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João Maurício de Nassau

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: Para outros significados, vejaMaurício, Príncipe de Orange.
Esta página cita fontes, mas não cobrem todo o conteúdo
Esta páginacita fontes, mas quenão cobrem todo o conteúdo. Ajude ainserir referências (Encontre fontes:Google (N • L • A • I • WP refs)  • ABW  • CAPES).(junho de 2017)
Maurício de Nassau
Príncipe de Nassau-Siegen
Conde de Nassau-Siegen
Governador do Brasil Neerlandês
Reinado23 de janeiro de1637
a30 de setembro de1643
Dados pessoais
Nascimento17 de junho de1604
Dillenburg,Sacro Império Romano-Germânico
Morte20 de dezembro de1679 (75 anos)
Cleves, Sacro Império Romano-Germânico
Sepultado emCleves,Alemanha
CasaNassau
PaiJoão VII, Conde de Nassau-Siegen
MãeMargarida de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glücksburgo
ReligiãoIgreja Reformada Neerlandesa
AssinaturaAssinatura de Maurício de Nassau

João Maurício de Nassau-Siegen (em neerlandês:Johan Maurits van Nassau-Siegen; emalemão:Johann Moritz von Nassau-Siegen;Dillenburg,17 de junho de1604Cleves,20 de dezembro de1679), cognominado "o Brasileiro", foi um nobrealemão-neerlandês, conde e após 1674 príncipe deNassau-Siegen, um Estado doSacro Império Romano-Germânico, localizado nas cercanias das cidades deWiesbaden eCoblença. Foi governador dacolônia neerlandesa noRecife.[1][2]

Filho deJoão VII, Conde de Nassau-Siegen, casado em segundas núpcias comMargarida, princesa de Holstein-Sonderburg, filha do duque deSchleswig-Holstein e de uma princesa da dinastia deBrunswick, João Maurício foi o décimo-terceiro filho, mas o primeiro do segundo casamento.

Infância e juventude

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Pouco se sabe da sua infância, passada em Siegen. Nasceu noCastelo de Dillemburg, cidade docondado de Nassau, naAlemanha.[1] Recebeu boa educação nas Universidades daBasileia, onde chegou aos 10 anos, famosa desde os tempos deErasmo, e deGenebra — importantes centroscalvinistas noséculo XVII.[3] Em Genebra, o rigor da época deCalvino estava atenuado pela presença deTeodoro de Bèze, grande teólogo protestante. Em 1616 ingressou noCollegium Mauritianum, criado por seu cunhado Maurício de Hesse-Kassel para filhos da nobreza protestante, participando da vida da corte da landgravina, sua meia-irmã Juliana.

Carreira militar

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A sua formaçãoprotestante, além dos laços de parentesco com famíliasnobres neerlandesas, levaram-no a ingressar, em 1621, na carreira militar a serviço dosPaíses Baixos, à época daguerra dos Trinta Anos, contra aEspanha. Muito cedo obteve um primeiro posto como alferes decavalaria.

Foi cavaleiro daOrdem de São João, ligado à Bailia de Brandenburgo — a parte da Ordem que se filiou àReforma Protestante. Aliás, é frequentemente retratado tendo em seu peito a cruz de oito pontas ou de São João (Cruz de Malta), símbolo da ordem.

Fez a campanha militar deBreda (1625), para retomar a cidade aos espanhóis; a fase de reconquista das praças-fortes estratégicas, ao longo dos rios, iniciou-se em 1626, uma vez que, com a crise emMântua, a Espanha para ali deslocou tropas. A reviravolta se deu em 1629, quando os neerlandeses ocuparam's-Hertogenbosch. Desde 1626 fora promovido a capitão e, em 1629 a coronel. Em 1632 foi tomadaMaastricht e Nassau distinguiu-se no cerco que culminou com a conquista deNieuw Schenckenschans, numa ilha dorio Reno (1636), confirmando o seu prestígio e experiência militares. A vitória teve repercussão e tornou seu nome respeitado. O conflito prosseguiu até 1648, quando pelaPaz de Münster a Espanha reconheceu a independência da República, que prometeu respeitar a soberania espanhola ao sul de sua fronteira meridional.

