Uma flor, uma caveira e uma ampulheta representam avida, a morte e otempo nesta pintura do século XVII dePhilippe de Champaigne. Ocrânio humano é usado universalmente como um símbolo da morte.
É um processo universal e inevitável que eventualmente ocorre com todos os organismos vivos. O termo "morte" é geralmente aplicado a organismos inteiros; o processo semelhante observado em componentes individuais de um organismo vivo, como células ou tecidos, é anecrose. Algo que não é considerado um organismo vivo, como umvírus, pode ser fisicamente destruído, mas não se diz que ele "morreu". A morte faz-se notória e ganha destaque especial ao ocorrer em seres humanos. Não há nenhuma evidênciacientífica de que aconsciência continue após a morte,[6][7] no entanto existem váriascrenças em diversasculturas e tempos históricos que acreditam emvida após a morte. No início do século XXI, mais de 150 mil humanos morrem a cada dia.[8][9]
O conceito de morte é a chave para a compreensão humana do fenômeno.[12] Existem muitas abordagens científicas e várias interpretações do conceito. Além disso, o advento da terapia de suporte à vida e os vários critérios para definir a morte, tanto do ponto de vista médico quanto jurídico, dificultaram a criação de uma única definição unificadora.
Um dos desafios para definir a morte é distingui-la davida. Como um ponto no tempo, a morte parece referir-se ao momento em que a vida termina. Determinar quando a morte ocorre é difícil, já que a interrupção das funções vitais muitas vezes não é simultânea entre os diferentes sistemas orgânicos.[13] Essa determinação, portanto, requer o traçado de limites conceituais precisos entre a vida e a morte. Isso é difícil, devido ao pouco consenso sobre como definir a vida.
É possível definir a vida em termos de consciência. Quando aconsciência cessa, pode-se dizer que um organismo vivo morreu. Uma das falhas dessa abordagem é que muitos organismos estão vivos, mas provavelmente não estão conscientes (por exemplo,organismos unicelulares). Outro problema é o conceito de "consciência", que tem muitas definições diferentes dadas por cientistas, psicólogos e filósofos modernos. Além disso, muitas tradições religiosas, incluindo as tradiçõesabraâmicas edármicas, afirmam que a morte não significa (ou pode não) acarretar o fim da consciência. Em certas culturas, a morte é mais um processo do que um único evento. Implica uma lenta mudança de um estado espiritual para outro.
Outras definições para morte enfocam o caráter de cessação de algo. Mais especificamente, a morte ocorre quando uma entidade viva experimenta o fim irreversível de todo o funcionamento. No que se refere à vida humana, a morte é um processo irreversível em que alguém perde sua existência enquanto pessoa.[14]
Historicamente, as tentativas de definir o momento exato da morte de um ser humano têm sido subjetivas ou imprecisas. A morte já foi definida como a cessação dosbatimentos cardíacos (parada cardíaca) e darespiração, mas o desenvolvimento deRCP edesfibrilação imediata tornaram essa definição inadequada porque a respiração e os batimentos cardíacos às vezes podem ser reiniciados. Esse tipo de morte em que ocorre parada circulatória e respiratória é conhecido como definição circulatória de morte (DCM), cujos proponentes que uma pessoa com perda permanente da função circulatória e respiratória deve ser considerada morta.[15] Os críticos desta definição afirmam que, embora o fim dessas funções possa ser permanente, isso não significa que a situação seja irreversível, porque se a RCP fosse aplicada, a pessoa poderia ser reanimada. Assim, os argumentos a favor e contra a DCM se resumem a uma questão de definir as palavras "permanente" e "irreversível", o que complica ainda mais o desafio de definir a morte. Além disso, eventos que estavamcausalmente ligados à morte no passado não matam mais em todas as circunstâncias; sem um coração ou pulmões funcionando, às vezes a vida pode ser sustentada com uma combinação de dispositivos desuporte à vida,transplantes de órgãos emarca-passos artificiais .
Hoje, onde uma definição do momento da morte é necessária, os médicos e legistas geralmente recorrem à "morte cerebral" ou "morte biológica" para definir uma pessoa como morta; as pessoas são consideradas mortas quando a atividade elétrica em seus cérebros cessa. Presume-se que o fim da atividade elétrica indica o fim daconsciência. A suspensão da consciência deve ser permanente e não transitória, como ocorre em certasfases do sono e, principalmente, nocoma. No caso do sono, osEEGs podem facilmente dizer a diferença.
A categoria de "morte cerebral" é vista como problemática por alguns estudiosos. Por exemplo, o Dr. Franklin Miller, membro sênior do corpo docente do Departamento de Bioética doNational Institutes of Health, observa: "No final da década de 1990 ... a equação da morte encefálica com a morte do ser humano foi cada vez mais questionada por estudiosos com base em evidências sobre a gama de funcionamento biológico exibida por pacientes corretamente diagnosticados como tendo essa condição que foram mantidos emventilação mecânica por períodos substanciais de tempo. Esses pacientes mantiveram a capacidade de manter a circulação e a respiração, controlar a temperatura, excretar resíduos, curar feridas, combater infecções e, mais dramaticamente, gestar fetos (no caso de mulheres grávidas com "morte cerebral")".[16]
Embora a "morte cerebral" seja vista como problemática por alguns estudiosos, seus defensores acreditam que essa definição de morte é a mais razoável. O raciocínio por trás do apoio a essa definição é que a morte encefálica possui um conjunto de critérios confiáveis e reproduzíveis.[17] Além disso, o cérebro é crucial para determinar nossa identidade ou quem somos como seres humanos. Deve-se fazer a distinção de que "morte encefálica" não pode ser equiparada a alguém que está emestado vegetativo ou coma, visto que a primeira situação descreve um estado que está além da recuperação.
