| Museu da Língua Portuguesa | |
|---|---|
| Informações gerais | |
| Tipo | Museu de idiomas |
| Inauguração | 20 de março de2006 (19 anos) |
| Visitantes | 386 789 (2014)[1] |
| Website | museudalinguaportuguesa.org.br |
| Geografia | |
| País | Brasil |
| Cidade | São Paulo,SP |
| Coordenadas | 23° 32′ 06″ S, 46° 38′ 06″ O |
| Localização em mapa dinâmico | |
Museu da Língua Portuguesa ouEstação Luz da Nossa LínguaMHCa é ummuseu interativo sobre alíngua portuguesa localizado na cidade deSão Paulo,Brasil, no histórico edifício daEstação da Luz, noBairro da Luz, região central da cidade. Foi concebido pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo em conjunto com aFundação Roberto Marinho, tendo um investimento de cerca de 37 milhões dereais.[2]
O objetivo da instituição é criar um espaço vivo sobre a língua portuguesa, considerada como base dacultura doBrasil, onde seja possível causar surpresa nos visitantes com os aspectos inusitados e, muitas vezes, desconhecidos de sua língua materna. Segundo os organizadores do museu, "deseja-se que, no museu, esse público tenha acesso a novos conhecimentos e reflexões, de maneira intensa e prazerosa".[3]
O museu tem como alvo principal a média dapopulação brasileira, composta de pessoas provenientes das mais variadas regiões e faixas sociais do país, mas que ainda não tiveram a oportunidade de obter uma ideia mais precisa e clara sobre as origens, a história e a evolução contínua da língua. De sua inauguração até o final de 2012, mais de 2,9 milhões de pessoas já haviam visitado o espaço, consolidando-o como um dos museus mais visitados do Brasil e daAmérica do Sul.[4]
Em 21 de dezembro de 2015, o museu foi atingido por um incêndio que destruiu dois andares de sua estrutura.[5] Seu acervo, contudo, não se perdeu, por servirtual, sendo recuperado a partir debackups.[6] Depois de passar por uma restauração, o museu foi reinaugurado em 31 de julho de 2021. Por ocasião da cerimônia, a instituição foi agraciada com aOrdem de Camões, pelos relevantes serviços prestados à língua portuguesa.
O projeto foi iniciado em 2002, quando se começou a restaurar o prédio da Estação da Luz, sendo concluído em 2006. Teve como aliada no projeto aLei de Incentivo à Cultura, que demonstra a contemporaneidade em que vivemos. São Paulo ainda possui um fator simbólico para o local do museu, sendo a maior cidade de falantes do português no mundo.[2][7]
A ideia foi deRalph Appelbaum, autor também do Museu do Holocausto, emWashington, e da Sala de Fósseis doMuseu de História Natural, emNova Iorque. O projetoarquitetônico do museu é dePaulo e Pedro Mendes da Rocha, pai e filho, ambosbrasileiros. A direção do museu fica por conta da sociólogaIsa Grinspum Ferraz, que coordenou uma equipe de trinta especialistas do idioma para o museu. A direção artística é de Marcello Dantas.[8]
O museu foi inaugurado na segunda-feira de 20 de março de 2006,[2] com a presença do cantor e então ministro da culturaGilberto Gil, representando o ex-presidentebrasileiroLuiz Inácio Lula da Silva, da ministra da cultura dePortugal,Isabel Pires de Lima, do governador paulistaGeraldo Alckmin, do ex-presidenteFernando Henrique Cardoso, deAntónio Carmona Rodrigues, presidente daCâmara Municipal de Lisboa, do presidente daFundação Calouste Gulbenkian e outras autoridades representativas, não apenas dePortugal e doBrasil, mas de todos os países lusófonos.[2]

No dia 21 de dezembro de 2015, um incêndio de grandes proporções atingiu o prédio do museu, mobilizando 37 viaturas doCorpo de Bombeiros. O incêndio foi causado por curto-circuito que teve início no primeiro andar do prédio, no qual era exibida a exposição "O tempo e eu", baseada nos trabalhos do historiadorCâmara Cascudo.[9] O bombeiro civil do museu, Ronaldo Ferreira da Cruz, faleceu de parada cardiorrespiratória enquanto tentava conter o fogo.[10]
Apesar das instalações terem ficado totalmente destruídas, não houve grande prejuízo ao acervo, por ser na maior parte digital, podendo ser recuperado a partir decópias de segurança.[6] O maior prejuízo foi aopatrimônio arquitetônico do prédio, inaugurado originalmente em 1867 e restaurado em 2006 para receber as instalações do museu.[11]

