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Nhandevas

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 Nota: "Chiripás" redireciona para este artigo. Para outros significados, vejaChiripá.
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Nhandevas (Nhandeva-Guarani)
Ava-Katu-Ete
Cerimônia Nhandeva no Mato Grosso do Sul.
População total
17 000 pessoas
Regiões com população significativa
Paraguai7 000
Brasil10 000
Línguas
guarani dialeto nhandeva,guarani Paraguaio,Espanhol ePortuguês
Religiões
xamanismo nhandeva-guarani ecristianismo popular
Grupos étnicos relacionados
Mbyá,Kaiowá,Ava-Chiriguano,Guarayo,Izozeño,Tapieté

Nhandevas são um dospovos guaranis contemporâneos, que se autorreconhece comoAvá Katú Eté. São conhecidos também pelas expressõesChiripá,Ava-Chiripá,Tsiripá eApytare nos territórios em que habitam.

Outros povos guaranis são osembiás, oscaiouás, osavá-chiriguanos, osguaraios, osizozeños e ostapietés. Devido a proximidade de seus dialeto, nas classificações linguísticas tais povos são considerados subgrupos dentro de uma mesma grande etnia, os guaranis.

História

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Muito tem se especulado sobre a trajetória dos nhandevas enquantogrupo étnico, antes e depois do estabelecimento das frentes coloniais. Algumas teorias apontam para a possibilidade deste grupo ser descendente doscarimas doséculo XVIII que por sua vez seriam descendentes de grupos dispersos dembarakajus que noséculo XVI e início doXVII teriam se estabelecido junto a povoamentos coloniais e nasmissões jesuíticas[1].

Outra teoria estabelece como marco fundacional histórico desta etnia a constituição das missões jesuíticas. Lá, a identidade nhandeva teria se estabelecido a partir da conjunção de diversas etnias diferentes que, uma vez reduzidas, teriam estabelecido contrastes identitários e relações de alteridade com os chamados "povos das florestas" (emcastelhano:monteses) que, por sua vez, seriam os ancestrais dos grupos caiouás ao norte e embiás ao sul. Este período nas reduções explicaria uma série de características singulares dos nhandevas em comparação com os outros grupos que lhes lhes teria rendido a reputação de serem índios aculturados.

Outra hipótese ainda afirma que todos os grupos guaranis atuais são consequência da reconfigurações identitárias ocasionadas pelo período colonial. Grupos distintos que, assumindo diferentes posturas - distanciamento, proximidade, predação etc. - ante os colonizadores, teriam enfatizado diferentes elementos de sua sociocosmologia, suprimindo outros.

Osapapokuva

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Contatados em1906 pelo antropólogoalemãoKurt Unkel na região doAraribá em meio a sua jornada em busca daterra sem males, o grupo Nhandeva, cuja autodenominação tribal eraapapokuva (em Nhadeva-Guarani, "Arcos Longos") se tornaria um marco na história da etnologia guarani. Kurt foi aceito no grupo - e até mesmo rebatizado deKurt Unkel Nimuendaju. EmAs lendas da criação e destruição do mundo como fundamentos da religião dos Apapocuva-guarani, Kurt Nimuendaju foi o primeiro ocidental a registrar de forma aprofundada elementos importantes dacosmologia guarani, de suas narrativas lendárias dacosmogênese às profecias sobre cataclismo, assim como os relatos sobre a longa jornada empreendida por esse grupo, dasselvas doParaguai ao litoral dooceano Atlântico.

Os primeiros que abandonaram a sua pátria, migrando para o leste foram os vizinhos meridionais dos Apapocúva: a horda dos Tañyguá, sob a liderança do pajé chefe Ñanderyquyní, que era temido feiticeiro. Subiram lentamente pela margem direita do Paraná, atravessando a região dos Apapocúva, até chegar à dos Oguauíva, onde seu guia morreu. Seu sucessor, Ñanderuí, atravessou com a horda do Paraná - sem canoas, como conta a lenda - , pouco abaixo da foz do Ivahy, subindo então pela margem esquerda deste rio até a região de Villa Rica, onde cruzando o Ivahy, passou-se para o Tibagy, que atravessou na região de Morro Agudos. Rumando sempre em direção ao leste, atravessou com seu grupo o rio das Cinzas e o Itararé até se deparar, finalmente com os povoados de Paranapitinga e Pescaria na cidade de Itapetinga, cujos primeiros colonos nada melhor souberam fazer que arrastar os recém-chegados a escravidão. Eles porém, conseguiram fugir, perseverando tenazmente em seu projeto original, não de volta para o oeste, mas para o sul, em direção ao mar. Escondidos nos ermos das montanhas da Serra dos Itatins fixaram-se então, a fim de se prepararem para a viagem milagrosa através do mar à terra onde não mais se morre.

— Kurt Nimuendaju[2]

Tekoá Ocoí e a Represa de Itaipu

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Uma das comunidades nhandevas que se tornou mais conhecida noBrasil é a doOcoí, cujas terras foram inundadas em1982 pelaHidrelétrica de Itaipu, sem a adequada compensação aos índios.[carece de fontes?] Outro conjunto de seis aldeias, duas do norte doParaná e quatro noestado de São Paulo, tem sido identificados, por suas peculiaridades, comoNhandeva-Guarani[3]

Nominações

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Existe uma série de mal-entendidos que decorrem dos diversos sentidos em que a expressãonhandeva é empregada em diferentes regiões. Na região doChaco, noParaguai, a expressão está vinculada àlíngua tapiete, um dialeto específico relacionado àlíngua nhandeva, sendo utilizada também nesta região como uma denominação geral que abarca todos os grupos guaranis.Nhandeva é também uma expressão existente nos outros dialetos guaranis como oembiá e significa "nossa gente" ou "gente como a gente", dando conta de relações deparentesco e pertençaétnica. NoMato Grosso do Sul, por oposição aoscaiouás, os nhandevas são designados simplesmente como "guaranis".

Localização contemporânea

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Existem comunidades nhandevas por todo o leste doParaguai na área delimitada pelorio Paraná e os riosAcaray eJejuí, e nos estados brasileiros doMato Grosso do Sul, doParaná, deSanta Catarina,Rio Grande do Sul eSão Paulo. Tem como vizinhos os territóriosembiás ao sul ecaiouás ao norte. NaArgentina, é possível encontrá-los em pequenos grupos vivendo entre os embiás na província deMisiones.

Bibliografia

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  • MELIÁ, Bartolomeu. El guaraní conquistado y reducido. 3 ed. Asunción: Centro de Estudios Antropolológicos, 1993.
  • MELIA, Bartolomeu. El guarani: experiência religiosa. Asunción: CEADUC-CEPAG, 1991.
  • MELIA, Bartolomeu. GRUNBERG, George. GRUNBERG, Friedl. Los Pai-Tavyterã - etnografia guarani del Paraguay contemporáneo. Asunción: Centro de Estudos Antropológicos, 1976.
  • NIMUENDAJU, Curt. As lendas da criação e destruição do mundo. São Paulo: HUCITEC - EDUSP, 1987.

Ver também

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Referências

  1. Lenguas del mundo
  2. NIMUENDAJU, Curt. As lendas da criação e destruição do mundo. São Paulo: HUCITEC - EDUSP, 1987, P. 10.
  3. Costa, 2003

Ligações externas

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