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Língua árabe

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Árabe

العربية

Pronúncia:/alˌʕa.raˈbij.ja/
Falado(a) em:(verabaixo)
Total de falantes:≅ 400 milhões de falantes (nativos e não nativos)[1]
Posição: 5.ª[2][3]
Família:
 Semítica
  Semítica ocidental
   Semítica central
    Árabe
Escrita:Alfabeto árabe
Estatuto oficial
Língua oficial de:
Regulado por:
Códigos de língua
ISO 639-1:ar
ISO 639-2:ara
ISO 639-3: vários:
arq — Árabe argelino
aao — Árabe saariano
abv — Árabe bareinita
shu — Árabe chadiano
acy — Língua árabe cipriota maronita
adf — Árabe dofari
arz — Árabe egípcio
afb — Árabe khaliji
ayh — Árabe hadhrami
acw — Árabe hejazi
ayl — Árabe líbio
acm — Árabe mesopotâmico
ary — Árabe marroquino
ars — Árabe najdi
apc — Árabe levantino setentrional

Distribuição da língua árabe.

Oárabe (emárabe:العربية;romaniz.:al-ʻarabiyyah) é umalíngua semita central, parente próximo dohebraico e daslínguas neoaramaicas. Pertence à família das línguas semíticas, que, por sua vez, compõem o tronco linguístico dasafro-asiáticas (oucamito-semitas). A língua árabe tem mais falantes do que qualquer outro idioma nafamília linguística semita, e é falada por mais de 365 milhões de pessoas comolíngua materna,[1] noOriente Médio,Sudoeste Asiático eNorte da África. Caso também sejam contabilizados os falantes não nativos, o total perfaz a média de 400 milhões de pessoas. Éidioma oficial de 26 países, número atrás apenas doinglês efrancês,[4] e alíngua litúrgica doislamismo, por ser o idioma no qual oCorão, o livro sagrado islâmico, foi escrito. Falada em 58 países, só é menos difundida no mundo do que o inglês (106).[3]

O árabe é responsável peloempréstimo de diversas palavras a outros idiomas falados no mundo islâmico, como oturco, opersa e ourdu. Durante aIdade Média o árabe foi um importante veículo de cultura naEuropa, especialmente naciência,matemática efilosofia, e como tal acabou por influenciar igualmente diversas línguas faladas naquele continente. A influência árabe pode ser vista especialmente nos idiomas falados em torno doMediterrâneo, como oespanhol, osiciliano e também oportuguês, tanto devido à proximidade geográfica dos povos árabes com estas regiões como por consequência dos 700 anos de domínio árabe naPenínsula Ibérica (Al-Andalus). Mesmo nas primeiras gerações após aReconquista, o árabe manteve-se parte da educação dos altos nobres, chegando também a ser de educação tornada mandatória peloPapa nos conventos católicos.[5] A influência árabe existe também napenínsula Balcânica, incluindo ogrego, que através do contato com osturcos otomanos adquiriu muitos dialetos árabes. Por sua vez, o árabe incorporou palavras emprestadas de diversos idiomas, como ohebraico, opersa e osiríaco em seus primeiros séculos, oturco no período medieval, e diversosidiomas europeus no período atual.

O árabe tem diversasvariantes, distribuídas geograficamente por diversos locais, muitas das quais sãomutuamente inteligíveis.[6] Entre elas, oÁrabe Egípcio é o mais falado, com 89 milhões de falantes nativos.[7] Oárabe padrão moderno (por vezes chamado deárabe literário) é a versão amplamente ensinada em escolas e universidades, e utilizada em ambientes de trabalho, órgãos governamentais e na mídia. O árabe padrão moderno é derivado doárabe clássico, único sobrevivente do grupo dialetal conhecido comoárabe antigo setentrional, cuja existência é atestada eminscrições árabes pré-islâmicas que datam doséculo IV d.C.[8] O árabe é escrito noalfabeto arábico, com o sistemaabjad, dadireita para esquerda, embora algumas variantes utilizem oAlfabeto Árabe de Chat, da esquerda para direita, como forma padrão.

Árabe clássico, moderno e falado

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O termoárabe costuma designar uma das três principais variantes do idioma:árabe clássico,árabe moderno padrão, eárabecoloquial oudialetal.

