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Juventude Universitária Católica

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AJuventude Universitária Católica (JUC) foi um movimento católico reconhecido pela hierarquia eclesiástica em1950 como setor especializado daAção Católica. Tinha como objetivo difundir os ensinamentos daIgreja no meio universitário. Chegou a existir com diversas formas e designações numa série de países, ligada àJuventude Estudantil Católica Internacional (JECI) e mais tarde também aoMovimento Internacional de Estudantes Católicos (MIEC).

História da JUC no Brasil

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Fase Conservadora

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A JUC surgiu no Brasil a partir da Associação Universitária Católica (AUC), que se reunia noCentro Dom Vital para aprofundar e trocar experiências sobre sua identidade religiosa.

No início a JUC tinha como referência o catolicismo tradicional. Tinha como objetivo dar formação doutrinal aos integrantes da JUC, fortalecendo sua e espiritualidade de acordo com os valores oficiais daIgreja Católica. A JUC pretendia compor uma elite acadêmica católica, com uma visão de mundo ancorada na doutrina medieval da Igreja, na qual a tarefa do homem na Terra seria a de espelhar a ordem divina ideal, tanto em suaalma quanto nasociedade. Portanto, se deveria valorizar a ordem e a harmonia social, acatar as estruturas e as instituições existentes, cujos eventuais problemas estariam nas falhas das pessoas que as integrariam. Caberia apenas reformar as consciências individuais para que uma ordem harmônica e justa, espelhada na vontade deDeus, imperasse no mundo.

Nesse período, a JUC atuava em oposição ao "mundo moderno", presente na maior parte do meio universitário, que era resistente ou alheio à mensagem católica, e que deveria ser conquistado para a ordem divina, a ser restaurada na Terra pela mediação da Igreja, que tinha como instrumento a própria JUC.[1]

Fase Questionadora

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Em1950, a JUC organizou-se a nível nacional, criando uma coordenação nacional e adotou o modelo daAção Católica francesa, belga e canadense de organização por meios específicos (universitários, rurais, operários, etc.), reduzindo a importância dasdioceses.

A partir de1947, odominicanoLouis-Joseph Lebret esteve no Brasil diversas vezes, oportunidade nas quais manteve contato com dirigentes da JUC, comoPlínio de Arruda Sampaio, que o encontrou em 1953. Outros pensadores católicos como ojesuítaJean-Yves Calvez (autor de um livro sobreKarl Marx, que possibilitou a primeira aproximação de muitos militantes católicos com omarxismo), Léon Bloy eGeorges Bernanos influenciaram integrantes da JUC e os católicos deesquerda da época.

Nesse período a JUC teve um papel-chave na constituição da Juventude Estudantil Católica Internacional com sede em Paris.[2] Em 1956, o primeiro encontro mundial da JECI teve lugar no Rio de Janeiro, e no fim da década o brasileiroLuiz Alberto Gómez de Souza tornou-se o terceiro Secretário Geral desta organização internacional.

Integrantes da JUC passaram a questionar alguns aspectos das ideias dominantes na Igreja Católica, como a passividade política diante da ordem estabelecida. Esses integrantes eram influenciados pela convivência com outras correntes de pensamento, principalmentesocialistas ecomunistas. Além disso, eles eram influenciados pela discussão teórica no interior da própria Igreja, em particular pelas obras deJacques Maritain,Emmanuel Mounier e dojesuítaPierre Teilhard de Chardin. Localmente ojesuítaHenrique Cláudio de Lima Vaz e o dominicanoCarlos Josaphat foram influentes. Um ponto de virada foi o pontificado doPapaJoão XXIII a partir de 1958. Outro aspecto eram as desigualdades gritantes da sociedade brasileira, confrontada com o crescimento da mobilização política de trabalhadores urbanos e rurais e aRevolução Cubana em 1959.

Nesse contexto, passaram a acreditar que seu papel não era o de acatar passivamente a sociedade existente como se fosse uma ordem natural, mas o de agir em nome de Deus para transforma a sociedade.[1] Por isso, começaram a participar ativamente domovimento estudantil e forneceram diversos líderes para a jovemUnião Nacional dos Estudantes (UNE). Muitos jucistas participaram da organização dos trabalhadores rurais, estimulando sua sindicalização. Desde 1954, a questão social já aparecia em seu encontro nacional.

