A Lei do Governo da Irlanda de 1920 (Government of Ireland Act 1920 em português: Lei do Governo da Irlanda ), aprovada pelo parlamento do Reino Unido fez da Irlanda do Norte uma entidade política autônoma em 1921. Confrontado com exigências divergentes denacionalistas irlandeses eunionistas para o futuro da ilha daIrlanda (os primeiros queriam um parlamentoautónomo que governasse toda a ilha, os segundos não queriam nenhuma autonomia), e temendo uma guerra civil entre os dois grupos, o governo britânico liderado porDavid Lloyd George aprovou a lei, criando duas Irlandas com autonomia interna: a Irlanda do Norte, que continuaria sob o domínio do Reino Unido, e a República da Irlanda (também conhecida comoEire), independente.
A área agora conhecida como Irlanda do Norte teve uma história complexa. Foi a pedra fundamental donacionalismo irlandês na era das ocupações da rainhaIsabel I e deJaime I em outras partes da Irlanda, e se tornou o principal aglomerado de acampamentos escoceses depois doFlight of the Earls, em português: vôo dos Condes (quando o governo escocês nativo, os militares nacionalistas e aelite deixaram aEscócia em massa). Hoje, a Irlanda do Norte passa por uma variedade grande de rivalidades entre comunidades, representadas em Belfast pela bandeira tricolor do republicanismo irlandês ou aUnion Flag, o símbolo da suaidentidade britânica, enquanto oskerbstones em áreas de menor influência pintam bandeiras verde/branco/laranja ou vermelho/branco/azul, dependendo se a comunidade local é simpática aos nacionalistas/republicanos ou aos unionistas.
Recebeu autogoverno em 1920 (apesar de não ter chegado a ser reconhecido, alguns, como sirEdward Carson, se opuseram amargamente a isso). Seusprimeiros-ministros desde sirJames Craig (mais tarde lorde Craigavon) praticaram uma política discriminatória contra a minoria nacionalista/católica. A Irlanda do Norte tornou-se, nas palavras do ganhador doPrêmio Nobel da Paz em 1998, líder unionista e primeiro-ministro da Irlanda do NorteDavid Trimble, um "lugar frio para católicos." Dividindo as vilas e cidades da fronteira em distritos eleitorais de modo a dar aos protestantes a maioria num grande número desses distritos e concentrando a maioria dos oponentes no menor número de distritos possível, as eleições regionais foram fraudadas para assegurar o controle protestante dos conselhos locais. Acordos eleitorais que deram poder de voto a companhias comerciais e a quantidade mínima de fiscalização contribuíram para o mesmo.
Nadécada de 1960, oprimeiro-ministro, unionista-moderadoTerence O'Neill (mais tarde lorde O'Neill de Maine) tentou reformar o sistema, mas encontrou oposição extremafundamentalista de líderesprotestantes como o reverendoIan Paisley. O aumento da pressão pela reforma e de unionistas extremos ('No surrender', sem rendição) levou ao surgimento doMovimento pelos Direitos Civis sob comando de figuras comoJohn Hume,Austin Currie e outras. Confrontos entre os habitantes fronteiriços e oRoyal Ulster Constabulary levaram a conflitos cada vez maiores entre as duas comunidades. O Exército Britânico, originalmente mandado a Irlanda do Norte peloHome Secretary,James Callaghan, para proteger nacionalistas de ataques, receberam boas-vindas acaloradas. Porém, o assassinato de treze civis desarmados emDerry por paramilitares britânicos, conhecido como oDomingo Sangrento (Bloody Sunday), inflamaram a situação e revoltou os nacionalistas nortistas contra o Exército Inglês. O surgimento doIRA, uma dissidência do fortemente marxistaOfficial IRA, e uma campanha de violência dos unionistas como aAssociação de Defesa do Ulster e outros, levaram a Irlanda do Norte à beira de uma guerra civil. Nos anos 1970 e 80, extremistas de ambos os lados cometeram diversos assassinatos em massa, geralmente, envolvendo civis inocentes. Os ataques mais notórios incluem o atentado a bomba de Le Mon e as explosões emEnniskillen eOmagh, praticados por Republicanos tentando trazer uma mudança política através de armamento deguerrilha.
Alguns políticos britânicos, especialmente o ex-ministrotrabalhistaTony Benn, defenderam a retirada britânica da Irlanda, mas sucessivos governos norte-irlandeses se opuseram a essa política, e chamaram suas previsões sobre o possível resultado de uma retirada britânica deCenário Apocalíptico, prevendo disseminação de conflitos generalizados, seguido de grande êxodo de centenas de milhares de homens, mulheres e crianças como refugiados para o "lado" de cada comunidade na província; nacionalistas migrando para o oeste da Irlanda do Norte, e unionistas se dirigindo para o leste. O maio risco era de uma guerra civil que poderia envolver não só a Irlanda do Norte, mas as vizinhasIrlanda eEscócia ambas com ligações com uma ou com as duas comunidades. Depois, o possível impacto da retirada britânica ganhou a designação deBalcanização da Irlanda do Norte comparando com o violento desmembramento da Iugoslávia e o caos que o sucedeu.
