As Ofensivas Alemãs da Primavera naFrente Ocidental que tiveram início em 21 de março de 1918 com aOperação Michael, terminaram em julho. Os alemães avançaram até aorio Marne mas ficaram por aí. Quando aOperação Marne-Reims terminou em julho, o comandante supremo Aliado, ofrancêsFerdinand Foch, deu ordem para uma contra-ofensiva, designada porSegunda Batalha do Marne. Os alemães, reconhecendo a sua difícil e insustentável posição, retiraram-se do Marne para norte; por esta vitória, Foch foi promovido aMarechal de França.
Foch considerava que tinha chegado o tempo dos Aliados voltar ao ataque. Osamericanos estavam agora presentes em França em largo número, e a sua presença dava força e motivação aos exércitos Aliados.[1]:472 O seu comandante, GeneralJohn J. Pershing, fazia questão de usar o seu exército de forma independente. O Exército Britânico também tinha recebido um grande número de reforços que tinham regressado das campanhas naPalestina e emItália, e muitos substitutos retidos no Reino Unido pelo Primeiro-ministroDavid Lloyd George.[1]:155
Foram tidas em conta várias propostas e, por fim, Foch concordou com uma do Marechal-de-CampoDouglas Haig, o comandante daForça Expedicionária Britânica (FEB), que pretendia atacar noSomme, a leste deAmiens e a sudoeste do campo de batalha daBatalha do Somme (1916), com o objectivo de forçar os alemães a afastarem-se da vital linha de caminho-de-ferro Amiens-Paris.[1]:472 A zona do Somme foi escolhida por se mostrar um local adequado à ofensiva por várias razões. Tal como em 1916, o sector marcava a fronteira entre a FEB e as forças francesas, separadas pela estrada Amiens-Roye, permitindo que as duas forças cooperassem. Também a zona rural dePicardy tinha terrenos firmes para a movimentação detanques, o que não acontecia na região daFlanders. Finalmente, as defesas alemãs, em particular o 2.º Exército Alemão liderado pelo GeneralGeorg von der Marwitz, eram relativamente fracas, tendo sofrido ataques contínuos pelos australianos num processo designado porpenetração pacífica.
A Batalha de Amiens, (em que o ataque francês ao flanco sul ficou conhecido como Batalha de Montdidier), teve início a 8 de Agosto de 1918, com um ataque de mais de 10 Divisões Aliadas — australianas, canadianas, britânicas e francesas — e mais de 500 tanques.[1]:497 Depois de uma cuidada preparação, os Aliados conseguiram efectuar o ataque em total surpresa para os alemães.[2]:20,95[3] O ataque, liderado pelos Corpos Australiano e Canadiano do 4.º Exército Britânico, destruíram as linhas alemãs, com os tanques a atacar a retaguarda das posições alemãs, espalhando o pânico e a confusão. No final do primeiro dia, os Aliados avançaram 24 km pelas linhas do inimigo a sul do Somme.[4] Os Aliados fizeram 17 000 prisioneiros e capturaram 330 armas. As vítimas dos alemães foram estimadas em 30 000 no dia 8 de agosto, enquanto as dos Aliados terão sido de 6 500 homens mortos, feridos e desaparecidos. O colapso da moral dos alemães levouErich Ludendorff a caracterizar este dia como "o dia mais negro do Exército Alemão ".[2]:20,95
O avanço continuou por mais três dias sem, no entanto, os resultados espectaculares do primeiro dia, pois a rapidez do primeiro dia ultrapassou o apoio da artilharia e diminuiu em muito os mantimentos.[5] Durante aqueles três dias, os Aliados, avançaram 19 km, a grande maioria no primeiro dia, devido aos reforços alemães.[6] A 10 de agosto, os alemães começaram a sair dosaliente que tinham ocupado durante a Operação Michael, em março, regressando para aLinha Hindenburg.[7]
A 15 de Agosto de 1918, Foch pediu que Haig continuasse a ofensiva de Amiens, mesmo com as crescentes dificuldades da falta de provisões e artilharia, e com a movimentação de tropas alemãs para aquele sector. Haig recusou e, preparou-se para iniciar uma nova ofensiva com o 3.º Exército Britânico emAlbert (Batalha de Albert), que teve início em 21 de agosto.[1]:713–4
1 de setembro de 1918,Péronne. Um posto armado com metralhadora, estabelecido pelo 54.º Batalhão australiano durante o ataque às forças alemãs na cidade.