O interesse artístico

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AMauritshuis

Data desse período a predileção de Nassau pelo convívio com artistas e homens de letras.Frederico Henrique de Orange,stadhouder desde 1625, filho de uma Coligny, neto deGaspar II de Coligny, chefe protestante que patrocinou aFrança Antártica (ver:Invasões francesas no Brasil). Frederico era casado com a condessa alemã Amélia de Solms-Braunfels, tinha pretensões dinásticas e mantinha uma corte aristocrática na República burguesa. Nela brilhava, por exemplo,Constantino Huygens, figurarenascentista, incentivador da carreira deRembrandt, um dos animadores de um círculo que, nas cercanias de Amsterdã, contava comJoost van den Vondel, o poeta nacional dos Países Baixos, o humanistaCaspar Barlaeus, que sob o nome latinizado de "Barlaeus" escreveu mais tarde a história do governo de Nassau noBrasil.

Em 1632 Nassau, entusiasta daarquitectura, começou a construir a luxuosaMauritshuis, emHaia, projeto do famoso arquitetoJacob van Campen, seguidor do estilo italiano dePalladio. Na execução desta obra veio a comprometer os seus recursos, pois as despesas ascenderiam a meio milhão deflorins.

A Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais

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Prioritariamente por essa razão, aceitou o convite daCompanhia Neerlandesa das Índias Ocidentais (WIC) para administrar os domínios por ela conquistados naregião Nordeste do Brasil (1636), percebendo uma ajuda de custo de 6 mil florins (equipamento) e salário mensal de 1,5 mil florins (queC. R. Boxer classifica comoprincipesco), o soldo de Coronel do Exército, além de uma participação de 2% sobre os lucros.[3] Corriam ainda por conta da WIC suas despesas de mesa e criadagem (trouxe dezoito criados), os salários do predicanteFrancisco Plante, de seu médicoGuilherme van Milaenen, e de seu secretário Tolner.

Nassau prestou juramento perante os XIX em4 de agosto de 1636 comprometendo-se pelo prazo de cinco anos a ser o Governador, Almirante e Capitão-General dos domínios conquistados e por conquistar pela Companhia das Índias Ocidentais no Brasil.

Chegada ao Recife e período na América portuguesa

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O Conde Maurício de Nassau

Começariam no embarque alguns dos motivos de sua frustração: em vez da armada prometida de trinta e duas velas e sete mil homens de armas, a WIC lhe entregou apenas doze navios com dois mil e setecentos homens.

A armada partiu do porto deTexel (25 de outubro de 1636), chegando aoRecife (23 de janeiro de 1637).

Estabeleceu relações amistosas entre neerlandeses, comerciantes e latifundiários.[3] Estes restauraram seus engenhos com empréstimos concedidos pela WIC, utilizados também na venda a crédito dos engenhos abandonados, visando restabelecer a produção de açúcar. Nassau incrementou noNordeste a economia açucareira, introduziu métodos aperfeiçoados de cultivo dacana-de-açúcar e dofumo.

Ele permitiu a liberdade de culto entre neerlandeses,franceses,italianos,belgas,alemães,flamengos ejudeus, que oriundos daPenínsula Ibérica e do norte europeu, foram atraídos para aNova Holanda por clima de tolerância religiosa que não havia na Europa. Neste período foi fundada umasinagoga no Recife, considerada a primeira dasAméricas. Contudo, a liberdade de culto foi um ato político temporário que posteriormente o próprio Nassau revogou.[4][5]

Decidido a transformar o Recife em uma moderna capital, determinou o projeto da cidade Maurícia (Mauritsstad), responsável pelos atuais traçados urbanísticos dos bairros de Santo Antônio e São José, onde drenou terrenos, construiu canais, diques, pontes, palácios (Palácio de Friburgo ePalácio da Boa Vista), jardins (botânico ezoológico),[3] ummuseu natural e um observatório astronômico. Organizou serviços públicos essenciais como o debombeiros e de coleta de lixo.