No começo dos anos 1970, oParlamento da Irlanda do Norte depois de o governo unionista liderado pelo primeiro-ministroBrian Faulkner ter se negado a aceitar o governo britânico, exigiu a entrega dos poderes da lei e da ordem. Londres apresentou/introduziu aDirect Rule, ou Governança Direta, a iniciar em 24 de março de 1972.
Novossistemas de governo foram tentados (e fracassaram), incluindo o compartilhamento de poderes, tais como oAcordo de Sunningdale, aDevolução de Rolling e oTratado Anglo-Irlandês. Através dos anos 1990, o fracasso da campanha do IRA para atrair apoio na sociedade ou atingir seus objetivos para a retirada britânica, em particular o desastre de relações públicas em Enniskillen, quando famílias atendendo às cerimônias do Dia da Lembrança, bem como o da substituição da tradicional liderança republicana porGerry Adams, testemunharam um movimento de abandono do conflito armado para favorecer o engajamento político. A essas mudanças seguiu-se o aparecimento de novos líderes em Dublin, como Albert Reynolds, em Londres (John Major) e no unionismo de Ulster, comoDavid Trimble. Contatos, inicialmente entre Adams eJohn Hume, líder doPartido Social Democrata Trabalhista, avançaram numa negociação panpartidária, que em 1998 gerou oAcordo da Sexta-Feira. Uma maioria de ambas as comunidades da Irlanda do Norte aprovaram este acordo, assim como o povo daRepública da Irlanda, que emendaram a constituição,Bunreacht na hÉireann, para substituir areivindicação sobre o território da Irlanda do Norte, reconhecendo o direito soberano de existência deste país, ao mesmo tempo em que reconheceu o desejo nacionalista de ver as duas Irlandas unificadas.
Após oAcordo de Belfast, os eleitores elegeram aAssembleia da Irlanda do Norte para formar um parlamento norte-irlandês. Cada partido que alcança um nível específico de apoio ganha o direito de nomear um membro para o governo e clamar um ministério. O líder do partidounionista,David Trimble, tornou-se Primeiro-ministro da Irlanda do Norte. O chefe do Partido Social Democrata Trabalhista,Seamus Mallon, tornou-se Primeiro-ministro Delegado da Irlanda do Norte, embora o novo líder do partido, Mark Durkan, o tenha substituído subsequentemente. Os unionistas, social-democratas trabalhistas e unionistas democratas e oSinn Fein tinham ministros por direito na assembleia com poderes compartilhados. O governo está sendo dirigido novamente peloSecretário de Estado da Irlanda do Norte,Paul Murphy e uma equipe ministerial que responde a ele.
A formação do executivo, prevista para junho de 1998, esbarra na exigência de líderes protestantes de só admitir o partido Sinn Féin - braço político doIRA - no executivo depois que os guerrilheiros republicanos se desarmarem. Em novembro de 1999, os protestantes aceitam o compromisso do IRA de entregar armas entre fevereiro e maio de 2000. OSinn Féin ocupa dois ministérios. Como parte do acordo, a República daIrlanda retira da constituição uma cláusula que reivindicava a soberania sobre o Ulster.
Em fevereiro de 2000, o governo britânico retoma o controle directo do Ulster, por causa da relutância do IRA em se desarmar. Mas, em maio, o IRA aceita a inspecção internacional de seus depósitos de armas e as autoridades britânicas devolvem o poder ao Parlamento do Ulster. Cresce o optimismo em relação ao processo de paz, com a garantia dada pelos inspectores internacionais de que as armas do IRA estão sob vigilância. O governo de Trimble reassume o controle da região.
O clima de mudança no país foi representado pela visita da rainhaElizabeth II aos prédios do parlamento emStormont, onde ela conheceu os ministros nacionalistas do Partido Social Democrata Trabalhista e conversou sobre os direitos dos irlandeses do norte que reclamavam tratamento idêntico ao dos britânicos. Igualmente, em visita a Irlanda do Norte,Mary McAleese encontrou-se com ministros unionistas e com os lordes-tenentes de cada condado, os representantes da rainha deste país.