Aquelas pessoas que sustentam que apenas oneocórtex do cérebro é necessário para a consciência, às vezes argumentam que apenas a atividade elétrica deve ser considerada ao definir a morte. Eventualmente, é possível que o critério para a morte seja a perda permanente e irreversível dafunção cognitiva, conforme evidenciado pela morte docórtex cerebral. Toda esperança de recuperação do pensamento e dapersonalidade humana se vai, dada a tecnologia médica atual. Geralmente, na maioria dos lugares, a definição mais conservadora de morte –cessação irreversível da atividade elétrica em todo o cérebro, em oposição a apenas no neocórtex – foi adotada (por exemplo, a Lei de Determinação Uniforme da Morte nos Estados Unidos). Em 2005, o casoTerri Schiavo trouxe a questão da morte encefálica e sustento artificial para a frente dapolítica estadunidense.
Mesmo pelos critérios do cérebro inteiro, a determinação da morte encefálica pode ser complicada. EEGs podem detectar impulsos elétricos espúrios, enquanto certosmedicamentos,hipoglicemia,hipóxia ouhipotermia podem suprimir ou mesmo interromper a atividade cerebral temporariamente. Por causa disso, os hospitais têm protocolos para determinar a morte encefálica envolvendo EEGs em intervalos amplamente separados sob condições definidas.
Em 1980, a adoção dessa definição (morte encefálica) foi feita pela Comissão do Presidente para o Estudo de Problemas Éticos em Medicina e Pesquisa Biomédica e Comportamental.[20] Eles concluíram que essa abordagem para definir a morte foi suficiente para chegar a uma definição uniforme. Uma infinidade de razões foi apresentada para apoiar esta definição, incluindo: uniformidade de padrões na lei para estabelecer a morte; consumo de recursos fiscais de uma família para suporte artificial de vida; e estabelecimento legal para equiparar morte encefálica com o conceito de morte, a fim de prosseguir com adoação de órgãos.[21]
Além da questão do apoio ou da disputa sobre a morte encefálica, há outro problema inerente a essa definição categórica: a variabilidade de sua aplicação na prática médica. Em 1995, a American Academy of Neurology (AAN), estabeleceu um conjunto de critérios que se tornou o padrão médico para o diagnóstico de morte neurológica. Naquela época, três características clínicas precisavam ser satisfeitas para determinar a "interrupção irreversível" de todo o cérebro, como: coma com etiologia clara, interrupção da respiração e falta de reflexos do tronco cerebral.[22] Este conjunto de critérios foi atualizado novamente em 2010, mas ainda permanecem discrepâncias substanciais entre hospitais e especialidades médicas.
O problema de definir a morte é especialmente imperativo no que se refere àregra do doador morto, que pode ser entendida como: deve haver uma declaração oficial de óbito de uma pessoa antes de iniciar a obtenção de órgãos ou a obtenção de órgãos não pode resultar na morte do doador.[15] Muita controvérsia rodeou a definição de morte e a regra do doador morto. Os defensores da regra acreditam que a regra é legítima na proteção de doadores de órgãos, ao mesmo tempo em que se opõe a qualquer objeção moral ou legal à obtenção de órgãos. Os críticos, por outro lado, acreditam que a regra não atende aos melhores interesses dos doadores e que ela não promove efetivamente adoação de órgãos.
A morte de uma pessoa tem consequências jurídicas que podem variar entre as diferentes jurisdições. Acertidão de óbito é emitida na maioria das jurisdições, por um médico ou por um escritório administrativo, mediante a apresentação da declaração de óbito de um médico.
Há muitas referências anedóticas a pessoas sendo declaradas mortas por médicos e "voltando à vida", às vezes dias depois em seu próprio caixão, ou quando os procedimentos deembalsamamento estão prestes a começar. A partir de meados do século XVIII, houve um aumento do medo do público de ser enterrado vivo por engano[23] e muito debate sobre a incerteza dos sinais da morte. Várias sugestões foram feitas para testar os sinais de vida antes doenterro, variando de derramarvinagre epimenta na boca docadáver a aplicar picaretas em brasa nos pés ou noreto.[24] Escrevendo em 1895, o médico J. C. Ouseley afirmou que até 2.700 pessoas eram enterradas prematuramente a cada ano naInglaterra e noPaís de Gales, embora outros estimassem o número perto de 800.[25]
Em casos dechoque elétrico, aressuscitação cardiopulmonar (RCP) por uma hora ou mais pode permitir que osnervos atordoados se recuperem, permitindo que uma pessoa aparentemente morta sobreviva. Pessoas encontradas inconscientes sob água gelada podem sobreviver se seus rostos forem mantidos continuamente frios até chegarem a umpronto-socorro.[26] Essa "resposta ao mergulho", em que aatividade metabólica e as necessidades de oxigênio são mínimas, é algo que os humanos compartilham com oscetáceos, chamado dereflexo do mergulho dos mamíferos.