Comitiva

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Erudito ehumanista, interessava-se pelasciências e pelasartes. Tão logo foi nomeado, reuniu um grupo de cientistas,teólogos,arquitetos,médicos epintores.

O cientistaWillem Piso, que estudara emLeiden e emCaen e praticara Medicina em Amsterdã, veio àNova Holanda para estudar asdoenças tropicais. O paisagistaFrans Post, de vinte e poucos anos, vinha recomendado por seu irmãoPieter Post e era tão desconhecido como o retratistaAlbert Eckhout.[6] ALuís XIV, porém, Nassau diria mais tarde que contara no Brasil com seis pintores - talvez incluísse um pintor primitivo,Zacharias Wagener, seu despenseiro. Viriam ainda o cartógrafoCornelis Golijath e oastrônomo saxãoGeorg Marggraf, que, com Piso, seria o autor daHistoria Naturalis Brasiliae (Amsterdã, 1648), primeira obra de caráter científico sobre a natureza brasileira. O nome de Marggraf é sobretudo ligado a sua descrição doeclipse solar de 1640. Vieram ainda trêsvidraceiros e um entalhador. Ao humanistaCaspar Barlaeus, Nassau encomendou a redação dahistória de seu governo no Brasil.

Consolidação da conquista

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OPalácio de Friburgo, residência oficial de Maurício de Nassau no Recife, foi a primeira obra civil de grande porte realizada no Brasil. A edificação foi demolida no fim do século XVIII[7]

Assim que chegou ao Brasil, Nassau passou imediatamente à ofensiva contra a tropa hispano-luso-brasileira aquartelada emPorto Calvo,Alagoas, comandada peloconde de Bagnoli, oficial napolitano, que comandando cerca de quatro mil homens, preferiu retirar-se. Nassau em seu encalço marchou para orio São Francisco, desceu em terra emJaraguá, cavalgou pela costa atéPenedo.[6] Ali se demorou dois meses, na construção de uma fortaleza a que deu seu nome, encetou relações com osTapuias, e assentou no grande rio o limite meridional doBrasil neerlandês. Regressou ao Recife no início do inverno e se dedicou à tarefa imensa de recompor a administração civil e militar e ao complexo problema do abastecimento da conquista.

Ainda em 1637, implantou uma reforma administrativa e começou a tratar da tarefa de reativação do sistema açucareiro pois a quase totalidade dos 150 engenhos do Brasil neerlandês estava destruída pela guerra, 15 mil habitantes tinham fugido, dos quais 1/3 eram escravos. A WIC não via com bons olhos a confirmação dos direitos dos luso-brasileiros, mas Nassau percebeu que sem eles, e sem o que chamava a classe média rural (lavradores de cana, mestres-de-açúcar, feitores, artesãos, lavradores de víveres) não seria possível recompor a indústria. Entre 1637 e 1638 mandou leiloar os engenhos dos proprietários ausentes ao preço médio de 30 a 40 mil florins. Com isso arrecadou 2 milhões de florins. Os compradores foram sobretudo judeus, neerlandeses e luso-brasileiros, mas no decorrer dos meses os dois primeiros terminariam revendendo as propriedades aos terceiros - como no caso deJoão Fernandes Vieira, por exemplo.

Estátua de Maurício de Nassau naPraça da República, Recife

A oferta de crédito ainda dependia da definição do regime de comércio a ser adotado no Brasil neerlandês. A intervenção de Nassau, com a influência de Amsterdã e dos Estados dosPaíses Baixos, foi decisiva para que os Estados Gerais ratificassem em abril de 1638 (contra as pretensões da WIC) a política de livre-comércio adotada há quatro anos. Pois osPaíses Baixos eram verdadeiramente a pátria do livre-comércio e a comunidade mercantil deAmsterdã não hesitaria em devolver o Nordeste do Brasil a Portugal só para ter o direito de comerciar nas colônias hispano-portuguesas. Nassau estava convencido de que o monopólio desejado pela WIC seria a perda do Brasil neerlandês, pois a fase era de escassez de açúcar e de preços crescentes, além de que daria estímulo à imigração de colonos neerlandeses, desencadeando um círculo virtuoso na economia.[3] E, favorável também a uma oferta abundante deescravos africanos, em 1637 enviou o coronelHans Koin, à testa de uma expedição naval que conquistou oForte de São Jorge da Mina, naÁfrica (28 de agosto). A possessão portuguesa da Mina foi colocada sob o controle de Recife, mas sua conquista não correspondeu às expectativas econômicas neerlandesas, já que o desempenho do escravo daGuiné era reputado pelos portugueses como inferior ao dos deAngola.

