Mioceno ouMiocénico[1] é a quartaépoca daera geológicaCenozoica, e a primeira época doperíodoNeogeno. O nome desta era veio das palavras gregas μείων (meiōn, “menos”) e καινός (kainos, “novo”) e significa "menos recente" por ter 18% menos invertebrados marinhos modernos que o Plioceno. Está compreendida entre há cerca de 23,03 milhões de anos até há cerca de 5,333 milhões de anos. A época Miocena sucede oOligoceno (do períodoPaleogeno, de sua era) e precede oPlioceno. Divide-se nasidadesAquitaniana,Burdigaliana,Langhiana,Serravalliana,Tortoniana eMessiniana, da mais antiga para a mais recente. Caracteriza-se principalmente pela adaptação final de espécies marinhas principalmente de focas e baleias.
Ao contrário de outras divisões dotempo geológico, não existe um evento mundial que separe o Mioceno de seu antecessor ou sucessor, sendo identificadas vários limites eventos regionais.
Diversas cordilheiras, como osPirenéus, osAlpes e oHimalaia, continuaram com seu soerguimento, produzindo muitossedimentos e criando alguns depósitos depetróleo atuais em zonas, que na época, eram costas marinhas rasas.
Com relação aderiva continental, o planeta já estava com aspe(c)to muito próximo ao atual, sendo mínimas as diferenças com as modernas características geológicas. Dentre elas se podem destacar a ausência da ponte de terra (istmo do Panamá) interligando as duas Américas e ainda existiam alguns remanescentes domar de Tétis separando apenínsula Arábica (na época ainda totalmente unida àÁfrica) do restante daEurásia. Porém, ambas as diferenças desapareceriam ao final do Mioceno.
Com relação ao clima, continua a diminuição da temperatura global, iniciada no final doEoceno. A baixa nas temperaturas diminui a capacidade daatmosfera de absorver umidade, o que provoca um aumento da aridez do planeta.Savanas epradarias se espalham pelo globo, limitando as florestas tropicais a pequenas áreas em torno doEquador. O esfriamento contribui para o aumento da glaciação naAntártida e o início da glaciação em torno doOceano Ártico.
O maior acontecimento do período em relação aflora foi o surgimento das primeirasgramíneas. Estas, junto com outrasplantas herbáceas, proliferaram muito com o clima mais quente do Mioceno, criando amplas áreas depasto em praticamente todos os continentes. Motivo pelo qual o Mioceno é às vezes mencionando como a "Idade das Ervas". Essa mudança navegetação causou mudanças significativas nafauna herbívora, que tiveram que se adaptar para pastar, e os que não conseguiram se adaptar a esta nova forma de alimentação acabaram extintos (muitos dos mamíferos gigantes doOligoceno acabaram no segundo grupo). O período vê o início da decadência dosperissodáctilos (cavalos e rinocerontes) e a ascensão dosartiodáctilos (Bovinos, cervos e camelos) como os mamíferos herbívoros dominantes. Osproboscídeos (elefantes) também vêem uma certa diversidade (com destaque para osGomphotheriidae), porém ao final deste período também iniciam sua decadência. Entre os predadores oscreodontes são extintos e substituídos como predadores terrestres dominantes peloscarnívoros atuais, ou seja,canídeos efelídeos, com destaque nesta última família para os chamados "felinos dentes-de-sabre" (subfamíliaMachairodontinae). Osprimatas também tem bom desenvolvimento nesta época, com a proliferação dos chamados "Macacos do Velho Mundo" (Catarrhini), dos quais se desenvolverá a linhagem dosHominídeos.
De certa forma, o Mioceno foi um período de moldagem da fauna e flora de nosso planeta, dando os primeiro passos para constituir a fauna/flora dominante atual. Acredita-se que quase 70% das gêneros vivos que existiam nesta época naAmérica do Norte,África eEurásia sobreviveram até à atualidade.
Nafauna marinha já se tornavam idêntica a atual.Cetáceos e tubarões já se apresentavam com a forma moderna, com apenas algumas divergências de tamanho, por exemplo, as maiores baleias do Mioceno teriam pouco mais da metade do tamanho da atualbaleia-azul (Balaenoptera musculus), o maior cetáceo (e também maior animal) atual. Dentre os tubarões, merece destaque omegalodonte (Carcharodon megalodon), muito semelhante ao atualtubarão-branco (Carcharodon carcharias), porém com cerca de três vezes o seu tamanho.
Reconstituição depreguiça terrestre (Hapalops longiceps) egliptodonte (Propalaehoplophorus australis) na América do Sul do Mioceno.
Apesar de no Mioceno a fauna já se ter convertido em uma forma muito semelhante a atual, existiam no período os chamadoscontinente-ilhas, nos quais, devido ao isolamento geográfico, desenvolveram faunas especificas e independentes do restante do mundo. Estes continentes eram os atuaisAmérica do Sul eAustrália, os quais vinham se isolando do demais continentes desde o períodoCretáceo (ainda naera dos dinossauros).
Destacam-se o desenvolvimento decrocodilianos gigantes e de aves predadoras (comoArgentavis e as chamadasAves do terror). Também os mamíferos se desenvolveram de forma independente neste continente, destacando os marsupiais carnívoros (muitos se assemelhando a felinos) e os chamadosMeridiungulados, que eram os herbívoros dominantes do ambientes, incluindo ordens comoAstrapotheria,Notoungulata eLitopterna, que eram casos clássicos deevolução convergente deproboscídeos.rinocerontes ecamelídeos doHemisfério Norte, ainda que os meridiungulados (na sua maioria) ainda apresentavam cinco dedos (característica dos mamíferos primitivos) em seus dedos. Contudo, ao final do Mioceno (entre há 9 milhões e 5 milhões de anos), a se criou oistmo do Panamá, a ponte de terra que interligou as duas Américas, permitindo aos animais mais adaptados do norte descerem para o sul. Grande parte da fauna local não conseguiu competir com os "invasores do norte" e acabaram se extinguindo ou se adaptando ao novoecossistema, "convertendo" assim a fauna sul-americana na atual.
Na Austrália, ocorreu um desenvolvimento faunístico semelhante ao da América do Sul em relação aosrépteis e asaves, porém, o maior destaque neste continente foi para os marsupiais, que se desenvolveram em uma ampla variedade de formas e ocuparam praticamente todos osnichos ecológicos do ambiente. Na Austrália, devido a este região manter seu isolamento até a atualidade, não houve uma "conversão" tão grande da fauna, ainda que a chegada dos seres humanos no continente, ocorrida ao final doPleistoceno, tenha causado consideráveis extinções na fauna local.
Pérez-Consuegra, N., Góngora, D. E., Herrera, F., Jaramillo, C., Montes, C., Cuervo-Gómez, A. M., Hendy, A., Machado, A., Cárdenas, D., Bayona, G. (2018). New records of Humiriaceae fossil fruits from the Oligocene and Early Miocene of the western Azuero Peninsula, Panamá.Boletín de la Sociedad Geológica Mexicana, 223.