Independência é a desassociação de um ser em relação a outro, do qual dependia ou era por ele dominado. É o estado de quem ou do que tem liberdade ou autonomia.
EmPolítica, o conceito deindependência de umpaís outerritório é a conquista e manutenção da suasoberania política e econômica, que pode serabsoluta ourelativa.
Aindependência absoluta diz respeito aos estados que possuem integral governo de seus atos, no plano interno, regido ou não peloEstado de Direito. Diz-serelativa a Independência quando o ente goza de determinadas competências que lhe são exclusivas, e que devem ser respeitadas pelo ente hierarquicamente superior (por exemplo: o estado ou província, em relação aos municípios), ou em casos excepcionais, os Estados sob intervenção internacional (exemplo: oHaiti sob intervenção da ONU).
Afonso VI de Leão e Castela, (autodenominado Imperador de toda a Espanha), entregou por mérito a um cruzado o governo do Reino da Galiza ao CondeRaimundo, juntamente com a sua filhaUrraca para que estes formassem uma aliança. A partir daí, as chamadasterras de Portucale passam a ser umCondado (Condado Portucalense) dependente do Reino da Galiza, que por sua vez prestavavassalagem a Afonso VI de Leão e Castela, Imperador de toda aHispânia Cristã.
Alguns anos mais tarde, em1096, descontente com as políticas bélicas de Raimundo, Afonso VI entrega o governo do Condado Portucalense ao primo de Raimundo, Rei do Reino da Galiza, oConde D. Henrique deBorgonha, juntamente com a sua outra filha,D. Teresa, passando assim a serConde de Portucale. Na prática, o Condado Portucalense deixava de ser dependente doReino de Galiza, para prestar vassalagem directamente ao Reino de Leão, o que provocou um grande descontentamento entre a nobrezagalega.
Deste condado, nasceria o reino de Portugal. D. Henrique governou no sentido de conseguir uma completa autonomia para o seu condado e deixou uma terra portucalense muito mais livre do que aquela que recebera. Aquando a morte de D. Henrique (1112), sucede-lhe a viúva deste, D. Teresa, no governo do condado durante a menoridade do seu filhoAfonso Henriques. Inicialmente, o pensamento de D. Teresa foi idêntico ao do seu marido: fortalecer a vida portucalense, conseguir a independência para o condado. D. Teresa começou (1121) a intitular-se «Rainha», mas os muitos conflitos diplomáticos e a influência que concedeu a alguns nobres galegos (principalmente aFernão Peres) na gerência dos negócios públicos prejudicou o seu esforço de tal maneira a que D. Teresa foi obrigada a abdicar das suas pretensões, e mudar de política. Por esta altura, D. Teresa planeava uma união com a poderosa família galega dos Trava, unindo assim novamente o Condado Portucalense ao Reino de Galiza, inviabilizando toda e qualquer aspiração portuguesa à independência.
Aos catorze anos de idade (1125), o jovem Afonso Henriques, com o apoio da nobreza portuguesa, arma-se a si própriocavaleiro – segundo o costume dos reis – tornando-se assim guerreiro independente. A posição de favoritismo em relação aos nobres galegos e a indiferença para com os fidalgos e eclesiásticos portucalenses por parte de sua mãe, D. Teresa, originou a revolta destes, sob chefia do seu filho,D. Afonso Henriques.
A luta entre D. Afonso Henriques e sua mãe desenrola-se, até que a 24 de Junho de1128 se trava aBatalha de São Mamede (Guimarães) e D. Teresa é expulsa da terra que dirigira durante 15 anos. Uma vez vencida, D. Afonso Henriques toma conta do condado, declarando-o reino independente, dado que ele era neto deAfonso VI,Imperador de toda a Hispânia, passando a assinar todos os documentos oficiais não como Conde, mas sim como Rei.