Logo Nassau foi obrigado a se defender da tropa de Bagnoli emSergipe, perdendo a ilusão de que o rio São Francisco ofereceria proteção natural ao Brasil neerlandês. Ficou claro que, enquanto Recife permanecesse em mãos neerlandesas e a Bahia em mãos portuguesas, nenhum dos dois lados poderia se sentir verdadeiramente seguro.

Para assegurar o setor norte das suas possessões, Nassau fez, em 1638, viagem àParaíba e aoRio Grande do Norte, examinando as suas fortificações e fortalecendo a sua aliança com os Tapuias, inabalavelmente hostis aos luso-brasileiros. Fortaleza se rendera desde dezembro de 1637. Voltando ao Recife, Nassau recebeu a notícia da poderosa armada hispano-lusitana que se aprestava em Lisboa e Cádiz com destino ao Brasil.Filipe IV e oconde de Olivares haviam finalmente decidido lançar uma ofensiva dupla, afinal a última dos Áustria madrilenhos: uma armada chefiada por D. Antônio de Oquendo tentaria reabrir as comunicações marítimas com o norte da Europa e outra armada, chefiada por D.Fernando Martins de Mascarenhas, oconde da Torre, deveria restaurar o domínio lusitano no Nordeste. Nassau tomou assim a arriscada decisão de se antecipar e conquistar a Bahia.

A luta pela Bahia

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Nassau organizou as guardas cívicas do Recife, da Paraíba e deItamaracá para reforçar a tropa que deixava e partiu em8 de abril na chefia de uma frota naval de 36 unidades com 3,6 mil europeus e mil índios.[6] Começou o assalto a Salvador em 16 de abril, desembarcando em Água dos Meninos e obtendo a rendição dos fortes deSanto Alberto,São Filipe eSão Bartolomeu. Mas como Bagnuolo e o Governador-Geral haviam superado as suas divergências, o exército de Pernambuco e a guarnição local estavam unidos contra o invasor e o avanço neerlandês foi detido. Só na noite de 17 para 18 de maio o invasor perdeu 300 homens.[3]

Os navios do almiranteJan Cornelisz Lichthart saquearam os engenhos do Recôncavo sem conseguir impedir a entrada de reabastecimento. Nassau retirou-se, convencido de que caso a vitória fosse alcançada nas circunstâncias existentes, só "faria ricos os soldados e pobre a Companhia", evacuando sua tropa de modo tão eficiente que os sitiados só iriam perceber na manhã seguinte que estavam livres.

Perante o Conselho dos XIX, Nassau defendeu-se atacando: era impossível expandir os domínios da WIC por meio de um exército desfalcado por doenças tropicais, perdas em combate e expiração do prazo trienal de recrutamento. Dos soldados prometidos em 1636, a Companhia ainda lhe devia 1,2 mil. Não era melhor a situação da esquadra, que reclamava 18 grandes naus. Nassau solicitou mais 3,6 mil soldados, para perfazer os 7 mil que considerava necessários, total de que jamais disporia. A Companhia já se encontrava no círculo vicioso de que, para retomar a ofensiva, era preciso dinheiro mas os acionistas só compareceriam quando houvesse êxitos militares no Brasil.

Oshistoriadores costumam datar do episódio baiano o início das graves dificuldades de Nassau com a Companhia. Mas como a falhada expedição fora rentável, pela pilhagem do Recôncavo e pelo apresamento de boa quantidade de escravos revendidos no Recife, Nassau decidiu renovar a ofensiva para evitar que o Governador-Geral português começasse represálias contra o interior pernambucano, prejudicando a safra de 1638-1639, que se previa ser abundante.