O ambiente externo também era de grande efervescência ao final dadécada de 1950 e no início dadécada de 1960, quando eram intensos os debates sobre o desenvolvimento e o nacionalismo. Progressivamente, os jucistas passaram a questionar asociedade capitalista. No Congresso da JUC de 1960, realizado noRio de Janeiro, foi aprovado o documento "Algumas diretrizes de um Ideal Histórico cristão para o povo brasileiro", que incluia a "opção por um 'socialismo democrático' e pelo que se chamava de 'revolução brasileira'.[1][3]

Em julho de 1961, o “Conselho da JUC” aprovou o documento: "O Evangelho, fonte da revolução brasileira".[4]

No início dadécada de 1960, a JUC chegou a ter entre 5.000 e 10.000 integrantes, num contexto no qual existiam 95.000 estudantes universitários em todo o país.[5]

A crescente influência domarxismo na América Latina fez com que estes movimentos se aproximassem e houvesse uma crise com a hierarquia da Igreja. No final de 1961, aConferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu um documento de orientação às atividades da JUC que tinha os seguintes termos:

  1. Não é lícito apontar a cristão o socialismo como solução de problemas econômico-sociais e políticos, nem muito menos apontá-lo como solução única;
  2. Não é lícito admitir-se que ao se formular a figura de uma Revolução Brasileira – em assembléias ou círculos de estudos da JUC, se afirme doutrina de violência, como válida e aceitável.

Além disso, o referido documento decretava que: "A começar do ano de 1962, nenhum dirigente jucista poderá concorrer a cargos eletivos em organismos de política estudantil, nacional ou internacionais, sem deixar os seus postos de direção da JUC. O mesmo se diga, como é evidente, quando se trata de participação ativa em partidos políticos[3]."

Depois disso, um grupo de jucistas de Minas Gerais, liderado porHerbert José de Sousa, promoveu a fundação daAção Popular, em1962.

Engajados na política universitária e em movimentos de cultura e educação popular, os militantes da JUC e daJuventude Estudantil Católica (JEC) passaram a ser perseguidos após ogolpe militar de março de 1964.

Entre1965 e1966, na disputa entre os grupos progressistas e conservadores da Igreja sobre os rumos da Ação Católica Brasileira, venceram os conservadores. Estes defendiam maior controle das organizações laicas pela hierarquia eclesiástica, com limites ao envolvimento dos movimentos leigos da Igreja em assuntos temporais. Essa nova orientação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) provocou o esvaziamento da ACB e de seus setores especializados. Muitos de seus membros aderiram à Ação Popular, que se afastaria dohumanismo cristão, assumindo contornosleninistas e mais tardemaoístas.

Com a saída dos integrantes mais à esquerda, que foram para a Ação Popular, a JUC foi gradualmente perdendo força. Em1967, a JUC deixou de se considerar parte da Igreja Católica, declarando ser um "movimento de cristãos". Em1968, se dissolveu.[1]

Em1968, a JUC havia desaparecido. Todavia posteriormente foi considerada precursora da atuação da Igreja Católica brasileira nadécada de 1970, em defesa dos direitos humanos de prisioneiros e perseguidos políticos, e do trabalhopastoral voltado a questões sociais.

O peruanoGustavo Gutiérrez, manteve contato com ex-integrantes da JUC antes de publicar o livro "Teologia de la liberatión", publicado emLima (Peru), em 1971.[1]

SegundoLuiz Alberto Gomez de Souza, a atividade da JUC foi uma importante precursora daTeologia da Libertação.[5]

OWikiquote tem citações relacionadas aJuventude Universitária Católica.

Referências

  1. abcdeO romantismo revolucionário da Ação Popular: do cristianismo ao maoísmo, acesso em 09 de março de 2016.
  2. http://iycs-jeci.org
  3. abA Ação Popular na história do catolicismoArquivado em 12 de junho de 2015, noWayback Machine., acesso em 10 de março de 2016.
  4. FERMENTO DA MASSA ECUMENISMO EM TEMPOS DE DITADURA MILITAR NO BRASIL, 1962-1982, acesso em 13/01/2020.
  5. abTEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO E GERAÇÃO UNIVERSITÁRIA. Paulo Agostinho N. Baptista

Ligações externas

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