A ofensiva foi um sucesso, forçando o 2.º Exército Alemão a recuar 55 km. Albert foi capturada a 22 de agosto.[8] O ataque foi alargado a sul pelo 10.º Exército Francês dando início àSegunda Batalha de Noyon, a 17 de agosto; a cidade deNoyon foi capturada a 29 de agosto.[8] A 26 de Agosto, a norte do ataque inicial, o 1.º Exército Britânico alargou a frente do ataque mais 11 km durante aSegunda Batalha de Arras.Bapaume caiu a 29 de agosto, naSegunda Batalha de Bapaume.
Com a queda da linha da frente, ocorreram diversas batalhas à medida que os Aliados forçavam os alemães a recuar para a Linha Hindenburg.
A este de Amiens (depois da batalha que aí teve lugar), com o avanço da artilharia e o reforço das munições, o 4.º Exército Britânico também avançou, com o Corpo Australiano a atravessar o rio Somme na noite de 31 de Agosto, derrubando as linhas alemãs durante aBatalha do Monte Saint-Quentin.[9] A 26 de Agosto, a norte do Somme, o 1.º Exército Britânico abriu a sua frente de ataque numa extensão de 11 km durante a Segunda Batalha de Arras, a qual incluiu aBatalha de Scarpe (1918) (26 de agosto) e a deDrocourt-Queant (2 de setembro).[10]
A sul da FEB, o 1.º Exército Francês aproximou-se da Linha Hindenburg nos arredores de Saint Quentin no decorrer daBatalha de Savy-Dallon (10 de setembro),[11]:128–9 e o 10.º Exército Francês avançou até à Linha Hindenburg junto deLaon, durante aBatalha de Vauxaillon (14 de setembro).[11]:125 O 4.º Exército Britânico aproximou-se da Linha ao longo do Canal de St Quentin naBatalha de Épehy (18 de setembro).
No dia 2 de setembro, os alemães foram obrigados a recuar até à Linha, de onde tinham lançado a sua ofensiva na Primavera.
A introdução de milhares de tanques ao longo da frente de batalha foi uma inovação fundamental que os aliados desenvolveram durante quase 2 anos, a fim de vencer o impasse da guerra detrincheiras nafrente ocidental, e para a qual os alemães não se prepararam devidamente. Na foto, um tanque francêsRenault FT ultrapassa uma trincheira.
As principais defesas alemãs estavam posicionadas na Linha de Hindenburg, um conjunto de fortificações defensivas desde Cerny, norio Aisne, atéArras.[12] Antes da principal ofensiva de Foch ter início, os salientes a oeste e a este da Linha foram destruídos emHavrincourt eSt. Mihiel, a 12 de setembro; e emEpehy eCanal du Nord em 27 de setembro.[2]:217
O primeiro ataque da "Grande Ofensiva" de Foch foi lançado a 26 de setembro pelos franceses e pelaForça Expedicionária Americana naOfensiva Meuse-Argonne — esta ofensiva inclui as batalhas deSomme-Py (26 de setembro),Saint-Thierry (30 de setembro),Montfaucon (6 de outubro) eChesne (1 de novembro). A ofensiva foi efectuada em terreno difícil, levando a que a Linha de Hidenburgo só fosse quebrada no dia 17 de outubro.
Dois dias mais tarde, o Grupo do Exército comandado porAlberto I da Bélgica (o Exército Belga, o 2.º Exército britânico, liderado pelo GeneralHerbert Plumer e o 6.º Exército francês, sob o comando do General Degoutte) lançaram um ataque perto deYpres, naFlanders (aQuinta Batalha de Ypres). Os ataques foram bem-sucedidos, no início, mas começaram a ter problemas devido à questões logísticas.
A 29 de Setembro, o ataque ao centro da Linha Hindenburg começou, com o 4.º Exército britânico, liderado pelo Corpo Australiano, a atacar o Canal de St. Quentin (Batalha do Canal de St. Quentin) e o 1.º Exército francês a atacar as fortificações fora de St. Quentin (Batalha de St. Quentin). A 5 de Outubro, os Aliados entraram nas defesas de Hindenburg numa frente de 31 km.[11]:123 Rawlinson registou, "Se os Boches nãos tivessem mostrado sinais de degradação durante o mês passado, nunca teria pensado em atacar a Linha Hindenburg. Se tivesse sido defendida pelas mesmas tropas alemãs de há dois anos, com certeza que teria sido impossível ultrapassá-las …"
Subsequentemente, a 8 de outubro, o 1.º e o 3.º Exércitos britânicos, comandados pelo Corpo canadiano, penetraram na Linha Hindenburg naBatalha de Cambrai.[13]
Todos estes ataques à Linha forçaram o Alto Comando alemão a aceitar que a guerra tinha que terminar. A queda da moral dos alemães também convenceu os comandantes Aliados, e muitos líderes políticos, de que a guerra podia terminar em 1918; anteriormente, todos os esforços se tinham concentrado no planeamento de um grande ataque para 1919.