A armada hispano-lusitana e os reforços neerlandeses

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Em 10 de janeiro de 1639 apareceram as velas da armada que zarpara de Lisboa a 8 de setembro de 1638 e se reunira emCabo Verde a outra armada, castelhana. Teriam de 8 a 9 mil homens. Oconde da Torre veio a Recife apenas numa demonstração de força até o meio-dia, seguindo então viagem para Salvador, sempre à vista do litoral. Nos meses seguintes os informantes de Nassau lhe contaram das penosas circunstâncias materiais e morais da armada, das más relações de Torre com o governador, que o acusava de covardia por não ter atacado imediatamente o Brasil neerlandês.

Em março Nassau recebeu reforços: 1,2 mil soldados e sete navios, enviados sob o comando do coronel polonêsCrestofle d'Artischau Arciszewski, nomeado general, que era veterano da guerra no Nordeste e cheio de experiência brasileira, ao contrário de Nassau - que o vencera entretanto na disputa pelo lugar de comandante do Brasil neerlandês. Em julho, graças à interceptação de uma carta do conde da Torre, Nassau teve o quadro preciso da força do inimigo: 46 navios, dos quais 26 galeões, com 5 mil homens. A armada tinha instruções para permanecer dois anos no litoral brasileiro.

Em novembro de 1639 a armada seguiu para Pernambuco, seguida por terra por soldados da tropa doconde de Bagnoli, chefiados pelos três veteranosAndré Vidal de Negreiros,Antônio Filipe Camarão eHenrique Dias que se ilustrariam mais tarde naGuerra da Restauração, uma vez partido Nassau. Eram 87 navios, com 5 mil soldados, fora a tripulação, e 12 peças de artilharia.[6] Nassau optou por se defender por mar. Para compensar a inferioridade dos meios, se absteria de abordar os navios inimigos e os poria a pique - o que era péssimo, financeiramente, para a WIC. Tinha 41 navios, 2,8 mil homens embarcados, postados ao largo deOlinda. Os navios se deram caça de Alagoas à Paraíba, em uma série de quatro batalhas navais entre Itamaracá e Rio Grande. no dia 13 de janeiro de 1640, diante de Ponta das Pedras; no dia 14, na altura da cidade deParaíba; dia 17, ao largo de Cunhaú, hojepraia de Pipa. Houve poucas baixas. Cada uma teve resultados indecisos mas seu somatório seria favorável aos neerlandeses pois a armada não pode desembarcar e se dispersou, afinal. O conde da Torre desembarcou na baía de Touros uma tropa de 1,2 mil soldados, comandados porLuís Barbalho Bezerra, que regressou à Bahia pelo interior do Brasil neerlandês em marcha heroica de mais de 400 léguas.

Em seu relato à Companhia, Nassau atribui o fracasso luso-espanhol à escolha de um comandante ineficaz para comandar força tão poderosa, devido à praxe de nomear aristocratas inexperientes, como Torre, no pressuposto que sua nobreza era mais apta a garantir a disciplina; outro motivo fora a mortandade que atacara a armada em Cabo Verde, obrigando-a a escala em Salvador; e a ação dos ventos, que haviam desfavorecido sempre o inimigo.

ARestauração da Independência e as suas consequências

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Nassau soube por via da Inglaterra que em Lisboa, em1 de dezembro, um complô aristocrático liquidara 60 anos de domínio espanhol e alçara oduque de Bragança ao trono comoJoão IV de Portugal. A adesão da Bahia modificou completamente a guerra, e disso se soube no Recife por carta que ali chegou em14 de março de 1641, pois Portugal e os Países Baixos eram, potencialmente, aliados contra a Espanha.

Paralelamente, Nassau e o marquês deMontalvão prosseguiram entendimentos secretos. Mas tais gestões não o impediram de expandir os domínios da Companhia e, consciente da iminência de um tratado entre Amsterdã e Lisboa, apressou-se a tirar partido do intervalo que transcorreria. Desde o fevereiro anterior debatera com o Conselho Supremo a ocupação da ilha deSão Tomé.

