Educado em Wiener Neustadt, foi eleito Rei dos Romanos em 1486 e partilhou o governo com o pai até 1493. Ao suceder a Frederico III, assumiu os domínios austríacos e a chefia doSacro Império Romano-Germânico. O seu governo combinou negociação com os príncipes do Império e uma política dinástica voltada a assegurar sucessões favoráveis.[1]
Em 1477 casou-se comMaria de Borgonha, herdeira dosPaíses Baixos borgonheses. A morte de Maria em 1482 abriu disputa com aFrança. Maximiliano preservou, para o filhoFilipe, o Belo, um núcleo essencial do legado borgonhês e conseguiu a restituição deFlandres eArtois peloTratado de Senlis de 1493. O ducado da Borgonha permaneceu sob a coroa francesa.[1]
Na Dieta de Worms de 1495 promoveu aReichsreform, que proclamou aPaz Perpétua (Ewiger Landfriede), instituiu a Câmara Imperial de Justiça (Reichskammergericht) e lançou o "imposto comum". A organização do Império emCírculos Imperiais começou em 1500 e foi ampliada em 1512, criando molduras para coordenação militar e justiça supraterritorial.[3][4]
Nos territórios austríacos e noTirol houve reordenação administrativa e estímulo à exploração mineira que reforçou receitas. A prata de Schwaz e o cobre de Innsbruck alimentaram finanças e contratos com grandes casas mercantis. A política de concessões e arrendamentos aproximou a corte de Augsburg e Nuremberg, criando uma economia política entre mineração, crédito e guerra.[7][8]
O governo apoiou-se em crédito mercantil e mineiro. A casaFugger tornou-se peça-chave no financiamento de campanhas e da corte. No plano militar, Maximiliano impulsionou formações de infantaria de piqueiros conhecidas comoLandsknecht e modernizou o uso da artilharia, o que aproximou o Império de padrões militares do início do século XVI.[7][8]
Maximiliano investiu em grandes ciclos gráficos e editoriais que moldaram a imagem do príncipe e da dinastia. Destacam-se oArco do Triunfo, oCortejo do Triunfo e os livros heróicosTheuerdank eWeisskunig, produzidos com artistas e impressores de ponta comoAlbrecht Dürer eHans Burgkmair. A crítica interpreta o conjunto como laboratório de propaganda visual de alcance urbano e cortesão.[9][10]
A ascendência materna portuguesa e as alianças castelhano-austríacas deram ao seu governo um horizonte ibérico. A literatura destaca conexões entre a corte imperial, a alta finança alemã e o império ultramarino português, num quadro de circulação de capitais, técnicos e informações.[2][12]
Morreu em Wels em janeiro de 1519. Foi sucedido pelo netoCarlos V, que reuniu as heranças habsburga, borgonhesa e ibérica e projetou a dinastia num espaço político continental sem precedentes.[1]
A historiografia vê Maximiliano como um mediador entre a política cavaleiresca tardomedieval e as práticas estatais da primeira modernidade. Reformas institucionais, financiamento baseado em mineração e crédito, uso de mercenários e propaganda impressa compõem um repertório que moldou o Império e criou condições para a monarquia deCarlos V.[7][9]
↑German Historical Institute, Washington (ed.).«Imperial Reform (1495)».German History in Documents and Images (em inglês). Consultado em 6 de outubro de 2025
↑German Historical Institute, Washington (ed.).«Imperial Circles (c. 1512)».German History in Documents and Images (em inglês). Consultado em 6 de outubro de 2025
↑Mallett, Michael; Christine Shaw (2012).The Italian Wars, 1494–1559 (em inglês). London: Routledge. pp. cap. 6
↑Armstrong, Charles A. J. (1975).The New Cambridge Modern History: The Burgundian Netherlands, 1477-1521. Vol. 1 (em inglês). Cambridge: Cambridge University Press. p. 228