Nascido e criado emPlains, Geórgia, Carter se formou naAcademia Naval dos Estados Unidos em 1946 e se juntou àmarinha, servindo emsubmarinos. Após a morte do seu pai em 1953, ele abandonou o serviço naval e voltou para Plains, onde assumiu o controle do negócio de cultivo de amendoim de sua família. Carter herdou comparativamente pouco devido ao perdão de dívidas de seu pai e à divisão da propriedade entre ele e seus irmãos. Mesmo assim, sua ambição de expandir e cultivar a fazenda de amendoim da família foi cumprida. Durante este período, Carter foi encorajado a se opor àsegregação racial e apoiar o crescentemovimento pelos direitos civis, se tornando um ativista dentro do Partido Democrata. De 1963 a 1967, Carter serviu no Senado estadual da Geórgia e em 1970 foi eleito governador do estado, derrotando Carl Sanders nas primárias do partido. Ele permaneceu como governador até 1975. Embora não fosse conhecido nos círculos políticos fora da Geórgia, Carter conquistou a nomeação do Partido Democrata para aeleição presidencial de 1976. Ele acabou vencendo de forma apertada contra o presidenterepublicanoGerald Ford, assumindo a presidência em janeiro de 1977 num período em que o país estava no meio de umarecessão.
Em 2012, Carter passouHerbert Hoover como o ex-presidente mais velho e chegou a comemorar os 40 anos da sua posse no cargo. Em novembro de 2018, tornou-se o ex-presidente dos Estados Unidos mais longevo, após a morte deGeorge H. W. Bush. Em 1º de outubro de 2024, Carter se tornou o primeiro ex-presidente dos Estados Unidos a chegar aos 100 anos de idade.[4] Depois que deixou a presidência, trabalhou principalmente em questões dedireitos humanos. Ele viajou pelo mundo, advogando acordos de paz, observando eleições e trabalhando para a prevenção eerradicação de doenças em várias nações. Carter também foi defensor da reforma política nos Estados Unidos e foi um crítico dapolítica externa agressiva do presidenteGeorge W. Bush.[5]
Jimmy Carter em 1937, quando tinha por volta de 13 anos
Filho de James Earl Carter Sr. e Bessie Lillian (née Gordy), Jimmy Carter nasceu em 1 de outubro de 1924 na cidade dePlains, em uma família batista que vivia no estado daGeórgia por gerações. Seu bisavô, Littleberry Walker Carter (1832–1873), serviu noExército dos Estados Confederados, que defendia a causa escravagista durante aGuerra Civil Americana. Foi criado numa família sulista tradicional, com interesses no setor agrícola e plantação de amendoins - negócio no qual ele prosperaria. Seus ancestrais teriam chegado nosEstados Unidos por volta de1635, oriundos primordialmente daInglaterra.[6][7][8]
Apesar de sua família se mudar constantemente, Jimmy Carter se formou na Plains High School, em sua cidade natal, em 1941.[9] Ele iniciou sua carreira servindo em vários concelhos locais, que regiam entidades como escolas, hospitais e bibliotecas, entre outros. Após se formar pela Academia Naval deAnnapolis em1946, casou-se comRosalynn Smith. Deste matrimônio nasceram quatro filhos: John William (Jack), James Earl II (Chip), Donnel Jeffrey (Jeff) e Amy Lynn.
Carter começou a demonstrar interesse pela política em meados da década de 1950, no auge das tensões nosul a respeito do processo de desmantelamento legal dasegregação racial nos Estados Unidos, notavelmente após a decisão daSuprema Corte no casoBrown v. Board of Education. Nos anos 60, ele cumpriu dois mandatos no Senado daGeórgia a partir do décimo-quarto distrito. Foi governador do seu estado natal, de1971 a1974, onde lutou pela igualdade racial e melhoria das condições de vida da população, em especial a dos mais pobres (com um foco maior nas minorias, especialmente osnegros).[3]
Em dezembro de 1974, Carter anunciou, no National Press Club deWashington D.C., que concorreria a presidência dos Estados Unidos. No seu primeiro discurso, focou em questões domésticas, principalmente na desigualdade. Durante a campanha, manteve um tom otimista e afirmou que traria mudanças.[10][11] Apesar de inicialmente desconhecido do grande público, o fato de não ser tachado como membro do "círculo interno de Washington" acabou sendo um dos seus maiores apelos populares, tendo em vista a insatisfação do povo com a classe política, acentuada peloCaso Watergate, que ainda estava fresco na mente das pessoas.[12] No final, acabou vencendo a indicação do Partido Democrata à presidência e se lançou na chapa nacional.[13][14] Em julho de 1976, anunciouWalter F. Mondale como seu vice.[15]
Apesar de uma campanha instável, com uma série de polêmicas, acabou por vencer o presidenteGerald Ford naeleição presidencial de 1976, por pequena margem no voto popular e no Colégio Eleitoral.[16] Foi empossado presidente em 20 de janeiro de 1977.
