Os muçulmanos acreditam no puro monoteísmo, que o islamismo é a versão completa e universal de uma fé primordial que foi revelada muitas vezes por meio de profetas anteriores, comoAdão (que se acredita ser o primeiro homem),Abraão,Moisés eJesus, entre outros;[8][9] essas revelações anteriores são atribuídas aojudaísmo e aocristianismo, que são considerados no islamismo comoreligiões predecessoras espirituais.[10] Os muçulmanos consideram o Alcorão a palavra literal de Deus e a revelação final inalterada.[11] Juntamente com o Alcorão, os muçulmanos também acreditam nas revelações anteriores, como o Tawrat (Torá), o Zabur (Salmos) e oInjil (Evangelho). Eles também consideram Muhammad como o principal e últimoprofeta islâmico, por meio de quem a religião foi completada. Os ensinamentos e exemplos normativos de Muhammad, chamados desuna, documentados em relatos chamados dehádice, fornecem um modelo constitucional para os muçulmanos.[12] O islamismo ensina que Deus (Alá) éúnico e incomparável.[13] Afirma que haverá um "Julgamento Final" em que os justos serão recompensados noparaíso (Jannah) e os injustos serão punidos noinferno (Jahannam).[14] OsCinco Pilares — considerados atos obrigatórios deadoração — compreendem ojuramento ecredo islâmico (shahada); orações diárias (salah); esmola (zakat);jejum (sawm) no mês doRamadã; e umaperegrinação (haje) aMeca.[15] A lei islâmica, axaria, abrange praticamente todos os aspectos da vida, desde bancos, finanças e bem-estar até os papéis masculinos e femininos e o meio ambiente.[16][17][18] Festivais religiosos proeminentes incluem oEid al-Fitr e oEid al-Adha. Os três locais mais sagrados do islamismo em ordem decrescente sãoMasjid al-Haram emMeca,Al-Masjid an-Nabawi emMedina e aMesquita Al-Aqsa emJerusalém.[19]
Existem duas grandes denominações islâmicas:sunismo (85–90%)[25] exiismo (10–15%).[26][27] Enquanto as diferenças entre sunitas e xiitas surgiram inicialmente de divergências sobre a sucessão de Maomé, elas cresceram para cobrir uma dimensão mais ampla, tanto teológica quantojurídica.[28] Os muçulmanos constituem a maioria da população em49 países do planeta.[29][30] Aproximadamente 12% dos muçulmanos do mundo vivem naIndonésia, o país de maioria muçulmana mais populoso;[31] 31% vivem nosul da Ásia;[32] 20% vivem noOriente Médio–Norte da África; e 15% vivem naÁfrica subsaariana.[33] Comunidades muçulmanas consideráveis também estão presentes nasAméricas,China eEuropa.[34][35] Devido em grande parte a umataxa de fertilidade mais alta, o islamismo é o principal grupo religioso que mais cresce no mundo e, se as tendências atuais se mantiverem, ultrapassará ligeiramente o cristianismo como a maior religião do mundo até o final doséculo XXI.[36]
O islamismo é descrito em árabe como umdiin, o que significa "modo de vida" e/ou "religião" e possui uma relaçãoetimológica com outras palavras árabes comoSalaam ouShalam (Shalaam /Shalom), que significam "paz".[39]
"Muçulmano", por sua vez, deriva da palavra árabemuslim (plural,muslimún),particípio activo doverboaslama, designando "aquele que se submete". O vocábulo pode ter penetrado no português a partir docastelhano, sendo provável que essa língua o tenha tomado doitaliano ou dofrancês, línguas nas quais o vocábulo surge em 1619 e 1657, respectivamente (no primeiro caso comomossulmani, na obraViaggi, dePietro della Valle, e no segundo comomousulmans, na obraVoyages, deLe Gouz de la Boullaye).[40]
Em textos mais antigos, os muçulmanos eram conhecidos como "maometanos"[41] e a religião como "maometismo"[42] e "maometanismo",[43] esses termos têm caído em desuso porque implica, incorretamente, que os muçulmanos adoram Muhammad (como, durante alguns séculos muitas personalidades medievais doOcidente pensaram), o que torna o termo ofensivo para muitos muçulmanos. Além disso a palavra Maomé também é considerada ofensiva já que os muçulmanos não acreditam na tradução dos nomes dos Profetas para preservar os nomes deles originais e porque o nome Maomé tem conexão direta com os insultos das tropas francesas aos muçulmanos na Argélia na época de colonização francesa.[44] Durante aIdade Média e, por extensão, nas lendas e narrativas populares cristãs, os muçulmanos eram também designados comosarracenos.[45][46]
A pedra basilar da fé islâmica é a crença estrita no puromonoteísmo. Deus é considerado único e sem igual. Cada capítulo do Alcorão (com a exceção de um) começa com a frase "Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso". Uma das passagens do Alcorão frequentemente usadas para ilustrar os atributos de Deus é a que se encontra no capítulo (sura) 59: "Ele é Deus e não há outro deus senão Ele, que conhece o invisível e o visível. Ele é o Clemente, o Misericordioso! Ele é Deus e não há outro deus senão Ele. Ele é o Soberano, o Santo, a Paz, o Fiel, o Vigilante, o Poderoso, o Forte, o Grande! Que Deus seja louvado acima dos que os homens lhe associam! Ele é Deus, o Criador, o Inovador, o Formador! Para ele os epítetos mais belos" (59, 22-24).[47][48][49][50]
Os muçulmanos acreditam que a criação de tudo nouniverso foi pura ordem de Deus, "Seja e por isso é",[51] e que opropósito da existência é adorar a Deus.[52] Ele é visto como um Deus pessoal que responde sempre que uma pessoa está em necessidade ou quando clamam por seu socorro.[51] Não há intermediários, como umclero, para entrar em contato com Deus, que afirma: "Eu estou mais perto dele [do ser humano] do que [sua]veia jugular".[53] A reciprocidade é mencionada nohádice: "Eu sou como o meu servo acha (espera) que sou".[54]
Osanjos são, segundo o islã, seres criados por Deus a partir da luz. Não possuemlivre arbítrio, dedicando-se apenas a obedecer a Deus e a louvar o seu nome. Maomé nada disse sobre o sexo dos anjos, mas rejeitou a crença dos habitantes deMeca, de acordo com a qual eles seriam os filhos de Deus.[55] Desempenham vários papéis, entre os quais o anúncio da revelação divina aos profetas; protegem os seres humanos e registram todas as suas ações. O anjo mais famoso éGabriel, que foi o intermediário entre Deus e o profeta.[56]
Para além dos anjos, o islamismo reconhece a existência dosjinnis, espíritos que habitam o mundo natural e que podem influenciar os acontecimentos. Ao contrário dos anjos, osjinnis possuem vontade própria; alguns são bons, mas de uma forma geral são maus. Um desses espíritos maus éIblis (Azazel), também ele umjinn, segundo a crença islâmica, que desobedeceu a Deus e dedica-se a praticar o mal.[56]
O preeminente texto sagrado do islamismo é oAlcorão. Os muçulmanos acreditam que os versículos do Alcorão foram revelados a Maomé por Deus, por meio do arcanjoGabriel (Jibrīl), em várias ocasiões entre os anos 610 e 632, o ano em que o profeta morreu.[57] Enquanto Maomé estava vivo, essas revelações foram escritas por seus companheiros, embora o principal método de transmissão fosse oralmente por meio damemorização.[58] O Alcorão é dividido em 114 capítulos (sūrah) que combinados contêm 6.236 versos (āyāt). Os capítulos cronologicamente anteriores, revelados emMeca, tratam principalmente de tópicos espirituais, enquanto os capítulos posteriores deMedina discutem mais questões sociais e legais relevantes para a comunidade muçulmana.[51][59] Os juristas muçulmanos consultam ohádice ('relatos'), ou o registro escrito da vida do profeta Maomé, tanto para complementar o Alcorão quanto para auxiliar em sua interpretação. A ciência do comentário eexegese do Alcorão é conhecida comotafsir.[60][61] Além de seu significado religioso, é amplamente considerado como o melhor trabalho daliteratura árabe[62][63] e influenciou a arte e alíngua árabe.[64]
O islamismo também sustenta que Deus enviou revelações, chamadaswahy, a diferentes profetas inúmeras vezes ao longo da história. No entanto, o islamismo ensina que partes das escrituras reveladas anteriormente, como oTawrat (Torá) e oInjil (Evangelho), foram distorcidas - seja na interpretação, no texto ou em ambos,[65][66] enquanto o Alcorão (lit. 'Recitação') é visto como a palavra final, literal e inalterada de Deus.[59][67][68]
