AIsland Records é umagravadora multinacional de propriedade daUniversal Music Group. Foi fundada na Jamaica por Chris Blackwell, Graeme Goodall e Leslie Kong em 1959[1] e, posteriormente, vendida àPolyGram em 1989.
Na época, a Island e aA&M Records (outra gravadora recém-adquirida pela PolyGram) eram as maioresgravadoras independentes da história. A Island, em particular, exerceu grande influência na cena musical progressiva do Reino Unido no início dos anos 1970.
A Island Records opera quatro divisões internacionais: Island US, Island UK, Island Australia e Island France (conhecida como Vertigo France até 2014). Os principais executivos atuais são Imran Majid e Justin Eshak, nomeados coCEOs da Island Records em 2021. Devido em parte ao seu legado significativo, a Island continua sendo uma das gravadoras mais proeminentes da UMG.
A Island Records foi fundada na Jamaica em 4 de julho de 1959 por Chris Blackwell, Graeme Goodall e Leslie Kong, com financiamento de Stanley Borden, daRKO. O nome foi inspirado na canção deHarry Belafonte, "Island in the Sun".[2][3] Em 2009, Blackwell declarou: "Eu amava tanto a música, só queria entrar nesse mundo, ou estar o mais próximo possível dele".[2] O primeiro álbum produzido por Blackwell foiLance Hayward at the Half Moon Hotel, gravado no final de 1959.[4]
Tom Hayes, gerente de vendas do selo entre 1965 e 1967, descreveu o início da gravadora no Reino Unido como um "caos organizado". O sucesso de 1964, "My Boy Lollipop", interpretado pela cantora jamaicanaMillie Small (1947–2020), foi o primeiro êxito da gravadora no Reino Unido e levou a uma turnê mundial que também contou com a presença de Blackwell. Em um documentário do 50º aniversário, Blackwell afirmou que, naquela época, seu interesse estava em construir carreiras de longo prazo, e não apenas projetos de curto alcance.[2] Suzette Newman, colega próxima de Chris Blackwell desde os primeiros anos da Island Records, foi responsável pelo selo de música mundial Mango.[5] Suzette Newman e Chris Salewicz foram os editores do livroThe Story of Island Records: Keep On Running.[6]
Blackwell mudou-se para a Inglaterra em maio de 1962, buscando maior visibilidade após o sucesso dos sistemas de som jamaicanos. O selo foi inicialmente instalado em um porão em Kilburn, Londres, que havia sido usado pela gravadora Planetone, de Sonny Roberts, e cujo proprietário era Lee Gopthal, que mais tarde fundaria aTrojan Records.[7][8] A maioria dos artistas que havia assinado com Blackwell na Jamaica permitiu que ele lançasse suas músicas no Reino Unido. Durante esse período, Blackwell vendia pessoalmente os discos em lojas de Londres, sem distribui-los para rádios (que se recusavam a tocar a música da Island) nem para a imprensa, que também não fazia resenhas.[2] Em 1965, Goodall deixou a empresa para fundar a Doctor Bird Records.[9]
Logotipo da Island Records usado entre 1967 e 1970
Blackwell contratou oSpencer Davis Group para o selo (na época, muitos lançamentos da Island eram distribuídos pelaPhilips/Fontana). O grupo alcançou grande popularidade e a Island criou sua própria linha independente para promover talentos do rock britânico. A gravadora assinou com artistas comoJohn Martyn,Fairport Convention,Free, influenciando fortemente o mercado derádio FM. No fim da década de 1960 e início da de 1970, a Island já era uma das principais gravadoras do Reino Unido, com artistas comoRoxy Music,King Crimson,Sparks,Traffic,The Wailers,Cat Stevens,Steve Winwood e muitos outros. (Nos Estados Unidos, muitos de seus lançamentos eram licenciados pelaA&M antes de assinarem contratos de distribuição com aCapitol e, posteriormente, com aAtlantic, além de distribuições independentes).
ParaToots and the Maytals, grupo que introduziu o termo "reggae" com o single de 1968 "Do the Reggay",[10] foi Chris Blackwell quem definiu a formação antes de apresentá-los ao público internacional. Ele já havia assinado comBob Marley e, em seguida, com os Maytals. Em 2016, o baixista Jackie Jackson relatou a formação do grupo em entrevista à rádio Kool 97 FM Jamaica.[11][carece de fontes?]
Blackwell adquiriu, em 1969, uma igreja desconsagrada do século XVII na rua Basing Street (números 8–10), na região deLadbroke Grove, emNotting Hill, no oeste de Londres. O edifício foi reformado para abrigar osIsland Studios, estúdios de gravação que também serviram como nova sede da Island Records.[12]
O primeiro álbum dosToots and the Maytals lançado e distribuído pela Island foiFunky Kingston. O grupo havia recentemente integrado uma banda de apoio em tempo integral, com o baterista Paul Douglas e o baixista Jackie Jackson. Chris Blackwell participou como coprodutor do disco.[13] O crítico musicalLester Bangs descreveu o álbum na revistaStereo Review como "perfeição, o conjunto mais emocionante e diversificado de músicas de reggae já lançado por um único artista".[14] Segundo Blackwell: "Os Maytals eram algo totalmente diferente... sensacionais, crus e dinâmicos".[15] Ele também afirmou: "Conheço Toots há mais tempo que qualquer um – muito mais tempo que Bob (Marley). Toots é uma das pessoas mais puras que já conheci, puro quase ao extremo".[16]
Apesar do trabalho inicial feito quase sozinho por Blackwell, a Island enfrentou dificuldades financeiras no fim da década de 1970 e início da de 1980. A morte deBob Marley em 1981 foi um duro golpe, já que a gravadora havia sido a responsável por projetar o artista internacionalmente poucos anos antes. Ao mesmo tempo, a banda de rock irlandesaU2, contratada pela Island em março de 1980, crescia em popularidade, mas ainda não havia atingido o status de superestrela internacional. Em 1981, Blackwell também usou a gravadora para financiar uma produtora e distribuidora de filmes, lançando o longaCountryman.[17]
Em 1982, Paul Morley e o produtorTrevor Horn fundaram a gravadora ZTT sob o selo Island, sendo conhecida pelos altos gastos aprovados por Blackwell.[1] Em um livro de 2009 sobre a Island Records, Morley afirmou:
Eventualmente passei a compreender como Chris Blackwell, e, portanto, a Island Records, não se resumiam a uma única coisa, um único estilo ou sistema... [Passei a] refletir sobre como o mundo funciona e se reinventa justamente por ser uma união fluida, às vezes perigosa, sempre excitante, de sistemas e crenças. E a melhor maneira de permitir o progresso é misturar e colocar em glorioso conflito esses vários sistemas e crenças.[18]
Em 1983, a produtora de filmes uniu-se à Alive Enterprises, de Shep Gordon, formando a Island Alive, que teve sucesso com os filmesKiss of the Spider Woman,Koyaanisqatsi eStop Making Sense.[17] A parceria foi dissolvida em 1985.[17] Em agosto de 1987, a gravadora não conseguiu pagar os US$ 5 milhões de royalties devidos aoU2 pelo álbumThe Joshua Tree, pois havia direcionado os fundos para financiar filmes malsucedidos. O grupo respondeu negociando um acordo que lhes garantiu uma participação acionária estimada em cerca de 10% da empresa.[18]
↑[https://www.bbc.co.uk/programmes/b00ymljb "Toots and the Maytals: Reggae Got Soul"], BBC Four (documentário). Dirigido por George Scott. Reino Unido, 2011. 59 min. Acessado em 15 dezembro 2016.