Jimmy Carter assumiu um país com uma economia ruim e até o fim do seu mandato, os Estados Unidos ainda estavam em recessão e sofrendo com inflação, além de uma crise energética. Um dos seus primeiros atos como presidente foi cumprir uma promessa de campanha ao assinar uma ordem executiva firmando umaanistia incondicional para osdesertores daGuerra do Vietnã.[17][18] Em 7 de janeiro de 1980, Carter assinou a leiH.R. 5860, conhecido comoThe Chrysler Corporation Loan Guarantee Act of 1979, um empréstimo para socorrer aChrysler Corporation. Carter também teve que lidar com crises no exterior, mais notavelmente noOriente Médio, como a assinatura dosAcordos de Camp David; ele também finalizou o processo de devolução doCanal do Panamá; depois assinou um acordo de redução nuclear conhecido comoSALT II com o líder soviéticoLeonid Brezhnev. No seu último ano como presidente, acrise dos reféns no Irã erodiu sua já baixa popularidade, garantindo sua derrota naeleição de 1980 peranteRonald Reagan.[19]
A presidência de Carter teve uma história econômica de aproximadamente dois períodos iguais, sendo os dois primeiros anos de recuperação da granderecessão de 1973–75, que tinha reduzido drasticamente os investimentos para o menor nível desde a recessão de 1970 e elevado o desemprego para 9%.[20] Os outros dois anos foram marcados por alta da inflação, juros elevados,[21] falta de petróleo e crescimento econômico lento.[22] Após um crescimento em 1977 e 1978, onde milhões de novos empregos foram criados[23] e a renda da população subiu 5%,[24] houve acrise energética de 1979 que encerrou este período de recuperação, com a inflação e os juros subindo novamente e a economia, geração de empregos e a confiança geral do consumidor declinando acentuadamente.[21] A fracapolítica monetária adotada pelopresidente daReserva Federal dos Estados Unidos,G. William Miller, havia contribuído para a alta inflacionária,[25] que subira de 5,8% em 1976 para 7,7% em 1978. Neste período, aOPEC aumentou o preço dopetróleo bruscamente,[26] o que levou a inflação a subir novamente para 11,3% em 1979 e 13,5% em 1980.[20] A súbita falta degasolina no verão de 1979 exacerbou o problema e simbolizaria a crise para o público geral, puxando para baixo a popularidade do presidente.[21]
Ao final dosanos 70, a economia americana estava emrecessão, que entre vários fatores estava ligado a crise no setor energético. Em 18 de abril de 1977, Carter deu um discurso na televisão onde ele declarou que tal crise era equivalente a uma "guerra moral". Ele encorajou osamericanos a conservarem energia e instaloupainéis solares na Casa Branca.[27][28][29]
Carter normalmente se recusava a obedecer às regras de Washington.[30] Ele perdia e nunca retornava telefonemas de sua parte. Ele usava insultos verbais e não queria retribuir favores políticos, o que contribuiu para sua falta de capacidade de aprovar leis no Congresso.[31] Durante uma coletiva de imprensa em 23 de fevereiro de 1977, o presidente afirmou ser "inevitável" que ele entrasse em conflito com o Congresso e acrescentou haver encontrado "um senso crescente de cooperação" com os congressistas e se reuniu no passado com membros do Congresso de ambos os partidos.[32] Carter desenvolveu um sentimento amargo após uma tentativa frustrada de fazer o Congresso aprovar o desmantelamento de vários projetos sobre água,[33] que ele havia solicitado durante seus primeiros 100 dias no cargo e recebeu oposição de membros de seu partido.[34] Como um racha se seguiu entre a Casa Branca e o Congresso depois, Carter observou que a alaliberal do Partido Democrata era mais veementemente contra suas políticas, atribuindo isso ao desejo deTed Kennedy de um dia se tornar presidente.[35]
