Metalurgia é a ciência que estuda e gerencia os metais desde sua extração do subsolo até sua transformação em produtos adequados ao uso.Metalurgia designa um conjunto de procedimentos e técnicas paraextração,fabricação,fundição e tratamento dosmetais e suasligas.
Desde muito cedo, o homem aproveitou os metais para fabricar utensílios, materiais como ocobre, ochumbo, obronze, oferro, oouro e aprata tiveram amplo uso naantiguidade.
Com o domínio dofogo, surgia a possibilidade da metalurgia. Com exceção doouro e, eventualmente, daprata, docobre, daplatina e domercúrio, todos os metais praticamente existem na natureza apenas na forma deminérios, isto é, combinados com outroselementos químicos e na forma oxidada, e para extraí-lo e "purificá-lo" (isso significa separar o metal da sua combinação inicial e transformar este emsubstância simples, ou seja, reduzir seu nox a zero) podemos ter como auxílio o processo de oxirredução (eletrólise industrial).
A palavra "metal" vem dogrego e significa "procurar, sondar". O ouro compõe 1/200 000 000 dacrosta terrestre, e é um dos metais mais raros. Mas provavelmente foi o primeiro metal a ser descoberto, exatamente por existir quase sempre em forma depepita, cujacor é umamarelo bonito e que chama a atenção. Era extremamente pesado, podia ser usado como ornamento por serbrilhante e podia ser moldado nas mais variadas formas, pois não era muito duro. Além disso, era permanente, uma vez que não oxidava nem deteriorava.
É provável que o serhumano tenha iniciado seu trabalho com o ouro há mais de dez milanos. O ouro e, até certo ponto, a prata e o cobre eram valiosos devido à sua beleza e raridade e tornaram-se um meio de troca e uma ótima maneira de se armazenarriquezas. Por volta de640 a.C, oslídios daÁsia Menor inventaram asmoedas, pedaços de liga de ouro e prata com peso determinado, cunhados com umbrasão dogoverno para garantir sua autenticidade.
Provavelmente, a primeira produção de metal foi obtida acidentalmente, ao se colocar certos minérios deestanho ou dechumbo numafogueira. Ocalor de uma fogueira (cerca de 200°C) e ocarvão são suficientes para derreter e purificar estes minérios, produzindo um pouco de metal. Depois, o estanho e chumbo também podem ser derretidos e moldados numa fogueira comum.
As primeiras contas de chumbo conhecidas atualmente foram encontradas emÇatalhüyük, naAnatólia (atualTurquia), tendo sido datadas de 6500 a.C. Não está claro sobre quando os primeiros artefatos de estanho foram moldados, pois este é um metal muito mais raro que o chumbo. Os primeiros moldes de estanho poderiam ter sido também reutilizados mais tarde em misturas com outros metais e, assim, terem-se perdido seus registros.
Embora o chumbo seja um metal relativamente comum, é muito macio para ter grande utilidade, de modo que o início da metalurgia do chumbo não teve impacto significativo no mundo antigo. Para servir comoferramenta, outro metal mais duro era necessário e, assim, surgiu o uso do cobre.
A primeira evidência referente à metalurgia humana data do quinto e sextomilênio antes da Era Cristã e foi encontrada nossítios arqueológicos deMajdanpek,Yarmovac ePlocnik, naSérvia. Estes exemplos incluem um machado de cobre de 5.500 a.C., que pertencia à culturaVincha.[1] Outros sinais de metalurgia humana do 5º milénio a.C. foram encontrados num sitio arqueológico do Neolitico (Almeria, sul de Espanha)[2] e a partir do terceiro milênio a.C. em lugares comoPalmela (Portugal),Cortes de Navarra (Espanha), eStonehenge (Reino Unido). No entanto, como muitas vezes acontece com estudos pré-históricos, os marcos iniciais não podem ser claramente definidos e novas descobertas são contínuas e permanentes.
O cobre nativo era conhecido por algumas das mais antigascivilizações que se tem notícia e tem sido utilizado pelo menos há dez mil anos - onde atualmente é o norte doIraque foi encontrado umcolar de cobre de 8.700 a.C. Porém, o descobrimento acidental dometal pode ter ocorrido há váriosmilênios .
