Maruane ibne Maomé ibne Maruane (emárabe:مروان بن محمد بن مروان بن الحكم;romaniz.:Marwan ibn Muhammad ibn Marwan; lit. "Maruane, filho de Maomé, filho de Maruane"), melhor conhecido como 'Marvão II ouMaruane II,[1] foi o últimocalifa omíada, com reinado entre 744 e sua morte, em 750.[2]
Em 732-733 (114AH), o califaHixame ibne Abedal Maleque escolheu Maruane como governador daArmênia e doAzerbaijão. Em 735-736, Maruane invadiu aGeórgia, devastou-a e tomou três fortalezas que estavam nas mãos dosalanos, celebrando, por fim, uma paz comTumane Xá. Quatro anos depois, ele lançou novos ataques e conseguiu arrancar tributos de seus inimigos. Em 744-745, ao saber que havia uma complô para derrubarUalide II, Maruane escreveu para os parentes na Armênia tentando fortemente dissuadi-los, alegando principalmente o bem maior que seria a preservação da estabilidade na casa dosomíadas.
QuandoIázide III persistiu no plano para derrubar Ualide, Maruane a princípio se opôs, mas acabou jurando-lhe lealdade. Com a morte prematura de Iázide, Maruane seguiu o seu próprio plano, ignorando o sucessor designado de Iázide,Ibraim ibne Ualide, e se denominou califa. Ibrahim tentou inicialmente se esconder, mas acabou implorando a Maruane que garantisse a sua segurança pessoal se ele abdicasse. Maruane concedeu o pedido e chegou mesmo a acompanhar o califa deposto até a antiga casa do califa Hixame em Rusafa, onde ele passou a viver.
Maruane então nomeou seus dois filhos, Ubaide Alá e Abedalá, como herdeiros e apontou governadores para ajudá-lo a consolidar sua autoridade. Porém, os sentimentos antiomíadas já eram muito prevalentes, principalmente no território onde hoje estão oIrã e oIraque. Osabássidas conseguiram angariar muito apoio na região, o que deixou Maruane com a ingrata tarefa de tentar manter coesa a casa dos omíadas, que se despedaçava em brigas internas.
O novo califa tomouEmesa após um amargo cerco que durou dez meses. Na mesma época,Adaaque ibne Cais Axaibani iniciou uma revolta entre oscarijitas, chegando a derrotar as forças sírias para tomarCufa. Os carijitas avançaram sobre a cidade deMoçul e foram derrotados, juntamente com o general rebeldeSolimão ibne Hixame, que se juntara a eles. Durante a luta, o sucessor de Daaque, conseguiu alguns sucessos iniciais empurrando o centro das forças de Maruane e chegou até a tomar o campo do califa, sentando em seu carpete. Porém, ele e os que estavam com ele morreram na batalha. Ele foi sucedido por Axaibani. Maruane perseguiu tanto ele quanto Solimão até Moçul e os cercou lá por seis meses. Quando o califa recebeu reforços conseguiu expulsá-los, com Axaibani fugindo paraBarém, onde foi assassinado e Solimão, para aÍndia.
NoCoração havia uma discórdia interna entre o governador omíadaNácer ibne Saiar e seus adversários, Alharite e Alcirmani e que acabou uma luta aberta. Quando enviados abássidas chegaram, eles exacerbaram um fervor religioso já existente, principalmente na forma de uma expectativa quase messiânica sobre a ascendência abássida. NoRamadã de 747, os abássidas iniciaram uma revolta aberta e Nácer enviou um de seus assessores, Iázide, contra eles. Ele acabou derrotado e foi levado como prisioneiro. Iázide se impressionou com os abássidas e, quando foi solto, informou a Nácer que queria se juntar a eles, mas acabou mantendo a sua lealdade ao antigo mestre.
A luta continuou por toda a região do Coração, com os abássidas conseguindo cada vez mais vitórias. Finalmente, Nácer acabou adoecendo e morreu em Rayy em 9 de novembro de 748, aos 85 anos. O avanço abássida foi fortalecido e eles tomaramHejaz. Mas a derrota definitiva de Maruane veio pelas mãos deAçafá às margens doGrande Zabe, na chamadaBatalha de Zabe. Somente nela, mais de 300 membros da casa dos omíadas caíram. Maruane abandonouDamasco e fugiu para oEgito, onde foi capturado e morto em 6 de agosto de 750. Seus filhos, Ubaide Alá e Abedalá, conseguiram chegar até a Etiópia, onde o primeiro acabou morrendo na luta.
A morte de Maruane marcou o final doCalifado Omíada no oriente e a ela se seguiu um grande massacre dos omíadas pelos abássidas. Quase toda a dinastia foi morta, com exceção de um talentoso príncipe,Abderramão, que escapou para aEspanha islâmica e fundou ali uma dinastia omíada ali, oEmirado de Córdova.
Referências
- Alves, Adalberto (2014).Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa. Lisboa: Leya.ISBN 9722721798
- Atabari History v. 25 "The End of Expansion," transl. Khalid Yahya Blankinship, SUNY, Albany, 1989; v. 26 "The Waning of the Umayyad Caliphate," transl.Carole Hillenbrand, SUNY, Albany, 1989; v. 27 "The Abbasid Revolution," transl. John Alden Williams, SUNY, Albany, 1985 (em inglês)
- Sir John Glubb, The Empire of the Arabs, Hodder and Stoughton, London, 1963 (em inglês)
- Syed Ameer Ali " A Short History of the Saracens " Macmillan and co., London , 1912 (em inglês)