Carter foi, ao longo de sua presidência, tentando melhorar sua relação com o legislativo. Ele afirmou: "Aprendi a respeitar mais o Congresso individualmente. Fiquei favoravelmente impressionado com o alto grau de experiência e conhecimento concentrados que os membros individuais do Congresso podem trazer sobre um assunto específico, onde foram presidentes de um subcomitê ou comitê por muitos anos e concentraram sua atenção neste aspecto particular da vida do governo que eu nunca serei capaz de fazer".[36] Embora Carter, no geral, tenha passado várias de suas propostas pelo Congresso, nenhuma foi muito significativa, e a forma como ele evitava se impor acabou por alimentar a visão de que ele era um presidente "fraco" e sem muita moral, mesmo dentro do seu própriogabinete.[37]
Dentro do governo e do Congresso, havia muito debate político a respeito de desregular a indústria aérea do país, em especial as linhas aéreas e os aeroportos. Em 24 de outubro de 1978, Carter assinou aAirline Deregulation Act. O principal objetivo desta lei era remover o controle governamental sobre tarifas, rotas e entrada no mercado (de novas companhias aéreas) daaviação comercial. Os poderes de regulamentação do Conselho de Aeronáutica Civil deveriam ser eliminados gradualmente, permitindo que as forças do mercado determinassem rotas e tarifas. A lei não removeu ou diminuiu os poderes regulatórios daFAA sobre todos os aspectos da segurança aérea.[38] Em 1979, Carter desregulamentou a indústria de cerveja americana, tornando legal a venda demalte,lúpulo elevedura para cervejeiros caseiros americanos pela primeira vez desde o início efetivo, em 1920, daLei Seca nos Estados Unidos.[39] Essa desregulamentação levou a um aumento na fabricação de cerveja caseira nas décadas de 1980 e 90, que na década de 2000 se desenvolveu em uma forte cultura de microcervejaria artesanal nos Estados Unidos, com 6 266 microcervejarias, brewpubs e cervejarias artesanais regionais pelo país até o final de 2017.[40]
Durante sua campanha para a presidência, Carter abraçou a ideia de reforma no sistema de saúde deTed Kennedy - apoiando uma reforma bipartidária do sistema de seguros para um sistema desaúde universal.[41][42][43] Carter propôs, em abril de 1977, custos obrigatórios para mensalidades das empresas de saúde[44] e em junho de 1979, propôs que empresas deveriam obrigatoriamente fornecer seguros de saúde para os seus empregados.[45]
Boa parte das propostas de Carter para a saúde, contudo, não passaram.[46]
No início de seu mandato, Carter colaborou com o Congresso para ajudar a cumprir uma promessa de campanha de criar um departamento de educação em nível degabinete. Em um discurso da Casa Branca em 28 de fevereiro de 1978, Carter argumentou que "a educação é um assunto muito importante para ser espalhado aos poucos entre vários departamentos e agências governamentais, que muitas vezes estão ocupados com preocupações às vezes dominantes".[47] Em 8 de fevereiro de 1979, o governo Carter divulgou um esboço de seu plano para estabelecer um departamento para educação e afirmou ter apoio suficiente para que sua promulgação ocorresse até junho.[48] Em 17 de outubro do mesmo ano, o presidente assinou oDepartment of Education Organization Act, a lei que autorizou a criação e estabelecimento de regras doDepartamento de Educação dos Estados Unidos.[49][50]
Carter expandiu o programaHead Start, adicionando mais 43 000 crianças e famílias,[51] enquanto a porcentagem de dólares não-defesa gastos em educação foi dobrada.[52]
Desde o início de sua presidência, Carter tentou mediar oconflito árabe-israelense.[53] Após uma tentativa fracassada de buscar um acordo abrangente entre as duas nações em 1977 (através da reconvocação daConferência de Genebra de 1973),[54] Carter convidou o presidente egípcioAnwar Sadat e o primeiro-ministro israelenseMenachim Begin paraCamp David, a residência de campo do presidente dos Estados Unidos, em setembro de 1978, na esperança de criar uma paz definitiva. Embora os dois lados não pudessem concordar com a retirada israelense da Cisjordânia, as negociações resultaram no reconhecimento formal de Israel pelo Egito e na criação de um governo eleito naCisjordânia e emGaza. Isso resultou nosAcordos de Camp David, que puseram fim à guerra formal entre Israel e Egito.[55]