O islamismo ensina que Deus revelou a sua vontade à humanidade por meio deprofetas. Existem dois tipos de profeta: os que receberam de Deus a missão de dar a conhecer aos homens a vontade divina (anbiya; singularnabi) e os que para além dessa função lhes foi entregue uma escritura revelada (rusul; singularrasul, "mensageiro"). Cada profeta foi encarregado de relembrar a uma comunidade a existência ou a unicidade de Deus, esquecida pelos homens. Para os muçulmanos, a lista dos profetas incluiAdão,Abraão (Ibraim),Moisés (Muça),Jesus (Issa) e Maomé (Muhammad), todos eles pertencentes a uma sucessão de homens guiados por Deus. Maomé é visto como oÚltimo Mensageiro, trazendo a mensagem final de Deus a toda a humanidade sob a forma do Alcorão, sendo por isso designado como o "Selo dos Profetas". Quando Maomé começou a revelar o Alcorão, ele não acreditou que isso teria proporções mundiais, mas sim que somente reforçaria a fé no Deus.[70]
Segundo as crenças islâmicas, o dia doJulgamento Final (Yaum al-Qiyamah) é o momento em que cada ser humano será ressuscitado e julgado na presença de Deus pelas ações que praticou. Os seres humanos livres de pecado serão enviados diretamente para oParaíso, enquanto os pecadores devem permanecer algum tempo noInferno, antes de poderem também entrar no Paraíso. As únicas pessoas que permanecerão para sempre no Inferno são os hipócritas religiosos, isto é, aqueles que se diziam muçulmanos, mas de fato nunca o foram. Segundo a mesma crença, a chegada do Julgamento Final será antecedida por vários sinais, como o nascimento do Sol no poente, o som de uma trombeta e o aparecimento de uma besta. De acordo com o Alcorão, o mundo não acabará verdadeiramente, mas sofrerá antes uma alteração profunda.[71]
Os muçulmanos acreditam noqadar, uma palavra geralmente traduzida como "predestinação", mas cujo sentido mais preciso é "medir" ou "decidir quantidade ou qualidade". Uma vez que, para o islã, Deus foi o criador de tudo, incluindo dos seres humanos, e sendo uma das suas características a omnisciência, ele já sabia, quando procedeu à criação, as características que cada elemento da sua obra teria. Assim sendo, cada coisa que acontece a uma pessoa foi determinada por Deus. Essa crença não implica a rejeição do livre arbítrio, pois o ser humano foi criado por Deus com a faculdade da razão, pelo que pode escolher entre praticar ações positivas ou negativas.[72]
fazer a peregrinação aMeca (haje) se tiver condições físicas e financeiras.
Os muçulmanos consideram ainda três práticas como essenciais à religião islâmica: além dajihad, que também é importante para ossunitas, há oAmr-Bil-Ma'rūf, "exortar o bem", que convoca todos os muçulmanos a viver uma vida virtuosa e encorajar os outros a fazer o mesmo; e oNahi-Anil-Munkar, "proibir o mal", que orienta os muçulmanos a se abster dovício e das más ações, e também encorajar os outros a fazer o mesmo.[74]
Aprofissão de fé consiste numa frase — que deve ser dita com a máxima sinceridade — por meio da qual cada muçulmano atesta que "não há outro deus senão Alá e Maomé é seu servo e mensageiro".[75]
Homens muçulmanos em prosternação durante uma prece em uma mesquita
A oração no islamismo (conhecida comoSalá) é composta por cinco partes, todas espalhadas durante o dia e a noite, iniciando pela alvorada até à noite. Considerada o ponto mais próximo que se pode chegar de Deus. No islamismo não há obrigatoriamente hierarquia entre os adeptos, porém a comunidade, conhecida comoummah, escolhe uma pessoa com conhecimento suficiente para dirigir a adoração.[76]
Durante essas orações, são recitadassuratas do Alcorão, geralmente ditas em árabe, conduzidas pelo escolhido entre a comunidade. Não existe restrição para que o crente reze fora damesquita, tampouco isso é uma desbonificação de sua oração, que pode ser feita em qualquer lugar, desde que tenha feito antes suapurificação.[73] A purificação é realizada por meio da higiene especifica e detalhada, que consiste basicamente em lavar as mãos, os antebraços, a boca, as narinas, a face; em passar água pelas orelhas, pela nuca, pelo cabelo e pelos pés.[76] Se um muçulmano se encontrar numa área sem água ou numa área onde o uso da água não é aconselhável (porque poderia causar uma doença), pode substituir as abluções pelo uso simbólico de areia ou terra (tayammum). A oração abre-se com a orientação do crente na direcção deMeca (quibla).[76]
O islamismo estabelece que cada muçulmano deve pagar anualmente uma certa quantia, calculada a partir dos seus rendimentos, que será distribuída pelos pobres ou por outros beneficiários definidos pelo Alcorão (prisioneiros, viajantes, endividados). Essa contribuição é encarada como uma forma de purificação e de culto. A quantia corresponde a 2,5% do valor dos bens em dinheiro.[77] Quem tiver possibilidades pode ainda contribuir, de forma voluntária, com outras doações (sadaqa), mas é importante que o faça em segredo e sem ser movido pela vaidade.[78][79]
Esse pilar consiste na peregrinação (ouhaje) aMeca, obrigatória pelo menos uma vez na vida para todos os que gozem de saúde e disponham de meios financeiros. Ocorre durante o décimo segundo mês do calendário islâmico. Os muçulmanos vestem-se com um traje especial todo branco, antes de chegar a Meca, para que todos estejam igualmente vestidos e não haja distinção de classes. Durante toda a peregrinação, não se preocupam com o seu aspecto físico. Depois de praticarem sete voltas em torno daCaaba, os peregrinos correm entre as duas colinas deSafa e Marua. Na última parte do haje, os muçulmanos devem passar uma tarde na planície deArafate, onde Maomé disse o seu "Último Sermão". Os rituais chegam ao fim com o sacrifício de carneiros e bodes.[81][82][83][84][85][86]
ProfetaMaomé recitando o Alcorão emMeca (gravura doséculo XV)Caverna de Hira
De acordo com a tradição islâmica, Maomé nasceu emMeca no ano 570 e ficouórfão ainda jovem. Crescendo como um comerciante, ele se tornou conhecido como o "de confiança" (emárabe:الامين) e foi procurado como árbitro imparcial. Mais tarde, ele se casou com sua empregadora, a empresáriaCadija.[87] No ano 610, perturbado pelo declínio moral e pelaidolatria predominantes na cidade deMeca e buscandoreclusão e contemplação espiritual, Maomé retirou-se para a Caverna de Hira, na montanha Jabal al-Nour, próxima de Meca. Foi durante seu tempo na caverna que ele teria recebido a primeira revelação doAlcorão do anjoGabriel. O evento da retirada de Maomé para a caverna e a subsequente revelação é conhecido como a "Noite do Poder" (Laylat al-Qadr) e é considerado um evento significativo nahistória islâmica. Durante os 22 anos seguintes de sua vida, a partir dos 40 anos, Maomé continuou a receber revelações de Deus, tornando-se o último dos profetas enviados à humanidade por Deus.[65][66][88]
Durante este tempo, enquanto estava em Meca, Maomé pregou primeiro em segredo e depois publicamente, implorando aos seus ouvintes que abandonassem opoliteísmo eadorassem um Deus. Muitos dos primeiros convertidos ao islamismo eram mulheres, pobres, estrangeiros e escravos como o primeiromuezimBilal ibne Rabá.[89] A elite de Meca sentiu que Maomé estava a desestabilizar a sua ordem social ao pregar sobre um Deus único e ao incentivar os pobres e os escravos a questionar os lucros obtidos pelas peregrinações aos ídolos daCaaba.[90][91]
Após 12 anos de perseguição aos muçulmanos pelos habitantes de Meca, Maomé e seuscompanheiros realizaram aHégira ("emigração") em 622 para a cidade de Iatribe (atualMedina). Ali, com os convertidos de Medina (osançares) e os migrantes de Meca (osmuhajirun), Maomé estabeleceu em Medina a suaautoridade política e religiosa. AConstituição de Medina foi assinada por todas as tribos locais e estabeleceuliberdades religiosas e autonomia para utilizar suas próprias leis entre as comunidades muçulmanas e não muçulmanas, bem como um acordo para defender Medina de ameaças externas.[92] As forças de Meca e seus aliados perderam contra osmuçulmanos naBatalha de Badre em 624 e depois travaram uma batalha inconclusiva naBatalha de Uude[93] antes de sitiar Medina sem sucesso naBatalha da Trincheira (março-abril de 627). No ano 628, oTratado de Hudaibia foi assinado entre Meca e os muçulmanos, mas foi quebrado por Meca dois anos depois. À medida que mais tribos se convertiam ao Islã, as rotas comerciais de Meca começaram a ser cortadas pelos muçulmanos.[94][95] Em 629, Maomé foi vitorioso na conquista quase sem derramamento de sangue de Meca e, no período da sua morte, no ano 632 (aos 62 anos), ele tinha unido as tribos da Arábia num único sistema religioso.