Ordenou a ocupação deSergipe, para garantir suprimento de gado. Hesitou entre atacarSão Luís ou oGrão-Pará. Em abril de 1640, recebeu ordens para agir contra a Bahia e Sergipe, antes da ratificação do tratado luso-neerlandês.

Em maio, decidiu-se por uma expedição contraLuanda.[6] Entregou o comando ao almirante-pirataCornelis Jol e ao coronelKoin Handerson, à frente de uma esquadra enorme, das maiores que a Companhia armou em 18 anos de sua existência. Nassau achava que nenhuma iniciativa poderia ser tão proveitosa quanto a conquista deAngola, nem desferir tamanho golpe contra a Espanha. De Angola se exportavam anualmente 15 mil escravos, dos quais 10 mil para as minas e fazendas da América Espanhola e cinco mil para o Brasil — o tráfico era avaliado em 6 milhões de florins, dos quais 1 milhão apenas em impostos. Caso a Companhia Neerlandesa das Índias Orientais se assenhorasse de Angola, isso arruinaria a produção espanhola de prata, base do poderio espanhol na Europa, e a produção portuguesa de açúcar, fazendo com que a Bahia caísse depois. A esquadra tomou Luanda em dezembro de 1641, mas não atacou Massangano (onde se refugiara a guarnição e população portuguesa), conquistando a seguirBenguela e São Tomé, eAxim, na costa daGuiné. Dizem os cronistas que a única resistência foi a do clima, ao qualCornelis Jol sucumbiu.

Nassau não conseguiu unificar, subordinando-o a seu comando, um governo unificado em Angola para as possessões africanas, pois os XIX preferiram criar um Distrito Meridional da Costa Africana com capital em Luanda, englobando Angola e São Tomé, sob alegação de que Portugal sempre mantivera separadas suas possessões brasileiras e africanas, para preservar os lucros do tráfico negreiro na metrópole.

Em novembro de 1640, a força naval comandada pelo AlmiranteJan Cornelisz Lichthart e o coronelKoin Handerson tomou a ilha de São Luís dos portugueses, no Maranhão.

Tratado de trégua de dez anos comPortugal

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Em junho de 1641 o embaixadorTristão de Mendonça Furtado assinou com o governo neerlandês um tratado de trégua por 10 anos, com oposição das duas Companhias comerciais. Em Lisboa, indignada com a perda deAngola,Sergipe eMaranhão, exigia-se o recurso às armas para vingar a traição do novo aliado. Cortesãos e altos funcionários começaram a organizar um levante luso-brasileiro noNova Holanda que, entretanto, só se concretizou em junho de 1645, quando Nassau já havia deixado o Brasil.

Montalvão, reabilitado por D.João IV, obtivera a presidência doConselho Ultramarino e retomou os contatos com Nassau. Ofereceram-lhe inclusive, para afastá-lo, um comando noExército português. Nassau foi, aos poucos, entretendo Montalvão, para buscar os maiores benefícios para os neerlandeses. O Brasil neerlandês começou a desandar em 1642, como observaEvaldo Cabral de Mello em sua obra.

A queda no preço dos diversos tipos de açúcar tivera início em 1638. Na safra de 1641-1642 as enchentes prejudicaram os canaviais, e a escravaria foi atacada por uma praga de "bexigas" vinda de Angola. A queda dos preços do açúcar refletiu-se no valor do preço dos imóveis em Recife, que se reduziu de 1/3. A receita fiscal da WIC caiu na mesma proporção. Em quatro anos, o tráfego marítimo com a metrópole se reduziu de 56 para 14 embarcações anuais. Senhores de engenho e lavradores de cana deviam à WIC 5,7 milhões de florins. Em junho de 1644, enquanto Nassau retornava para aEuropa, registravam-se falências emAmsterdã. A escassez de moeda pressionava a taxa de juros que aumentava, provocando mais falências. A ferocidade da Companhia não era menor que a do comércio particular e dos arrecadadores de impostos. Desde fins de 1641, Nassau deve ter percebido que a independência de Portugal poderia vir a ser um mau negócio para o Brasil neerlandês.