Os acordos foram fonte de grande oposição interna tanto no Egito quanto em Israel. O historiador Jørgen Jensehaugen argumenta que, quando Carter deixou o cargo em janeiro de 1981, ele estava "em uma posição estranha - tentou romper com a política tradicional dos Estados Unidos, mas acabou cumprindo os objetivos dessa tradição, que era romper a política árabe aliança, marginalizar os palestinos, construir uma aliança com o Egito, enfraquecer a União Soviética e proteger Israel".[56]
Em 27 de abril de 1978,Nur Muhammad Taraki tomou o poder noAfeganistão emum golpe de Estado.[57] O novo regime — de orientaçãosocialista — assinou um tratado de amizade com aUnião Soviética em dezembro do mesmo ano.[57][58] As tentativas de Taraki para tornar o sistema de educação maissecular e redistribuir terras (acompanhado por várias execuções sumárias e repressão da oposição política), irritou os conservadores religiosos, instigando osmujahidins a se rebelar.[57] Após um levante geral em 1979, Taraki foi deposto pelo rivalHafizullah Amin em setembro.[57][58] Amin foi considerado um ditador cruel por observadores estrangeiros; até mesmo os soviéticos estavam assustados com a repressão do regime de Amin e suspeitaram que ele estivesse secretamente alinhado aCentral Intelligence Agency (CIA).[57][58][59] Em dezembro de 1979, o governo de Amin perdeu controle de boa parte do país, forçando a União Soviética ainvadir o Afeganistão. Amin foi executado eBabrak Karmal, um moderado, foi instaurado no poder.[57][58]
Jimmy Carter foi pego de surpreso pela invasão, já que o consenso entre a comunidade de inteligência dos Estados Unidos era que Moscou não iria interferir no Afeganistão, nem mesmo se houvesse risco do governo local cair. De fato, Carter escreveu no seu diário, entre novembro e dezembro de 1979, menos de duas referências ao Afeganistão, atestando o quão pouco preocupado ele estava, preferindo focar sua atenção a crise no Irã.[60] NoOcidente, ainvasão soviética foi considerada uma ameaça à segurança global e ao fornecimento de petróleo vindo doGolfo Pérsico.[58] Além disso, o fracasso dos serviços de inteligência em identificar as intenções soviéticas fez com que os políticos americanos reavaliassem a ameaça doMundo Comunista ao Irã e ao Paquistão, embora estes medos provavelmente fossem exagerados.[59][60] Isso forçou os governos Carter e Reagan a tentar melhorar as relações com os iranianos e também no aumento de ajuda militar ao líder paquistanêsMuhammad Zia-ul-Haq.[60] Uma das primeiras atitudes concretas de Carter foi autorizar a colaboração da CIA e doserviço de inteligência paquistanês (o ISI); o governo americano começou fornecendo mais de US$ 500 000 dólares em ajuda não letal para os guerrilheirosmujahidins afegãos a partir de 3 de julho de 1979. O auxílio americano aos afegãos foi pequeno pois os Estados Unidos temiam que maior ajuda poderia forçar a mão da União Soviética a agir de forma mais incisiva.[60][61][62]
Após a invasão soviética, Carter estava determinado a responder de forma rigorosa. Em um discurso na televisão, ele anunciou Sansões contra a União Soviética, aumentou a ajuda militar ao Paquistão, renovou o registro do Sistema Seletivo de Serviço militar e também fortaleceu ocomprometimento dos Estados Unidos a melhorar as defesas do Golfo Pérsico.[60][61][63] Carter também convocou um boicote aosJogos Olímpicos de 1980 em Moscou, o que causou controvérsia na época.[64] A primeira-ministra britânicaMargaret Thatcher apoiou incondicionalmente a postura dura de Carter, embora o serviço de inteligência inglês acreditasse que a CIA estava exagerando a ameaça dos soviéticos ao Paquistão.