A mulher de Noé (Gênesis 6:18; 7:7, 13; 8:16, 18), segundo a tradição judaica não bíblica, é chamada de Noéma ouNaamá (Na'amah - cheia de beleza) uma mulher cananita. Há quem a identifique como proveniente da descendência deCaim, sendo irmã deTubalcaim que era filho deLameque. O seu nome não vem mencionado noPentateuco ou noTorá, na história de Noé. No livro dosJubileus, o seu nome é conhecido porEnzara e seria sobrinha do Patriarca.
Contudo o personagem carece de evidências históricas sólidas. A história de Noé por seus elementos fantásticos pertencem ao campo da mitologia.
O nascimento de Noé é relatado no livroapócrifo deEnoque e relata a história de uma estranha criança. Conta a história que Matusalém escolheu uma esposa para o seu filhoLameque e esta ficou grávida de um filho. Quando este nasceu repararam que era um bebê muito diferente dos outros e o seu pai teve medo. Ao ter medo, dirigiu-se a Matusalém para lhe contar o sucedido e disse-lhe:
"Eu tive um filho estranho, diferente de qualquer homem, e a sua aparência é como a dos filhos do Senhor do céu; e a sua natureza é diferente e não é como um de nós."
(Enoque 106:7)
Matusalém, ouvindo isto, viajou para longe, ao encontro deEnoque e contou-lhe o sucedido e este, ouvindo tudo, lhe respondeu: "O Senhor fará algo de novo na terra, porque na geração de meu paiJarede, alguns dos Anjos do Senhor transgrediram a palavra doSenhor e a sua lei, e uniram-se pecaminosamente com as filhas dos homens e tiveram filhos. Estes filhos resultantes desta união foram gigantes, não de acordo com o espírito mas de acordo com a carne. Por isto,oSenhor destruirá a Terra com um grande dilúvio e haverá grande destruição e castigo. E este filho que nasceu de teu filho será salvo, e os seus filhos com ele. E toda a humanidade restante morrerá." (Enoque 106:13-17)
Oslivros de Enoque e esta história não foram aceitos pelos Judeus, porque, segundo a sua doutrina, os Anjos não se poderiam misturar com as mulheres comuns. Além disto, Matusalém não poderia ter feito qualquer menção a respeito de Noé aEnoque, pois este já não podia ser encontrado mesmo alguns anos antes do nascimento de Noé, conforme a Bíblia, no capítulo 5 do Livro de Gênesis, versículos 21 a 29. Afirma-se entretanto que a origem deste episódio, estaria na Bíblia, em uma das interpretações para os versículos 1 e 2 do capítulo 6 dolivro de Gênesis.
Noé amaldiçoando seu neto Canaã, gravura deGustave Doré(1832–1883)
A história de Noé encontra-se no livro deGênesis, sendo seu nome mencionado pela primeira vez em Gênesis 5:29, encerrando com sua morte, em 9:29, com 950 anos. O relato conta que Noé era descendente da linhagem deSete, e viveu numa época em que as outras linhagens humanas (a partir dos descendentes deCaim e dos próprios parentes de Noé, provavelmente) mostraram-se corrompidas.
Na Bíblia, em Gênesis, é mostrado o arrependimento doSenhor em ter criado o homem, devido à maldade que este espalhara na Terra. Neste arrependimento, decide fazer um enorme dilúvio, fazendo desaparecer tudo que havia sido criado até então. Porém, decide poupar Noé, por este ter agido bem, e lhe recomenda fazer uma arca de madeira, e abrigar, junto com sua família, um casal de cada espécie existente.
Entretanto, arqueólogos não encontraram nenhuma evidência significante que comprove a existência do dilúvio.[5]
O Dilúvio supostamente ocorreu entre 6 de maio de 2349 a.C. até 30 de novembro de 2348 a.C., mas Noé só sai da arca no dia 18 de dezembro de 2348 a.C.