Nota: os países e suas fronteiras não são os da época, mas os atuais
Maomé morreu em 632 e os primeiros sucessores, chamadoscalifas –Abacar,Omar,Otomão,Ali e por vezesHaçane ibne Ali[96] – são conhecidos no islamismosunita comoal-khulafā' ar-rāshidūn ("califas bem guiados").[97] Algumas tribos abandonaram o islamismo e rebelaram-se sob líderes que se declararam novos profetas mas foram esmagados por Abacar nasGuerras Rida.[98][99][95][100][101] As populações nativas locais dejudeus ecristãos, perseguidos como minorias religiosas ehereges e fortemente tributados, muitas vezes ajudaram os muçulmanos a assumir o controle de suas terras,[102] resultando na rápida expansão do califado nosImpérios Sassânida eBizantino.[98][103][104][24] Otomão foi eleito em 644 e seu assassinato por rebeldes levou Ali a ser eleito o próximo califa. NaPrimeira Guerra Civil, a viúva de Maomé,Aixa, levantou um exército contra Ali, tentando vingar a morte de Otomão, mas foi derrotada naBatalha do Camelo. Ali tentou destituir o governador da Síria,Moáuia I, que era visto como corrupto. Moáuia então declarou guerra a Ali e foi derrotado naBatalha de Sifim. A decisão de Ali de arbitrar irritou oscarijitas, uma seita extremista, que sentiram que, por não lutar contra um pecador, Ali também se tornou um pecador. Os carijitas se rebelaram e foram derrotados na Batalha de Naravã, mas um assassino carijita mais tarde conseguiu matar Ali. O filho de Ali, Haçane ibne Ali, foi eleito califa e assinou um tratado de paz para evitar mais combates, abdicando em favor de Moáuia com a contrapartida que ele não nomeasse um sucessor.[105]
Moáuia iniciou adinastia omíada com a nomeação de seu filhoIázide I como sucessor, desencadeando aSegunda Guerra Civil. Durante aBatalha de Carbala,Huceine ibne Ali foi morto pelas forças de Iázide; desde então o evento tem sidocomemorado anualmente pelosxiitas. Ossunitas, liderados porAbedalá ibne Zobair e contrários a um califado dinástico, foram derrotados no cerco de Meca. Essas disputas sobre liderança dariam origem ao cismasunita-xiita,[107] sendo que os xiitas acreditando que a liderança pertence à família de Maomé por meio de Ali, chamada deahl al-bayt.[108] A liderança deAbacar supervisionou o início da compilação do Alcorão. O califaOmar II criou o comitê, Os Sete Fuqaha de Medina,[109][110] e Malique ibne Anas escreveu um dos primeiros livros sobre jurisprudência islâmica, oMuwatta, como um consenso da opinião daqueles juristas.[111][112][113] Oscarijitas acreditavam que não havia meio termo entre o bem e o mal e qualquer muçulmano que cometesse um pecado grave se tornaria um infiel. O termo "carijitas" também seria usado para se referir a grupos posteriores como oEstado Islâmico do Iraque e do Levante.[114] Omurjismo ensinou que a retidão das pessoas poderia ser julgada somente por Deus. Portanto, os transgressores podem ser considerados equivocados, mas não denunciados como incrédulos.[115] Esta atitude passou a prevalecer nas principais crenças islâmicas.[116]
A dinastia omíada conquistou oMagrebe, aPenínsula Ibérica, aGália Narbonense e oSinde.[117] Os omíadas lutaram contra a falta de legitimidade e dependiam de militares fortemente patrocinados.[118] Como o impostojizia era um imposto pago por não-muçulmanos que os isentava do serviço militar, os omíadas negaram o reconhecimento da conversão de não árabes, pois reduzia as receitas.[116] Embora oCalifado Ortodoxo enfatizasse a austeridade, com Omar até exigindo um inventário dos bens de cada oficial,[119] o luxo omíada gerou insatisfação entre os piedosos.[116] Os carijitas lideraram aRevolta Berbere, levando aos primeiros Estados muçulmanos independentes do califado. NaRevolução Abássida, convertidos não árabes (maulas), clãs árabes afastados pelo clã omíada e alguns xiitas se reuniram e derrubaram os omíadas, inaugurando a dinastia abássida mais cosmopolita em 750.[120][121]
Axafii codificou um método para determinar a confiabilidade dos hádices (ouhadith).[122] Durante o início da era doImpério Abássida, estudiosos comoAlbucari eMuslim ibne Alhajaje compilaram as principais coleções de hádicessunitas, enquanto estudiosos comoAlculaini eIbne Babauai compilaram as principais coleções de hádicesxiitas. As quatroMadhhab sunitas (hanafismo,hambalismo,maliquismo exafeísmo) foram estabelecidas em torno dos ensinamentos deAbu Hanifa,Amade ibne Hambal, Malique ibne Anas e Axafi. Em contraste, os ensinamentos deJafar Açadique formaram a jurisprudência dojafarismo. Noséculo IX,Tabari completou o primeiro comentário doAlcorão, que se tornou um dos comentários mais citados no islamismo sunita, oTafsir al-Tabari. Alguns muçulmanos começaram a questionar a piedade daindulgência na vida mundana e enfatizaram a pobreza, a humildade e a evitação do pecado com base na renúncia aos desejos corporais. Ascetas como Haçane Albasri inspirariam um movimento que evoluiria para otasawwuf ousufismo.[123][124]
Nessa época, os problemas teológicos, notadamente sobre olivre-arbítrio, foram abordados com destaque, com Haçane Albasri afirmando que, embora Deus conheça as ações das pessoas, o bem e o mal vêm do abuso do livre-arbítrio e dodiabo.[125][126] Afilosofia racionalista grega influenciou uma escola especulativa de pensamento conhecida comomutazilita, que defendeu a famosa noção de livre-arbítrio, originada pela primeira vez porUacil ibne Ata.[127] Califas comoAlmamune eAlmotácime fizeram disso um credo oficial e tentaram, sem sucesso, impor sua posição à maioria.[128] Eles realizaram inquisições com o tradicionalistaAmade ibne Hambal, recusando-se notavelmente a se conformar com a ideia mutazilita de que oAlcorão foi criado em vez de ser eterno e foi torturado e mantido em uma cela de prisão sem iluminação por quase trinta meses.[129] No entanto, outras escolas deteologia especulativa -maturidismo fundada porAbu Mançor Almaturidi ealaxarismo fundada porAlboácem Alaxari - tiveram mais sucesso em serem amplamente adotadas. Filósofos comoAlfarábi,Avicena eAverróis procuraram harmonizar as ideias deAristóteles com os ensinamentos do Islã, semelhante aoescolasticismo posterior dentro docristianismo naEuropa e o trabalho deMaimônides dentro dojudaísmo, enquanto outros comoAlgazali argumentaram contra talsincretismo e finalmente prevaleceram.[130][131]
Soldados romperam com oImpério Abássida e estabeleceram suas próprias dinastias, como a dostulúnidas em 868 no Egito[158] e dosgasnévidas em 977 na Ásia Central.[159] Nessa fragmentação surgiu o Século Xiita, aproximadamente entre 945 e 1055, que viu o surgimento do movimento missionáriomilenarista conhecido comoismaelismo. Um grupoismaelita, adinastia fatímida, assumiu o controle donorte da África noséculo X[160] e outro grupo ismaelita, oscármatas, saquearamMeca e roubaram aPedra Negra, uma rocha colocada dentro daCaaba, durante a sua rebelião fracassada.[161] Ainda outro grupo ismaelita, adinastia buída, conquistouBagdá e transformou osabássidas em uma monarquia figurativa. A dinastia sunita dosseljúcidas fez campanha para reafirmar o islamismo sunita promulgando a opinião acadêmica da época, notadamente com a construção de instituições educacionais conhecidas comoNezamiyeh, associadas a Algazali eSaadi de Xiraz.[162]
A expansão do mundo muçulmano continuou com missões religiosas convertendo aBulgária do Volga ao Islã. OSultanato de Déli atingiu profundamente osubcontinente indiano e muitos se converteram ao Islã,[163][164] em particular oshindus de casta inferior, conhecidos comodálites, cujos descendentes constituem a grande maioria dos muçulmanos indianos.[165] O comércio trouxe muitos muçulmanos para aChina e eles praticamente dominaram a indústria de importação e exportação dadinastia Song[166] e os muçulmanos foram recrutados como uma classe minoritária governante nadinastia Yuan.[167]