À medida que as tecnologias médicas avançam, as ideias sobre quando a morte ocorre podem ter que ser reavaliadas à luz da capacidade de restaurar a vitalidade de uma pessoa após longos períodos de morte aparente (como aconteceu quando a RCP e a desfibrilação mostraram que a cessação dos batimentos cardíacos é inadequada como um indicador decisivo de morte). A falta de atividade elétrica do cérebro pode não ser suficiente para considerar alguém cientificamente morto. Portanto, o conceito de morte teórica da informação[27] tem sido sugerido como um meio melhor de definir quando ocorre a morte verdadeira, embora o conceito tenha poucas aplicações práticas fora do campo dacriônica.
Houve algumas tentativas científicas de trazer organismos mortos de volta à vida, mas com sucesso limitado.[28] Em cenários deficção científica onde essa tecnologia está prontamente disponível, a morte real é diferenciada da morte reversível.
Morte cuidando de suas flores, em Kuoleman Puutarha, Hugo Simberg (1906).
A principal causa de morte humana nospaíses em desenvolvimento são asdoenças infecciosas. As principais causas empaíses desenvolvidos sãoaterosclerose (doenças cardíacas ederrames),câncer e outras doenças relacionadas àobesidade e aoenvelhecimento. Por uma margem extremamente ampla, a maior causa unificadora de morte no mundo desenvolvido é o envelhecimento biológico,[8] levando a várias complicações conhecidas comodoenças associadas ao envelhecimento. Essas condições causam perda dahomeostase, levando àparada cardíaca, causando perda deoxigênio e fornecimento de nutrientes, causando deterioração irreversível docérebro e de outrostecidos. Das cerca de 150 mil pessoas que morrem a cada dia em todo o mundo, cerca de dois terços morrem de causas relacionadas à idade. Nas nações industrializadas, a proporção é bem maior, chegando a 90%. Com a melhoria da capacidade médica, morrer tornou-se uma condição a ser controlada. Mortes em casa, antes comuns, agora são raras no mundo desenvolvido.
Crianças estadunidenses fumando em 1910. Otabagismo causou cerca de 100 milhões de mortes no século XX.[29]
Nasnações em desenvolvimento, as condições sanitárias inferiores e a falta de acesso àtecnologia médica moderna tornam a morte por doenças infecciosas mais comum do que nos países desenvolvidos. Uma dessas doenças é atuberculose, uma doença bacteriana que matou 1,8 milhão de pessoas apenas em 2015.[30] Amalária causa cerca de 400–900 milhões de casos defebre e 1–3 milhões de mortes anualmente.[31] O número de mortes pelaAIDS naÁfrica pode chegar a 90–100 milhões em 2025.[32][33]
De acordo comJean Ziegler (Repórter Especial das Nações Unidas sobre o Direito à Alimentação, de 2000 até março de 2008), a mortalidade pordesnutrição representou 58% da taxa de mortalidade total em 2006. Ziegler diz que em todo o mundo cerca de 62 milhões de pessoas morreram, sendo que dessas mortes mais de 36 milhões foram por fome ou por conta de doenças relacionadas a deficiências demicronutrientes.
Fumar tabaco matou 100 milhões de pessoas em todo o mundo no século XX e poderiam matar 1 bilhão de pessoas em todo o mundo no século XXI, alertou um relatório daOrganização Mundial da Saúde.[29]
Muitas das principais causas de morte no mundo desenvolvido podem ser adiadas pordieta adequada eatividade física, mas a incidência crescente de doenças com a idade ainda impõe limites àlongevidade humana. Acausa evolutiva do envelhecimento está, na melhor das hipóteses, apenas começando a ser entendida. Foi sugerido que a intervenção direta no processo de envelhecimento pode agora ser a intervenção mais eficaz contra as principais causas de morte.[34]
Le Suicidé deÉdouard Manet retrata um homem que recentemente se suicidou com uma arma de fogo.
Selye propôs uma abordagem não específica unificada para muitas causas de morte. Ele demonstrou que oestresse diminui a adaptabilidade de um organismo e propôs descrever a adaptabilidade como um recurso especial, aenergia de adaptação. O animal morre quando esse recurso se esgota.[35] Selye presumiu que a adaptabilidade é um suprimento finito, apresentado no nascimento. Posteriormente, Goldstone propôs o conceito de uma produção ou receita de energia de adaptação que pode ser armazenada (até um limite), como reserva de capital de adaptação.[36] Em trabalhos recentes, a energia de adaptação é considerada uma coordenada interna no "caminho dominante" no modelo de adaptação. É demonstrado que oscilações de bem-estar aparecem quando a reserva de adaptabilidade está quase esgotada.[37]
Em 2012, osuicídio ultrapassou os acidentes de carro como as principais causas de mortes por ferimentos humanos nos Estados Unidos, seguidos por envenenamento, quedas e assassinatos.[38] Em países de renda alta e média, quase metade a mais de dois terços de todas as pessoas vivem além dos 70 anos e morrem predominantemente dedoenças crônicas. Em países de baixa renda, onde menos de uma em cada cinco pessoas chega aos 70 anos e mais de um terço de todas as mortes ocorrem entre crianças menores de 15 anos, as pessoas morrem predominantemente de doenças infecciosas.[39]
Umaautópsia, também conhecida comoexame post-mortem ouobdução, é um procedimento médico que consiste em umexame completo de umcadáver humano para determinar a causa e a forma da morte de uma pessoa e para avaliar qualquerdoença oulesão que possa estar presente. Geralmente é realizado por ummédico especializado chamadopatologista.