Continuou, no entanto, a lutar contra as forças deAfonso VII de Leão e Castela (inconformado com a perda das terras portuguesas, pois à semelhança de sei pai, Afonso VI, ele também se intitulava como Imperador), enquanto paralelamente travava lutas contra osmuçulmanos. Em1139, depois de uma estrondosa vitória nabatalha de Ourique contra um forte contingentemouro,D. Afonso Henriques afirma-se comoRei de Portugal, e com o apoio dos chefes portugueses, é aclamado como Rei soberano.
Na continuação das conquistas procurou também terreno ao sul, povoado, até então, pormouros e, após ver malograda a primeira tentativa deconquistar Lisboa em1142, feito que só conseguiu realizar em24 de Outubro do mesmo ano, após conquistarSantarém no dia15 de Março com o auxílio de uma poderosa esquadra com 160 navios, e um contingente de 12 a 13 milcruzados que se dirigiam para aTerra Santa.
Em 1807, o exércitofrancês invadiu o Reino de Portugal, que se recusava a participar dobloqueio continental contra oReino Unido. Incapaz de resistir ao ataque, a família real e o governo português fugiram para o Brasil, que era então a mais rica e desenvolvida das colônias portuguesas.[1][2] A instalação do Tribunal de Justiça no Rio de Janeiro representou uma série de transformações políticas, econômicas e sociais que levaram à decisão do Príncipe RegenteD. João, em 16 de dezembro de 1815, de elevar oBrasil à condição dereino,unido com sua ex-metrópole.[3]
Porém, em 1820, arevolução liberal eclodiu emPortugal e a família real foi forçada a retornar aLisboa. Antes de deixar o Brasil, no entanto, D. João nomeou o seu filho mais velho,D. Pedro de Alcântara de Bragança, comoPríncipe Regente do Brasil (1821). Embora Dom Pedro fosse fiel ao pai, a vontade dascortes portuguesas emrepatriá-lo e de retornar o Brasil ao seu antigo estatuto colonial o levou a rebelar-se. Oficialmente a data para independência do Brasil é de 7 de setembro de 1822, ocasião em que ocorreu o evento conhecido como oGrito do Ipiranga. Em 12 de outubro de 1822, o príncipe foi aclamado D. Pedro I, Imperador do Brasil, sendo coroado e consagrado em 1º de dezembro de 1822, e o país passou a ser conhecido como oImpério do Brasil.
Durante aguerra de independência — iniciada com aexpulsão dos exércitos portugueses de Pernambuco em 1821 — formou-se oExército Brasileiro, a partir da contratação de mercenários, alistamento de civis e de algumas tropas coloniais portuguesas. O exército imediatamente se opôs às forças portuguesas, que controlavam algumas partes da nação.[4] Ao mesmo tempo que oconflito tomava lugar, ocorreu emPernambuco um movimento revolucionário conhecido como aConfederação do Equador, que pretendia formar seu próprio governo,republicano, mas foi duramente reprimido. Depois de três anos de conflito armado,Portugal finalmente reconheceu a independência do Brasil, e em 29 de agosto de 1825 foi assinado oTratado de Amizade e Aliança firmado entre Brasil e Portugal. Em troca do reconhecimento como estado soberano, oBrasil se comprometeu a pagar ao Reino de Portugal uma indenização substancial e assinar um tratado de comércio com oReino Unido como indenização por sua mediação.
Vários movimentos políticos e sociais reivindicam a autonomia de territórios ou nações, atualmente sob domínio de outros. Alguns optam pela via pacífica ediplomática para fazer valer suas exigências. Outros, no entanto, apelam para luta armada e atéterrorismo.
↑Andrade, Maria Ivone de Ornellas de. "O reino sob tormenta". In: Marques, João et alii.Estudos em homenagem a João Francisco Marques, Volume I. Universidade do Porto, sd, pp. 137-144
↑Valuguera, Alfonso B. de Mendoza Y Gómez de. "Carlismo y miguelismo". In: Gómez, Hipólito de la Torre & Vicente, António Pedro.España y Portugal. Estudios de Historia Contemporánea. Editorial Complutense, 1998, pp. 13-14
↑GOMES, L.1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007.