Oárabe clássico (emárabe:فصحى;romaniz.:fuṣḥā) é a língua usada noCorão, e utilizada a partir do período daArábia pré-islâmica até oCalifado Abássida. O árabe clássico é considerado normativo; autores modernos tentam seguir as normassintáticas egramáticas definidas pelos gramáticos clássicos, como Sibawayh, e usar ovocabulário definido nos dicionários clássicos, como oLisān al-Arab.

Árabecoloquial oudialetal se refere às diversas variantes nacionais ou regionais que formam a língua oral. O árabe coloquial é composto por estas diversas variantes, que por vezes são diferentes a ponto de seremmutuamente ininteligíveis, e muitos linguistas as consideram idiomas distintos.[9] Estas variantes quase nunca costumam ser escritas, e são utilizadas na mídia falada informal, comotelenovelas etalk shows,[10] bem como em algumas formas de mídia escrita, comopoesia oupublicidade. As únicas variantes do árabe moderno a terem adquirido status oficial são omaltês, falado na ilha predominantementecatólica deMalta, e escrita com oalfabeto latino, e oárabe hassani, uma das línguas oficiais deMali. O maltês descende do árabe clássico através dosículo-árabe, e não é mutuamente inteligível com as outras variedades do idioma. A maior parte dos linguistas o classifica como um idioma separado, e não como um dialeto do árabe. Historicamente, oárabe argelino era ensinado naArgélia francesa, com o nome dedarija.

Bandeira daLiga Árabe, usada em alguns casos para representar a língua árabe.
Bandeira utilizada ocasionalmente para representar a língua árabe

Como outros idiomas, o árabe padrão moderno continua a evoluir.[11] Destaca-se, no entanto, que durante todo o período evolutivo da língua não houve mudanças na morfologia e nem na sintaxe. Por se tratar de uma língua litúrgica, sagrada para a religião islâmica, não são admitidas alterações na estrutura morfossintática. As mudanças ocorreram apenas no vocabulário e no estilo. Diversos termos modernos passaram a ser usados comumente, muitas vezes extraídos de outros idiomas modernos (por exemplo فيلم,film, "filme"), ou cunhados a partir dos recursos léxicos já existentes (como por exemplo هاتف,hātif, "telefone", lit. "aquele que grita", "aquele que chama"). A influência estrutural de idiomas estrangeiros ou das variantes coloquiais também afetou o árabe moderno padrão. Por exemplo, textos no árabe padrão moderno por vezes usam o formato "A, B, C e D" quando listam coisas, enquanto o árabe clássico prefere "A e B e C e D", e orações iniciadas pelo sujeito são mais comuns no árabe padrão moderno que no clássico.[11]

Língua e dialeto

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A situação sociolinguística do árabe na atualidade apresenta um exemplo primordial do fenômeno linguístico dadiglossia, que consiste na utilização normal de suas variantes separadas do mesmo idioma, geralmente em diferentes situações sociais. No caso do árabe, presume-se queárabes educados de qualquer nacionalidade saibam falar tanto o seu dialeto local quanto o árabe padrão que lhes foi ensinado na escola, ambos sendo mutuamente ininteligíveis.[12][13][14][15][16] Quando árabes educados de diferentes dialetos iniciam uma conversa (por exemplo, um marroquino falando com um libanês), diversos falantesalternam o código entre as variedades dialetais e padrão do idioma, por vezes até mesmo dentro da mesma frase. Falantes do árabe frequentemente melhoram sua familiaridade com outros dialetos através da música ou do cinema.

A questão de o árabe ser um idioma ou diversos tem grande carga política, semelhante ao que ocorre com ochinês,hindi eurdu,sérvio ecroata, e assim por diante. A diglossia entre o idioma falado e escrito é outro fator significativo que complica a questão; uma única forma escrita, significativamente diferente de qualquer uma das variantes faladas aprendidas de forma nativa, reúne diversas formas faladas que seriam, de outra maneira, divergentes. Por motivos políticos, os árabes costumam afirmar que falam todos um único idioma, apesar de significativos problemas de incompreensibilidade mútua entre as diversas versões orais. De fato, estes dialetos têm entre si distâncias típicas de diferentes idiomas, além de possuírem eles mesmos seus subdialetos, que de fato podem ser analisados como dialetos de diferentes idiomas.[17]