As autópsias são realizadas para fins legais ou médicos. Uma autópsia forense é realizada quando a causa da morte pode ser uma questão criminal, enquanto uma autópsia clínica ou acadêmica é realizada para encontrar a causa médica da morte e é usada em casos de morte desconhecida ou incerta, ou para fins de pesquisa. As autópsias podem ser classificadas em casos em que o exame externo é suficiente e aqueles em que o corpo é dissecado e um exame interno é realizado. Em alguns casos, a permissão de parentes mais próximos pode ser necessária para uma autópsia interna. Uma vez que uma autópsia interna é concluída, o corpo é geralmente reconstituído por costura. A autópsia é importante em um ambiente médico e pode esclarecer erros e ajudar a melhorar as práticas. Anecropsia, que nem sempre é um procedimento médico, era um termo usado anteriormente para descrever um examepost-mortem não regulamentado. Nos tempos modernos, esse termo é mais comumente associado a cadáveres de animais.
Falar sobre a morte e testemunhá-la é uma questão difícil para a maioria das culturas. As sociedades ocidentais podem gostar de tratar os mortos com o máximo respeito material, com um embalsamador oficial e ritos associados. Sociedades orientais (como a Índia) podem ser mais abertas a aceitar a morte como umfato consumado, com uma procissão fúnebre do cadáver terminando em uma queima ao ar livre até as cinzas do mesmo.
Os aspectos jurídicos da morte também fazem parte de muitas culturas, particularmente o acordo do destino dopatrimônio do falecido e as questões deherança e, em alguns países, atributação de herança. Apena capital também é um aspecto culturalmente divisivo da morte. Na maioria das jurisdições onde a pena de morte é aplicada hoje, a pena de morte é reservada paraassassinato premeditado,espionagem,traição ou como parte daJustiça militar. Em alguns países, crimes sexuais, comoadultério esodomia, acarretam pena de morte, assim como crimes religiosos, comoapostasia, que é a renúncia formal de uma religião. Em muitos países, otráfico de drogas também é crime capital. Na China, otráfico de pessoas e casos graves decorrupção também são punidos com a morte. Nas forças armadas em todo o mundo, ascortes marciais impuseram sentenças de morte para crimes comocovardia,deserção,insubordinação emotim.[40]
Tudo é vaidade, obra deCharles Allan Gilbert, um exemplo dememento mori, destinado a representar como a vida e a morte estão interligadas.Lápides emQuioto, Japão.
NoBrasil, uma morte humana é contabilizada oficialmente quando é registrada por familiares do morto em umcartório. Antes de poder requerer o óbito oficial, o falecido deve ter feito o registro de nascimento oficial. Apesar da Lei de Registro Público garantir a todos os cidadãos brasileiros o direito de registrar os óbitos independentemente de seus meios financeiros, o governo brasileiro não retirou o ônus e os familiares (muitas vezes os filhos), como custos ocultos e as taxas para registrar uma morte de um parente. Para muitas famílias empobrecidas, os custos indiretos e o fardo do pedido de morte levam a um enterro cultural local mais fácil não oficial, o que, por sua vez, levanta o debate sobreataxas de mortalidade imprecisas no país.[41]
A morte na guerra e noataque suicida também têm laços culturais, e as ideias dedulce et decorum est pro patria mori,motim punível com a morte, parentes de soldados mortos em luto estão incorporadas em muitas culturas. Recentemente no mundo ocidental, com o aumento do terrorismo após osataques de 11 de setembro, mas também no passado com os atentados suicidas em missõeskamikaze naSegunda Guerra Mundial e missões suicidas em uma série de outros conflitos na história, morte por uma causa por forma de ataque suicida emartírio tiveram impactos culturais significativos. Osuicídio em geral, e particularmente aeutanásia, também são pontos de debate cultural. Ambos os atos são entendidos de maneiras muito diferentes em diferentes culturas. NoJapão, por exemplo, acabar com a vida com honra porseppuku era considerado uma morte desejável, enquanto nas culturas tradicionais cristã e islâmica, o suicídio é visto como um "pecado". Amorte é personificada em muitas culturas, com representações simbólicas como oGrim Reaper,Azrael, odeus hinduIama e oPai Tempo.
Muitas pessoas têm medo de morrer. Discutir, pensar ou planejar suas próprias mortes lhes causa desconforto. Esse medo pode levá-los a adiar o planejamento financeiro, preparar umtestamento ou solicitar ajuda de uma organização decuidados paliativos.