Apreciação

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Administrador eficiente e conciliatório, sob sua gestão (1637-1644) o domínio neerlandês no Brasil atingiu o auge. Consolidada a ocupação militar dePernambuco, expandiu a conquista com a anexação do litoral dasCapitanias doCeará,Sergipe eMaranhão, mas fracassou na tentativa de conquistar aBahia (1639) sobretudo por falta de meios.

Diz Evaldo Cabral de Mello:

"A política de conciliação que adotou e sua peça fundamental, a tolerância da religião católica, eram certamente um imperativo da dependência em que se achava a produção de açúcar em relação aos senhores de engenho, lavradores de cana e artesãos da nação portuguesa. Mas não se deve afirmar grosseiramente que a atitude de Nassau e das autoridades batavas decorresse apenas das exigências do sistema produtivo. A liberdade de consciência era doutrina oficial da República dosPaíses Baixos e assim foi proclamada na sua carta fundamental, aUnião de Utrecht (1579). (…) Sua atitude para com a comunidade judaica, porém, foi menos benevolente".[carece de fontes?]

Após sete anos, mesmo tendo desenvolvido uma política conciliadora e tolerante, não conseguiu impedir contradições insolúveis. Divergências entre sua forma de governar e os lucros esperados pela WIC levaram-no a deixar o cargo e retornar àEuropa em23 de maio de 1644.[carece de fontes?]

O seu governo está associado ao planejamento urbano do Recife, que ohistoriador da ArteestadunidenseRobert Chester Smith iria considerar "a primeira cidade digna desse nome na América portuguesa", (…) caracterizada pela liberdade de circulação por meio de pontes e de ruas pavimentadas e traçadas geometricamente, mercados e praças bem plantadas. A descrição da vida em Recife nos tempos de Nassau foi feita por cronistas neerlandeses e por freiManuel Calado que vivia em Alagoas em seu engenho com 25 escravos mas foi chamado por Nassau ao Recife, onde se ligou especialmente aJoão Fernandes Vieira.[carece de fontes?]

Seus êxitos inegáveis foram a defesa do Brasil neerlandês contra o ataque da armada luso-espanhola em 1640 e a conquista deAngola,São Tomé e do Maranhão em 1641, graças ao poder naval.[6]

Para o historiador Charles Boxer foi sobretudo um "administrador de primeira categoria".[carece de fontes?]

A respeito de liberdade religiosa na administração Nassau o historiador Rocha Pombo, em seu clássicoHistória do Brasil, aponta que Nassau fez jogo político inicial, mas que no andar do governo a liberdade religiosa e de culto foi bastante suprimida:

…Chegara Nassau ao Recife declarando que todos os cultos eram livres; mas dentro em pouco bania os frades; proibia aos católicos o exercício público de seu culto; decretava que o clero católico de Pernambuco ficava independente do Bispo da Bahia; e foi até proibir a construção de igrejas sem licença formal do sínodo. Este sínodo constituía ali autoridade suprema em matéria de consciência. Os engenhos, que até então eram benzidos por padres católicos, passavam agora a ser benzidos por ministros protestantes. Os casamentos também só podiam ser celebrados por pastores. É assim que os liberais flamengos entendiam a liberdade religiosa.

— Rocha Pombo[8]

O retorno à Europa

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Desde abril de 1642, o Conselho dos XIX o havia dispensado, com ordens de regressar na primavera de 1643. Com o envio das expedições a Angola e Maranhão e a próxima ratificação do tratado luso-neerlandês, o seu papel no Brasil passou a ser visto como desnecessário.[6] Em setembro, porém, não deixou de manifestar aos Estados Gerais o seu ressentimento com a direção da Companhia. Nassau projetava um ataque aBuenos Aires - escoadouro ilegal da prata peruana com destino ao Rio de Janeiro e a Luanda, e porta de entrada de escravos destinados aoPeru - enquanto, sem consultá-lo, a Companhia decidiu enviar uma expedição para atacar oChile, sob o comando do almiranteHendrick Brouwer, que chegou a Recife e, no decurso de 1643, ocupouChiloé eValdivia.