De um ponto de vista linguístico, costuma-se dizer que as diversas versões faladas do árabe diferem entre si coletivamente tanto quanto aslínguas românicas entre si. Esta é uma comparação que faz sentido sob diversos aspectos: o período de divergência a partir de uma única forma oral é semelhante - talvez cerca de 1 500 anos para o árabe, e 2 000 para os idiomas românicos. Da mesma maneira, uma variedade inovadora linguisticamente, como oárabe marroquino, é essencialmente incompreensível a todos os não marroquinos (com a exceção dostunisianos), da mesma maneira que ofrancês é incompreensível para falantes doespanhol e doitaliano. Existe, no entanto, alguma compreensibilidade mútua entre as variantes mais conservadoras do árabe, ainda que separadas por grandes distâncias geográficas, do mesmo modo como existe alguma compreensibilidade mútua entre o espanhol e o italiano (ambas variedades conservadoras do românico). Isto sugeriria que as variantes orais, pelo menos, devem ser classificadas linguisticamente como idiomas separados — e é isto o que algumas fontes, como oEthnologue, tentam fazer.

Por outro lado, uma diferença significativa entre o árabe e as línguas românicas é a de que estas também apresentam um grande número de diferentes variantes escritas padrão, cada uma das quais se relaciona de diferentes maneiras às suas respectivas variantes orais, enquanto todas as variantes orais árabes partilham uma única língua escrita. Uma situação semelhante nas línguas românicas ocorre no caso do italiano: enquanto diversas de suas variantes orais, como omilanês, onapolitano e osiciliano (entre outros) são diferentes o bastante para não terem compreensibilidade mútua, todas partilham uma única forma escrita (o italiano padrão), e portanto são por vezes chamados pelos própriositalianos de dialetos do mesmo idioma.

Características

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É, por vezes, difícil traduzir alguns conceitosislâmicos, ou conceitos próprios à cultura árabe, sem o uso da terminologia árabe. OAlcorão está escrito em árabe e os muçulmanos, por tradição, consideram impossível traduzi-lo de modo a refletir adequadamente sua significação exata - ou porque a tradução poderia trair o sentido original do texto ou, segundo alguns académicos e religiosos islâmicos, porque a sua própria natureza sagrada torna impossível qualquer tradução (parcial ou por completo). De fato, até recentemente, algumas escolas de ideologia conservadora consideravam que ele não deveria ser traduzido de forma alguma. UmaLista de termos islâmicos em árabe apresenta muitos desses termos, demasiado específicos para que possam ser traduzidos numa frase. Ainda que o árabe esteja fortemente associado ao Islão (é a língua usada nosalá) a maior parte dos muçulmanos não o fala. É, também, a língua de muitoscristãos árabes,judeus orientais, e até mesmo demandeístasiraquianos.

A palavraalgoritmo deriva do nome árabe do inventor daálgebra,al-Khwārizmī, e é apenas uma das palavras portuguesas de origem árabe, comoalquimia,álcool,azimute,nadir,zénite, eoásis. Alíngua espanhola é a língua europeia com um maior número de palavras de origem árabe (cerca de 4 000 vocábulos possuem origem árabe, excluindo-se os topônimos), logo seguida da língua portuguesa (entre 400 e 1 000 termos de origem árabe). É comum dizer-se que todas as palavras portuguesas começadas por "al" têm origem árabe, o que não é, de todo, verdade, ainda que assim aconteça com uma grande parte delas. Efetivamente, a língua portuguesa foi francamente enriquecida devido à passagem dos árabes pela Península Ibérica, especialmente nas áreas técnicas (artesanato, agricultura etc). VerLista de palavras portuguesas de origem árabe. Osnumerais árabes são os mais utilizados na cultura ocidental (incluindo os países lusófonos) - mas, excetuando em alguns países do norte de África, na atualidade, a maioria dos árabes utiliza os denominadosnumerais hindus.

O árabe é umalíngua semítica, bastante aparentada com oaramaico e ohebraico. Em muitos países árabes modernos, como o Egito, o Líbano e Marrocos, existem vários dialetos, mas todos utilizam o Modern Standard Arabic nos meios de comunicação em geral. Entretanto, é falado apenas em situações formais ou a nível académico. Por consequência, outras variedades linguísticas vernaculares passam a cumprir as funções dos padrões linguísticos dos países ocidentais (verChambers,Sociolinguistic Theory).

Distribuição geográfica

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  países onde é a única língua oficial.
  países onde também é falado.

Alíngua árabe é oficial e/ou uma das mais faladas numcontinuum geográfico de 22 países situados numa faixa no entorno doParalelo 30 N e entre os meridianos15 oeste e60 leste.