Gazã, 7.º ilcã doIlcanato, se converte ao Islã; representação doséculo XIV
Por meio das redes comerciais muçulmanas e da atividade das ordenssufistas, o islamismo se espalhou para novas áreas[168][169] e os muçulmanos foram assimilados a novas culturas. Sob oImpério Otomano, o islamismo se espalhou para osudeste da Europa.[170] A conversão ao islamismo muitas vezes envolvia um grau desincretismo,[171] como ilustrado pela aparição deMaomé no folclorehindu.[172] Ospovos turcos muçulmanos incorporaram elementos das crenças doxamanismo turco ao Islã.[173][174] Muçulmanos naChina daDinastia Ming que eram descendentes de imigrantes anteriores foram assimilados, às vezes por meio de leis que determinavam a assimilação,[175] adotando nomes e cultura chineses, sendo que a cidade deNanquim se tornou um importante centro de estudo islâmico.[176][177]
A religião dos Estados centralizados dos impérios da pólvora influenciou a prática religiosa de suas populações constituintes. Umasimbiose entre os governantes otomanos e osufismo influenciou fortemente o reinado islâmico dos otomanos desde o início. As ordensmevlevi ebektashis tinham uma relação próxima com ossultões,[185] como abordagens místicas e sufistas, bem como heterodoxas e sincréticas do islamismo.[186][187] A muitas vezes forçada conversão safávida do Irã para o islamismo xiita garantiu o domínio final doxiismo duodecimano na região. Os migrantespersas para o sul da Ásia, como burocratas influentes e proprietários de terras, ajudam a espalhar o islamismoxiita, formando algumas das maiores populações xiitas fora do Irã.[188]Nader Xá, que derrubou os safávidas, tentou melhorar as relações com os sunitas propagando a integração do xiismo duodecimano ao islamismo sunita como um quintomadhhab, chamadojafarismo,[189] que falhou em obter o reconhecimento dos otomanos.[190]
No início doséculo XIV,ibne Taimia promoveu uma forma puritana do Islã,[191] rejeitando abordagens filosóficas em favor de uma teologia mais simples[191] e pediu para abrir os portões daitjihad ao invés da imitação cega de estudiosos.[192] Ele convocou umajihad contra aqueles que consideravahereges,[193] mas seus escritos tiveram apenas um papel marginal durante sua vida.[194] Durante oséculo XVIII naArábia,Maomé ibne Abdal Uaabe, influenciado pelas obras de ibne Taimia eibne Alcaim, fundou um movimento, chamadouaabismo com sua autodesignação comomuwahiddun, para retornar ao que ele via como um islamismo "puro".[195][196] Ele condenava muitos costumes islâmicos locais, como visitar o túmulo de Maomé ou de homens santos, como inovações posteriores e pecaminosas,[196] o que o fez destruir rochas e árvores sagradas, santuáriossufistas, as tumbas de Maomé e seus companheiros e a tumba de Hussein emCarbala, um importante local de peregrinaçãoxiita.[197][198] Ele formou uma aliança com afamília Saud, que, na década de 1920, completou a conquista da área que se tornaria aArábia Saudita.[199]
Ma Wanfu e Ma Debao promoveram movimentossalafitas noséculo XIX, como osailaifengye na China, após retornarem de Meca, mas acabaram sendo perseguidos e forçados a se esconder por grupos sufistas.[200] Outros grupos buscaram reformar o sufismo em vez de rejeitá-lo, com ossenussis eMaomé Amade travando guerras e estabelecendo Estados naLíbia e noSudão, respectivamente.[201] NaÍndia, Shah Waliullah Dehlawi tentou um estilo mais conciliatório contra o sufismo e influenciou o movimentodeobandi.[202] Em resposta, o movimentobarelvi foi fundado como um movimento de massas, defendendo o sufismo popular e reformando suas práticas.[203][204]
O contato com as nações industrializadas trouxe populações muçulmanas para novas áreas por meio da migração econômica. Muitos muçulmanos migraram como servos contratados (principalmente daÍndia e daIndonésia) para oCaribe, formando a maior população muçulmana em porcentagem nasAméricas.[216] A migração daSíria e doLíbano foi o maior contribuinte para a população muçulmana naAmérica Latina. A urbanização resultante e o aumento do comércio naÁfrica subsaariana levaram os muçulmanos a se estabelecerem em novas áreas e espalharem sua fé, provavelmente dobrando sua população muçulmana entre 1869 e 1914.[217]
Em oposição aos movimentos políticos islâmicos, na Turquia doséculo XX, os militares realizaram golpes para derrubar os governos islâmicos e os lenços de cabeça foram legalmente restritos, como também aconteceu naTunísia.[224][225] Em outros lugares, a autoridade religiosa foi cooptada e agora é frequentemente vista como marionetes do Estado. Por exemplo, naArábia Saudita, o Estado monopolizou a bolsa de estudos religiosa[226] e, noEgito, o Estado nacionalizou aUniversidade de Alazar, anteriormente uma voz independente checando o poder do governo.[227] Osalafismo foi financiado no Oriente Médio por seu quietismo.[228] A Arábia Saudita fez campanha contra os movimentos islâmicos revolucionários no Oriente Médio, em oposição ao Irã.[229]
As minorias muçulmanas de várias etnias foram perseguidas como um grupo religioso.[230] Isso foi realizado por forçascomunistas como oKhmer Vermelho, que os viam como seu principal inimigo a ser exterminado, pois sua prática religiosa os destacava do resto da população,[231] doPartido Comunista Chinês emXinjiang[232] e por forças nacionalistas, como durante ogenocídio da Bósnia.[233]
Aglobalização da comunicação aumentou a disseminação de informações religiosas. A adoção dohijabe tornou-se mais comum[234] e alguns intelectuais muçulmanos estão se esforçando cada vez mais para separar as crenças bíblicas islâmicas das tradições culturais.[235] Entre outros grupos, esse acesso à informação levou ao surgimento de pregadores populares "televangelistas", comoAmr Khaled, que competem com os ulemás tradicionais em seu alcance e têm autoridade religiosa descentralizada.[236][237] Interpretações mais "individualizadas" do Islã[238] incluem notavelmente os muçulmanos liberais que tentam reconciliar as tradições religiosas com a atual governança secular[239] e questões femininas.[240]
Em 2020, cerca de 24% da população global, ou cerca de 1,9 bilhão de pessoas, era muçulmana.[6][33][5][241] Em 1900, essa estimativa era de 12,3%,[242] em 1990 era de 19,9%[33] e as projeções sugerem que a proporção será de 29,7% em 2050.[36] OPew Research Center estima que entre 87% e 90% dos muçulmanos são sunitas e entre 10% e 13% são xiitas.[243] Aproximadamente 49 países são demaioria muçulmana,[244][245][29][30][34][35] com 62% dos muçulmanos do mundo vivendo na Ásia e 683 milhões de adeptos naIndonésia,[31]Paquistão,Índia e apenasBangladesh.[246][247][248] Os árabes muçulmanos formam omaior grupo étnico entre os muçulmanos no mundo,[249] seguidos pelosbengalis[250][251] e pelospunjabis.[252] A maioria das estimativas indica que aChina tem aproximadamente 20 milhões a 30 milhões de muçulmanos (1,5% a 2% da população).[253][254] Oislamismo na Europa é a segunda maior religião depois do cristianismo em muitos países, com taxas de crescimento devidas principalmente à imigração e taxas de natalidade mais altas de muçulmanos em 2005,[255] representando 4,9% de toda a população da Europa em 2016.[256]