Havia alguns argumentos de que o cobre seria o primeiro metal a ter sido obtido acidentalmente em fogueiras, mas isso parece improvável, uma vez quefogueiras não são quentes o suficiente para derreter minérios de cobre nem cobre metálico. Um caminho mais provável pode ter sido através dosfornos decerâmica, inventados naPérsia (Irã) por volta de 6000 a.C. Fornos de cerâmicas, além de, logicamente, produzirem cerâmica, também podiam derreter certosquartzos de diferentescores para vitrificar e tornarvasos de cerâmica coloridos; acontece que amalaquita (um minério de cobre oxidado) é uma pedra verde colorida, e um oleiro que tentasse produzir algum vidro com malaquita acabaria obtendo cobre metálico. Assim pode ter iniciado a metalurgia do cobre.
O primeiro artefato de cobre moldado conhecido é acabeça de ummartelo encontrada em Can Hasan,Turquia Central, sendo datado de 5000 a.C.
Embora na época fosse um metal raro, indícios apontam que o cobre foi utilizado noleste daAnatólia em 6500 a.C. em Alaca,necrópole pré-hititas. Em diversos sítios daquela região existem objetos que representamtouros ecervos do metal. Também foram encontradas obras dejoalheria eourivesaria, que se presumem ter a mesma datação.
Em3500 a.C aproximadamente, acredita-se que tenha havido um rápido desenvolvimento da metalurgia na região daMesopotâmia - e que este pode ter proporcionado o crescimento tecnológico daquela região.
Existem indícios em diversos sítios que em aproximadamente3000 a.C, utensílios de cobre se disseminaram peloOriente Médio chegando a atingir culturas neolíticas na região daEuropa.
NaEspanha,França eHungria, regiões em que o cobre é abundante, as tribosnômades faziam usos de objetos daquele metal, difundindo-o pela região.
O cobre gerou algum impacto nomundo antigo, pois produzia boasarmas earmaduras razoáveis, mas ainda era muito macio para produzir ferramentas de corte úteis. Consequentemente, a metalurgia do cobre não substituiu amanufatura de armas e ferramentas depedra, que ainda produziamlâminas superiores.
Obronze é uma liga decobre com ummetaloide chamadoarsênio ou de cobre com o metalestanho. A adição de arsênio ou de estanho no cobre aumentou dramaticamente sua dureza, produzindoarmas earmaduras excelentes. O conhecimento da metalurgia do bronze permitiu aosreis superar seusinimigos e causou talrevolução que marcou o fim daIdade da Pedra e o começo daIdade do Bronze. Entretanto, passaram-se milênios até que o bronze pudesse ser usado porsoldados comuns e porcidadãos, tendo sido, por muito tempo, artigo de luxo danobreza.
Os primeiros bronzes de cobre/arsênio foram usados por muito tempo até serem substituídos pelos bronzes modernos de cobre/estanho por volta de1500 a.C Não se sabe ao certo se os ferreiros que produziam bronze de cobre/arsênio adicionavam conscientemente minérios de arsênio ou se exploravamminas de cobre que continham arsênio como contaminante.
Os primeiros bronzes de cobre/estanho datam de 3200 a.C., novamente daÁsia Menor. Os bronzes de cobre/estanho são mais duros e duráveis que os de cobre/arsênio e, além disso, o trabalho com arsênio não é seguro, uma vez que o arsênio é um elementovenenoso, podendo ter sido o primeiro “mal industrial” a atormentar ohomem. Tudo isso contribuiu para tornar obsoleto o bronze de cobre/arsênio.
Como os ferreiros aprenderam a produzir bronze com cobre e estanho também é um mistério. Tal conhecimento provavelmente surgiu por um feliz acidente: pelacontaminação de estanho emminérios de cobre, embora, por volta de2000 a.C, saibamos que o estanho já era minerado para a produção de bronze. Isto é surpreendente, visto que o estanho é um metal semirraro, e mesmo um minériorico em estanho como acassiterita contém somente 5% dele. Igualmente, a cassiterita perece umarocha comum, sendo necessário habilidades especiais (ou instrumentos especiais) para encontrá-la. Mas, quaisquer tenham sido os passos para se aprender sobre o estanho, ele já era bem compreendido em 2000 a.C.
Entre as mais notáveis relíquias da Idade do Bronze estão as escrituras épicasIlíada eOdisseia, nas quais osguerreiros lutavam com armaduras de bronze e comlanças cujas pontas eram de bronze.