A Irlanda do Norte esteve coberta por uma camada de gelo durante quase toda a última era glacial e em muitas ocasiões anteriores. O legado dessas épocas pode ser visto na extensa cobertura dedrumlins nos condados deFermanagh,Armagh,Antrim e, particularmente, emDown. O marco central da geografia da Irlanda do Norte é olago Neagh, que com 392 km² de área configura-se no maior lago de água fresca das ilhas britânicas. Um segundo sistema de lagos bastante extenso é formado pelos lagosErne Superior eInferior, em Fermanagh.
Existem muitos planaltos nasmontanhas Sperrin (uma extensão do dobramento Caledónio) com grandes reservas de ouro, granito (montanhas Mourne) e basalto (platô de Antrim), assim como, em menor escala, no sul de Armagh e ao longo da fronteira Fermanagh-Tyrone. O ponto mais alto é oSlieve Donard, emMournes, com 848 m. A actividade vulcânica que criou o platô de Antrim também formou os pilareseerily, geométricos daCalçada dos Gigantes.
Os riosBann,Foyle eBlackwater formam planícies férteis, com um excelente solo arável encontrado também no norte e no sudeste, embora a maior parte das terras montanhosas sejam marginais e apropriadas para os animais. O vale dorio Lagan é dominado por Belfast, cuja área metropolitana inclui mais de um terço da população da Irlanda do Norte, com grande urbanização e industrialização pesada ao longo do vale do Lagan e nas margens dolago Belfast.
Todo o país tem clima temperado marítimo, mais húmido a oeste que a leste, embora a cobertura das nuvens seja persistente nessa região. O tempo é imprevisível em todas as épocas do ano, e apesar das estações do ano serem distinguíveis, elas são consideravelmente menos pronunciadas que no interior da Europa ou na costa leste da América do Norte. A média de temperatura máxima durante o dia em Belfast é de 6,5 °C em janeiro e 17,5 °C em Julho. A humidade do clima e o grande desflorestamento nos séculos XVI e XVII produziram, na maior parte da região, uma cobertura de verdes gramados.
A maior temperatura registrada foi de 30,8 °C emKnockarevan, perto deBelleek, e a menor temperatura registrada foi de -17,5 °C emMagherally, perto deBanbridge.
Em 2025, a população da Irlanda do Norte se aproximou de 1,9 milhões de pessoas.[1][2] O número de habitantes vem crescendo desde 1978 e subiu 7,5% só na década de 2000, sendo atualmente menos de 3% da população total do Reino Unido (de 62 milhões, em 2011).[3]
A população do país é quase que majoritariamentebranca (98,2%).[3] Em 2011, 88,8% nasceram na Irlanda do Norte, com 4,5% nascidos na Grã-Bretanha e 2,9% naRepública da Irlanda. Outros 4,3% nasceram fora dasilhas britânicas; o triplo se comparado a 2001.[4] A maioria são da Europa oriental, comoLetônia eLituânia. O maior grupo de não-brancos são oschineses (6 300) eindianos (6 200).Negros eram aproximadamente 0,2% da população em 2011 e pessoas de raças misturadas são de 0,2%.[3]
A Irlanda do Norte é uma entidade complexa, dividida entre duas comunidades culturais distintas, os unionistas e os nacionalistas irlandeses. Ambas as comunidades são frequentemente descritas em função de suas ligações religiosas predominantes; os unionistas são predominantementeprotestantes (entre os quais a fé a maior delas é a dopresbiterianismo), e a segunda, em termos de número de adeptos e aIgreja da Irlanda, enquanto os nacionalistas são predominantementecatólicos. Entretanto, ao contrário da crença comum, não são todos os protestantes que apoiam necessariamente o unionismo, com a mesma regra valendo para os católicos em relação ao nacionalismo porém em menor escala.
O que define ocatólico ou oprotestante noUlster não é necessariamente sua participação nos serviços litúrgicos e sua fé, mas sim sua comunidade de origem. A Irlanda do Norte, e mais precisamenteBelfast é toda dividida em áreas de uma ou de outra comunidade.
Uma vez estabelecido noAto do Governo da Irlanda de 1920, a Irlanda do Norte foi estruturada geograficamente para ter maioria unionista, que temem por seu destino se ocorresse a unificação das Irlandas. Porém, a população católica vem crescendo em porcentagem dentro da Irlanda do Norte devido a imigração de católicos para o país, enquanto a população protestante vem diminuindo devido ao fato dos protestantes serem a maioria entre os idosos.
Em 2021, o número de católicos que vivem na Irlanda do Norte ultrapassou o total de protestantes e outras denominações cristãs pela primeira vez. A Agência de Estatística e Pesquisa da Irlanda do Norte salienta que 42,31% da população identificou-se como católica, enquanto 37,36% disseram ser protestantes, sendo que 9,3% da população diz não pertencer a nenhuma religião, acima dos 5,6% em 2011.[7]
Como com oAcordo da Sexta-Feira Santa está garantido que a Irlanda do Norte permanecerá ligada aoReino Unido enquanto sua população o desejar, é provável que em alguns anos o Ulster volte a integrar-se à Irlanda, como uma região e não como um país separado.