Aconversão religiosa não tem impacto no crescimento da população muçulmana, pois “o número de pessoas que se tornam muçulmanas por meio da conversão parece ser aproximadamente igual ao número de muçulmanos que abandonam a fé”.[33] Embora se espere que o islamismo experimente um ganho modesto de cerca de 3 milhões de seguidores por meio da conversão religiosa entre 2010 e 2050, principalmente daÁfrica Subsaariana (2,9 milhões).[257][258]
De acordo com um relatório daCNN, “o islamismo atraiu convertidos de todas as esferas da vida, principalmenteafro-americanos”.[259] NaGrã-Bretanha, cerca de 6 mil pessoas se convertem ao islamismo por ano e, de acordo com um artigo da Pesquisa Mensal dos Muçulmanos Britânicos, a maioria dos novos convertidos muçulmanos britânicos eram mulheres.[260] De acordo comoThe Huffington Post, "observadores estimam que cerca de 20 mil estadunidenses se convertem ao islamismo anualmente", sendo a maioria delesmulheres e afro-americanos.[261][262]
Tanto em termos percentuais como totais, o islamismo é o principal grupo religioso que mais cresce no mundo e prevê-se que se torne o maior do mundo até ao final doséculo XXI, ultrapassando ocristianismo.[241][36] Estima-se que, até o ano 2050, o número de muçulmanos será quase igual ao número de cristãos em todo o mundo, “devido ao número de jovens e à elevadataxa de fertilidade dos muçulmanos em relação a outros grupos religiosos”.[36]
EmPortugal, existe igualmente uma comunidade muçulmana, que nada tem a ver com os muçulmanos que viveram no país durante aIdade Média; são na sua maioria naturais das antigas colónias portuguesas deMoçambique eGuiné-Bissau, que se fixaram em Portugal após a independência desses territórios. Oismaelismo também está presente em Portugal, tendo a sua sede no Centro Ismaili deLisboa, construído pela Fundação Aga Khan. Estima-se que o número de muçulmanos em Portugal ronde os 30 mil.[263]
Osunismo é o nome da maior denominação do islamismo.[268][269][25] O termo é uma contração da frase "ahl as-sunna wa'l-jamaat", que significa "povo dasuna (as tradições do profeta Maomé) e da comunidade".[270] Sunitas acreditam que os primeiros quatro califas foram os sucessores legítimos de Maomé e fazem referência principalmente a seis grandes obras dehádices para questões jurídicas, enquanto seguem uma das quatro escolas tradicionais de jurisprudência:hanafismo,hambalismo,maliquismo ouxafeísmo.[271][272]
A teologia tradicionalista é uma escola de pensamento sunita, proeminentemente defendida porAmade ibne Hambal (780-855), que se caracteriza por sua adesão a uma compreensãotextualista do Alcorão e dasuna, a crença de que o Alcorão é incriado e eterno e oposição à teologia especulativa, chamadacalâm, em questões religiosas e éticas. O mutazilismo é uma escola de pensamento sunita inspirada na filosofia daGrécia Antiga. O maturidismo, fundado por Abu Mançor Almaturidi (853–944), afirma que as escrituras não são necessárias para a ética básica e queo bem eo mal podem ser compreendidos apenas pela razão, mas as pessoas confiam na revelação, para assuntos além da esfera humana. compreensão. O alaxarismo, fundado porAlaxari (c. 874-936), sustenta que a ética pode derivar apenas da revelação divina, mas aceita a razão em relação a questões exegéticas e combina abordagens Muʿtazila com ideias tradicionalistas.[273]
Osalafismo é um movimento de renascimento que defende o retorno às práticas das primeiras gerações de muçulmanos. Noséculo XVIII,Maomé ibne Abdal Uaabe liderou ummovimento salafista, referido por quem está de fora comouaabismo, na atual Arábia Saudita.[274] Um movimento semelhante chamadoAhl-e Hadith também tirou a ênfase da secular tradição jurídica sunita, preferindo seguir diretamente o Alcorão e o hádice. O movimento sunitaNurcu foi criado por Said Nursi (1877–1960); incorpora elementos do Sufismo e da ciência.[275]
O Santuário do Imam Hussein no Iraque é um local sagrado para os muçulmanos xiitas Santuário de Al-Abbas, entre os santuários sagrados,Carbala,Iraque.
O xiismo é a segunda maior denominação muçulmana[26][27][243] e dividem-se com os sunitas sobre o sucessor de Maomé como líder, que os xiitas acreditavam ser de certos descendentes da família de Maomé conhecidos comoAhl al-Bayt e esses líderes, referidos comoimames, têm autoridade espiritual adicional.[276][28]
De acordo com muçulmanos sunitas e xiitas, evento significativo ocorreu em Gadir Cum, durante o retorno de Maomé de sua peregrinação final a Meca, onde ele nomeou seu primoAli como executor de seu último testamento e testamento, bem como seu uáli (autoridade).[277][278] Os xiitas reconhecem que Maomé nomeouAli como seu sucessor (califa) e imame (líder espiritual e político) depois dele.[279] Alguns dos primeiros Imames são reverenciados por todos os grupos xiitas e sunitas, como Ali. Oxiismo duodecimano, o primeiro e maior ramo xiita, acredita nosdoze imames. Eles reconhecem que a profecia dos doze foi predita no hádices dos Doze Sucessores, que é registrado tanto por fontes sunitas quanto xiitas.[280]
Oszaiditas, o segundo ramo mais antigo do Islã, rejeita os poderes especiais dosimames se às vezes é considerado uma 'quinta escola' do islamismo sunita, em vez de uma denominação xiita.[281][282] Osismaelitas se separaram dos xiitas duodecimanos por discordar sobre quem era o sétimo imame e se dividiram em mais grupos por conta do estatuto dos sucessivos imames, sendo o maior desses grupos osnizaritas.[283]
Oibadismo é praticado por 1,45 milhão de muçulmanos em todo o mundo (~0,08% de todos os muçulmanos), a maioria deles emOmã.[284] O ibadismo é frequentemente associado e visto como uma variação moderada doscarijitas, embora os próprios ibaditas se oponham a esta classificação. Os carijitas eram grupos que se rebelaram contra o califa Ali por sua aceitação da arbitragem com alguém que consideravam pecador. Ao contrário da maioria dos grupos carijitas, o ibadismo não considera os muçulmanos pecadores como incrédulos. Os hádices ibaditas, como a coleção Jami Sahih, usam redes de narradores do início da história islâmica que consideram confiáveis, mas a maioria dos hádices ibaditas também são encontrados em coleções sunitas padrão e os ibaditas contemporâneos frequentemente aprovam as coleções padrão dos sunitas.[285]
Omovimento amadita foi fundado porMirza Ghulam Ahmad[286] naÍndia em 1889.[287][288][289] Ahmad afirmou ser o "Messias Prometido" ou "Imame Mahdi" da profecia. Atualmente, o grupo tem entre 10 milhões e 20 milhões de praticantes, mas é rejeitado pela maioria dos muçulmanos como herético[290] e os amaditas têm sido sujeitos a perseguição ediscriminação religiosa desde o início do movimento.[291]
Oalevismo é uma tradição islâmica localsincrética eheterodoxa, cujos adeptos seguem os ensinamentos místicos (bāṭenī) de Ali e Haji Bektash Veli.[292] O alevismo é uma mistura de crenças turcas tradicionais doséculo XIV,[293] com possíveis origens sincretistas noxamanismo e noanimismo, ao lado das crenças xiitas e sufistas. Estima-se que existam entre 10 milhões até mais de 20 milhões (~0,5% –1% de todos os muçulmanos) de alevitas em todo o mundo.[294][295]
O Alcorão é um movimento religioso do islamismo baseado na crença de que a lei e a orientação islâmicas devem ser baseadas apenas no Alcorão e não nasuna ouhádice,[296] com os Alcorão diferindo notavelmente em sua abordagem aoscinco pilares do Islã.[296] O movimento desenvolveu-se a partir doséculo XIX, com pensadores comoSyed Ahmed Khan, Abdullah Chakralawi e Gulam Ahmed Perwez na Índia questionando a tradição hádice.[297] No Egito, Muhammad Tawfiq Sidqi escreveu o artigo"O islamismo é apenas o Alcorão" na revistaAl-Manār, defendendo a autoridade exclusiva do Alcorão.[298] Um proeminente Alcorão do final doséculo XX foi Rashad Khalifa, um bioquímico egípcio-estadunidense que afirmou ter descoberto um códigonumerológico no Alcorão e fundou a organização alcorânica "United Submitters International".[299]