São 11 países naÁfrica (norte, nordeste e litoral do"Chifre") e 11 no sudoeste daÁsia (Península Arábica eOriente Médio), havendo apenas uma separação peloCanal de Suez. Fora dessa continuidade estão doispaíses insulares,Bahrein (Golfo Pérsico) eComoros (Oceano Índico). Podem ainda ser adicionadas duas nações ainda não oficializadas,Saara Ocidental eCisjordânia.

Essa continuidade geográfica de países vizinhos falando uma mesma língua é maior do que a dos países delíngua francesa (África - 20 países), delíngua espanhola (Américas - 16 países) e delíngua inglesa (África - 12 países).

Dialetos

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Dialetos da língua árabe.

O "árabe coloquial" é um termo coletivo aplicado a diversas línguas e dialetos do mundo árabe que, como já foi mencionado, difere radicalmente da língua literária. A primeira divisão linguística estabelece-se entre os dialetos doMagrebe e os doMédio Oriente, seguido das diferenças entre os dialetos dos povos sedentários e os beduínos (muito mais conservadores). Omaltês, ainda que derivado do árabe, é considerado uma língua à parte. Os falantes de alguns destes dialetos são incapazes de conversar com os falantes de outro dialeto árabe; efetivamente, os habitantes do Médio Oriente têm dificuldade em perceber os norte-africanos (ainda que o contrário não aconteça, devido à popularidade do cinema e, em geral, dosmedia do Médio Oriente noNorte de África).

Um importante fator de diferenciação dos dialetos é a influência dossubstratos linguísticos (ou seja, das línguas faladas previamente nos locais onde se passou a falar árabe), originando um número significativo de novas palavras, influenciando também, muitas vezes, a pronúncia e a ordem das palavras.

Entretanto, um fator muito mais significativo para a maioria dos dialetos é, como entre aslínguas românicas, a retenção (ou mudança de significado) de formas clássicas diferentes.

Mapacronológico mostrando a presença do Árabe (Arabic), e dolatim arabizado, naPenínsula Ibérica, ao longo da Reconquista.

Assim,aku no dialeto iraquiano,fiih no levantino ekayen no norte-africano significam "existe", e todos vêm do árabe (yakuun,fiihi,kaa'in respectivamente), mas agora soam muito diferentes.

Os grupos principais de línguas árabes são:

Alfabeto

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Ver artigo principal:Alfabeto árabe

O alfabeto árabe deriva da escritaaramaica (existe uma polêmica, a nível académico, sobre sua origem,nabateia ousiríaca), de modo que pode ser comparado às semelhanças entre oAlfabeto copta ou oalfabeto cirílico e oalfabeto grego. Tradicionalmente, existem algumas diferenças entre as versões ocidentais (magrebinas) e orientais desse alfabeto. Nomeadamente, noMagrebe, ofa e oqaf têm um ponto em baixo e em cima, respectivamente. A ordem das letras é também sensivelmente diferente (pelo menos quando são utilizadas como numerais). Contudo, a variante do norte de África tem sido abandonada exceto para uso caligráfico no próprio Magrebe, mantendo-se nas escolas corânicas (zauiass) da África ocidental. O árabe, tal como ohebraico e oaramaico, é escrito da direita para a esquerda.