O minério de cobre não é comum, e ascivilizações que usaram o bronze intensamente descobriram ter exaurido o suprimento local, tendo queimportar grandes quantidades de outrospaíses. O minério de estanho era ainda pior. O cobre já não é um componente comum dacrosta terrestre, mas o estanho o é menos ainda. Aliás, o estanho é quinze vezes mais raro que o cobre. Isso queria dizer que pelo ano 2500 a.C., tempo em que ainda se encontrava o cobre em vários locais doOriente Médio, o suprimento local de estanho parecia ter-se exaurido completamente.
Foi a primeira vez nahistória que os homens enfrentaram o esgotamento de umrecurso natural; não apenas um esgotamento temporário, como o doalimento em tempos deseca, mas sim permanente. As minas de estanho esvaziaram-se e nunca mais tornariam a se encher.
Lingote de cobre encontrado em Creta
A menos que o serhumano pretendesse se ajeitar com o bronze existente, novos suprimentos deestanho teriam que ser encontrados em algum lugar. A busca continuou por áreas cada vez mais amplas e, por volta de1000 a.C, osnavegadoresfenícios ultrapassavam a região Mediterrânea e talvez já chegassem a regiões tão distantes quantoÍndia,África eEuropa.
Porém, nesse ínterim, desenvolvera-se uma técnica de obtenção doferro a partir de seus minérios em1300 a.C, naÁsia Menor. O ferro era de purificação mais difícil. Exigia umatemperatura mais alta, e a técnica da utilização docarvão vegetal para esse propósito levou algum tempo para se desenvolver.
Alguns[quem?] afirmam que aIdade do Bronze começa no períodocalcolítico, porém a liga nesta época era pouco utilizada. A divisão do período ainda épolêmica, isto ocorre devido à diversidadecultural dos povos das mais diversas regiões.
A forma encontrada para minimizar a polêmica foi dividindo a Idade (Período) do Bronze em três períodos: Idade (Período) do bronze antigo, (Período) Idade do bronze média e Idade (Período) do bronze recente.
Idade ouperíodo do bronze antigo: Nasculturas da região domar Egeu foram encontradossítios contendovasos ejoalheria deouro,prata,bronze eestanho datadas torno de 2500 a.C. Na região deCreta e nasCíclades, a época chamada de período do bronze antigo se inicia em 2700 a.C. e termina em 2100 a.C. Na região continental o período do bronze antigo se inicia em 2500 a.C. indo até 1900 a.C.
Idade ouperíodo do bronze médio, se inicia em aproximadamente 2700 a.C. na região deCreta e em 2000 a.C. na região continental, indo até1600 a.C em ambas. Nesta época a metalurgia teve predominância devasos, peças dearte, e utensílios. Asarmas apresentavam grandes dimensões.
Outra liga metálica importante surgida no período entre 1600 e600 a.C é uma mistura decobre ezinco, chamadalatão. Esta foi utilizada mais recentemente pelosRoma na cunhagem demoedas. Polido, e dependendo de sua composição, o latão tem coloração praticamente idêntica à certas ligas deouro-prata, diferindo apenas em suamassa.
Como a maioria de metais, oferro não é encontrado nacrosta terrestre em seu estado elementar, e sim combinado com ooxigênio ou com oenxofre. Seus minérios mais comuns são ahematita (Fe2O3) e apirita (FeS2). O ferro funde à temperatura de 1370°C e, em estado puro, é um metal relativamente macio.
Encontra maior utilidade emferramentas na forma deaço, uma liga de ferro comcarbono variando entre 0,02 e 1,7%. Quando fundido na presença de carbono, o ferro dissolve, ao contrário docobre, consideráveis quantidades de carbono, às vezes chegando a 6%. Tal quantidade de carbono no ferro torna-o quebradiço, e tais ligas não podem mais ser chamadas de aço.
A extração de ferro de seusminérios ocorre com a ligação dasimpurezas (oxigênio ou enxofre) com o carbono. Como a própria taxa deoxidação aumenta rapidamente além do 800 °C, é importante que afundição ocorra em um ambiente com pouco oxigênio.
Um aglomerado de cristais de pirita, 12 cm
Oartefato de ferro mais antigo do mundo é um instrumento de quatro lados datado de aproximadamente 5000 a.C. Foi encontrado numasepultura deSamarra,norte doIraque. Apenas outros treze objetos de ferro são mais antigos que 3000 a.C., todos encontrados em três sítios doOriente Médio: trêsesferas pequenas foram encontradas no nível de habitações em Tepe Sialque, norte doIrã, datado de 4600-4100 a.C., nove contas foram encontradas nas sepulturas de Gerzé (cemitério doperíodo pré-dinástico),Egito, datado de 3500-3100 a.C. e umanel aproximadamente desta mesma idade foi encontrado numa sepultura deArmante, também no Egito.