Os muçulmanos não denominacionais não pertencem ou não se identificam com uma denominação islâmica específica.[300][301] Pesquisas recentes relatam que grandes proporções de muçulmanos em algumas partes do mundo se autoidentificam como “apenas muçulmanos”, embora haja pouca análise sobre as motivações subjacentes a este tipo de resposta.[302][303][304] OPew Research Center relata que os entrevistados que se identificam como “apenas muçulmanos” constituem a maioria dos muçulmanos em sete países (e uma pluralidade em três outros), sendo a proporção mais elevada noCazaquistão, com 74%. Pelo menos um em cada cinco muçulmanos em pelo menos 22 países identifica-se desta forma.[305]
Osufismo (emárabe:تصوف,translit.tasawwuf), é uma abordagemmístico-ascética do islamismo que busca encontrar uma experiência pessoal direta de Deus. Os estudiosos sufis clássicos definiramo tasawwuf como "uma ciência cujo objetivo é reparar o coração e afastá-lo de tudo o mais, exceto Deus", por meio de "faculdades intuitivas e emocionais" que devemos ser treinados para usar.[272][306][307][308] Não é uma seita do islamismo e os seus adeptos pertencem a várias denominações muçulmanas. Oismaelismo, cujos ensinamentos estão enraizados nognosticismo e noneoplatonismo[309] bem como nas escolasiluminacionistas e isfahan defilosofia islâmica, desenvolveu interpretações místicas do Islã.[310]Haçane de Baçorá, o primeiroasceta sufista frequentemente retratado como um dos primeiros sufistas,[311] enfatizou o medo de falhar nas expectativas de obediência de Deus. Em contraste, sufistas proeminentes posteriores, comoAlmançor Alhalaje eJalaladim Rumi, enfatizaram a religiosidade baseada no amor para com Deus. Tal devoção também teria impacto nas artes, sendo Rumi ainda um dos poetas mais vendidos da América.[312][313]
Os sufistas veemo tasawwuf como uma parte inseparável do Islã.[314] Sufistas tradicionais, comoBajazeto de Bastã, Jalaladim Rumi, Haji Bectaxe Veli,Junaide de Bagdá e Algazali, defenderam o sufismo como sendo baseado nos princípios do islamismo e nos ensinamentos do profeta.[315][314] O historiador Nile Green argumentou que o islamismo no período medieval era mais ou menos o mesmo que sufismo.[316] Práticas devocionais populares, como a veneração de santos sufistas, foram vistas como inovações da religião original por parte dos seguidores do movimento revivalista sunita conhecido comosalafismo, que às vezes atacaram fisicamente os sufistas, levando a uma deterioração nas relações sufistas-salafistas.[317]
As congregações sufistas formam ordens (tariqa) centradas em torno de um professor (wali) que traça uma cadeia espiritual que remonta a Maomé[318] Os sufis desempenharam um papel importante na formação das sociedades muçulmanas por meio das suas atividades missionárias e educacionais.[123] O sufismo influenciou o movimento Ahle Sunnat ou o movimentoBarelvi com mais de 200 milhões de seguidores no sul da Ásia.[319][204] O sufismo é proeminente na Ásia Central,[320][321] bem como em países africanos comoTunísia,Argélia,Marrocos,Senegal,Chade eNíger.[305][322]
Axaria é alei religiosa que faz parte da tradição islâmica.[271][323] É derivado dos preceitos religiosos do Islã, particularmente do Alcorão e dohádice. Em árabe, o termosharīʿah refere-se àlei divina e é contrastado comfiqh, que se refere às suas interpretações acadêmicas.[324][325] A forma de sua aplicação nos tempos modernos tem sido objeto de disputa entre tradicionalistas e reformistas muçulmanos.[271]
A teoria tradicional da jurisprudência islâmica reconhece quatro fontes da xaria: o Alcorão, a suna (Hádice eSira),qiyas (raciocínio analógico) eijma (consenso jurídico).[326] Diferentesescolas jurídicas desenvolveram metodologias para derivar decisões da xaria a partir de fontes bíblicas, utilizando um processo conhecido comoijtihad.[324] A jurisprudência tradicional distingue dois ramos principais do direito,ʿibādāt (rituais) emuʿāmalāt (relações sociais), que juntos abrangem uma ampla gama de tópicos.[324] Suas decisões atribuem ações a uma das cinco categorias chamadasahkam: obrigatórias (fard), recomendadas (mustahabb), permitidas (mubah), abomináveis (makruh) e proibidas (haram).[324][325] O perdão é muito celebrado no Islã[327] e, nodireito penal, embora seja considerado permissível impor uma pena a um infrator proporcional à sua ofensa; perdoar o ofensor é melhor. Dar um passo além, oferecendo um favor ao infrator, é considerado o auge da excelência.[328] Algumas áreas da xaria coincidem com a noção ocidental de lei, enquanto outras correspondem mais amplamente a viver a vida de acordo com a vontade de Deus.[325]
Historicamente, a xaria foi interpretada por juristas independentes (muftis). Suas opiniões jurídicas (fatwa) foram levadas em consideração pelos juízes nomeados pelo governante, que presidiam os tribunais decádi e pelos tribunaismazalins, que eram controlados pelo conselho do governante e administravam o direito penal.[324][325] Na era moderna, as leis penais baseadas na xaria foram amplamente substituídas por estatutos inspirados em modelos europeus.[325] As reformasTanzimat doséculo XIX doImpério Otomano conduziram aocódigo civil Mecelle e representaram a primeira tentativa decodificar a xaria.[329] Embora as constituições da maior parte dos Estados de maioria muçulmana contenham referências à xaria, as suas regras clássicas foram em grande parte mantidas apenas nas leis de estatuto pessoal (família).[325] Os órgãos legislativos que codificaram essas leis procuraram modernizá-las sem abandonar os seus fundamentos na jurisprudência tradicional.[325][330] O renascimento islâmico do final doséculo XX trouxe consigo apelos de movimentos islâmicos para a implementação completa da xaria.[325][330] O papel da xaria tornou-se um tema controverso em todo o mundo. Existem debates contínuos sobre se a xaria é compatível com formasseculares de governo,direitos humanos,liberdade de pensamento edireitos das mulheres.[331][332]
Uma escola dejurisprudência é chamada demadhhab (emárabe:مذهب). As quatro principais escolas sunitas são as escolashanafismo,maliquismo,xafeísmo ehambalismo, enquanto as três principais escolas xiitas são as escolas jafarismo,zaidismo eismaelismo. Cada um difere em sua metodologia, chamadaUsul al-fiqh ("princípios de jurisprudência"). A conformidade no seguimento das decisões de um especialista religioso ou de uma escola é chamada detaqlid. O termogair muqallid refere-se àqueles que não usamtaqlid e, por extensão, não têmmadhab.[333] A prática de uma interpretação individual da lei com raciocínio independente é chamada deijtihad.[334]
O islamismo não tem clero no sentidosacerdotal, como sacerdotes que fazem a mediação entre Deus e o povo.Imame (emárabe:إمام) é o título religioso usado para se referir a uma posição de liderança islâmica, muitas vezes no contexto da realização de um culto islâmico.[335] A interpretação religiosa é presidida peloulemá (علماء,ulama), um termo usado para descrever o corpo de estudiosos que receberam treinamento emestudos islâmicos. Um estudioso do hádice é chamado demuhaddith, um estudioso da jurisprudência é chamado dealfaqui (emárabe:فقيه,faqih), umjurista qualificado para emitir pareceres oufátuas é chamado demufti e umcádi é um juiz islâmico. Os títuloshonoríficos dados aos estudiosos incluemxeque,mulá emawlawi. Alguns muçulmanos também veneram santos associados a milagres (emárabe:كرامات,translit.karāmāt).[336]