Alfabeto árabe:
LetraPadrãoNomeTranscrição Fonética (IPA)SAMPATransliteração Br[18][19]
اâlefâlif[aː]aā
بba:?[b]bb
تtta:?[t]tt
ثthTa:?[θ]T
جjmdZi:m[ʒ] / [ʤ] / [g]dZj
حh.X\a:?[ħ]X\
خkhaaxa:?[x]x
دdlda:l[d]dd
ذthlDa:l[ð]D
رr'aara:?[r]rr
زzaiza:j[z]zz
سsi'nsi:n[s]ss
شshnSi:n[ʃ]Sš
صs'aads_ea:d[s]s_e
ضd'aadd_ea:d[đ]d_e
طt't_ea:?[t]t_e
ظD'D_ea:?[ð]D_eđ
ع'ayn?\ajn[ʕ]?\
غghanGajn[ɣ]Gġ
فfaafa:?[f]ff
قqâfqa:f[q]qq
كkfka:f[k]kk
لlmla:m[l]ll
مmi:m[m]mm
نnuunnu:n[n]nn
هhha:?[h]hh
وwaauwa:w[w] / [uː]wū/w
ىyia:?[j] / [iː]iī
ء(hâmeza)hâmeza[ʔ]
  1. o hâmeza ocorre normalmente como um pequeno acento sobre ا, و, ou ى. Há ainda duas variantes, cada uma usada em contextos espaciais: ٱ , آ.
Caracteres especiais árabes:
Variantes mais comuns:
ىâlif maksura; variante de sufixo de ا; tem o valor de ى noutras situações
ligação entre ل e ا
ةtâ? marbuta; normalmente terminação feminina /at/, mas o /t/ é omitido, exceto em casos especiais; muda para ت quando sufixos são adicionados.
ّxadda; marca a geminação de uma consoante; kasra (ver abaixo) faz a transição entre shadda e a consoante geminada, quando presente; não é usada de forma consistente nos textos modernos;
As vogais breves são apenas indicadas no Corão e nos livros de instrução de crianças.
ْsuku:n; marca uma consoante sem vogal a seguir
َfatX\a; /a/ breve
ِkasra; /i/ breve
ُd'am:a; /u/ breve
Letras tanwiin:
ً , ٍ , ٌusado para produzir os sufixos /an/, /in/, e /un/ respectivamente. ً usa-se normalmente em combinação com ا ‎( اً ).

Fonologia

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Vogais

O árabe padrão tem apenas trêsvogais, com variantes breves e longas, nomeadamente /i, a, u/, mas devido a fenômenos dealofonia, o número de vogais na fala varia de acordo com o dialeto.

Vogais podem ser (fonologicamente) curtas ou longas.

Consoantes

Fonemas consonantais árabes
 BilabialInter-
dental
DentalEnfático
dental
(Alveo)-
Palatal
VelarUvularFaringalGlotal
PlosivasDesvozeadas  tt' (tʕ) kq3 ? (ʔ)
Vozeadasb dd' (dʕ)dZ (d͡ʒ)¹    
FricativasDesvozeadasfT (θ)4ss' (sʕ)S (ʃ)x X\ (ħ)h
Vozeadas D (ð)4zD' (ðʕ) G (ɣ) ?\ (ʕ) 
Nasaism n      
Laterais        
Vibrante múltipla  r      
Semivogaisw  j     
  1. /d͡ʒ/ é /g/ (isto é, uma oclusiva) nodialeto Egípcio e /ʒ/ nos dialetos do norte da África.
  2. /l/ passa a ser [ɫ] somente em /ʔalla:h/, o nome de Deus, i.e., Allah.
  3. /q/ é pronunciado como uma pausa glotal /ʔ/ em alguns dialetos, notavelmente o Egípcio, ou também como /g/, principalmente no Marrocos.
  4. No Egito essas consoantes são pronunciadas ou como plosivas (ex: /tala:ta/, três) ou como fricativas (ex: /usta:z/, senhor/professor)

/ʕ/ é usado para indicar velarização ou faringealização (=consoantes enfáticas; geralmente transcritas como consoantes pontuadas). Os outros símbolos fora dos parênteses são doSAMPA.

Os fonemas variam de acordo com o dialeto. No Magrebe, por exemplo, há o /v/, presente também na escrita.

Fonética

As sílabas em árabe seguem a seguinte fórmula:CVC, CVVC, CVCC ou raramenteCVVCC (C = consoante, V = vogal). Em radicais, a primeira consoante nunca é idêntica ou homorgânica (pronunciada no mesmo lugar de articulação) com a segunda consoante, entretanto isso não se aplica à terceira consoante. Levando em conta essas regras, radicais começando com, por exemplo, as letras f-m- ou f-f- são impossíveis em árabe.[20]

Gramática

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فعل (verbos)

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Na gramática tradicional árabe a categoria denominada فعل (fi`l) corresponde a verbos em português. Assim como as demais línguas semíticas, a morfologia verbal está baseada num sistema deraízes triconsonânticas, que possuem um sentido genérico. Por exemplo, as consoantesk t b constituem uma raiz com o sentido básico de 'escrever',q r ʔ expressam a ideia geral de 'ler',ʔ k l 'comer', e assim por diante. A posição dos movimentos e infixos é que precisa o sentido de uma palavra em particular.