Pessoas diferentes têm reações diferentes à ideia de suas próprias mortes. O filósofoGalen Strawson escreve que a morte que muitas pessoas desejam é uma aniquilação inexperiente e indolor instantânea.[42] Nesse cenário improvável, a pessoa morre sem perceber e sem medo. Em um momento, a pessoa está andando, comendo ou dormindo e, no momento seguinte, a pessoa está morta. Strawson argumenta que esse tipo de morte não tiraria nada da pessoa, pois ele acredita que uma pessoa não pode ter uma reivindicação legítima de propriedade no futuro.[43]
Antes de cerca de 1930, a maioria das pessoas nospaíses ocidentais morria em suas próprias casas, cercada pela família e confortada pelo clero, vizinhos e médicos fazendo visitas domiciliares.[44] Em meados do século XX, metade de todos os estadunidenses morreram em um hospital.[45]
No início do século XXI, apenas cerca de 20–25% das pessoas nos países desenvolvidos morriam fora de uma instituição médica.[46][47]
A mudança da morte em casa para a morte em um ambiente médico profissional foi denominada "morte invisível". Essa mudança ocorreu gradualmente ao longo dos anos, até que a maioria das mortes agora ocorrem fora da casa da pessoa.[48]
As cerimônias após a morte podem incluir váriaspráticas de luto,práticas fúnebres e rituais de homenagem ao falecido. Os restos mortais de uma pessoa, comumente conhecidos comocadáveres oucorpos, são geralmenteenterrados inteiros oucremados, embora entre as culturas do mundo haja uma variedade de outros métodos deeliminação mortuária.
A morte é o centro de muitas tradições e organizações; os costumes relativos à morte são uma característica de todas as culturas ao redor do mundo. Muito disso gira em torno do cuidado com os mortos, bem como da vida após a morte e da eliminação dos corpos no início da morte.
A eliminação de cadáveres humanos, em geral, acaba em enterro oucremação. No entanto, esta não é uma prática unificada; noTibete, por exemplo, o corpo recebe umtúmulo no céu e é deixado no topo de uma montanha. A preparação adequada para a morte e as técnicas e cerimônias para produzir a habilidade de transferir as realizações espirituais de alguém para outro corpo (reencarnação) são assuntos de estudo detalhado no Tibete. Amumificação ouembalsamamento também é comum em algumas culturas, para retardar a taxa dedecomposição.
Umthangka mostrando obhavacakra com os antigos cinco reinos cíclicos desaṃsāra na cosmologia budista. Textos medievais e contemporâneos geralmente descrevem seis reinos de reencarnação.
Na doutrina e na prática budista, a morte desempenha um papel importante. A consciência da morte foi o que motivou o príncipeSidarta Gautama a se esforçar para encontrar o"imortal" e, finalmente, alcançar ailuminação. Na doutrina budista, a morte funciona como um lembrete do valor deter nascido como ser humano . Renascer como ser humano é considerado o único estado em que se pode atingir a iluminação. Portanto, a morte ajuda a lembrar a si mesmo de que não se deve considerar a vida algo natural. A crença no renascimento entre os budistas não remove necessariamente aansiedade da morte, uma vez que toda existência nociclo de renascimento é considerada repleta desofrimento, e renascer muitas vezes não significa necessariamente que se progrida.[50]
Ilustração que descreve as crenças hindus sobre areencarnação.
Nos textos hindus, a morte é descrita como ojiva-atma espiritual eterno individual (alma ou eu consciente) saindo do corpo material temporário atual. A alma sai deste corpo quando o corpo não pode mais sustentar o eu consciente (vida), o que pode ser devido a razões mentais ou físicas, ou mais precisamente, a incapacidade de agir sobre okama (desejos materiais). Durante a concepção, a alma entra em um novo corpo compatível com base nos méritos e deméritos restantes dokarma (atividades materiais boas/más baseadas nodharma) e no estado da mente (impressões ou últimos pensamentos) no momento da morte.[51][52][53][54]
Normalmente, o processo dereencarnação (transmigração da alma) faz com que a pessoa esqueça todas as memórias de sua vida anterior.[55] Visto que nada realmente morre e o corpo material temporário está sempre mudando, tanto nesta vida quanto na próxima, a morte significa simplesmente o esquecimento de nossas experiências anteriores (identidade material anterior).[56]
A existência material é descrita como cheia de misérias decorrentes do nascimento, doença, velhice, morte, mente, clima, etc.[57][58] Para conquistar osamsara (o ciclo de morte e renascimento) e se tornar elegível para um dos diferentes tipos demoksha (liberação), é preciso primeiro conquistarkama (desejos materiais) e tornar-seautorrealizado.[59][60][61] A forma de vida humana é mais adequada para esta jornada espiritual,[62][63] especialmente com a ajuda desadhu (pessoas santas autorrealizadas),sastra (escrituras espirituais reveladas) eguru (mestres espirituais autorrealizados), dado que todos os três estão de acordo.[64][65][66][67]
A morte como uma entidade sensível é um conceito que existe em muitas sociedades desde o início da história. A morte também é representada por uma figuramitológica em várias culturas. Naiconografiaocidental, ela é, usualmente, representada como uma figuraesquelética vestida de manta negra comcapuz e portando umafoice/gadanha. É representada nas cartas dotarô e frequentemente ilustrada na literatura e nas artes. A associação da imagem com o ceifador está relacionada aotrigo, que naBíblia simboliza a vida. Eminglês, é geralmente dado, à morte, o nome deGrim Reaper (literalmente, "ceifeiro sombrio"). Também é dado o nome de Anjo da Morte (emhebraico: מַלְאַךְ הַמָּוֶת,Malach HaMavet), decorrente da Bíblia. A morte também é uma figuramitológica que tem existido na mitologia e na cultura popular desde o surgimento dos contadores de histórias. Namitologia grega,Tânato seria a divindade que personificava a morte, eHades, o deus do mundo da morte. Oceifador também aparece nas cartas detarô e em vários trabalhos televisivos e cinematográficos. Uma das formas dessa personificação é um grande personagem da sérieDiscworld deTerry Pratchett. Grande parte dos romances da série centra-se nela como personagem principal.