Aprodução deste do ferro poderia, entretanto, ter-se iniciado antes destasdatas, uma vez que a má conservação das peças de ferro supõe que outras mais antigas, que poderiam ter existido, não teriam chegado ao nosso tempo. Com o tempo, o ferro se transforma emferrugem e acaba se desfazendo empó.
Entre 3000 a.C. e 2000 a.C. crescente números de objetos deferro forjado (distinto do ferro meteórico pela falta deníquel) surge naÁsia Menor, Egito eMesopotâmia.
Na Ásia Menor, ocasionalmente usava-se ferro forjado paraarmas ornamentais: umpunhal com lâmina de ferro e cabo debronze foi recuperado de um túmulo hático de 2500 a.C. Orei egípcioTutancâmon, que morreu em 1323 a.C., foi enterrado com um punhal de ferro com cabo deouro. Em Ugarit, antigacidade na atualSíria, recuperou-se uma antigaespada egípcia com o nome do faraóMerneptá (que reinou de 1213 a.C. a 1203 a.C.), assim como ummachado debatalha com lâmina de ferro e cabo de bronze decorado de ouro. Sabe-se que os antigoshititas trocaram ferro porprata (o ferro valia 40 vezes mais que a prata) com aAssíria.
Mas o ferro não substituiu o bronze como principal metal usado para armas e ferramentas, apesar de algumas tentativas. A metalurgia do ferro exigia maiscombustível e trabalho que a metalurgia do bronze, e a qualidade do ferro produzida pelos primeiros ferreiro pode ter sido inferior ao do bronze como material para ferramentas. Porém, entre 1200 e1000 a.C, ferramentas e armas de ferro substituíram as de bronze em todo Oriente Médio. Este processo parece ter começado noimpério Hitita em torno de1300 a.C, ou talvez noChipre esul daGrécia, onde artefatos de ferro dominam o registro arqueológico após 1050 a.C. Por volta de900 a.C, a Mesopotâmia estava totalmente naIdade do Ferro, e aEuropa Central por volta de800 a.C A razão para esta adoção repentina do ferro permanece um tópico do debate entre arqueólogos. Uma teoria proeminente é que asguerras e as maciças migrações que se iniciaram ao redor1200 a.C teriam interrompido ocomércio regional deestanho, forçando a mudança do bronze para o ferro. O Egito, entretanto, não experimentou uma transição tão rápida do bronze ao ferro: embora os metalúrgicos egípcios produzissem artefatos de ferro, o bronze continuou difundido até após sua conquista pela Assíria, em 663 a.C.
Para todos nós, a ideia da metalurgia do ferro está associada à imagem das grandes usinassiderúrgicas modernas, nas quais o gigantismo parece ser um atributo indispensável. No entanto, oferro e mesmo oaço se fabricam desde remota antiguidade, devendo portanto existir, necessariamente, meios mais fáceis para sua obtenção.
Forno antigo (1700)
De fato, é muito fácil obter-se ferro metálico, especialmente a partir de um mineral chamadolimonita. De 700°C em diante, o minério já começa a derreter. Os primeirosfornos para produção de ferro eram debarro, com uma abertura na parte superior para afumaça sair e outra na parte inferior, para o ar entrar; enche-se o forno com camadas alternadas delenha e minério de ferro. Se acombustão ocorrer a contento, você tem aprobabilidade de obter uma certa quantidade de ferro. Esse ferro também é chamado delupa, não chega a fundir-se completamente e se apresenta sob a forma de umas bolas, com porções deminério aderidas, que são separadas depois, aquecendo o material novamente ao rubro e forjando-as com o malho. Os pedaços de minério que ainda se encontram relativamente puros são quebradiços e se desprendem enquanto a massa de ferro metálico, que é maleável se torna, pela forjadura, compacta e coerente.