Durante o mês de outubro, os exércitos alemães retiraram-se dos territórios conquistados em 1914. Os Aliados pressionaram a retirada dos alemães até à linha paralela ao caminho-de-ferro de Metz a Bruges, que lhes tinha servido para abastecer toda a frente na região Norte da França e da Bélgica durante grande parte da guerra. À medida que os exércitos Aliados se iam aproximando da linha, os alemães eram forçados a abandonar grandes quantidades de equipamento pesado e de provisões, reduzindo ainda mais a sua moral e capacidade de resistência.[14]
Tropas canadianas abrigadas numa vala ao longo da estrada de Arras-Cambrai.
As baixas foram elevadas tanto do lado Aliado como do lado do exército alemão em retirada. Atrás da Linha Hidenburg tiveram lugar algumas batalhas como aBatalha de Selle (9 de Outubro), Batalha de Courtrai (14 de Outubro), Batalha de Mont-D’Origny (15 de Outubro), Batalha de Selle (17 de Outubro), Batalha do Lys e Escaut (20 de Outubro), Batalha do Serre (20 de Outubro),'Batalha de Valenciennes (1 de Novembro) eBatalha do Sambre (incluindo a Segunda Batalha de Guise (4 de Novembro) e a Batalha de Thiérache (4 de Novembro), com os combates a continuarem até aos últimos minutos antes da hora marcada noArmistício, 11h00 de 11 de Novembro de 1918. Um dos últimos soldados a morrer foi o soldado canadianoGeorge Lawrence Price, dois minutos antes da hora do final da guerra.[15]
Notas
Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia eminglês cujo título é «Hundred Days Offensive», especificamentedesta versão.
↑Christie, Norm M (1999).For King and Empire: The Canadians at Amiens, August 1918. [S.l.]: CEF Books.ISBN1-896979-20-3
↑Schreiber, Shane B (2004) [1977].Shock army of the British Empire: the Canadian Corps in the last 100 days of the Great War. St. Catharines, ON: Vanwell.ISBN1-55125-096-9.OCLC57063659
↑Orgill, Douglas (1972).Armoured onslaught: 8th August 1918. New York: Ballantine Books.ISBN0-345-02608-X
↑«Canada's Hundred Days». Canada: Veterans Affairs. 29 de Julho de 2004. Consultado em 7 de agosto de 2008
↑Dancocks, Daniel George (1987).Spearhead to Victory—Canada and the Great War. [S.l.]: Hurtig. p. 294.ISBN0-88830-310-6.OCLC16354705
↑Christie, Norm M (2005) [1997].The Canadians at Arras and the Drocourt-Queant Line, August–September, 1918. For King and Empire: a social history and battlefield tour: CEF Books.ISBN1-896979-43-2.OCLC60369666
↑Christie, Norm M (1997).The Canadians at Cambrai and the Canal du Nord, August–September 1918. For King and Empire: a social history and battlefield tour: CEF Books.ISBN1-896979-18-1.OCLC166099767
↑Wasserstein, Bernard (2007).Barbarism and civilization: a history of Europe in our time. [S.l.]: Oxford University Press. pp. 93–96.ISBN978-0-1987-3074--3
Bond, Brian.The Unquiet Western Front, Britain's Role in Literature and History. Cambridge University Press; 1 edition (2007).ISBN 978-0-521-03641-2
Bean, C.E.W.Official Histories – First World War, Volume VI – The Australian Imperial Force in France during the Allied Offensive. Angus and Robertson Ltd (1942)
Christie, Norm M. (1999). For King and Empire, The Canadians at Amiens, August 1918. CEF Books.ISBN 1-896979-20-3.
Christie, Norm M. (2005).The Canadians at Arras and the Drocourt-Queant Line, August–September, 1918. CEF Books.ISBN 1-896979-43-2. OCLC 60369666.
Christie, Norm M (1997).The Canadians at Cambrai and the Canal du Nord, August–September 1918. CEF Books.ISBN 1-896979-18-1. OCLC
Dancocks, Daniel George (1987).Spearhead to Victory—Canada and the Great War. Hurtig Publishers. p. 294.ISBN 0-88830-310-6. OCLC 16354705.
Hanotaux, Gabriel.Histoire Illustree de la Guerre de 1914, Tome 17. Gounouilhou (1924)
Livesay, J.F.B.Canada’s Hundred Days. Thomas Allen (1919)
Orgill, Douglas (1972). Armoured onslaught: 8 August 1918. New York: Ballantine Books.ISBN 0-345-02608-X.
Schreiber, Shane B (2004). Shock army of the British Empire: the Canadian Corps in the last 100 days of the Great War. St. Catharines, Ontario: Vanwell.ISBN 1-55125-096-9. OCLC 57063659.