Em alguns casos, essa personificação da morte é realmente capaz de causar a morte da vítima,[69] gerando histórias de que ela pode sersubornada, enganada, ou iludida, a fim de manter uma vida. Outras crenças consideram que oespectro da morte é apenas umpsicopompo e serve para cortar os laços antigos entre aalma e o corpo e para orientar o falecido ao outro mundo, sem ter qualquer controle sobre o fato da morte da vítima. Osmexicanos personificam a morte na figura daSanta Muerte, umadeusa resultante dosincretismo entre as mitologiascatólica emesoamericanas.
SegundoLeite de Vasconcelos, na noite deTodos os Santos, em Barqueiros, era tradição preparar, àmeia-noite, uma mesa comcastanhas para os mortos da família irem comer; e depois ninguém mais tocava nas castanhas porque se dizia que estavam "babadas dos defuntos". É também costume deixar um lugar vago à mesa para o morto ou deixar a mesa cheia de iguarias toda a noite daconsoada para as "alminhas".[70]
Nas Viagens do Barão de Rozmital, de 1465 a 1467, encontram-se algumas referências aos clamores e brados e outras tradições fúnebres: "Ha tambémalli esta costumeira : morrendo alguém, levam para aegreja vinho, carne, pão e outras comidas; os parentes do morto acompanham o funeral vestidos de roupas brancas próprias dosenterros com capuzesá maneira dos monges, com o qual vestuário se vestem de um modo admirável.Aquelles porém, que são assalariados para carpirem o defuncto vão vestidos com roupapreta, e fazem um pranto como od'aquelles que entre nós pulamde contentes ou estão alegres por terem bebido".[71]
Algumastribos denativos doNovo Mundo acreditavam que havia algum tipo de vida após a morte. Outras consumiam acarne ouossos de familiares mortos, pois pensavam que assim adquiririam as boas qualidades da pessoa morta.[72] Quando algum índio importante detribos daBahia falecia, era enterrado com suasarmas e objetos usados no dia a dia e, para que pudesse se alimentar, alimentos e água eram disponibilizados.[73] O pio dogaviãocaracará era temido pelos índiosamazônicos uma vez que acreditam que era o anúncio de morte naaldeia.[74]
Oscamacan daBahia colocavam, sobre asepultura do índio morto, pedaços de carnes e, quando eles desapareciam (comidos por outros animais ou por outros motivos), evitava-se comer aquele tipo decaça.[75] Entre osMaués daAmazônia, a família da pessoa morta abstinha-se de comerbanana,peixe pego emanzol ou com o emprego dotimbó e alguns tipos decaça.[76] OsAruak deRoraima cremavam os mortos e ascinzas eram guardadas em pequenasurnas. Por ocasião da data deaniversário do falecido, um punhado dacinza era misturado aomingau debanana e consumido pelos parentes. Outrastribos misturavam ascinzas aocaxiri, uma bebida fermentada, e assim as ingeriam.[77]
Ostarianas e ostucanos desenterravam seus mortos após um mês dofuneral e os colocavam em uma grandepanela até que as partes moles desaparecessem. Osossos, após carbonizados, eram triturados e reduzidos a pó. Este era colocado em vários cochos cheios de caxiri. A mistura era bebida pelos presentes, que acreditavam que estavam ingerindo as boas qualidades do falecido. Entre os Kubewãna, era costume desenterrar grandes líderes mortos há mais de quinze anos, triturar seus ossos e misturá-los a uma bebida grossa à base demilho e ingeri-los em grandes festas regadas a caxiri. OsArapiuns, índios que viveram nos séculos XVII e XVIII a oeste doRio Tapajós, também bebiam as cinzas dos seus mortos misturadas a bebidas.[78] Os jumanas da região dosrio Japurá erio Solimões cremavam seus mortos e tomavam ascinzas misturadas com bebidas, uma vez que acreditavam que aalma da pessoa estava nas cinzas e voltava a viver no corpo de quem ingeria a bebida.[77] OsWaiká daAmazônia adicionavam as cinzas àsopa debanana e os Surara, também daAmazônia, aomingau debanana. Entre os indígenas que habitavam no início doséculo XVII na região daserra da Ibiapaba, entreCeará ePiauí, se o morto era do sexo masculino, as mulheres comiam sua carne e moíam seus ossos, bebendo-o para não sentiremsaudades do ente querido. As mulheres dosTarairiu doRio Grande do Norte repartiam o cadáver,moqueavam e lamentavam sua morte enquanto comiam sua carne e roíam seus ossos.[78]
Após a morte, os restos de um organismo passam a fazer parte dociclo biogeoquímico, durante o qual os animais podem ser consumidos por umpredador ou umnecrófago. Amatéria orgânica pode então ser posteriormente decomposta pordetritívoros, organismos que reciclamdetritos, devolvendo-os ao meio ambiente para reutilização nacadeia alimentar, onde esses produtos químicos podem acabar sendo consumidos e assimilados nas células de um organismo vivo. Exemplos de detritívoros incluemminhocas,piolhos eescaravelhos.