O ferro forjado pode ser carburado. Acarburação serve para transformar o ferro, que é macio, numaço mais duro. A carburação é feita mantendo-se o ferro forjado em brasas de carvão por algum tempo. No início daIdade do Ferro, os ferreiros já tinham descoberto que o ferro repetidamente reforjado e carburado produzia um metal de melhor qualidade. A têmpera por resfriamento do aço também já era conhecida naquela época. O açotemperado mais antigo é umafaca de aço encontrada noChipre e datada de1000 a.C
O ferro produzido a partir do minério, porém, às vezes era satisfatoriamente duro e resistente. Isso não ocorria sempre, mas comfrequência suficiente para que osmetalúrgicos labutassem na refinação do ferro. Acabou-se descobrindo que a adição docarvão vegetal ao ferro em quantidade adequada o endurecia. Produzia o que hoje chamamos de “superfície de aço”.
Em900 a.C, os siderúrgicos aprenderam a fazer isso propositadamente, e a Idade do Ferro começou. Repentinamente, a escassez docobre e doestanho não tinha mais importância.
Este é um exemplo de como os homens têm lidado com o esgotamento de recursos no curso dahistória. Em primeiro lugar, intensificaram a busca de novas provisões e, em segundo, encontraram substitutos. Esse foi o método de obtenção de ferro na antiguidade e, possivelmente, também napré-história.
NaAlta Idade Média, o processo siderúrgico corrente era o da forja catalã, que consiste num pequenoforno dentro do qual se coloca ominério junto comcarvão demadeira, insuflando-se ar por meio de um fole, movido a braço ou mediante forçaanimal. O êxito melhor que no processo da anterior, com fornos de lupa, pois o ar é soprado para dentro do forno e acombustão alcança maiorestemperaturas. Mas também na forja catalã o ferro não chega a derreter completamente.
Barras de níquel
Durante todos essesmilênios e até passado relativamente recente, asiderurgia foi, por excelência, uma atividadeflorestal. Praticava-se nas florestas, em um número de pequenos estabelecimentos, condicionados pela fácil obtenção decombustível (madeira). Tais estabelecimentos tinham caráter itinerante, pois acompanhavam a retração da floresta, à medida que esta ia sendo destruída. Também noBrasil, notadamente emMinas Gerais, a siderurgia propiciou em forjas semelhantes, que tiveram grande parte da responsabilidade nodesflorestamento daquela região
Através dahistória, desde a descoberta da metalurgia, a utilização dometal tem aumentado, e de forma acelerada. Descobriram-se novos métodos de fabricação do aço noséculo XIX, e os metais desconhecidos aos antigos, como ocobalto, oníquel, ovanádio, onióbio e otungstênio, foram utilizados em combinação com o aço, formando ligas de metal de dureza e propriedades inusitadas. Desenvolveram-se métodos de obtenção doalumínio, domagnésio e dotitânio, metais que têm sido usados para construções em grande escala.
Talvez já em300 a.C, e certamente por volta de200 a.C, aço da alta qualidade estivesse sendo produzido no sul daÍndia através de uma técnica que, mais tarde, seria chamada “aço de crisol” pelos europeus. Nesta técnica,ferro de alta pureza,carvão e eram misturados em um crisol e aquecidos até que o ferro derretesse e absorvesse ocarbono. Uma das evidência mais antigas de metalurgia do ferro foi encontrada na área de Samanalawewa, emSri Lanka, onde milhares desítios foram encontrados (Juleff, 1996).
De modo surpreendente e intrigando oscientistas, encontra-se emNova Deli, Índia, a enorme coluna de ferro de Qtar Al-Minar, fabricada porhindus há 2,5 mil anos e que pouco enferrujou. A técnica empregada para a obtenção de ferro com tal resistência à corrosão ainda é matéria de debate.
Arqueólogos ehistoriadores debatem se a metalurgia do ferro baseada nos fornos de lupa jamais difundiu-se doOriente Médio àChina. Ao redor500 a.C, entretanto, metalúrgicos no estado deWu,leste da China, desenvolveram umatecnologia de fundição do ferro que não seria praticada naEuropa até épocas medievais tardias. Em Wu, os fornos de ferro chegavam a temperaturas de 1130°C, quente o bastante para serem considerados altos-fornos. A esta temperatura, o ferro combina-se com 4.3% de carbono e derrete. Como umlíquido, o ferro pode ser posto em moldes, um método muito mais trabalhoso que o forjamento individual cada peça de ferro a partir de uma lupa.