[60] Em 1980, Carter iniciou umprograma clandestino para armar os mujahidins através do serviço paquistanês ISI e também garantiu o apoio da Arábia Saudita. A ajuda aos guerrilheiros mujahidins acelerou consideravelmente no governo do sucessor de Carter,Ronald Reagan, ao custo de US$ 3 bilhões de dólares do contribuinte americano. Após quase uma década de guerra, os soviéticos eventualmente seretiraram do Afeganistão, em 1989. Historiadores acreditam que isso ajudou a precipitar adissolução da União Soviética, devido ao enorme impacto que teve na economia do país.[60] Contudo, a decisão de usar o Paquistão como intermediário para a entrega de armas para os insurgentes afegãos foi duramente criticada, pois vários equipamentos foram desviados e vendidos no mercado negro; a cidade deKarachi, um polo de distribuição de armas americanas para os mujahidins, logo se tornou "uma das cidades mais violentas do mundo" como consequência. O Paquistão também tinha muito poder de decisão sobre quem deveria ter prioridade no recebimento de armas dos Estados Unidos, preferindo gruposislamitas.[58] Apesar disso, Carter não esboçou qualquer arrependimento sobre sua decisão de ajudar o que ele chamava de "guerreiros da liberdade" do Afeganistão.[60]
Em 4 de novembro de 1979, um grupo de estudantes iranianos, pertencentes ao grupo "Estudantes Muçulmanos Seguidores da Linha do Imã" que apoiavam aRevolução Iraniana, tomaram controle da embaixada americana emTeerã.[65] Cinquenta e dois diplomatas e cidadãos americanos foram feitos reféns por 444 dias até 20 de janeiro de 1981. Durante a crise, Carter permaneceu em isolamento naCasa Branca por pelo menos 100 dias. Sua postura foi muito criticada por várias pessoas de ambos osespectros políticos.[66] Em 24 de outubro de 1980, Carter ordenou aOperação Eagle Claw para tentar libertar os reféns. A incursão falhou, terminando com a morte de oito militares americanos e duas aeronaves destruídas.
Países visitados por Carter durante sua presidência
Carter fez doze viagens internacionais durante sua presidência, visitando vinte e cinco países.[67] Ele foi o primeiro presidente americano a visitar aÁfrica subsariana, quando ele foi para aNigéria em 1978. Carter também viajou para aEuropa,Ásia eAmérica Latina. Também fez presença noOriente Médio, ajudando nas negociações entre Israel e os países árabes. Entre 31 de dezembro de 1977 e 1 de janeiro de 1978, Carter visitou oIrã, um ano antes da deposição do imperadorMohammad Reza Pahlavi.[68]
Carter e Reagan no debate presidencial em outubro de 1980
Carter disse mais tarde que boa parte das críticas mais assíduas a ele vinham da ala esquerdista do Partido Democrata, que ele atribuiu a ambição deTed Kennedy de substituí-lo como presidente.[69] Kennedy surpreendeu seus apoiadores ao fazer uma campanha fraca e Carter venceu a maioria das primárias e garantiu sua renomeação para a candidatura do partido. Contudo, Kennedy havia dominado a ala liberal de esquerda dos democratas, o que enfraqueceu a campanha de Carter.[70]
A campanha de Jimmy Carter para aseleições de 1980 foi extremamente difícil e nada efetiva. Ele foi fortemente desafiado peladireita conservadora (como orepublicano Ronald Reagan), peloscentristas (como oindependenteJohn B. Anderson) e pelaesquerda (como odemocrataTed Kennedy). Carter concorreu enquanto seu governo estava marcado pela "estagflação", com uma economia paralisada, enquanto a crise dos reféns no Irã dominava os noticiários em todas as semanas. Ele ainda alienou os estudantes universitários de esquerda, que eram parte da sua base política, quando ele reinstituiu o registro militar obrigatório. Seu gerente de campanha,Timothy Kraft, renunciou a posição cinco semanas antes da eleição após alegações não comprovadas de uso decocaína.[71] Carter acabou sendo derrotado por uma boa margem pelo candidato Ronald Reagan, enquanto oSenado foi tomado pelos republicanos, pela primeira vez desde 1952.[72]