Osmicrorganismos também desempenham um papel vital, elevando a temperatura da matéria em decomposição à medida que a decompõem em moléculas ainda mais simples. Nem todos os materiais precisam ser totalmente decompostos. Ocarvão, umcombustível fóssil formado ao longo de vastas extensões de tempo em ecossistemas depântanos, é um exemplo.
Ateoria evolucionária contemporânea vê a morte como uma parte importante do processo deseleção natural. Considera-se que os organismos menosadaptados ao seu ambiente têm maior probabilidade de morrer tendo produzido menos descendentes, reduzindo assim sua contribuição para opool genético. Seus genes são, portanto, eventualmente reproduzidos em uma população, levando, na pior das hipóteses, àextinção e, mais positivamente, tornando o processo possível, conhecido comoespeciação. A frequência dareprodução desempenha um papel igualmente importante na determinação da sobrevivência das espécies: um organismo que morre jovem, mas deixa vários descendentes, exibe, de acordo com os critériosdarwinianos, umaaptidão muito maior do que um organismo de vida longa deixando apenas um.
Umdodô, o pássaro que se tornousinônimo para a extinção de uma espécie.[79]
Extinção é a cessação da existência de uma espécie ou grupotaxonômico, reduzindo abiodiversidade. O momento de extinção é geralmente considerado como a morte do último indivíduo daquela espécie (embora acapacidade de procriar e se recuperar possa ter sido perdida antes deste ponto). Como oalcance potencial de uma espécie pode ser muito grande, determinar esse momento é difícil e geralmente é feito retrospectivamente. Essa dificuldade leva a fenômenos como ostáxons Lázaro, onde espécies presumivelmente extintas "reaparecem" abruptamente (normalmente noregistro fóssil) após um período de ausência aparente. Novas espécies surgem por meio do processo deespeciação, um aspecto daevolução. Novas variedades de organismos surgem e prosperam quando são capazes de encontrar e explorar umnicho ecológico - e as espécies se extinguem quando não são mais capazes de sobreviver em condições mutáveis ou contra uma competição superior.
Asenescência se refere a um cenário em que um ser vivo é capaz de sobreviver a todas as calamidades, mas acaba morrendo por causas relacionadas àvelhice. As células animais e vegetais normalmente se reproduzem e funcionam durante todo o período de existência natural, mas o processo de envelhecimento deriva da deterioração da atividade celular e da ruína do funcionamento regular. A aptidão das células para deterioração gradual e mortalidade significa que as células são naturalmente condenadas à perda estável e de longo prazo da capacidade de vida, mesmo apesar das contínuas reações metabólicas e viabilidade. NoReino Unido, por exemplo, nove em cada dez de todas as mortes que ocorrem diariamente estão relacionadas com a senescência, enquanto em todo o mundo é responsável por dois terços das 150 mil mortes que ocorrem diariamente.[80]
A mortefisiológica agora é vista como um processo, mais do que um evento: as condições antes consideradas indicativas de morte agora são reversíveis.[82] No processo, onde uma linha divisória é traçada entre a vida e a morte depende de fatores além da presença ou ausência desinais vitais. Em geral, amorte clínica não é necessária nem suficiente para a determinação damorte legal. Um paciente comcoração epulmões em funcionamento determinado commorte cerebral pode ser declarado legalmente morto sem que ocorra a morte clínica. À medida queo conhecimento científico e amedicina avançam, a formulação de uma definição médica precisa para a morte se torna mais difícil.
A investigação sobre a evolução do envelhecimento visa explicar por que tantos seres vivos e a grande maioria dos animais enfraquecem e morrem com a idade (as exceções incluemHydra e a já citada água-vivaTurritopsis dohrnii, cuja pesquisa mostra serbiologicamente imortal). A origem evolutiva dasenescência continua sendo um dos enigmas fundamentais da biologia. Agerontologia é especializada na ciência dos processos de envelhecimento humano.
As algasVolvox estão entre os organismos mais simples de exibir essa divisão de trabalho entre dois tipos de células completamente diferentes e, como consequência, incluem a morte da linha somática como uma parte regular e geneticamente regulada de suahistória de vida.[84][85]
Devido àdicotomia mente-corpo —monismo oudualismo[86] —, muitos debates cercam a questão sobre o que acontece com a consciência quando o corpo morre. A crença navida após a morte baseia-se em relatos, experiências,revelações divinas eexercícios lógicos, sendo umconceito primordial de praticamente todas as religiões. Para os que não acreditam que exista continuidade após a morte e rejeitam a veracidade dos indícios contrários (por não serem científicos), a consciência e apersonalidade são, apenas, o produto de um cérebro em funcionamento.[87] Sendo assim, o cessamento da atividade cerebral significaria o final da existência do indivíduo, não havendo nada após isso.[88][89] A visão monista é a cientificamente apoiada em virtude primeiro da ausência factual científica necessária ao apoio da visão dualista; e em segundo devido a considerações levantadas quanto se busca definir de forma rigorosa o que é "consciência"; sobretudo diante da perspectiva dos avanços embiotecnologia, onde a possibilidade de se construir umamáquina com consciência não pode ser mais tratada como meraficção científica.[86]
A obraAscensão dos abençoados (1490) deHieronymus Bosch é associada por pesquisadores de experiências de quase morte a alguns aspectos recorrentes em EQM.[90][91]
Um ramo da ciência estuda as declarações de pacientes que recuperaram suas funções vitais depois de uma intervenção médica. São comuns relatos de pessoas que dizem ter visto umaluz, umtúnel iluminado e, às vezes, vendo-se a si mesmos fora do próprio corpo, a exemplo durante umacirurgia. Esses relatos dividem as opiniões de especialistas. Segundo os defensores da visão dualista, a luz vivenciada pelos pacientes de quase-morte é a luz que indica o caminho para o mundo pós-morte.