A Noé e seus descendentes coube a tarefa de povoar a região. A fonte extrabíblica deFlávio Josefo detalha em pormenores a descendência de Noé, e quais povos cada um de seus filhos e netos teria dado origem. Em certa altura, Noé embebedara-se com ovinho produzido de sua própriavideira de tal modo que encontrou-se nu em sua tenda. Seu filhoCam o viu e faz saber aos que estavam fora. Seus irmãos sabendo entraram na tenda de costas para cobrirem Noé sem o ver nu. Quando recobrou a consciência, Noé amaldiçoou seu netoCanaã, filho deCam, porém abençoando seus outros filhos,Sem eJafé. De acordo com o texto bíblico Noé teria vivido 950 anos.
A história de Noé tem forte significado simbólico sobre boa parte da história deIsrael, principalmente durante o período da conquista deCanaã narrada no livro deJosué. A maldição de Noé certamente foi usada pelos povos semitas (ou seja, descendentes de Sem, cujoshebreus fazem parte) como justificativa para a conquista da terra de Canaã (ocupada peloscananeus, alegadamente descendentes de Canaã, neto amaldiçoado de Noé).
De acordo com o texto bíblico, Noé teria vivido 950 anos. Tinha 500 anos quando gerou aSem,Cam eJafé. Com a idade de 600 anos, enfrentou o Dilúvio e ainda viveu mais três séculos e meio, o que significa que poderia ter falecido já nos dias deAbraão, já na décima geração de seus descendentes.
Os descendentes de Sem eram chamadossemitas. Os descendentes de Cam estabeleceram-se em Canaã, no Egito e na África. Os descendentes de Jafé estabeleceram-se, em sua maioria, naEuropa eÁsia Menor. Tais correspondências, evidentemente, não correspondem à ciência de Etnogênese, Demografia e Genética populacionais.
Os povos de fala semitas compartem as mesmas populações pré-históricas, mas em quantias diferentes: Agricultores e Pastores Natufitas, Antigo agricultor europeu (AGE ou em ing: EEF), Caçadores-Coletores do Irã e do Cáucaso, Pastor da África Oriental; compartilhando semelhanças os antigos cananeus (a incluir os antigos israelitas e judaítas) não somente com todas as populações do Levante, Península Arábica e Mesopotâmia, mas também em segundo grau com Egito, em terceiro grau com Irã, e em quarto, Anatólia, Cáucaso e Sul da Europa.[6]
Segundo o arcebispoJames Ussher, Noé nasceu em2 948 a.C. e morreu com 950 anos em1 998 a.C.. Seus três filhos mais conhecidos eramSem,Cam (ou Cã, Cão) eJafé.
Ele continuamente e abertamente alertou as pessoas dos tormentos que estavam vindo, porque eles foram iníquos e não obedeceram a Deus por cerca de mil anos (11:25,29:14,71:1-5). Noé chamou o povo para servir a Deus, e disse que ninguém, além de Deus poderia salvá-los (23:23), disse que o tempo do dilúvio já havia sido declarado e não poderia ser adiado, desta forma, seu povo deveria retornar a Deus, para que Ele pudesse perdoá-los (7:59-64,11:26).
Os chefes tribais, incrédulos, disseram que Noé certamente estava em um erro evidente, e era somente um mortal como eles. Noé respondeu a esta acusação afirmando que não estava errado, mas que fora o mensageiro do Senhor do Universo[parcial?] e transmitira-lhes as mensagens de Deus. Noé foi enviado como um aviso, para dar às pessoas a chance de se arrependerem para serem perdoados e encontrarem misericórdia (7:59-64,26:105-110).
Deus comandou Noé na construção de uma arca por Sua inspiração. Como começou a construir o barco, os chefes tribais passavam por ele e o escarneciam. Após a sua conclusão, o navio estava carregado com animais e a família de Noé (11:35-41). As pessoas que negaram a mensagem que Noé retransmitiu foram afogadas (7:64), o filho de Noé também foi uma delas (11:42-48). Este último pormenor não é perceptível em outras fontes e oAlcorão trata-o como uma prova para a sua originalidade. (11:49).
