as crianças pilotam modelos de barcos. No canto sudoeste, existe um pomar de macieiras e pereiras e othéâtre des marionettes (teatro de marionetas).
O Palácio do Luxemburgo foi construído porMaria de Médici, mãe do reiLuís XIII da França, no local de um antigohôtel particulier pertencente a François, duque de Luxemburgo, de onde vem o seu nome. Marie de Médicis comprou a estrutura e o seu relativamente extenso domínio em1612, tendo encomendado o novo edifício, ao qual se referia comoPalais Médecis,[1] em1615. O seuarquitecto foiSalomon de Brosse.[2] A construção e mobiliamento do palácio formaram o seu principal projecto artístico, apesar de nada restar actualmente dos interiores tal como foram criados por ela, salvo alguns fragmentos arquitectónicos reunidos na Sala do Livro de Ouro (Salle du Livre d'Or).[3] Os conjuntos de pinturas que a rainha encomendou, de cujos temas ela expressou os seus requisitos através de agentes e conselheiros, estão dispersos por vários museus. Os mais célebres, uma série de vinte e quatro telas triunfantes, foram encomendados aPeter Paul Rubens.[4] Um série de pinturas executadas para o seu Gabinete Dourado (Cabinet Doré) foi identificado porAnthony Blunt em1967.[5]
O Palácio do Luxemburgo ao pôr-do-sol.
Marie instalou residência em1625, enquanto os trabalhos no interior continuavam. Os aposentos de um dos lados, no piso térreo, foram reservados para a rainha, e o conjunto correspondente no outro lado paraLuís XIII. A construção foi finalizada em1631. A rainha rãe foi expulsa da corte no mesmo ano, na sequência daJournée des dupes. Luis XIII encomendou, mais tarde, decorações para o palácio aNicolas Poussin ePhilippe de Champaigne.
Em1642, Marie deixou em herança o Palácio do Luxemburgo ao seu segundo filho,Gastão de Orleans, o irmão mais novo do rei. O palácio passou depois para a sua viúva e para a sua filha,Ana, Duquesa de Montpensier, que fez dele a sua residência. A filha desta, a Duquesa de Guise, herdou-o em1660 e deu-o aLuís XIV em1694.
Em Setembro de 1715, o palácio tornou-se a residência da Duquesa de Berry, a filha mais velha do Regente. Esta jovem viúva leva uma vida de festas e prazeres. Ela deve esconder várias gravidezes indesejadas e morre em resultado de um parto clandestino.[6] O palácio não voltaria a ser habitado até ser possuído porLuís XVI que o deu, em1778, ao seu irmão, oConde de Provença. Durante aRevolução, foi uma prisão durante um breve período, de seguida foi o centro doDiretório e mais tarde a primeira residência deNapoleão Bonaparte, comoPrimeiro Cônsul de França. O palácio manteve o seu papel senatorial, com breves interrupções, desde então.
O Jardim do Luxemburgo, com parisienses gozando o bom tempo.
Noséculo XIX o palácio foi extensamente remodelado, com uma nova fachada para o jardim, obra deAlphonse de Gisors realizada entre1836 e1841), e um ciclo de pinturas, realizado entre1845 e1847 porEugène Delacroix, o qual foi adicionado à biblioteca.
Durante a ocupação germânica de Paris (1940-1944),Hermann Göring ocupou o palácio, usando-o como quartel general daLuftwaffe em França. Tomou para si próprio um sumptuoso conjunto de salas para acomodá-lo nas suas visitas à capital francesa. O seu subordinado, omarechal de campo da LuftwaffeHugo Sperrle, também ocupou um apartamento e passou a maior parte da guerra gozando as luxuosas cercanias."A paixão do marechal de campo pelo luxo e pela exibição pública corre de perto com a do seu superior, Göring; ele também estava compatível em corpulência", escreveu o ministro do armamentoAlbert Speer depois de uma visita a Sperrle em Paris.
O palácio foi designado como um "ponto forte" para a defesa da cidade pelas forças alemãs em Agosto de1944, mas graças à decisão do general no comandoDietrich von Choltitz de render a cidade em vez de lutar, o palácio foi apenas minimamente danificado.
Planta do piso térreo mostrando o grandecour d'honneur (pátio de honre) encerrado.
O edifício foi mais tarde usado para a conferência de paz de1946.
O Palácio do Luxemburgo tem mais de residência secundária que de palácio urbano oficial. A sua planta é bastante característica doschâteaux franceses, como o de Verneuil-en-Halatte, no qualSalomon de Brosse participou. Compõe-se por um pátio quadrado, ocour d'honneur, um corpo de entrada coroado por umacúpula, a cúpula Tournon, e por pavilhões redobrados nocorps de logis.
Novidades, como ocorps de logis, que toma uma grande amplitude em comparação com as duas alas, ou ainda a parte central monumental, marcam ochâteau. O Palácio do Luxemburgo é o resultado da livre inspiração noPalazzo Pitti (Florença,Itália) pedida porMarie de Médicis que, tendo-se cansado doPalais du Louvre, desejava reencontrar o espírito florentino e a doçura que este lhe evocava, nomeadamente através do emprego das ornamentações de pedra na arquitectura do edifício em vez de uma mistura detijolo e pedra, como se encontra por exemplo no pavilhão de caça doChâteau de Versailles.
↑Registado em correspondência do residente de Florença Giovanni Battista Gondi, em Deborah Marrow,"Maria de' Medici and the Decoration of the Luxembourg Palace" - The Burlington Magazine121 No. 921 (Dezembro de 1979), pp. 783-788, 791.
↑A história do Palácio do Luxemburgo é discutida em R. Coope,Salomon de Brosse (Londres, 1972).
↑Blunt,"A series of paintings illustrating the History of the Medici Family executed for Marie de Médecis" - The Burlington Magazine109 (1967), pp 492-98, 562-66, e Marrow 1979.
↑Henri Carré,Mademoiselle. Fille du Régent. Duchesse de Berry 1695-1719, Paris, Hachette, 1936