Até o momento, a visão apoiada cientificamente sobre esse fenômeno é a monista: a de que são alterações químicas e funcionais no cérebro - agravadas se há falta deoxigenação adequada aos tecidos, algo comum em cirurgias graves - que fazem o paciente teralucinações durante a ocorrência das anormalidades. Os avanços das técnicas de mapeamento cerebral e de mecanismos excitatórios cerebrais contribuíram significativamente para a compreensão da experiência de quase-morte. A exemplo, o estímulo direto doslobos temporais pode induzir a sensação de uma presença invisível ou "divina": umcapacete construído pelo médico Michael Persinger e por ele denominado "capacete de Deus" induz experiências "espirituais" em 80% daqueles que o experimentam. Modificações induzidas no funcionamento doslobos parietais simulam experiências extrassensoriais, entre elascorporificações e a sensação de se"sair do corpo".[86]
Em experimentos realizados emaceleradores centrípetos que visam a compreender as reaçõespsicofisiológicas humanas em presença de enormesacelerações, após momentaneamente desmaiarem dada a incapacidadecirculatória, as pessoas submetidas ao teste relatam, quase sempre, alucinações análogas às apresentadas pelas pessoas que passaram por experiências de quase-morte, incluso a experiência de se ver fora do corpo; muito embora, nesses experimentos controlados, as pessoas em testes sejam seguramente mantidas longe do limite entre a vida e a morte.[92]
Opsiquiatra eparapsicólogoRaymond Moody popularizou a expressão "experiência de quase-morte" com seu livro escrito em 1975, "Vida Depois da Vida". O livro ganhou a atenção do público em geral para o conceito de experiência de quase-morte. Entretanto, relatos dessas experiências sempre ocorreram na história. A obraA República, dePlatão, escrita noséculo IV a.C., contém a lenda de um soldado chamadoEr que teve uma experiência semelhante depois de ter sido ferido em combate. Er descreveu sua alma deixando seu corpo e, do céu, viu-a sendo julgada junto com outras almas.[93][94]
Uma pesquisa dosEstados Unidos descobriu que pessoas religiosas eirreligiosas, bem como homens e mulheres e pessoas de diferentes classes econômicas, têm taxas semelhantes de apoio para prolongamento da vida, enquanto africanos ehispânicos têm taxas de apoio mais altas do quepessoas brancas.[95] Cerca de 38% dos entrevistados disseram que gostariam de ter seu processo de envelhecimento curado.
Os pesquisadores da extensão da vida são uma subclasse de biogerontologistas conhecidos como "gerontologistas biomédicos". Procuram compreender a natureza do envelhecimento e desenvolvem tratamentos para reverter os processos de envelhecimento ou pelo menos retardá-los, para a melhoria da saúde e a manutenção do vigor juvenil em todas as fases da vida. Aqueles que tiram vantagem das descobertas de extensão de vida e procuram aplicá-las em si mesmos são chamados de "extensionistas" ou "longevistas". A estratégia primária de extensão de vida atualmente é aplicar os métodos antienvelhecimento disponíveis na esperança de viver o suficiente para se beneficiar de uma cura completa para oenvelhecimento, uma vez que ela seja desenvolvida.
Criônica (do grego κρύος 'kryos-' que significa 'frio ou gelado') é apreservação em baixa temperatura de animais e humanos que não podem ser sustentados pela medicina contemporânea, com a esperança de que a cura e aressuscitação possam ser possíveis no futuro.[96][97]
Acriopreservação de pessoas ou animais de grande porte não é reversível com a tecnologia atual. A justificativa declarada para a criônica é que as pessoas que são consideradas mortas pelas atuais definições médicas ou legais podem não estar necessariamente mortas de acordo com a definição de morte mais rigorosa dateoria da informação.[27][98]
Alega-se que alguma literatura científica apoia a viabilidade da criônica.[99] A ciência médica e os criobiologistas geralmente consideram a criônica comceticismo.[100]
“Uma das novas fronteiras da medicina: tratar os mortos”, reconhece que as células que ficaram sem oxigênio por mais de cinco minutos morrem,[101] não por falta de oxigênio, mas quando seusuprimento de oxigênio for retomado. Portanto, os praticantes dessa abordagem, por exemplo, no Instituto de Ciências da Ressuscitação daUniversidade da Pensilvânia, "visam reduzir a captação de oxigênio, diminuir o metabolismo e ajustar a química do sangue para umareperfusão gradual e segura".[102]
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