Um mês depois do incêndio, foi assinado um acordo de cooperação entre oGoverno do estado, a Secretaria de Cultura, aFundação Roberto Marinho e a organização social ID Brasil, para a execução da reforma do museu.[12][13] Em 12 de dezembro de 2016, o governo do estado de São Paulo anunciou a parceria "Aliança Solidária" e anunciou que o museu deve voltar a receber visitantes no primeiro semestre de 2019. O custo total da obra de recuperação será de 65 milhões de reais, dos quais 34 milhões são investimentos da iniciativa privada. A empresa portuguesaEnergias de Portugal é a principal patrocinadora. OGrupo Globo e oGrupo Itaú também participam da Aliança. O arquiteto Pedro Mendes da Rocha, responsável pelo desenvolvimento do projeto original do Museu da Língua junto com seu pai, o premiado arquiteto e urbanistaPaulo Mendes da Rocha, fará as adaptações necessárias no projeto.[14] O Museu da Língua Portuguesa fez exposições itinerantes do seu acervo no estado de São Paulo em 2016, durante o processo de restauração do incêndio. A mostra de "Estação da Língua" foi aberta no dia 4 de março, emAraraquara, interior paulista, e passou por outras cidades durante o ano. Segundo a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, a exposição itinerante seguiu o conceito central do Museu da Língua Portuguesa, propondo interatividade e tecnologia como veículos para apresentar o idioma ao público, nos seus mais variados sotaques e evoluções. Como o acervo do museu é digital, ele pode ser aplicado e adaptado para outros espaços. A "Estação Língua" tinha trezentos metros quadrados de área expositiva, e entre as atrações, contou com o "Mapa dos Falares", mostrando a singularidade do português falado em diferentes regiões do estado de São Paulo.[15]

No dia 21 de dezembro de 2016 foram iniciadas as reformas no museu, restaurando primeiramente a face leste do edifício. De acordo com a gerente geral de Patrimônio da Fundação Roberto Marinho, Lucia Basto, no ano de 2017 a restauração teve como foco reconstituir e restaurar as fachadas restantes do Museu que sofreram deteriorações no incêndio de 2015. A gerente também disse que o modelo da estrutura arquitetônica seria mantido, porém adaptado às leis então vigentes. Ainda de acordo com ela, os planos e projetos para 2018 enquadravam a reconstituição do telhado, como também a parte hidráulica e elétrica. A reforma também contaria com a cobertura de zinco no estabelecimento, vidros temperados (para combater o alastramento de chamas) e equipamentos mais modernos, prevenindo futuros riscos de incêndios.[16] Concluída a reforma, que custou R$ 85,8 milhões, a reabertura do museu aconteceu em 31 de julho de 2021. No terceiro piso, foi projetado um terraço com vista para oJardim da Luz e para a torre dorelógio da estação. A infraestrutura e o sistema segurança passaram por uma reformulação, com novas medidas de prevenção a incêndios, como recomendado peloCorpo de Bombeiros. Novas medidas de sustentabilidade foram adotadas, como técnicas de economia de água e energia, bem como a reutilização e restauração da madeira que estava na construção original.[17][18][19] Durante a cerimônia de reinauguração, oPresidente da República Portuguesa,Marcelo Rebelo de Sousa, agraciou o Museu da Língua Portuguesa com o grau de Membro-Honorário da recém-criadaOrdem de Camões, tendo esta sido a primeira concessão desta ordem honorífica portuguesa.[20][21]



O museu possui um acervo inovador e predominantementevirtual, combinandoarte,tecnologia e interatividade, lembrando que o museu está localizado num prédio histórico. Composto das mais diversificadas exposições nas quais são utilizados objetos, vídeos, sons e imagens projetadas em grandes telas sobre a língua portuguesa, considerada do ponto de vista de patrimônio cultural dos povoslusófonos. Ocupa três andares da Estação da Luz, com 4 333 metros quadrados.[22] Criação do arquiteto brasileiro Rafic Farah, logo na entrada vê-se a chamada"Árvore da Língua", umaescultura com três andares de altura em que nas folhas surgem contornos de objetos e as raízes formadas por palavras que deram origem ao português. A árvore pode ser visualizada quando o visitante usa o elevador de acesso aos outros andares, que tem paredes transparentes.
No primeiro andar ficam localizadas as exposições temporárias, o Espaço Educativo Paulo Freire, e também outro espaço da administração.[23]
No segundo andar, a exposição "Línguas do mundo" é onde os visitantes podem ouvir as várias línguas faladas pelos povos, destacando 23 línguas diferentes.[24] A "Rua da Língua" é uma longa tela de cem metros, cobrindo boa parte da parede do primeiro andar. São projetadas palavras, textos, imagens e desenhos.[23] "Nós da Língua", 23 telas são expostas, com o nome dos países que falam a língua portuguesa próximo destas telas. Algumas das telas são interativas.[24] "Laços de família" mostra como a língua portuguesa surgiu, indo da línguaindo-europeu e o latim até as línguas como oportuguês, oespanhol e ogalego. A exposição "Português do Brasil" expõem a evolução da língua portuguesa desde sua origem histórica do latim durante a conquista dos romanos da região ibérica até as influências dos meios de comunicação atuais, como a televisão e as redes sociais. Algumas das telas são texto, outras são imagens, e em alguns casos há telas interativas com vídeos curtos explicando o tópico abordado naquela seção da exposição. A exposição "Palavras-cruzadas" são oito totens interativos. Essa exposição é complementar à exposição "Português do Brasil".[24] "Línguas do cotidiano" é um pequeno auditório onde há um projetor que exibe oito filmes diferentes.[23] O "Beco das palavras" envolve o uso de três telas interativas, cada uma com palavras diferentes. Com a correta interação, as palavras são unificadas e criam uma nova palavra com um novo significado.[23]
O terceiro andar também é chamado de "Língua viva".[25] A exposição "Falares" mostra a diversidade da língua portuguesa em seus sotaques, vocabulário, entre outros fatores que alteram o jeito de de se expressar a partir do português.[24] "O que pode a língua" é um auditório, usado para mostrar filmes e poesias. Ao final da exposição no auditório, os visitantes são convidados a irem ao terraço, onde têm uma visão privilegiada datorre do relógio da estação Luz e doJardim da Luz.[26][25]

