Novo Ateísmo é um movimento social e político que começou no início da década de 2000 em favor doateísmo e dosecularismo e que é promovido por escritores ateus modernos que defendem a ideia de que "a religião não deve ser simplesmente tolerada, deve ser combatida, criticada e exposta por argumentosracionais, sempre que a sua influência surge."[1]
Há incerteza sobre o quanto a influência do movimento tem tido sobre demografia religiosa em todo o mundo. NaInglaterra e noPaís de Gales, em 2011, houve um aumento de grupos, associações de estudantes, publicações e aparições públicas de ateus, o que coincidiu com o fato de que o grupoirreligioso da sociedade é o de maior crescimento demográfico, seguido pelosislâmicos eevangélicos.[2]
O Novo Ateísmo adequa-se e muitas vezes sobrepõe-se aohumanismo secular e aoantiteísmo, particularmente em sua crítica do que muitos Novos Ateus consideram ser adoutrinação das crianças e a perpetuação deideologias baseadas na crença no sobrenatural.
Após a morte de Hitchens,Ayaan Hirsi Ali passou a ser descrita como a "Quarta Cavaleira do Não Apocalipse".[12] Hirsi Ali nasceu emMogadíscio, naSomália, e fugiu para osPaíses Baixos em 1992, para escapar de umcasamento arranjado.[13] Ela se envolveu napolítica holandesa, rejeitou afé e se tornou uma importante ativista contra a ideologia islâmica, especialmente a respeito das mulheres, como exemplificado por seus livrosInfidel eThe Caged Virgin.[14]
Hirsi Ali posteriormente envolveu-se na produção do filmeSubmission, pelo qual seu amigoTheo van Gogh foi assassinado a tiro em umaciclovia deAmsterdã por umfundamentalista islâmico. O extremista também deixou uma ameaça de morte a Hirsi Ali presa em um punhal fincado no peito de van Gogh.[15] Isto levou Hirsi Ali a se esconder e mais tarde a imigrar para osEstados Unidos, onde agora reside e continua a ser uma crítica prolífica doislamismo,[16] das religiões em geral e ao tratamento dado às mulheres na religião e nas sociedades islâmicas,[17] além de ser uma defensora daliberdade de expressão e da liberdade para ofender.[18][19]
Os novos ateus escrevem principalmente a partir de uma perspectiva científica. Ao contrário de autores anteriores, muitos dos quais achavam que a ciência era indiferente, ou mesmo incapaz de lidar com o conceito de "Deus",Richard Dawkins argumenta o contrário, alegando que a "Hipótese de Deus" é uma hipótese científica válida,[30] que produz efeitos no universo físico e, como qualquer outrahipótese, pode ser testada e refutada. Outros novos ateus, comoVictor J. Stenger, propõem que o Deusabraâmico é uma hipótese científica que pode ser testada por métodos padrão da ciência. Tanto Dawkins quanto Stenger concluem que esta hipótese falha diante de tais testes[31] e argumentam que onaturalismo é suficiente para explicar tudo o que observamos no universo, dasgaláxias mais distantes, aorigem da vida, asespécies e os funcionamentos internos docérebro e daconsciência. Em nenhum lugar, argumentam eles, é necessário introduzir Deus ou osobrenatural para compreender a realidade. Novos Ateus têm sido associados ao argumento do ocultamento divino e à ideia de que "ausência de evidência é evidência de ausência".
Os novos ateus afirmam que muitas reivindicações religiosas ou sobrenaturais (como onascimento virginal de Jesus e avida após a morte) são afirmações científicas por natureza. Eles argumentam, assim comodeístas e cristãos progressistas, por exemplo, que a questão da suposta ascendência deJesus não é uma questão de "valores" ou "moral", mas uma questão de investigação científica.[32] Os novos ateus acreditam que a ciência é agora capaz de investigar pelo menos algumas, se não todas, as reivindicações sobrenaturais.[33] Instituições como aMayo Clinic e aUniversidade de Duke estão tentando encontrar suporteempírico para o poder de cura daoração de intercessão.[34] De acordo com Stenger, estas experiências não encontraram nenhuma evidência de que a oração de intercessão funciona.[35]
Stenger também argumenta em seu livroGod: The Failed Hypothesis que um Deusonisciente,onibenevolente eonipotente, que ele chamou de um "Deus 3O", não podelogicamente existir.[36] Uma série semelhante de refutações lógicas da existência de um Deus com vários atributos podem ser encontradas na obraThe Impossibility of God deMichael Martin e de Ricki Monnier,[37] ou no artigo de Theodore M. Drange, "Incompatible-Properties Arguments".[38]
Os novos ateus são particularmente críticos da visão de "magistérios não-interferentes" defendida porStephen Jay Gould sobre a existência de um "domínio em que uma forma de ensino tem as ferramentas apropriadas para o discurso significativo e a resolução".[39] Na proposta de Gould, ciência e religião devem limitar-se a domínios distintos e não sobrepostos: a ciência seria limitada à esferaempírica, incluindo teorias desenvolvidas para descrever observações, enquanto a religião abordaria questões de valormoral. Os líderes do Novo Ateísmo afirmam que esta ideia não descreve fatos empíricos sobre a intersecção entre ciência e religião. Em um artigo publicado na revistaFree Inquiry[32] e mais tarde em seu livro de 2006Deus, um delírio, Dawkins escreve que asreligiões abraâmicas lidam constantemente com assuntos científicos. Matt Ridley observa que a religião faz mais do que falar sobre significados morais e a ciência não está proibida de fazer o mesmo. Afinal de contas, a moral envolve o comportamento humano, um fenômeno observável, e a ciência é o estudo de fenômenos observáveis. Ridley observa que há investigação científica substancial sobre as origensevolutivas daética e damoralidade.[40]
A ideia de que a ciência e os fatos objetivos atualmente desconhecidos podem instruir a moralidade humana de uma forma globalmente comparável foi popularizada porSam Harris. No livroA Paisagem Moral,[41] Harris propõe que o bem-estar humano e, inversamente, o sofrimento podem ser pensados como uma paisagem com picos e vales que representam inúmeras maneiras de conseguir extremos na experiência humana e que existem estados objetivos de bem-estar.
O Novo Ateísmo é politicamente engajado de várias maneiras, como campanhas para reduzir a influência da religião na esfera pública, tentativas para promover a mudança cultural sobre a aceitação generalizada doateísmo e esforços para promover a ideia de uma "identidade ateia". As divisões estratégicas internas sobre estas questões também têm sido notáveis, assim como as questões sobre a diversidade do movimento em termos de equilíbrio entre gêneros e raças.[42]
↑Hitchens, Christopher (2007).God is Not Great: how religion poisons everything. [S.l.]: Atlantic Books; First Trade Edition. 320 páginas.ISBN1843545748
↑Stenger, Victor J. (2009).The new atheism : taking a stand for science and reason.Amherst, New York: Prometheus Books. p. 70.ISBN1-59102-751-9
↑Stenger, Victor J. (2007). «1».God : the failed hypothesis : how science shows that God does not exist [Nachdr.] ed. Amherst (New York): Prometheus Books.ISBN1-59102-481-1
↑Gould, Stephen Jay (1999).Rocks of Ages: Science and Religion in the Fullness of Life, The Library of Contemporary Thought. New York: Ballantine Pub. Group
↑Ridley, Matt (1998).The Origins of Virtue: Human Instincts and the Evolution of Cooperation. [S.l.]: Penguin