Najurisprudência econômica islâmica, a acumulação de riqueza é um insulto e, portanto, o comportamentomonopolista é desaprovado.[337] As tentativas de cumprir a xaria levaram ao desenvolvimento dosistema bancário islâmico. O islamismo proíbe ariba, normalmente traduzida comousura, que se refere a qualquer ganho injusto no comércio e é mais comumente utilizada para significarjuros. Em vez disso, os bancos islâmicos estabelecem parceria com omutuário e ambos partilham dos lucros e de quaisquer perdas do empreendimento. Outra característica é evitar a incerteza, que é vista como jogo[338] e os bancos islâmicos tradicionalmente evitam instrumentos derivados, como futuros ou opções, que historicamente os protegeram das recessões do mercado.[339] Os califadosOrtodoxo eOmíada costumava estar envolvido na distribuição de caridade do tesouro, conhecida como Bayt al-mal, antes de se tornar uma atividade amplamente individual por volta do ano 720. O primeirocalifa,Abacar, distribuiu ozakat como um dos primeiros exemplos derenda mínima garantida, com cada cidadão recebendo de 10 a 20 dirrã anualmente.[340] Durante o reinado do segundo califa Omar, apensão alimentícia foi introduzida e os idosos e deficientes tinham direito a estipêndios,[341][342] enquanto o califa omíadaOmar II designou umservo para cada pessoa cega e para cada duas pessoas comdoenças crônicas.[343]
Jihad significa "esforçar-se ou lutar [no caminho de Deus]" e, em seu sentido mais amplo, é "exercer o máximo de poder, esforços, empenhos ou habilidade na luta contra um objeto dedesaprovação".[344] Os xiitas, em particular, enfatizam a "jihad maior" de lutar para alcançar aautoperfeição espiritual[345][346][272] enquanto a "jihad menor" é definida como guerra.[347] Quando usada sem qualificação, o termo é frequentemente entendido em sua forma militar,[344][345] a única forma de guerra permitida na lei islâmica e pode ser declarada contra obras ilegais, terroristas, grupos criminosos, rebeldes,apóstatas e líderes ou Estados que oprimem os muçulmanos.[347] A maioria dos muçulmanos atuais interpreta o termojihad apenas como uma forma defensiva de guerra.[348] Ajihad só se torna um dever individual para aqueles investidos de autoridade. Para o resto da população, isto só acontece no caso de umamobilização geral. Para a maioria dosxiitas duodecimanos, ajihad ofensiva só pode ser declarada por um líder divinamente nomeado da comunidade muçulmana e, como tal, está suspensa desde que a ocultação de Muhammad al-Mahdi ocorreu em 868.[349][350]
Muitas práticas diárias se enquadram na categoria deadab, ou etiqueta. Alimentos proibidos específicos incluem produtossuínos,sangue ecarniça. A saúde é vista como uma confiança de Deus e os intoxicantes, como asbebidas alcoólicas, são proibidos.[351] Toda carne deve provir de um animalherbívoro abatido em nome de Deus por um muçulmano, judeu ou cristão, exceto a caça que alguém tenha caçado ou pescado para si mesmo.[352][353] As barbas são frequentemente encorajadas entre os homens como algo natural[354] e modificações corporais, como tatuagens permanentes, são geralmente proibidas por violarem a criação.[a][356]Seda eouro são proibidos para os homens no islamismo manterem um estado desobriedade.[357]Haya, frequentemente traduzido como “vergonha” ou “modéstia”, é por vezes descrito como o caráter inato do Islã[358] e informa grande parte da vida cotidiana muçulmana. Por exemplo, as roupas no islamismo enfatizam um padrão de modéstia, que inclui ohijabe para as mulheres. Da mesma forma, ahigiene pessoal é incentivada com certos requisitos.[359]
Um casamento islâmico
No casamento islâmico, o noivo é obrigado a pagar um presente nupcial chamadomahr.[360][272][361] A maioria das famílias no mundo islâmico émonogâmica.[362][363] No entanto, os homens muçulmanos podem praticar apoliginia e podem ter até quatro esposas simultaneamente. Os ensinamentos islâmicos aconselham fortemente que se um homem não puder garantir apoio financeiro e emocional igual para cada uma das suas esposas, que ele se case com apenas uma mulher. Uma razão citada para a poliginia é que ela permite que um homem dê proteção financeira a múltiplas mulheres, que de outra forma não teriam qualquer apoio (por exemplo,viúvas). No entanto, a primeira esposa pode estabelecer uma condição no contrato de casamento de que o marido não pode casar com outra mulher durante o casamento.[364][365] Também existem variações culturais nos casamentos.[366] Entretanto, apoliandria, prática em que uma mulher assume dois ou mais maridos, é proibida no Islã.[367]
Um muçulmanomoribundo é encorajado a pronunciar aChahada como suas últimas palavras.[368] Prestar homenagem aos mortos e comparecer a funerais na comunidade são considerados atos virtuosos. Nos rituais funerários islâmicos, oenterro é incentivado o mais rápido possível, geralmente cerca de 24 horas após a morte. O corpo é lavado, exceto no caso dosmártires, por membros do mesmo sexo e envolto em uma vestimenta chamadakafan.[369] Uma "oração fúnebre" chamadaSalat al-Janazah é realizada. Lamentar ou clamar alto e tristemente é desencorajado. Os caixões muitas vezes não são usados e os túmulos geralmente não têm identificação, mesmo para reis.[370]
Após o nascimento de uma criança, oazan é pronunciado no ouvido direito.[371] No sétimo dia é realizada a cerimôniaaqiqah, na qual umanimal é sacrificado e sua carne é distribuída entre os pobres.[372] A cabeça da criança é raspada e uma quantia em dinheiro igual ao peso de seu cabelo é doada aos pobres.[372] Acircuncisão masculina, chamadakhitan,[373] é frequentemente praticada no mundo muçulmano.[374][375] Respeitar e obedecer aos pais e cuidar deles especialmente navelhice é uma obrigação religiosa.[376]
O termo “cultura islâmica” pode ser usado para significar aspectos da cultura que pertencem à religião, comofestivais e código de vestimenta. Também é usado de forma controversa para denotar os aspectos culturais do povo tradicionalmente muçulmano.[377] Finalmente, "civilização islâmica" também pode referir-se aos aspectos da cultura sintetizada pelos primeiros califados, incluindo a dos não-muçulmanos,[378] às vezes referida como "islamizada".[379]
Aarte islâmica abrange asartes visuais, incluindo campos tão variados como arquitetura, caligrafia, pintura e cerâmica, entre outros.[380][381] Embora a confecção de imagens de seres animados tenha sido muitas vezes desaprovada em conexão com leis contra a idolatria, esta regra tem sido interpretada de diferentes maneiras por diferentes estudiosos e em períodos históricos distintos. Esta restrição tem sido usada para explicar a prevalência da caligrafia e dosmosaicos como aspectos-chave da cultura artística islâmica.[382] Além disso, arepresentação de Maomé é uma questão controversa entre os muçulmanos.[383] Naarquitetura islâmica, diversas culturas mostram influência, como a arquitetura islâmica norte-africana e espanhola, como aGrande Mesquita de Cairuão, contendo colunas demármore epórfiro de edifícios romanos e bizantinos,[384] enquanto as mesquitas na Indonésia costumam ter telhados de vários níveis de estilosjavaneses locais.[385]
Os muçulmanos culturais são indivíduos religiosamente não praticantes que ainda se identificam com o islamismo devido aos antecedentes familiares, às experiências pessoais ou ao ambiente social e cultural em que cresceram.[388][389]