A forma mais simples do verbo é oaspecto perfeito na terceira pessoa do singular masculino:kátaba 'ele escreveu',qaraʔa 'ele leu'. As demais pessoas formam-se a partir dessa forma:

singular/al-múfrad

  • kâtaba ele escreveu
  • kâtabat ela escreveu
  • katabta tu (masc.) escreveste
  • katabti tu (fem.) escreveste
  • katabtu eu escrevi

dual

  • katabā eles [os dois] escreveram
  • katabatā elas [as duas] escreveram
  • katabtumā vós [os/as dois/duas] escrevestes
  • katabnā nós [os/as dois/duas] escrevemos

plural

  • katabū eles escreveram
  • katabna elas escreveram
  • katabtum vós (masc.) escrevestes
  • katabtunna vós (fem.) escrevestes
  • katabnā nós escrevemos

Oimperfectivo possui um tema diferente, caracterizado por prefixos e sufixos:

singular

  • yâktubu ele escreve
  • tâktubu ela escreve; tu (masc.) escreves
  • taktubīna tu (fem.) escreves
  • ?âktubu eu escrevo

dual

  • yaktubāni eles [os dois] escrevem
  • taktubāni elas [as duas] escrevem; vós [os/as dois/duas] escreveis
  • nâktubu nós [os dois] escrevemos

plural

  • yaktubūna eles escrevem
  • yaktubna elas escrevem
  • taktubūna vós (masc.) escreveis
  • taktubna vós (fem.) escreveis
  • nâktubu nós escrevemos

Os verbos derivados são variações na forma radical primáriakâtaba, comokattaba, kātaba, inkataba, takattaba, etc., com os valoresintensivo,reflexivo ecausativo, entretanto o sentido exato varia de verbo para verbo, sendo necessária a consulta a um léxico.

اسم (nomes)

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Na gramática árabe, اسم (ism) engloba conceitos que em português seriam traduzidos como substantivos, adjetivos e advérbios. Substantivos e adjetivos são inflexionados de acordo com as seguintes categorias: gênero (masculino ou feminino), número (singular, singulativo,dual,plural), caso (nominativo,acusativo,genitivo) e estado.

Existem dois tipos de plural em árabe: regular e irregular. A maioria dos substantivos formam o plural de forma irregular. Existem 70 formatos que um substantivo irregular pode ter, porém apenas 31 são comuns.[21]

Não existe uma categoria específica para advérbios em árabe, geralmente são expressos por ablativos, por exemplo, para se dizer em árabe a frase "o homem correu lentamente", deve-se dizer algo: "o homem correu com lentidão" ou "o homem correu (com) uma lentidão". Semelhantemente, a palavra árabe "rápido" deve ser tratada como um nome, pelo que ela deve ser traduzida mais propriamente por "um rápido, alguém rápido" e não simplesmente pela palavra "rápido".

Esse conceito de usar substantivos e verbos para desempenhar outras funções linguísticas é diferente de outras línguas, como o inglês, em que normalmente existem palavras específicas para preencher essas funções. Observe, contudo, que em inglês esse método é algumas vezes usado com relação a adjetivos, como na expressão "the city hall", "the town meeting", em que as palavras "city" e "town", que são gramaticalmente substantivos, estão sendo empregadas na função de um adjetivo, qualificando as palavras "hall" e "meeting", respectivamente.

Além dessas regras, há diversas outras regras gramaticais e literárias que ditam tais coisas como que posição na frase é mais apropriada para determinada palavra, regras gramaticais avançadas, morfologia da palavra etc. Essas regras são conhecidas coletivamente em árabe comoal-naħu (árabe: النحو), que significa "a orientação", e é vista como a ciência que define a orientação adequada da língua árabe.

Caligrafia

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Ver artigo principal:Caligrafia árabe

Depois da fixação definitiva da escrita árabe ao redor do ano 786, porAlcalil, muitos estilos desenvolveram-se, tanto para a escrita do Corão e outros livros, quanto para inscrições em monumentos, como decoração. A caligrafia árabe não parou de ser importante no mundo ocidental, e ainda é considerada pelos árabes como uma forma de arte saudosíssima; calígrafos são considerados de grande valor. É cursiva por natureza, ao contrário doalfabeto latim. A escrita árabe é usada para escrever um verso do Alcorão, umahádice, ou simplesmente umprovérbio, em uma composição espetacular que é muitas vezes indecifrável. A composição é muitas vezes abstrata, mas às vezes a escrita é moldada em uma forma concreta como a de um animal. Um dos mestres atuais do gênero é Hassan Massoudy