Moldes de ferro são frágeis e impróprios paraferramentas de choque. Pode, entretanto, ser decarborizado aaço ouferro forjado aquecendo-se por vários dias. Na China, estes métodos de fundição de ferro difundiram-se para osul enorte, e, por300 a.C, o ferro eram o material preferido em toda China para a maioria das ferramentas earmas. Uma cova coletiva encontrada na província deHebei(nordeste da China), datada do terceiro século antes deCristo, contém diversossoldados enterrados com suas armas e outros equipamentos. Os artefatos recuperados destacova são feitos de vários tipos de ferro forjado e moldado, deaço temperado, com apenas alguma armas, provavelmente ornamentais, debronze.
Durante adinastia Han (202 a.C.-220 a.C.), a metalurgia chinesa de ferro chegou a uma escala e uma sofisticação não alcançadas noOcidente até oséculo XVIII. No primeiro século, o governo Han estabeleceu a metalurgia do ferro comomonopólio estatal e construiu uma série de grandesalto-fornos na província deHenan, cada um capaz de produzir diversastoneladas do ferro pordia. Por esta época, os metalúrgicos chineses descobriram como produzir ferro forjado a partir deferro gusa, movimentando-o derretido em contato com oar até perder a maior parte de seucarbono.
Durante a mesma época, osmetalúrgicoschineses descobriram que ferro forjado e ferro fundido poderiam ser derretidos e misturados, resultando numa liga com conteúdo intermediário de carbono, isto é, o aço. De acordo com alenda, aespada de Liu Bang, o primeiroimperador do período Han, fora feita desta forma. Alguns textos da era mencionam “harmonizar o duro e o macio”, no contexto da metalurgia do ferro.
Aspesquisas apontam que operíodo onde aidade do bronze de fato se firmou tecnologicamente foi entre4000 a.C e2000 a.C (independentemente das polêmicas). Uma pista importante sobre a disseminação da metalurgia foi encontrada no norte daSíria, numa localidade chamada Ugarit. Consta que foram encontrados utensílios diversos de bronze datados em torno de3000 a.C
Sabe-se também queBiblos era um porto de influência egípcia que se localizava na região da costafenícia em torno de2000 a.C Foram encontrados naquela região alguns sítios contendotúmulos cujos interiores continham punhais,facas eharpas de bronze, além devasos deprata. Estas descobertas provaram haver adiantado estado tecnológico da metalurgia naquela região.
Peças de bronze datadas de1500 a.C a1200 a.C foram encontradas nas regiões daEscandinávia e daAlemanha, estes objetos eram pulseiras eespadas, além de outros utensílios trabalhados artisticamente. Muitas peças encontradas nas mais diversas regiões daEuropa tinham o formato decisnes, e espirais que aparentemente representavamserpentes.
OOriente Médio, supõem oshistoriadores, foi o berço da metalurgia primitiva, pois foi nesta região onde se encontraram os indícios mais antigos sobre esta atividade humana. Utensílios de ferro datados em torno de1200 a.C foram encontrados em diversos sítios.
Roma teve papel importante no desenvolvimento das tecnologias de fundição e extração dos metais. Aprata e oouro puros ou em liga, por exemplo, em torno doséculo V a.C., passaram a ser utilizados pelos romanos em adornos e utensílios. A metalurgia era usada para esculpirmulheres nuas, o que era uma forma dearte da época.
A indústria metalúrgica básica compreende cinco grupos de atividades: produção de ferro gusa e deferroligas;siderurgia; fabricação de tubos, exceto emsiderúrgicas; metalurgia demetais não ferrosos efundição.
No Estado deSão Paulo, nota-se a predominância das empresas ligadas à metalurgia de metais não ferrosos, que respondem por 65,01% do produto dessa atividade, segmento consideravelmente mais forte que a fabricação de produtos siderúrgicos (19,2%), e a fabricação de tubos (15,8%).
No que se refere ao comércio exterior, estudo feito recentemente[quando?] pelaInternational Trade Commission comprova que o baixo preço do aço brasileiro é um fator de competitividade. O Brasil pode ser considerado o país com menor custo médio de produção de aço no mundo, de acordo com dados comparativos daCompanhia Siderúrgica Nacional (CSN). O fato é justificado pela abundância de minério de ferro no país.
Assiderúrgicas nacionais também têm poder sobre um dos principais componentes do preço do minério de ferro, que é o frete ferroviário. Muitas empresas têm participação nas ferrovias, o que barateia o escoamento do produto. A pesquisa revelou também que as empresas brasileiras, por conta das privatizações e dos pesados investimentos em tecnologia, têm condições de concorrer com as empresas norte-americanas.