Desde o início da sua carreira que a forma de tocar de Coleman era pouco ortodoxa. Seguia mais o seuouvido relativo do que obem comportadotemperamento igual. O seu sentido deharmonia eprogressão de acordes - muito menos rígido do que o dos músicos deswing oubebop - era flutuante e, por vezes, apenas sugerido e não explícito. Muitos músicos de Los Angeles consideravam-nodesafinado e Coleman tinha dificuldades em encontrar outros músicos que pensassem como ele. OpianistaPaul Bley[4] foi um dos seus seguidores desde o início.
Em1959, Ornette Coleman manteve-se muito ocupado. Assinou umcontrato para vários discos com aeditoraAtlantic Records e lançou o álbumTomorrow Is the Question!, com umquarteto que tinhaShelly Manne nabateria e excluía opiano de sua formação. Coleman não voltaria a utilizar piano em seus grupos até osanos 90. De seguida, convidou ocontrabaixistaCharlie Haden - um dos seus mais importantes colaboradores - para um conjunto comDon Cherry eBilly Higgins. GravaramThe Shape of Jazz to Come em1959. De acordo com ocrítico Steve Huey, foi um momento de viragem na génese doAvant-garde jazz, marcando profundamente o seu rumo e lançando um desafio que muitos ainda não conseguiram enfrentar.[5] Embora claramente baseados noblues e bastantemelódicos, os temas do álbum tinham umaharmonia pouco usual e imprevisível. Algunscríticos musicais viam Coleman como um charlatão sem talento, enquanto outros o achavam um génio.
O quarteto de Coleman foi contratado para vários espetáculos no clube de jazz deNova IorqueFive Spot. Algumas figuras notáveis, como oModern Jazz Quartet,Leonard Bernstein eLionel Hampton, ficaram impressionados e o encorajaram. Conta-se que Hampton ficou tão impressionado que teria pedido para tocar com eles. Bernstein ajudou Coleman a obter umabolsa decomposição. As opiniões, no entanto, dividiam-se: otrompetistaMiles Davis declarou que Coleman estava"todo lixado por dentro" eRoy Eldridge disse:acho que ele está agozar.
Parte da singularidade do som dos primeiros anos de Ornette Coleman devia-se ao facto de utilizar umsaxofone deplástico. Coleman afirmava que tinha um som mais"seco", sem o"ping" característico dometal. No entanto, em anos mais recentes tem utilizado umsaxofone demetal.
Coleman pretendia queFree Jazz fosse apenas o título do álbum, mas a sua crescente reputação colocou-o no primeiro plano da inovação jazzística e, passado pouco tempo, ofree jazz era considerado um novo género, embora Coleman tenha demonstrado reservas em relação ao termo.
Uma parte das razões porque Coleman não se sentia bem com o termofree jazz prendia-se com a importância dacomposição na sua música. As suasmelodias fazem lembrar as queCharlie Parker escreveu e estão, de modo geral, mais perto dobebop que o antecedeu do que se imagina. Apesar disso, Coleman quase nunca tocavastandards, concentrando-se nas suas próprias composições, que se sucediam num fluxo ininterrupto.
Após o período daAtlantic a sua música tornou-se maisabrupta e envolveu-se completamente com oAvant-garde jazz que se desenvolveu, em parte, em torno das suas inovações de Coleman.
Em1966 Coleman foi criticado por ter gravadoThe Empty Foxhole, um trio comCharlie Haden e com o seu filhoDenardo Coleman que tinha 10 anos de idade. Alguns pensaram que tinha sido um insensato golpe publicitário que falhou. Outros, no entanto, notaram que, apesar da sua juventude, Denardo havia estudadobateria durante vários anos, a suatécnica apesar de não ser refinada era aceitável e entusiástica, ligando-se mais ao estilo debatida debateristas defree jazz comoSunny Murray.Denardo Coleman tornou-se um músico respeitado e é obaterista principal de seu pai desde o final dadécada de 1970.
Mais tarde Coleman começou (tal comoMiles Davis fizera) a utilizarinstrumentos eléctricos. Discos comoVirgin Beauty eOf Human Feelings usavamritmos derock efunk, por vezes chamadofree funk. Podería parecer que Coleman aderira aojazz de fusão, em voga na época, mas o primeiro disco de Ornette com este grupo (Dancing in Your Head1976) era suficientemente diferente para ter impacto. Asguitarras eléctricas estavam em destaque, mas a música, no fundo, era semelhante aos seus trabalhos mais antigos. Estas sessões tinham as mesmas melodias abruptas eimprovisações colectivas.
Jerry Garcia tocouguitarra em três faixas do álbumVirgin Beauty. Por duas vezes, em 1993, Coleman apareceu em palco com osGrateful Dead tocando várias músicas da banda. Outra associação inesperada foi com oguitarristaPat Metheny, com quem gravou o discoSong X (1985), que embora editado sob o nome de Metheny foi composto por Coleman.
Em meados dadécada de 1990, assistiu-se a um assomo de atividade de Ornette Coleman. Entre1995 e1996 gravou quatro discos e trabalhou, pela primeira vez em muitos anos compianistas, entre os quais,Geri Allen eJoachim Kühn.
Embora fosse um venerável ancião dojazz, Coleman continuou a tocar regularmente e, muitas vezes, fazendo associações inesperadas com músicos jovens ou de culturas radicalmente diferentes.
Muitas das suas composições tornaram-sestandards e são bastante ouvidas e tocadas. Pianistas comoPaul Bley ePaul Plimley utilizam-nas.John Zorn gravou um álbum deThrash metal chamadoSpy Vs Spy (1989) com versões de músicas de Ornette Coleman e até o violinista demúsica country,Richard Greene utiliza temas de Coleman.
Ornette Coleman influenciou virtualmente todos os saxofonistas e músicos de jazz da geração seguinte que admiram o seu esforço de descobrir, não só a forma do jazz, mas de toda a música que está para vir.