Após perder a reeleição, Carter afirmou para jornalistas na Casa Branca que ele tinha a intenção de imitar a aposentadoria deHarry S. Truman e não usar sua vida pública subsequente para enriquecer.[73]
Carter discutindo sobre o seu legado e trabalho noCarter Center pouco antes de completar 95 anos
Em 1994, o presidenteBill Clinton procurou a ajuda de Carter para buscar a paz com aCoreia do Norte. Em agosto de 2010, Carter viajou para a Coreia do Norte para garantir a libertação deAijalon Gomes em agosto de 2010, conseguindo que ele fosse solto. Em 2017, nogoverno Trump, Carter mais uma vez se ofereceu para conversar com os norte-coreanos para tentar resolver as tensões diplomáticas entre as nações.[77][78][79]
Na década de 1980, Carter realizou trabalhos noPeru e emNicarágua, buscando, principalmente, promover eleições democráticas.[80][81] Em 2002, ele visitouCuba e se encontrou com o presidenteFidel Castro. Ele também se encontrou com dissidentes políticos, visitou um sanatório de AIDS, uma escola de medicina, uma instalação de biotecnologia, uma cooperativa de produção agrícola e uma escola para crianças deficientes. Em 2011 ele visitou Cuba novamente.[82]
Logo que saiu da presidência, Jimmy Carter realizou visitas ao Oriente Médio em missões humanitárias e políticas.[83] Em setembro de 1981, visitouIsrael e se encontrou com o primeiro-ministroMenachem Begin, e em março de 1983 visitou oEgito, onde se encontrou com membros daOrganização para a Libertação da Palestina. Em dezembro de 2008, teve uma reunião com o presidente SírioBashar al-Assad.[84] Em 2006, Carter declarou suas discordâncias com as políticas interna e externa de Israel mas afirmou que era a favor do país, enquanto criticava suas políticas com relação aLíbano,Cisjordânia eGaza.[85]
Em julho de 2007, se encontrou comNelson Mandela emJohannesburg e discutiu questões de direitos humanos e paz mundial, participando do grupoThe Elders.[86][87] Em seguida, ele visitouDarfur,Sudão,Chipre, aPenínsula Coreana eOriente Médio, entre outros lugares.[88] Carter tentou viajar para oZimbábue em novembro de 2008, mas foi impedido pelo governo do presidenteRobert Mugabe. Durante todos os anos 90 e 2000, visitou várias vezes a África, chegando a negociar o Acordo de Nairóbi, um entendimento entre Uganda e Sudão.[89]
Após deixar o cargo, Carter inicialmente evitou criticar seu sucessor Ronald Reagan,[90] porém logo passou a falar publicamente a respeito do seu desgosto pela política externa do republicano, especialmente para o Oriente Médio.[91] Ele também criticou o presidente Reagan a respeito da sua falta de postura com relação a defesa dos direitos humanos.[92] Duas décadas mais tarde, condenou ainvasão do Iraque no governo deGeorge W. Bush. Em 2007, ele afirmou que o governo Bush foi "o pior da história".[93]
No governo do democrata Barack Obama, Carter estava otimista e o elogiou no começo.[94] Contudo, com o passar do tempo, ele foi crítico da postura de Obama com relação ao uso irrestrito dedrones para matar acusados de terrorismo pelo mundo, manter aPrisão de Guantánamo aberta e a espionagem do governo para com os próprios cidadãos.[95][96][97] No governo deDonald Trump, ele exortou o presidente a trabalhar com o Congresso para resolver a questão de imigração, mas criticou Trump em questões sociais. Com relação a crise com aChina, Carter afirmou que os Estados Unidos eram a nação mais belicosa do mundo, afirmando: "Nós desperdiçamos, acho, US$ 3 trilhões. [...] É mais do que você pode imaginar. A China não desperdiçou um único centavo em guerras e é por isso que estão à nossa frente. Em quase todos os sentidos."[98]