Como parte doReino Unido, os habitantes da Irlanda do Norte são cidadãos britânicos. Também têm direito de obter acidadania irlandesa por nascimento, algo que é garantido peloAcordo de Belfast, realizados entre os governos britânico e irlandês, que dispõe que éo direito natural de todo o povo da Irlanda do Norte a identificar-se e se aceitarem como irlandês ou britânicos, ou ambos, como eles podem então escolher, e, portanto, [os dois governos] confirmam o seu direito de possuir tanto a cidadania britânica quanto a irlandesa e as mesmas devem ser aceitas por ambos governos e não seriam afectados por qualquer mudança no status futuro da Irlanda do Norte.
Como resultado do acordo, a Constituição da Irlanda[8] foi alterada de modo que as pessoas nascidas na Irlanda do Norte têm o direito de serem cidadãos irlandeses da mesma forma como qualquer outro habitante daRepública da Irlanda.
Contudo os governos (irlandês e britânico) não estendem a suacidadania a todas as pessoas nascidas na Irlanda do Norte. Ambos excluem algumas pessoas nascidas na Irlanda do Norte (como, por exemplo, certas pessoas nascidas na Irlanda do Norte cujo nenhum dos progenitores não seja nacional doReino Unido ou República da Irlanda). A restrição irlandesa foi dada efetiva pela vigésima sétima emenda na constituição, em 2004.
Vários estudos e pesquisas realizados entre 1971 e 2006 indicaram que, em geral, os protestantes da Irlanda do Norte tendem a se identificarem mais como “britânicos”, enquanto que os católicos consideram-se principalmente como “irlandeses”.[9][10][11][12][13][14][15][16]
Estes dados, contudo, não representam as identidades complexas da Irlanda do Norte, dado que muitos se consideram da “Irlanda do Norte” ou do “Ulster”, quer a título principal, ou como uma identidade secundária. Uma pesquisa de 2008 revelou que 57% dos protestantes se descreveram como britânicos, enquanto 32% se identificavam como norte-irlandeses, 6% como "ulsters" e 4% como irlandeses. Comparado com o mesmo inquérito realizado em 1998, isso mostra uma queda no percentual de protestantes que se identificam como britânicos e ulsters e um aumento nos que se identificaram como norte-irlandeses. A pesquisa de 2008 constatou que 61% dos católicos se descreveram como o irlandeses, 25% se identificam como da Irlanda do Norte, 8% como britânicos e 1% como ulsters. Esses números permaneceram praticamente inalterados desde 1998 .[17][18]
Para além disso, a Irlanda do Norte tem uma assembleia legislativa com 108 deputados, actualmente suspensa. Está ainda representada noParlamento Europeu com 3 deputados.
Unionistas costumam chamar a Irlanda do Norte de "Ulster" ou de "a Província"; osnacionalistas costumam usar os termos "o Norte da Irlanda" ou "os Seis Condados". Ultimamente o termoUlster tem sido muito utilizado pelos republicanos, pois desta forma tratam da Irlanda do Norte como uma região daIrlanda. O Ulster formou uma dasprovíncias históricas da ilha da Irlanda e consiste de 9 condados. Três desses agora são parte daRepública da Irlanda. Os seis condados remanescentes se tornaram a Irlanda do Norte:
Esses condados tradicionais não são mais usados para fins de governo local, em vez disso são 26distritos da Irlanda do Norte. Os "seis condados" permanecem para fins culturais como o GAA e A Ordem Laranja.
A economia da Irlanda do Norte é a menor das quatro nações do Reino Unido, baseia-se na agricultura e na indústria. Predominam as pequenas propriedades cuja produção agropecuária conta com gado bovino, ovino, suíno e aves de quintal. As principais culturas agrícolas são batatas, cereais e frutas. As indústrias, entre as quais se destacam a têxtil baseada no linho e a náutica, são algumas das mais importantes fontes de riqueza.
↑Institute of Governance, 2006."National identities in the UK: do they matter?" Briefing No. 16, January 2006. Retrieved from«IoG_Briefing»(PDF). Consultado em 25 de outubro de 2009. Arquivado dooriginal(PDF) em 22 de agosto de 2006PDF (211 KB) on 24 August 2006.
↑[1]Arquivado em 27 de setembro de 2007, noWayback Machine. University of York Research Project 2002-2003 L219252024 - Public Attitudes to Devolution and National Identity in Northern Ireland
↑Northern Ireland: Constitutional Proposals and the Problem of Identity, by J. R. Archer The Review of Politics, 1978