Noé é chamado de "um servo agradecido" (17:3). Entre as sementes de Noé (e Abraão), é colocada a profecia e a escritura (57:26).
A história do dilúvio, como outras do Antigo Testamento, não é um fato exclusivo da Bíblia. Esta estória escrita por Moisés é similar a outras tão antigas quanto a deUtnapishtim no épico deGilgamesh ou mesmo outro herói sumério chamado deZiusudra, no entanto sua importância reside no fato de ser a história do Dilúvio um marco entre duas formas de contar o tempo. Oano solar baseado nas estações do ano ou no caso nas cheias do Nilo e oAno lunar, baseado na lua cheia e nas marés de sizígia, esse último explicaria então a alegada longevidade dos lendários personagens bíblicos (77,5;76; 75,42; 75,83; 74,58; 80,17; 30,42; 80,75; 64,75; 79,17; 50; 36,5; 36,08; 38,67; 19,92;19,92; 19,17; 12,33; 17,08; 14,58; 15) inclusos no livro do Pentateuco. (Não explica a idade que tiveram filhos: 10,83 ; 8,75; 7,5; 5,83; 5,42; 13,5; 5,42; 15,58; 15,17; 41,67; 8,33; 2,92; 2,5; 2,83; 2,5; 2,67; 2,5; 2,42; 5,83; 8,33; 5).
Tal estória, também pode ser observada entre os gregos antigos no mito doDeucalião.
Noé foi comparado a miúdo comDeucalião, o filho dePrometeu eHesínoe na mitologia grega. Como Noé, Deucalião é avisado do dilúvio (porZeus ePosídon); constrói uma arca e abastecea-a com criaturas e, quando a sua viagem termina, ele agradece aos deuses e recebe deles conselhos sobre como repovoar a Terra. Deucalião também envia uma pomba para saber da situação do mundo e o pássaro volta com um ramo deoliveira. Deucalião, em algumas versões do mito, tamém se converte no inventor do vinho, tal como Noé.[7]Fílon eJustino equiparam a Deucalião com Noé, eJosefo usou a história de Deucalião como evidência de que o dilúvio ocorreu realmente e que, portanto, Noé existiu.[8][8]
O tema de umadivindade do clima que encabeçava o panteão causando a grande inundação, e a seguir uma divindadetrapaceira que, tendocriado os homens a partir do barro, então salva o homem, também está presente namitologia suméria, comEnlil (em lugar de Zeus) provocando a inundação, eEnqui (em lugar de Prometeu) salvando o homem. Stephanie West escreveu que isso pode ter se dado porque os gregos pegaram emprestadas histórias doOriente Próximo.[9]
Outros gêneses e outras histórias de civilizações ao redor do planeta, semelhantes à de Noé, são também relatadas. Foi encontrada emNipur, naBabilônia meridional, uma tabuinha de1 600 a.C. contendo a história de uma devastadora inundação.
Ossumérios também já haviam relatado uma história semelhante, muito antes mesmo doshebreus surgirem como povo.
↑«Noah the Patriarch».catholicsaints.info (em inglês). Consultado em 18 de novembro de 2025
↑«Search Entry».www.assyrianlanguages.org. Consultado em 28 de outubro de 2024
↑«Search Entry».www.assyrianlanguages.org. Consultado em 28 de outubro de 2024
↑Rogerson, John William (1985).«Old Testament Criticism in the Nineteenth Century». [S.l.: s.n.]
↑«The Palace of King David (Or Not)» (em inglês).Slate. 15 de janeiro de 2008. Consultado em 22 de agosto de 2011.Archaeologists have discovered no significant evidence for Noah's flood, Sodom and Gomorrah, Abraham, Isaac, or Jacob. They don't believe Jews were enslaved in Egypt, wandered in the desert, or conquered the Promised Land. Plenty of evidence has survived about later parts of the Hebrew Bible—the cut-rate monarchs and latecomer generals in the books of Kings—but the great Bible heroes remain stuck in the world of myth.)