Desde 1992, Carter endossou todos os candidatos democratas em eleições presidenciais. Em 2016, ele apoiouBernie Sanders mas quando ficou claro queHillary Clinton seria a candidata democrata, ele a apoiou inteiramente.[99][100] Em outubro de 2017, com Trump na Casa Branca, Carter afirmou que não gostava da cobertura da mídia a respeito dele, chamando-a de injusta. Contudo, ele criticou Trump com relação a imigração e sua inação a respeito doassassinato de Jamal Khashoggi. Carter também afirmou que dificilmente Trump teria sido eleito se não fosse ainterferência da inteligência russa nas eleições americanas.[101] Após ainvasão do Capitólio dos Estados Unidos em 2021, Carter se juntou aos outros três ex-presidentes vivos,Barack Obama, George W. Bush e Bill Clinton, ao denunciar a invasão e disse que o que ocorreu foi "uma tragédia nacional e não somos quem somos como nação".[102]
Em agosto de 2024, o filho de Carter, Chip, disse que seu pai queria viver além dos 100 anos para poder votar emKamala Harris naeleição presidencial de 2024.[103] Isso foi alcançado em 16 de outubro por meio de votação antecipada na Geórgia.[104]
Carter criticou o governo Bush por sua resposta aoFuracão Katrina[105] e ajudou a construir casas para vítimas doFuracão Sandy,[106] se reunindo com outros ex presidentes para angariar fundos para aliviar a situação dos necessitados após os furaçõesHarvey eIrma em comunidades noCosta do Golfo e noTexas.[107][108]
Até 2021, ele serviu no projetoWorld Justice Project[119] e foi membro por um tempo na organização Continuidade da Comissão de Governo.[120] Carter também ensinou naUniversidade Emory, emAtlanta, até junho de 2019 recebeu um prêmio por 37 anos de serviços prestados na faculdade.[121]
Carter e sua esposa, casados fazia quase 80 anos, foram voluntários de vários projetos, especialmente oHabitat Para a Humanidade, uma iniciativa filantrópica com sede na Geórgia que ajuda trabalhadores de baixa renda em todo o mundo a construir e comprar suas próprias casas e ter acesso a água potável.[125] Seus hobbies incluem pintura,[126]pesca, marcenaria, ciclismo, tênis e esqui.[127] Ele também se interessa por poesia, principalmente pelas obras deDylan Thomas.[128] Durante uma visita de estado ao Reino Unido em 1977, Carter sugeriu que Thomas deveria ter um memorial no Poets 'Corner naAbadia de Westminster;[129] sendo que isso mais tarde se concretizou em 1982.[128][130]
Desde muito jovem, Carter mostrou um profundo compromisso com ocristianismo.[131] Como presidente, Carter orava várias vezes ao dia e professava que Jesus era a força motriz de sua vida. Ele foi muito influenciado por um sermão que ouviu quando jovem que perguntava: "Se você fosse preso por ser cristão, haveria provas suficientes para condená-lo?".[132] Em 2000, ele anunciou que havia deixado aConvenção Batista do Sul por causa de suas doutrinas rígidas que não sustentavam mais crenças verdadeiras, embora permanecesse membro daAssociação Batista Cooperativa.[133]
Em agosto de 2014, Carter anunciou que tinha quatro tumores no cérebro e que se submeteria a tratamentos de radioterapia junto com a ingestão de uma série de remédios experimentais, como opembrolizumab, aprovado pela Administração de Alimentos e Remédios dos Estados Unidos (FDA) em setembro de 2014. Em dezembro, o ex-presidente democrata disse em sua igreja que os últimos exames médicos feitos não revelavam rastros do câncer, mas ele continuou com o tratamento até fevereiro de 2015.[134]
Em 18 de fevereiro de 2023, após sua saúde se deteriorar um pouco após algumas visitas a hospitais, foi anunciado que o ex-presidente Carter estava sobcuidados paliativos domiciliares em sua casa em Plains, Geórgia.[135] Em 19 de novembro desse mesmo ano, sua esposaRosalynn Carter morreu. Os dois foram casados por setenta e sete anos, tendo quatro filhos juntos.[136]
Carter morreu em 29 de dezembro de 2024, em anúncio feito por seu filho, James E. Carter III, aoThe Washington Post.[137][138] Isso ocorreu após sua decisão, em fevereiro de 2023, de entrar em cuidados paliativos após ser diagnosticado commelanoma quemetastatizou para seu cérebro e fígado.[139]
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