ACaaba ("O Cubo"), um edifício situado dentro da mesquita principal deMeca (AGrande Mesquita), naArábia Saudita, é o local mais sagrado do islamismo. De acordo com o Alcorão, ela foi construída porAbraão (Ibraim) para que todas as pessoas fossem ali celebrar os ritos dahaje. O segundo local sagrado do islamismo é aMesquita do Profeta, na cidade deMedina, cidade para a qual Maomé e os primeiros muçulmanos fugiram (num movimento conhecido comoHégira), e onde se encontra o seu túmulo. A cidade deJerusalém é o terceiro local sagrado do islamismo. Este estatuto advém da sua associação aosprofetas anteriores a Maomé e sobretudo pelo fato de os muçulmanos acreditarem que o profeta teria viajado para esse local durante a noite, cavalgando um ser denominadoBuraque, numa viagem conhecida comoIsra. Uma vez em Jerusalém, ele teria ascendido ao céu (Mi’raj), onde dialogou com Deus e outros profetas, entre os quaisMoisés eJesus. No local de Jerusalém onde se acredita que Maomé subiu ao céu, foi construída aCúpula da Rocha, em cerca de 690, e aMesquita de Al-Aqsa, sobre as ruínas do antigoTemplo de Salomão dosjudeus.[390]
Os muçulmanos xiitas consideram ainda como sagradas as cidades deCarbala eNajafe, ambas noIraque. Na primeira, ocorreu o martírio de Hussein (filho deAli e neto de Maomé) e dos seus companheiros, quando este contestava oCalifado Omíada. NoIrão, devem também ser salientadas duas cidades sagradas para os xiitas,Mexede eQom.[391]
Alguns movimentos, como osdrusos,[392][393][394]Berguata e Ha-Mim, ou emergiram do islamismo ou passaram a compartilhar certas crenças islâmicas, e se cada um é uma religião separada ou uma seita do islamismo é às vezes controverso.[395] A fédrusa separou-se ainda mais doismaelismo à medida que desenvolveu suas próprias doutrinas únicas e, finalmente, separou-se completamente do ismaelismo e do islamismo; estes incluem a crença de que oimameAláqueme Bianre Alá eraDeus encarnado.[396][397] Oiazdanismo é visto como uma mistura de crenças curdas locais e da doutrina sufista islâmica introduzida noCurdistão pelo xeque Adi ibne Muçafir noséculo XII.[398] Obabismo origina-se doxiismo duodecimano que passou porSaíde Ali Maomé, enquanto um de seus seguidores,Baha'u'llah, fundou aFé Bahá'í.[399] Osiquismo, fundado peloGuru Nanak noPanjabe do final doséculo XV, incorpora principalmente aspectos dohinduísmo, com algumas influências islâmicas.
O islamismo reconhece elementos de verdade nojudaísmo e no cristianismo. Todos os profetas do judaísmo são reconhecidos também como profetas no islamismo, assim comoJesus, que de acordo com a perspectiva muçulmana teria anunciado a vinda deMaomé. Para os seguidores dessas duas crenças, o Alcorão reservou a noção de "Povos do Livro" (Ahl al-Kitab), estabelecendo que devem ser tolerados devido ao fato de possuírem escrituras sagradas.[400] De acordo com o Alcorão, "aqueles que não crêem, entre o Povo do Livro e os idólatras, permanecerão no fogo do inferno. Eles são os piores dos seres criados".[401] Um grande número de países islâmicos proíbem a apostasia (abandono do islamismo) com a pena capital.[402][403][404]
Os cristãos são perseguidos em várias regiões do mundo de maioria muçulmana, comoAfeganistão,Somália,Líbia,Paquistão,Eritreia,Sudão,Iemen,Irão,Nigéria eArábia Saudita, entre outros.[405][406] Também correntes do islamismo que se encontram em minoria em determinados países islâmicos têm sido alvo de perseguição por outros muçulmanos: por exemplo osamaditas no Paquistão,[407] osxiitas na Arábia Saudita.[408] E, por sua vez, ossunitas e osbahai no Irão.[409] O xeique sunitaAhmed el-Tayeb,imame daMesquita de Alazar e Reitor da Universidade com o mesmo nome, doCairo,Egito, desde 2010, afirma que não há contradição entre defender o princípio daliberdade religiosa e sancionar o assassinato de cidadãos simplesmente por mudar suas crenças religiosas. Para al-Tayyeb, "a liberdade de crença é uma coisa e a liberdade de renunciar a uma crença religiosa particular (isto é, o islamismo)é outra coisa".[410] Para o xiitaRuhollah Khomeini, todos os não muçulmanos são considerados impuros, da mesma maneira que a urina e as fezes, o cão e o porco.[411]
As críticas ao islamismo existem desde seus estágios formativos. As primeiras vieram de autoresjudeus, como ibne Camuna, e de autorescristãos, muitos dos quais viam o islamismo como umaheresia ou uma forma deidolatria, geralmente explicando-o em termos apocalípticos.[413]
Escritores cristãos criticaram as descrições sensuais do paraíso feitas pelo Islã. As doutrinas do teólogo católicoAgostinho de Hipona, por exemplo, levaram ao amplo repúdio ao prazer corporal tanto na vida terrena quanto navida após a morte. Ali ibn Sahl Rabban al-Tabari, no entanto, defendeu a descrição corânica do paraíso afirmando que a Bíblia também implica tais ideias, como beber vinho noEvangelho de Mateus.[414]
Imagens difamatórias de Maomé, derivadas de representações daIgreja Bizantina do início doséculo VII, aparecem no poema épico doséculo XIV,Divina Comédia, deDante Alighieri.[415] Aqui, Maomé é retratado no oitavo círculo do inferno, junto com Ali. Dante não culpa o islamismo como um todo, mas acusa Maomé decisma, ao estabelecer outra religião depois docristianismo.[415]
Outras críticas centram-se no tratamento dispensado aos indivíduos nos países modernos de maioria muçulmana, incluindo questões relacionadas com osdireitos humanos, particularmente em relação à aplicação dalei islâmica.[416] Além disso, após a recente tendênciamulticulturalista, a influência do islamismo na capacidade de assimilação dos imigrantes muçulmanos no Ocidente tem sido criticada.[417]
Protesto emLondres (2006) contra as caricaturas deMaomé. O cartaz, que é carregado por um manifestante com umlenço palestino, diz em inglês: "Liberdade, vá para o inferno"
Correntes radicais do islamismo frequentemente são acusadas de atosterroristas, como os atentados àsTorres Gêmeas, protagonizados nosataques de 11 de setembro de 2001 pelaAl Qaeda. E a defesa intolerante da extinção do Estado deIsrael defendida pelo grupo terroristaHamas. Em sua carta de fundação, por exemplo, oHamas é claro na defesa da destruição doEstado Sionista,[418] sendo apoiado pela maioria dopovo palestino.Fundamentalistas também defendem a submissão da mulher, a perseguição a cristãos e o assassinato de dissidentes em países islâmicos.[419] Estima-se que aproximadamente quatro milhões de cristãoslibaneses emigraram de seu país em consequência das pressões impostas pelos muçulmanos.[420]
Acondição de vida das mulheres também é precária em países fundamentalistas islâmicos, como aArábia Saudita: "Para o pensamento ortodoxo muçulmano, a mulher vale menos do que o homem, explica Leila Ahmed, especialista em estudos da mulher e do Oriente Próximo daUniversidade de Massachusetts, nos Estados Unidos […]".[421] Assim sendo, violências físicas e tratamentos desumanos, como o apedrejamento, são constantes entre os países fundamentalistas: "Segundo a lei islâmica denominadaSharia (Shari'ah ou Charia), uma mulher considerada adúltera deve ser enterrada até o pescoço (ou as axilas) e apedrejada até a morte […]".
A intolerância a críticas também é alvo constante de respostas por parte daimprensa às vertentes radicais do islã, comocharges consideradas insultuosas para alguns muçulmanos,[422] algo comum no Ocidente e sua contraparte cristã. OPapa Bento XVI, por exemplo, foi ameaçado de morte por considerar o islamismo uma religião violenta.[423]
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