Outros projetosWikimedia também contêm material sobre este tema:
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Referências

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  1. ab"Världens 100 största språk 2010" (The World's 100 Largest Languages in 2010), emNationalencyklopedin
  2. "Världens 100 största språk 2010" (The World's 100 Largest Languages in 2010), em Nationalencyklopedin
  3. abLewis, M. Paul; Simons, Gary F. e Fennig, Charles D., ed. (2016).«Ethnologue: Languages of the World». Consultado em 4 de setembro de 2016  !CS1 manut: Nomes múltiplos: lista de editores (link)
  4. Wright, John W. (2001),The New York Times Almanac 2002, Routledge, ISBN 1-57958-348-2
  5. da Guerra, Luís Figueiredo (Fevereiro de 1882).«A lingua arabiga em Portugal». Viana do Castelo: Typographia d'André Joaquim Pereira & Filho.Pero gallego: folha litteraria, scientifica (N.º 7): 2-3. PT/VCT/BMVC.PUB.PER.00024. Consultado em 10 de julho de 2025 
  6. "Arabic language."Encyclopædia Britannica. 2009. Encyclopædia Britannica Online, página visitada em 29 de julho de 2009.
  7. «The World Factbook».www.cia.gov. Consultado em 1 de agosto de 2016 
  8. Versteegh, 1997, p. 33.
  9. Microsoft Encarta Online Encyclopedia 2009. Verbete "Arabic Language." 29 de julho de 2009.
  10. Jenkins, Orville Boyd.Population Analysis of the Arabic Languages. 18 de março de 2000.
  11. abKaye, 1991.
  12. Janet C.E. Watson,The Phonology and Morphology of ArabicArquivado em 2016-04-14 noWayback Machine, Introduction, p. xix. Oxford: Oxford University Press, 2007.ISBN 978-0-19-160775-2
  13. Proceedings and Debates of theArquivado em 2016-04-14 noWayback Machine107th United States CongressCongressional Record, p. 10,462. Washington, DC:United States Government Printing Office, 2002.
  14. Shalom Staub,Yemenis in New York City: The Folklore of EthnicityArquivado em 2016-04-14 noWayback Machine, p. 124. Philadelphia:Balch Institute for Ethnic Studies, 1989.ISBN 978-0-944190-05-0
  15. Daniel Newman,Arabic-English Thematic LexiconArquivado em 2016-04-13 noWayback Machine, p. 1. London: Routledge, 2007.ISBN 978-1-134-10392-8
  16. Rebecca L. Torstrick and Elizabeth Faier,Culture and Customs of the Arab Gulf StatesArquivado em 2016-04-14 noWayback Machine, p. 41. Santa Barbara: ABC-CLIO, 2009.ISBN 978-0-313-33659-1
  17. Walter J. Ong,Interfaces of the Word: Studies in the Evolution of Consciousness and CultureArquivado em 2016-04-14 noWayback Machine, p. 32. Ithaca, NY: Cornell University Press, 2012.ISBN 978-0-8014-6630-4
  18. JUBRAN, Safa A. A. C.Para uma romanização padronizada de termos árabes em textos de língua portuguesa. Tiraz (USP), São Paulo, v. 1, p. 17-30, 2004.
  19. JUBRAN, Safa A. A. C. Introdução. in: ṢĀᶜID ALANDALUSĪ -Hierarquia dos povos'. São Paulo: Amaral Gurgel Editorial, 2011
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  21. «Broken Plurals in Arabic: A Step-by-Step Formula».Learn Arabic Online (em inglês). Consultado em 17 de junho de 2024 
Wikipedia
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Bibliografia

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  • Procházka, S. (2006). «"Arabic"».Encyclopedia of Language and Linguistics 2ª ed. [S.l.: s.n.] 
  • Versteegh, Kees (1997).The Arabic Language. [S.l.]: Edinburgh University Press.ISBN 9004177027 
  • Diccionario de Árabe Culto Moderno. Árabe-Español (1996). Julio Cortés.
  • Nova Gramática do Português Contemporâneo / Celso Ferreira da Cunha, Luis Filipe Lindley Cintra - 7. ed. - Rio de Janeiro: Lexikon, 2016.
  • Arabic - Worldwide distribution. Disponível em: https://www.worlddata.info/languages/arabic.php.

Ligações externas

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África
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Semíticas
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Aramaicas
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Aramaicas
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Outras
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(Semíticas
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