Nassau também previa uma iminente insurreição luso-brasileira, em carta aos Estados-Gerais. Em Salvador, já se instalara como governador-geralAntônio Teles da Silva, encarregado de fomentar tal insurreição, e havia regressado do ReinoAndré Vidal de Negreiros, que articularia a insurreição no terreno. Havia levantes em São Tomé e no Maranhão, eBengo, em Angola, foi saqueada.

Em30 de setembro de 1643 Nassau recebeu a carta de dispensa dos Estados Gerais, com a promessa de o designar para importantes funções na Europa. Partiu numa esquadra de trezenaus que transportava carga avaliada em 2,6 milhões de florins. A sua bagagem pessoal ocupava duas naus: nela seguiam as suas coleções, barris de conchas e seixos, botijas de farinha demandioca, dentes de elefante, toras de jacarandá, pranchas de pau-santo, depau-violeta, trintacavalos pernambucanos, cembarriletes de frutas confeitadas, inclusiveabacaxi. Fez quarenta anos a bordo e, em julho de 1644, desembarcou no porto de Texel.

Europa

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Túmulo de Maurício de Nassau emCleves
Maurício de Nassau em Cleves (Alemanha), onde faleceu aos 75 anos

De volta aos Países Baixos, foi promovido a General de Cavalaria, nomeado Comandante da Guarnição deWesel. Nesse período encarregouCaspar Barlaeus da redação da história do seu governo no Brasil, obra publicada em 1647. Diante das dificuldades da WIC no Brasil, chegou-se a cogitar da sua volta, ideia declinada por Nassau diante da limitação de seus poderes.

Ocupou o cargo de Governador de Cleves (1647) tendo exercido as funções deembaixador junto àDieta deFrankfurt, em 1652 foi escolhido Comandante daOrdem de Malta para o norte da Alemanha, e recebeu do Imperador o título de Príncipe doSacro Império Romano-Germânico. Mesmo com idade avançada e a saúde debilitada, tornou a pegar em armas quando os Países Baixos foram atacados pelobispo de Münster (1665) e, posteriormente, pelos franceses (1667) e espanhóis (1671). Na guerra contra a França, tornou-se marechal-de-campo. Aos setenta anos de idade foi nomeado governador deUtrecht (1674). A partir de 1674 se tornou conde e depois príncipe (1674-1679) de Nassau-Siegen, região da atual Alemanha.

Embora lhe tenham atribuído várias relações amorosas (freiManuel Calado se reporta à filha de um pastor no Recife, Margarida, filha do predicante Soler), sabe-se que permaneceu celibatário.

Ver também

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Referências

  1. ab«Maurício de Nassau».Fundação Joaquim Nabuco. Consultado em 23 de agosto de 2019 
  2. Gaspar Barléu.«História do Brasil sob o governo de Maurício de Nassau». Consultado em 23 de agosto de 2019 
  3. abcdef«Maurício de Nassau». UOL - Educação. Consultado em 19 de dezembro de 2012 
  4. SILVA, Joaquim. História do Brasil. IN: Admissão ao ginásio. 24 edição. São Paulo editora S.A. São Paulo, 1970. Página 431.
  5. Hermida, Antônio José Borges. Compendio de História do Brasil.51ª edição. São Paulo:Companhia Editora Nacional, 1967, pág. 154
  6. abcdefgFernando Rebouças (10 de dezembro de 2009).«Maurício de Nassau». História Brasileira. Consultado em 19 de dezembro de 2012. Arquivado dooriginal em 21 de março de 2013 
  7. «Palácio de Friburgo, Recife, PE». Fundaj. Consultado em 1 de junho de 2017 
  8. ROCHA POMBO. História do Brasil. 10ª ed. São Paulo: edições melhoramento, 1961. Página 177


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Bibliografia

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  • BARLÉU, Gaspar.História dos feitos recentemente praticados durante oito anos no Brasil. Belo Horizonte: Editora Itatiaia; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1974. 418 p. il.
  • BOXER, Charles R..Os holandeses no Brasil (1624-1654). São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1961.
  • MELLO, Evaldo Cabral de.Nassau (Perfis Brasileiros). São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
Brasão da Capitania de Pernambuco (Nova Holanda)
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